Apresentação às Estrelas | Super Luas Data: 8 de junho de 2022 Hora: 21:30-23:30 Local:Centro Ciência Viva do Algarve
Nesta sessão iremos tentar perceber como é que a órbita lunar torna as próximas duas luas cheias "mais super" do que as restantes do ano! Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis. Pré-inscrição:siga este link Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 17/05: 137.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1836 nascia J. Norman Lockyer, descobridor do elemento hélio em 1868. J. N. L. fazia estudos espectrais do Sol quando atribuíu linhas desconhecidas de absorção ao novo elemento, só "descoberto" na Terra em 1891.
Sir Lockyer também é conhecido como o Pai da Arqueoastronomia. Foi um dos primeiros a propôr cientificamente que Stonehenge era um observatório astronómico e que as pirâmides do Egipto e as grandes catedrais Cristãs medievais foram construídas ao longo de orientações astronómicas importantes.
Em 1882 um cometa foi descoberto em fotografias da coroa solar tiradas durante um eclipse total; o cometa nunca mais foi visto. Provavelmente era um "suicida", em rota de colisão com o Sol.
Em 1969, a soviética Venera 6 começa a sua descida pela atmosfera de Vénus, enviando dados atmosféricos antes de ser destruída pela pressão. Observações: Arcturo, alta a sudeste, forma a extremidade inferior do longo e estreito asterismo do "papagaio-de-papel": a parte central de Boieiro. O papagaio-de-papel estende-se para cima e para a esquerda de Arcturo, com a sua secção superior um pouco torta. Mede 23º de comprimento: cerca de dois punhos à distância do braço esticado.
Dia 18/05: 138.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1048, nascia Omar Khayyám, astrónomo, matemático, filósofo e poeta persa. Foi um dos grandes astrónomos da época medieval, que contribuiu muito para a reforma do calendário e que por vezes é tido como proponente da teoria heliocêntrica.
Em 1711, nascia Ruder Josip Boscovic, físico, astrónomo, matemático, filósofo, diplomata, poeta, teólogo e padre jesuita, da república de Ragusa (atualmente Croácia). Produziu um percursor da teoria atómica e fez muitas contribuições para a astronomia, incluindo o primeiro procedimento geométrico para a determinação do equador de um planeta em rotação e da computação da órbita de um planeta. Em 1753, descobriu a ausência de atmosfera na Lua.
Em 1910, a Terra passa pela cauda do cometa Halley.
Em 1969 era lançada a Apollo 10, a quarta missão tripulada do programa Apollo, que foi a segunda a orbitar a Lua.
A Apollo 10 detém o recorde da maior velocidade já atingida por um veículo tripulado: 39.896 km/h. Este foi atingido durante o regresso da Lua a 26 de maio de 1969.
Em 2005, uma segunda foto do Hubble confirmava que Plutão tinha mais duas luas: Nix e Hidra. Atualmente, conhecem-se cinco no total. Observações: Arcturo é uma gigante amarelo-alaranjada do tipo espectral K1.5 III. Para baixo e para a direita de Arcturo, a três punhos à distância do braço esticado, está a primaveril Espiga, que sem dúvida contrasta com Arcturo (binóculos ajudam).
Para baixo e para a esquerda de Espiga, a um punho ou mais, está o padrão de quatro estrelas que perfaz a constelação de Corvo.
Dia 19/05: 139.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, a Venera 1 torna-se o primeiro objeto feito por humanos a passar por outro planeta, Vénus.
A sonda tinha perdido o contacto com a Terra um mês antes e não enviou nenhuns dados de volta.
Em 1971, lançamento da sonda Mars 2 (União Soviética). A 27 de novembro do mesmo ano, alcança Marte e continua a enviar dados até 1972. Era suposto também aterrar um "lander", mas colidiu com a superfície devido a uma avaria nos foguetes de travagem. Observações:Esta é a altura do em que Leão começa a descer em direção ao horizonte a oeste, a caminho de desvanecer entre o brilho do pôr-do-Sol no início do verão. Após o anoitecer, aviste a sua estrela mais brilhante, Régulo, razoavelmente alta a oeste-sudoeste. Régulo assinala a pata dianteira de Leão.
