Noites Astronómicas em Tavira - Observação Noturna
No dia 7 de maio realiza-se a sessão de Noites Astronómicas em Tavira no Forte do Rato pelas 21h30. Nesta noite vamos fazer reconhecimento das constelações presentes no céu noturno de Tavira.
A inscrição é gratuita mas obrigatória e o número de participantes é limitado. É necessário o uso de equipamento de proteção individual (máscara ou viseira) durante o decorrer da atividade. As crianças participantes deverão estar acompanhadas por um adulto.
Data: 7 de maio de 2021 Hora: 21:30 horas Local:Forte do Rato
Público-alvo: Público em geral
INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA (a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes). Telefones: 281 326 231; 924 452 528 E-mail: geral@cvtavira.pt
O veloz mensageiro
O planeta mais próximo do Sol é o tema desta semana, pois estamos na melhor altura do ano para o encontrar no céu ao pôr do sol.
Realizadas mensalmente, estas sessões tentam focar num tema de relevância à data da atividade, devido a algum acontecimento astronómico ou oportunidade de observação, ou alguma notícia recente de astronomia que motive a atividade. A observação noturna está obviamente sempre dependente do hemisfério celeste observável, bem como das condições meteorológicas ou ambientais disponíveis.
Lotação máxima de 5 pessoas Preço: 4€ Adultos / 2€ Jovens / grátis membros do AstroClube
Data: 13 de maio de 2021 Hora: 21:00 horas
INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - seguir este link Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 07/05: 127.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1975, era lançado o Observatório Espacial de raios-X, Explorer 53.
Em 1992, o vaivém espacial Endeavour descolava pela primeira vez (STS-49).
Em 1997, a sonda Galileo fazia o seu quarto voo rasante por Ganimedes. Observações: Mercúrio poderá ser avistado ao lusco-fusco se o observador tiver um horizonte desimpedido a oeste-noroeste. Mas Vénus, apesar do seu brilho, pode ser ainda difícil 8º mais abaixo.
Com o avançar da noite, a oeste, o pequeno Marte aproxima-se da base do Arco da Primavera: a linha longa que vai de Procyon à esquerda até Capella à direita. Marte estará exatamente nesta linha dia 11 de maio. Observe
o seu progresso diário para esta linha e adiante mais precisamente usando um utensílio direito para "ligar" as estrelas, ou até esticando um fio entre as suas mãos.
Dia 08/05: 128.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1962, era lançado o primeiro foguetão Atlas Centauro. Observações: Conhece o asterismo do Diamante de Virgem? Mede cerca de 50º de altura e abrange cinco constelações. Encontra-se atualmente na vertical, a sul, depois das estrelas aparecerem. Comece com Espiga, a sua parte mais baixa. Para cima e para a esquerda está a brilhante Arcturo. Quase à mesma distância, para cima e para a direita de Arcturo (se se voltar para sul) está a mais ténue Cor Caroli, de terceira magnitude, quase por cima das nossas cabeças. À mesma distância, mas para baixo e para a direita, está Denébola, a ponta da cauda de Leão, com magnitude 2. E finalmente voltamos a Espiga. As três estrelas mais baixas, que são também as mais brilhantes, forma um triângulo equilátero quase perfeito. Talvez devêssemos chamar-lhes de "Triângulo da Primavera", em paralelo com o de verão e o de inverno?
Se tiver acesso a um céu escuro ou binóculos, olhe para o ponto médio entre Cor Caroli e Denébola para avistar o grande e disperso enxame estelar de Cabeleira de Berenice. Abrange 4º, mais ou menos do tamanho de uma bola de ping-ping à distância do braço esticado.
Dia 09/05: 129.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1971, lançamento da Mariner 8.
Tinha como objetivo entrar em órbita de Marte e enviar imagens e dados, mas o veículo de lançamento falhou e nem conseguiu alcançar órbita terrestre. Observações: O verão ainda está a seis semanas de distância, mas o Triângulo de Verão já começa a aparecer a este, uma estrela após outra. A primeira a subir acima do horizonte é Vega. Já é visível baixa a nordeste ao anoitecer. Depois segue-se Deneb, para baixo e para a esquerda de Vega, a dois ou três punhos à distância do braço esticado. Deneb aparece cerca de uma hora depois de Vega, dependendo da latitude do observador. A terceira é Altair, que se torna visível bem para baixo e para a direita por volta da meia-noite.
