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  Astroboletim #1755  
  01/01 a 04/01/2021  
     
 
Efemérides

Dia 01/01: 1.º dia do calendário gregoriano.
História:
No ano 45 AC, começa o calendário Juliano.
Em 1801, Giuseppe Piazzi, monge italiano, descobre Ceres, o primeiro asteroide observado entre Marte e Júpiter, agora classificado como planeta anão.
Em 1925, numa reunião da Sociedade Astronómica Americana e da Associação Americana para o Desenvolvimento da Ciência em Washington, D.C., Edwin Hubble reporta que encontrou cefeidas nas "nebulosas espirais", o que levaria ao declínio da hipótese que dizia que a nossa Via Láctea seria o todo do Universo.

A descoberta de Hubble levaria também à descoberta que vivemos numa de muitas galáxias. 
Em 2012, a NASA consegue colocar em órbita lunar a segunda das duas sondas GRAIL.
Em 2014, o primeiro asteroide descoberto nesse ano, designado 2014 AA, colide com a Terra por cima do Oceano Atlântico.
Observações: À medida que Júpiter e Saturno se afastam um do outro, podem ser avistados cada vez mais baixos a sudoeste depois do pôr-do-Sol. Hoje estão separados por 1,2º. Por quanto mais tempo conseguirá observar estes planetas?

Dia 02/01: 2.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1860 é anunciada a descoberta teórica do planeta Vulcan, numa reunião da Academia de Ciências em Paris.
Em 1959, é lançada a sonda soviética Luna 1, a primeira a alcançar a vizinhança da Lua e a orbitar o Sol.

Em 2004, a Stardust passa com sucesso pelo Cometa Wild 2, recolhendo amostras que são posteriormente enviadas para a Terra.
Observações: À hora de jantar, vire-se para norte e olhe para cima. Cassiopeia é agora um "M" achatado. As constelações que passam perto do zénite parecem girar mais depressa em relação à direção "cima".

Dia 03/01: 3.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1888, é usado pela primeira vez o telescópio refrator do Observatório Lick, com 91 cm em diâmetro. Era o maior telescópio do mundo na altura.
Em 1986, Stephen Synott (da equipa da Voyager 2) descobria as luas de ÚranoJulieta e Pórcia
Em 1999, lançamento da sonda Mars Polar Lander e da Deep Space 2.
Em 2000, "flyby" da sonda Galileu pela lua de JúpiterEuropa.

A sonda passou a uma altitude de 351 km.
Em 2019, o veículo chinês Chang'e 4 faz o primeiro pouso no lado oculto da Lua, implantando o rover lunar Yutu-2.
Observações: As Plêiades brilham alto a sudeste por estas noites, não muito maiores do que a ponta de um dedo à distância do braço esticado. Quantas estrelas deste enxame aberto consegue contar à vista desarmada? Tenha calma e olhe durante algum tempo. A maioria das pessoas consegue contar 6. Com uma boa visão e um bom céu escuro, poderá ser capaz de discernir 8 ou 9.

Dia 04/01: 4.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, os dias entre 4 e 15 de janeiro foram possivelmente os mais importantes da história da Astronomia.

Galileu Galilei aponta o seu telescópio ao céu e observa crateras e montanhas na Lua, manchas em movimento no Sol, quatro luas à volta de Júpiter, as fases de Vénus e as estrelas da Via Láctea.
Em 1958, o Sputnik 1 cai para a Terra a partir de órbita.
Em 1959, a Luna 1 torna-se na primeira sonda a chegar à vizinhança da Lua.
Em 2004, o rover Spirit da NASA aterra com sucesso em Marte.
Observações: Já estamos em janeiro, e o Triângulo de Verão ainda é visível - se observar ao início da noite. Vega é a estrela mais brilhante baixa a noroeste. A estrela brilhante por cima, e um pouco para a esquerda, é Deneb. Procure Altair para a esquerda de Vega, um pouco mais baixa.

 
 
   
O lado bom do clima espacial volátil

De acordo com um novo estudo da Universidade Northwestern, embora violentas e imprevisíveis, as proeminências estelares emitidas pela estrela hospedeira de um planeta não impedem necessariamente a formação de vida.

Emitidas pelas estrelas, as proeminências estelares são flashes repentinos de energia magnética. Na Terra, estas erupções solares às vezes danificam satélites e interrompem as comunicações de rádio. No entanto, noutras partes do Universo, estes robustos surtos estelares também têm a capacidade de esgotar e destruir gases atmosféricos, como o ozono. A destruição de gases como o ozono pode permitir que níveis prejudiciais de radiação ultravioleta penetrem na atmosfera de um planeta, diminuindo assim as suas chances de abrigar vida à superfície.

 
Impressão de artista de uma série de poderosas proeminências estelares.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/S. Wiessinger
 

Ao combinar a química atmosférica 3D e a modelagem climática com dados de proeminências de estrelas distantes, uma equipa liderada pela Universidade Northwestern descobriu que as proeminências estelares podem desempenhar um papel importante na evolução a longo prazo da atmosfera e da habitabilidade de um planeta.