Observada uma explosão numa anã branca
Quando estrelas como o nosso Sol utilizam todo o seu combustível, encolhem para formar anãs brancas. Por vezes, essas estrelas mortas voltam à vida numa explosão superquente e produzem uma bola de fogo de raios-X. Uma equipa de investigação de vários institutos alemães pôde agora observar pela primeira vez uma tal explosão de raios-X.
"Foi, até certo ponto, uma feliz coincidência," explica Ole König do Instituto Astronómico da Universidade de Erlangen-Nuremberga no observatório Dr. Karl Remeis em Bamberg, que publicou um artigo sobre esta observação na reputada revista Nature, juntamente com o professor Dr. Jörn Wilms e uma equipa de investigação do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre, da Universidade de Tubinga, da Universidade Politécnica da Catalunha em Barcelona e do Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam. "Estes flashes de raios-X duram apenas algumas horas e são quase impossíveis de prever; e o instrumento de observação tem que estar apontado diretamente para a explosão na altura certa," explica o astrofísico.
Impressão de artista de uma bola de fogo de raios-X numa estrela anã branca.
Crédito: Colaboração eROSITA/Annika Kreikenbohm
O instrumento neste caso é o telescópio de raios-X eROSITA, que se encontra atualmente a um milhão e meio de quilómetros da Terra e tem vindo a vigiar o céu em busca de raios-X suaves desde 2019. No dia 7 de julho de 2020 mediu fortes raios-X numa área do céu que tinha sido completamente inconspícua quatro horas antes. Quando o telescópio de raios-X examinou a mesma posição no céu quatro horas mais tarde, a radiação tinha desaparecido. Deduz-se que o flash de raios-X que anteriormente tinha sobre-exposto o centro do detetor deve ter durado menos de oito horas.
Explosões de raios-X como esta foram previstas pela investigação teórica há mais de 30 anos, mas nunca tinham sido observadas diretamente até agora. Estas bolas de fogo de raios-X ocorrem na superfície de estrelas que eram originalmente comparáveis em tamanho ao Sol antes de utilizarem a maior parte do seu combustível feito de hidrogénio e mais tarde hélio no interior dos seus núcleos. Estes corpos estelares encolhem até que permaneçam "anãs brancas", que são semelhantes à Terra em tamanho, mas contêm uma massa que pode ser semelhante à do nosso Sol. "Uma forma de imaginar estas proporções é pensar que o Sol tem o mesmo tamanho de uma maçã, o que significa que a Terra teria o mesmo tamanho que uma cabeça de alfinete orbitando à volta da maçã a uma distância de 10 metros," explica Jörn Wilms.
"Estas chamadas 'novas' são muito comuns, mas a sua deteção durante os primeiros momentos em que a maior parte da emissão de raios-X é produzida é realmente difícil," acrescenta o Dr. Victor Doroshenko da Universidade de Tubinga. "Não só a curta duração de um flash é um desafio, mas também o facto do espectro de raios-X emitidos ser muito suave. Os raios-X suaves não são muito energéticos e são facilmente absorvidos pelo meio interestelar, pelo que não podemos ver muito longe nesta banda, o que limita o número de objetos observáveis, seja uma nova ou uma estrela vulgar. Os telescópios são normalmente concebidos para serem mais eficazes em raios-X mais duros, onde a absorção é menos importante e essa é exatamente a razão pela qual perderiam um evento como este!", conclui Victor Doroshenko.