Dia 10/05: 130.º dia do calendário gregoriano. História: Em 28 AC, era observada uma mancha solar por astrónomos da Dinastia Han, durante o reinado do Imperador Cheng de Han, uma das mais antigas observações de manchas solares na China.
Em 1900 nascia Cecilia Helena Payne-Gaposchkin.
Descobriu a composição química das estrelas e que o hidrogénio e hélio são os seus elementos mais abundantes e, por isso, também do Universo. Em 1976 recebeu o prestigiado Prémio Henry Norris Russell da Sociedade Astronómica Americana.
Em 1930, nascia George E. Smith, físico americano, coinventor da CCD.
Em 1946, primeiro lançamento bem sucedido de um foguetão V-2 nos EUA.
Em 1971 era lançada a Kosmos 419 (USSR). Não conseguiu sair da órbita da Terra. Observações: Durante estas noites de primavera, a longa mas ténue serpente marinha, Hidra, desliza pelo céu a sul. Encontre a sua cabeça, um asterismo bem fraco com aproximadamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado, para sudoeste (está para baixo e para a direita de Régulo, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado. Também, uma linha de Castor, passando por Pollux, aponta para lá a cerca de 2,5 punhos à distância do braço esticado). Para baixo e para a esquerda está o coração de Hidra, a alaranjada Alphard. A cauda de Hidra estica-se até Balança a sudeste. O padrão atual de Hidra, desde a cabeça até à ponta da cauda, mede 95º.
Misteriosa supernova desprovida de hidrogénio lança luz sobre morte violenta das estrelas
Uma curiosa estrela amarela pré-supernova fez com que os astrofísicos reavaliassem o que é possível durante a morte das estrelas mais massivas do nosso Universo. A equipa descreve a estrela peculiar num novo estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
No final das suas vidas, estrelas frias e amarelas são tipicamente envoltas em hidrogénio, que esconde o interior azul e quente da estrela. Mas esta estrela amarela, localizada a 35 milhões de anos-luz da Terra no enxame galáctico de Virgem, misteriosamente não tinha esta camada crucial de hidrogénio no momento da explosão.
Impressão de artista de uma supergigante amarela num binário íntimo com uma estrela companheira azul de sequência principal.
Crédito: Kavli IPMU / Aya Tsuboi
"Nunca tínhamos visto este cenário," disse Charles Kilpatrick, pós-doutorado do CIERA (Center for Interdisciplinary Exploration and Research in Astrophysics) da Universidade Northwestern, que liderou o estudo. "Se uma estrela explodir sem hidrogénio, ela deve ser extremamente azul - muito, muito quente. É quase impossível para uma estrela ser tão fria sem ter hidrogénio na sua camada externa. Examinámos cada modelo estelar que pudesse explicar uma estrela como esta, e cada modelo requer que a estrela tivesse hidrogénio, o que, pela sua supernova, sabemos que não tinha. Isto estica o que é fisicamente possível."
Kilpatrick também é membro do levantamento YSE (Young Supernova Experiment), que usa o telescópio Pan-STARRS em Haleakalā, Hawaii, para avistar supernovas logo após a sua explosão. Depois do YSE ter detetado a supernova 2019yvr na galáxia espiral relativamente próxima NGC 4666, a equipa usou imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA, que felizmente já tinha observado esta secção do céu dois anos e meio antes da estrela explodir.
"O que as estrelas massivas fazem antes de explodirem é um grande mistério não resolvido," disse Kilpatrick. "É raro ver este tipo de estrela logo antes de explodir como supernova."
As imagens do Hubble mostram a fonte da supernova, uma estrela massiva fotografada apenas alguns anos antes da explosão. Vários meses depois da explosão, no entanto, Kilpatrick e a sua equipa descobriram que o material ejetado na explosão final da estrela parecia colidir com uma grande massa de hidrogénio. Isto levou a equipa a levantar a hipótese de que a estrela progenitora poderia ter expelido o hidrogénio alguns anos antes da sua morte.
