24/05/19 - Noites Astronómicas em Tavira
21:30-22:30 - Enquanto nos despedimos de algumas constelações de outono/inverno vamos aproveitar para dar as boas vindas a algumas constelações de primavera/verão assim como ao gigante planeta do nosso Sistema Solar, Júpiter. Esta atividade é gratuita. Local:Forte do Rato Informações e incrições: 281 326 231; 924 452 528; geral@cvtavira.pt (pré-inscrição obrigatória; a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo de participantes)
Efemérides
Dia 07/05: 127.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1975, era lançado o Observatório Espacial de raios-X, Explorer 53.
Em 1992, o vaivém espacial Endeavour descolava pela primeira vez (STS-49).
Em 1997, a sonda Galileo fazia o seu quarto voo rasante por Ganimedes. Observações: A Lua Crescente encontra-se a oeste-noroeste ao lusco-fusco perto de Marte e de Beta Tauri (para a esquerda do Planeta Vermelho) e muito perto de Zeta Tauri, de 3.ª magnitude.
Dia 08/05: 128.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1962, era lançado o primeiro foguetão Atlas Centauro. Observações: A Lua Crescente brilha esta noite aos pés de Gémeos, bem para baixo de Pollux e Castor. Ao anoitecer, procure Betelgeuse piscando a uma distância semelhante, mas para baixo da Lua.
Arcturo é a estrela mais brilhante a este por estas noites.
Espiga brilha para baixo e para a direita, a cerca de três punhos à distância do braço esticado. Para a direita de Espiga está a constelação de Corvo.
Dia 09/05: 129.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1971, lançamento da Mariner 8.
Tinha como objetivo entrar em órbita de Marte e enviar imagens e dados, mas o veículo de lançamento falhou e nem conseguiu alcançar órbita terrestre. Observações: A Lua Crescente brilha a oeste após o lusco-fusco, com Pollux e Castor para cima e para a direita e Procyon mais distante para baixo e para a esquerda.
Faltam ainda mais de cinco semanas para o verão, mas o Triângulo de Verão já começa a aparecer a este, uma estrela após a outra. A primeira a aparecer é Vega, já baixa a nordeste depois do anoitecer. Depois nasce Deneb, para baixo e para a esquerda de Vega, a dois ou três punhos à distância do braço esticado. Finalmente, nasce Altair, que surge para baixo e para a direita de Deneb depois da meia-noite.
Curiosidades
Devido ao efeito de precessão, a estrela Vega tornar-se-á na nossa nova Estrela Polar daqui a quase 12 mil anos. Já o foi no passado, por volta do ano 12.000 AC.
LIGO e Virgo detetam novas colisões
Impressão de artista da colisão de duas estrelas de neutrões.
Crédito: NASA/Swift/Dana Berry
No dia 25 de abril de 2019, o LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) da NSF (National Science Foundation) e o detetor europeu Virgo registaram ondas gravitacionais do que parece ser um choque entre duas estrelas de neutrões - os remanescentes densos de estrelas massivas que tinham explodido anteriormente. Um dia mais tarde, 26 de abril, a rede LIGO-Virgo identificou outra fonte candidata com uma reviravolta potencialmente interessante: pode, de facto, ter resultado da colisão entre uma estrela de neutrões e um buraco negro, um evento nunca antes visto.
"O Universo está a dizer-nos para ficarmos atentos," diz Patrick Brady, porta-voz da Colaboração Científica LIGO e professor de física na Universidade de Wisconsin-Milwaukee. "Estamos especialmente curiosos sobre o candidato de dia 26 de abril. Infelizmente, o sinal é bastante fraco. É como ouvir alguém a sussurrar uma palavra num café movimentado; pode ser difícil distinguir a palavra ou até mesmo ter certeza se, de facto, sussurrou. Vai levar algum tempo para chegar a uma conclusão sobre este candidato."
