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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
 
  Astroboletim #1927  
  26/08 a 29/08/2022  
     
 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira

Observação noturna do céu em Tavira
Local: Forte do Rato
30/08/2022, 21:00 - Data esgotada - lista de espera

Observação da Lua em Tavira
(não é necessário inscrição)
Local: Praça da República
06/09/2022, 21:00

 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva do Algarve

Observação astronómica junto ao moinho de maré da Quinta de Marim (Olhão)
30/08/2022, 20:00 - Data esgotada - lista de espera

Lua durante o dia no Centro Náutico da Praia de Faro
(não é necessário inscrição)
Data:
02/09/2022
Horários: 17:30, 17:45, 18:00, 18:15 e 18:45

Lua durante o dia no Parque Municipal de Loulé
(não é necessário inscrição)
Data:
03/09/2022
Horários: 17:30, 17:45, 18:00, 18:15 e 18:45

Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

 
     
 
Efemérides

Dia 26/08: 238.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1978, Sigmund Jähn torna-se no primeiro cosmonauta alemão, a bordo da Soyuz 31.
Em 1999 são registadas as primeiras imagens de calibração do telescópio de raios-X mais poderoso do mundo, o Observatório Chandra da NASA.

Estas incluem os espetaculares remanescentes de uma supernova, Cassiopeia A, que explodiu há 300 anos atrás, uma concha de gás quente com 10 anos-luz de diâmetro e temperaturas de 50 milhões de graus, com um ponto de luz que pode ser uma estrela de neutrões ou um buraco negro no centro de uma explosão estelar. Outra imagem que fascinou os observadores foi o grande jato energético do quasar PKS 0637-752 a 6 mil milhões de anos-luz. O Chandra continuou com as suas calibrações nas semanas seguintes.
Em 2003, a comissão que investigava o acidente do vaivém Columbia anuncia o seu relatório final.
Observações: Estas noites, à medida que o outono se aproxima, Fomalhaut, a Estrela de Outono, faz o seu inevitável aparecimento acima do horizonte a sudeste. A hora do nascer desta estrela depende do local onde o observador vive. Mas por volta das 22 ou 23 horas, não deverá ter dificuldade em identificá-la baixa a sudeste, caso tenha uma visão desimpedida nessa direção. Nenhuma outra estrela de primeira magnitude está lá perto. Dica: está cerca de dois punhos à distância do braço esticado para baixo e para a esquerda de Saturno.

Dia 27/08: 239.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1962 era lançada com êxito a sonda Mariner 2 a partir de Cabo Canaveral com destino Vénus, onde chegou 15 semanas depois.

A 14 de dezembro de 1962 tornou-se na primeira sonda a passar com sucesso por Vénus, sendo a sua aproximação máxima 34.773 km. Encontra-se agora numa órbita solar. 
Em 1985, lançamento da missão STS-51-I
Em 1999 é encontrada água extraterrestre num meteorito. Usando várias formas de análise, os cientistas do JSC encontram água nos cristais de halite de um meteorito que caiu na Terra (Texas) a 22 de março de 1998. A água capturada nos cristais pode ser mais antiga do que o Sol e do que os planetas.
Em 2003, Marte faz a sua maior aproximação à Terra em quase 60.000 anos, passando a 55.758.005 km de distância.
Observações: Lua Nova, pelas 09:17.
Outro sinal da chegada do outono: Cassiopeia está alta a nordeste, o seu "W" inclinado para cima. E, por baixo, Perseu.
A parte mais alta da constelação de Perseu inclui o Duplo Enxame. Para o encontrar, olhe para baixo das duas estrelas mais baixas do "W" de Cassiopeia, a 1,5 vezes a distância entre as duas. Está à procura do que parece ser uma pequena mancha. Os binóculos ajudam a detetar o Duplo Enxame, mesmo através de alguma poluição luminosa. Através de um telescópio são gloriosos: uma distante "cidade gémea" de estrelas.

Dia 28/08: 240.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1789 Herschel descobria a lua de SaturnoEncélado.