Imagens pelo Telescópio Espacial Hubble mostram o local da supernova 2019yvr 2,5 anos antes da explosão. Canto superior esquerdo: a própria supernova vista numa imagem obtida pelo Telescópio Gemini-Sul 72 dias após a explosão. Canto inferior esquerdo: uma ampliação da mesma área na imagem pré-explosão do Hubble, mostrando uma única fonte que parece ser a estrela progenitora de 2019yvr.
Crédito: Charles Kilpatrick/Universidade Northwestern
"Os astrónomos suspeitam que as estrelas sofrem erupções violentas nos anos que antecedem a supernova," disse Kilpatrick. "A descoberta desta estrela fornece algumas das evidências mais diretas já encontradas de que as estrelas passam por erupções catastróficas, que as fazem perder massa antes de uma explosão. Se a estrela sofria estas erupções, então provavelmente expulsou o seu hidrogénio várias décadas antes de explodir."
No novo estudo, a equipa de Kilpatrick também apresenta outra possibilidade: uma estrela companheira menos massiva pode ter removido o hidrogénio da estrela progenitora da supernova. No entanto, a equipa não será capaz de procurar a estrela companheira até que o brilho da supernova diminua, o que pode levar até uma década.
"Ao contrário do seu comportamento normal logo após a explosão, a interação do hidrogénio revelou que é uma espécie de supernova excêntrica," disse Kilpatrick. "Mas é excecional que tenhamos conseguido encontrar a sua estrela progenitora nos dados do Hubble. Daqui a quatro ou cinco anos, acho que seremos capazes de aprender mais sobre o que aconteceu."
Novas simulações fornecem uma visão intrigante do interior de Saturno, sugerindo que uma espessa camada de chuva de hélio influencia o campo magnético do planeta.
Os modelos, publicados esta semana na revista AGU Advances, também indicam que o interior de Saturno pode ser mais quente na região equatorial, com temperaturas mais baixas nas altas latitudes no topo da camada de chuva de hélio.
É notoriamente difícil estudar as estruturas internas dos grandes planetas gasosos, e as descobertas avançam o esforço de mapear as regiões ocultas de Saturno.
O campo magnético de Saturno visto à superfície.
Crédito: Ankit Barik/Universidade Johns Hopkins
"Ao estudar como Saturno se formou e como evoluiu ao longo do tempo, podemos aprender muito sobre a formação de outros planetas parecidos com Saturno no nosso próprio Sistema Solar, bem como para lá dele," disse a coautora do estudo Sabine Stanley, física planetária da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland.
Saturno destaca-se entre os planetas no nosso Sistema Solar porque o seu campo magnético parece ser quase perfeitamente simétrico em torno do eixo de rotação. Medições detalhadas do campo magnético recolhidas durante as duas últimas órbitas da missão Cassini da NASA forneceram uma oportunidade para entender melhor o interior profundo do planeta, onde o campo magnético é gerado, disse Chi Yan, candidata a doutoramento na mesma universidade.
Ao colocar dados recolhidos pela missão Cassini em poderosas simulações de computador semelhantes às usadas para estudar a meteorologia e o clima, Yan e Stanley exploraram quais os ingredientes necessários para produzir o dínamo - o mecanismo de conversão eletromagnética - que poderia ser responsável pelo campo magnético de Saturno.
"Uma coisa que descobrimos foi o quão sensível o modelo era a coisas muito específicas, como temperatura," disse Stanley. "E isso significa que temos uma maneira muito interessante de analisar o interior profundo de Saturno até 20.000 quilómetros de profundidade. É uma espécie de visão em raios-X."
O interior de Saturno com uma camada insolúvel de hélio, estratificada de forma estável.
Crédito: Yi Zheng (HEMI/Programa de Artes MICA)
Surpreendentemente, as simulações de Yan e Stanley sugerem que um ligeiro grau de simetria não axial poderia na verdade existir perto dos polos norte e sul de Saturno.
"Embora as observações que temos de Saturno pareçam perfeitamente simétricas, nas nossas simulações de computador podemos interrogar totalmente o campo", disse Stanley.
