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  Astroboletim #1665  
  21/02 a 24/02/2020  
     
 

21/03/20 - Eratóstenes e o Equinócio
12:00-14:00 - Atividade para membros do AstroClube do Centro Ciência Viva do Algarve (> 15 anos)
Preço: 30€ (o valor refere-se ao pagamento de 5 sessões do Astroclube)
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Efemérides

Dia 21/02: 52.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1556 nascia Sethus Calvisius, astrónomo alemão que na sua obra "Opus Chronologicum" expôs um sistema baseado em registos de quase 300 eclipses.
Em 1901 é observada a primeira brilhante nova do século XX.

É também a primeira a ser estudada espectralmente e fotometricamente, atingindo uma magnitude de 0,2 a 23 de fevereiro. O astrónomo amador T. D. Anderson foi o seu primeiro observador. Durante o declínio de brilho, mais ou menos 100 dias, este flutuou com um período de 4 dias e uma amplitude de magnitude e meia.
Em 1972, a sonda soviética Luna 20 aterra na Lua.
Observações: Bem para cima de Vénus, depois do cair da noite, estão as duas estrelas mais brilhantes de Carneiro, alinhadas quase verticalmente (Hamal e Sheratan).
Bem para cima de Carneiro e quiçá um pouco para a esquerda encontram-se as Plêiades. Vénus está atualmente a uns bons 44º das Plêiades. Durante as próximas seis semanas os astros vão aproximar-se um do outro. Na noite de 3 de abril, Vénus brilhará logo ao lado da fronteira do enxame.

Dia 22/02: 53.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1632 era publicado o "Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo" de Galileu.
Em 1824 nascia Pierre Janssen, astrónomo francês que, juntamente com o cientista inglês Joseph Norman Lockyer, é creditado com a descoberta da natureza gasosa da cromosfera solar e, com alguma justificação, o elemento hélio.
Em 1857 nascia Heinrich Hertz, físico alemão que clarificou e expandiu a teoria eletromagnética da luz de James Clerk Maxwell.

Foi o primeiro a provar conclusivamente a existência de ondas eletromagnéticas ao construir instrumentos para transmitir e receber pulsos de rádio. A unidade científica da frequência tem o nome "hertz" em sua honra. 
Em 1995, o cosmonauta Valeri Polyakov regressa à Terra depois de quebrar o recorde do maior tempo passado na estação espacial Mir: 438 dias.
Observações: Por volta das 21 horas, a Ursa Maior apoia-se na sua "pega" a nordeste. A noroeste, a constelação de Cassiopeia também se apoia à mesma altura. À medida que a primavera se aproxima, a Ursa sobe mais e Cassiopeia desce.

Dia 23/02: 54.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1583 nascia Jean-Baptiste Morin, astrólogo e astrónomo, conhecido por opôr-se a Galileu e às suas ideias.
Em 1950, descoberta do asteroide (29075) 1950 DA. Foi observado durante 17 dias e depois diminuíu de brilho até não poder ser visto durante meio século. No fim do ano 2000 (31 de dezembro), um objeto foi reconhecido como sendo o há muito perdido 1950 DA. Observações do objeto descrevem a rocha como tendo 1,1 km de diâmetro e uma rotação de 2,1 horas, a rocha com o período de rotação mais rápido já encontrada no nosso Sistema Solar. 
Em 1987, supernova na Grande Nuvem de Magalhães visível a olho nu, resultado de uma explosão da supergigante azul Sanduleak 69.
SN1987A. Crédito: HST
Conhecida como SN1987A, foi a primeira supernova "próxima" dos últimos três séculos.
Em 1999, conjunção de Júpiter com Vénus. As conjunções não são eventos raros. Mas as conjunções planetárias são raramente tão próximas e Vénus e Júpiter são os objetos astronómicos mais brilhantes do céu, a seguir ao Sol e à Lua (objetos naturais - o terceiro objeto em geral é agora a ISS).
Observações: Lua Nova, pelas 15:32.

Dia 24/02: 55.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, nascia Brian Schmidt, astrónomo e astrofísico australiano que em 2011 partilhou com Saul Perlmutter e Adam Riess o Prémio Nobel da Física por fornecer evidências da aceleração da expansão do Universo.
Em 1968 foi descoberto o primeiro pulsar, por Jocelyn Bell Burnell, numa pesquisa no rádio. Hewish e Ryle, codiretores do projeto, receberam o prémio Nobel da Física em 1974 por conjugar as observações com um modelo duma estrela de neutrões em rotação. 
Em 1969 era lançada a sonda americana Mariner 6. A 31 de julho de 1969, passou a 3330 km de Marte e enviou de volta 74 imagens.
Em 1979, lançamento do satélite Solwind P78-1.
Em 1996 foi lançada a sonda POLAR para estudar a região dos polos da Terra, uma região ativa do geoespaço.
Em 2011, voo final do vaivém Discovery, na sua missão STS-133.

