Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão
Efemérides
Dia 29/07: 210.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1851, A. De Gasparis descobria o asteroide 15 Eunomia.
Em 1898, nascia o físico Isidor Isaac Rabi, que recebeu o prémio Nobel da Física em 1944, pelo seu método de ressonância para registar as propriedades magnéticas do núcleo atómico.
Em 2005, astrónomos anunciam a descoberta do planeta anão Éris. Observações: A Ursa Maior encontra-se na diagonal a noroeste após o cair da noite. A partir do seu ponto médio, olhe para a direita, cerca de três punhos à distância do braço esticado, para encontrar a Polar (de segunda magnitude, não é muito brilhante) brilhando a norte no mesmo lugar de sempre.
A Estrela Polar é o fim da "pega" da "frigideira" da Ursa Menor. As outras partes da Ursa Menor que são apenas de brilho modesto são as duas estrelas que perfazem a outra extremidade da "frigideira": Kochab e e Pherkad, de segunda e terceira magnitudes, respetivamente. Nestas noites encontrá-las-á para cima e para a esquerda da Polar (a mais ou menos punho e meio). São chamadas as Guardiãs do Polo, dado que rodeiam sem cessar a Polar ao longo da noite e ao longo do ano.
Dia 30/07: 211.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, os astronautas da Apollo 15 pousam na Lua.
Em 2020, lançamento da missão Mars 2020 (do rover Perseverance e do helicóptero Ingenuity) da NASA a bordo de um foguetão Atlas V a partir de Cabo Canaveral. Observações: Vire-se para sudeste depois do cair da noite. Olhe para pouco mais de metade da distância entre o horizonte e o zénite, e aí estará a estrela Altair, a mais brilhante naquela área. A um dedo à distância do braço esticado, para cima, está a sua pequena companheira Tarazed (Gamma Aquilae), duas magnitudes mais ténue e bem no plano de fundo. Tarazed é na realidade 100 vezes mais luminosa do que Altair - é uma gigante laranja - mas está a 390 anos-luz em comparação com apenas 17 anos-luz de Altair.
Para a esquerda de Altair, a um pouco mais de um punho à distância do braço esticado, está a pequena constelação de Golfinho, saltando para a esquerda no limite da Via Láctea.
Mais perto, para cima e para a esquerda de Altair, está a pequena constelação de Sagitta, ou Seta, mais fraca de se ver. A seta aponta para a esquerda. Binóculos ajudam com ambas as constelações.
Dia 31/07: 212.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a Ranger 7 envia as primeiras imagens detalhadas da Lua, 1000 vezes melhores do que quaisquer imagens telescópicas da altura.
Em 1969, a Mariner 6 passava a 3330 km de Marte. Transmite imagens de alta resolução da superfície, concentradas na região equatorial.
Em 1971, os astronautas da Apollo 15, David Scott e James Irwin, conduzem o primeiro rover lunar.
Em 1999, despenhava-se intencionalmente sobre a Lua a sonda Lunar Prospector, que pretendia encontrar água sob a crosta do nosso satélite natural. Observações: Com o passar do verão, Arcturo move-se para baixo a oeste. Arcturo forma a parte de baixo do "papagaio-de-papel" de Boieiro. Este "papagaio-de-papel" embora estreito, estende-se 23º para cima e para a direita de Arcturo, cerca de dois punhos à distância do braço esticado . O lado direito do "papagaio-de-papel" está amolgado, como se algum intruso celeste o tenha danificado.
Dia 01/08: 213.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1774, o elemento oxigénio é descoberto pela terceira (e última) vez.
Em 1818 nascia Maria Mitchell, a primeira mulher eleita como astrónoma pela Academia Americana de Artes e Ciências.
Ganhou notoriedade mundial pela descoberta de um cometa brilhante em 1847. Observações: Se usa um telescópio provavelmente está familiarizado(a) com Lira, que alberga Vega, o Duplo-Duplo e a Nebulosa do Anel, entre outros objetos. E Albireo está por perto, o bico de Cisne e um dos binários mais famosos do céu.
Mas entre Albireo e Lira, já observou o enxame globular M56? Com magnitude 8,3, pode até capaz de o detetar com grandes binóculos sob um céu escuro.
