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  Astroboletim #1683  
  24/04 a 27/04/2020  
     
 
Efemérides

Dia 24/04: 115.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1967, o cosmonauta Vladimir Komarov morre a bordo da Soyuz 1, quando o pára-quedas se recusa a abrir. É o primeiro ser humano a morrer numa missão espacial.
Em 1970, é lançado o primeiro satélite chinês, o Dong Fang Hong I.
Em 1971, a Soyuz 10 acopla com a Salyut 1. 
Em 1990, STS-31: o telescópio espacial Hubble é lançado a bordo do vaivém Discovery.

Em 1992, o COBE envia dados que confirmam a existência de flutuações de temperatura na radiação de fundo dos confins do Universo. Esta observação suporta a teoria do Big Bang
Em 2007, Gliese 581 d é descoberto por um observatório chileno, que se acredita ser um exoplaneta habitável.
Observações: Ao lusco-fusco, olhe bem para baixo de Vénus, para perto do horizonte, para tentar avistar a Lua Crescente a começar uma nova lunação e com apenas 1,56 dias. Binóculos ajudam e à medida que o céu fica escuro estes ajudam a mostrar o brilho da Terra na superfície da Lua antes desta se pôr para trás do horizonte.

Dia 25/04: 116.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1983 a sonda Pioneer 10 passava para além da órbita de Plutão.
Em 1990, astronautas a bordo do vaívem espacial Discovery (STS-31) colocam o Telescópio Espacial Hubble em órbita. 

Observações: A Lua Crescente situa-se perto de Aldebarã e esta noite para baixo de Vénus. Está numa muito melhor posição para observar do que ontem.

Dia 26/04: 117.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1803, milhares de fragmentos de meteoros caem sobre os céus de L'Aigle, França; o evento convence a ciência europeia da existência dos meteoros.
Em 1920 decorria o debate Shapley-Curtis sobre a natureza e distância das "nebulosas" espirais, na Academia Nacional de Ciências em Washington, D.C.. Shapley acreditava que a Via Láctea era todo o Universo, enquanto Curtis apoiava a teoria de um "universo ilha".
Em 1933 nascia Arno Penzias, que ganhou o prémio Nobel pelo seu contributo na descoberta da radiação cósmica de fundo.
Em 1962, a sonda Ranger 4 da NASA colide com a Lua.

Em 1994, físicos anunciam a primeira evidência da partícula subatómica T-quark.
Observações: Úrano em conjunção com o Sol, pelas 09:50.
A Lua continua a sua viagem mensal pelo céu. Esta noite já se encontra para a esquerda do planeta Vénus.

Dia 27/04: 118.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, passagem do asteroide 1989 ML pela Terra (0,2520 UA).
Em 2002, última telemetria bem sucedida da Pioneer 10.

Em 2013, o satélite Fermi avistou uma erupção de alta-energia na direção da constelação de Leão, com uma energia de pelo menos 94 GeV, cerca de 35 mil milhões de vezes a energia da luz visível, cerca de 3 vezes superior ao recorde anterior.
Observações: A Lua está agora mais alta que Vénus. As duas estrelas bem para cima do nosso satélite natural são as estrelas mais brilhantes da constelação de Gémos, Pollux e Castor.

 
     
 
Curiosidades


O Telescópio Espacial Hubble faz hoje 30 anos! A NASA e a ESA estão a celebrar esta data com uma série de projetos, recursos e celebrações online. Pode consultá-los aqui: NASA e ESA.

 
 
   
Exoplaneta aparentemente desaparece nas últimas observações do Hubble
 
Impressão de artista que mostra a colisão de dois objetos em órbita da estrela Fomalhaut, localizada a 25 anos-luz de distância.
Crédito: ESA, NASA e M. Kornmesser
 

Agora vemo-lo, agora não.

O que os astrónomos pensavam ser um planeta para lá do nosso Sistema Solar, aparentemente desapareceu de vista. Embora isto aconteça na ficção científica, como o planeta natal do Super-Homem, Krypton, os astrónomos estão à procura de uma explicação plausível.