Em 1859, uma tempestade geomagnética provoca auroras boreais tão fortes que puderam ser claramente observadas em partes dos EUA, Europa e até Japão.
Em 1993, "flyby" da sonda Galileu por Ida e Dactyl.
Observações: O asteroide Vesta passou a oposição há alguns dias e mostra-se agora relativamente brilhante. Esta semana está na secção oeste de Aquário, cerca de 8º para sudeste de Delta Capricorni, que é atualmente a vizinha de terceira magnitude de Saturno. Use binóculos ou um telescópio com a ajuda de um mapa celeste.

Dia 29/08: 241.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1965, a nave Gemini V regressa à Terra, aterrando no Oceano Atlântico.

Em 1975, o japonês Kentaro Osada descobre V1500 Cygni, uma das mais rápidas novas de que há registo.
Observações: À medida que agosto chega ao fim e as noites se tornam mais frias, o Grande Quadrado de Pégaso espreita a este, apoiado num canto. As suas estrelas são apenas de segunda ou terceira magnitudes, e o punho à distância do braço esticado cabe no seu interior.
A partir do canto esquerdo do Quadrado estende-se a linha principal da constelação de Andrómeda: três estrelas (incluindo o canto) tão brilhantes quanto aquelas que formam o Quadrado.

 
 
   
Um exoplaneta coberto de água?

Uma equipa internacional de investigadores liderada por Charles Cadieux, estudante de doutoramento na Universidade de Montréal e membro do iREx (Institute for Research on Exoplanets), anunciou a descoberta de um exoplaneta em órbita de TOI-1452, uma de duas pequenas estrelas num sistema binário localizado na direção da constelação de Dragão, a cerca de 100 anos-luz da Terra.

O exoplaneta, conhecido como TOI-1452 b, é ligeiramente maior em tamanho e massa do que a Terra e está localizado à distância da sua estrela onde a temperatura não seria nem demasiado quente nem demasiado fria para a existência de água líquida à superfície. Os astrónomos pensam que pode ser um "planeta oceânico", um planeta completamente coberto por uma espessa camada de água, semelhante a algumas das luas de Júpiter e Saturno.

 
Representação artística do exoplaneta TOI-1452 b, um pequeno planeta que pode estar inteiramente coberto por um oceano profundo.
Crédito: Benoit Gougeon, Universidade de Montréal
 

Num artigo publicado dia 12 de agosto na revista The Astronomical Journal, Cadieux e a sua equipa descrevem as observações que elucidaram a natureza e as características deste exoplaneta único.

"Estou extremamente orgulhoso desta descoberta porque mostra o elevado calibre dos nossos investigadores e da instrumentação", disse René Doyon, professor na Universidade de Montréal e diretor do iREx e do OMM (Observatoire du Mont-Mégantic). "Foi graças ao OMM, a um instrumento especial, concebido nos nossos laboratórios, chamado SPIRou e a um método analítico inovador, desenvolvido pela nossa equipa de investigação, que conseguimos detetar este exoplaneta único".

Papel-chave do OMM

Foi o telescópio espacial TESS da NASA, que vigia todo o céu em busca de sistemas planetários semelhantes ao nosso, que colocou os investigadores no trilho de TOI-1452 b. Com base no sinal TESS, que mostrava uma ligeira diminuição de brilho a cada 11 dias, os astrónomos previram um planeta que tinha um diâmetro cerca de 70% maior do que o da Terra.

Charles Cadieux pertence a um grupo de astrónomos que faz observações de acompanhamento dos candidatos identificados pelo TESS, a fim de confirmar o seu tipo e características planetárias. Ele utiliza a câmara PESTO, instalada no telescópio do OMM e que foi desenvolvida pelo professor David Lafrenière da Universidade de Montréal e pelo seu estudante de doutoramento François-René Lachapelle.

"O OMM desempenhou um papel crucial na confirmação da natureza deste sinal e na estimativa do raio do planeta", explicou Cadieux. "Esta não foi uma verificação de rotina. Tivemos de nos certificar que o sinal detetado pelo TESS era realmente provocado por um exoplaneta que orbitava TOI-1452, a maior das duas estrelas nesse sistema binário".

