06/12/19 - Noites Astronómicas em Tavira
No dia 6 de dezembro realiza-se mais uma sessão de Noites Astronómicas em Tavira no Forte do Rato, pelas 20:00. Nesta sessão será dada especial atenção às constelações de Orionte e Touro. Iremos abordar as cores das estrelas que compõem estas constelações assim como a observação das nebulosas escondidas nestas constelações. Esta atividade é gratuita. Local:Forte do Rato Público-alvo: Público em geral Pré-inscrição obrigatória
(A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo de participantes). Telefones: 281 326 231; 924 452 528 E-mail: geral@cvtavira.pt
Efemérides
Dia 03/12: 337.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1886 nascia Manne Siegbahn, físico sueco que recebeu o Prémio Nobel da Física em 1924 pelas "suas descobertas e pesquisas no campo da espectroscopia de raios-X".
Em 1904, Charles Dillon Perrine descobre a lua joviana Himalia.
Em 1958, o JPL era transferido do controlo do exército americano para o controlo da NASA.
Em 1971, a sonda soviética Mars 3 torna-se na primeira a aterrar com sucesso em Marte.
Em 1973, a Pioneer 10 enviava para a Terra as primeiras imagens de Júpiter.
Em 1974, voo rasante da sonda Pioneer 11 por Júpiter.
Em 1999, a NASA perdia o contato com a Mars Polar Lander, minutos antes da entrada na atmosfera de Marte.
Em 2014, a JAXA (agência espacial japonea) lança a sonda Hayabusa2, numa missão com a duração de seis anos e com o objetivo de recolher amostras de um asteroide.
Em 2015, a ESA lança com sucesso a LISA Pathfinder, uma nave desenhada para demonstrar tecnologia para observar ondas gravitacionais no espaço. Observações: Quase diretamente para baixo da Lua, esta noite, está Fomalhaut, a solitária "Estrela de Outono". Sempre que Fomalhaut estiver no meridiano a sul (logo após o anoitecer), Aldebarã e as Plêiades estão a este - e as primeiras estrelas de Orionte nascem por baixo se viver a latitudes médias norte. E a esta altura as estrelas-guia da Ursa Maior estão na vertical a norte, apontando diretamente para baixo até à Polar.
Dia 04/12: 338.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1639, Jeremiah Horrocks fazia a primeira observação, de que há registo, de um trânsito de Vénus.
Em 1965, lançamento da missão Gemini 7. Frank Borman e James A. Lovell Jr. completam um voo de 14 dias, ao todo 220 órbitas. A missão tinha dois objetivos: estudar os efeitos a longo-prazo do voo espacial e fazer o "rendezvous" com a Gemini 6.
Em 1978, a sonda americana Pioneer/Venus torna-se na primeira a orbitar Vénus.
Em 1996, é lançada a Mars Pathfinder.
Em 1998, é lançado o módulo Unity, o segundo módulo da Estação Espacial Internacional. Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 10:23.
Logo após o cair da noite, olhe para cima da Lua para encontrar o Grande Quadrado de Pégaso nivelado.
Orionte fica completamente desimpedido do horizonte por volta das 20 horas, dependendo de quão para este ou oeste vive. Bem acima de Orionte brilha a alaranjada Aldebarã. Para cima
de Aldebarã está o pequeno enxame das Plêiades, do tamanho do seu polegar à distância do braço esticado.
Para a esquerda de Aldebarã e das Plêiades brilha Capella.
Para baixo de Orionte, a brilhante Sirius nasce antes das 21:30.
Dia 05/12: 339.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1901, nascia Werner Heisenberg, físico teórico alemão e um dos pioneiros da mecânica quântica. Recebeu o prémio Nobel da Física em 1932.
Em 1990, a primeira fotografia (galáxia NGC 1232 em Erídano) tirada com o telescópio Keck é publicada no Los Angeles Times.
Em 2001, é lançada a missão Expedition 4, rumo à ISS.
Em 2014, o primeiro voo de testes da nave Orion da NASA. Observações: Agora a Lua está diretamente por baixo do lado este (esquerdo) do Grande Quadrado de Pégaso ao início da noite.
