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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Agora também com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1571  
  29/03 a 01/04/2019  
     
 
29/03/19 - Observação Noturna + palestra - MUDANÇA DA HORA
21:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema astronómico, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Adultos: 2€ | Jovens: 1€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt
 
     
 
12/04/19 - Noites Astronómicas em Tavira
21:00-22:00 - A sessão será dedicada a observação da lua. Será também possível fazer um registo fotográfico da lua e das suas crateras com auxílio de telescópio.
Local: Praça da República - Tavira
Telefones: 281 326 231; 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
 
     
 
Efemérides

Dia 29/03: 88.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1807, Vesta, o asteroide mais brilhante e o único que por vezes pode ser visto a olho nu, é descoberto por Heinrich Wilhem Olbers.
Em 1941 nascia Joseph Hooton Taylor, Jr., astrofísico americano.

Foi laureado com o Prémio Nobel da Física pela sua descoberta, em conjunto com Russell Alan Hulse, de um novo tipo de pulsar num sistema binário, que usou para demonstrar a existência da radiação gravitacional, prevista por Einstein. 
Em 1974, a sonda Mariner 10 torna-se a primeira a passar por Mercúrio.
Observações: Nas horas antes do nascer-do-Sol, olhe para sudeste. A Lua encontra-se perto de Saturno, o ponto brilhante para cima do nosso satélite natural.
A oeste, após o anoitecer, aviste o alaranjado planeta Marte a apenas 3º do delicado enxame das Plêiades. A passagem de Marte perto de M45 tem a duração de alguns dias.

Dia 30/03: 89.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1982, acaba a missão STS-3, com a aterragem do Columbia no Novo México.

Em 2017, a SpaceX leva a cabo a sua primeira reutilização de um foguetão de classe orbital. 
Observações: Castor e Pollux brilham juntas quase no zénite a sul depois do anoitecer. Pollux é ligeiramente mais brilhante que o seu "gémeo" estelar. Desenhe uma linha a partir de Castor, passando por Pollux, siga-a por aproximadamente 26º (cerca de 2,5 punhos à distância do braço esticado) e chega à ténue cabeça de Hidra, a Serpente Marinha. Num céu escuro é um grupo estelar subtil mas distintivo, com mais ou menos o tamanho do polegar à distância do braço esticado. Uns binóculos mostram-na facilmente através de poluição luminosa ou luar.
Continue a linha por outro punho e meio e chega a Alphard, o coração alaranjada de Hidra.
Outra maneira de encontrar a cabeça de Hidra: fica quase no ponto intermédio entre Procyon e Régulo.

Dia 31/03: 90.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, lançamento da sonda soviética Luna 10, que mais tarde se torna na primeira a orbitar a Lua.

Em 1970, o Explorer 1 reentra na atmosfera da Terra (após 12 anos em órbita).
Observações: Olhe bem baixo a nordeste, depois da hora de jantar, para testemunhar o nascimento de Vega, a "Estrela de Verão". Assim que Vega sobe acima das camadas mais espessas de ar, brilha praticamente à mesma magnitude que Arcturo, a "Estrela de Primavera" que está alta a este.

Dia 01/04: 91.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960 os Estados Unidos lançavam o primeiro satélite meteorológico, TIROS-1, que produz também a primeira imagem televisiva a partir do espaço.

Em 1976, o efeito gravitacional Joviano-Plutoniano, um embuste do "Dia das Mentiras", é pela primeira vez anunciado pelo astrónomo Patrick Moore
Em 1997, o Cometa Hale-Bopp passa o periélio.
Observações: O grande e brilhante Hexágono de Inverno ainda pode ser observado depois do anoitecer, preenchendo o céu a sudoeste e oeste. Comece com a brilhante Sirius a sudoeste, o canto inferior esquerdo do Hexágono. Bem para cima de Sirius encontra-se Procyon. Daí, salte até Pollux e Castor, ainda mais altas, e para a direita de Castor até Menkalinen e Capella, para Aldebarã, Rigel em Orionte, e depois novamente para Sirius.

