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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
 
  Astroboletim #1921  
  05/08 a 08/08/2022  
     
 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira

Observação noturna do céu em Tavira
Local: Forte do Rato
17/08/2022, 21:30 - Data esgotada - lista de espera
30/08/2022, 21:00 - Data esgotada - lista de espera

Observação da Lua em Tavira
(não é necessário inscrição)
Local: Praça da República
05/08/2022, 21:30
06/09/2022, 21:00

 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva do Algarve

Observação astronómica no Miradouro da Praia da Marinha (Lagoa)
10/08/2022, 21:15 - Inscrição

Observação astronómica no Vale do Álamo (Penina)
17/08/2022, 21:00 - Data esgotada - lista de espera

Observação astronómica no Miradouro do Alto da Ameixeira (S. Brás de Alportel)
19/08/2022, 21:00 - Data esgotada - Lista de espera

Observação astronómica na praia dos Salgados (Galé/Albufeira)
21/08/2022, 20:45 - Data esgotada - lista de espera

Observação astronómica junto ao moinho de maré da Quinta de Marim (Olhão)
30/08/2022, 20:00 - Data esgotada - lista de espera

Lua durante o dia no Centro Náutico da Praia de Faro
(não é necessário inscrição)
Data:
02/09/2022
Horários: 17:30, 17:45, 18:00, 18:15 e 18:45

Lua durante o dia no Parque Municipal de Loulé
(não é necessário inscrição)
Data:
03/09/2022
Horários: 17:30, 17:45, 18:00, 18:15 e 18:45

Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

 
     
 
Efemérides

Dia 05/08: 217.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1864, Giovanni Donati faz as primeiras observações espectroscópicas de um cometa (Tempel, 1864 II).

Vê o que é agora conhecido como as bandas Swan (3 delas), devido ao carbono molecular (C2). 
Em 1930 nascia Neil Armstrong, o primeiro ser humano na Lua.
Em 1969, a sonda americana Mariner 7 passa por Marte a 3524 km, enviando de volta 125 imagens. 
Em 1973, é lançada a sonda soviética Mars 6. A 12 de março de 1974, a Mars 6 aterra suavemente em Marte a 24º S, 25º O. Enviou dados atmosféricos durante a descida. 
Em 2000, é capturada a quebra do cometa Linear 1999/S4 pelo Telescópio Espacial Hubble.
Em 2011, era lançada a missão Juno, com destino Júpiter. Chegou ao gigante gasoso em julho de 2016.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 12:06.
Depois do anoitecer, a Lua brilha no centro da constelação de Balança. Delta Scorpii e a mais brilhante Antares estão para a esquerda, Espiga para baixo e para a direita e Arcturo brilha mais longe para cima e para a direita do nosso satélite natural.

Dia 06/08: 218.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1961, era lançada a Vostok 2 pela União Soviética, levando a bordo o cosmonauta Gherman Titov, que fez o primeiro voo soviético com a duração de um dia.
Em 1996, a NASA anuncia que o meteorito ALH 84001, que se pensa ser originário de Marte, continha evidências de formas de vidas primitivas. No entanto, atualmente os resultados são tidos como inconclusivos e insuficientes.
Em 2012, o rover Curiosity aterra na superfície de Marte.

Observações: Esta noite a Lua brilha na cabeça de Escorpião. Procure a alaranjada Antares para a esquerda e Delta Scorpii muito perto do nosso satélite natural.

Dia 07/08: 219.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1959, lançamento do Explorer 6 que, com uma massa de 64,4 kg, torna-se no primeiro satélite a enviar fotos da Terra a partir de órbita. 