A estrela de neutrões mais massiva é uma "viúva negra" que consome a sua companheira
Uma estrela densa e colapsante, girando 707 vezes por segundo - o que a torna uma das estrelas de neutrões mais rápidas da Via Láctea - dilacerou e consumiu o equivalente a quase a sua massa total de uma companheira estelar e, no processo, cresceu até se tornar na estrela de neutrões mais massiva observada até à data.
A massa desta estrela de neutrões, que atinge 2,35 vezes a massa do Sol, ajuda os astrónomos a compreender o estranho estado quântico da matéria dentro destes objetos densos, que - se ficarem muito mais pesados - colapsam por completo e desaparecem como um buraco negro.
Uma estrela de neutrões girando periodicamente os seus feixes de rádio (verde) e de raios-gama (magenta) pela Terra nesta ilustração de um pulsar viúva negra. A estrela de neutrões/pulsar aquece o lado frontal da sua parceira estelar (à direita) a temperaturas duas vezes mais elevadas do que a superfície do sol e evapora-a lentamente.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
"Sabemos mais ou menos como a matéria se comporta a densidades nucleares, como no núcleo de um átomo de urânio", disse Alex Filippenko, professor de astronomia na Universidade da Califórnia, Berkeley. "Uma estrela de neutrões é como um núcleo gigante, mas quando temos 1,5 massas solares deste material, o que corresponde a cerca de 500.000 massas terrestres destes núcleos todos densamente agrupados, não é de todo claro como se irão comportar".
Roger W. Romani, professor de astrofísica na Universidade de Stanford, observou que as estrelas de neutrões são tão densas - 1 polegada cúbica tem mais de 10 mil milhões de toneladas - que os seus núcleos são a matéria mais densa do Universo, sem contar com os buracos negros que, por estarem escondidos atrás do seu horizonte de eventos, são impossíveis de estudar. A estrela de neutrões, um pulsar designado PSR J0952-0607 é, portanto, o objeto mais denso visível a partir da Terra.
A medição da massa da estrela de neutrões foi possível graças à sensibilidade extrema do Telescópio Keck I de 10 metros em Maunakea, Hawaii, que apenas conseguiu obter um espectro, no visível, da estrela companheira, agora reduzida ao tamanho de um grande planeta gasoso. As estrelas ficam a cerca de 3000 anos-luz da Terra na direção da constelação de Sextante.
Descoberto em 2017, PSR J0952-0607 é referido como um pulsar "viúva negra" - uma analogia à tendência das aranhas viúvas negras fêmeas de consumir o macho muito mais pequeno após o acasalamento. Filippenko e Romani estudam sistemas de viúvas negras há mais de uma década na esperança de estabelecer o limite superior das grandes estrelas de neutrões/pulsares.
"Ao combinar esta medição com as de outras viúvas negras, mostramos que as estrelas de neutrões devem atingir pelo menos esta massa, 2,35 +/- 0,17 massas solares", disse Romani, professor de física na Escola de Humanidades e Ciências de Stanford e membro do Instituto Kavli para Astrofísica de Partículas e Cosmologia. "Por sua vez, isto proporciona alguma das mais fortes restrições à propriedade da matéria em várias vezes a densidade vista nos núcleos atómicos. De facto, muitos outros modelos populares de física de matéria densa são excluídos por este resultado".
Se o valor de 2,35 massas solares estiver, efetivamente, perto do limite superior para as estrelas de neutrões, como os investigadores dizem, então é provável que o interior seja uma sopa de neutrões bem como de quarks "u" ou "d" - os constituintes de protões e neutrões normais - mas não matéria exótica, tais como quarks "estranhos" ou káons, que são partículas que contêm um quark estranho.
"Uma massa máxima elevada para as estrelas de neutrões sugere que se trata de uma mistura de núcleos e dos seus quarks u e d dissolvidos até ao núcleo", disse Romani. "Isto exclui muitos estados de matéria propostos, especialmente aqueles com composição interior exótica".
Romani, Filippenko e o estudante de Stanford Dinesh Kandel são coautores de um artigo que descreve os resultados da equipa, aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal Letters.
Os astrónomos mediram a velocidade de uma estrela fraca (círculo verde) que foi despida de quase toda a sua massa por uma companheira invisível, uma estrela de neutrões/pulsar de milissegundo que determinaram ser a mais massiva já encontrada e que talvez corresponda ao limite superior das estrelas de neutrões.