Uma interpretação é que, em vez de ser um objeto planetário, fotografado pela primeira vez em 2004, Fomalhaut b pode na realidade ser uma vasta nuvem de poeira em expansão, produzida numa colisão entre dois grandes corpos que orbitam a próxima e brilhante estrela Fomalhaut. Potenciais observações de acompanhamento poderão confirmar esta conclusão extraordinária.

"Estas colisões são extremamente raras e, portanto, é importante conseguirmos ver uma," disse András Gáspár da Universidade do Arizona em Tucson, EUA. "Nós pensamos que estávamos no lugar certo e à hora certa para testemunhar um evento tão improvável com o Telescópio Espacial Hubble da NASA."

"O sistema Fomalhaut é o laboratório de testes definitivo para todas as nossas ideias sobre como os exoplanetas e os sistemas estelares evoluem," acrescentou George Rieke do Observatório Steward da Universidade do Arizona. "Temos evidências de tais colisões noutros sistemas, mas nada desta magnitude já foi observado no nosso Sistema Solar. É um diagrama de como os planetas se destroem."

O objeto, chamado Fomalhaut b, foi anunciado pela primeira vez em 2008, com base em dados obtidos em 2004 e 2006. Era claramente visível em vários anos de observações do Hubble que revelaram que era um ponto em movimento. Até então, as evidências de exoplanetas tinham sido inferidas principalmente por métodos de deteção indireta, como as subtis oscilações estelares e sombras de planetas passando à sua frente.

No entanto, ao contrário de outros exoplanetas fotografados diretamente, com Fomalhaut b os quebra-cabeças persistentes surgiram bem cedo. O objeto era excecionalmente brilhante no visível, mas não tinha nenhuma assinatura infravermelha detetável. Os astrónomos conjeturaram que o brilho adicional veio de uma enorme concha ou anel de poeira em torno do planeta que podia estar relacionado com uma colisão. A órbita de Fomalhaut b também parecia invulgar, possivelmente muito excêntrica.

"O nosso estudo, que analisou todos os dados de arquivo do Hubble sobre Fomalhaut, revelou várias características que, juntas, pintam uma imagem de que o objeto com o tamanho de um planeta pode nunca ter sequer existido," disse Gáspár.

A equipa enfatiza que o prego final no caixão surgiu quando a análise dos dados das imagens do Hubble captadas em 2014 mostrou que o objeto, para sua incredulidade, havia desaparecido. A somar ao mistério, imagens anteriores mostraram que o objeto diminuía continuamente de brilho ao longo do tempo, disseram. "Claramente, Fomalhaut b estava a fazer coisas que um planeta genuíno não deveria estar a fazer," disse Gáspár.

 
Este diagrama simula o que os astrónomos, estudando observações pelo Telescópio Espacial Hubble, obtidas ao longo de vários anos, consideram evidências para a primeira deteção do rescaldo de uma titânica colisão planetária noutro sistema estelar. A imagem à esquerda mostra um vasto anel de detritos gelados que rodeia a estrela Fomalhaut, localizada a 25 anos-luz de distância. A estrela é tão brilhante que um disco escuro foi usado para bloquear a sua luz para que o disco de poeira pudesse ser fotografado. Em 2008, os astrónomos viram o pensavam ser a primeira imagem direta de um planeta em órbita de uma outra estrela. No entanto, em 2014 o candidato a planeta desvaneceu abaixo do limite de deteção do Hubble. A melhor interpretação é que o objeto nunca foi um planeta genuíno, mas uma nuvem de poeira em expansão criada a partir de uma colisão entre dois corpos menores, cada um com aproximadamente 200 km diâmetro. O diagrama à direita tem por base uma simulação da nuvem em expansão, cada vez mais ténue. Feita de partículas muito finas de poeira, tem um tamanho atual estimado em mais de 320 milhões de quilómetros. Pensa-se que colisões como esta ocorram em torno de Fomalhaut a cada 200.000 anos. Portanto, a fim de observar este evento transiente, o Hubble estava a observar o local certo à hora certa.
Crédito: NASA, ESA e A. Gáspár e G. Rieke (Universidade do Arizona)
 