"Nós comparámos a química atmosférica de planetas que passam por eventos estelares frequentes com planetas que não são atingidos por estes surtos," disse Howard Chen, autor principal do estudo e da Universidade Northwestern. "A química atmosférica a longo prazo é muito diferente."

"Descobrimos que explosões estelares podem não impedir a existência de vida," acrescentou Daniel Horton, autor sénior do estudo. "Em alguns casos, as proeminências não corroem todo o ozono atmosférico. A vida à superfície ainda pode ter uma chance de sucesso".

O estudo foi publicado no passado dia 21 de dezembro na revista Nature Astronomy. É um esforço conjunto entre investigadores da Norhtwestern, da Universidade do Colorado em Boulder, da Universidade de Chicago, do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e do NExSS (Nexus for Exoplanet System Science) da NASA.

Horton é professor assistente de ciências da Terra e planetárias no Colégio Weinberg de Artes e Ciências da Universidade Norhtwestern. Chen é candidato a doutoramento do Grupo de Investigação de Mudanças Climáticas de Horton e futuro investigador da NASA. Ambos são membros do CIERA (Center for Interdisciplinary Exploration and Research in Astrophysics) da Northwestern.

Todas as estrelas - incluindo o nosso próprio Sol - libertam proeminências, ou libertam energia armazenada aleatoriamente. Felizmente para nós, terráqueos, as proeminências solares geralmente têm um impacto mínimo no planeta.

"O nosso Sol é mais como um gigante gentil," disse Allison Youngblood, astrónoma da Universidade do Colorado em Boulder e coautora do estudo. "É mais velho e não tão ativo quanto estrelas mais jovens e mais pequenas. A Terra também tem um campo magnético forte, que desvia os ventos prejudiciais do Sol."

Infelizmente, a maioria dos exoplanetas potencialmente habitáveis não tem tanta sorte. Para os planetas potencialmente abrigarem vida, têm que estar perto o suficiente de uma estrela para que a sua água não congele - mas não perto o suficiente para a água evaporar.

"Nós estudámos planetas que orbitam dentro das zonas habitáveis de estrelas anãs M e K - as estrelas mais comuns do Universo," disse Horton. "As zonas habitáveis em torno destas estrelas são mais estreitas porque as estrelas são mais pequenas e menos poderosas do que estrelas como o nosso Sol. Por outro lado, pensa-se que as estrelas anãs M e K tenham atividade mais frequente que o nosso Sol, e os seus planetas com bloqueio de maré provavelmente não terão campos magnéticos para ajudar a desviar os seus ventos estelares."

Chen e Horton realizaram anteriormente um estudo das médias climáticas a longo prazo dos sistemas estelares das anãs M. No entanto, as proeminências ocorrem em escalas de tempo de horas ou dias. Embora estas breves escalas de tempo possam ser difíceis de simular, a incorporação dos efeitos destes surtos é importante para formar uma imagem mais completa das atmosferas exoplanetárias. Isto é realizado através da incorporação de dados, nas simulações dos modelos, de proeminências estelares do TESS (Transiting Exoplanet Satellite Survey) da NASA, lançado em 2018.

"Se houver vida nestes exoplanetas de anãs M e K, os trabalhos anteriores levantam a hipótese de que proeminências estelares podem torná-los mais fáceis de detetar. Por exemplo, as proeminências estelares podem aumentar a abundância de gases indicadores de vida (como dióxido de azoto, óxido nitroso e ácido nítrico) de níveis impercetíveis para detetáveis.

"Os eventos climatéricos espaciais são normalmente vistos como prejudiciais para a habitabilidade," disse Chen. "Mas o nosso estudo mostrou quantitativamente que algum clima espacial pode realmente ajudar-nos a detetar assinaturas de gases importantes que podem significar processos biológicos."

Este estudo envolve investigadores com uma ampla variedade de especialidades e experiências, incluindo cientistas climáticos, cientistas exoplanetários, astrónomos, teóricos e observadores.

"Este projeto foi resultado de um fantástico esforço coletivo de equipa," disse Eric T. Wolf, cientista planetário da Universidade do Colorado em Boulder e coautor do estudo. "O nosso trabalho destaca os benefícios dos esforços interdisciplinares ao investigar as condições em exoplanetas."

// Universidade Northwestern (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Como é que as estrelas nos podem ajudar a detetar vida noutros planetas? (ScienceSketched via YouTube)

 


Saiba mais

Clima espacial:
Wikipedia

Anãs vermelhas (M):
Wikipedia

Anãs K:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

 
   
Como as galáxias próximas formam as suas estrelas

O modo como as estrelas se formam nas galáxias permanece uma grande questão em aberto na astrofísica. Um novo estudo da Universidade de Zurique lança nova luz sobre este tópico com a ajuda de uma reanálise baseada em dados de medições de observacionais. Descobriu-se que a atividade de formação estelar de galáxias próximas típicas é proporcional à quantidade de gás presente nestas galáxias. Isto aponta para o suprimento de gás a distâncias cósmicas como o principal impulsionador da formação estelar.