"O LIGO da NSF, em colaboração com o Virgo, abriu o Universo para futuras gerações de cientistas," diz France Córdova, diretora da NSF. "Uma vez mais, testemunhámos o notável fenómeno de uma fusão de estrelas de neutrões, seguida de perto por outra possível fusão de estrelas colapsadas. Com estas novos achados, vemos as colaborações LIGO-Virgo a atingir o seu potencial de produzir regularmente descobertas que antes eram impossíveis. Os dados dessas descobertas, e de outras que certamente se seguirão, vão ajudar a comunidade científica a revolucionar a nossa compreensão do Universo invisível."
As descobertas vêm apenas algumas semanas depois do LIGO e do Virgo terem voltado às operações. Os detetores gémeos do LIGO - um em Washington e outro no estado norte-americano do Louisiana -, juntamente com o Virgo, localizado no EGO (European Gravitational Observatory) na Itália, retomaram as operações no 1 de abril, depois de passarem por uma série de atualizações a fim de aumentar as suas sensibilidades às ondas gravitacionais - ondulações no espaço e no tempo. Cada detetor agora examina volumes maiores do Universo do que antes, procurando eventos extremos como colisões gigantescas entre buracos negros e estrelas de neutrões.
Os membros das equipas LIGO e Virgo estimam que o candidato a sinal de ondas gravitacionais, denominado S190425z, teve origem na região delineada no mapa do céu. O sinal veio provavelmente da colisão de duas estrelas de neutrões. Tendo em conta que só o LIGO Livingston e o Virgo vieram o sinal (o LIGO de Hanford estava na altura offline), a sua posição no céu não foi muito precisa, cobrindo cerca de 18% do céu.
Crédito: LIGO/Virgo/NASA/Leo Singer
"A união de forças humanas e instrumentos com as colaborações LIGO e Virgo foi, mais uma vez, a receita para um mês científico incomparável, e a atual campanha de observação incluirá mais 11 meses," diz Giovanni Prodi, coordenador de análise de dados do Virgo, da Universidade de Trento e do INFN (Istituto Nazionale di Fisica Nucleare) na Itália. "O detetor Virgo trabalha com a maior estabilidade, cobrindo o céu 90% do tempo com dados úteis. Isso ajuda-nos a apontar para as fontes, quando a rede está em pleno funcionamento e às vezes quando apenas um dos detetores LIGO está a operar. Temos muito trabalho de investigação inovadora pela frente."
Além dos dois novos candidatos que envolvem estrelas de neutrões, a rede LIGO-Virgo, nesta última rodada, detetou três prováveis fusões de buracos negros. No total, a rede detetou, desde que fez história com a primeira deteção direta de ondas gravitacionais em 2015, evidências de duas fusões de estrelas de neutrões, 13 fusões de buracos negros e uma possível fusão entre uma estrela de neutrões e um buraco negro.
Quando dois buracos negro colidem, distorcem o tecido do espaço e do tempo, produzindo ondas gravitacionais. Quando duas estrelas de neutrões colidem, não só libertam ondas gravitacionais, mas também luz. Isto significa que os telescópios sensíveis às ondas de luz, em todo o espectro eletromagnético, podem testemunhar estes poderosos impactos juntamente com o LIGO e com o Virgo. Um desses eventos ocorreu em agosto de 2017: O LIGO e o Virgo inicialmente identificaram uma fusão de estrelas de neutrões em ondas gravitacionais e, nos dias e meses que se seguiram, cerca de 70 telescópios no solo e no espaço testemunharam o rescaldo explosivo em ondas de luz, desde raios-gama, a luz visível, a ondas de rádio.
No caso das duas candidatas recentes a estrelas de neutrões, os telescópios de todo o mundo correram mais uma vez para rastrear as fontes e captar a luz que se espera que surja dessas fusões. Centenas de astrónomos avidamente apontaram telescópios para zonas do céu suspeitas de abrigar as fontes do sinal. No entanto, desta vez, nenhuma das fontes foi identificada.
