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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1803  
  18/06 a 21/06/2021  
     
 
 

Noites Astronómicas em Tavira - Observação noturna

No dia 18 de junho realiza-se a sessão de Noites Astronómicas em Tavira no Forte do Rato pelas 21h30.

Nesta noite vamos fazer reconhecimento das constelações presentes no céu noturno de Tavira assim como observação da lua e outros asterismos.

Esta atividade é gratuita e requer inscrição.

Data: 18 de junho | 21h30-22h30 Local: Forte do Rato
Coordenadas GPS: 37.121965 N , -7.620994 O
Público-alvo: Público em geral (as crianças devem estar acompanhadas de um adulto). É necessário o uso de equipamento de proteção individual (Máscara ou viseira) durante o decorrer da atividade.

INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA (A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes).

Informações e inscrições: 281 326 231 | 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 
 

Festival da sombra de verão

Solstício de verão chega ao Hemisfério Norte, e isto permite-nos verificar se o relógio e o GPS estão a funcionar bem!

O AstroClube tem por objetivo desenvolver uma componente didática mais importante que durante as observações das apresentações às estrelas, que são mais lúdicas.

Pretende-se que o AstroClube funcione como um "laboratório experimental" temático de astronomia. Assim, enquadram-se nesta filosofia uma cerca replicação do processo científico de descobertas na Astronomia, ou de exploração prática e "Hands-On" dos conceitos de astronomia.

Público-alvo: Jovens e Adultos | Preço: 30€ (5 sessões)

Data: 21 de junho de 2021
Hora: 13:00 horas

INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - seguir este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 18/06: 169.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1178, 5 monges da Cantuária assistem à formação daquilo que provavelmente é a cratera Giordano Bruno.

Acredita-se que as atuais oscilações da distância da Lua (na ordem de metros) sejam resultado desta colisão.
Em 1799, nascia William Lassell, astrónomo inglês que descobriu Tritão, a maior lua de Neptuno, apenas 17 dias depois da descoberta do próprio planeta por Johann Gottfried Galle. Em 1848, codescobriu independentemente Hiperião, lua de Saturno. Em 1851, descobriu Ariel e Umbriel, luas de Úrano. 
Em 1926, nascia Allan Rex Sandage, astrónomo americano, conhecido por determinar o primeiro valor razoavelmente preciso da constante de Hubble e da idade do Universo. É também o descobridor do primeiro quasar
Em 1983, Sally Ride tornava-se a primeira astronauta dos Estados Unidos no espaço. 
Em 2006, lançamento do primeiro satélite do Cazaquistão, o KazSat.  
Em 2009, era lançada a sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 04:54.
A Lua brilha esta noite perto de Porrima (Gamma Virginis). Este é um bonito e íntimo binário, bom para telescópios. As componentes estão separadas por 3,1 segundos de arco e afastam-se uma da outra ligeiramente ano após ano. São ambas estrelas F1, um pouco maiores e mais quentes do que o Sol, brilhando a 39 anos-luz de distância.

Dia 19/06: 170.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 240 a.C. terá sido por volta deste dia que Eratóstenes  "mediu" a circumferência da Terra usando a sombra do Sol a duas latitudes diferentes, uma em Alexandria, a outra em Siena (atualmente Assuão).

Em 1963, Valentina Tereshkova, a primeira mulher no espaço, regressa à Terra após 3 dias em órbita a bordo da Vostok 6
Em 1976, a sonda Viking 1 entrava em órbita em torno de Marte após 10 meses de missão.
Observações: Espiga (a 260 anos-luz) brilha para baixo da Lua. Bem para cima delas brilha Arcturo. Espiga tem um tom azul pálido e frígido. Arcturo brilha com um tom amarelo-alaranjado

Dia 20/06: 171.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1944, o foguetão V-2 torna-se no primeiro objeto artificial a atravessar o limite do espaço, a Linha de Kármán, com o lançamento V-177.
Em 1976, o módulo de aterragem da Viking 1 pousava em Marte.

Em 1990, era descoberto o asteroide Eureka.
Observações: Estamos a chegar àquela altura do ano em que as duas estrelas mais brilhantes do verão, Arcturo e Vega, ficam mais ou menos igualmente altas com o passar da noite: Arcturo a sudoeste, Vega a este.
Arcturo e Vega estão a 37 e 25 anos-luz, respetivamente. Representam o tipo mais comum de estrela visível a olho nu: uma gigante K amarela-laranja e uma estrela A de sequência principal. São 150 e 50 vezes mais brilhantes do que o Sol, respetivamente - razão pela qual, em combinação com a sua proximidade, dominam o céu noturno.