A interpretação é que Fomalhaut b está a expandir-se lentamente de uma colisão que lançou uma nuvem de poeira para o espaço. Levando em consideração todos os dados disponíveis, Gáspár e Rieke pensam que a colisão ocorreu não muito antes das primeiras observações feitas em 2004. Atualmente, a nuvem de detritos, composta por partículas de poeira com aproximadamente 1 micrómetro (1/50 do diâmetro de um cabelo humano), está abaixo do limite de deteção do Hubble. Estima-se que a nuvem de poeira tenha agora crescido para um tamanho superior ao da órbita da Terra em torno do nosso Sol.

Igualmente confuso, é que a equipa relata que o objeto está provavelmente numa rota de escape, em vez de numa órbita elíptica, como esperado para planetas. Isto baseia-se nas observações acrescentadas posteriormente pelos investigadores aos gráficos de trajetória de dados mais antigos. "Uma nuvem massiva de poeira, formada recentemente, que sofre forças radiativas consideráveis da estrela central Fomalhaut, seria colocada nessa trajetória," disse Gáspár. "O nosso modelo é capaz de explicar naturalmente todos os parâmetros observáveis independentes do sistema: o seu ritmo de crescimento, o seu desvanecimento e a sua trajetória."

Dado que Fomalhaut b está atualmente dentro de um vasto anel de detritos gelados que rodeia a estrela, os corpos em colisão provavelmente seriam uma mistura de gelo e poeira, como os cometas que existem na Cintura de Kuiper na orla externa do nosso Sistema Solar. Gáspár e Rieke estimam que cada um destes corpos semelhantes a cometas mede cerca de 200 km (cerca de metade do tamanho do asteroide Vesta).

Segundo os autores, o seu modelo explica todas as características observadas de Fomalhaut b. A modelagem sofisticada da dinâmica da poeira, feita numa rede de computadores da Universidade do Arizona, mostra que esse modelo é capaz de ajustar quantitativamente todas as observações. Segundo os cálculos do autor, no sistema Fomalhaut, localizado a cerca de 25 anos-luz da Terra, pode ocorrer um evento deste género a cada 200.000 anos.

Gáspár e Rieke - juntamente com outros membros de uma extensa equipa - vão também observar o sistema de Fomalhaut com o Telescópio Espacial James Webb da NASA no seu primeiro ano de operações. A equipa fotografará diretamente as regiões interiores e mais quentes do sistema, resolvendo espacialmente e pela primeira vez o elusivo componente tipo-cintura de asteroides de um sistema exoplanetário. A equipa vai também procurar outros planetas genuínos em órbita de Fomalhaut que possam estar a esculpir gravitacionalmente o disco externo. E também vão analisar a composição química do disco.

O seu artigo foi publicado dia 20 de abril na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// Hubblesite (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Proceedings of the National Academy of Sciences)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Hubble captura colisão protoplanetária no sistema de Fomalhaut (NASA via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
26/10/2012 - Novo estudo traz exoplaneta duvidoso de "volta dos mortos"
15/05/2012 - Anéis de poeira podem não significar planetas
17/04/2012 - ALMA revela funcionamento de sistema planetário próximo
27/09/2011 - Descuido exoplanetário levanta dúvidas
15/11/2008 - Grandes descobertas: primeiras imagens de planetas em torno de outras estrelas
24/06/2005 - A "Cintura de Kuiper" de Fomalhaut

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Fomalhaut:
Wikipedia
Fomalhaut b (Wikipedia)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
   
Um sinal como nenhum antes
 
Fusão de um buraco negro binário onde os dois objetos têm massas muito diferentes - 8 e 30 vezes a massa do Sol.
Crédito: N. Fischer, H. Pfeiffer, A. Buonanno (Instituto Max Planck para Física Gravitacional), projeto SXS (Simulating eXtreme Spacetimes)
 