Curiosidades
O volume do Sol é 1,3 milhões de vezes maior que o da Terra.
Tempestades globais em Marte lançam torres de poeira para o céu
Animações lado a lado de como a tempestade global de poeira de 2018 envolveu o Planeta Vermelho, cortesia da câmara MARCI (Mars Color Imager) a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA. Esta tempestade global de poeira fez com que o rover Opportunity perdesse contacto com a Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
As tempestades de poeira são comuns em Marte. Mas, mais ou menos a cada década, acontece algo imprevisível: ocorrem uma série de tempestades descontroladas, cobrindo todo o planeta numa névoa empoeirada.
No ano passado, uma frota de naves espaciais da NASA teve uma visão detalhada do ciclo de vida da tempestade global de poeira de 2018 que encerrou a missão do rover Opportunity. E enquanto os cientistas ainda estão a analisar os dados, dois artigos científicos publicados recentemente lançam uma nova luz sobre um fenómeno observado dentro da tempestade: torres de poeira, ou nuvens de poeira concentrada que aquecem à luz do Sol e se elevam no ar. Os cientistas pensam que o vapor de água preso a poeira pode estar a elevar-se com ela para o espaço, onde a radiação solar quebra as suas moléculas. Isto pode ajudar a explicar como a água de Marte desapareceu ao longo de milhares de milhões de anos.
As torres de poeira são nuvens massivas, rodopiantes e mais densas que sobem muito mais alto do que a poeira de fundo normal na fina atmosfera marciana. Embora também ocorram em condições normais, as torres parecem formar-se em maior número durante tempestades globais.
Uma torre começa à superfície do planeta como uma área de poeira relativamente elevada com algumas dezenas de quilómetros de largura. Quando uma torre atinge uma altura de 80 quilómetros, como observado na tempestade global de poeira de 2018, pode ter várias centenas de quilómetros de largura. À medida que a torre decai, pode formar uma camada de poeira 56 quilómetros acima da superfície com milhares de quilómetros de comprimento.
A nuvem amarelo-esbranquiçada no centro inferior desta imagem é uma "torre de poeira" de Marte - uma nuvem de poeira concentrada que pode ser elevada a dezenas de quilómetros acima da superfície. As plumas azul-esbranquiçadas são nuvens de vapor de água. Esta imagem foi obtida no dia 30 de novembro de 2010 pela sonda MRO da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
As descobertas mais recentes sobre as torres de poeira surgem da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, liderada pelo JPL em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. Embora as tempestades de poeira globais cubram a superfície do planeta, a MRO pode usar o seu instrumento MCS (Mars Climate Sounder) com deteção de calor para espiar através da neblina. O instrumento foi construído especificamente para medir os níveis de poeira. Os seus dados, juntamente com imagens de uma câmara a bordo do orbitador chamada MARCI (Mars Context Imager), permitiram aos cientistas detetar inúmeras torres "inchadas" de poeira.
Como é que Marte perdeu a sua água?
As torres de poeira aparecem durante todo o ano marciano, mas a MRO observou algo diferente durante a tempestade de poeira global de 2018. "Normalmente, a poeira cai num dia ou mais," disse o autor principal do artigo, Nicholas Heavens da Universidade Hampton, no estado norte-americano da Virgínia. "Mas durante uma tempestade global, as torres de poeira são renovadas continuamente durante semanas." Em alguns casos foram vistas várias torres durante três semanas e meia.
O ritmo da atividade da poeira surpreendeu Heavens e outros cientistas. Mas especialmente intrigante é a possibilidade de as torres de poeira agirem como "elevadores espaciais" para outros materiais, transportando-os pela atmosfera. Quando a poeira transportada pelo ar aquece, cria correntes de ar que transportam gases, incluindo a pequena quantidade de vapor de água às vezes vista como nuvens finas em Marte.