Os corpos estelares assemelham-se a pedras preciosas
Por outro lado, se encolhêssemos uma maçã ao tamanho de uma cabeça de alfinete, esta partícula minúscula reteria a massa comparativamente grande da maçã. "Uma colher de chá de matéria do interior de uma anã branca tem facilmente a mesma massa que um grande camião," continua Jörn Wilms. Uma vez que estas estrelas queimadas são principalmente constituídas por oxigénio e carbono, podemos compará-las com diamantes gigantescos que têm o mesmo tamanho que a Terra flutuando no espaço. Estes objetos sob a forma de pedras preciosas são tão quentes que brilham de branco. Contudo, a radiação é tão fraca que é difícil de detetar da Terra.
A menos que a anã branca seja acompanhada por uma estrela que ainda esteja a arder, ou seja, ainda "viva", e quando a enorme a atração gravitacional da anã branca retira hidrogénio da casca de material dessa estrela que a acompanha. "Com o tempo, este hidrogénio pode recolher-se para formar uma camada de apenas alguns metros de espessura na superfície da anã branca," explica o astrofísico Jörn Wilms. Nesta camada, a enorme força gravitacional gera uma enorme pressão que é tão grande que faz com que a estrela se reacenda. Numa reação em cadeia, em breve ocorre uma explosão durante a qual a camada de hidrogénio é expelida. Os raios-X de uma explosão como esta é o que atingiu os detetores do eROSITA no dia 7 de julho de 2020, produzindo uma imagem sobre-exposta.
"A origem física da emissão de raios-X que vem das atmosferas das anãs brancas é relativamente bem compreendida e podemos modelar os seus espectros a partir dos primeiros princípios e em requintados detalhes. A comparação de modelos com observações permite depois aprender propriedades básicas destes objetos, como a massa, o tamanho ou a composição química," explica o Dr. Valery Suleimanov da Universidade de Tubinga. "O problema neste caso em particular foi, contudo, que após 30 anos sem fotões, de repente tivemos demasiados, o que distorceu a resposta espectral do eROSITA, que foi concebido para detetar milhões de objetos muito fracos em vez de um, mas muito brilhante," acrescenta Victor Doroshenko.
"Usando os cálculos do modelo, que elaborámos originalmente enquanto apoiávamos o desenvolvimento do instrumento de raios-X, fomos capazes de analisar a imagem sobre-exposta com mais detalhe durante um processo complexo para obter uma visão dos bastidores de uma explosão de uma anã branca," explica Jörn Wilms.
De acordo com os resultados, a anã branca tem mais ou menos a massa do nosso Sol e é, portanto, relativamente grande. A explosão gerou uma bola de fogo com uma temperatura de aproximadamente 327.000º C, tornando-se cerca de sessenta vezes mais quente do que o Sol. "Estes parâmetros foram obtidos através da combinação de modelos de radiação de raios-X com os modelos de radiação emitida pelas anãs brancas muito quentes criados em Tubinga por Valery Suleimanov e Victor Doroshenko, e uma análise muito profunda da resposta do instrumento num regime muito fora das especificações realizada na Universidade de Erlangen-Nuremberga e no Instituto Max Planck para Física Extraterrestre. Penso que ilustra muito bem a importância da colaboração na ciência moderna e a vasta gama de conhecimentos dentro do consórcio alemão eROSITA," acrescenta o prof. Dr. Klaus Werner da Universidade de Tubinga.
Uma vez que estas novas ficam sem combustível muito rapidamente, arrefecem rapidamente e os raios-X tornam-se mais fracos até que eventualmente se tornam luz visível, que atingiu a Terra meio dia após a deteção do eROSITA e foi observada por telescópios óticos. "Apareceu então uma estrela aparentemente brilhante, que era na realidade a luz visível da explosão e tão brilhante que podia ser vista no céu noturno a olho nu," explica Ole König. Aparentemente, estrelas como esta foram observadas no passado e foram chamadas "nova stella" ou "estrela nova" por causa do seu aparecimento inesperado. Uma vez que estas novas só são visíveis após o flash de raios-X, é muito difícil prever tais surtos e é principalmente por acaso que atingem os detetores de raios-X. "Tivemos muita sorte," conclui Ole König.