Dia 21/06: 172.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1863, nascia Max Wolf, astrónomo alemão e pioneiro no campo da astrofotografia.
Em 2003, quase 20 anos depois da sua viagem ao espaço, Sally Ride entra para o Corredor da Fama dos Astronautas, tornando-se na primeira mulher a ser honrada por esta instituição. 

Em 2004, o SpaceShipOne torna-se no primeiro avião espacial privado a voar no espaço.
Em 2006, as recém-descobertas luas de Plutão são oficialmente denominadas Nix e Hydra.
Observações: Solstício de verão, pelas 04:32. Termina a primavera e começa o verão no hemisfério norte.

 
 
   
Desvendado o mistério da diminuição de brilho de Betelgeuse

Quando Betelgeuse, uma estrela brilhante de cor laranja da constelação de Orion, se tornou visivelmente mais escura no final de 2019 e início de 2020, a comunidade astronómica ficou intrigada. Uma equipa de astrónomos acaba de publicar novas imagens da superfície da estrela, imagens estas obtidas com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, que mostram claramente como é que o brilho desta estrela variou. Este novo trabalho revela que a estrela esteve parcialmente escondida por uma nuvem de poeira, uma descoberta que desvenda finalmente o mistério da "Grande Diminuição de Brilho" de Betelgeuse.

A diminuição de brilho de Betelgeuse — uma variação observada inclusivamente a olho nu — levou Miguel Montargès e a sua equipa a apontar o VLT (Very Large Telescope) do ESO em direção a esta estrela no final de 2019. Uma imagem de dezembro de 2019, quando comparada com uma imagem anterior da estrela obtida em janeiro do mesmo ano, mostrou que a superfície estelar se encontrava significativamente mais escura, especialmente na região sul. No entanto, os astrónomos não sabiam porquê.

 
Estas imagens, obtidas com o instrumento SPHERE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, mostram a superfície da estrela supergigante vermelha Betelgeuse durante a sua diminuição de brilho, no final de 2019 e início de 2020. A imagem mais à esquerda, capturada em janeiro de 2019, mostra a estrela com o seu brilho normal, enquanto as restantes imagens, de dezembro de 2019, janeiro de 2020 e março de 2020, foram todas tiradas numa altura em que o brilho desta estrela tinha diminuído significativamente, especialmente na região sul. O brilho de Betelgeuse voltou ao normal em abril de 2020.
Crédito: ESO/M. Montargès et al.
 

A equipa continuou a observar a estrela durante a sua "Grande Diminuição de Brilho", capturando duas novas imagens, uma em janeiro de 2020 e outra em março de 2020. Em abril de 2020, Betelgeuse tinha já regressado ao seu brilho normal.

"Por uma vez na vida, assistimos à variação de uma estrela em tempo real, numa escala de semanas," disse Montargès, do Observatório de Paris, França, e da KU Leuven, Bélgica. As imagens agora publicadas são as únicas que possuímos que mostram a superfície de Betelgeuse a variar em brilho ao longo do tempo.

No novo estudo, publicado na revista Nature, a equipa revelou que a misteriosa diminuição de brilho foi causada por um véu de poeira que cobriu a estrela, o que, por sua vez, resultou numa descida de temperatura na superfície estelar.

A superfície de Betelgeuse varia regularmente à medida que bolhas de gás se movem, encolhem e aumentam no seio da estrela. A equipa concluiu que algum tempo antes da Grande Diminuição de Brilho, a estrela ejetou uma enorme bolha de gás que se deslocou para longe. Quando uma parte da superfície arrefeceu pouco tempo depois, essa diminuição de temperatura foi suficiente para permitir a condensação desse gás em poeira sólida.

"Assistimos diretamente à formação da chamada poeira de estrelas," disse Montargès, cujo estudo mostrou que a formação de poeira pode ocorrer muito depressa e próximo da superfície de uma estrela. "A poeira expelida por estrelas evoluídas frias, tais como a ejeção que vimos, pode transformar-se nos blocos constituintes de planetas terrestres e da vida," acrescenta Emily Cannon, da KU Leuven, que também esteve envolvida no estudo.