Um artigo anterior liderado por Heavens mostrou que, durante uma tempestade global de poeira em 2007, as moléculas de água foram lançadas para a atmosfera superior onde a radiação solar pode decompô-las em partículas que escapam para o espaço. Isto pode ser uma pista de como o Planeta Vermelho perdeu os seus lagos e rios ao longo de milhares de milhões de anos, tornando-se no deserto gelado que é hoje.
Os cientistas não sabem dizer com certeza o que provoca as tempestades globais de poeira; estudaram menos de uma dúzia até agora.
"As tempestades globais de poeira são realmente invulgares," disse o cientista do instrumento MCS, David Kass, no JPL. "Não temos realmente nada parecido com isto na Terra, onde o clima do planeta inteiro muda durante vários meses."
Com tempo e mais dados, a equipa da MRO espera entender melhor as torres de poeira criadas nas tempestades globais e que papel podem desempenhar na remoção de água da atmosfera do Planeta Vermelho.
Buraco negro "alimenta" bebés estelares a um milhão de anos-luz
Esta imagem contém um buraco negro que está a despoletar formação estelar à maior distância alguma vez vista. À medida que o gás gira em torno do buraco negro, emite grandes quantidades de raios-X que o Chandra deteta. O buraco negro é também a fonte de emissão de ondas de rádio de um jato de partículas altamente energéticas - anteriormente detetadas pelos cientistas com o VLA - que alcança um milhão de anos-luz. Os astrónomos descobriram que este buraco negro e o jato são responsáveis por aumentar o ritmo de formação estelar em galáxias recém-descobertas.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/INAF/R. Gilli et al.; rádio - NRAO/VLA; ótico - NASA/STScI
Os buracos negros são famosos por rasgar objetos astronómicos, incluindo estrelas. Mas agora, os astrónomos descobriram um buraco negro que pode ter provocado os nascimentos de estrelas a uma distância incompreensível e através de várias galáxias.
Se confirmada, esta descoberta, feita com o Observatório de raios-X Chandra da NASA e outros telescópios, representaria o maior alcance já visto para um buraco negro que age como "gatilho" estelar. O buraco negro parece ter melhorado a formação estelar a mais de um milhão de anos-luz de distância.
"Esta é a primeira vez que vimos um único buraco negro aumentar o nascimento estelar em mais de uma galáxia," disse Roberto Gilli do INAF (Instituto Nacional de Astrofísica) em Bolonha, Itália, autor principal do estudo que descreve a descoberta. "É incrível pensar que o buraco negro de uma galáxia pode ter alguma influência no que acontece noutras galáxias a triliões de quilómetros de distância."
Um buraco negro é um objeto extremamente denso do qual nenhuma luz pode escapar. A imensa gravidade do buraco negro atrai gás e poeira, mas partículas de uma pequena quantidade desse material também podem ser catapultadas para longe quase à velocidade da luz. Essas partículas em movimento rápido formam dois feixes estreitos ou "jatos" perto dos polos do buraco negro.
O buraco negro supermassivo que os cientistas observaram no novo estudo está localizado no centro de uma galáxia a cerca de 9,9 mil milhões de anos-luz da Terra. Esta galáxia possui pelo menos sete galáxias vizinhas, de acordo com observações do VLT (Very Large Telescope) do ESO e do LBT (Large Binocular Telescope).
Usando o VLA (Karl Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation), os cientistas já haviam detetado emissões de ondas de rádio de um jato de partículas altamente energéticas com cerca de um milhão de anos-luz. O jato pode ser rastreado até ao buraco negro supermassivo, que o Chandra detetou como uma poderosa fonte de raios-X produzidos pelo gás quente que gira em torno do buraco negro. Gilli e colegas também detetaram uma nuvem difusa de emissão de raios-X em torno de uma extremidade do jato de rádio. Esta emissão de raios-X é provavelmente de uma gigantesca bolha de gás quente aquecida pela interação das partículas energéticas no jato de rádio com a matéria circundante.