Fazendo sentido do que não faz sentido: os buracos negros e a biblioteca de simulações
A Colaboração internacional EHT (Event Horizon Telescope) obteve uma segunda imagem de um buraco negro - desta vez no centro da nossa própria galáxia, a Via Láctea. Mas para dar significado à imagem, a colaboração teve de a comparar com simulações do buraco negro.
Depois de mobilizar mais de 300 cientistas e engenheiros para estabelecer uma rede de telescópios sincronizados que formam um telescópio virtual do tamanho da Terra, a Colaboração internacional EHT capturou as primeiras imagens de sempre de buracos negros supermassivos. A primeira imagem, do buraco negro no centro da galáxia Messier 87, foi divulgada em 2019. A imagem mais recente, anunciada na passada quinta-feira, mostra o buraco negro no centro da nossa própria galáxia, a Via Láctea, chamado Sagitário A*.
Esta é a primeira imagem de Sagitário A*, o buraco negro supermassivo no centro da nossa Galáxia.
Crédito: Colaboração EHT
Mas o que acontece depois destas imagens serem capturadas?
"A obtenção de uma imagem é apenas o começo. Para compreender realmente o objeto que estamos a observar, tivemos de o comparar com simulações", disse Chi-Kwan "CK" Chan, professor associado de investigação no Observatório Steward, da Faculdade de Ciências da Universidade do Arizona. Chan é o secretário do conselho científico do EHT e investigador sénior do projeto internacional BH PIRE (Black Hole Partnerships for International Research and Education), que trabalha no desenvolvimento de infraestruturas para dar início a projetos astronómicos como o EHT na era da ciência de dados gigantescos.
Chan é também um líder dos esforços de modelação teórica e interpretação da colaboração EHT para Sagitário A*, o tema da foto mais recente e de uma série de artigos científicos publicados pela Colaboração EHT na revista The Astrophysical Journal Letters. Coordenou o quinto artigo, que se centra na criação de simulações do buraco negro e na sua transformação em imagens sintéticas que podem ser comparadas com observações reais para nos ensinar algo novo sobre o buraco negro.
Como resultado deste processo, os cientistas do EHT determinaram que Sagitário A* está provavelmente a girar e que tem um campo magnético ligeiramente mais forte do que um íman de frigorífico, que é suficiente para empurrar para longe o gás próximo. O gás que cai no buraco negro forma um disco que, da Terra, parece ser visto de face e não de lado. Este disco de brilho difuso é constituído por gás superaquecido, ou plasma, e partículas carregadas. Os eletrões são 100 vezes mais frios do que os iões no plasma e o disco gira na mesma direção que o buraco negro. Além disso, apenas uma parte deste material cai no buraco negro. Se Sgr A* fosse uma pessoa, consumiria um único grão de arroz a cada milhão de anos.
Encontrando significado
A Universidade do Arizona, juntamente com a Universidade de Illinois e a Universidade de Harvard, lideraram o esforço para criar a maior coleção de simulações até à data, a que a Colaboração EHT chama a biblioteca de simulação. Esta biblioteca é constituída por milhares de conjuntos de dados - contendo informações sobre como o plasma interage com os campos magnéticos em torno de buracos negros - e milhões de imagens simuladas. Cada simulação assume algo diferente sobre as propriedades e características do buraco negro e do seu ambiente circundante.
Os cientistas do EHT podem comparar cada imagem simulada com a imagem real do buraco negro para encontrar uma correspondência. A simulação que cria o instantâneo com a correspondência mais próxima pode ensinar-nos algo sobre o buraco negro real, incluindo a temperatura do plasma e a força do seu campo magnético.