Em 1976, a Viking 2 entra em órbita de Marte.
Em 2000, uma equipa internacional de pesquisa planetária descobre em Epsilon Eridani, a apenas 10,5 anos-luz da Terra, um novo planeta gasoso. A descoberta foi, alguns anos depois, colocada em causa. Atualmente, a NASA lista o exoplaneta como "confirmado".
Observações: A brilhante Vega passa o mais alto no céu pelas 23 horas, dependendo de quão para este ou oeste está o observador.
Quão perto passa do zénite depende de quão norte ou sul está o observador. Passa exatamente pelo zénite à latitude 39º N. Quão detalhadamente consegue ver isto só apenas olhando?
Deneb passa o mais alto no céu duas horas depois de Vega. Mas para ver Deneb exatamente no zénite, precisamos de estar mais para norte, a 45º N (sul da França, por exemplo).

Dia 08/08: 220.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1576, é colocada a pedra angular do observatório Uraniborg de Tycho Brahe, em Ven, Dinamarca.

Em 1977, a estação soviética Salyut 5 arde na atmosfera. Lançada no dia 22 de junho de 1976, a estação esteve tripulada durante 67 dias. 
Em 1989 era lançada a missão STS-28, a quarta missão secreta do Departamento de Defesa americano.
Em 2001, lançamento da sonda Genesis, a primeira missão de recolha de material desde o programa Apollo, a primeira a enviar material desde para lá da órbita da Lua (amostras de vento solar).
Observações: A Lua deslocou-se para a constelação de Sagitário, estando agora para a direita da "tampa" do "bule de chá".

 
 
   
Webb captura "ginástica" estelar na Galáxia Cartwheel

A Galáxia Carthweel, uma rara galáxia em forma de anel outrora envolta em poeira e mistério, foi revelada pelas capacidades de imagem do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA. A galáxia, que se formou como resultado de uma colisão entre uma grande galáxia espiral e outra galáxia mais pequena, não só manteve muito do seu caráter espiral, como também sofreu mudanças massivas em toda a sua estrutura. Os instrumentos de alta precisão do Webb resolveram estrelas individuais e regiões de formação estelar dentro da Cartwheel, e revelaram o comportamento do buraco negro dentro do seu centro galáctico. Estes novos detalhes proporcionam uma compreensão renovada de uma galáxia a meio de uma lenta transformação.

 
Composição da Galáxia Cartwheel e das suas companheiras galácticas, obtida a partir de dados dos instrumentos NIRCam e MIRI do Telescópio Webb.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI
 

O Webb espreitou o caos da Galáxia Cartwheel, revelando novos detalhes sobre a formação estelar e sobre o buraco negro central da galáxia. O poderoso olhar infravermelho do Webb produziu esta imagem detalhada da Cartwheel e de duas galáxias companheiras mais pequenas contra um pano de fundo de muitas outras galáxias. Esta imagem proporciona uma nova visão de como a Galáxia Cartwheel mudou ao longo de milhares de milhões de anos.

A Galáxia Cartwheel, localizada a cerca de 500 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Escultor, é uma visão rara. A sua aparência, muito semelhante à da roda de uma carroça, é o resultado de um evento intenso - uma colisão a alta velocidade entre uma grande galáxia espiral e uma galáxia mais pequena não visível nesta imagem. Colisões de proporções galácticas causam uma cascata de eventos diferentes e mais pequenos entre as galáxias envolvidas; a Cartwheel não é exceção.

A colisão afetou mais notavelmente a forma e a estrutura da galáxia. A Galáxia Cartwheel contém dois anéis - um anel interior brilhante e um anel circundante, mais colorido. Estes dois anéis expandem-se a partir do centro da colisão, como ondulações num lago depois de uma pedra ser atirada. Devido a estas características distintivas, os astrónomos chamam a este objeto uma "galáxia anular", uma estrutura menos comum que as galáxias em espiral como a nossa Via Láctea.

O núcleo brilhante da galáxia hospeda um NGA (núcleo galáctico ativo), que é um buraco negro supermassivo rodeado por uma tremenda quantidade de gás e poeira quente. As áreas mais brilhantes acolhem populações de estrelas mais antigas, enquanto o anel exterior, que se expandiu durante cerca de 440 milhões de anos, é dominado por novas formações estelares e supernovas. À medida que este anel se expande, "lavra" o gás circundante e desencadeia formação estelar.