 
     
 
Curiosidades


A ESA tem uma nova competição na qual os cidadãos da Terra podem enviar sons do nosso planeta, para Marte, a bordo do próximo rover da agência. O som vencedor será usado para verificar a funcionalidade da experiência MAIGRET que vai procurar frequências eletromagnéticas típicas de relâmpagos. Sabemos que Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno têm relâmpagos, mas ainda não sabemos se Marte tem. Pode ver os candidatos já submetidos, votar e enviar a sua própria gravação através do site: https://mars.vesmir.cz/

 
 
   
Instrumento GRAVITY abre novos caminhos na obtenção de imagens de exoplanetas
 
O instrumento GRAVITY montado no VLTI (Interferómetro do Very Large Telescope) do ESO obteve a sua primeira observação direta de um exoplaneta, utilizando interferometria ótica. Este método revelou uma atmosfera exoplanetária complexa com nuvens de ferro e silicatos no seio de uma tempestade que engloba todo o planeta. Esta técnica apresenta possibilidades únicas para caracterizar muitos dos exoplanetas que se conhecem atualmente. Esta imagem artística mostra o exoplaneta observado, HR 8799e.
Crédito: ESO/L. Calçada
 

O instrumento GRAVITY montado no VLTI (Interferómetro do Very Large Telescope) do ESO obteve a sua primeira observação direta de um exoplaneta, utilizando interferometria ótica. Este método revelou uma atmosfera exoplanetária complexa com nuvens de ferro e silicatos no seio de uma tempestade que engloba todo o planeta. Esta técnica apresenta possibilidades únicas para caracterizar muitos dos exoplanetas que se conhecem atualmente.

Este resultado foi anunciado numa carta à revista Astronomy & Astrophysics pela Colaboração GRAVITY, na qual foram apresentadas observações do exoplaneta HR 8799e usando interferometria ótica. Este exoplaneta foi descoberto em 2010 em órbita de uma estrela jovem de sequência principal, HR 8799, situada a cerca de 129 anos-luz de distância da Terra na constelação de Pégaso.

Os resultados, que revelam novas características de HR 8799e, necessitaram de um instrumento de muito alta resolução e sensibilidade. O GRAVITY pode usar os quatro Telescópios Principais do VLT do ESO em uníssono como se de um único telescópio enorme se tratassem, utilizando uma técnica conhecida por interferometria. Este supertelescópio — o VLTI — recolhe e separa de forma precisa a radiação emitida pela atmosfera de HR 8799e e a radiação emitida pela sua estrela progenitora.

 
Vista aérea da plataforma de observação situada no topo da montanha Paranal (por volta de finais de 1999), com as quatro cúpulas dos Telescópios Principais de 8,2 metros e várias instalações para o VLTI (Interferómetro do Very Large Telescope). Sobrepostos sobre a imagem estão três Telescópios Auxiliares (ATs) de 1,8 metros e o percurso dos raios luminosos. Podemos ver também 30 posições onde os ATs são colocados para as observações e donde os raios luminosos vindos dos telescópios podem entrar no Túnel Interferométrico situado por baixo. As estruturas direitas são suportes para os carris onde os telescópios se deslocam de uma posição para outra. O Laboratório Interferométrico (parcialmente subterrâneo) encontra-se no centro da plataforma. Crédito: ESO
 

HR 8799e é um exoplaneta do tipo "super-Júpiter", um mundo diferente de qualquer um dos planetas existentes no Sistema Solar, já que é mais massivo e muito mais jovem do que qualquer dos planetas que orbita o nosso Sol. Com apenas 30 milhões de anos, este exoplaneta bebé é suficientemente jovem para dar aos astrónomos pistas sobre a formação de planetas e sistemas planetários. O exoplaneta é completamente inóspito — a energia que restou da sua formação e um forte efeito de estufa fazem com que HR 8799e apresente uma temperatura de cerca de 1000º C à sua superfície.