Crédito: Observatório W. M. Keck, Roger W. Romani, Alex Filippenko
Quão grandes podem ficar?
Os astrónomos geralmente concordam que quando uma estrela com um núcleo maior do que cerca de 1,4 massas solares colapsa no final da sua vida, forma um objeto denso e compacto com um interior sob uma pressão tão elevada que todos os átomos são esmagados para formar um mar de neutrões e dos seus constituintes subnucleares, quarks. Estas estrelas de neutrões nascem com rotação e, embora demasiado fracas para serem vistas no espectro ótico, revelam-se como pulsares, emitindo feixes de radiação - ondas de rádio, raios-X ou mesmo raios-gama - que "piscam" à Terra à medida que giram, tal como o feixe de luz de um farol.
Os pulsares "normais" giram e piscam cerca de uma vez por segundo, em média, uma velocidade que pode ser facilmente explicada dada a rotação normal de uma estrela antes do seu colapso. Mas alguns pulsares repetem-se centenas ou até 1000 vezes por segundo, o que é difícil de explicar, a menos que a matéria tenha caído sobre a estrela de neutrões e a tenha acelerado. Mas para alguns pulsares de milissegundo, não é visível qualquer companheira.
Uma possível explicação para os pulsares de milissegundo isolados é que cada um deles já teve uma companheira estelar, mas que a despojou até nada restar.
"O percurso evolutivo é absolutamente fascinante. Ponto de exclamação duplo", disse Filippenko. "À medida que a estrela companheira evolui e começa a tornar-se uma gigante vermelha, o material 'transborda' para a estrela de neutrões e isso faz acelerar a sua rotação. Torna-se agora incrivelmente energizada e um vento de partículas começa a sair da estrela de neutrões. Esse vento atinge a estrela dadora, começa a retirar material e, com o tempo, a massa da estrela dadora diminui para a de um planeta. E, se ainda mais tempo passar, desaparece por completo. E é assim que se podem formar pulsares de milissegundo solitários. Não começaram sozinhos - tinham de ter estado num binário - mas evaporaram gradualmente as suas companheiras e agora são solitários".
O pulsar PSR J0952-0607 e a sua fraca estrela companheira apoiam esta história de origem para os pulsares de milissegundo.
"Estes objetos semelhantes a planetas são os remanescentes de estrelas normais que contribuíram com massa e momento angular, acelerando a rotação dos seus companheiros pulsar para períodos de milissegundos e aumentando a sua massa no processo", disse Romani.
"Num caso de ingratidão cósmica, o pulsar viúva negra, que devorou uma grande parte da sua companheira, aquece agora e evapora a companheira para massas planetárias e talvez para a aniquilação completa", explicou Filippenko.
A descoberta de pulsares viúva negra em que a companheira é pequena, mas não demasiado pequena para ser detetada, é uma das poucas formas de determinar a massa da estrela de neutrões. No caso deste sistema binário, a estrela companheira - agora com apenas 20 vezes a massa de Júpiter - é distorcida pela massa da estrela de neutrões e tem bloqueio de maré, semelhante à forma como a nossa Lua mostra apenas um lado à Terra. O lado virado para a estrela de neutrões é aquecido a temperaturas que rondam 6200 K, um pouco mais quente do que o nosso Sol, e apenas brilhante o suficiente para se ver com um grande telescópio.
Filippenko e Romani apontaram o telescópio Keck I para PSR J0952-0607 em seis ocasiões ao longo dos últimos quatro anos, cada vez observando com o LRIS (Low Resolution Imaging Spectrometer) em exposições de 15 minutos para apanhar a companheira fraca em pontos específicos da sua órbita de 6,4 horas em torno do pulsar. Ao comparar os espectros com aqueles de estrelas semelhantes ao Sol, foram capazes de medir a velocidade orbital da estrela companheira e calcular a massa da estrela de neutrões.
Filippenko e Romani examinaram até agora cerca de uma dúzia de sistemas de viúva negra, embora apenas seis tivessem estrelas companheiras suficientemente brilhantes para permitir calcular uma massa. Todos envolveram estrelas de neutrões menos massivas do que o pulsar PSR J0952-0607. Esperam estudar mais pulsares viúva negra, bem como as suas primas "de lista vermelha" (o equivalente australiano à viúva negra, as chamadas "redbacks"), que têm companheiras mais próximas com um-décimo da massa do Sol; e o que Romani classificou de "tidarrens" - onde a companheira tem cerca de um-centésimo de uma massa solar - em honra a um parente da aranha viúva negra. O macho desta espécie, Tidarren sisyphoides, tem cerca de 1% do tamanho da fêmea.
