Dia 28/12: 362.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1612, Galileu Galilei torna-se no primeiro astrónomo a observar o planeta Neptuno, embora o catalogue erradamente como uma estrela fixa.
Em 1798, nascia Thomas Henderson, astrónomo escocês, conhecido por ter sido o primeiro a medir a distância até Alpha Centauri.
Em 1895, Wilhem Röntgen publica um artigo no qual descreve a sua descoberta de um novo tipo de radiação, que mais tarde se veio a chamar raios-X.
Em 1882, nascia Arthur Eddington, astrofísico que confirmaria a previsão de Einstein de encurvamento do espaço-tempo no célebre eclipse de 1919 observado na ilha de Príncipe (território português nessa época).
Foi quem desenvolveu o modelo da pulsação das cefeidas e trabalhou a par de Einstein na tentativa de unificação das forças fundamentais.
Em 1973, o cometa Kohoutek atingia o periélio. Observações: As Plêiades brilham muito alto a sudeste, bem acima de Orionte. Têm mais ou menos o tamanho do nosso polegar à distância do braço esticado. Quantas estrelas de M45 consegue contar à vista desarmada? Leve o seu tempo e continue à procura. A maioria das pessoas consegue contar 6. Com uma boa visão, um bom céu escuro e um olhar calmo, conseguirá contar 8 ou 9.
Dia 29/12: 363.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1923 nascia Yvonne Choquet-Bruhat, física e matemática francesa, cujo trabalho se situou na interseção da matemática com a física, nomeadamente na teoria da relatividade geral de Einstein. O seu trabalho foi aplicado na deteção das ondas gravitacionais. Observações: Sirius, a estrela mais brilhante de Cão Maior, nasce baixa a este-sudeste pelas 19:30, dependendo da localização do observador. Procyon, a estrela mais brilhante de Cão Menor, brilha a este a cerca de dois punhos à distância do braço esticado para a esquerda de Sirius.
Mas diretamente para a esquerda? Isso depende. À latitude 30º, as duas estrelas caninas estarão à mesma altura acima do horizonte pouco depois de nascerem. Se o observador estiver para norte dessa latitude, Procyon estará mais alta. Se o observador estiver para sul dessa latitude, então Sirius é a que está mais alta das duas. O horizonte a este inclina-se de modo diferente em relação às estrelas dependendo da latitude.
Dia 30/12: 364.º dia do calendário gregoriano. História: Em 2000, dá-se a passagem das sondas acopladas Cassini-Huygens por Júpiter.
Passam a 9.721.846 km do topo das nuvens de Júpiter à medida que recebem um impulso gravitacional para a última parte da viagem até Saturno. Observações: Pouco antes do amanhecer, olhe para sudeste e encontre a fina Lua. Para baixo do nosso satélite natural, e um pouco para a esquerda, está o planeta Marte e a ligeiramente mais brilhante estrela Antares. Compare as suas cores. Consegue detetar uma diferença? O nome "Antares" vem do grego de "rival de Marte".
Marte pisca menos que Antares? Um planeta supostamente não pisca - porque tem uma área de superfície, em termos relativos da sua distância, maior, e cada dos seus pontos de luz piscam mais ou menos independentemente dos outros, de modo que no total vemos uma média estável. Mas Marte tem atualmente apenas 4 segundos de arco de diâmetro [no céu], mais pequeno e mais parecido a apenas um ponto de luz estelar do que os outros planetas.
Curiosidades
No contexto de área dos espelhos e captação de radiação, o JWST é cerca de 100 vezes mais poderoso do que o Hubble (espelho de 6,5 metros, em comparação com os 2,4 metros do Hubble).
Webb lançado no Ariane 5 para desvendar os segredos do Universo
O Telescópio Espacial James Webb foi lançado num foguetão Ariane 5 do porto espacial europeu na Guiana Francesa, às 12:20 (hora portuguesa) do dia 25 de dezembro, partindo para a sua emocionante missão de desvendar os segredos do Universo.
Após o lançamento e separação do foguetão, o centro de operações da missão do Webb em Baltimore, EUA, confirmou que o Webb ativou os seus painéis solares e está em boas condições, confirmando o sucesso do lançamento.
No próximo mês, o Webb, uma parceria internacional entre a NASA, a ESA e a Agência Espacial Canadiana (CSA), viajará até ao seu destino: o segundo ponto de Lagrange (L2), onde estudará o Universo no infravermelho.
O Telescópio Espacial James Webb foi lançado num foguetão Ariane 5 do porto espacial europeu na Guiana Francesa, às 12:20 (hora portuguesa) do dia 25 de dezembro, partindo para a sua emocionante missão de desvendar os segredos do Universo.