Em vez de ser apenas o resultado de uma ejeção de poeira, havia várias especulações online no sentido da diminuição do brilho de Betelgeuse poder ser um sinal da sua morte eminente sob a forma de uma explosão de supernova. Desde o século XVII que não há uma explosão de supernova na nossa Galáxia, por isso os astrónomos atuais não sabem exatamente o que esperar de uma estrela na fase que antecede este evento explosivo. No entanto, este novo trabalho de investigação confirmou que a Grande Diminuição de Brilho de Betelgeuse não se deveu a nenhum sinal que indicasse que a estrela estivesse prestes a explodir.

Observar este escurecimento numa estrela tão conhecida foi algo entusiasmante tanto para astrónomos profissionais como amadores, tal como sumaria Cannon: "Ao olhar para as estrelas no céu noturno, parece-nos que esses minúsculos e cintilantes pontos de luz são eternos. A diminuição de brilho de Betelgeuse quebrou-nos essa ilusão."

A equipa usou o instrumento SPHERE (Spectro-Polarimetric High-contrast Exoplanet REsearch) montado no VLT do ESO para obter imagens de forma direta da superfície de Betelgeuse, juntamente com dados recolhidos pelo instrumento GRAVITY montado no VLTI (Very Large Telescope Interferometer) para monitorizar a estrela ao longo da sua diminuição de brilho. Os telescópios, situados no Observatório do Paranal do ESO no deserto chileno do Atacama, foram "ferramentas de diagnóstico vitais para descobrir a causa deste escurecimento," disse Cannon. "Conseguimos observar a estrela não apenas como um ponto, mas com resolução suficiente para conseguirmos distinguir detalhes na sua superfície e monitorizá-la ao longo de todo o evento," acrescenta Montargès.

Montargès e Cannon aguardam com expectativa o que o futuro da astronomia nos trará para o estudo da supergigante vermelha Betelgeuse, em particular com o advento do ELT (Extremely Large Telescope) do ESO. "Com uma capacidade para atingir resoluções espaciais sem precedentes, o ELT permitir-nos-á obter imagens diretas de Betelgeuse com um detalhe notável," disse Cannon. "O telescópio irá também expandir de forma significativa a amostra de supergigantes vermelhas para as quais poderemos resolver a superfície por meio de imagens diretas, ajudando-nos assim a desvendar os mistérios que se escondem por detrás dos ventos destas estrelas massivas."

// ESO (comunicado de imprensa)
// Universidade de Exeter (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (PDF)
// ESOcast 238 Light: Quem desligou as luzes de Betelgeuse? (ESO via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
18/08/2020 - Hubble ajuda a resolver o mistério do escurecimento de Betelgeuse
03/03/2020 - Os últimos suspiros de uma estrela massiva
18/02/2020 - Telescópio do ESO observa a superfície de Betelgeuse a diminuir de brilho

Notícias relacionadas:
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Betelgeuse:
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Supergigante vermelha:
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Supernova:
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VLT:
ESO
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ESO:
Página oficial
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ELT (Extremely Large Telescope):
ESO
ESO - 2
Wikipedia

 
   
Matéria escura está a diminuir a rotação da barra da Via Láctea

De acordo com um novo estudo realizado por investigadores da UCL (University College London) e da Universidade de Oxford, a rotação da barra galáctica da Via Láctea, que é composta por milhares de milhões de estrelas agrupadas, diminuiu cerca de um-quarto desde a sua formação.

Durante 30 anos, os astrofísicos previram esta desaceleração, mas esta é a primeira vez que foi medida.

Os investigadores afirmam que fornece um novo tipo de visão sobre a natureza da matéria escura, que atua como um contrapeso, desacelerando a rotação.

 
Impressão de artista da Via Láctea.
Crédito: Wikimedia Commons, Pablo Carlos Budassi
 

No estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, os investigadores analisaram observações do telescópio espacial Gaia de um grande grupo de estrelas, a corrente de Hércules, que estão em ressonância com a barra - isto é, giram em torno da Galáxia à mesma velocidade que a barra.

Estas estrelas estão capturadas gravitacionalmente pela barra giratória. O mesmo fenómeno ocorre com os asteroides gregos e troianos de Júpiter, que orbitam nos pontos Lagrange de Júpiter (à frente e atrás de Júpiter). Se a rotação da barra diminuir, espera-se que estas estrelas se movam para mais longe na Galáxia, mantendo o seu período orbital igual à rotação da barra.