Esta é a primeira vez que interferometria ótica é utilizada para revelar detalhes sobre um exoplaneta e a nova técnica deu-nos um espectro extremamente detalhado com uma qualidade sem precedentes — dez vezes mais detalhado do que observações anteriores. As medições levadas a cabo pela equipa revelaram a composição da atmosfera de HR 8799e — a qual contém algumas surpresas.

"A nossa análise mostrou que HR 8799e tem uma atmosfera que contém muito mais monóxido de carbono do que metano — algo que não se espera do equilíbrio químico," explica o líder da equipa Sylvestre Lacour, investigador do CNRS no Observatório de Paris - PSL e no Instituto Max Planck de Física Extraterrestre. "A melhor maneira de explicar este resultado surpreendente é com elevados ventos verticais no seio da atmosfera, os quais impedem o monóxido de carbono de reagir com o hidrogénio para formar metano."

 
Esquema do Interferómetro do VLT. A radiação emitida por um objeto celeste distante é recolhida por dois dos telescópios do VLT e é refletida por vários espelhos para o Túnel Interferométrico, situado por baixo da plataforma do Paranal. Duas Linhas de Atraso com carruagens amovíveis ajustam continuamente o comprimento dos percursos, de modo a que os dois raios interfiram de maneira construtiva e produzam franjas de interferência no foco interferométrico no laboratório. Crédito: ESO
 

A equipa descobriu que a atmosfera contém igualmente nuvens de poeira de ferro e silicatos. Quando combinado com o excesso de monóxido de carbono, este facto sugere-nos que a atmosfera de HR 8799e esteja a sofrer os efeitos de uma enorme e violenta tempestade.

"As nossas observações sugerem uma bola de gás iluminada do interior, com raios de luz quente em movimento nas nuvens escuras tempestuosas," explica Lacour. "A convecção faz movimentar as nuvens de partículas de ferro e silicatos, que se desagregam provocando chuva no interior. Este cenário mostra-nos uma atmosfera dinâmica num exoplaneta gigante acabado de formar, onde ocorrem processos físicos e químicos altamente complexos."

Este resultado junta-se ao já impressionante conjunto de descobertas feitas com o auxílio do GRAVITY, as quais incluem a observação do ano passado de gás a espiralar com uma velocidade de 30% da velocidade da luz na região logo a seguir ao horizonte de eventos do buraco negro supermassivo que se situa no Centro Galáctico. Este novo resultado acrescenta mais uma maneira de observar exoplanetas ao já extenso arsenal de métodos disponíveis aos telescópios e instrumentos do ESO — abrindo caminho a muitas outras descobertas impressionantes.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (PDF)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
13/10/2017 - Caçadores de exoplanetas gigantes: procurem discos de detritos
20/05/2016 - Cintura de cometas em redor de sistema multiplanetário aponta para planetas escondidos ou errantes
12/03/2013 - Astrónomos levam a cabo primeiro reconhecimento remoto de sistema estelar
14/12/2010 - Fotografado primeiro sistema com quatro exoplanetas
03/09/2010 - Espectro de jovem exoplaneta gasoso contém resultados surpreendentes
16/04/2010 - Modesto telescópio terrestre fotografa três exoplaneta
15/11/2008 - Grandes descobertas: primeiras imagens de planetas em torno de outras estrelas

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HR 8799e:
NASA
Exoplanet.eu
Open Exoplanet Catalogue
Wikipedia

HR 8799:
Wikipedia
Exoplanet.eu

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Dois novos planetas descobertos usando Inteligência Artificial
 
Impressão de artista do Telescópio Espacial Kepler.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Wendy Stenzel
 

Astrónomos da Universidade do Texas em Austin, EUA, numa parceria com a Google, usaram Inteligência Artificial (IA) para descobrir mais dois planetas escondidos no arquivo do Telescópio Espacial Kepler. A técnica é promissora no que toca a identificar muitos planetas adicionais que os métodos tradicionais não conseguiram detetar.