O processo de simulação envolve a utilização de supercomputadores para resolver o que se chama de equações magneto-hidrodinâmicas relativistas gerais (ou MHDRG), que revelam o movimento de material e energia em torno de buracos negros dentro de um espaço e tempo dramaticamente deformados. As simulações MHDRG são semelhantes às simulações usadas para compreender como o ar flui em torno de naves espaciais, disse Chan, mas as simulações MHDRG também influenciam as forças extremas da gravidade como descrito pela teoria da relatividade geral de Einstein e a interação entre os campos magnéticos e o plasma.
Uma vista entre duas filas de servidores Frontera no TACC (Texas Advanced Computing Center), onde Chi-Kwan "C.K." Chan da Universidade do Arizona é o investigador principal.
Crédito: TACC
Ao contrário de equações mais simples, que podem ser resolvidas com lápis, papel e tempo, as equações MHDRG são muito mais complexas, pois são responsáveis pelo feedback constante entre os campos magnéticos e o plasma, resultando numa equação em constante mudança.
Para criar a biblioteca de simulações, a Colaboração EHT precisou de 80 milhões de horas de tempo de CPU, tempo de processamento, o que equivale a correr 2000 computadores portáteis à velocidade máxima durante um ano inteiro. A colaboração efetuou os cálculos para criar a biblioteca com o supercomputador Frontera no TACC (Texas Advanced Computing Center), financiado pela NSF (National Science Foundation), onde Chan é o principal investigador na alocação de parcerias a grande escala. Com este recurso, a equipa pôde terminar a biblioteca de simulações em dois meses.
"Para comparar simulações como esta com observações EHT, precisamos de fazer cálculos adicionais para traduzir os dados MHDRG também em imagens," disse Chan. "Estes tipos de cálculos são chamados de traçado de raios relativista geral."
O EHT foi concebido para detetar um comprimento de onda específico - 1,3 milímetros - no rádio a partir do buraco negro no Centro Galáctico. Para simular estas ondas de rádio e criar imagens, os cientistas traçam o caminho que a luz percorreu de volta ao buraco negro, mais uma vez utilizando supercomputadores.
Chan liderou grande parte dos esforços de cálculo do traçado de raios para Sagitário A* através do CyVerse, uma ciberinfraestrutura nacional com sede na Universidade do Arizona, e do Open Science Grid da NSF, um consórcio para o cálculo de grandes quantidades de dados. A equipa da Universidade do Arizona não só liderou o esforço para adquirir os recursos computacionais para executar estas simulações, como também criou o software que facilitou os cálculos.
O produto final são muitas animações e imagens simuladas de um buraco negro produzidas por diferentes suposições acerca da física subjacente. A equipa compara então essas animações e imagens com buracos negros reais.
A Colaboração EHT criou muitas possíveis imagens de Sagitário A* utilizando traçado de raios, uma técnica que prevê o aspeto dos buracos negros com base na Teoria da Relatividade Geral de Einstein. As imagens aqui mostradas foram criadas por Chi-kwan Chan, da Universidade do Arizona, no CyVerse e no Open Science Grid e visualizadas por Ben Prather da Universidade de Illinois, como parte de uma maior biblioteca de simulação organizada pelo Grupo de Trabalho Teórico do EHT.
Crédito: Colaboração
EHT
Mais para aprender
Os estudantes da Universidade do Arizona desempenharam um papel importante em tornar a comparação possível. Yuan Jea Hew, recém-graduado que estudou astronomia, e Anthony Hsu, estudante no segundo ano de informática e matemática aplicada, desenvolveram algoritmos de análise de dados para tornar a comparação possível.
A colaboração baseou-se em 11 testes diferentes que as simulações do buraco negro tiveram de passar a fim de corresponder suficientemente ao buraco negro real.
"É notável que compreendemos Sagitário A* tão bem que temos alguns modelos aprovados em 10 dos 11 testes," disse Chan.
Os testes consideraram variáveis como o brilho de certos comprimentos de onda, o tamanho da imagem e o tamanho e largura do anel incandescente que rodeia o buraco negro.