Os membros das equipas LIGO e Virgo estimam que o candidato a sinal de ondas gravitacionais, denominado S190426c, teve origem na região delineada no mapa do céu. O sinal mostra evidências de ter tido origem na fusão entre um buraco negro e uma estrela de neutrões. Ambos os detetores gémeos LIGO e o Virgo receberam o sinal, diminuindo a sua localização para uma região que ocupa cerca de 3% do céu.
Crédito: LIGO/Virgo/NASA/Leo Singer
"A busca por contrapartes explosivas do sinal de ondas gravitacionais é complexa devido à quantidade de céu que tem que ser estudado e devido às rápidas mudanças esperadas no brilho," diz Brady. "O número de fusões de estrelas de neutrões, encontradas com o LIGO e com o Virgo, trará mais oportunidades para procurar as explosões ao longo do próximo ano."
Estima-se que a fusão de estrelas de neutrões de dia 25 de abril, denominada S190425z, tenha ocorrido a cerca de 500 milhões de anos-luz da Terra. Apenas uma das instalações gémeas do LIGO detetou o seu sinal juntamente com o Virgo (o LIGO em Livingston testemunhou o evento, mas o LIGO de Hanford estava offline). Como apenas dois dos três detetores registaram o sinal, as estimativas da localização no céu a partir do qual teve origem não são precisas, fazendo com que os astrónomos tivessem que rastrear quase um-quarto do céu em busca da fonte.
Estima-se que a possível colisão entre uma estrela de neutrões e um buraco negro, de dia 26 de abril (referida como S190426c), tenha tido lugar a cerca de 1,2 mil milhões de anos-luz de distância. Foi visto pelas três instalações do LIGO-Virgo, que ajudaram a restringir melhor a sua posição para regiões que cobrem mais ou menos 1100 quadrados, ou cerca de 3% do total do céu.
"A mais recente campanha de observação do LIGO-Virgo está a provar ser a mais excitante até agora," diz David H. Reitze, do Caltech, diretor executivo do LIGO. "Já estamos a ver indícios da primeira observação de um buraco negro a engolir uma estrela de neutrões. Se se confirmar, será uma aposta ganha para o LIGO e Virgo - em três anos, teremos observado todos os tipos de colisões para buracos negros e estrelas de neutrões. Mas nós aprendemos que afirmações de deteções requerem uma quantidade enorme de trabalho meticuloso - verificação e reverificação -, de modo que vamos ver onde os dados nos levam."
Poeira marciana pode ajudar a explicar perda de água, e outras lições aprendidas graças a tempestade global
Esta animação alterna entre duas versões de um "selfie" obtido no dia 11 de maio de 2016, pelo rover Curiosity da NASA, num local de recolha de amostras chamado "Okoruso". Numa versão, as câmaras no topo mastro do rover olham para a câmara acoplado ao braço robótico que captura o retrato. Na outra, olham na direção contrária.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
A poeira não é apenas um incómodo doméstico; também é um problema planetário, particularmente em Marte. Antes que os astronautas visitem o Planeta Vermelho, precisamos de entender o impacto que as partículas de poeira, que frequentemente ocupam a atmosfera, têm no ser humano e no seu equipamento.
A tempestade global de poeira marciana do verão de 2018 - a que diminuiu a luz solar durante semanas e colocou o famoso rover Opportunity fora de ação - forneceu uma oportunidade de aprendizagem sem precedentes. Pela primeira vez, os humanos tinham oito veículos em órbita de Marte ou percorrendo a sua superfície - o maior grupo de exploradores robóticos a assistir a uma tempestade global de poeira.
Os cientistas de todo o mundo ainda estão a analisar uma grande quantidade de dados, mas os relatórios preliminares incluem informações sobre como as grandes tempestades de poeira podem ter afetado a antiga água marciana, os ventos e o clima, e como podem afetar o clima e a energia solar no futuro.