Os cientistas descobriram que as estrelas na corrente transportam uma impressão digital química - são mais ricas em elementos mais pesados (chamados metais na astronomia), provando que se afastaram do centro galáctico, onde as estrelas e os gases que as formam são cerca de 10 vezes mais ricos em metais em comparação com as secções exteriores da nossa Galáxia.

Usando estes dados, a equipa inferiu que a barra - composta por milhares de milhões de estrelas e biliões de massas solares - diminuiu a sua rotação em pelo menos 24% desde que se formou.

O Dr. Ralph Schoenrich (Laboratório Mullard de Ciências Espaciais da UCL), coautor do artigo, explica: "Os astrofísicos há muito que suspeitam que a barra giratória no centro da nossa Galáxia está a diminuir de velocidade, mas só agora encontrámos as primeiras evidências de tal acontecimento.

"O contrapeso que reduz esta rotação deve ser a matéria escura. Até agora, só pudemos inferir a matéria escura mapeando o potencial gravitacional das galáxias e subtraindo a contribuição da matéria visível.

"A nossa investigação fornece um novo tipo de medição da matéria escura - não da sua energia gravitacional, mas da sua massa inercial (a resposta dinâmica), que diminui a velocidade de rotação da barra."

Rimpei Chiba, estudante de doutoramento na Universidade de Oxford e também coautor do artigo científico, acrescenta: "A nossa descoberta fornece uma perspetiva fascinante para restringir a natureza da matéria escura, já que diferentes modelos mudarão esta atração inercial na barra galáctica.

"O nosso achado também representa um grande problema para as teorias alternativas da gravidade - como não têm matéria escura no halo, preveem nenhuma ou quase nenhuma desaceleração da barra."

Pensa-se que a Via Láctea, como as outras galáxias, esteja embebida num "halo" de matéria escura que se estende bem para lá da sua orla visível.

A matéria escura é invisível e a sua natureza é desconhecida, mas a sua existência é inferida de galáxias que se comportam como se estivessem envoltas numa massa significativamente maior do que aquilo que podemos ver. Pensa-se que exista cerca de cinco vezes mais matéria escura no Universo do que matéria visível comum.

As teorias alternativas da gravidade, como a dinâmica Newtoniana modificada, rejeitam a ideia de matéria escura, e ao invés procuram explicar as discrepâncias ajustando a teoria da relatividade geral de Einstein.

A Via Láctea é uma galáxia espiral barrada, com uma espessa barra de estrelas no meio e braços espirais que se estendem pelo disco. A barra gira na mesma direção que a Galáxia.

// UCL (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Matéria escura:
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Corrente de Hércules:
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
EDR3 do Gaia
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
   
Limite da heliosfera mapeado pela primeira vez

A fronteira da heliosfera foi mapeada pela primeira vez, dando aos cientistas uma melhor compreensão de como os ventos solares e interestelares interagem.

"Os modelos físicos teorizaram esta fronteira durante anos," disse Dan Reisenfeld, cientista do Laboratório Nacional de Los Alamos e autor principal do artigo, que foi publicado na revista The Astrophysical Journal. "Mas esta é a primeira vez que realmente conseguimos medi-la e fazer um mapa tridimensional."

 
O primeiro mapa tridimensional da fronteira entre o nosso Sistema Solar e o espaço interestelar - uma região conhecida como heliopausa.
Crédito: Laboratório Nacional de Los Alamos
 

A heliosfera é uma bolha criada pelo vento solar, um fluxo de principalmente protões, eletrões e partículas alfa que se estende do Sol ao espaço interestelar e protege a Terra da radiação interestelar prejudicial.

Reisenfeld e uma equipa de outros cientistas usaram dados do satélite IBEX (Interstellar Boundary Explorer) da NASA, que deteta partículas que vêm da heliobainha, a camada fronteiriça entre o Sistema Solar e o espaço interestelar. A equipa conseguiu mapear a orla desta zona - uma região chamada heliopausa. Aqui, o vento solar, que empurra em direção ao espaço interestelar, colide com o vento interestelar, que empurra em direção ao Sol.

Para fazer esta medição, usaram uma técnica semelhante à forma como os morcegos usam o sonar. "Assim como os morcegos enviam pulsos de sonar em todas as direções e usam o sinal de retorno para criar um mapa mental dos seus arredores, usámos o vento solar do Sol, que se espalha em todas as direções, para criar um mapa da heliosfera," disse Reisenfeld.