Os planetas descobertos desta vez pertencem à missão estendida do Kepler, chamada K2.

Para os encontrar, a equipa, liderada pela estudante Anne Dattilo, criou um algoritmo que examina os dados do Kepler para descobrir sinais que foram perdidos pelos métodos tradicionais de caça exoplanetária. A longo prazo, o processo deverá ajudar os astrónomos a encontrar muitos outros planetas escondidos nos dados do Kepler. As descobertas foram aceites para publicação numa edição futura da revista The Astronomical Journal.

Outros membros da equipa incluem Andrew Vanderburg, também da mesma universidade, e o engenheiro da Google Christopher Shallue. Em 2017, Vanderburg e Shallue usaram pela primeira vez IA para encontrar um planeta em torno de uma estrela do catálogo Kepler - uma já conhecida por abrigar sete planetas. A descoberta tornou esse sistema o único conhecido por ter tantos exoplanetas quanto o nosso.

Datillo explicou que este projeto necessitava de um novo algoritmo, já que os dados obtidos durante a missão prolongada do Kepler, K2, diferem significativamente daqueles recolhidos durante a missão original do telescópio.

 
Anne Dattilo, estudante no Departamento de Astronomia da Universidade do Texas.
Crédito: Anne Dattilo
 

"Os dados da missão K2 são mais difíceis de trabalhar porque o telescópio move-se o tempo todo," explicou Vanderburg. Esta mudança surgiu após uma falha mecânica. Embora os planeadores da missão tenham encontrado uma solução alternativa, o telescópio ficou com uma oscilação que a IA teve que levar em conta.

As missões Kepler e K2 já descobriram milhares de planetas em torno de outras estrelas, com um número igual de candidatos aguardando confirmação. Porque, então, é que os astrónomos precisam de usar Inteligência Artificial para procurar ainda mais nos arquivos do Kepler?

"A IA vai ajudar-nos a examinar o conjunto de dados de maneira uniforme," disse Vanderburg. "Mesmo que todas as estrelas tivessem um planeta do tamanho da Terra, não os encontraríamos todos. Isto porque alguns dos dados têm muito ruído, ou às vezes os planetas não estão alinhados corretamente. De modo que temos que corrigir os que perdemos. Sabemos que existem muitos planetas por aí que não vemos por esses motivos.

"Se quisermos saber quantos planetas existem no total, precisamos de saber quantos planetas encontrámos, mas também precisamos de saber quantos planetas falhámos em encontrar. É aqui que entra a IA," explicou.

Os dois planetas que a equipa de Dattilo encontrou "são ambos muito típicos dos planetas encontrados durante a missão k2," realçou. "Estão muito perto da sua estrela-mãe, têm períodos orbitais curtos e são quentes. São ligeiramente maiores do que a Terra."

Dos dois planetas, um é chamado K2-293b e orbita uma estrela a 1300 anos-luz de distância na direção da constelação de Aquário. O outro, K2-294b, orbita uma estrela a 1230 anos-luz de distância, também localizada em Aquário.

Assim que a equipa usou o seu algoritmo para encontrar estes planetas, fizeram observações de acompanhamento com telescópios terrestres para confirmar que os planetas eram reais. Estas observações foram feitas com o telescópio de 1,5 metros no Observatório Whipple do Instituto Smithsonian, no estado norte-americano do Arizona, e com o Telescópio Gillett do Observatório Gemini, no Hawaii.