 
A imagem mostra uma visualização do gás dentro e em torno de uma galáxia parecida com a Via Láctea (centro) no Universo atual como previsto por uma simulação computacional feita pelo autor. O denso hidrogénio atómico e molecular tipicamente forma um grande disco, visto aqui a azul-roxo no centro da imagem. As estrelas (branco) formam-se no disco. Formação estelar adicional pode ter lugar em galáxias satélite, vstas aqui em cima e para a direita e em baixo e para a esquerda. Gás quente e pouco denso (tons verde e vermelho) pode ser encontrado a grandes distâncias, perto da fronteira do halo de matéria escura que rodeia a galáxia principal (círculo branco na imagem maior). A imagem também mostra um grande número de estruturas de matéria escura (púrpura), a maioria das quais estão desprovidas de gás e estrelas.
Crédito: Robert Feldmann
 

As estrelas nascem em nuvens densas de hidrogénio molecular que permeia o espaço interestelar da maioria das galáxias. Embora a física da formação estelar seja complexa, nos últimos anos houve um progresso substancial no sentido de compreender como as estrelas se formam num ambiente galáctico. O que em última análise determina o nível de formação estelar nas galáxias, no entanto, permanece uma questão em aberto.

Em princípio, dois factores principais influenciam a atividade da formação das estrelas: a quantidade de gás molecular que está presente nas galáxias e o tempo que o reservatório de gás demora para se esgotar ao converter-se em estrelas. Embora a massa de gás das galáxias seja regulada por uma competição entre fluxos internos de gás, fluxos externos de gás e o consumo de gás, a física da conversão gás-estrela atualmente não é bem compreendida. Tendo em conta o seu papel potencialmente crítico, muitos esforços têm sido empreendidos para determinar observacionalmente a escala de tempo do esgotamento de gás. No entanto, estes esforços resultaram em descobertas contraditórias, em parte devido ao desafio em medir as massas de gás de forma confiável, dados os limites de deteção atuais.

A típica formação estelar está ligada ao reservatório geral de gás

O presente estudo do Instituto para Ciência Computacional da Universidade de Zurique usa um novo método estatístico baseado em modelagem Bayesiana para contabilizar adequadamente as galáxias com quantidades não detetadas de hidrogénio molecular ou atómico para minimizar o viés observacional. Esta nova análise revela que, em típicas galáxias formadoras de estrelas, o hidrogénio molecular e o hidrogénio atómico são convertidos em estrelas em escalas de tempo aproximadamente constantes de 1 e 10 mil milhões de anos, respetivamente. No entanto, as galáxias extremamente ativas (galáxias "starburst", com formação estelar intensa) têm escalas de tempo de esgotamento de gás muito mais curtas.

"Estas descobertas sugerem que a formação estelar está, de facto, diretamente ligada ao reservatório geral de gás e, portanto, é definida pela taxa na qual o gás entra ou sai de uma galáxia," diz Robert Feldmann, professor do centro para Astrofísica Teórica e Cosmologia. Em contraste, a formação estelar muito mais intensa das galáxias "starburst" provavelmente tem uma origem física diferente, como interações galácticas ou instabilidades em discos galácticos.

Galáxias distantes ao longo da história cósmica

Esta análise é baseada em dados observacionais de galáxias próximas. Observações com o ALMA (Atacama Large Millimeter/Submillimeter Array), com o SKA (Square Kilometer Array) e com outros observatórios prometem sondar o conteúdo de gás de um grande número de galáxias ao longo da história cósmica. Será fundamental continuar o desenvolvimento de métodos estatísticos e da ciência de dados para extrair com precisão o conteúdo físico destas novas observações e para descobrir completamente os mistérios da formação estelar nas galáxias.

// Universidade de Zurique (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Communications Physics)

 


Saiba mais

Formação estelar:
Wikipedia

Galáxias:
Wikipedia

Galáxia "starburst" (com formação estelar explosiva):
Wikipedia

 
   
Álbum de fotografias - M16: Dentro da Nebulosa da Águia
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Nicolas Paladini
 
De longe, parece uma Águia. Um olhar mais atento à Nebulosa da Águia, no entanto, mostra que a região brilhante é na verdade uma janela para o centro de uma grande concha escura de poeira. Através desta janela, aparece uma "oficina" bem iluminada onde um enxame de estrelas está a ser fabricado. Nesta cavidade, pilares altos e glóbulos redondos de poeira escura e gás molecular frio permanecem onde as estrelas estão ainda a ser formadas. Já são visíveis várias estrelas jovens, brilhantes e azuis, cuja luz e ventos estão a queimar e a empurrar para trás os filamentos, paredes de gás e poeira remanescentes. A nebulosa de emissão da Águia, catalogada como M16, está situada a cerca de 6500 anos-luz de distância, abrange cerca de 20 anos-luz e é visível com binóculos na direção da constelação de Serpente. Esta imagem envolveu mais de 12 horas de tempo de exposição e combina três cores específicas emitidas pelo enxofre (a vermelho), pelo hidrogénio (a amarelo) e pelo oxigénio (a azul).
 
   
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