A estrela hospedeira TOI-1452 é muito mais pequena do que o nosso Sol e é uma de duas estrelas de tamanho semelhante num sistema binário. As duas estrelas orbitam-se uma à outra e estão separadas por uma distância tão pequena - 97 UA, ou cerca de duas vezes e meia a distância entre o Sol e Plutão - que o telescópio TESS as vê como um único ponto de luz. Mas a resolução do instrumento PESTO é suficientemente alta para distinguir os dois objetos e as imagens mostram que o exoplaneta orbita TOI-1452, o que foi confirmado através de observações posteriores por uma equipa japonesa.

 
O OMM (Observatoire du Mont-Mégantic), localizado no Quebec, acolhe um telescópio de 1,6 metros que foi fundamental para confirmar esta descoberta.
Crédito: Émir Chouchane, Universidade de Montréal
 

Para determinar a massa do planeta, os investigadores então observaram o sistema com o SPIRou, um instrumento instalado no CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope) no Hawaii. Concebido em grande parte no Canadá, o SPIRou é ideal para estudar estrelas de baixa massa como TOI-1452, porque opera no espectro infravermelho, onde estas estrelas são mais brilhantes. Mesmo assim, foram necessárias mais de 50 horas de observação para estimar a massa do planeta, que se pensa ser quase cinco vezes maior do que a da Terra.

Os investigadores Étienne Artigau e Neil Cook, também do iREx na Universidade de Montréal, desempenharam um papel fundamental na análise dos dados. Desenvolveram um poderoso método analítico capaz de detetar o planeta nos dados recolhidos com o SPIRou. "O método LBL ("line-by-line") permite-nos limpar os dados obtidos com o SPIRou de muitos sinais parasitas e revelar a fraca assinatura de planetas como o descoberto pela nossa equipa", explicou Artigau.

A equipa também inclui os investigadores Farbod Jahandar e Thomas Vandal, dois estudantes de doutoramento na Universidade de Montréal. Jahandar analisou a composição da estrela hospedeira, que é útil para restringir a estrutura interna do planeta, enquanto Vandal estava envolvido na análise dos dados recolhidos com o SPIRou.

Um mundo de água

TOI-1452 b é provavelmente rochoso como a Terra, mas o seu raio, massa e densidade sugerem um mundo muito diferente do nosso. A Terra é essencialmente um planeta muito seco; embora por vezes lhe chamemos o Planeta Azul porque 70% da sua superfície está coberta por água, na realidade só constitui apenas uma fração insignificante da sua massa - menos de 1%.

A água pode ser muito mais abundante em alguns exoplanetas. Nos últimos anos, os astrónomos identificaram e determinaram o raio e a massa de muitos exoplanetas com um tamanho entre o da Terra e o de Neptuno (cerca de 3,8 vezes maior do que a Terra). Alguns destes planetas têm uma densidade que só pode ser explicada por uma grande fração da sua massa ser constituída por voláteis como a água. Estes mundos hipotéticos foram apelidados de "planetas oceânicos".

"TOI-1452 b é um dos melhores candidatos a um planeta oceânico que encontrámos até à data", disse Cadieux. "O seu raio e massa sugerem uma densidade muito inferior à que se esperaria para um planeta que é basicamente composto por metal e rocha, como a Terra".

Mykhaylo Plotnykov e Diana Valencia da Universidade de Toronto são especialistas em modelagem de interiores exoplanetários. A sua análise de TOI-1452 b mostra que a água pode constituir até 30% da sua massa, uma proporção semelhante à de alguns satélites naturais no nosso Sistema Solar, tais como as luas Ganimedes e Calisto de Júpiter, e as luas Titã e Encélado de Saturno.

 
Representação artística da superfície de TOI-1452 b, que pode ser um "planeta oceânico", ou seja, um planeta inteiramente coberto por uma espessa camada de água líquida.
Crédito: Benoit Gougeon, Universidade de Montréal
 

A continuar...