Crédito: ESA/CNES/Arianespace
"O lançamento do Webb é uma grande homenagem à colaboração internacional que tornou possível esta missão de última geração. Gostaria de agradecer a todos os que estiveram envolvidos no design, construção e lançamento deste ambicioso telescópio, por tornarem este dia uma realidade. Estamos quase a receber a nova visão do Universo do Webb e as emocionantes descobertas científicas que ele fará", afirmou Josef Aschbacher, Diretor Geral da ESA.
"O Telescópio Espacial James Webb representa a ambição que a NASA e os nossos parceiros mantêm para nos impulsionar para o futuro", afirmou o administrador da NASA Bill Nelson. "A promessa do Webb não é o que sabemos que iremos descobrir; é o que ainda não percebemos ou ainda não conseguimos compreender sobre o nosso Universo. Mal posso esperar para ver o que vai descobrir!"
"A CSA orgulha-se de ter contribuído com instrumentos essenciais para esta parceria internacional de grande escala, que é parte do esforço global para impulsionar o próximo grande salto científico. Os astrónomos canadianos estão entusiasmados com a utilização dos dados do Webb e por poderem beneficiar das tremendas oportunidades científicas oferecidas por este observatório único", afirmou a presidente da CSA, Lisa Campbell.
A jornada do Webb até ao espaço
O observatório Webb teve de ser cuidadosamente inserido na carenagem especialmente adaptada do Ariane 5 para lançamento, que foi lançada cerca de três minutos após a decolagem. O Ariane 5 começou então uma manobra especial para proteger o Webb da radiação solar. Decorridos 27 minutos, o telescópio foi libertado e a parte superior impulsionada para longe.
"Estou muito feliz e orgulhoso que a versatilidade e fiabilidade do Ariane 5 tenham permitido o lançamento de uma missão tão inovadora. Este é um tributo à competência e dedicação de todas as equipas envolvidas," afirmou Daniel Neuenschwander, Diretor de Transporte Espacial da ESA.
A rede de estações terrestres ESTRACK da ESA desempenhou um papel fundamental no rastreamento do Ariane 5 e do Webb desde a decolagem até à separação.
Agora no espaço e a caminho do L2, o Webb passará por uma complexa sequência de desdobramentos. Nos meses seguintes, os instrumentos serão ligados e as suas capacidades testadas. Depois de meio ano no espaço, o Webb iniciará as suas observações científicas de rotina.
A viagem do JWST desde o lançamento até ao ponto L2 Sol-Terra será preenchida com um fluxo constante de procedimentos, desde o desenrolar do escudo solar (começando 3 dias após o lançamento) até ao desdobrar do espelho telescópio (13 dias após o lançamento).
Crédito: AURA / S. Lifson; NASA e Centro de Voo Espacial Goddard
Ver mais além
O Webb verá muito para lá das nossas origens: das primeiras galáxias do Universo, ao nascimento de estrelas e planetas, aos exoplanetas com potencial para a vida e o nosso próprio Sistema Solar.
"O Webb começou por ser uma ideia de astrónomos que sonhavam com observar o nascimento das primeiras galáxias no início do Universo, mas o telescópio conseguirá fazer muito mais do que alguém jamais esperou", afirma Günther Hasinger, Diretor de Ciência da ESA.
A ESA contribuiu para dois dos quatro instrumentos científicos a bordo do Webb: NIRSpec and MIRI. "Foi graças à excelência da indústria europeia e da comunidade científica que foi possível o desenvolvimento destes instrumentos complexos," acrescenta Günther.
"Agora, estamos ansiosos pelas belas imagens e espectros que o Webb obterá. A comunidade astronómica europeia está entusiasmada para ver os resultados dos 33% de tempo de observação disponível no primeiro ano do Webb, que ganharam de forma competitiva," refere Antonella Nota, Cientista do Projeto ESA Webb.
ExoMars descobre água escondida no "Grand Canyon" de Marte
O orbitador marciano ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA-Roscosmos avistou quantidades significativas de água no coração do gigantesco sistema de desfiladeiros de Marte, Valles Marineris.
A água, que está escondida sob a superfície de Marte, foi encontrada pelo instrumento FREND (Fine-Resolution Epithermal Neutron Detector) da TGO, que está a mapear o hidrogénio - uma medição do conteúdo de água - no primeiro metro de solo marciano.
Embora se saiba que existe água em Marte, a maioria encontra-se nas frias regiões polares do planeta sob a forma de gelo. A água gelada não se encontra exposta à superfície perto do equador, uma vez que as temperaturas aqui não são suficientemente frias para que o gelo exposto permaneça estável.
