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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1936  
  27/09 a 29/09/2022  
     
 

Apresentação às Estrelas | Os tapa-estrelas!
Data: 13 de outubro de 2022
Hora: 20:30
O tema desta sessão leva-nos a explorar asteroides sem os ver!
Vamos entender como é possível "adivinhar" a forma de um corpo longínquo e minúsculo, da mesma maneira como se "adivinhar" a órbita dele!
Adulto: 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
Lotação máxima de 12 pessoas.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 27/09: 270.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1905, a revista de Física, Annalen der Physik, recebe o artigo de Einstein, "A inércia de um corpo depende de seu conteúdo de energia?", introduzindo a equação E=mc^2
Em 2003 era lançada a sonda da ESASmart-1, a primeira tentativa de lançar naves espaciais de baixo custo.
Em 1997, último contato com a Mars Pathfinder. Embora os controladores tentassem restaurar as comunicações durante os cinco meses seguintes, a missão foi formalmente terminada no dia 10 de março de 1998. 
Em 2007, a NASA lança a sonda Dawn, com destino Vesta e Ceres, os dois maiores membros da cintura de asteroides.

Em 2008, o astronauta da agência espacial chinesa CNSA, Zhai Zhigang, torna-se no primeiro chinês a fazer um passeio espacial enquanto voava na Shenzhou 7.
Observações: A constelação de Cefeu, no limite da Via Láctea, encontra-se alta a nordeste e norte por estas noites. É o lar do protótipo da estrela variável cefeida, Delta Cephei.
Delta Cephei permanece visível a olho nu durante o seu ciclo; pulsa de magnitude 4,4 a 3,5 e vice-versa a cada 5 dias e 9 horas. Olhe de vez em quando comparando Delta com as vizinhas Epsilon e Zeta Cephei, magnitudes 4,2 e 3,3 respetivamente. Estas duas comparações quase que enquadram a gama de brilho de Delta Cephei.
Através de um telescópio Delta Cephei é um bonito binário. A sua companheira, de magnitude 6,3, está a 41 segundos de arco.

Dia 28/09: 271.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1860, nascia Paul Ulrich Villard, físico e químico francês que descobriu os raios-gama em 1900 enquanto estudava a radiação emanada pelo elemento químico rádio.
Em 1999, o Observatório de Raios-X Chandra da NASA divulga uma espetacular imagem da Nebulosa do Caranguejo, os espetaculares remanescentes de uma explosão estelar, revelando algo ainda nunca visto.

O brilhante anel à volta do coração da nebulosa são ondas de partículas altamente energéticas que parecem ter sido expulsas a uma distância de 1 ano-luz da estrela central, e os jatos de partículas afastam-se da estrela de neutrões numa direção perpendicular à espiral.
Em 2008, a SpaceX lança sua a primeira nave espacial privada, a Falcon 1, para órbita.
Observações: O "W" de Cassiopeia está alto a nordeste depois do anoitecer. O lado direito do "W" (o mais brilhante) está inclinado para cima. Olhe para o segundo segmento do "W" a contar do topo. Note as fracas estrelas visíveis a olho nu ao longo desse segmento (não contando com as duas pontas). A mais brilhante delas, à direita, é Eta Cassiopeiae, de magnitude 3,4. É uma estrela semelhante ao Sol a apenas 19 anos-luz de distância, mas tem uma companheira laranja anã, de magnitude 7,3 e separação de 7,3 segundos de arco - um bonito binário através de um telescópio.
Para a esquerda de Eta, mais fraca, está uma estrela dupla ainda visível a olho nu: Upsilon1 e Upsilon2 Cassiopeiae, separadas por 0,3º. São gigantes amarelo-alaranjadas sem relação uma com a outra, a 200 e 400 anos-luz. Upsilon2 é ligeiramente mais brilhante do que a outra. É também a mais próxima.

Dia 29/09: 272.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1954 é assinada a convenção que estabelece o CERN.
Em 1962 era lançado o Alouette 1, o primeiro satélite canadiano.
Em 1988 era lançada a missão STS-26 do vaivém Discovery.