Observações: Sirius está o mais alto a sul pelas 21 horas. Usando binóculos, examine a mancha 4º para sul de Sirius (diretamente para baixo). Quatro graus é menos do que o campo de visão de uns binóculos normais. Consegue discernir a pequena mancha irregular e acinzentada? É o enxame aberto M41, a cerca de 2200 anos-luz de distância. Sirius, em comparação, está a apenas 8,6 anos-luz.

 
     
 
Curiosidades


O primeiro pulsar raios-X descoberto foi Centauro X-3, em 1971, pelo satélite de raios-X Uhuru.

 
 
   
Descobertas da Juno atualizam mistério da água em Júpiter
 
A câmara JunoCam a bordo da nave espacial Juno da NASA capturou esta imagem da região equatorial sul de Júpiter no dia 1 de setembro de 2017. A imagem está orientada de tal modo que os polos de Júpiter (não visíveis) estão nos lados esquerdo e direito da fotografia.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Kevin M. Gill
 

A missão Juno da NASA forneceu os seus primeiros resultados científicos sobre a quantidade de água na atmosfera de Júpiter. Publicados recentemente na revista Nature Astronomy, os resultados da Juno estimam que, no equador, a água constitui cerca de 0,25% das moléculas na atmosfera de Júpiter - quase três vezes as do Sol. Estas são também as primeiras descobertas sobre a abundância de água no gigante gasoso desde que a missão Galileo da agência espacial sugeriu, em 1995, que Júpiter poderia ser extremamente seco em comparação com o Sol (a comparação não se baseia na água líquida, mas na presença dos seus componentes, oxigénio e hidrogénio).

Uma estimativa precisa da quantidade total de água na atmosfera de Júpiter está há décadas nas listas de desejos dos cientistas: o valor, no gigante gasoso, representa uma essencial peça em falta do quebra-cabeças da formação do nosso Sistema Solar. Júpiter foi provavelmente o primeiro planeta a formar-se e contém a maior parte do gás e da poeira que não foram incorporados no Sol.

As principais teorias sobre a sua formação baseiam-se na quantidade de água que o planeta absorveu. A abundância de água também tem implicações importantes para a meteorologia (como as correntes de vento fluem em Júpiter) e para a estrutura interna do gigante gasoso. Enquanto os relâmpagos - um fenómeno tipicamente alimentado pela humidade - detetados em Júpiter pela Voyager e por outras naves espaciais já sugeriram a presença de água, uma estimativa precisa da quantidade de água nas profundezas da atmosfera de Júpiter permanecia elusiva.

Antes da sonda Galileo parar de transmitir, após 57 minutos na sua descida joviana em dezembro de 1995, comunicou por rádio medições do espectrómetro da quantidade de água na atmosfera do gigante gasoso até uma profundidade de 120 km, onde a pressão atmosférica atingiu cerca de 22 bares. Os cientistas que trabalhavam nos dados ficaram desanimados ao encontrar dez vezes menos água do que o esperado.

Ainda mais surpreendente: a quantidade de água medida pela sonda Galileo ainda parecia aumentar com a profundidade, bem abaixo de onde as teorias sugerem que a atmosfera deve estar bem misturada. Numa atmosfera bem misturada, o conteúdo de água é constante em toda a região e tem maior probabilidade de representar uma média global; por outras palavras, é mais provável que seja representativa da água em todo o planeta. Quando combinados com um mapa infravermelho obtido ao mesmo tempo por um telescópio terrestre, os resultados sugeriram que a missão da sonda pode ter tido apenas azar, amostrando um ponto meteorológico invulgarmente quente e seco em Júpiter.

"Quando pensamos que já descobrimos estas coisas, Júpiter lembra-nos o quanto ainda precisamos aprender," disse Scott Bolton, investigador principal da Juno no SwRI (Southwest Research Institute), San Antonio, EUA. "A grande surpresa da Juno de que a atmosfera não estava bem misturada, mesmo bem abaixo do topo das nuvens, é um puzzle que ainda estamos a tentar resolver. Ninguém imaginava que a água pudesse ser tão variável em todo o planeta."