 
Imagem da Galáxia Cartwheel feita apenas com dados do MIRI do Webb.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI
 

Outros telescópios, incluindo o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, examinaram anteriormente a Galáxia Cartwheel. Mas este astro dramático tem estado envolto em mistério - talvez literalmente, dada a quantidade de poeira que obscurece a vista. O Webb, com a sua capacidade de detetar radiação infravermelha, revela agora novas informações sobre a natureza da Cartwheel.

A NIRCam (Near-Infrared Camera), a câmara principal do Webb, observa no infravermelho próximo de 0,6 a 5 micrómetros, vendo comprimentos de onda cruciais que podem revelar ainda mais estrelas do que as observadas no visível. Isto porque as estrelas jovens, muitas das quais se formam no anel exterior, são menos obscurecidas pela presença de poeira quando observadas no infravermelho. Nesta imagem, os dados do instrumento NIRCam estão coloridos a azul, laranja e amarelo. A galáxia exibe muitos pontos azuis, que são estrelas individuais ou regiões de formação estelar. A NIRCam também revela a diferença entre a distribuição suave ou a forma das populações estelares mais antigas e a poeira densa no núcleo em comparação com as formas irregulares associadas com as populações estelares mais jovens fora dele.

A aprendizagem de detalhes mais nítidos sobre a poeira que habita a galáxia, contudo, requer o MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb. Os dados do MIRI são coloridos a vermelho nesta composição. Revelam regiões dentro da Galáxia Cartwheel ricas em hidrocarbonetos e outros elementos químicos, bem como poeira de sílica, como grande parte da poeira na Terra. Estas regiões formam uma série de raios em espiral que formam essencialmente o esqueleto da galáxia. Estes raios são evidentes em observações anteriores do Hubble divulgadas em 2018, mas tornam-se muito mais proeminentes nesta imagem do Webb.

As observações do Webb sublinham que a Cartwheel se encontra numa fase muito transitória. A galáxia, que era presumivelmente uma galáxia espiral normal como a Via Láctea antes da sua colisão, vai continuar a transformar-se. Embora o Webb nos dê um instantâneo do estado atual da Cartwheel, também nos dá uma visão do que aconteceu a esta galáxia no passado e de como irá evoluir no futuro.

// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Webb mostra a Galáxia Cartwheel (HubbleWebbESA via YouTube)
// Webb mostra a Galáxia Cartwheel #2 (HubbleWebbESA via YouTube)

 


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Notícias relacionadas:
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Visão ampla do Universo jovem revela indícios de galáxia muito primitiva

Duas novas imagens pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA mostram o que podem ser as galáxias mais primitivas algumas vez observadas. Ambas as imagens incluem objetos de há mais de 13 mil milhões de anos e uma oferece um campo de visão muito mais amplo do que o da imagem FDF (First Deep Field) do Webb, divulgada com grande fanfarra a 12 de julho. As imagens representam algumas das primeiras de uma grande colaboração de astrónomos e outros investigadores académicos que se associaram à NASA e parceiros globais para descobrir novas perspetivas sobre o Universo.

A equipa identificou um objeto particularmente excitante - denominado galáxia de Maisie em honra da filha do chefe de projeto, Steven Finkelstein - que estimam que esteja a ser observado apenas 290 milhões de anos após o Big Bang (os astrónomos referem-se a isto como tendo um desvio para o vermelho de z=14).

 
Os cientistas da Colaboração CEERS identificaram o objeto apelidado de "galáxia de Maisie", em honra da filha do chefe de projecto Steven Finkelstein, que pode ser uma das primeiras galáxias alguma vez observadas. Se o seu desvio para o vermelho, estimado em 14, for confirmado com futuras observações, isso significaria que a estamos a vê-la como era apenas 290 milhões de anos após o Big Bang.
Crédito: NASA/STScI/CEERS/TACC/S. Finkelstein/M. Bagley/Z. Levay
 

A descoberta foi publicada no site de pré-impressão arXiv e aguarda revisão por pares e publicação numa revista da especialidade. Se o achado for confirmado, será uma das galáxias mais primitivas alguma vez observadas, e a sua presença indicaria que as galáxias começaram a formar-se muito mais cedo do que muitos astrónomos pensavam anteriormente.

