Dia 17/04: 108.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1598 nascia Giovanni Battista Riccioli, astrónomo italiano e padre jesuíta que estudou extensivamente a Lua e foi a primeira pessoa a medir a aceleração de um corpo em queda livre. Também introduziu a nomenclatura lunar atual.
Em 1967, lançamento da Surveyor 3, a segunda missão do programa Surveyor a aterrar suavemente na Lua.
Em 1970, após dias de aflição, a Apollo 13 regressava sã e salva à Terra.
Em 2014, o telescópio Kepler confirma a descoberta do primeiro planeta do tamanho da Terra na zona habitável de outra estrela. Observações: Vénus passa a 10º N (para cima e para a direita) de Aldebarã.
Depois do cair da noite, a "foice de Leão" apoia-se na vertical, alta a sul. A sua estrela de baixo é Régulo, a mais brilhante da constelação. A figura do leão, propriamente dito, está a caminhar na horizontal, para oeste. A "foice" forma a sua pata da frente, peito, juba e parte da sua cabeça.
Dia 18/04: 109.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1955, falecia Albert Einstein.
Em 2000, uma equipa de cientistas do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica usa o Observatório de raios-X Chandra durante 7,5 horas para obter imagens do espectro de um buraco negro estelar na direção da constelação de Ursa Maior. Observações: A brilhante estrela Arcturo sobe alta a este por estas noites. Igualmente brilhante, Capella desce a noroeste, para cima e para a direita de Vénus. Arcturo e Capella situam-se exatamente à mesma altura, acima do horizonte, a um determinado momento entre as 21:30 e as 22:30, dependendo de quão para este ou oeste vive no seu fuso horário. Com que precisão consegue observar este evento? Tal como com cada "coisa" relacionada com as constelações, ocorre 4 minutos mais cedo a cada noite.
Dia 19/04: 110.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1971, lançamento da Salyut 1, a primeira estação espacial.
Em 1975, lançamento do primeiro satélite da Índia, o Aryabhata.
Em 1966 nascia Brett J. Gladman, astrónomo canadiano, conhecido pelo seu trabalho na astronomia dinâmica do Sistema Solar. Estudou o transporte de meteoritos entre planetas, a entrega de meteoróides desde a cintura principal de asteroides e a possibilidade do transporte da vida via o mecanismo conhecido como panspérmia. Descobridor e co-descobridor de muitos corpos astronómicos do Sistema Solar, asteroides, cometas da cintura de Kuiper e muitas luas dos planetas gigantes. Observações: Esta é a altura do ano em que, à medida que a noite cai, a ténue Ursa Menor estende-se na horizontal para a direita da Estrela Polar. Bem acima das estrelas da "frigideira" de Ursa Menor, encontrará as estrelas da "frigideira" de Ursa Maior.
Dia 20/04: 111.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1535, o fenómeno de parélio é observado por cima de Estocolmo e representado no quadro Vädersolstavlan.
Em 1865, o astrónomo Pietro Angelo Secchi demonstra o disco de Sechi, que mede a claridade da água, a bordo do iate do Papa Pio IX, o L'Imaculata Concezione.
Em 1972, a Apollo 16 aterra na Lua, uma das seis missões tripuladas à Lua com sucesso. John W. Young e Thomas K. Mattingly III alunaram numa área de nome Descartes. Este foi o primeiro estudo das terras-altas, feito com várias câmaras e experiências. O "rover" lunar foi usado pela segunda vez. Os astronautas permaneceram 71 horas na superfície. Recolheram 95,8 kg de rochas lunares. Observações: Ao anoitecer, olhe bem alto a oeste em busca de Pollux e Castor alinhadas quase horizontalmente (dependendo da latitude do observador). Estas duas estrelas, as cabeças dos Gémeos, formam o topo do enorme Arco da Primavera. Para baixo e para a sua esquerda está Procyon, a extremidade esquerda do Arco. Mais para baixo mas à direita, está o outro lado do Arco, Menkalinan (Beta Aurigae) e depois a brilhante Capella. O Arco desloca-se para perto do horizonte a oeste ao longo da noite.