 
Nesta imagem da zona equatorial sul de Júpiter, pela JunoCam, estão presentes nuvens brancas e espessas. A frequências de micro-ondas, estas nuvens são transparentes, permitindo que o instrumento MWR da Juno meça o conteúdo de água nas profundezas da atmosfera do planeta. A imagem foi obtida durante o "flyby" da Juno de dia 16 de dezembro de 2017.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Kevin M. Gill
 

Medindo água de cima

A Juno é uma sonda giratória alimentada a energia solar, lançada em 2011. Devido à experiência da Galileo, a missão busca obter leituras da abundância de água ao longo de grandes regiões do enorme planeta. Um novo tipo de instrumento para a exploração planetária no espaço profundo, o MWR (Microwave Radiometer) da Juno observa Júpiter de cima usando seis antenas que medem a temperatura atmosférica a várias profundidades simultaneamente. O MWR aproveita o facto de que a água absorve certos comprimentos de onda da radiação de micro-ondas, o mesmo truque usado pelos fornos de micro-ondas para aquecer os alimentos rapidamente. As temperaturas medidas são usadas para restringir a quantidade de água e amónia na atmosfera profunda, pois ambas as moléculas absorvem a radiação de micro-ondas.

A equipa científica da Juno usou dados recolhidos durante os oito primeiros voos científicos por Júpiter para fazer as descobertas. Inicialmente concentraram-se na região equatorial porque a atmosfera parece mais bem misturada, mesmo em profundidade, do que noutras regiões. A partir do seu poleiro orbital, o MWR foi capaz de recolher dados de uma profundidade muito maior do que a sonda Galileo - 150 km, onde a pressão atinge cerca de 33 bares.

"Descobrimos que há mais água no equador do que a sonda Galileo mediu," disse Cheng Li, cientista da Juno na Universidade da Califórnia em Berkeley. "Como a região equatorial é única em Júpiter, precisamos de comparar estes resultados com a quantidade de água existente noutras regiões."

Movendo-se para norte

A órbita de 53 dias da Juno está lentamente a mover-se para norte, como pretendido, colocando mais em foco o hemisfério norte de Júpiter a cada passagem. A equipa científica está ansiosa por ver como o conteúdo de água atmosférica varia de acordo com a latitude e região, bem como o que os polos ricos em ciclones lhes podem dizer sobre a abundância global de água no gigante gasoso.

A 24.ª passagem científica da Juno por Júpiter teve lugar no dia 17 de fevereiro. O próximo "flyby" está agendado para 10 de abril de 2020.

"Cada 'flyby' científico é um evento de descoberta," disse Bolton. "Com Júpiter, há sempre algo novo. A Juno ensinou-nos uma lição importante: precisamos de nos aproximar de um planeta para testar as nossas teorias."

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)

 


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Notícias relacionadas:
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Júpiter:
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Galileo:
NASA
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O regresso a Vénus e o que isso significa para a Terra
 
Vénus esconde um tesouro de informações que podem ajudar-nos a entender a Terra e os exoplanetas. O JPL da NASA está a desenvolver conceitos de missões para sobreviver as extremas temperaturas e pressões atmosféricas do planeta. Esta imagem é uma composição de dados recolhidos pela sonda Magellan da NASA e pelo orbitador Pioneer Venus.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Sue Smrekar está desejosa de voltar a Vénus. No seu escritório no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, a cientista planetária exibe uma imagem com 30 anos da superfície de Vénus captada pela sonda Magellan, uma lembrança de quanto tempo passou desde que uma missão americana orbitou o planeta. A imagem revela uma paisagem infernal: uma superfície jovem com mais vulcões do que qualquer outro corpo no Sistema Solar, fendas gigantescas, cinturas montanhosas e temperaturas quentes o suficiente para derreter chumbo.

Agora superaquecido por gases de efeito estufa, o clima de Vénus já foi mais parecido com o da Terra, com água equivalente, em quantidade, a um oceano raso. Pode até ter tido zonas de subducção como a Terra, áreas onde a crosta do planeta afunda de novo na rocha mais próxima do núcleo planetário.

"Vénus é como um caso de controlo para a Terra," disse Smrekar. "Pensamos que começaram com a mesma composição, a mesma água e dióxido de carbono. E seguiram dois caminhos completamente diferentes. Mas porquê? Quais são as principais forças responsáveis pelas diferenças?"