Imagens que mostram o avanço da tempestade global de poeira, obtidas pelo câmara acoplada ao mastro do Curiosity entre os sol 2075 e sol 2170 em Marte, que correspondem aos dias 8 de junho e 13 de setembro de 2018, cá na Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade de York
As tempestades marcianas de poeira são comuns, especialmente durante a primavera e verão no hemisfério sul. Tendem a durar alguns dias e podem cobrir regiões do planeta do tamanho dos Estados Unidos da América. Mas as que englobam o planeta são imprevisíveis, por vezes permanecendo durante meses. Porquê? "Ainda não sabemos o que impulsiona a variabilidade, mas a tempestade de 2018 dá-nos outro ponto de dados," diz Scott Guzewich, cientista atmosférico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, que lidera a investigação da NASA sobre a tempestade de poeira.
A NASA viu uma tempestade global de poeira, pela primeira vez, em 1971, quando a Mariner 9 - a primeira sonda a orbitar outro planeta - chegou ao Planeta Vermelho e este estava coberto de poeira. Desde então, viu tempestades globais em 1977 (duas vezes), 1982, 1994, 2001, 2007 e 2018.
Aqui estão algumas coisas, observadas do espaço e a partir do solo durante a recente tempestade global, que ajudaram a resolver algumas questões em aberto e levantaram novas:
Podem as tempestades globais de poeira ter dissipado a água do planeta?
Os cientistas descobriram muitas evidências de que Marte já teve rios, lagos e até mesmo oceanos de água há milhares de milhões de anos. Os leitos de rios secos, antigas linhas costeiras e química superficial salgada, todas estas características contam como pistas. Mas porque é que desapareceu grande parte da água? E como? "A tempestade global de poeira pode dar-nos uma explicação", diz Geronimo Villanueva, especialista em água marciana do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA.
Villanueva trabalhou com colegas da ESA e da agência espacial russa, Roscosmos, para confirmar que as poderosas tempestades globais de poeira parecem elevar vapor de água da sua típica altitude de 20 quilómetros acima da superfície marciana para altitudes muito maiores, pelo menos 80 quilómetros. A sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA observou um fenómeno semelhante em 2007.
Ao empurrar água para a atmosfera superior, as tempestades globais de poeira podem interferir com o ciclo de água do planeta, impedindo com que se condense e caia de volta para a superfície. Na Terra, a água cai como chuva ou neve. O mesmo processo pode ter existido em Marte há milhares de milhões de anos.
A altitudes mais elevadas, onde a atmosfera marciana é especialmente ténue, a radiação solar pode facilmente penetrar para quebrar as moléculas de água e "soprar" os seus componentes químicos para o espaço, especulam Villanueva e colegas. "Quando trazemos água para as partes mais altas da atmosfera, fica muito mais fácil de expulsar," explica Villanueva, que passou a sua carreira a reunir a história da água em Marte.
Villanueva e colegas relataram, no dia 10 de abril e na revista Nature, que encontraram evidências do recuo do vapor de água usando a ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) em Marte, uma sonda da ESA e da Roscosmos. O orbitador mediu moléculas de água a diferentes altitudes antes e depois da tempestade de 2018. Os cientistas viram, pela primeira vez, que todos os tipos de moléculas de água (existem tipos mais leves e mais pesados) alcançaram a "região de escape" da atmosfera superior, o que foi uma importante observação de como a água pode estar a desaparecer de Marte. Agora, diz Villanueva, os cientistas terão que levar em conta essa nova informação nas suas previsões sobre a quantidade de água que fluía no passado de Marte e quanto tempo demorou para desaparecer.