As expetativas da comunidade de pesquisa de ondas gravitacionais foram cumpridas: as descobertas de ondas gravitacionais são agora parte do seu trabalho diário, pois identificaram na última campanha de observação, O3, novos candidatos a ondas gravitacionais cerca de uma vez por semana. Mas agora os investigadores publicaram um sinal notável, diferente de todos os observados anteriormente: GW190412 é a primeira observação da fusão de um buraco negro binário onde os dois objetos têm massas muito diferentes, de 8 e 30 vezes a massa do Sol. Isto não só permitiu medições mais precisas das propriedades astrofísicas do sistema, como também permitiu que os cientistas do LIGO/Virgo verificassem uma previsão até agora não testada da teoria da relatividade geral de Einstein.

"Pela primeira vez 'ouvimos' em GW190412 o zumbido inconfundível de ondas gravitacionais de uma harmonia mais alta, semelhante a sons de instrumentos musicais," explica Frank Ohme, líder do Grupo de investigação "Observações de Fusões Binárias e Relatividade Numérica" do Instituto Max Planck para Física Gravitacional (Instituto Albert Einstein) em Hannover. "Em sistemas com massas desiguais como GW190412 - a nossa primeira observação deste tipo - estes tons no sinal das ondas gravitacionais são muito mais altos do que nos das nossas observações normais. É por isso que não os conseguíamos ouvir antes, mas com GW190412, finalmente podemos." Esta observação confirma mais uma vez a teoria da relatividade geral de Einstein, que prevê a existência destes tons mais agudos, ou seja, ondas gravitacionais com duas ou três vezes a frequência fundamental observada até agora.

"Os buracos negros no coração de GW190412 têm 8 e 30 vezes a massa do nosso Sol, respetivamente. Este é o primeiro buraco negro binário que observámos cuja diferença de massa entre os dois objetos é tão grande!" diz Roberto Cotesta, estudante de doutoramento na divisão "Relatividade Astrofísica e Cosmológica" do Instituto Albert Einstein (IAE) em Potsdam, Alemanha. "Esta grande diferença de massas significa que podemos medir com mais precisão várias propriedades do sistema: a sua distância até nós, o ângulo de observação e a rapidez com que o buraco negro mais pesado gira sobre si próprio."

Um sinal como nenhum antes

GW190412 foi observado pelo detetor LIGO e pelo detetor Virgo no dia 12 de abril de 2019, no início da terceira campanha de observação (O3) dos instrumentos. As análises revelam que a fusão ocorreu a uma distância de 1,9 a 2,9 mil milhões de anos-luz da Terra. O novo sistema de massa desigual é uma descoberta única, pois todos os binários observados anteriormente pelos detetores LIGO e Virgo tinham massas aproximadamente iguais.

As massas desiguais estão "imprimidas" no sinal observado da onda gravitacional, que por sua vez permite que os cientistas meçam com mais precisão certas propriedades astrofísicas do sistema. A presença de uma harmonia mais aguda torna possível quebrar uma ambiguidade entre a distância do sistema e o ângulo a que observamos o seu plano orbital; portanto, estas propriedades podem ser medidas com maior precisão do que em sistemas de massas idênticas sem harmonias mais agudas.

 
Simulação numérica da fusão de um buraco negro binário com massas assimétricas e precessão orbital (GW190412).
Crédito: Crédito: N. Fischer, H. Pfeiffer, A. Buonanno (Instituto Max Planck para Física Gravitacional), projeto SXS (Simulating eXtreme Spacetimes)
 

"Durante as campanhas O1 e O2, observámos a ponta do iceberg da população binária composta por buracos negros de massa estelar," diz Alessandra Buonanno, diretora da divisão "Relatividade Astrofísica e Cosmológica" do IAE em Potsdam e professora na Universidade de Maryland em College Park, EUA. "Graças à sensibilidade aprimorada, GW190412 começou a revelar-nos uma população mais diversa, caracterizada por uma assimetria de massa até um factor de 4 e buracos negros que giram a cerca de 40% do valor máximo possível permitido pela relatividade geral," acrescentou.