Valles Marineris, visto a um ângulo de 45 graus em relação à superfície em cor quase verdadeira e com quatro vezes exagero vertical. A imagem cobre uma área de 630.000 km^2 com uma resolução de solo de 100 m por pixel.
O modelo de terreno digital foi criado a partir de 20 órbitas HRSC individuais, e os dados de cor foram gerados a partir de 12 faixas de órbita.
A maior parte do desfiladeiro, que se estende ao longo da imagem, é conhecida como Melas Chasma. Candor Chasma é a calha de ligação imediata ao norte, com a pequena calha Ophir Chasma mais além. Hebes Chasma pode ser visto no extremo superior esquerdo da imagem.
A imagem foi publicada pela primeira vez em 2009 na monografia científica da ESA Mars Express: As Investigações Científicas.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)
Outras missões, como a Mars Express da ESA, têm procurado água perto da superfície - na forma de gelo que cobre grãos de poeira no solo, ou "trancada" em minerais - a latitudes mais baixas de Marte, e encontraram pequenas quantidades. No entanto, tais estudos apenas exploraram a própria superfície do planeta; podem existir reservas de água mais profundas, cobertas por poeira.
"Com a TGO podemos observar até um metro abaixo desta camada poeirenta e ver o que realmente se passa sob a superfície de Marte - e, crucialmente, localizar 'oásis' ricos em água que não foram detetados com instrumentos anteriores," diz Igor Mitrofanov do Instituto de Investigação Espacial da Academia de Ciências Russa em Moscovo, autor principal do novo estudo e investigador do FREND.
"O FREND revelou uma área com uma quantidade invulgarmente grande de hidrogénio no sistema colossal de Valles Marineris: assumindo que o hidrogénio que vemos está em moléculas de água, até 40% do material perto da superfície parece ser água."
A área rica em água tem aproximadamente o tamanho dos Países Baixos e sobrepõe-se aos vales profundos de Candor Chaos, parte do sistema de desfiladeiros considerado promissor na nossa caça por água em Marte.
Rastreando neutrões
Igor e colegas analisaram observações do FREND que vão de maio de 2018 a fevereiro de 2021, as quais mapearam o conteúdo de hidrogénio do solo de Marte através da deteção de neutrões em vez de luz.
"Os neutrões são produzidos quando partículas altamente energéticas conhecidas como 'raios cósmicos galácticos' atingem Marte; os solos mais secos emitem mais neutrões do que os mais húmidos, e por isso podemos deduzir a quantidade de água num solo olhando para os neutrões que este emite," acrescenta o coautor Alexey Malakhov, também do Instituto de Investigação Espacial da Academia de Ciências Russa. "A técnica de observação única do FREND tem uma resolução espacial muito mais elevada do que as medições anteriores deste tipo, permitindo-nos agora ver características da água que não tinham sido detetadas antes.
"Encontrámos uma parte central de Valles Marineris cheia de água - muito mais água do que esperávamos. Isto é muito semelhante às regiões pergelissolo da Terra, onde a água gelada persiste permanentemente sob o solo seco, devido às constantes baixas temperaturas."
A sonda ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA descobriu grandes quantidades de água trancadas dentro do extenso sistema de desfiladeiros de Marte, Valles Marineris.
Esta característica é o maior desfiladeiro do Sistema Solar e pode ser vista ao longo desta estrutura, sobreposta por sombras coloridas representando a quantidade de água misturada no metro mais alto do solo (variando de quantidades baixas em vermelho alaranjado a altas em tons púrpura-azul, tal como medido pelo FREND (Fine Resolution Epithermal Neutron Detector Epithermal) da TGO.
A escala colorida no fundo do quadro mostra a quantidade de "hidrogénio equivalente a água" por peso. Como refletido nestas escalas, os contornos roxos no centro desta figura mostram a região mais rica em água. Na área marcada com um "C", até 40% do material próximo da superfície parece ser composto de água (por peso). A área marcada com um "C" tem aproximadamente a dimensão dos Países Baixos e sobrepõe-se aos vales profundos de Candor Chaos, parte do sistema de desfiladeiros considerado promissor na nossa caça à água em Marte.
O sombreado cinzento subjacente nesta imagem representa a topografia de superfície, e baseia-se em dados do instrumento MOLA (Mars Orbiter Laser Altimeter) da sonda MGS (Mars Global Surveyor). Os eixos em redor da moldura mostram a localização (latitude e longitude) em Marte.