Curiosidades
O termo 'Oumuamua é havaiano para "mensageiro de longe que chega primeiro".
Planeta do tamanho da Terra e na zona habitável encontrado escondido em dados antigos do Kepler
Ilustração de Kepler-1649c em órbita da sua estrela hospedeira, uma anã vermelha. Este planeta recém-descoberto encontra-se na zona habitável e é o mais parecido com a Terra em termos de tamanho e temperatura, encontrado até agora nos dados do Kepler.
Crédito: NASA/Centro de Pesquisa Ames/Daniel Rutter
Uma equipa de cientistas transatlânticos, usando dados reanalisados do telescópio espacial Kepler da NASA, descobriu um exoplaneta do tamanho da Terra em órbita na zona habitável da sua estrela, a área em redor de uma estrela onde um planeta rochoso pode suportar água líquida.
Os cientistas descobriram este planeta, chamado Kepler-1649c, ao examinarem observações antigas do Kepler, que a agência espacial reformou em 2018. Enquanto pesquisas anteriores com um algoritmo de computador o identificaram erroneamente, os investigadores que reviam dados do Kepler deram uma segunda olhada na assinatura e reconheceram-no como um planeta. De todos os exoplanetas encontrados pelo Kepler, este mundo distante - localizado a 300 anos-luz da Terra - é o mais semelhante em tamanho e temperatura estimada com a Terra.
Este mundo recém-revelado é apenas 1,06 vezes maior do que o nosso próprio planeta. Além disso, a quantidade de luz estelar que recebe da sua estrela hospedeira corresponde a 75% da quantidade de luz que a Terra recebe do nosso Sol - o que significa que a temperatura do exoplaneta também pode ser semelhante à do nosso planeta. Mas, ao contrário da Terra, orbita uma anã vermelha. Embora não tenha sido ainda observado neste sistema, este tipo de estrela é conhecido pelas suas explosões estelares que podem tornar o ambiente de um planeta um desafio para qualquer potencial vida.
"Este mundo intrigante e distante dá-nos ainda mais esperança de que uma segunda Terra esteja por aí entre as estrelas, à espera de ser encontrada," disse Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA em Washington, EUA. "Os dados recolhidos por missões como a do Kepler e do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) vão continuar a produzir descobertas surpreendentes, à medida que a comunidade científica aprimora as suas capacidades de procurar planetas promissores anos após ano."
Comparação entre a Terra e Kepler-1649c, um exoplaneta com apenas 1,06 vezes o raio do nosso planeta.
Crédito: NASA/Centro de Pesquisa Ames/Daniel Rutter
Ainda há muitos aspetos desconhecidos sobre Kepler-1649c, incluindo a sua atmosfera, o que pode afetar a temperatura do planeta. Os cálculos atuais do tamanho do planeta têm margens de erro significativas, assim como todos os valores na astronomia no que toca a estudar objetos tão longínquos. Os planetas rochosos que orbitam anãs vermelhas são de particular interesse biológico. No entanto, os astrobiólogos precisarão de muitas mais informações sobre este planeta para avaliar se é promissor para a vida como a conhecemos. Mas, com base no que se sabe, Kepler-1649c é especialmente intrigante para os cientistas que procuram mundos com condições potencialmente habitáveis.
Estima-se que outros exoplanetas estejam mais próximos do tamanho da Terra, como TRAPPIST-1f e, segundo alguns cálculos, Teegardecn c. Outros podem estar mais próximos da Terra em termos de temperatura, como TRAPPIST-1d e TOI 700d. Mas não há outro exoplaneta que seja considerado mais próximo da Terra em ambas as propriedades, que também se encontre na zona habitável do seu sistema.
"De todos os planetas erroneamente categorizados que recuperámos, este é particularmente excitante - não apenas porque está na zona habitável e é do tamanho da Terra, mas também devido à forma como pode interagir com o seu planeta vizinho," disse Andrew Vanderburg, investigador da Universidade do Texas em Austin e autor principal do artigo publicado dia 15 de abril na revista The Astrophysical Journal Letters. "Se não tivéssemos analisado o trabalho do algoritmo manualmente, tê-lo-íamos perdido."