Seria necessária uma observação direta para confirmar tal ideia, mas a descoberta pode ter implicações para a compreensão de outro planeta que incomoda os cientistas há décadas: como medir a rotação de Saturno ou, por outras palavras, a duração de um dia no planeta.
Cientistas de ondas gravitacionais propõem um novo método para refinar a constante de Hubble
Uma equipa internacional de cientistas, liderada pelo IGFAE (Instituto Galego de Física de Altas Enerxías) e pelo OzGrav (ARC Centre of Excellence for Gravitational Wave Discovery), propôs um método simples e inovador para melhorar a precisão das medições da constante de Hubble até 2%, usando uma única observação de um par de estrelas de neutrões em fusão.
O Universo está em expansão contínua. Por causa disto, objetos distantes, como galáxias, afastam-se de nós. Na verdade, quanto mais longe estão, mais depressa se movem. Os cientistas descrevem esta expansão por meio de um número famoso conhecido como constante de Hubble, que nos diz quão depressa os objetos no Universo se afastam de nós dependendo da sua distância. Ao medir a constante de Hubble de maneira precisa, também podemos determinar algumas das propriedades mais fundamentais do Universo, incluindo a sua idade.
Impressão de artista de um par de estrelas de neutrões em fusão.
Crédito: Carl Knox, OzGrav-Universidade de Swinburne
Durante décadas, os cientistas mediram a constante de Hubble com cada vez mais precisão, recolhendo sinais eletromagnéticos emitidos por todo o Universo, mas chegando a um resultado desafiante: as duas melhores medições atuais fornecem resultados inconsistentes. Desde 2015 que os cientistas têm tentado enfrentar este desafio com a ciência das ondas gravitacionais: ondulações na estrutura do espaço-tempo que viajam à velocidade da luz. As ondas gravitacionais são geradas nos eventos cósmicos mais violentos e fornecem um novo canal de informações sobre o Universo. São emitidas durante a colisão de duas estrelas de neutrões - os núcleos densos de estrelas colapsadas - e podem ajudar os cientistas a olhar mais profundamente o mistério da constante de Hubble.
Ao contrário dos buracos negros, as estrelas de neutrões em fusão produzem ondas gravitacionais e eletromagnéticas, como raios-X, ondas de rádio e luz visível. Embora as ondas gravitacionais possam medir a distância das estrelas de neutrões em fusão à Terra, as ondas eletromagnéticas podem medir a velocidade com que toda a sua galáxia se afasta da Terra. Isto cria uma nova maneira de medir a constante de Hubble. No entanto, mesmo com a ajuda das ondas gravitacionais, ainda é complicado medir a distância às estrelas de neutrões em fusão - em parte, porque as medições atuais baseadas em ondas gravitacionais da constante de Hubble têm uma incerteza de ~16%, muito maior do que as medições existentes usando outras técnicas tradicionais.
Num artigo publicado recentemente na revista The Astrophysical Journal Letters, uma equipa de cientistas liderada pelo OzGrav (ARC Centre of Excellence for Gravitational Wave Discovery) e pelo professor Juan Calderón Bustillo atualmente no IGFAE (Instituto Galego de Física de Altas Enerxías, da Universidade de Santiago de Compostela, Espanha), propôs um método simples e inovador para melhorar a precisão destas medições até 2% usando uma única observação de um par de estrelas de neutrões em fusão.
De acordo com o professor Calderón Bustillo, é difícil interpretar a que distância estas fusões ocorrem porque "atualmente, não podemos dizer se o binário está muito longe e voltado para a Terra, ou se está muito mais perto, com a Terra no seu plano orbital". Para decidir entre os dois cenários, a equipa propôs-se estudar componentes secundários e muito mais fracos dos sinais de ondas gravitacionais emitidos por fusões de estrelas de neutrões, conhecidos como modos superiores. "Assim como uma orquestra toca instrumentos diferentes, as fusões de estrelas de neutrões emitem ondas gravitacionais por meio de diferentes modos," explica. "Quando as estrelas de neutrões em fusão estão voltadas para nós, só podemos ouvir o instrumento mais alto. No entanto, se estivermos perto do plano orbital da fusão, podemos também ouvir os secundários. Isto permite-nos determinar a inclinação da fusão e medir melhor a distância."