O futuro do conceito de Inteligência Artificial para encontrar planetas escondidos em conjuntos de dados parece brilhante. O algoritmo atual pode ser usado para examinar todo o conjunto de dados da missão K2, disse Dattilo - aproximadamente 300.000 estrelas. Ela também acredita que o método é aplicável à missão de caça exoplanetária do sucessor do Kepler, o TESS, lançado em abril de 2018. A missão do Kepler terminou no final desse ano.

Dattilo planeia continuar, no outono, o seu trabalho de usar IA para caçar exoplanetas.

// Universidade do Texas (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (PDF)

 


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Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Wikipedia

 
   
Disparos laser mostram que o bombardeamento de asteroides e o hidrogénio são bons "ingredientes" para a "receita" da vida em Marte

Um novo estudo revela que os impactos de asteroides no passado de Marte podem ter produzido ingredientes essenciais para a vida caso a atmosfera marciana tenha sido rica em hidrogénio. Uma atmosfera inicial rica em hidrogénio também explicaria como o planeta permaneceu habitável depois da sua atmosfera ter ficado mais fina. O estudo usou dados do rover Curiosity da NASA e foi realizado por investigadores da equipa do instrumento SAM (Sample Anaylsis at Mars) do Curiosity e por colegas internacionais.

Estes ingredientes-chave são nitritos (NO2-) e nitratos (NO3-), formas fixas de azoto que são importantes para o estabelecimento e sustentabilidade da vida como a conhecemos. O Curiosity descobriu estes elementos em amostras de solo e rocha ao atravessar a Cratera Gale, local de antigos lagos e sistemas de águas subterrâneas em Marte.

 
Este auto-retrato do rover Curiosity da NASA mostra o veículo na Cratera Gale em Marte. O norte está para a esquerda e o oeste à direita, os limites da Cratera Gale em ambos os lados. Este mosaico foi montado a partir de dúzias de imagens obtidas pelo instrumento MAHLI (Mars Hands Lens Imager) do Curiosity. Foram todas captadas no dia 23 de janeiro de 2018, durante o sol 1943.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
 

Para compreender como o azoto fixado pode ter sido depositado na cratera, os cientistas precisaram de recriar a atmosfera primitiva de Marte aqui na Terra. o estudo, liderado pelo Dr. Rafael Navarro-González e pela sua equipa de cientistas do Instituto de Ciências Nucleares da Universidade Nacional Autónoma do México, na Cidade do México, usou uma combinação de modelos teóricos e dados experimentais para investigar o papel do hidrogénio na alteração de azoto em nitritos e nitratos usando a energia de impactos de asteroide. O artigo foi publicado na edição de janeiro da revista Journal of Geophysical Research: Planets.

No laboratório, o grupo usou pulsos laser para simular as ondas de choque altamente energéticas criadas por asteroides que colidem com a atmosfera. Os pulsos foram focados num frasco contendo misturas dos gases hidrogénio, azoto e dióxido de carbono, representando a atmosfera primitiva de Marte. Após os pulsos laser, a mistura resultante foi analisada para determinar a quantidade de nitratos formados. Os resultados foram, no mínimo, surpreendentes.

 
Uma porção da configuração experimental que Rafael Navarro-González, astrobiólogo do Instituto de Ciências Nucleares da Universidade Nacional Autónoma do México, na Cidade do México, coinvestigador do SAM, e sua equipa de cientistas usaram para simular impactos de asteroides na atmosfera primitiva de Marte. O frasco (centro) contém uma composição dos gases dióxido de carbono, azoto e hidrogénio. Um laser infravermelho de alta intensidade está focado no frasco graças a uma lente (esquerda), para simular as ondas de choque altamente energéticas produzidas pelos asteroides que entram na atmosfera marciana. O gás e então evacuado do frasco e analisado para determinar a composição e níveis de fixação de azoto.
Crédito: Rafael Navarro-González
 

"A grande surpresa foi que a quantidade de nitrato aumentou quando o hidrogénio foi incluído nas experiências que simularam os impactos de asteroides," disse Navarro-González. "Isto foi contraintuitivo, já que o hidrogénio leva a um ambiente pobre em oxigénio, enquanto a formação de nitratos requer oxigénio. No entanto, a presença de hidrogénio levou a um arrefecimento mais rápido do gás aquecido pelo choque, prendendo óxido nítrico, o percursor do nitrato, a temperaturas elevadas onde a sua quantidade produzida era maior."