Marca o recomeço das missões depois do acidente 1986 51-L do vaivém Challenger. Duração da missão: 97 horas e 11 minutos.
Em 2004, o asteroide 4179 Toutatis passa a quatro distâncias lunares da Terra. No mesmo ano, a nave SpaceShipOne de Burt Rutan faz o seu primeiro voo espacial, dos dois necessários para ganhar o Ansari X Prize.
Observações: Ao final do lusco-fusco, olhe para sudoeste em busca da Lua Crescente. A alaranjada Antares está para a sua esquerda cerca de 12º. Entre estes dois astros está Delta Scorpii, segunda em brilho em relação a Antares.

 
 
   
A missão DART atinge o asteroide Dimorphos; é o primeiro teste de defesa planetária

Após 10 meses de voo no espaço, a missão DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA - a primeira demonstração mundial de tecnologia de defesa planetária - teve um impacto bem-sucedido no seu alvo durante a noite de segunda para terça-feira, a primeira tentativa da agência espacial para mover um asteroide no espaço.

O controlo da missão, no APL (John Hopkins Applied Physics Laboratory) em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, anunciou o impacto bem-sucedido às 00:14 desta terça-feira.

 
Imagem do asteroide Dimorphos, satélite de Didymos.
Crédito: NASA/JHUAPL
 

Como parte da estratégia global de defesa planetária da NASA, o impacto da DART com o asteroide Dimorphos demonstra uma técnica de mitigação viável para proteger o planeta de um asteroide ou cometa com destino Terra, caso um fosse descoberto.

"No seu cerne, a DART representa um sucesso sem precedentes para a defesa planetária, mas é também uma missão de união com um benefício real para toda a humanidade", disse o administrador da NASA, Bill Nelson. "Enquanto a NASA estuda o cosmos e o nosso planeta natal, estamos também a trabalhar para proteger esse lar, e esta colaboração internacional transformou a ficção científica em facto científico, demonstrando uma forma de proteger a Terra".

A DART visou o asteroide satélite Dimorphos, um pequeno corpo com apenas 160 metros de diâmetro. Orbita um asteroide maior, com 780 metros, chamado Didymos. Nenhum dos asteroides representa uma ameaça para a Terra.

A viagem [apenas de ida] da missão confirmou que a NASA pode navegar com sucesso uma nave espacial para colidir intencionalmente com um asteroide para assim o desviar, uma técnica conhecida como impacto cinético.

A equipa de investigação irá agora observar Dimorphos utilizando telescópios terrestres para confirmar que o impacto da DART alterou a órbita do asteroide em redor de Didymos. Os investigadores esperam que o impacto reduza o tamanho da órbita de Dimorphos em cerca de 1%, resultando num período orbital com mais 10 minutos; medir com precisão quanto o asteroide foi desviado é um dos principais objetivos do teste à escala real.

 
O ponto de vista capturado pela DART momentos antes de colidir com o asteroide Dimorphos.
Crédito: NASA/JHUAPL
 

"A defesa planetária é um esforço unificador global que afeta todos os que vivem na Terra", disse Thomas Zurbuchen, administrador associado no Diretorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington. "Agora sabemos que podemos apontar uma nave espacial com a precisão necessária para atingir até mesmo um corpo pequeno no espaço". Apenas uma pequena mudança na sua velocidade é tudo o que precisamos para fazer uma diferença significativa no percurso que um asteroide tem".

O único instrumento da nave espacial, DRACO (Didymos Reconnaissance and Asteroid Camera for Optical navigation), juntamente com um sofisticado sistema de orientação, navegação e controlo que funciona em conjunto com os algoritmos SMART Nav (Small-body Maneuvering Autonomous Real Time Navigation), permitiu à DART identificar e distinguir entre os dois asteroides, visando o corpo mais pequeno.