As tempestades globais de poeira não parecem remodelar significativamente as dunas de areia
A superfície de Marte está coberta por dunas de areia constantemente em movimento, sopradas pelos ventos do planeta. Isto cria uma paisagem desértica em contínua evolução com dunas diversas e impressionantes. Por todo o globo podem ser encontrados montes soltos de areia, que variam desde poucos metros até maiores que os maiores arranha-céus da Terra. As imagens capturadas pela câmara HiRISE a bordo da MRO da NASA permitem que os cientistas estudem as dunas de Marte em detalhes sem precedentes. As imagens, coloridas e melhoradas, obtidas a partir de órbita, revelam características da sua forma, composição e movimentos ao longo do tempo, fornecendo pistas sobre a atmosfera dinâmica do planeta e do seu clima atual.
Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona
Para os cientistas que rastreiam o movimento das dunas de areia pela superfície, as tempestades globais de poeira forneceram evidências críticas na sua investigação dos padrões de vento no Planeta Vermelho. Apenas os ventos fortes, durante uma tempestade global de poeira, seriam capazes de mover as grandes dunas do planeta, pensavam os cientistas, dado que a atmosfera superfina de Marte faz com que o vento com velocidades de 160 km/h pareça uma mera brisa. Ainda assim, imagens de satélites e "landers", ao longo das décadas, revelaram que a areia marciana move-se a toda a hora, o que implica que não precisa de fortes rajadas para o fazer. Isto foi uma surpresa para os investigadores.
Agora que os cientistas finalmente conseguiram assistir a uma tempestade global de poeira a partir do chão, através dos olhos do rover Curiosity da NASA, notaram outra característica surpreendente do vento marciano: rajadas fortes não parecem mover a areia mais do que o normal. "Isto contribuiu para o mistério geral de como o vento se comporta em Marte," afirma Mariah Baker, estudante de doutoramento da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, EUA, que ajuda a acompanhar as mudanças nas ondulações da areia marciana.
A análise contínua de todo o globo marciano revelará se a Cratera Gale, onde o Curiosity se encontra, era única. Afinal de contas, o coração da tempestade situava-se por cima do rover Opportunity, que estava a vaguear do outro lado do planeta. Além disso, o vento pode comportar-se de maneira diferente dentro da Cratera Gale, realçam os cientistas. "Será que estávamos protegidos?" acrescenta Guzewich. "É possível."
Se se vier a confirmar que as dunas de areia não mudaram muito em Marte durante a tempestade, poderá haver uma boa razão, diz Baker: "Os ventos que sopram na atmosfera podem não ser os mesmos que os ventos à superfície." Alguns cientistas pensam que quando a poeira é levantada para a atmosfera durante uma tempestade global, imipedindo a luz solar de atingir a superfície, ela desliga o processo de produção de vento próximo do solo que, sob condições normais, é induzido por flutuações de temperatura entre o ar e a superfície.
Seja qual for a razão, entender o comportamento das dunas de areia de hoje pode ajudar-nos a revelar o clima antigo de Marte, salienta Baker: "podemos estudar os arenitos moldados pelo vento, à superfície, e observar as dunas que se movem agora e dizer, 'OK, o que é que isto nos diz sobre as condições que aqui estavam há milhares de milhões de anos atrás, quando estas dunas se moviam e que agora estão cimentadas no registo rochoso?'"
As tempestades de poeira eliminam os diabos marcianos
Os diabos marcianos, colunas giratórias de ar e poeira, são comuns em Marte. Formam-se quando o ar quente da superfície sobe, criando uma corrente de ar que forma um redemoinho. Estes diabos são úteis para limpar a poeira dos painéis dos módulos alimentados a energia solar, como o InSight, quando passam por eles. Assim, é importante entender com que frequência ocorrem.
O rover Curiosity é alimentado por uma bateria nuclear, que permite recolher dados enquanto o Opportunity hibernava, com o mínimo de luz solar atingindo os seus painéis. Através do Curiosity, aprendemos que os diabos marcianos desaparecem durante uma tempestade de poeira, exatamente quando mais precisamos deles, e também durante meses. Isto ocorre devido a uma interrupção no mesmo processo de criação de vento que pode afetar o movimento das dunas de areia.