Um exoplaneta como TOI-1452 b é um candidato perfeito para observação com o Telescópio Espacial James Webb. É um dos poucos planetas temperados que exibem características consistentes com um planeta oceânico. Está suficientemente perto da Terra para que os investigadores possam esperar estudar a sua atmosfera e testar esta hipótese. E, num golpe de sorte, está localizado numa região do céu que o telescópio pode observar durante todo o ano.

"As nossas observações com o Telescópio Webb serão essenciais para melhor compreender TOI-1452 b", disse Doyon, que é também o investigador principal do NIRISS, um dos quatro instrumentos científicos do Telescópio Espacial James Webb. "Assim que pudermos, vamos reservar tempo no Webb para observar este estranho e maravilhoso mundo".

// iREx/Universidade de Montréal (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
ScienceDaily
PHYSORG
UPI
Forbes
Newsweek

TOI-1452 b:
NASA
Exoplanet.eu

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

OMM (Observatoire du Mont-Mégantic):
Página principal
Wikipedia

CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope):
Página oficial
Wikipedia

 
   
Cientistas sondam a energia escura, testando a gravidade

O Universo está a expandir-se a um ritmo acelerado e os cientistas ainda não sabem porquê. Este fenómeno parece contradizer tudo o que os investigadores compreendem sobre o efeito da gravidade no cosmos: é como se se atirasse uma maçã para o ar e ela continuasse para cima, cada vez mais depressa. A causa da aceleração, apelidada de energia escura, continua a ser um mistério.

Um novo estudo pelo levantamento internacional DES (Dark Energy Survey), usando o Telescópio Victor M. Blanco de 4 metros no Chile, marca o esforço mais recente para determinar se tudo isto é simplesmente um mal-entendido: que as expetativas de como a gravidade funciona à escala de todo o Universo são defeituosas ou estão incompletas. Este potencial mal-entendido pode ajudar os cientistas a explicar a energia escura. Mas o estudo - um dos testes mais precisos até agora da teoria da gravidade de Einstein à escala cósmica - conclui que o entendimento atual ainda parece estar correto.

 
Esta imagem - a primeira divulgada do Telescópio Espacial James Webb da NASA - mostra o enxame de galáxias SMACS 0723. Algumas das galáxias aparecem manchadas ou esticadas devido a um fenómeno chamado de lente gravitacional. Este efeito pode ajudar os cientistas a mapear a presença de matéria escura no universo.
Crédito: NASA, ESA, CSA, e STScI
 

Os resultados foram apresentados na passada quarta-feira, dia 23 de agosto, na Conferência Internacional sobre Física de Partículas e Cosmologia (COSMO'22) no Rio de Janeiro. O trabalho ajuda a preparar o palco para dois telescópios espaciais que irão sondar a nossa compreensão da gravidade com uma precisão ainda maior do que o novo estudo e talvez finalmente resolver o mistério.

Há mais de um século, Albert Einstein desenvolveu a sua Teoria da Relatividade Geral para descrever a gravidade e até agora tem previsto tudo com precisão tudo desde a órbita de Mercúrio até à existência de buracos negros. Mas se esta teoria não consegue explicar a energia escura, alguns cientistas argumentaram, então talvez precisem de modificar algumas das suas equações ou acrescentar novos componentes.

Para descobrir se é esse o caso, os membros do DES procuraram evidências de que a força da gravidade tem variado ao longo da história do Universo ou ao longo de distâncias cósmicas. Uma descoberta positiva indicaria que a teoria de Einstein está incompleta, o que poderia ajudar a explicar a expansão acelerada do Universo. Também examinaram dados de outros telescópios, além do Blanco, incluindo o satélite Planck da ESA, e chegaram à mesma conclusão.

O estudo conclui que a teoria de Einstein ainda funciona. Portanto, ainda não há explicação para a energia escura. Mas esta investigação irá alimentar duas próximas missões: a missão Euclid da ESA, com lançamento previsto para não antes de 2023, e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA, com lançamento calendarizado o mais tardar para maio de 2027. Ambos os telescópios vão procurar alterações na força da gravidade ao longo do tempo ou da distância.