Estes sistemas guiaram a nave espacial em forma de caixa, com 570 kg, através dos últimos 90.000 quilómetros de espaço até Dimorphos, colidindo intencionalmente com ele a cerca de 22.530 quilómetros por hora para abrandar ligeiramente a velocidade orbital do asteroide. As imagens finais do DRACO, obtidas pela nave espacial segundos antes do impacto, revelaram a superfície de Dimorphos em detalhe.

Quinze dias antes do impacto, o LICIACube (Light Italian CubeSat for Imaging of Asteroids), o CubeSat companheiro da DART, fornecido pela Agência Espacial Italiana, libertou-se da nave espacial para capturar imagens do impacto e da resultante nuvem de matéria ejetada do asteroide. Em conjunto com as imagens transmitidas pelo DRACO, as imagens do LICIACube destinam-se a fornecer uma visão dos efeitos da colisão para ajudar os investigadores a caracterizar melhor a eficácia do impacto cinético no desvio de um asteroide. Dado que o LICIACube não transporta uma antena grande, as imagens serão enviadas para a Terra uma a uma nas próximas semanas.

 
A última imagem completa da lua Dimorphos, tirada pelo DRACO da missão DART da NASA a 12 quilómetros do asteroide e 2 segundos antes do impacto. A imagem mostra uma área do asteróide que abrange 31 metros. O norte de Dimorphos está na direção do topo da imagem.
Crédito: NASA/JHUAPL
 

"O sucesso da DART proporciona uma adição significativa à caixa de ferramentas essenciais que devemos ter para proteger a Terra de um impacto devastador de um asteroide", disse Lindley Johnson, Oficial de Defesa Planetária da NASA. "Isto demonstra que já não somos impotentes para evitar este tipo de desastre natural. Juntamente com capacidades reforçadas para acelerar a descoberta da restante população de asteroides perigosos pela nossa próxima missão de Defesa Planetária, a NEO (Near-Earth Object) Surveyor, uma sucessora da DART poderia fornecer o que precisamos para 'salvar o dia'".

Com o par de asteroides a 11 milhões de quilómetros da Terra, uma equipa global está a utilizar dúzias de telescópios espalhados por todo o mundo e no espaço para observar o sistema asteroidal. Durante as próximas semanas, eles vão caracterizar o material ejetado produzido e medir com precisão a mudança orbital de Dimorphos para determinar o quão eficazmente a DART desviou o asteroide. Os resultados ajudarão a validar e a melhorar modelos científicos computorizados para prever a eficácia desta técnica como um método fiável para a deflexão de asteroides.

"Esta missão inédita exigiu uma preparação e precisão incríveis, e a equipa excedeu as expetativas em todos os aspetos", disse o Diretor do APL, Ralph Semmel. "Para além do sucesso verdadeiramente emocionante da demonstração tecnológica, as capacidades baseadas na DART podem um dia ser utilizadas para mudar o curso de um asteroide para proteger o nosso planeta e preservar a vida na Terra tal como a conhecemos".

Daqui a cerca de quatro anos, o projeto Hera da ESA irá realizar levantamentos detalhados tanto de Dimorphos como de Didymos, com particular incidência na cratera deixada pela colisão da DART e na medição precisa da massa de Dimorphos.

// NASA (comunicado de imprensa)
// JHUAPL (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
09/09/2022 - DART já vê o seu destino, o asteroide Didymos e a pequena lua Dimorphos

DART (Double Asteroid Redirection Test):
NASA
Wikipedia
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Didymos e Dimorphos:
Didymos (Wikipedia)
Dimorphos (Wikipedia)

 
   
Astrónomos detetam bolha de gás quente em torno do buraco negro supermassivo da Via Láctea

Com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os astrónomos descobriram sinais de um "ponto quente" em órbita de Sagitário A*, o buraco negro no centro da nossa Galáxia. Esta descoberta ajuda-nos a compreender melhor o meio enigmático e dinâmico que rodeia o nosso buraco negro supermassivo.