Embora estas experiências tenham sido realizadas num ambiente controlado de laboratório, a milhões de quilómetros do Planeta Vermelho, os cientistas queriam simular os resultados obtidos com o Curiosity usando o instrumento SAM. O SAM recolhe amostras perfuradas de rochas ou tiradas da superfície pelo braço mecânico do rover e "cozinha-as" para examinar as impressões digitais químicas dos gases libertados.

"O SAM, a bordo do Curiosity, foi o primeiro instrumento a detetar nitrato em Marte," disse Christopher McKay, coautor do artigo do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia. "Devido aos baixos níveis de azoto gasoso na atmosfera, o nitrato é a única forma biologicamente útil de azoto em Marte. Assim, a sua presença no solo é de grande importância astrobiológica. Este artigo científico ajuda-nos a entender as possíveis fontes desse nitrato."

Porque é que os efeitos do hidrogénio são tão fascinantes? Embora a superfície de Marte seja hoje fria e inóspita, os cientistas pensam que uma atmosfera mais espessa, enriquecida com gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e vapor de água, pode ter aquecido o planeta no passado. Alguns modelos climáticos mostram que pode ter sido necessária a adição de hidrogénio na atmosfera a fim de elevar a temperatura o suficiente para ter água líquida à superfície.

"Ter mais hidrogénio como gás de efeito estufa na atmosfera é interessante tanto para a história climática de Marte quanto para a sua habitabilidade," acrescentou Jennifer Stern, geoquímica planetária do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA, coinvestigadora do estudo. "Se temos uma ligação entre duas coisas boas para a habitabilidade - um clima potencialmente mais quente com água líquida à superfície e um aumento na produção de nitratos, que são necessários para a vida - é muito emocionante. Os resultados deste estudo sugerem que estes dois itens, que são importantes para a vida, encaixam juntos e melhoram a presença um do outro."

Mesmo que a composição da atmosfera primitiva de Marte continue a ser um mistério, estes resultados podem fornecer mais peças para resolver este enigma climático.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Journal of Geophysical Research: Planets)

 


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  Começou a caça aos planetas mais parecidos com a Terra (via Universidade de Vanderbilt)
Uma equipa de astrónomos identificou os alvos mais promissores para a procura de exoplanetas habitáveis com a nova missão TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA. O novo catálogo contém as 250.000 estrelas mais prováveis de albergar um planeta como o nosso. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - As Estrelas Gaia de M15
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Robert Vanderbei (Universidade de Princeton)ESAGaiaDPAC
 
Messier 15 é uma antiga relíquia com 13 mil milhões de anos dos primeiros anos da nossa Galáxia, um de cerca de 170 enxames globulares que ainda vagueiam pelo halo da Via Láctea. Com mais ou menos 200 anos-luz de diâmetro, está situado a aproximadamente 35.000 anos-luz de distância na direção da constelação de Pégaso. Mas esta visão realística do antigo enxame globular não é uma fotografia. Ao invés, é um "gif" animado construído a partir de medições individuais notavelmente precisas de posições de estrelas, brilhos e cores. O astronomicamente rico conjunto de dados usado foi feito pelo satélite Gaia que também determinou distâncias de paralaxe para 1,3 mil milhões de estrelas da Via Láctea. Nesta animação, as estrelas cintilantes são estrelas RR Lyrae de M15. Abundantes neste enxame, as estrelas RR Lyrae são estrelas pulsantes variáveis cujo brilho e período de pulsação, tipicamente menos de um dia, estão relacionados.
 
   
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