À medida que a bolha quente se expandia e varria as quatro galáxias vizinhas, pode ter criado uma onda de choque que comprimiu o gás frio nas galáxias, provocando formação estelar. Todas as quatro galáxias estão aproximadamente à mesma distância, cerca de 400.000 anos-luz, do centro da bolha. Os autores estimam que o ritmo de formação estelar é cerca de duas a cinco vezes mais elevado que nas galáxias típicas com massas semelhantes e a distâncias semelhantes da Terra.
"A história do rei Midas fala do seu toque mágico que pode transformar metal em ouro," disse o coautor Marco Mignoli, também do INAF em Bolonha, Itália. "Aqui temos um caso de um buraco negro que ajudou a transformar gás em estrelas e o seu alcance é intergaláctico."
Os astrónomos já viram muitos casos onde um buraco negro afeta os seus arredores através de "feedback negativo" - por outras palavras, restringindo a formação de novas estrelas. Isto pode ocorrer quando os jatos do buraco negro injetam tanta energia no gás quente de uma galáxia, ou enxame de galáxias, que o gás não consegue arrefecer o suficiente para formar um grande número de estrelas.
Nesta recém-descoberta coleção de estrelas, os astrónomos encontraram um exemplo menos comum de "feedback positivo", em que os efeitos do buraco negro reforçam a formação estelar. Além disso, quando os astrónomos encontraram feedback positivo anteriormente, este ou envolveu aumentos de 30% ou menos no que toca à formação estelar, ou ocorreu a escalas de apenas aproximadamente 20.000 a 50.000 anos-luz numa galáxia companheira próxima. Se o feedback é positivo ou negativo, depende de um delicado equilíbrio entre o ritmo de aquecimento e de arrefecimento de uma nuvem. Isto porque as nuvens que são inicialmente mais frias, quando atingidas por uma onda de choque, são mais propensas a receber feedback positivo, formando assim mais estrelas.
"Os buracos negros têm a reputação bem merecida de serem poderosos e mortíferos, mas nem sempre," disse o coautor Alessandro Peca, ex-INAF em Bolonha e agora estudante de doutoramento da Universidade de Miami. "Este é um excelente exemplo de que às vezes desafiam esse estereótipo e podem ao invés estimular a formação estelar."
Os investigadores usaram um total de seis dias de tempo de observação do Chandra, distribuído ao longo de cinco meses.
"É apenas por causa desta observação muito profunda que vimos a bolha de gás quente produzida pelo buraco negro," disse o coautor Colin Norman da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. "Ao observar objetos parecidos com este, podemos vir a descobrir que o feedback positivo é muito comum na formação de grupos ou enxames de galáxias."
O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edição mais recente da revista Astronomy and Astrophysics e está disponível online.
Telescópio Webb vai desvendar os segredos de galáxias anãs próximas
Em dois estudos separados recorrendo ao futuro Telescópio Espacial James Webb da NASA, uma equipa de astrónomos irá observar companheiras anãs da Via Láctea e da vizinha Galáxia de Andrómeda. O estudo destas pequenas companheiras ajudará os cientistas a aprender mais sobre a formação das galáxias e sobre as propriedades da matéria escura, uma substância misteriosa que, segundo se pensa, é responsável por aproximadamente 85% da matéria no Universo.
No primeiro estudo, a equipa obterá conhecimento da matéria escura medindo os movimentos das estrelas em duas companheiras anãs da Via Láctea. No segundo estudo, vão examinar os movimentos de quatro galáxias anãs em redor da nossa grande vizinha galáctica mais próxima, a Galáxia de Andrómeda. Isto ajudará a determinar se algumas das galáxias satélites de Andrómeda orbitam dentro de um plano, como os planetas em torno do Sol. Se o fizerem, isso terá importantes implicações para a compreensão da formação das galáxias. O investigador principal dos dois programas é Roeland van der Marel do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano da Maryland.
A galáxia anã do Escultor é uma companheira da Via Láctea. Os astrónomos vão usar o Telescópio Espacial James Webb para estudar os movimentos das suas estrelas e da anã de Dragão, outra companheira da nossa Galáxia. Ao estudarem o movimento das estrelas, os investigadores serão capazes de determinar a distribuição da matéria escura nestas galáxias.