Kepler-1649c orbita a sua pequena estrela anã vermelha tão perto que um ano é equivalente a apenas 19,5 dias terrestres. O sistema possui outro planeta rochoso do mesmo tamanho, mas orbita a estrela a cerca de metade da distância de Kepler-1649c, semelhante à forma como Vénus orbita o nosso Sol a cerca de metade da distância da Terra. As estrelas anãs vermelhas estão entre as mais comuns na Galáxia, o que significa que planetas como este podem ser mais comuns do que se pensava anteriormente.
À procura de falsos positivos
Anteriormente, os cientistas da missão Kepler desenvolveram um algoritmo chamado Robovetter para ajudar a classificar as enormes quantidades de dados produzidos pela missão Kepler, gerida pelo Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia. O Kepler procurou planetas usando o método de trânsito, observando estrelas à procura de quedas no seu brilho enquanto planetas passavam à sua frente.
Na maioria das vezes, estas diminuições de brilho vêm de outros fenómenos que não planetas - desde mudanças naturais no brilho estelar até à passagem de outros objetos cósmicos - dando a entender que um planeta está lá quando não está. A tarefa do Robovetter era distinguir as 12% de quedas de brilho que eram planetas reais. Estas assinaturas que o Robovetter determinou serem de outras fontes foram rotuladas como "falsos positivos", o termo para um resultado de teste erroneamente classificado como positivo.
Com um enorme número de sinais complicados, os astrónomos sabiam que o algoritmo cometeria erros e precisariam de ser verificados - um trabalho perfeito para o Grupo de Trabalho de Falsos Positivos do Kepler. A equipa revê o trabalho do Robovetter, passando por todos os falsos positivos para garantir que são realmente erros e não exoplanetas, garantindo que menos potenciais descobertas são negligenciadas. Ao que parece, o Robovetter tinha rotulado incorretamente Kepler-1649c.
Impressão de artista de como poderá ser a superfície e o céu de Kepler-1649c.
Crédito: NASA/Centro de Pesquisa Ames/Daniel Rutter
Mesmo enquanto os cientistas que trabalham para automatizar ainda mais processos de análise para obter o máximo de ciência possível a partir de qualquer conjunto de dados, esta descoberta mostra o valor da verificação manual do trabalho automatizado. Mesmo seis anos após a conclusão da missão de recolha de dados do Kepler, no seu campo de visão original - uma zona do céu que observou de 2009 a 2013, antes de continuar a estudar muitas outras regiões -, esta análise rigorosa descobriu um dos análogos da Terra mais únicos até agora.
Um possível terceiro planeta
Kepler-1649c não é apenas uma das melhores correspondências com a Terra em termos de tamanho e energia que recebe da sua estrela, mas fornece uma visão totalmente nova do seu sistema. Por cada nove vezes que o planeta interior orbita a sua estrela hospedeira, o planeta exterior orbita quase exatamente quatro vezes. O facto das suas órbitas coincidirem numa proporção tão estável indica que o próprio sistema é extremamente estável, e provavelmente sobreviverá por muito tempo.
As relações quase perfeitas entre os períodos são frequentemente provocadas por um fenómeno chamado ressonância orbital, mas uma relação de 9:4 é relativamente única entre os sistemas planetários. Normalmente, as ressonâncias assumem proporções como 2:1 ou 3:2. Embora não confirmada, a raridade desta proporção pode sugerir a presença de um planeta do meio com o qual o planeta interior e o planeta exterior orbitam em sincronicidade, criando um par de ressonâncias 3:2.
A equipa procurou evidências de um terceiro planeta tão misterioso, sem resultados. No entanto, isso pode ser porque o planeta é demasiado pequeno para ser observado ou está inclinado orbitalmente de tal maneira que torna impossível encontrá-lo usando o método de trânsito do Kepler.
De qualquer forma, este sistema fornece mais um exemplo de um planeta do tamanho da Terra na zona habitável de uma estela anã vermelha. Estas estrelas pequenas e ténues requerem que os planetas orbitem extremamente perto nessa zona - não muito quente nem muito frio - para a vida como a conhecemos potencialmente existir. Embora este exemplo único seja apenas um entre muitos, existem evidências crescentes de que tais planetas são comuns em torno de anãs vermelhas.