"Podemos continuar a procurar viúvas negras e estrelas de neutrões semelhantes que 'patinam' ainda mais perto do limite superior de massa, perto do buraco negro. Mas se não encontrarmos mais nenhuma, reforça o argumento de que 2,3 massas solares é o verdadeiro limite, para além do qual se tornam buracos negros", disse Filippenko.
"Isto está mesmo no limite do que o telescópio Keck consegue fazer, portanto, salvo condições de observação fantásticas, uma melhor determinação da massa de PSR J0952-0607 provavelmente só na era dos telescópios de 30 metros", acrescentou Romani.
Telescópios ajudam a descobrir as origens de GRBs "náufragos"
Uma série de explosões de raios-gama (ou em inglês GRB - gamma-ray burst) aparecem como flashes solitários altamente energéticos longe de qualquer casa galáctica óbvia, levantando questões sobre as suas verdadeiras origens e distâncias. Utilizando dados de alguns dos telescópios mais poderosos da Terra e no espaço, incluindo o Observatório W. M. Keck e o Gemini North em Maunakea, Hawaii, os astrónomos podem finalmente ter encontrado as suas verdadeiras origens - uma população de galáxias distantes a quase 10 mil milhões de anos-luz de distância.
Uma equipa internacional de astrónomos descobriu que certos GRBs curtos não tiveram origem como náufragos na vastidão do espaço intergaláctico, tal como inicialmente apareceram. Um estudo mais profundo, recorrendo a vários observatórios, descobriu ao invés que estes GRBs isolados ocorreram, de facto, em galáxias notavelmente distantes - e, portanto, fracas - até 10 mil milhões de anos-luz de distância.
Esta impressão de artista ilustra a fusão de duas estrelas de neutrões, o que produz o evento notavelmente breve (1 a 2 segundos), mas intensamente poderoso, conhecido como um GRB curto. A explosão correspondente, conhecida como uma quilonova, também forja os elementos mais pesados do Universo, tais como ouro e platina. Observações recentes descobriram que algumas destas explosões, em vez de ocorrerem na vastidão do espaço intergaláctico, como foi inicialmente sugerido, acontecem na realidade em galáxias anteriormente desconhecidas no Universo muito distante, até 10 mil milhões de anos-luz de distância. Os dois telescópios Gemini do NOIRLab foram fundamentais para ajudar a fazer esta descoberta.
C
rédito: NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva/Spaceengine
Esta descoberta sugere que os GRBs curtos, que se formam durante as colisões de estrelas de neutrões, podem ter sido mais comuns no passado do que o esperado. Dado que as fusões de estrelas de neutrões formam elementos pesados, incluindo ouro e platina, o Universo pode ter sido semeado com metais preciosos mais cedo do que se esperava também.
O estudo foi aceite para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e está disponível no site de pré-impressão arXiv.org.
"Muitos GRBs curtos são encontrados em galáxias brilhantes relativamente próximas de nós, mas alguns deles parecem não ter casa galáctica correspondente", disse Brendan O'Connor, autor principal do estudo e astrónomo da Universidade de Maryland e da Universidade George Washington. "Ao identificarmos a origem dos GRBs curtos, conseguimos passar a pente fino a enorme quantidade de dados de múltiplos observatórios para encontrar o fraco brilho de galáxias que eram simplesmente demasiado distantes para serem antes reconhecidas".
Metodologia
Esta limpeza cósmica exigiu o poder combinado de alguns dos telescópios mais poderosos da Terra e no espaço, incluindo dois observatórios no Hawaii - o Observatório W. M. Keck e o telescópio Gemini North - bem como o telescópio Gemini South no Chile. Os dois telescópios Gemini perfazem o Observatório Internacional Gemini, operado pelo NOIRLab da NSF (National Science Foundation). Outros observatórios envolvidos nesta investigação incluem o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, o LDT (Lowell Discovery Telescope) no Arizona, o GTC (Gran Telescopio Canarias) na Espanha e o VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile.