Smrekaer trabalha com o VEXAG (Venus Exploration Analysis Group), uma aliança de cientistas e engenheiros que investiga maneiras de revisitar o planeta que a Magellan mapeou há décadas atrás. Embora as suas abordagens variem, o grupo concorda que Vénus pode dizer-nos algo de vital importância sobre o nosso planeta: o que aconteceu com o clima superaquecido do nosso gémeo planetário, e o que é que isso significa para a vida na Terra?

Orbitadores

Vénus não é o planeta mais próximo do Sol, mas é o mais quente do Sistema Solar. Entre o calor intenso (480º C), as corrosivas nuvens sulfúricas e uma atmosfera esmagadora 90 vezes mais densa do que a da Terra, aterrar uma nave é incrivelmente desafiador. Das nove sondas soviéticas que alcançaram este feito, nenhuma durou mais do que 127 minutos.

Da relativa segurança do espaço, um orbitador podia usar radar e espectroscopia no infravermelho próximo para penetrar por baixo das camadas de nuvens, medir mudanças na paisagem ao longo do tempo e determinar se o solo se move ou não. Podia procurar indicadores de água passada, bem como atividade vulcânica e outras forças que podem ter moldado o planeta.

Smrekar, que está a trabalhar numa proposta de um orbitador chamado VERITAS, não acha que Vénus tenha placas tectónicas como a Terra. Mas ela vê possíveis sugestões de subducção - o que acontece quando duas placas convergem e uma desliza por baixo da outra. Mais dados iam ajudar.

"Sabemos muito pouco sobre a composição da superfície de Vénus," disse. "Achamos que existem continentes, como na Terra, que podem ter-se formado através de subducção passada. Mas não temos informações para realmente dizer isso."

As respostas não apenas aprofundariam a nossa compreensão do porquê de Vénus e da Terra serem agora tão diferentes; podiam restringir as condições que os cientistas precisariam para encontrar um exoplaneta parecido com a Terra.

Balões de ar quente

Os orbitadores não são o único meio de estudar Vénus de cima. Os engenheiros Attila Komjathy e Siddharth Krishnamoorthy do JPL imaginam uma armada de balões de ar quente que voam ao vento nos níveis mais altos da atmosfera venusiana, onde as temperaturas são próximas das da Terra.

 
Uma equipa de engenheiros do JPL testam se um grande balão pode medir sismos a partir do ar. A equipa propõe medir sismos venusianos a partir da atmosfera superior, muito menos quente, do planeta, usando uma armada de balões.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

"Ainda não há nenhuma missão encomendada para um balão em Vénus, mas os balões são uma ótima maneira de explorar Vénus porque a atmosfera é tão espessa e a superfície tão dura," disse Krishnamoorthy. "O balão é como o ponto ideal, onde estamos perto o suficiente para obter um monte de coisas importantes, mas também estamos num ambiente muito mais benigno onde os sensores podem realmente durar tempo suficiente para fornecer algo significativo."

A equipa colocaria nos balões sismómetros sensíveis o suficiente para detetar sismos no planeta. Na Terra, quando o solo treme, esse movimento ondula na atmosfera como ondas de infrassom (o oposto de ultrassom). Krishnamoorthy e Komjathy demonstraram que a técnica é viável usando balões prateados de ar quente, que mediram sinais fracos acima de áreas da Terra com sismos. E isso nem é com o benefício da densa atmosfera de Vénus, onde a experiência provavelmente transmitiria resultados ainda mais fortes.

"Se o solo se move um pouco, sacode muito mais o ar em Vénus do que na Terra," explicou Krishnamoorthy.

Para obter estes dados sísmicos, o balão precisaria de lidar com ventos tão velozes quanto os de um furacão. O balão ideal, conforme determinado pelo VEXAG, podia controlar os seus movimentos pelo menos numa direção. A equipa de Krishnamoorthy e Komjathy ainda não chegou tão longe, mas propuseram um meio-termo: fazer os balões essencialmente voarem ao vento em torno do planeta a uma velocidade constante, transmitindo os seus resultados a um orbitador. É um começo.

Módulos de aterragem

Entre os muitos desafios enfrentados por um "lander" venusiano, estão as nuvens que bloqueiam o Sol: com pouca luz do Sol, a energia solar seria severamente limitada. Mas o planeta é demasiado quente para outras fontes de energia sobreviverem. "Em termos de temperatura, é como estar num forno de cozinha, no modo de autolimpeza," disse o engenheiro Jeff Hall, do JPL, que trabalhou nos protótipos de balão e módulo de aterragem para Vénus. "Realmente não há outro lugar, no Sistema Solar, como este ambiente de superfície."