As imagens nítidas e sem precedentes revelam uma mão cheia de galáxias complexas que evoluem ao longo do tempo - alguns cata-ventos elegantemente maduros, outras manchas juvenis, outras espirais. As imagens, que demoraram cerca de 24 horas a recolher, são de uma zona do céu perto da "pega" da "frigideira" da Ursa Maior. Esta mesma área do céu foi observada anteriormente pelo Telescópio Espacial Hubble.

"É incrível ver um ponto de luz pelo Hubble tornar-se numa galáxia linda e completamente formada nas novas imagens do James Webb, e outras galáxias surgem do nada", disse Finkelstein, professor associado de astronomia na Universidade do Texas em Austin, EUA, e investigador principal do CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science Survey), do qual estas imagens foram obtidas.

A colaboração CEERS é composta por 18 coinvestigadores de 12 instituições e mais de 100 colaboradores dos EUA e de nove outros países. Os investigadores do CEERS estão a estudar como algumas das primeiras galáxias se formaram quando o Universo tinha menos de 5% da sua idade atual, durante um período conhecido como reionização.

 
Imagem tirada com o MIRI do Telescópio Espacial James Webb de uma zona do céu perto da "pega" da "frigideira" da Ursa Maior . Esta é uma das primeiras imagens obtidas pela colaboração CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science Survey).
Crédito: NASA/STScI/CEERS/TACC/S. Finkelstein/G. Yang./C. Papovich/Z. Levay
 

Antes da chegada dos dados atuais do telescópio, Micaela Bagley, investigadora pós-doutorada na mesma universidade e uma das líderes de imagem do CEERS, criou imagens simuladas para ajudar a equipa a desenvolver métodos de processamento e análise das novas imagens. Bagley liderou um grupo que processava as imagens reais para que os dados pudessem ser analisados por toda a equipa.

A imagem grande é um mosaico de 690 quadros individuais que levaram cerca de 24 horas a recolher utilizando o instrumento NIRCam (Near Infrared Camera). Esta nova imagem cobre uma área do céu cerca de oito vezes maior do que a imagem FDF do Webb, embora não seja tão profunda. Os investigadores usaram supercomputadores no TACC (Texas Advanced Computing Center) para o processamento inicial da imagem: o supercomputador Stampede2 foi usado para remover o ruído de fundo e artefactos, e o Frontera, o supercomputador mais poderoso situado numa universidade norte-americana, foi utilizado para unir as imagens e assim formar um único mosaico.

"O poder computacional de alto desempenho tornou possível combinar uma miríade de imagens para manter os quadros em memória, de uma só vez, para processamento, resultando numa única imagem linda", acrescentou Finkelstein.

A outra imagem foi obtida com o MIRI (Mid-Infrared Instrument). Em comparação com o NIRcam, o MIRI tem um campo de visão mais pequeno, mas opera a uma resolução espacial muito mais elevada do que os anteriores telescópios no infravermelho médio. O MIRI deteta comprimentos de onda mais longos do que o NIRCam, permitindo aos astrónomos ver poeira cósmica a brilhar em galáxias com formação estelar e buracos negros a distâncias moderadamente grandes, e ver luz de estrelas mais antigas a distâncias muito grandes.

Todo o programa CEERS vai envolver mais de 60 horas de tempo de telescópio. Muitos mais dados de imagem serão recolhidos em dezembro, juntamente com medições espectroscópicas de centenas de galáxias distantes.

// Universidade do Texas, Austin (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science Survey):
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Pode uma super-Terra, em torno de uma estrela de baixa massa, albergar vida?

O Telescópio Subaru anunciou a descoberta do seu primeiro exoplaneta com o espectrógrafo infravermelho IRD. Este planeta, Ross 508 b, é uma super-Terra com cerca de quatro vezes a massa do nosso planeta e está localizado perto da zona habitável. Este planeta pode ser capaz de reter água à superfície e será um alvo importante para futuras observações a fim de verificar a possibilidade de vida em torno de estrelas de baixa massa.