Crédito: ESA/Hubble, Digitized Sky Survey 2
Observando movimentos estelares em companheiras anãs da Via Láctea
As galáxias mais próximas da nossa Via Láctea são as suas galáxias anãs companheiras, muito mais pequenas que a Via Láctea. Van der Marel e a sua equipa planeiam estudar os movimentos das estrelas em duas destas galáxias anãs, Dragão e Escultor. As órbitas das estrelas são governadas pela gravidade resultante da matéria escura em cada galáxia. Ao estudar como as estrelas se movem, os investigadores serão capazes de determinar como a matéria escura é distribuída nessas galáxias.
"O modo como as estruturas no Universo se formam depende das propriedades da matéria escura, que compreende a maior parte da massa do Universo," explicou van der Marel. "Nós sabemos que a matéria escura existe, mas não sabemos o que realmente compõe essa matéria escura. Nós apenas sabemos que existe algo no Universo que tem gravidade e que puxa objetos, mas não sabemos realmente o que é."
A equipa estudará a distribuição da matéria escura nos centros das galáxias anãs para determinar as propriedades de temperatura deste misterioso fenómeno. Se a matéria escura for "fria", a sua densidade será muito alta perto dos centros das galáxias. Se a matéria escura for "amena", será mais homogénea por toda a área perto dos centros galácticos.
Ao mesmo tempo que o instrumento NIRCam (Near Infrared Camera) do Webb estiver a estudar os centros das galáxias anãs de Dragão e Escultor, outro instrumento, o NIRISS (Near Infrared Imager and Slitless Spectrograph) estará a investigar os arredores das galáxias anãs. "Estas observações simultâneas fornecerão algumas dicas sobre como as estrelas se movem de maneira diferente perto do centro e na periferia das galáxias anãs," disse o coinvestigador Tony Sohn do STScI. "Também permitirão duas medições independentes da mesma galáxia, para verificar se existem efeitos sistemáticos ou instrumentais."
Dado que o Webb possui aproximadamente seis vezes a área de recolha de luz do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, a equipa pode medir os movimentos de estrelas muito mais fracas do que o Hubble consegue observar. Quantas mais estrelas individuais incluídas num estudo, mais precisamente a equipa pode modelar a matéria escura que influencia os seus movimentos.
Estudando o movimento das galáxias anãs companheiras de Andrómeda
A grande galáxia mais próxima da nossa Via Láctea, Andrómeda, tem várias companheiras anãs, assim como a nossa Galáxia. Van der Marel e a sua equipa planeiam estudar como quatro destas galáxias anãs se movem em torno de Andrómeda, para determinar se estão agrupadas num plano no espaço ou se se movem em torno de Andrómeda em todas as direções.
Ao contrário do primeiro programa de observações, a equipa não está a tentar medir como as estrelas dentro das galáxias anãs se movem. Neste estudo, vão tentar determinar como as galáxias anãs como um todo se movem em redor da Galáxia de Andrómeda. Isto fornecerá mais informações sobre o processo pelo qual as grandes galáxias se formam por acreção e pelo acumular de galáxias mais pequenas e como exatamente isso funciona.
Na maioria dos modelos, não é de esperar que as galáxias anãs que rodeiam as galáxias maiores estejam num plano. Normalmente, os cientistas esperam que as galáxias anãs orbitem em redor das galáxias maiores de maneira aleatória. Lentamente, estas companheiras anãs perdem energia e podem ser acretadas para a galáxia maior, que crescem ainda mais.
No entanto, tanto para a Via Láctea como para Andrómeda, vários estudos sugeriram que pelo menos uma fração das galáxias anãs encontram-se num plano e podem até estar a girar nesse plano. Uma das maneiras de determinar se isto é verdade é medir os seus movimentos tridimensionais. Se os movimentos estiverem realmente num plano, isto sugere que as galáxias anãs permanecerão no plano. Mas se as companheiras anãs parecem estar num plano, mas os seus movimentos estiverem em todas as direções, isso indicaria um alinhamento ao acaso e não uma estrutura duradoura.