Os investigadores do Instituto Albert Einstein contribuíram para a deteção e análise de GW190412. Forneceram modelos precisos das ondas gravitacionais dos buracos negros coalescentes que incluíram, pela primeira vez, a precessão das rotações dos buracos negros e os momentos multípolos para lá do quadrupolo dominante. Estas características impressas na forma da onda foram cruciais para extrair informações únicas sobre as propriedades da fonte e realizar os nossos testes da relatividade geral. As redes de computadores de alto desempenho "Minerva" e "Hypatia" no IAE em Potsdam e "Holodeck" no IAE em Hannover contribuíram significativamente para a análise do sinal.

Testando a teoria de Einstein

Os cientistas do LIGO/Virgo também usaram GW190412 para procurar desvios dos sinais que a teoria da relatividade geral de Einstein prevê. Embora o sinal tenha propriedades diferentes de todos os outros encontrados até agora, os investigadores não conseguiram encontrar um desvio significativo das previsões relativísticas gerais.

Esta descoberta é a segunda relatada da terceira campanha de observação (O3) da rede internacional de detetores de ondas gravitacionais. Os cientistas dos três grandes detetores fizeram várias atualizações tecnológicas nos instrumentos.

"Durante a O3, foi usada luz 'espremida' para aumentar a sensibilidade do LIGO e do Virgo. Esta técnica de ajustar cuidadosamente as propriedades da mecânica quântica da luz laser foi explorada no detetor alemão-britânico GEO600," explica Karsten Danzmann, diretor do IAE em Hannover e diretor do Instituto para Física Gravitacional da Universidade de Leibniz em Hannover. "O Instituto Albert Einstein está a liderar os esforços mundiais para maximizar o grau de compressão, que já melhorou a sensibilidade do detetor GEO600 por um factor de dois. Os nossos avanços nesta tecnologia vão beneficiar todos os futuros detetores de ondas gravitacionais."

2 concluídos, 54 na lista de tarefas

A rede de detetores emitiu alertas para 56 possíveis eventos (candidatos) de ondas gravitacionais durante a campanha O3 (de 1 de abril de 2019 a 27 de março de 2020, com uma interrupção para atualizações e comissionamento em outubro de 2019). Destes 56, um outro sinal confirmado, GW190425, já foi publicado. Os cientistas do LIGO e do Virgo estão a examinar todos os restantes 54 candidatos e publicarão todos aqueles para os quais as análises detalhadas de acompanhamento confirmem a sua origem astrofísica.

A observação de GW190412 significa que sistemas similares provavelmente não são tão raros quanto o previsto por alguns modelos. Portanto, com observações adicionais de ondas gravitacionais e catálogos de eventos cada vez maiores no futuro, são esperados mais destes sinais. Cada um deles poderá ajudar os astrónomos a melhor entender como os buracos negros e os seus sistemas binários são formados, e a lançar uma nova luz sobre a física fundamental do espaço-tempo.

// Instituto Albert Einstein (comunicado de imprensa)
// LIGO (comunicado de imprensa)
// Virgo (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)
// GW190412: Fusão de buraco negro binário (AEI via YouTube)

 


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GW190412:
LIGO
Dados científicos (GWOSC)
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

Buracos negros:
Wikipedia

LIGO:
Página oficial
Caltech
Advanced LIGO
Wikipedia

Virgo:
EGO
Wikipedia

 
   
ALMA revela composição invulgar do cometa interestelar 2I/Borisov
 
Impressão de artista do cometa interestelar 2I/Borisov enquanto viaja através do nosso Sistema Solar. Este misterioso visitante, oriundo das profundezas do espaço, é o primeiro cometa de outra estrela identificado de forma conclusiva. O cometa consiste numa aglomeração frouxa de partículas de poeira e gelos, e provavelmente não tem mais do que 975 metros, aproximadamente o comprimento de nove campos de futebol. Gás é ejetado para fora do cometa quando se aproxima do Sol e é aquecido.
Crédito: NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello
 

No ano passado um visitante galáctico entrou no nosso Sistema Solar - o cometa interestelar 2I/Borisov. Quando os astrónomos apontaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) em direção ao cometa nos dias 15 e 16 de dezembro de 2019, observaram diretamente e pela primeira vez as substâncias químicas armazenadas dentro de um objeto pertencente a outro sistema planetário que não o nosso. Esta investigação foi publicada dia 20 de abril, online, na revista Nature Astronomy.