Fizeram isto usando a medição do satélite IBEX de átomos neutros energéticos que resultam de colisões entre as partículas do vento solar e aquelas do vento interestelar. A intensidade desse sinal depende da intensidade do vento solar que atinge a heliobainha. Quando uma onda atinge a heliobainha, a contagem de átomos neutros energéticos aumenta e o IBEX pode detetá-la.

 
Diagrama da nossa heliosfera. Pela primeira vez, os cientistas mapearam a heliopausa, a fronteira entre a heliosfera (castanho) e o espaço interestelar (azul escuro).
Crédito: NASA/IBEX/Adler Planetarium
 

"O 'sinal' do vento solar enviado pelo Sol varia em força, formando um padrão único," explicou Reisenfeld. "O IBEX verá o mesmo padrão no sinal de retorno dos átomos neutros energéticos, dois a seis anos depois, dependendo da energia destes átomos e da direção que o IBEX está a observar através da heliosfera. Esta diferença de tempo é como encontramos a distância à fonte dos átomos neutros energéticos numa direção específica."

Os investigadores então aplicaram este método para construir o mapa tridimensional, usando dados recolhidos ao longo de um ciclo solar completo, de 2009 a 2019.

"Ao fazer isto, podemos ver os limites da heliosfera da mesma forma que um morcego usa o sonar para 'ver' as paredes de uma caverna," acrescentou.

O motivo pelo qual demora tanto para o sinal regressar ao IBEX é por causa das vastas distâncias envolvidas. As distâncias no Sistema Solar são medidas em unidades astronómicas (UA), onde 1 UA é a distância da Terra ao Sol. O mapa de Reisenfeld mostra que a distância mínima do Sol à heliopausa é aproximadamente 120 UA na direção do vento interestelar e, na direção oposta, estende-se pelo menos 350 UA, que é o limite de distância da técnica de sondagem. Para referência, a órbita de Neptuno tem cerca de 60 UA de diâmetro.

// Laboratório Nacional de Los Alamos (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Mapeando pela primeira a heliosfera (Laboratório Nacional de Los Alamos via YouTube)

 


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  Buracos negros ajudam no nascimento estelar (via Instituto Max Planck)
Investigações que combinam observações sistemáticas com simulações cosmológicas descobriram que, surpreendentemente, os buracos negros podem ajudar certas galáxias a formar novas estrelas. À escala galáctica, o papel dos buracos negros supermassivos na formação estelar já havia sido visto como destrutivo - os buracos negros ativos podem retirar gás das galáxias que estas precisam para formar novas estrelas. Os novos resultados mostram situações em que os buracos negros podem, ao invés, "abrir caminho" para galáxias que orbitam dentro de grupos ou enxames de galáxias, evitando que essas galáxias tenham a sua formação estelar interrompida enquanto se movem pelo gás intergaláctico. Ler fonte
     
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Uma análise recente de uma região superbrilhante do céu a 800 milhões de anos-luz de distância revela uma fusão tripla de galáxias envolvendo três tipos diferentes de galáxias, incluindo duas que provavelmente contêm buracos negros supermassivos chamados de núcleo galácticos ativos. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - NGC 6888: A Nebulosa Crescente
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Joe NavaraGlenn ClouderRussell Discombe
 
NGC 6888, também conhecida como Nebulosa Crescente, é uma bolha cósmica com cerca de 25 anos-luz de diâmetro, soprada por ventos da sua brilhante e massiva estrela central. Esta é uma composição de três astrofotógrafos, criada a partir de mais de 30 horas de dados de banda-estreita que isolam a luz dos átomos de hidrogénio e oxigénio. Os átomos de oxigénio produzem os tons azul-esverdeados que parecem rodear os filamentos e dobras detalhadas. A estrela central de NGC 6888 está classificada como uma estrela Wolf-Rayet (WR 136). A estrela está a libertar o seu invólucro exterior num forte vento estelar, ejetando o equivalente à massa do Sol a cada 10.000 anos. As complexas estruturas da nebulosa são provavelmente o resultado deste vento forte que interage com o material expelido numa fase anterior. Queimando combustível a um ritmo extraordinário e perto do fim da sua vida, esta estrela deverá morrer numa espetacular explosão de supernova. Situada na constelação rica em nebulosas de Cisne, NGC 6888 encontra-se a aproximadamente 5000 anos-luz da Terra.
 
   
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