"Quanto mais dados obtivermos, mais sinais podemos ver que apontam para a noção de que os exoplanetas potencialmente habitáveis e do tamanho da Terra são comuns em torno deste tipo de estrelas," disse Vanderburg. "Com as anãs vermelhas em quase toda a parte da nossa Galáxia, e estes pequenos planetas rochosos potencialmente habitáveis em seu redor, a chance de um deles não ser muito diferente da nossa Terra parece um pouco mais favorável."
As missões como da do Kepler e do TESS ajudam a contribuir para o campo da astrobiologia, a investigação interdisciplinar de como as variáveis e as condições ambientais de mundos distantes podem abrigar vida como a conhecemos, ou de qualquer outra forma que a vida possa assumir.
Nova teoria de formação explica o misterioso objeto interestelar 'Oumuamua
Impressão de artista do asteroide interestelar 1I/2017 U1 ('Oumuamua) à medida que passava pelo Sistema Solar depois da sua descoberta em outubro de 2017. As observações de 'Oumuamua indicam que deverá ser muito alongado devido às suas dramáticas variações de brilho enquanto vagueava pelo espaço.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
Desde a sua descoberta em 2017 que um ar de mistério envolveu o primeiro objeto interestelar conhecido a visitar o nosso Sistema Solar, um corpo alongado em forma de charuto chamado 'Oumuamua.
Como é que foi formado, e de onde veio? Um novo estudo publicado dia 13 de abril na revista Nature Astronomy fornece uma primeira resposta compreensiva a estas perguntas.
O autor principal Yun Zhang do Observatório Astronómico Nacional da Academia Chinesa de Ciências e o coautor Douglas N. C. Lin da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, usaram simulações de computador para mostrar como objetos como 'Oumuamua podem formar-se sob a influência de forças de maré, como as que são sentidas pelos oceanos da Terra. A sua teoria de formação explica todas as características invulgares de 'Oumuamua.
"Nós mostrámos que objetos interestelares semelhantes a 'Oumuamua podem ser produzidos através de uma extensa fragmentação de marés durante encontros próximos dos seus corpos parentes com as suas estrelas hospedeiras, e depois expelidos para o espaço interestelar," disse Lin, professor emérito de astronomia e astrofísica da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.
Objeto misterioso
Descoberto no dia 19 de outubro de 2017 pelo Pan-STARRS1 (Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System 1) no Hawaii, Zhang diz que 'Oumuamua é totalmente diferente de tudo no nosso Sistema Solar. A sua superfície seca, a sua forma invulgarmente alongada e o seu movimento intrigante até levaram alguns cientistas a pensar se era uma sonda alienígena.
"É realmente um objeto misterioso, mas alguns sinais, como as suas cores e a ausência de emissão de rádio, apontam para que 'Oumuamua seja um objeto natural," disse Zhang.
"O nosso objetivo é criar um cenário compreensivo, com base em princípios físicos bem entendidos, para reunir todas as pistas tentadores," disse Lin.
Os astrónomos esperavam que o primeiro objeto interestelar que detetassem fosse um corpo gelado como um cometa. Os objetos gelados como aqueles que povoam a nuvem de Oort, um reservatório de cometas nos confins do Sistema Solar, evoluem a grandes distâncias das suas estrelas hospedeiras, são ricos em voláteis e são geralmente expulsos dos seus sistemas por interações gravitacionais. São também altamente visíveis graças à sublimação de compostos voláteis, que criam a cabeleira de um cometa (ou cauda) quando aquecidos pelo Sol. A aparência seca de 'Oumuamua, no entanto, é semelhante à de corpos rochosos como os asteroides do Sistema Solar, indicando um cenário de expulsão diferente.
Esta ilustração mostra o processo de perturbação de marés que pode dar azo a objetos do tipo 'Oumuamua.