As observações ALMA de uma equipa internacional de cientistas liderada por Martin Cordiner e Stefanie Milam do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, revelaram que o gás que saía do cometa continha quantidades invulgarmente altas de monóxido de carbono (CO). A concentração de CO é maior do que a já detetada em qualquer cometa até 2 UA (Unidades Astronómicas) do Sol, isto é, até 300 milhões de quilómetros. A concentração de CO de 2I/Borisov foi estimada entre nove e 26 vezes superior à de um cometa médio do Sistema Solar.

Os astrónomos estão interessados em aprender mais sobre os cometas, porque estes objetos passam a maior parte do tempo a grandes distâncias de qualquer estrela em ambientes muito frios. Ao contrário dos planetas, as suas composições interiores não mudaram significativamente desde que nasceram. Portanto, podiam revelar muito sobre os processos que ocorreram durante o seu nascimento em discos protoplanetários. "É a primeira vez que olhamos para o interior de um cometa não pertencente ao nosso Sistema Solar," disse o astroquímico Martin Cordiner, "e é dramaticamente diferente da maioria dos outros cometas que já vimos antes."

O ALMA detetou duas moléculas no gás ejetado pelo cometa: cianeto de hidrogénio (HCN) e monóxido de carbono (CO). Embora a equipa esperasse ver HCN, presente em 2I/Borisov em quantidades semelhantes às encontradas nos cometas do Sistema Solar, ficaram surpresos ao ver grandes quantidades de CO. "O cometa deve ter-se formado a partir de material muito rico em CO gelado, que está presente apenas nas temperaturas mais baixas encontradas no espaço, abaixo dos -250º C," disse a cientista planetária Stefanie Milam.

"O ALMA foi fundamental para transformar a nossa compreensão da natureza do material cometário no nosso próprio Sistema Solar - e agora com este objeto único oriundo da nossa vizinhança estelar. É apenas graças à sensibilidade sem precedentes do ALMA nos comprimentos de onde submilimétricos que podemos caracterizar o gás que sai destes objetos tão únicos," disse Anthony Remijan do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) em Charlottesville, Virgínia, coautor do estudo.

 
O ALMA observou o gás cianeto de hidrogénio (HCN, esquerda) e o gás monóxido de carbono (CO, direita) no cometa interestelar 2I/Borisov. As imagens mostram que o cometa contém uma quantidade invulgarmente alta do gás monóxio de carbono. O ALMA é o primeiro telescópio a medir os gases libertados diretamente do núcleo de um objeto que viajou até nós desde outro sistema planetário.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), M. Cordiner e S. Milam; NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello
 

O monóxido de carbono é uma das moléculas mais comuns no espaço e é encontrado no interior da maioria dos cometas. No entanto, há uma enorme variação na concentração de CO nos cometas e ninguém sabe exatamente porquê. Parte da justificação pode estar relacionada com o local onde, no Sistema Solar, um cometa foi formado; outra parte pode ter a ver com a frequência com que a órbita de um cometa o aproxima do Sol e o leva a libertar os seus gelos mais facilmente evaporados.

"Se os gases que observámos refletem a composição do local de nascimento de 2I/Borisov, então mostram que pode ter sido formado de maneira diferente dos cometas do nosso Sistema Solar, numa região externa e extremamente fria de um sistema planetário distante," acrescentou Cordiner. Esta região pode ser comparada à fria região de corpos gelados para lá de Neptuno, chamada Cintura de Kuiper.