Visão desfocada

Como é que os cientistas sabem o que aconteceu no passado do Universo? Olhando para objetos distantes. Um ano-luz é uma medida da distância que a luz pode percorrer num ano (cerca de 9,5 biliões de quilómetros). Isso significa que um objeto a um ano-luz de distância aparece-nos como era há um ano atrás, quando a luz deixou o objeto pela primeira vez. E as galáxias a milhares de milhões de anos-luz de distância aparecem-nos como eram há milhares de milhões de anos. O novo estudo analisou galáxias que remontam há cerca de 5 mil milhões de anos. O telescópio Euclid vai mergulhar nas galáxias de há 8 mil milhões de anos, e o Roman vai olhar para trás 11 mil milhões de anos.

As galáxias, propriamente ditas, não revelam a força da gravidade, mas sim o seu aspeto quando vistas da Terra. A maioria da matéria no nosso Universo é matéria escura que não emite, não reflete nem interage de outra forma com a luz. Embora os cientistas não saibam do que é feita, sabem que está lá, porque a sua gravidade o demonstra: grandes reservatórios de matéria escura no nosso Universo distorcem o próprio espaço. À medida que a luz viaja pelo espaço, encontra estas porções de espaço deformado, fazendo com que as imagens de galáxias distantes pareçam curvadas ou desfocadas. Isto foi exposto numa das primeiras imagens divulgadas pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA.

Os cientistas do DES procuram imagens de galáxias para obter distorções mais subtis devido à matéria escura que "dobra" o espaço, um efeito chamado lente gravitacional fraca. A força da gravidade determina o tamanho e a distribuição das estruturas de matéria escura, e o tamanho e a distribuição por sua vez determinam a forma como essas galáxias nos parecem deformadas. É assim que as imagens podem revelar a força da gravidade a diferentes distâncias da Terra e em alturas diferentes ao longo da história do Universo. O grupo mediu agora as formas de mais de 100 milhões de galáxias e, até agora, as observações correspondem ao que é previsto pela teoria de Einstein.

"Ainda há espaço para desafiar a teoria da gravidade de Einstein, à medida que as medições se tornam cada vez mais precisas", disse a coautora Agnès Ferté, que realizou esta pesquisa como investigadora pós-doutorada no JPL. "Mas ainda temos muito a fazer antes de estarmos prontos para o Euclid e para o Roman. De modo que é essencial que continuemos a colaborar com cientistas de todo o mundo neste problema, tal como temos feito com o DES".

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)
Indicadores de distâncias cósmicas (Wikipedia)
"Escada" de distâncias cósmicas (Wikipedia)

Energia escura:
Wikipedia

Matéria escura:
Wikipedia

Teoria da Relatividade Geral:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia
Lente gravitacional fraca (Wikipedia)

Colaboração DES:
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Telescópio Victor M. Blanco:
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Observatório Planck:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Arquivo do Legado Planck (ESA)
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Euclid:
ESA
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RST ([Nancy Grace] Roman Space Telescope, anteriormente WFIRST):
NASA
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Imagens de Júpiter, pelo Webb, mostram auroras, neblinas

Com tempestades gigantes, ventos poderosos, auroras e condições extremas de temperatura e pressão, estão sempre a acontecer muitas coisas em Júpiter. Agora, o Telescópio Espacial James Webb da NASA capturou novas imagens do planeta. As observações de Júpiter pelo Webb vão dar aos cientistas ainda mais pistas sobre o que se passa no interior do planeta.

"Não esperávamos realmente que fossem assim tão boas", disse a astrónoma planetária Imke de Pater, professora emérita da Universidade da Califórnia, Berkeley. De Pater liderou as observações de Júpiter juntamente com Thierry Fouchet, professor no Observatório de Paris, como parte de uma colaboração internacional para o programa DD-ERS (Director's Discretionary Early Release Science) do Webb. O próprio Webb é uma missão internacional liderada pela NASA com os seus parceiros, a ESA e a CSA (Canadian Space Agency). "É realmente notável que possamos ver detalhes em Júpiter juntamente com os seus anéis, pequenos satélites e mesmo galáxias numa só imagem", disse.