"No entanto, nenhum modelo passou nos 11 testes," disse Chan. O teste que os modelos tiveram mais dificuldade em vencer foi o da variabilidade, que mede quanto o buraco negro muda de momento para momento. As simulações são mais variáveis do que o verdadeiro Sagitário A*.
"Não importa quanto tempo corramos as simulações para as deixar 'assentar', a maioria das simulações ainda falhou nesse teste," disse Chan. "Não correspondem bem à realidade, mas penso que isto é mais excitante do que se tudo simplesmente funcionasse. Agora, podemos aprender alguma nova física e compreender melhor o nosso próprio buraco negro."
Os professores da Universidade do Arizona que trabalham para compreender os buracos negros têm vindo a enfrentar este desafio há décadas e fizeram parte dos grupos de investigação que identificaram o buraco negro no centro da Via Láctea e o do centro da galáxia Messier 87 como alvos ideais de estudo. A universidade também contribuiu com dois dos oitos telescópios da rede EHT usados para criar estas imagens - o SMT (Submillimeter Telescope) no Monte Graham, no estado norte-americano do Arizona, e o SPT (South Pole Telescope) na Antártida. Em 2019, a Universidade do Arizona também adicionou o telescópio de 12 metros em Kitt Peak, igualmente no Arizona, à rede global.
O buraco negro da Via Láctea foi o "grito de nascimento" da radioastronomia
A primeira imagem do buraco negro supermassivo no centro da nossa Galáxia, a Via Láctea, traz a radioastronomia de volta ao seu local de nascimento celeste. O EHT (Event Horizon Telescope), uma coleção mundial de radiotelescópios de ondas milimétricas, fez a nova imagem marcante da mesma região da qual vieram as primeiras ondas de rádio cósmicas alguma vez detetadas. Essa deteção, pelo engenheiro dos Laboratórios Bell Telephone, Karl Jansky, em 1932, foi o início da radioastronomia.
À esquerda está uma imagem, pelo VLA (Very Large Array), da região central da Via Láctea. O ponto brilhante marcado pelo círculo é Sagitário A*, onde se encontra o buraco negro central da nossa Galáxia. À direita, a primeira imagem do buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia, a Via Láctea, traz a radioastronomia de volta ao seu local de nascimento celeste.
Crédito: NRAO/AUI/NSF, Colaboração EHT
A nova imagem EHT é o culminar de uma longa história de investigação da Via Láctea, começando com Galileu Galilei, que usou o seu telescópio em 1610 para descobrir que a nossa Galáxia, que aparece como nuvens a olho nu, é na realidade composta por estrelas. Em 1785, o astrónomo britânico William Herschel produziu um mapa rudimentar da Via Láctea.
Em 1918, o astrónomo americano Harlow Shapley localizou o centro da Via Láctea, utilizando a ferramenta de medição de distâncias recentemente descoberta, fornecida pelas estrelas variáveis cefeidas, para determinar que um halo de enxames globulares que rodeia a Via Láctea está centrado numa região na direção da constelação de Sagitário. Essa região é escondida dos telescópios óticos por nuvens espessas de gás e poeira.
Jansky foi contratado pelos Laboratórios Bell em 1928 e encarregado de determinar as fontes de ruído que interferiam com as comunicações radiofónicas de ondas curtas. Concebeu uma antena altamente direcional e em 1932 tinha identificado uma série de fontes de ruído. No entanto, um mistério permaneceu - "um silvo estático e muito estável cuja origem não é conhecida."
Karl Jansky, ao lado da antena altamente direccional que utilizava para localizar as fontes estáticas de rádio, incluindo a proveniente do centro da nossa Galáxia, a Via Láctea.
Crédito: NRAO/AUI/NSF
A hora do dia em que este silvo aparecia mudava com as estações. Por sugestão de um amigo astrónomo, Jansky consultou alguns livros de astronomia e em dezembro de 1932 concluiu que o estranho ruído vinha "de fora do Sistema Solar". Anunciou esta descoberta num artigo que apresentou numa reunião em Washington, D.C., em abril de 1933. O seu anúncio apareceu na primeira página do jornal New York Times a 5 de maio de 1933.