Os investigadores começaram a sua busca analisando dados de 120 GRBs capturados por dois instrumentos a bordo do Observatório Neil Gehrels Swift da NASA: o BAT (Burst Alert Telescope), que sinalizou que tinha sido detetada uma explosão; e o XRT (X-ray Telescope), que identificou a localização geral do brilho de raios-X do GRB. Estudos adicionais do seu brilho remanescente, feitos com o Observatório Lowell, identificaram com maior precisão a localização dos GRBs.
Os estudos posteriores descobriram que 43 dos GRBs curtos não estavam associados a nenhuma galáxia conhecida e apareceram no espaço comparativamente vazio entre as galáxias.
Esta imagem captada pelo telescópio Gemini North revela o lar galáctico anteriormente não reconhecido da explosão de raios-gama identificada como GRB 151229A. Os astrónomos calculam que esta explosão, que se situa na direção da constelação Capricórnio, ocorreu há aproximadamente 9 mil milhões de anos.
Crédito: Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA; agradecimentos - processamento de imagem: T.A. Rector (Universidade do Alaska em Anchorage/NOIRLab da NSF), M. Zamani (NOIRLab da NSF) & D. de Martin (NOIRLab da NSF)
"Estes GRBs sem 'casa galáctica' apresentavam-se um mistério intrigante e os astrónomos tinham proposto duas explicações para a sua existência aparentemente isolada", disse O'Connor.
Uma hipótese era que as estrelas de neutrões progenitoras se formaram como um par binário dentro de uma galáxia distante, entraram à deriva no espaço intergaláctico e eventualmente se fundiram milhares de milhões de anos mais tarde. A outra hipótese era que as estrelas de neutrões se fundiram a muitos milhares de milhões de anos-luz de distância nas suas galáxias hospedeiras, que agora aparecem extremamente fracas devido à sua vasta distância da Terra.
"Achámos que este segundo cenário era o mais plausível para explicar uma grande fração de eventos sem galáxia hospedeira", disse O'Connor. "Utilizámos então os telescópios mais poderosos da Terra para recolher imagens profundas das posições dos GRBs e descobrimos galáxias de outra maneira invisíveis a 8-10 mil milhões de anos-luz da Terra".
Para fazer estas deteções, os astrónomos utilizaram uma variedade de instrumentos óticos e infravermelhos, incluindo o LRIS (Low Resolution Imaging Spectrometer) e o MOSFIRE (Multi-Object Spectrograph for Infrared Exploration) do Observatório Keck, bem como os dois GMOS (Gemini Multi-Object Spectrographs) acoplados em ambos o Gemini North como no Gemini South.
O que se segue
Este resultado pode ajudar os astrónomos a melhor compreender a evolução química do Universo. A fusão de estrelas de neutrões desencadeia uma série de reações nucleares em cascata que são necessárias para produzir metais pesados, como ouro, platina e tório. A redução da escala de tempo cósmico na fusão de estrelas de neutrões significa que o jovem Universo era muito mais rico em elementos pesados do que se pensava anteriormente.
"Isto empurra a escala de tempo para trás quando o Universo recebeu o 'toque Midas' e se tornou semeado com os elementos mais pesados da tabela periódica", disse O'Connor.
LRO da NASA descobre temperaturas confortáveis em buracos lunares
Usando dados da sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA e modelagem por computador, cientistas descobriram locais à sombra dentro de cavidades na Lua que rondam sempre uns confortáveis 17º C.
As cavidades, e cavernas aonde poderão levar, seriam locais termicamente estáveis para a exploração lunar em comparação com áreas à superfície da Lua, que aquecem até cerca de 127º C durante o dia e arrefecem até cerca de -173º C à noite. A exploração lunar faz parte do objetivo da NASA de explorar e compreender o desconhecido no espaço, de inspirar e beneficiar a humanidade.
A câmara LROC da LRO da NASA obteve três imagens da cavidade nas Colinas Marius, cada vez com uma iluminação muito diferente. O painel central, com o Sol perto do zénite, dá aos cientistas uma grande vista do chão da fossa. Este poço em Marius tem cerca de 34 metros de profundidade e 65 por 90 metros de largura.