A equipa só pode especular o tipo de estrela que hospedou o sistema planetário de 2I/Borisov. "A maioria dos discos protoplanetários observados com o ALMA encontra-se em torno de versões mais jovens de estrelas de baixa massa como o Sol," disse Cordiner. "Muitos destes discos estendem-se bem para lá da região onde se pensa que os nossos próprios cometas se formaram e contêm grandes quantidades de gás e poeira extremamente frios. É possível que 2I/Borisov tenha vindo de um destes discos maiores."

Devido à sua alta velocidade ao viajar pelo nosso Sistema Solar (33 km/s), os astrónomos suspeitam que 2I/Borisov foi expelido do seu sistema hospedeiro, provavelmente pela interação com uma estrela passageira ou por um planeta gigante. Passou depois milhões ou milhares de milhões de anos numa viagem fria e solitária pelo espaço interestelar, antes de ser descoberta no dia 30 de agosto de 2019 pelo astrónomo amador Gennady Borisov.

2I/Borisov é apenas o segundo objeto interestelar a ser detetado no nosso Sistema Solar. O primeiro - 1I/'Oumuamua - foi descoberto em outubro de 2017, quando já estava na sua rota de saída, dificultando a revelação de detalhes sobre se era um cometa, asteroide ou outra coisa. A presença de uma cabeleira ativa de gás e poeira em redor de 2I/Borisov tornou-o no primeiro cometa interestelar confirmado.

Até que outros cometas interestelares sejam observados, a composição invulgar de 2I/Borisov não pode ser facilmente explicada e levanta mais perguntas do que respostas. A sua composição é típica de cometas interestelares? Será que vamos ver mais cometas interestelares nos próximos anos com composições químicas peculiares? O que será que vão revelar sobre como os planetas se formam nos outros sistemas estelares?

"2I/Borisov deu-nos um primeiro vislumbre da química que moldou outro sistema planetário," disse Milam. "Mas somente quando pudermos comparar o objeto com outros cometas interestelares, é que vamos descobrir se 2I/Borisov é um caso especial, ou se todos os objetos interestelares têm níveis invulgarmente altos de CO."

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Hubblesite (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)
// NASA revela composição alienígena de 2I/Borisov, o primeiro cometa interestelar (NASA Goddard via YouTube)

 


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01/10/2019 - Astrónomos detetam moléculas de gás em 2I/Borisov
27/09/2019 - Novo visitante interestelar já tem nome: 2I/Borisov
17/09/2019 - Cometa recém-descoberto é provavelmente visitante interestelar

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2I/Borisov:
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'Oumuamua:
NASA/JPL
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Objeto interestelar:
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ALMA:
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ESO:
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  Seis planetas (quase) em ritmo (via Universidade de Genebra)
Quase visível a olho nu na direção da constelação de Dragão, a estrela HD 158259 tem sido observada ao longo dos últimos sete anos por astrónomos usando o espectrógrafo SOPHIE. Este instrumento obteve 300 medições da estrela. A análise dos dados levou à descoberta de que a estrela HD 158259 tem seis companheiros planetários: uma "super-Terra" e cinco "mini-Neptunos". Os planetas têm um espaçamento excecionalmente regular, que podem ser pistas para a formação desse sistema. Ler fonte
     
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Álbum de fotografias - Planeta Terra no Crepúsculo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Tripulação da Expedition 2 da ISSGateway to Astronaut Photography of EarthNASA
 
Nenhum limite repentino e nítido assinala a passagem do dia para a noite nesta vista deslumbrante do oceano e de nuvens sobre o nosso belo planeta Terra. Ao invés, a linha de sombra ou terminador é difuso e mostra uma transição gradual para a escuridão que vemos como o crepúsculo. Com o Sol a iluminar a cena a partir da direita, os topos das nuvens refletem a luz solar ligeiramente avermelhada, filtrada através da poeirenta troposfera, a camada mais baixa da atmosfera do planeta. Uma camada clara a alta altitude, visível ao longo da borda superior do lado diurno, espalha a luz solar azul e desaparece na escuridão do espaço. Esta foto foi tirada em junho de 2001 a partir da Estação Espacial Internacional que orbita a uma altitude de 211 milhas náuticas. Claro, a partir de casa, pode ver a Terra agora.
 
   
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