Crédito: NAOC/Y. Zhang
Outros investigadores calcularam que deve haver uma população extremamente grande de objetos interestelares como 'Oumuamua. "A descoberta de 'Oumuamua implica que a população de objetos interestelares rochosos é muito maior do que pensávamos anteriormente," disse Zhang. "Em média, cada sistema planetário deve ejetar no total cerca de cem biliões de objetos como 'Oumuamua. Precisamos de construir um cenário muito comum para produzir este tipo de objeto."
Quando um corpo mais pequeno passa muito perto de um muito maior, as forças de maré do corpo maior podem fragmentar o mais pequeno, como aconteceu com o cometa Shoemaker-Levy 9 quando se aproximou de Júpiter. Os processos de perturbação de marés podem expelir alguns detritos para o espaço interestelar, o que foi sugerido como uma possível origem para 'Oumuamua. Mas permaneceu muito incerto se esse processo podia explicar as características intrigantes de 'Oumaumua.
Simulações de computador
Zhang e Lin executaram simulações de computador de alta resolução para modelar a dinâmica estrutural de um objeto que passasse perto de uma estrela. Descobriram que se o objeto se aproximar o suficiente da estrela, ela pode rasgá-lo em fragmentos extremamente alongados que são depois expelidos para o espaço interestelar.
"A forma alongada é mais atraente quando consideramos a variação da força do material durante o encontro estelar. A proporção do eixo longo para o eixo curto pode ser ainda superior a dez para um," disse Zhang.
A modelagem térmica dos investigadores mostrou que a superfície de fragmentos resultantes desta rutura do corpo inicial derreteria a uma distância muito curta da estrela e recondensaria a distâncias maiores, formando assim uma crosta coesa que garantiria a estabilidade estrutural da forma alongada.
"A difusão de calor durante o processo de rutura de maré estelar também consome grandes quantidades de materiais voláteis, o que não apenas explica as cores da superfície de 'Oumuamua e a ausência de uma coma visível, mas também elucida a secura inferida da população interestelar," disse Zhang. "No entanto, alguns voláteis de alta temperatura de sublimação enterrados sob a superfície, como água gelada, podem permanecer em forma condensada."
Um objeto parecido com 'Oumuamua produzido por uma simulação do cenário de perturbação de marés proposto por Zhang e Lin.
Crédito: NAOC/Y. Zhang; fundo; ESO/M. Kornmesser
As observações de 'Oumuamua não mostraram atividade cometária, e apenas a água gelada é a possível fonte de fluxo gasoso que explique o seu movimento não gravitacional. Caso 'Oumuamua fosse produzido e ejetado pelo cenário de Zhang e Lin, uma grande quantidade de água gelada residual podia ser ativada durante a sua passagem pelo Sistema Solar. O fluxo gasoso resultante provocaria acelerações que correspondem à trajetória tipo-cometa de 'Oumuamua.
"O cenário de fragmentação de marés não fornece apenas uma maneira de formar um único 'Oumuamua, como também explica a vasta população de objetos interestelares do tipo asteroide," disse Zhang.
Os cálculos dos investigadores demonstram a eficácia das forças de maré na produção deste tipo de objeto. Possíveis progenitores, incluindo cometas de longo período, discos de detritos, e até super-Terras, podem ser transformados em pedaços do tamanho de 'Oumuamua durante encontros estelares.
Este trabalho suporta estimativas de uma grande população de objetos interestelares semelhantes a 'Oumuamua. Tendo em conta que estes objetos podem passar pelos domínios das zonas habitáveis, a possibilidade de transportar matéria capaz de gerar vida (hipótese chamada "panspermia") não pode ser descartada. "Este é um campo muito novo. Estes objetos interestelares podem fornecer pistas críticas sobre como os sistemas planetários se formam e evoluem," disse Zhang.
Segundo Lin, "'Oumuamua é apenas a ponta do iceberg. Nós prevemos que muitos mais visitantes interestelares com características semelhantes sejam descobertos em futuras observações com o próximo Observatório Vera C. Rubin."
O astrónomo Matthew Knight, da Academia Naval dos EUA, colíder da equipa 'Oumuamua do Instituto Internacional de Ciências Espaciais, que não esteve envolvido no novo estudo, disse que este estudo "faz um trabalho notável ao explicar uma variedade de propriedades invulgares de 'Oumuamua com um único e coerente modelo."