Crédito: NASA/GSFC/Universidade Estatal do Arizona
As fossas foram descobertas pela primeira vez na Lua em 2009 e, desde então, os cientistas têm-se perguntado se conduziriam a cavernas que poderiam ser exploradas ou utilizadas como abrigos. As cavidades ou grutas também ofereceriam alguma proteção contra os raios cósmicos, radiação solar e micrometeoritos.
"Cerca de 16 das mais de 200 cavidades são provavelmente tubos de lava colapsados", disse Tyler Horvath, estudante de doutoramento em ciência planetária na Universidade da Califórnia, Los Angeles, que realizou a nova investigação, publicada recentemente na revista Geophysical Research Letters.
"As fossas lunares são uma característica fascinante da superfície lunar", disse o cientista do projeto LRO, Noah Petro, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Saber que criam um ambiente térmico estável ajuda-nos a pintar um quadro destas características lunares únicas e a perspetiva de um dia as explorar".
Os tubos de lava, também encontrados na Terra, formam-se quando a lava derretida corre sob um campo de lava arrefecida ou quando se forma uma crosta sob um rio de lava, deixando um túnel longo e oco. Se o teto de um tubo de lava solidificada colapsar, abre um poço que pode levar ao resto do tubo tipo caverna.
Duas das cavidades mais proeminentes têm saliências visíveis que levam claramente a cavernas ou vazios, e há fortes evidências de que a saliência de outro também pode levar a uma grande caverna.
"Os humanos evoluíram vivendo em cavernas, e às cavernas podemos regressar quando vivermos na Lua", disse David Paige, coautor do trabalho que lidera o instrumento DLRE (Diviner Lunar Radiometer Experiment) a bordo da LRO que fez as medições de temperatura utilizadas no estudo.
Horvath processou dados do Diviner - uma câmara térmica - para descobrir se a temperatura dentro das cavidades divergia das temperaturas à superfície.
Esta é uma vista espetacular da cavidade no Mar da Tranquilidade, revelando rochas num chão de outro modo liso. Esta imagem obtida pela LRO tem 400 metros de largura.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade Estatal do Arizona
Focando-se numa depressão aproximadamente cilíndrica com 100 metros de profundidade e com cerca do comprimento e largura de um campo de futebol, numa área da Lua conhecida como Mare Tranquillitatis (Mar da Tranquilidade), Horvath e colegas usaram modelagem por computador para analisar as propriedades térmicas da rocha e da poeira lunar e para traçar as temperaturas da fossa ao longo do tempo.
Os resultados revelaram que as temperaturas dentro das zonas permanentemente à sombra da cavidade flutuam apenas ligeiramente ao longo do dia lunar, rondando os 17º C. Se uma caverna se estender ao longo do fundo da fossa, como as imagens tiradas pela LROC (Lunar Reconnaissance Orbiter Camera) da LRO sugerem, também ela teria esta temperatura relativamente confortável.
A equipa, que incluiu o professor de ciências planetárias da UCLA David Paige e Paul Hayne da Universidade do Colorado, Boulder, pensa que a saliência da sombra é responsável pela temperatura constante, limitando o calor durante o dia e impedindo que o calor se irradie à noite.
Um dia na Lua dura cerca de 15 dias terrestres, durante o qual a superfície é constantemente bombardeada pela luz solar e é frequentemente suficientemente quente para ferver água. As noites, brutalmente frias, também duram cerca de 15 dias terrestres.
A NASA está a querer regressar à Lua com parceiros comerciais e internacionais, a fim de expandir a presença humana no espaço e de obter novos conhecimentos e oportunidades.
Muitos detalhes de Saturno aparecem claramente no infravermelho. Bandas de nuvens mostram uma grande estrutura, incluindo enormes tempestades. Também bastante marcante no infravermelho, o invulgar padrão de nuvens hexagonais que rodeia o polo norte de Saturno. Cada lado do hexágono escuro abrange aproximadamente a largura da nossa Terra. A existência do hexágono não foi prevista e a sua origem e provável estabilidade permanece um tópico de investigação. Os famosos anéis de Saturno circundam o planeta e lançam sombras abaixo do equador. A imagem em destaque foi tirada pela nave espacial Cassini em 2014, em várias cores infravermelhas. Em setembro de 2017, a missão Cassini teve uma conclusão dramática quando foi direcionada a mergulhar no gigante com anéis.
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