Dez dias mais tarde, Jansky foi entrevistado numa rede de rádio nacional e disse ter localizado a posição, no céu, do ruído que havia encontrado e "isso parece confirmar o cálculo do Dr. Shapley de que as ondas de rádio parecem vir do centro de gravidade da nossa Galáxia."
Essa região seria mais tarde chamada Sagitário A, como a mais brilhante fonte de emissão de rádio naquela constelação. Em 1951, os radioastrónomos australianos reduziram ainda mais a origem da emissão no centro da Galáxia.
Em 1974, Bruce Balick e Robert Brown usaram o Interferómetro Green Bank do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) para descobrir um objeto muito brilhante e compacto ao qual Brown juntou mais tarde o nome Sagitário A* (acrescentando o asterisco). Um buraco negro tornou-se a principal explicação para o que alimenta a emissão rádio do objeto, abreviado Sgr A*. Em 1994, estudos infravermelhos e submilimétricos estimaram a massa do objeto em 3 milhões de vezes a massa do Sol.
Em 2002, uma equipa liderada por Reinhard Genzel do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre relatou um estudo de 10 anos do movimento orbital de uma estrela chamada S2 perto de Sgr A*. Esse estudo concluiu que o objeto central tem mais de 4 milhões de vezes a massa do Sol.
Em 2009, outra equipa relatou mais observações de órbitas estelares na região e concluiu que o objeto central é provavelmente um buraco negro porque não se conhece nenhum outro fenómeno que possa "empacotar" tanta massa num espaço tão pequeno. Este trabalho e outros estudos de Sgr A* ganharam o Prémio Nobel da Física em 2020 para Genzel e Andrea Ghez da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) por terem produzido "a evidência mais convincente até à data de um buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea."
A produção da Colaboração EHT de uma imagem consistente com as previsões teóricas do que deve ser visto em torno de um buraco negro torna o caso ainda mais convincente nos dias de hoje.
Cientistas cultivam planetas em solo lunar (via NASA)
Nos primeiros tempos da era espacial, os astronautas da Apollo participaram num plano visionário: Trazer amostras do material da superfície lunar, conhecido como rególito, de volta à Terra, onde poderiam ser estudadas com equipamento de última geração e guardadas para futuras pesquisas ainda não imaginadas. Cinquenta anos mais tarde, no início da era Artemis e no regresso tripulado à Lua, três dessas amostras foram utilizadas, com sucesso, para o cultivo de plantas. Pela primeira vez, os investigadores cultivaram a robusta e bem estudada Arabidopsis thaliana no rególito lunar pobre em nutrientes. Ler fonte
De que cor é a Lua? Depende da noite. Fora da atmosfera da Terra, a Lua escura, que brilha graças à luz solar refletida, aparece de um magnífico cinzento com tonalidade castanha. No entanto, vista de dentro da atmosfera da Terra, a Lua pode aparecer bastante diferente. A imagem em destaque salienta uma coleção de cores aparentes da Lua Cheia documentada por uma astrofotógrafa ao longo de 10 anos, de diferentes locais em toda a Itália. Uma Lua de cor vermelha ou amarela indica geralmente uma Lua vista perto do horizonte. Ali, alguma da luz azul foi dispersada por um longo percurso através da atmosfera terrestre, por vezes carregada com poeira fina. Uma Lua de cor azul é mais rara e pode indicar uma Lua vista através de uma atmosfera carregada de partículas de poeira maiores. Não é claro o que criou uma Lua púrpura - pode ser uma combinação de vários efeitos. A última imagem captura o eclipse lunar total de julho de 2018 - onde a Lua, na sombra da Terra, apareceu com um vermelho ténue - devido à luz refratada através do ar em torno da Terra. O eclipse lunar total que ocorreu apenas ontem também levou a algumas colorações lunares inesperadas.
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