"À medida que mais objetos interestelares forem descobertos nos próximos anos, será muito interessante ver se têm propriedades semelhantes às 'Oumuamua. Nesse caso, isso poderá significar que os processos descritos neste estudo são generalizados," disse Knight.
Gemini deteta o vento mais energético de um quasar distante
A imagem à esquerda mostra uma impressão de artista da porção central da galáxia que alberga o quasar SDSS J135246.37+423923.5, a comprimentos de onda visíveis. Ventos espessos obscurecem a nossa visão e "imprimem" assinaturas do fluxo energético no espectro do SDSS. A imagem à direita mostra a mesma impressão de artista mas a comprimentos de onda infravermelhos, vistos pelo detetor GNIRS do Gemini. O fluxo espesso é transparente a comprimentos de onda infravermelhos, dando-nos uma vista limpa do quasar. O espectro infravermelho fornece o desvio para o vermelho do quasar e, daquele ponto de referência, podemos medir a velocidade recorde do fluxo.
Crédito: Observatório Gemini/NOIRLab/NSF/AURA/P. Marenfel
(veja a imagem da esquerda; veja a imagem da direita)
Investigadores que usam o telescópio Gemini Norte em Maunakea, Hawaii, detetaram o vento mais energético de qualquer quasar já medido. Este fluxo, que viaja a quase 13% da velocidade da luz, transporta energia suficiente para impactar dramaticamente a formação estelar numa galáxia inteira. A tempestade extragalática permaneceu escondida, mas à vista de todos, durante 15 anos, antes de ser revelada por modelos computacionais inovadores e novos dados do Observatório Gemini.
O vento mais energético de um quasar foi revelado por uma equipa de astrónomos usando observações do Observatório Gemini, um programa do NOIRLab da NSF (National Science Foundation). Este poderoso fluxo está a mover-se para a sua galáxia hospedeira a quase 13% da velocidade da luz e origina de um quasar conhecido como SDSS J135246.37+423923.5, que fica a aproximadamente 10 mil milhões de anos-luz da Terra.
"Embora ventos de alta velocidade já tenham sido observados anteriormente em quasares, esses carregavam apenas uma quantidade relativamente pequena de massa," explica Sarah Gallagher, astrónoma da Universidade Western (Canadá) que liderou as observações com o Gemini. "O fluxo deste quasar, em comparação, varre uma quantidade enorme de massa a velocidades incríveis. Este vento é muito poderoso e não sabemos como é que o quasar pode lançar algo tão substancial."
Além de medir o fluxo de SDSS J135246.37+423923.5, a equipa também foi capaz de inferir a massa do buraco negro supermassivo que alimenta o quasar. Este objeto monstruoso é 8,6 mil milhões vezes mais massivo que o Sol - cerca de 2000 vezes a massa do buraco negro no centro da nossa Via Láctea e 50% mais massivo do que o famoso e "fotogénico" buraco negro da galáxia M87.
Este resultado foi publicado na revista The Astrophysical Journal e o quasar aqui estudado detém agora o recorde de vento quasar mais energético medido até ao momento, com um vento mais energético do que aqueles relatados recentemente num outro estudo [independente] de 13 quasares.
Apesar da sua massa e fluxo energético, a descoberta deste "poço energético" permaneceu inatingível durante 15 anos, num levantamento de quasares, antes que a combinação dos dados do Gemini e o método inovador de modelagem de computador da equipa permitissem que fosse estudado em detalhe.
"Ficámos chocados - este não é um quasar novo, mas ninguém sabia quão incrível era até a equipa obter os espectros com o Gemini," explica Karen Leighly, astrónoma da Universidade de Oklahoma e uma das líderes científicas desta investigação. "Estes objetos eram demasiado difíceis de estudar antes da nossa equipa desenvolver a nossa metodologia e possuir os dados necessários, e agora parece que podem ser do tipo de quasares 'ventosos' mais interessantes de estudar."