A investigação exoplanetária, que fez grandes progressos nos últimos anos desde a descoberta de um planeta gigante em torno de uma estrela semelhante ao nosso Sol, está agora a concentrar-se nas anãs vermelhas, que têm uma massa inferior à do nosso Sol. As anãs vermelhas, que compreendem três-quartos das estrelas da nossa Galáxia e existem em grande número nas proximidades do nosso Sistema Solar, são alvos excelentes para encontrar exoplanetas na nossa vizinhança. A descoberta destes exoplanetas próximos, com observações detalhadas das suas atmosferas e superfícies, permitir-nos-á discutir a presença ou ausência de vida em ambientes que são muito diferentes dos do nosso Sistema Solar.

 
Diagrama esquemático do recentemente descoberto sistema planetário Ross 508. A região verde representa a zona habitável onde a água líquida pode existir à superfície do planeta. A órbita planetária é vista como uma linha azul. Para mais de metade da sua órbita, estima-se que o planeta se encontra mais próximo do que a zona habitável (linha sólida) e dentro da zona habitável (linha tracejada) para o resto da órbita.
Crédito: Centro de Astrobiologia do Japão
 

No entanto, as anãs vermelhas são muito fracas no visível devido à sua baixa temperatura de superfície de menos de 4000 graus. Levantamentos exoplanetários anteriores, usando espectrómetros no visível, apenas descobriram alguns planetas em redor de anãs vermelhas muito próximas, como Proxima Centauri b. Em particular, as anãs vermelhas com temperaturas de superfície inferiores a 3000 graus (anãs vermelhas do tipo tardio) não foram sistematicamente investigadas à procura por planetas.

Embora as anãs vermelhas sejam alvos importantes para o estudo da vida no Universo, são difíceis de observar porque são demasiado ténues no visível. A fim de resolver as dificuldades envolvidas nas observações espectroscópicas das anãs vermelhas, uma busca planetária envolvendo um espectrógrafo de alta precisão no infravermelho, onde as anãs vermelhas são relativamente brilhantes, era há muito aguardada.

O Centro de Astrobiologia do Japão desenvolveu com sucesso o instrumento IRD (InfraRed Doppler), o primeiro espectrógrafo infravermelho de alta precisão do mundo para telescópios da classe dos 8 metros. O IRD, montado no Telescópio Subaru, pode detetar oscilações minúsculas na velocidade de uma estrela, mais ou menos equivalentes à velocidade a que uma pessoa caminha.

O IRD-SSP (IRD Subaru Strategic Program), que visa procurar planetas em torno de anãs vermelhas do tipo tardio, começou em 2019. Este é o primeiro levantamento exoplanetário sistemático em torno de anãs vermelhas de tipo tardio e é um projeto internacional que envolve cerca de 100 investigadores domésticos e internacionais. Durante os primeiros dois anos, foram realizadas observações de rastreio para encontrar anãs vermelhas "estáveis" com baixo ruído, onde mesmo pequenos planetas podem ser detetados. Atualmente, o projeto encontra-se na fase de observação intensiva de cerca de 50 promissoras anãs vermelhas de tipo tardio que foram cuidadosamente selecionadas através do rastreio.

O primeiro exoplaneta descoberto pelo IRD-SSP está localizado a cerca de 37 anos-luz da Terra, em torno de uma estrela anã vermelha chamada Ross 508, que tem um-quinto da massa do Sol. Este é o primeiro exoplaneta descoberto por uma busca sistemática utilizando um espectrómetro infravermelho. Este planeta, Ross 508 b, tem uma massa mínima de apenas cerca de quatro vezes a da Terra. A sua distância média à estrela central é 0,05 vezes a distância Terra-Sol e está localizado na orla interna da zona habitável. Curiosamente, é provável que o planeta tenha uma órbita elíptica, caso em que atravessaria para a zona habitável com um período de cerca de 11 dias.