"Pensamos estar a ver uma bolha de gás quente em torno de Sagitário A*, numa órbita semelhante em tamanho à do planeta Mercúrio, mas que completa uma volta em cerca de 70 minutos. Para que isso aconteça a velocidade a que se desloca tem que ser enorme, cerca de 30% da velocidade da luz!" explica Maciek Wielgus do Instituto Max Planck para Radioastronomia em Bona, na Alemanha, que liderou este estudo publicado na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.

 
Imagem do buraco negro supermassivo, Sagitário A*, observado pela Colaboração EHT (Event Horizon Telescope), juntamente com uma ilustração artística que mostra onde é que os modelos dos dados ALMA prevêem que esteja o ponto quente e a sua órbita em torno do buraco negro.
Crédito: Colaboração EHT, ESO/M. Kornmesser (reconhecimento: M. Wielgus)
 

As observações foram obtidas com o ALMA nos Andes chilenos — um radiotelescópio que pertence parcialmente ao ESO — durante uma campanha levada a cabo pela Colaboração EHT (Event Horizon Telescope) destinada a obter imagens de buracos negros. Em abril de 2017, o EHT juntou oito radiotelescópios existentes no mundo inteiro, incluindo o ALMA, para obter dados que resultaram na primeira imagem de Sagitário A*, recentemente divulgada. Para calibrar os dados EHT, Wielgus e colegas, que são membros da Colaboração EHT, utilizaram dados do ALMA obtidos na mesma altura que as observações EHT de Sagitário A*. Para surpresa da equipa, havia mais pistas escondidas nas medições obtidas apenas com o ALMA sobre a natureza do buraco negro.

Por acaso, algumas das observações tinham sido realizadas pouco depois de uma explosão de energia de raios-X emitida a partir do centro da nossa Galáxia, a qual tinha sido detetada pelo Telescópio Espacial Chandra da NASA. Pensa-se que este tipo de explosões, observadas anteriormente por telescópios infravermelhos e de raios-X, estejam associadas aos chamados "pontos quentes", bolhas de gás quente que se deslocam a altas velocidades em órbitas muito próximas do buraco negro.

"O que é mesmo novo e interessante é o facto destas explosões estarem, até agora, apenas claramente presentes em observações infravermelhas e de raios-X de Sagitário A*. Estamos, pela primeira vez, a ver fortes indicações de que pontos quentes a orbitar o buraco negro também estão presentes em observações rádio," disse Wielgus, também afiliado ao Centro Astronómico Nicolau Copérnico, Polónia, e à Iniciativa Buraco Negro da Universidade de Harvard, EUA.

"Talvez estes pontos quentes detetados nos comprimentos de onda do infravermelho sejam uma manifestação do mesmo fenómeno físico: à medida que arrefecem, os pontos quentes que emitem no infravermelho tornam-se visíveis a comprimentos de onda maiores, como os observados pelo ALMA e pelo EHT", acrescenta Jesse Vos, estudante de doutoramento na Universidade Radboud, Países Baixos, também envolvido neste estudo.

Pensou-se durante muito tempo que estas explosões teriam origem nas interações magnéticas do gás muito quente que orbita muito próximo de Sagitário A* e, de facto, estes novos resultados apoiam esta ideia. "Descobrimos agora evidências fortes para uma origem magnética destas explosões e as nossas observações dão-nos pistas sobre a geometria do processo. Os novos dados são extremamente úteis na construção de uma interpretação teórica destes eventos," diz a coautora Monika Mościbrodzka da Universidade Radboud.

 
Esta imagem mostra o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) a observar a Via Láctea e, consequentemente, também o local de Sagitário A*, o buraco negro supermassivo que se encontra no Centro Galáctico. Destacada na caixa vemos a imagem de Sagitário A* obtida pela Colaboração EHT (Event Horizon Telescope). Situado no deserto chileno do Atacama, o ALMA é o mais sensível de todos os observatórios rádio que compõem a rede EHT, sendo copertencente e co-operado pelo ESO em prol dos seus Estados Membros na Europa.
Crédito: ESO/José Francisco Salgado (josefrancisco.org), Colaboração EHT
 

O ALMA permite aos astrónomos estudar emissão rádio polarizada de Sagitário A*, a qual pode ser usada para investigar o campo magnético do buraco negro. A equipa utilizou estas observações juntamente com modelos teóricos para aprender mais sobre a formação do ponto quente e o ambiente em que se encontra, incluindo o campo magnético que rodeia Sagitário A*. Este trabalho de investigação coloca limites mais fortes na forma deste campo magnético do que os conseguidos em observações anteriores, ajudando os astrónomos a descobrir a natureza do nosso buraco negro e seus arredores.