 
Composição NIRCam do Webb de Júpiter recorrendo a três filtros - F360M (vermelho), F212N (amarelo-esverdeado) e F150W2 (ciano) - e alinhamento devido à rotação do planeta.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Equipa ERS de Júpiter; processamento por Judy Schmidt
 

As duas imagens provêm da NIRCam (Near-Infrared Camera) do observatório, que tem três filtros infravermelhos especializados que mostram detalhes do planeta. Uma vez que a luz infravermelha é invisível ao olho humano, foi mapeada para o espectro visível. Geralmente, os comprimentos de onda mais longos aparecem mais vermelhos e os comprimentos de onda mais curtos aparecem mais azuis. Os cientistas colaboraram com a cientista cidadã Judy Schmidt para traduzir os dados do Webb em imagens.

Na imagem que contém apenas Júpiter, criada a partir de várias exposições pelo Webb, as auroras estendem-se a grandes altitudes acima dos polos norte e sul de Júpiter. As auroras brilham num filtro mapeado para cores mais avermelhadas, que também realça a luz refletida a partir das nuvens mais baixas e de neblinas superiores. Um filtro diferente, mapeado para amarelos e verdes, mostra neblinas a rodopiar em torno dos polos norte e sul. Um terceiro filtro, mapeado para tons de azul, mostra a luz que é refletida a partir de uma nuvem principal mais profunda.

A Grande Mancha Vermelha, uma famosa tempestade que é tão grande que poderia engolir a Terra, aparece branca nas imagens, tal como outras nuvens, porque refletem muita luz solar.

"O brilho, aqui, indica grande altitude - de modo que a Grande Mancha Vermelha tem neblinas de alta altitude, tal como a região equatorial", disse Heidi Hammel, cientista interdisciplinar do Webb para observações do Sistema Solar e vice-presidente para ciência no AURA (Association of Universities for Research in Astronomy). "As numerosas 'manchas' e 'estrias' brancas brilhantes são provavelmente nuvens de alta altitude no topo de tempestades convectivas condensadas". Em contraste, as "fitas" escuras a norte da região equatorial têm pouca cobertura de nuvens.

Numa vista mais ampla, o Webb vê Júpiter com os seus anéis ténues, que são um milhão de vezes mais fracos do que o planeta, e duas minúsculas luas chamadas Amalteia e Adrasteia. As manchas difusas no plano de fundo, em baixo, são provavelmente galáxias "fotobombardeando" a paisagem joviana.

"Esta imagem resume a ciência do nosso programa do sistema de Júpiter, que estuda a dinâmica e a química do próprio Júpiter, dos seus anéis e do seu sistema de satélites", disse Fouchet. Os investigadores já começaram a analisar os dados do Webb para obter novos resultados científicos sobre o maior planeta do nosso Sistema Solar.

 
 
Composição NIRCam do Webb recorrendo a dois filtros - F212N (laranja) e F335M (ciano) - do sistema de Júpiter, sem legendas (em cima) e com legendas (em baixo).
Crédito: NASA, ESA, CSA, Equipa ERS de Júpiter; processamento por Ricardo Hueso (UPV/EHU) e Judy Schmidt
 

Os dados de telescópios como o Webb não chegam à Terra em pacotes bem organizados. Em vez disso, contêm informações sobre o brilho da luz nos detetores do Webb. Esta informação chega ao STScI (Space Telescope Science Institute), o centro da missão e de operações científicas do Webb, como dados em bruto. O STScI processa os dados em ficheiros calibrados para análise científica e entrega-os ao Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais para efeitos de divulgação. Os cientistas traduzem então essa informação em imagens como estas durante a sua investigação. Enquanto uma equipa do STScI processa formalmente as imagens Webb para divulgação oficial, os astrónomos não profissionais, conhecidos como cientistas cidadãos, mergulham frequentemente no arquivo público de dados para também recuperarem e processarem eles próprios as imagens.