No entanto, o método não é completamente novo: "Sabemos que isto funciona bem para o caso de fusões de buracos negros muito massivos porque os nossos detetores atuais podem registar o instante da fusão quando os modos superiores são mais proeminentes. Mas, no caso das estrelas de neutrões, o tom do sinal de fusão é tão alto que os nossos detetores não o conseguem registar. Só podemos registar as órbitas anteriores," diz o professor Calderón Bustillo. Os futuros detetores de ondas gravitacionais, como o proposto projeto australiano NEMO, serão capazes de aceder ao estágio de fusão das estrelas de neutrões. "Quando duas estrelas de neutrões se fundem, a física nuclear que rege a sua matéria pode provocar sinais muito ricos que, se detetados, podem permitir saber exatamente onde a Terra está em relação ao plano orbital da fusão," diz o coautor e investigador-chefe do OzGrav, o Dr. Paul Lasky, da Universidade Monash, Austrália. O Dr. Lasky também é um dos líderes do projeto NEMO. "Um detetor como o NEMO pode detetar estes sinais ricos," acrescenta.
No seu estudo, a equipa realizou simulações de computador de fusões de estrelas de neutrões que podem revelar o efeito da física nuclear das estrelas nas ondas gravitacionais. Estudando estas simulações, a equipa determinou que um detetor como o NEMO poderá medir a constante de Hubble com uma precisão de 2%. O coautor do estudo, o professor Tim Dietrich, da Universidade de Potsdam, Alemanha, diz: "Descobrimos que pequenos detalhes que descrevem a forma como os neutrões se comportam dentro da estrela produzem assinaturas subtis nas ondas gravitacionais que podem ajudar muito na determinação do ritmo de expansão do Universo. É fascinante ver como efeitos à escala nuclear mais pequena podem inferir o que acontece na maior escala cosmológica possível."
Samson Leong, estudante na Universidade Chinesa de Hong Kong e coautor do estudo, salienta que "uma das coisas mais interessantes sobre o nosso resultado é que obtivemos uma grande melhoria enquanto considerando um cenário bastante conservador. Embora o NEMO seja, de facto, sensível à emissão de estrelas de neutrões em fusão, detetores mais evoluídos como o Telescópio Einstein ou o Cosmic Explorer serão ainda mais sensíveis, permitindo-nos medir a expansão do Universo com uma precisão ainda melhor!".
Uma das implicações mais importantes deste estudo é que poderia determinar se o Universo está a expandir-se uniformemente no espaço, conforme a hipótese atual. "Os métodos anteriores para atingir este nível de precisão dependem da combinação de muitas observações, assumindo que a constante de Hubble é a mesma em todas as direções e ao longo da história do Universo," diz Calderón Bustillo. "No nosso caso, cada evento individual produziria uma estimativa muito precisa da 'sua própria constante de Hubble', permitindo-nos testar se esta é realmente uma constante ou se varia ao longo do espaço e do tempo."
NGC 3199 situa-se a uns 12.000 anos-luz da Terra, uma brilhante nuvem cósmica na direção da constelação do hemisfério Sul da Quilha. A nebulosa mede cerca de 75 anos-luz nesta esplêndida imagem a cores falsas. Embora a imagem de céu profundo revele uma forma de bolha mais ou menos completa, na realidade parece mais brilhante no topo. Perto do centro encontra-se uma estrela Wolf-Rayet, uma estrela massiva, quente e com pouco tempo de vida que gera um intenso vento estelar. De facto, sabe-se que as estrelas Wolf-Rayet criam nebulosas com formas interessantes pois os seus poderosos ventos arrastam o material interestelar da vizinhança. Neste caso, pensa-se que a fronteira brilhante indique uma região de choque produzida à medida que a estrela atravessava um meio uniforme, tal como um barco por água. Mas as medições mostraram que a estrela não está na realidade a mover-se na direção desta orla brilhante. Por isso, uma explicação mais plausível será que o material que rodeia a estrela não é uniforme, mas amontoado e mais denso perto da zona mais brilhante e "soprada" de NGC 3199.
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