As observações confirmam algumas das descobertas anteriores feitas com o auxílio do instrumento GRAVITY montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, que observa no infravermelho. Tanto os dados do GRAVITY como os do ALMA sugerem que a explosão tem origem num nodo de gás que orbita em torno do buraco negro a cerca de 30% da velocidade da luz na direção dos ponteiros do relógio no céu, com a órbita do ponto quente quase de face para nós.

"No futuro deveremos ser capazes de seguir pontos quentes ao longo de várias frequências, usando observações coordenadas em vários comprimentos de onda, obtidas tanto com o GRAVITY como com o ALMA — o sucesso de tal esforço seria um verdadeiro marco na nossa compreensão da física das explosões no Centro Galáctico," diz Ivan Marti-Vidal da Universidade de Valência, Espanha, coautor do estudo.

A equipa espera também conseguir observar diretamente com o EHT os nodos de gás, para investigar cada vez mais perto do buraco negro e aprender mais sobre ele. "Talvez um dia estejamos confortáveis o suficiente para dizer que 'sabemos' o que se passa em Sagitário A*," conclui Wielgus.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck para Radioastronomia (comunicado de imprensa)
// Universidade Radboud (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)
// ESOcast 256 Light: bolha de gás quente em torno do nosso buraco negro supermassivo (ESO via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
17/05/2022 - Fazendo sentido do que não faz sentido: os buracos negros e a biblioteca de simulações
13/05/2022 - Astrónomos divulgam primeira imagem do buraco negro no coração da nossa Galáxia

Notícias relacionadas:
Astronomy
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG
science alert
New Scientist
ZME Science

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

VLT:
ESO
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ESO:
Página oficial
Wikipedia

EHT (Event Horizon Telescope):
Página principal
Wikipedia

 
   
É improvável que os exoplanetas semelhantes à Terra sejam outro "Pálido Ponto Azul"

Ao procurar mundos semelhantes à Terra em torno de outras estrelas, em vez de procurar o "Pálido Ponto Azul" descrito por Carl Sagan, uma nova investigação sugere que uma caça aos "pálidos pontos amarelos" secos e frios pode ter mais hipóteses de sucesso. O quase-equilíbrio de terra-água que ajudou a vida a florescer no nosso planeta pode ser altamente invulgar, segundo um estudo suíço-alemão apresentado no Congresso de Ciência da EPS (Europlanet Society) em Granada.

Tilman Spohn e Dennis Höning estudaram como a evolução e os ciclos dos continentes e da água poderiam moldar o desenvolvimento dos exoplanetas terrestres. Os resultados dos seus modelos sugerem que os planetas têm cerca de 80% de probabilidade de serem maioritariamente cobertos por terra, com 19% de probabilidade de serem principalmente mundos oceânicos. Apenas um por cento dos resultados teve uma distribuição de terra e água semelhante à da Terra.

 
Os planetas terrestres podem evoluir em três cenários de distribuição terra/oceano: cobertos por terra, oceanos ou uma mistura igual de ambos. O planeta coberto por terra é o cenário mais provável (cerca de 80%), enquanto que a nossa "mistura igual" Terra (<1% de probabilidade) é ainda mais única do que se pensava anteriormente. A modelagem mostra que as probabilidades destes três tipos variam muito, ao mesmo tempo que têm grande impacto no seu clima e, portanto, na sua habitabilidade.
Crédito: Europlanet 2024 RI/T. Roger
 

"Nós, terráqueos, desfrutamos do equilíbrio entre áreas terrestres e oceanos no nosso planeta. É tentador assumir que uma segunda Terra seria igual à nossa, mas os nossos resultados de modelagem sugerem que não é provável que seja esse o caso", disse o professor Spohn, diretor executivo para o ISSI (International Space Science Institute) em Berna, Suíça.