Caso as galáxias anãs se alinharem num plano, isso pode significar uma de várias coisas. Poderá ser que uma boa fração das companheiras anãs tenha entrado em órbita de Andrómeda como um único grupo. Se for esse o caso, as anãs reteriam a "memória" de que todas caíram juntas e exibem atualmente propriedades dinâmicas semelhantes.
Outra possibilidade é que as galáxias anãs de Andrómeda se formaram como o que é chamado de "galáxias anãs de marés". Estas coleções gravitacionalmente ligadas de gás e estrelas formam-se durante fusões ou interações entre grandes galáxias espirais. São tão massivas quanto as galáxias anãs, mas não são dominadas por matéria escura, como os cientistas pensam que a maior parte das galáxias anãs são. É possível que uma fusão de duas galáxias grandes com muito gás possa formar algumas galáxias anãs que terminem numa única estrutura plana, mas isso seria invulgar, porque os cientistas não acham que as galáxias anãs de marés sejam o tipo predominante de galáxia anã no Universo. Sabe-se que as galáxias anãs tipicamente se formam dentro de nuvens de matéria escura chamadas halos.
Qualquer um dos casos pode significar que a formação é mais complicada do que os investigadores às vezes pensam. Qualquer um deles forneceria restrições adicionais aos cientistas que desenvolvem modelos teóricos da formação das galáxias.
A precisão extrema do Webb
Em ambos os programas, a equipa levará o Webb aos seus limites em termos de exatidão e precisão. "É uma situação muito complicada, porque basicamente o que queremos medir são movimentos muito pequenos," explicou o coinvestigador Andrea Bellini do STScI. "A precisão que queremos alcançar é como medir algo que se move alguns centímetros por ano na superfície da Lua, visto a partir da Terra."
Ambos os estudos são programas de Observação de Tempo Garantido alocados à equipa do cientista Matt Mountain do Telescópio Webb. O Telescópio Espacial James Webb será o principal observatório espacial do mundo quando for lançado em 2021. O Webb vai resolver mistérios no nosso Sistema Solar, olhar além para mundos distantes em torno de outras estrelas e investigar as estruturas misteriosas e origens do nosso Universo. É um programa internacional liderado pela NASA com os seus parceiros ESA e Agência Espacial Canadiana.
Vento solar fica mais lento, mais longe do Sol (via SwRI)
Medições pelo instrumento SWAP (Solar Wind Around Pluto) a bordo da sonda New Horizons da NASA estão a fornecer informações importantes sobre as regiões mais longínquas do espaço já exploradas. Num artigo publicado recentemente na revista The Astrophysical Journal, uma equipa mostra como o vento solar - uma corrente supersónica de partículas carregadas expelidas pelo Sol - evolui a distâncias cada vez maiores do Sol. Ler fonte
Álbum de fotografias - Galáxia "Starburst" M94 pelo Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESA/Hubble & NASA
Porque é que esta galáxia tem um anel de estrelas azuis brilhantes? O lindo universo insular Messier 94 fica a apenas 15 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Cães de Caça. Um alvo popular para os astrónomos da Terra, esta galáxia espiral vista de frente tem cerca de 30.000 anos-luz em diâmetro, com braços espirais varrendo os arredores do seu amplo disco. Mas este campo de visão do Telescópio Espacial Hubble abrange cerca de 7000 anos-luz da região central de M94. A ampliação destaca o núcleo compacto e brilhante da galáxia, proeminentes correntes internas de poeira e o notável anel azulado de jovens estrelas massivas. As estrelas do anel têm todas provavelmente menos de 10 milhões de anos, indicando que M94 é uma galáxia "starburst" que está a passar por uma época de formação estelar rápida. A ondulação circular de estrelas azuis é provavelmente uma onda que se propaga para fora, tendo sido desencadeada pela gravidade e pela rotação das distribuições ovais de matéria. Dado que M94 está relativamente próxima, os astrónomos podem melhor explorar os detalhes do seu anel de formação estelar explosiva.
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