 
Variação periódica da velocidade da linha de visão da estrela Ross 508 observada pelo IRD. É envolvida em torno do período orbital do planeta Ross 508 b (10,77 dias). A variação na velocidade da linha de visão de Ross 508 é inferior a 4 metros por segundo, indicando que o instrumento IRD capturou uma oscilação muito pequena que é mais lenta do que uma pessoa a correr. A curva vermelha é a mais adequada para as observações e o seu desvio de uma curva sinusoidal indica que a órbita do planeta é muito provavelmente elíptica.
Crédito: Harakawa et al. 2022
 

Os planetas na zona habitável podem reter água à superfície e podem abrigar vida. Ross 508 b será um alvo importante para futuras observações a fim de verificar a possibilidade de habitabilidade em planetas em torno de anãs vermelhas. As observações espectroscópicas de moléculas e átomos na atmosfera planetária são também importantes, enquanto que os telescópios atuais não podem fotografar o planeta diretamente devido à sua proximidade com a estrela central. No futuro, será um dos alvos de busca por vida por telescópios da classe dos 30 metros.

Até agora, apenas três planetas eram conhecidos por orbitarem tais estrelas de massa muito baixa, incluindo Proxima Centauri b. Espera-se que o IRD-SSP continue a descobrir novos planetas.

"Ross 508 b é a primeira deteção bem-sucedida de uma super-Terra usando apenas espectroscopia no infravermelho próximo. Antes disto, na deteção de planetas de baixa massa, tais como super-Terras, as observações no infravermelho próximo não eram suficientemente precisas, e era necessária a verificação através de medições de alta precisão no visível. Este estudo mostra que o IRD-SSP por si só é capaz de detetar planetas e demonstra claramente a vantagem do IRD-SSP na sua capacidade de procurar com alta precisão até em anãs vermelhas do tipo tardio, que são demasiado fracas para serem observadas no visível", diz o Dr. Hiroki Harakawa, do Telescópio Subaru do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) e autor principal do artigo científico da descoberta.

"Passaram-se 14 anos desde o início do desenvolvimento do IRD. Continuámos o nosso desenvolvimento e investigação na esperança de encontrar um planeta exatamente como Ross 508 b. Esta descoberta foi possível graças ao elevado desempenho instrumento do IRD, à grande abertura do Telescópio Subaru e ao quadro estratégico de observações que permitiu a aquisição intensiva e frequente de dados. Estamos empenhados em fazer novas descobertas", diz o professor Bun'ei Sato (Instituto Tecnológico de Tóquio), investigador principal do IRD-SSP.

// Telescópio Subaru (comunicado de imprensa)
// NAOJ (comunicado de imprensa)
// Centro de Astrobiologia do Japão (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Publications of the Astronomical Society of Japan)

 


Saiba mais

Ross 508 b:
NASA
Exoplanet.eu

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Subaru:
NAOJ
Wikipedia

 
   
Álbum de fotografias - M13: O Grande Enxame Globular em Hércules
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Joan Josep Isach Cogollos
 
Em 1716, o astrónomo inglês Edmond Halley escreveu: "Isto é apenas uma pequena Mancha, mas mostra-se a Olho nu, quando o Céu está sereno e a Lua ausente". Naturalmente, M13 é agora menos modestamente reconhecido como o Grande Enxame Globular em Hércules, um dos mais brilhantes enxames globulares no céu do hemisfério norte. Vistas telescópicas nítidas como esta revelam as centenas de milhares de estrelas deste espetacular enxame. A uma distância de 25.000 anos-luz, as estrelas do enxame aglomeram-se numa região com 150 anos-luz de diâmetro. Mais perto do núcleo do enxame, mais de 100 estrelas podem estar contidas num cubo com apenas 3 anos-luz de lado. Para comparação, a estrela mais próxima do Sol está a mais de 4 anos-luz de distância. O notável alcance do brilho registado nesta imagem segue as estrelas até ao denso núcleo do enxame. Distantes galáxias de fundo neste campo de visão médio incluem NGC 6207 no canto superior esquerdo.
 
   
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