Guzewich diz que entender o impacto de uma tempestade global de poeira, nos diabos marcianos, é importante para o planeamento de como alimentar equipamento durante as futuras missões marcianas: "Precisamos de estar preparados para passar algum tempo sem que o próximo diabo marciano apareça e nos limpe."
Detetado pela primeira vez um sistema de enxames globulares no disco de uma galáxia
Imagens a cores falsas de M106. A figura combina dados de hidrogénio neutro, obtidos com o WSRT (Westerbrook Synthesis Radio Telescope), a azul, com imagens óticas obtidas com o CFHT a verde e vermelho. Os círculos amarelos realçam os enxames globulares observados, dispostos num disco que gira em fase e à mesma velocidade que o gás neutro.
Ilustração e design: Divakara Mayya (INAOE)
Um estudo internacional realizado com o instrumento OSIRIS acoplado ao GTC (Gran Telescopio Canarias) descobriu, na galáxia espiral Messier 106, um sistema de enxames globulares cuja distribuição e movimento invulgares, que estão alinhados com o disco da galáxia e que giram à mesma velocidade, mostram que pode ser uma relíquia da época de máxima formação estelar no Universo, o "meio-dia cósmico". Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal.
Os enxames globulares têm entre cem mil e um milhão de estrelas, cujos componentes são aproximadamente da mesma idade e têm uma composição química semelhante. São objetos muito antigos, formados há cerca de 11,5 mil milhões de anos, 2,3 mil milhões de anos após o Big Bang. Estes enxames podem normalmente ser encontrados em galáxias grandes, nos seus halos, distribuídos esfericamente em torno dos seus centros.
Uma investigação internacional, liderada por um grupo da Universidade Nacional Autónoma do México e realizada com o instrumento OSIRIS do Gran Telescopio Canarias (GTC), descobriu na galáxia espiral Messier 106 (também conhecida como M106 ou NGC 4258) enxames globulares que, em vez de estarem distribuídos numa esfera, parecem estar dispostos num disco alinhado com o disco de gás da galáxia e a girar aproximadamente à mesma velocidade neste disco.
"Nunca vimos isto antes, é uma daquelas descobertas totalmente inesperadas e surpreendentes que ocorrem na ciência," explica Rosa Amelia González-Lópezlira, investigadora do Instituto de Radioastronomia e Astrofísica da mesma universidade mexicana, que liderou este trabalho. "A maneira como estes enxames se movem, e a sua distribuição, é semelhante aos discos de galáxias durante o período de máxima formação estelar, há cerca de 10 mil milhões de anos atrás, no que é conhecido como 'meio-dia cósmico', de modo que pensamos que o disco de enxames em M106 possa ser um remanescente daquela época."
O poder do GTC e do OSIRIS
Os dados obtidos com o instrumento OSIRIS, acoplado ao GTC no observatório Roque de los Muchachos, foram de importância extrema, sobretudo para confirmar os candidatos a enxames globulares e para distingui-los de outras fontes pontuais aparentes como estrelas e galáxias distantes. Para fazer isso, é necessário obter espectros para mostrar que cada enxame tem uma população coeva de estrelas antigas e que realmente pertence à galáxia em estudo.
Para Divakara Mayya, investigador do INAOE (Instituto Nacional de Astrofísica, Óptica y Electrónica), no México, e segundo autor do artigo, "as observações do GTC e do OSIRIS são essenciais para o sucesso do estudo, dado que os objetos estão bem distantes e requerem exposições de mais de uma hora com o maior telescópio ótico-infravermelho do mundo a fim de extrair as informações relevantes dos espectros".
O instrumento OSIRIS (Optical System for Imaging and low-Intermediate-Resolution Integrated Spectroscopy) é um espectrógrafo multiobjecto construído no IAC (Instituto de Astrofísicas das Canárias) em colaboração com o México, que é capaz de observar vários objetos de cada vez. "Ter esta capacidade de multiplexação, a de obter vários espectros simultaneamente, é fundamental para este tipo de estudo, e está disponível em três dos atuais instrumentos do GTC, abrangendo o ótico e o infravermelho," explica Antonio Cabrera, chefe de operações científicas no GTC. Para este trabalho, foram observados, em dois campos, 23 enxames globulares candidatos.