Os quasares - também conhecidos como objetos quasi-estelares - são um tipo de objeto astrofísico extraordinariamente luminoso que reside nos centros de galáxias massivas. Consistindo de um buraco negro supermassivo rodeado por um disco brilhante de gás, os quasares podem ofuscar todas as estrelas da sua galáxia hospedeira e podem impulsionar ventos poderosos o suficiente para influenciar galáxias inteiras.
"Alguns ventos quasares têm energia suficiente para 'varrer' o material de uma galáxia necessário para formar estrelas e, assim, interromper a formação estelar," explica Joseph Hyunseop Choi, estudante da Universidade do Oklahoma e autor principal do artigo científico sobre esta descoberta. "Nós estudámos um quasar particularmente 'ventoso', SDSS J135246.37+423923.5, cujo fluxo é tão espesso que é difícil detetar a assinatura do próprio quasar em comprimentos de onda visíveis."
Apesar da obstrução, a equipa conseguiu ter uma visão clara do quasar usando o instrumento GNIRS (Gemini Near-Infrared Spectrograph) acoplado ao Gemini Norte para observar em comprimentos de onda infravermelhos. Usando uma combinação de espetros de alta qualidade do Gemini e uma abordagem pioneira de modelagem por computador, os astrónomos descobriram a natureza do fluxo do objeto - que provou ser notavelmente mais energético do que qualquer outro fluxo de quasar medido anteriormente.
A descoberta da equipa levanta questões importantes e também sugere que poderão ser descobertos mais destes quasares.
"Nós não sabemos quantos mais destes objetos extraordinários existem nos nossos catálogos que ainda não conhecemos," conclui Choi. "Dado que o software automatizado geralmente identifica quasares graças a fortes linhas de emissão ou à cor azul - duas propriedades que o nosso objeto não tem - podem existir mais destes quasares com fluxos tremendamente poderosos ocultos nos nossos levantamentos."
Desvendando as escalas de tempo de formação dos núcleos galácticos (via Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)
Recorrendo a Unidades de Campo Integral para Espectroscopia 3D (IFS) do rastreio CALIFA, investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) obtiveram um importante resultado acerca da natureza e formação do núcleo das galáxias espirais, como a Via Láctea. O resultado foi publicado no último da revista Astronomy & Astrophysics. Ler fonte
100.ª colisão lunar de asteroide confirmada por segundo telescópio (via ESA)
Desde março de 2017 que o projeto NELIOTA da ESA tem vindo a procurar regularmente "flashes lunares" no nosso satélite natural, para nos ajudar a melhor compreender a ameaça colocada por impactos de pequenos asteroides. O projeto deteta o flash de luz produzido quando um asteroide colide energeticamente com a superfície lunar, e recentemente registou o seu 100.º impacto. Mas, desta vez, não era o único a observar. Ler fonte
Álbum de fotografias - Um Triângulo Cósmico
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ScottAspinall
Foi uma "jogada" tripla. Pondo-se à esquerda, logo após o pôr-do-Sol, no final do mês passado, a nossa Lua - que mostrava um brilhante Crescente. Pondo-se à direita, estava Vénus, o planeta mais brilhante no céu noturno no mês passado - e este mês também. Com um pequeno telescópio, podia discernir que apenas metade de Vénus era visível, o que significa que apenas metade do planeta, como visível da Terra, estava exposto à luz direta do Sol e, assim sendo, iluminado. Bem acima e muito mais longe, estava o enxame de estrelas das Plêiades. Embora a Lua e Vénus se movam em relação às estrelas de fundo, as Plêiades não - porque são elas próprias estrelas de fundo. No início deste mês, Vénus pareceu mover-se exatamente em frente das Plêiades, um evento raro que ocorre apenas uma vez a cada oito anos. A imagem em destaque capturou este triângulo cósmico com uma série de exposições obtidas com a mesma câmara durante 70 minutos perto de Avonlea, Saskatchewan, Canadá. As posições dos objetos celestes estavam previstas. A única coisa imprevista foi a existência da árvore em primeiro plano - e o astrofotógrafo ainda não sabe ao certo que tipo de árvore é.
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