Os modelos numéricos da equipa sugerem que as temperaturas médias da superfície não seriam muito diferentes, com talvez uma variação de 5º Celsius, mas que a distribuição terra-oceano afetaria os climas dos planetas. Um mundo oceânico, com menos de 10% de terra, seria provavelmente húmido e quente, com um clima semelhante ao da Terra na época tropical e subtropical que se seguiu ao impacto do asteroide que causou a extinção dos dinossauros.

Os mundos continentais, com menos de 30% de oceanos, caracterizar-se-iam por climas mais frios, mais secos e mais rigorosos. Os desertos frios poderiam ocupar as partes interiores das massas terrestres e de um modo geral assemelhar-se-iam à nossa Terra durante a última Idade do Gelo, quando se desenvolveram extensos glaciares e camadas de gelo.

 
Imagem mostrando a Terra a partir de uma distância de 6 mil milhões de quilómetros, tirada pela nave espacial Voyager 1 da NASA em 1990. Tornou-se icónica com o nome de "Pálido Ponto Azul". A imagem foi recentemente processada e divulgada pela NASA em 2020.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Na Terra, o crescimento dos continentes por atividade vulcânica e a sua erosão estão mais ou menos em equilíbrio. A vida baseada na fotossíntese prospera em terra, onde tem acesso direto à energia solar. Os oceanos fornecem um enorme reservatório de água que aumenta a pluviosidade e evita que o clima atual se torne demasiado seco.

"No motor das placas tectónicas da Terra, o aquecimento interno impulsiona a atividade geológica, tal como sismos, vulcões e a construção de montanhas, e resulta no crescimento de continentes. A erosão da terra faz parte de uma série de ciclos que trocam água entre a atmosfera e o interior. Os nossos modelos numéricos de como estes dois ciclos interagem mostram que a Terra atual pode ser um planeta excecional e que o equilíbrio de massa terrestre pode ser instável ao longo de milhares de milhões de anos. Embora todos os planetas modelados possam ser considerados habitáveis, a sua fauna e flora podem ser bastante diferentes", disse o professor Spohn.

// EPS (comunicado de imprensa)
// Resumo do artigo científico (EPS)

 


Saiba mais

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

 
   
Também em destaque
  Astrónomos determinam distâncias de 56.000 galáxias, o maior catálogo de sempre (via Universidade do Hawaii)
Qual é a idade do nosso Universo, e qual é o seu tamanho? Uma equipa de investigadores reuniu a maior compilação de sempre de distâncias de galáxias com alta precisão, chamada Cosmicflows-4. Utilizando oito métodos diferentes, eles mediram as distâncias a uma impressionante quantidade de 56.000 galáxias. O estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Toda a Água no Planeta Terra
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Jack Cook, Adam Nieman, Instituto Oceanográfico de Woods Hole; fonte dos dados - Igor Shiklomanov
 
Quanto do planeta Terra é água? Muito pouco, na verdade. Embora os oceanos cubram cerca de 70% da superfície da Terra, estes oceanos são pouco profundos em comparação com o raio da Terra. A ilustração em destaque mostra o que aconteceria se toda a água sobre ou perto da superfície da Terra fosse armazenada numa bola. O raio desta bola seria apenas de cerca de 700 quilómetros, menos de metade do raio da Lua da Terra, mas ligeiramente maior do que a lua de Saturno, Reia, que, como muitas luas no nosso Sistema Solar exterior, é na sua maioria água gelada. A bola seguinte, mais pequena, representa toda a água doce líquida da Terra, enquanto a bola mais pequena mostra o volume de todos os lagos e rios de água doce da Terra. Como alguma desta água veio parar à Terra e se alguma quantidade significativa está presa muito abaixo da superfície da Terra continuam a ser tópicos de investigação.
 
   
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