Crédito: I. Mitrofanov et al. (2021)
Esta água pode estar sob a forma de gelo, ou água quimicamente ligada a outros minerais no solo. Contudo, estas observações dizem-nos que os minerais vistos nesta parte de Marte contêm tipicamente apenas alguns por cento de água, muito menos do que é evidenciado por estas novas observações. "No geral, pensamos que esta água existe mais provavelmente sob a forma de gelo," diz Alexey.
A água gelada evapora normalmente nesta região de Marte devido às condições de temperatura e pressão perto do equador. O mesmo se aplica à água quimicamente ligada: tem que estar presente uma combinação ideal de temperatura, pressão e hidratação para que os minerais não percam água. Isto sugere que alguma mistura de condições especiais, ainda não determinadas, deve estar presente em Valles Marineris para assim preservar a água - ou que está de alguma forma a ser reabastecida.
"Esta descoberta é um primeiro passo surpreendente, mas precisamos de mais observações para saber ao certo com que forma de água estamos a lidar," acrescenta o coautor Håkan Svedhem do ESTEC da ESA nos Países Baixos, antigo cientista do projeto ExoMars TGO da ESA.
"Independentemente do resultado, a descoberta demonstra as capacidades inigualáveis dos instrumentos da TGO ao permitir-nos 'ver' abaixo da superfície de Marte - e revela um grande reservatório de água, não muito profundo e facilmente explorável nesta região de Marte."
Impressão de artista da sonda TGO, pertencente à missão ExoMars, em Marte.
Crédito: ESA/ATG medialab
Exploração futura
Dado que a maioria das futuras missões a Marte planeia aterrar a latitudes mais baixas, a localização de um tal reservatório de água aqui é uma perspetiva excitante para exploração futura.
Embora a Mars Express tenha encontrado vestígios de água subterrânea mais profunda nas latitudes médias de Marte, juntamente com lagos subterrâneos de água líquida sob o polo sul de Marte, estes potenciais reservatórios encontram-se até alguns quilómetros abaixo do solo, tornando-se menos exploráveis e acessíveis à exploração do que qualquer outro encontrado logo abaixo da superfície.
A descoberta também torna Valles Marineris um alvo ainda mais promissor para futuras missões de exploração humana ao planeta. O maior desfiladeiro do Sistema Solar, Valles Marineris é sem dúvida a paisagem mais dramática de Marte, e uma característica que é frequentemente comparada com o Grand Canyon da Terra - apesar de ser cerca de dez mais longo e cinco vezes mais profundo.
"Este resultado demonstra realmente o sucesso do programa conjunto ExoMars da ESA-Roscosmos," diz Colin Wilson, cientista do projeto ExoMars Trace Gas Orbiter da ESA.
"Saber mais sobre como e onde existe atualmente água em Marte é essencial para compreender o que aconteceu à água outrora abundante de Marte, e ajuda à nossa busca por ambientes habitáveis, possíveis sinais de vida passada, e materiais orgânicos dos primeiros dias de Marte."
A sonda TGO descolou em 2016 como o primeiro de dois lançamentos no âmbito do programa ExoMars. Ao orbitador juntar-se-á em 2022 um rover europeu, o Rosalind Franklin, e um módulo de aterragem russo, o Kazachok, e todos vão trabalhar em conjunto para compreender se alguma vez existiu vida em Marte.
Gaia encontra braços espirais fósseis na Via Láctea
Uma equipa internacional de astrónomos, liderada pelo investigador Chervin Laporte do Instituto de Ciências do Cosmos da Universidade de Barcelona, utilizou dados da missão espacial Gaia para criar um novo mapa do disco externo da Via Láctea. Curiosamente, as estruturas recentemente encontradas incluem provas de braços espirais fósseis. A equipa publicou o novo trabalho num artigo da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
Mapa de todo o céu que mostra o movimento da Via Láctea, recorrendo aos dados do Gaia. As áreas com movimento significativo são mostradas a preto/púrpura e aquelas com movimento relativamente baixo a amarelo. Várias estruturas de discos filamentosos de grande escala são evidentes sobre o plano médio. O mapa também mostra as nuvens de Magalhães e a sua ponte estelar de ligação à esquerda, enquanto a galáxia anã de Sagitário, atualmente a ser dilacerada, pode ser vista à direita (corpo principal).
Crédito: Laporte et al.
A equipa analisou os dados de movimento recolhidos pelo Gaia, disponíveis desde dezembro de 2020, para identificar estruturas coerentes. O seu mapa resultante revelou a existência de muitas estruturas filamentosas e giratórias anteriormente desconhecidas na orla do disco. Também deu uma visão global mais nítida de estruturas anteriormente conhecidas. As simulações numéricas preveem que tais estruturas filamentares se formem no disco externo a partir de interações passadas com galáxias satélites, mas a enorme quantidade de subestruturas reveladas por este mapa não era esperada e permanece um mistério.