Para começar, a vida de um módulo de aterragem seria reduzida pelos componentes eletrónicos, que começariam a falhar após algumas horas. Hall diz que a quantidade de energia necessária para alimentar um dispositivo de arrefecimento capaz de proteger o módulo exigiria mais baterias do que o "lander" podia transportar.

"Não há esperança de refrigerar um módulo para o manter fresco," acrescentou. "Tudo o que podemos fazer é diminuir o ritmo a que se destrói."

A NASA está interessada em desenvolver "tecnologias quentes" que podem sobreviver dias, ou até semanas, em ambientes extremos. Embora o conceito de módulo venusiano de aterragem de Hall não tenha chegado à próxima etapa do processo de aprovação, levou ao seu trabalho atual relacionado com Vénus: um sistema de perfuração e amostragem resistente ao calor que poderia recolher amostras de solo venusiano para análise. Hall trabalha com a Honeybee Robotics para desenvolver os motores elétricos de próxima geração que perfuram em condições extremas, enquanto o engenheiro Joe Melko do JPL projeta o sistema de amostragem pneumática.

Juntos, trabalham com protótipos na Grande Câmara de Testes de Vénus do JPL, com paredes de aço, que imita as condições do planeta até uma atmosfera composta por 100% dióxido de carbono sufocante. A cada teste bem-sucedido, as equipas levam a humanidade um passo mais perto de forçar os limites da exploração neste planeta mais inóspito.

// JPL/NASA (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

Vénus:
CCVAlg - Astronomia 
Wikipedia

Sonda Magellan:
NASA
Wikipedia

VERITAS:
JPLNASA
Wikipedia

 
   
A descoberta de Tombaugh revolucionou o conhecimento do nosso Sistema Solar

Na passada terça-feira, 18 de fevereiro, comemorou-se os 90 anos da descoberta de Plutão, por Clyde Tombaugh, um jovem astrónomo que trabalhava no Observatório Lowell em Flagstaff, no estado norte-americano do Arizona. Ao fazê-lo, abriu, sem saber, a porta para a vasta "terceira zona" do Sistema Solar que agora conhecemos como Cintura de Kuiper, que contém inúmeros planetesimais e planetas anões - a terceira classe de planetas no nosso Sistema Solar.

O homónimo do Observatório Lowell, Percival Lowell, propôs pela primeira vez a existência de um "Planeta X" algures para lá da órbita de Neptuno. Incapaz de o encontrar antes da sua morte em 1916, a procura pelo Planeta X parou por quase uma década, até renovada quando Tombaugh foi contratado em 1929. Tombaugh encontrou o objeto no dia 18 de fevereiro de 1930, aos 24 anos de idade, usando um comparador Zeiss, um dispositivo que lhe permitia identificar objetos em movimento contra os campos estelares de fundo que havia fotografado.

 
O astrónomo americano Clyde Tombaugh descobriu Plutão usando um comparador Zeiss no Observatório Lowell em Flagstaff, Arizona. Com essa máquina, comparava secções do céu que Percival Lowell tinha previsto que um planeta residia, observando objetos que se moviam no céu noturno contra estrelas de fundo. Descobriu Plutão no dia 18 de fevereiro de 1930.
Crédito: Observatório Lowell
 

"O que Tombaugh não sabia na altura era que o Planeta X lançaria a era da exploração da terceira zona do Sistema Solar," disse Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA. "A ciência baseia-se na ciência, e esta descoberta ajudou a pavimentar o caminho para a exploração desta região desconhecida pela New Horizons."

Embora tenha morrido em 1997, parte das cinzas de Tombaugh estavam a bordo da sonda New Horizons da NASA quando foi lançada a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, Flórida, em janeiro de 2006. Estas cinzas, transportadas num pequeno recetáculo metálico, viajaram com a New Horizons numa viagem de nove anos e 5,25 mil milhões de quilómetros até Plutão para fazer a primeira exploração do planeta de Tombaugh.