Judy Schmidt, de Modesto, no estado norte-americano da Califórnia, que há muito tempo processa imagens na comunidade científica cidadã, processou estas novas imagens de Júpiter. Para a imagem que inclui os pequenos satélites, ela colaborou com Ricardo Hueso, coinvestigador destas observações, que estuda atmosferas planetárias na Universidade do País Basco em Espanha.

Schmidt não tem qualquer educação formal em astronomia. Mas há 10 anos atrás, um concurso da ESA despertou a sua paixão insaciável pelo processamento de imagens. A competição "Hubble's Hidden Treasures" convidou o público a encontrar novas joias nos dados do Hubble. Das quase 3000 submissões, Schmidt ficou em terceiro lugar - graças a uma imagem de uma estrela recém-nascida.

Desde o concurso da ESA que ela trabalha com dados do Hubble e de outros telescópios como hobby. "Alguma coisa despertou em mim, não consigo parar", disse. "Podia passar horas e horas todos os dias".

O seu amor pelas imagens astronómicas levou-a a processar imagens de nebulosas, enxames globulares, berçários estelares e objetos cósmicos mais espetaculares. A sua filosofia orientadora é: "tento fazer com que pareça natural, mesmo que não seja nada próximo do que o olho possa ver". Estas imagens chamaram a atenção de cientistas profissionais, incluindo Hammel, que colaboraram anteriormente com Schmidt na refinação de imagens Hubble do impacto do cometa Shoemaker-Levy 9 em Júpiter.

Júpiter é, na realidade, mais difícil de trabalhar do que as maravilhas cósmicas mais distantes, explicou Schmidt, devido à sua rápida rotação. Combinando um "stack" de imagens numa única pode ser um desafio quando as características distintivas de Júpiter giraram durante o tempo em que as imagens foram obtidas, estando por isso desalinhadas. Por vezes, ela tem de fazer ajustes digitais ao "stack" de imagens de uma forma que faça sentido.

O Webb vai fornecer observações sobre cada fase da história cósmica, mas se Schmidt tivesse de escolher algo com que ficar entusiasmada, seriam mais imagens Webb de regiões de formação estelar. Em particular, ela tem um fascínio por jovens estrelas que produzem jatos poderosos em pequenas nuvens, a que os astrónomos chamam objetos Herbig-Haro. "Estou realmente ansiosa por ver estas estranhas e maravilhosas estrelas bebé a fazerem buracos em nuvens", disse.

// NASA (blog)
// AURA (comunicado de imprensa)

 


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Júpiter:
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CCVAlg - Astronomia
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Wikipedia
Anéis de Júpiter (Wikipedia)

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
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Blog do JWST (NASA)
Programas GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Álbum de fotografias - O Pulsar Giratório da Nebulosa do Caranguejo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA; raios-X - Chandra (CXC); ótico - Hubble (STScI); Infravermelho - Spitzer (JPL-Caltech)
 
No núcleo da Nebulosa do Caranguejo encontra-se uma estrela de neutrões magnetizada, do tamanho de uma cidade, que gira 30 vezes por segundo. Conhecida como o Pulsar do Caranguejo, é o ponto brilhante no centro do turbilhão gasoso no núcleo da nebulosa. Com cerca de doze anos-luz de diâmetro, esta espetacular imagem enquadra o gás brilhante, as cavidades e os filamentos rodopiantes perto do centro da Nebulosa do Caranguejo. A imagem em destaque combina luz visível pelo Telescópio Espacial Hubble em tons de púrpura, raios-X pelo Observatório de raios-X Chandra em tons de azul e luz infravermelha pelo Telescópio Espacial Spitzer em tons de vermelho. Como um dínamo cósmico, o Pulsar do Caranguejo alimenta a emissão da nebulosa, conduzindo uma onda de choque através do material circundante e acelerando eletrões em espiral. Com mais massa do que o Sol e a densidade de um núcleo atómico, o pulsar giratório é o núcleo colapsado de uma estrela massiva que explodiu. As partes exteriores da Nebulosa do Caranguejo são os remanescentes em expansão dos componentes gasosos da estrela. A explosão de supernova foi testemunhada no planeta Terra no ano 1054.
 
   
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