Este artigo é um resultado de um projeto mais amplo que estudará os sistemas de enxames globulares em nove galáxias espirais num raio de 52 milhões de anos-luz, a fim de examinar a relação entre o número de enxames globulares e a massa do buraco negro central nas galáxias espirais. "Esta relação é muito forte para galáxias elípticas, mas não é tão clara para galáxias espirais, como a Via Láctea," comenta a cientista Lópezlira. "As nove galáxias que planeamos estudar têm boas estimativas de massas para os seus buracos negros centrais e ficam a distâncias onde podemos fazer bons estudos dos seus enxames globulares."
Este estudo recente confirma que existe uma correlação entre o número de enxames globulares e a massa do buraco negro central de M106 e confirma a precisão do método fotométrico usado no GTC. "Os estudos deste tipo, em mais galáxias espirais, podem esclarecer o papel das diferentes hipóteses propostas para a construção das galáxias, dos enxames globulares e dos buracos negros centrais," conclui a autora principal do artigo.
No que toca à habitabilidade planetária, o que conta é o que está por dentro (via Carnegie Science)
Das características da Terra, quais foram essenciais para a origem e sustentabilidade da vida? E como é que os cientistas identificam essas características noutros mundos? Uma equipa de investigadores publicou um artigo pedindo à comunidade científica que reconheça a importância vital da dinâmica interior de um planeta na criação de um ambiente hospitaleiro para a vida. Ler fonte
Duas estrelas de neutrões colidiram perto do Sistema Solar há milhares de milhões de anos (via Universidade de Columbia)
Astrofísicos identificaram uma colisão violenta entre duas estrelas de neutrões, há 4,6 mil milhões de anos atrás, como a provável fonte de parte da matéria mais cobiçada da Terra. Este único evento cósmico, perto do nosso Sistema Solar, deu origem a 0,3% dos elementos mais pesados da Terra, incluindo ouro, platina e urânio. Ler fonte
Álbum de fotografias - As Nuvens da Grande Nuvem de Magalhães
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa Ciel Austral - J. C. Canonne, N. Outters, P. Bernhard, D. Chaplain, L. Bourgon
A Grande Nuvem de Magalhães (GNM) é uma paisagem fascinante nos céus do hemisfério sul. Mas esta vista telescópica, profunda e detalhada, que levou mais de 10 meses a ser construída, vai além do que é visível para a maioria dos circum-navegadores do planeta Terra. Abrangendo mais de 5 graus ou 10 Luas Cheias, o mosaico 4x4 foi construído a partir de 3900 imagens com um total de 1060 horas de tempo de exposição, tanto através de filtros de banda larga como de banda estreita. Os filtros de banda estreita estão projetados para transmitir apenas a luz emitida pelos átomos de enxofre, hidrogénio e oxigénio. Ionizados por luz estelar energética, os átomos emitem a sua luz característica à medida que os eletrões são recapturados e os átomos passam para um estado de energia mais baixo. Como resultado, nesta imagem a GNM parece estar coberta pelas suas próprias nuvens de gás ionizado que rodeiam as suas enormes e jovens estrelas. Esculpidas por ventos estelares fortes e radiação ultravioleta, as nuvens brilhantes, dominadas pela emissão do hidrogénio, são conhecidas como regiões H II (hidrogénio ionizado). Ela própria constituída por muitas regiões H II, a Nebulosa da Tarântula é a grande região de formação estelar à esquerda. Sendo a maior galáxia satélite da Via Láctea, a GNM mede cerca de 15.000 anos-luz de diâmetro e está situada a uns meros 160.000 anos-luz de distância na direção da constelação de Dourado.
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