O que podem ser estas estruturas? Uma possibilidade é que são os remanescentes de braços do disco da Via Láctea excitados em diferentes momentos por várias galáxias satélites. A nossa Galáxia está agora rodeada por 50 destes satélites e já absorveu várias outras galáxias no seu passado. Atualmente, pensa-se que a Via Láctea esteja a ser perturbada pela galáxia anã de Sagitário, mas no seu passado mais distante interagiu com outra intrusa, de nome Salsicha Gaia, que agora dispersou os seus detritos na periferia da nossa Galáxia.
Num estudo anterior, a mesma equipa mostrou que uma das estruturas filamentares no disco externo, a Corrente do Anticentro, tinha estrelas predominantemente com mais de 8 mil milhões de anos. Isto torna-a potencialmente demasiado velha para ter sido excitada apenas por Sagitário e, ao invés, aponta para a Salsicha Gaia.
Outra possibilidade é que nem todas estas estruturas sejam verdadeiros braços espirais fósseis, mas em vez disso formem as "cristas" de distorções verticais em grande escala no disco da Via Láctea. "Pensamos que os discos respondem aos impactos de galáxias satélites, o que cria ondas verticais que se propagam com ondulações num lago," diz Laporte.
Para tentar distinguir entre as duas explicações, a equipa assegurou agora um programa dedicado de acompanhamento com o Telescópio William Herschel nas Ilhas Canárias a fim de estudar as propriedades das populações estelares em cada subestrutura. Os futuros levantamentos vão ajudar a esclarecer a natureza e a origem destas finas estruturas celestes.
Laporte comenta as suas descobertas: "Tipicamente, esta região da Via Láctea tem permanecido pouco explorada devido à poeira interveniente que obscurece severamente a maior parte do plano Galáctico". Ele acrescenta: "Ao passo que a poeira afeta a luminosidade de uma estrela, o seu movimento permanece inalterado. Ficámos certamente muito entusiasmados ao ver que os dados dos movimentos, pelo Gaia, ajudaram-nos a desvendar estas estruturas filamentares! Resta agora o desafio de descobrir o que são exatamente estas coisas, a sua origem, porque é que existem em tão grande número, e o que nos podem dizer sobre a Via Láctea, sobre a sua formação e evolução."
Como a missão Psyche da NASA vai explorar um mundo inexplorado (via JPL/NASA)
Com lançamento previsto para agosto de 2022 e chegando à cintura de asteroides em 2026, a nave espacial Psyche da NASA irá orbitar um mundo que mal conseguimos localizar da Terra e que nunca visitámos. O alvo da missão Psyche da NASA - um asteroide rico em metais, também chamado Psyche, na cintura principal entre Marte e Júpiter - é um mundo inexplorado no espaço exterior. A partir de telescópios terrestres e espaciais, o asteroide aparece como um borrão difuso. O que os cientistas sabem, a partir de dados de radar, é que tem a forma de uma batata e que gira de lado. Ler fonte
Álbum de fotografias - M1: Nebulosa do Caranguejo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Michael Sherick
A Nebulosa do Caranguejo está catalogada como M1, o primeiro da famosa lista de objetos que não são cometas criada pelo famoso astrónomo do século XVIII, Charles Messier. De facto, sabe-se agora que M1 é o remanescente de uma supernova, uma nuvem de detritos em expansão resultante da explosão de uma estrela massiva, testemunhada por astrónomos no ano 1054. Esta imagem telescópica nítida e captada do solo combina dados de cor de banda larga com dados de banda estreita que rastreiam a emissão de enxofre ionizado, hidrogénio e átomos de oxigénio para explorar os filamentos emaranhados dentro da nuvem ainda em expansão. Um dos objetos mais exóticos conhecidos pelos astrónomos modernos, o Pulsar de Caranguejo, uma estrela de neutrões que gira 30 vezes por segundo, é visível como um ponto brilhante perto do centro da imagem. Como um dínamo cósmico, este remanescente colapsado do núcleo estelar alimenta a emissão do Caranguejo em todo o espectro eletromagnético. Abrangendo cerca de 12 anos-luz, a Nebulosa do Caranguejo encontra-se a 6500 anos-luz de distância na direção da constelação de Touro.
Centro Ciência Viva do Algarve
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Telefone: 289 890 922
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8800-311, Tavira
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