 
A sonda New Horizons transporta um pequeno recetáculo com parte das cinzas de Clyde Tombaugh. Contém uma inscrição, escrita pelo investigador principal da missão, Alan Stern, que diz, traduzindo do inglês: "Aqui estão sepultados os restos mortais do americano Clyde W. Tombaugh, descobridor de Plutão e da 'Terceira Zona' do Sistema Solar, filho de Adelle e Muron, marido de Patricia, pai de Annette e Alden, astrónomo, professor, 'punster' e amigo: Clyde W. Tombaugh (1906-1997)."
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI
 

A nave espacial passou por Plutão e pelas suas cinco luas no dia 15 de julho de 2015, chegando a 12.500 km da superfície e fornecendo as agora icónicas imagens de Plutão e do seu coração, bem como de todas as cinco luas: Caronte, Nix, Hidra, Estige e Cérebro. A passagem revolucionou a compreensão da humanidade sobre o sistema de Plutão e sobre os planetas anões. Da variedade nas suas formações geológicas, à sua atmosfera complexa, às suas intrigantes luas, Plutão mostrou um nível de diversidade física e complexidade que poucos esperavam encontrar.

Uma vez imaginado por alguns como apenas uma rocha gelada, a New Horizons descobriu que Plutão é na verdade geologicamente ativo. De estranhas e "afiadas" montanhas de metano a glaciares de azoto, de vulcões de gelo e à presença agora suspeita de um oceano de água líquida no interior do planeta, Plutão fez literalmente com que os cientistas planetários repensassem o quão complexos e ativos até os planetas pequenos podem ser. Plutão também possui uma brilhante atmosfera azul de azoto, repleta de neblinas que se estendem meio milhão de metros no seu céu e possíveis neblinas e nevoeiros.

 
A sonda New Horizons da NASA capturou esta imagem melhorada e de alta resolução de Plutão no dia 14 de julho de 2015. A imagem combina imagens azuis, vermelhas e infravermelhas obtidas com o instrumento Ralph/MVIC (Multispectral Visual Imaging Camera). A superfície de Plutão mostra uma diversidade incrível de cores subtis, melhoradas nesta imagem para um arco-íris de azuis pálidos, amarelos, laranjas e vermelhos profundos. Muitas formações têm as suas cores distintas, contando uma complexa história geológica e climatológica que os cientistas apenas começaram a descodificar. A imagem resolve detalhes e cores a escalas tão pequenas quanto 1,3 km.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI
 

Após o sucesso do "flyby" por Plutão, a NASA estendeu a missão da New Horizons para passar por um pequeno objeto da Cintura de Kuiper mais de 1,6 mil milhões de quilómetros para lá de Plutão. No dia 1 de janeiro de 2019, a New Horizons trouxe foco a esse corpo antigo, Arrokoth e, ao fazê-lo, revelou como os planetesimais - os blocos de construção de planetas como Plutão - foram formados.

"Olhando para trás, a descoberta de Tombaugh foi muito mais do que apenas a descoberta do nono planeta," disse Alan Stern, investigador principal da New Horizons, do SwRI (Southwest Research Institute). "Foi o prenúncio de uma região totalmente nova do Sistema Solar e de dois tipos diferentes e completamente novos de corpos - planetas anões e objetos da Cintura de Kuiper. Eu só queria que Clyde tivesse vivido para ver tudo o que a New Horizons descobriu e quão incrivelmente bonito Plutão é."

// JHUAPL (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

Clyde Tombaugh:
Wikipedia

Sistema de Plutão:
Plutão (Wikipedia)
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hidra (Wikipedia)
Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

Arrokoth (2014 MU69; Ultima Thule):
Wikipedia 
NASA

New Horizons:
Página oficial
NASA
Twitter
Wikipedia

 
   
Álbum de fotografias - UGC 12591: A Galáxia com Maior Rotação Conhecida
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAHubble; Processamento e direitos de autor: Leo Shatz
 
Porque é que esta galáxia gira tão depressa? Para começar, até a própria identificação do tipo a que a galáxia UGC 12591 pertence, é difícil - perto do canto inferior esquerdo da imagem, tem correntes de poeira escura como uma galáxia espiral, mas um grande bojo difuso de estrelas, tal como uma galáxia lenticular. Observações surpreendentes mostram que UGC 12591 gira a cerca de 480 km/s, quase duas vezes mais depressa do que a nossa Via Láctea, a rotação mais rápida já medida. A massa necessária para manter uma galáxia junta, girando tão depressa, corresponde a várias vezes a massa da nossa Via Láctea. Os cenários progenitores para UGC 12591 incluem um crescimento lento por acreção de matéria ambiente, ou um crescimento rápido através de uma recente colisão ou colisões galácticas - as observações futuras poderão dizer-nos mais. A luz de UGC 12591 que vemos hoje deixou a galáxia há cerca de 400 milhões de anos atrás, altura em que surgiam, no planeta Terra, as primeiras árvores.
 
   
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