Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1980  
  28/02 a 02/03/2023  
     
 

NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
Observação noturna

Data: 3 de março de 2023
Hora: 19:00
Local: Forte do Rato
No próximo dia 3 de março, realiza-se mais uma sessão das Noites Astronómicas em Tavira e será possível observar diferentes constelações e planetas presentes nesta noite. Teremos também a oportunidade de observar a Lua. A sessão gratuita decorre pelas 19:00 no Forte do Rato. Participe!
Inscrição obrigatória.
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes
Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 

APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Os Equinócios

Data: 9 de março de 2023
Hora: 18:30-19:30
Em março chega até nós a Primavera, e o momento que a anuncia é o equinócio. Este é o tema da apresentação que antecede a observação com telescópio nesta atividade. A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis!
Adulto:
 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 28/02: 59.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1959, lançamento do Discoverer 1, um satélite espião americano que é o primeiro objeto tentar a atingir órbita polar, não conseguindo atingir tal órbita.
Em 1997, o GRB 970228, um flash altamente luminoso de raios-gama, atinge a Terra durante 80 segundos, fornecendo provas de que as explosões de raios-gama ocorrem dentro da Via Láctea.
Em 2007, a sonda New Horizons, com destino Plutão, passa por Júpiter.

HOJE, NO COSMOS:
Fevereiro tem sido o mês em que Orionte se destacou o mais alto a sul ao início da noite. Agora, a chegada de março empurra Orionte para oeste e traz o seu cão, Cão Maior, com Sirius no peito, para o meridiano.
Sirius não é apenas a estrela mais brilhante do nosso céu noturno, é também a estrela mais próxima visível a olho nu, a 8,6 anos-luz, para quem vive a latitudes médias norte. Isto torna Sirius o objeto visível a olho nu mais próximo depois de Saturno (ou talvez depois de Úrano se o seu céu for suficientemente escuro).
Alpha Centauri é na realidade a estrela mais próxima visível a olho nu do céu noturno, a 4,3 anos-luz, mas temos que estar mais para sul para a poder observar. E, no céu a norte, três ténues anãs vermelhas estão mais perto do que Sirius, mas essas requerem binóculos ou um telescópio.

 

DIA 01/03: 60.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1870, nascia E. M. Antoniadi, astrónomo grego que ficou conhecido pelas suas observações de Marte. Foi o primeiro a apoiar a noção de canais marcianos, mas mais tarde chegou à conclusão de que era apenas uma ilusão ótica.
Em 1927, nascimento de George Abell, que catalogou 2712 enxames galáticos e determinou os números relativos de galáxias com vários brilhos intrínsecos. Morreu em 1983.
Em 1966, a sonda soviética Venera 3 colide com o planeta Vénus, tornando-se na primeira a "aterrar" na superfície de outro planeta.
Em 1980, a sonda Voyager 1 confirma a existência de Jano, uma lua de Saturno. 
Em 1982, a soviética Venera 13 envia as primeiras fotografias a cores de Vénus (a Venera 14 seguiu-a 4 dias depois).

Foi lançada a 30 de outubro de 1981 e a Venera 14 a 4 de novembro de 1981.
Em 2002, lançamento da missão STS-109, com objetivo de fazer a manutenção do Telescópio Espacial Hubble. No mesmo ano, o satélite ambiental Envisat alcança com sucesso uma órbita de 800 km por cima da Terra no seu 11.º lançamento, transportando a carga mais pesada até à data, 8500 quilogramas.
HOJE, NO COSMOS:
Vénus e Júpiter atingem a conjunção. Brilham a oeste durante e após o lusco-fusco. Embora certamente pareçam próximos um do outro, Vénus esta noite está a 11 minutos-luz da Terra enquanto Júpiter fica a 48 minutos-luz, mais de 4 vezes mais longe.
Tente fotografar o evento!

 

DIA 02/03: 61.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1972, é lançada a sonda americana Pioneer 10. Torna-se na primeira a passar pela cintura de asteroides e a alcançar o planeta Júpiter (em 1973).

Torna-se também na primeira sonda a navegar para lá da órbita dos planetas do Sistema Solar exterior. A Pioneer 10 transporta uma placa desenhada para identificar a sua origem caso seja encontrada à deriva pela Via Láctea. Em 2003, após 31 anos, a Pioneer 10 deixa finalmente de se ouvir.
Em 1978, o astronauta checo Vladimir Remek torna-se no primeiro não-russo ou não-americano a ir ao espaço, a bordo da Soyuz 28.
Em 1998, dados enviados pela sonda Galileu indicam que a lua de Júpiter, Europa, tem um oceano líquido por baixo de uma espessa crosta de gelo.
HOJE, NO COSMOS:
Embora já não tão próximos um do outro como ontem, Júpiter e Vénus ainda dão um bom espetáculo!
A Lua brilha para a direita de Pollux.

 
 
   
Telescópio Webb avista galáxias antigas mas tão massivas que segundo a teoria atual nem sequer deveriam existir
 
Um mosaico recolhido pelo JWST de uma região do espaço perto da Ursa Maior, com inserções mostrando a localização de seis novas candidatas a galáxia no amanhecer do Universo.
Crédito: NASA, ESA, CSA, I. Labbe (Universidade de Tecnologia de Swinburne); processamento - G. Brammer (Instituto Niels Bohr na Universidade de Copenhaga)
 

Num novo estudo, uma equipa internacional de astrofísicos descobriu vários objetos misteriosos escondidos em imagens do Telescópio Espacial James Webb: seis potenciais galáxias que emergiram tão cedo na história do Universo e que são tão massivas que não deveriam ser possíveis sob a atual teoria cosmológica.

Cada uma das galáxias candidatas pode ter existido no amanhecer do Universo, cerca de 500 a 700 milhões de anos após o Big Bang, ou há mais de 13 mil milhões de anos. São também gigantescas, contendo quase tantas estrelas como a Via Láctea dos tempos modernos.

"É de loucos", disse Erica Nelson, coautora da nova investigação e professora assistente de astrofísica na Universidade do Colorado em Boulder, EUA. "Simplesmente não se espera que o Universo primitivo seja capaz de se organizar tão rapidamente. Estas galáxias não deveriam ter tido tempo para se formar".

Nelson e colegas, incluindo o primeiro autor Ivo Labbé da Universidade de Tecnologia de Swinburne na Austrália, publicaram os seus resultados na edição de 22 fevereiro da revista Nature.

Os achados mais recentes não são as galáxias mais antigas já observadas pelo JWST, que foi lançado em dezembro de 2021 e é o telescópio mais poderoso alguma vez enviado para o espaço. No ano passado, outra equipa de cientistas avistou várias galáxias que provavelmente coalesceram a partir de gás cerca de 350 milhões de anos após o Big Bang. Esses objetos, no entanto, são minúsculos em comparação com as novas galáxias, contendo muitas vezes menos massa.

Os investigadores ainda precisam de mais dados para confirmar que estas galáxias são tão grandes e que datam tão atrás no tempo como parecem. Contudo, as suas observações preliminares fornecem uma amostra tentadora de como o James Webb poderá reescrever os livros de astronomia.

"Outra possibilidade é que estas coisas são um tipo diferente de objeto estranho, como quasares fracos, o que seria igualmente interessante", explicou.

Pontos difusos

Há muita excitação no ar: em 2022, Nelson e colegas dos EUA, Austrália, Dinamarca e Espanha formaram uma equipa "ad hoc" para investigar os dados que o JWST estava a transmitir para a Terra.

As suas recentes descobertas provêm do levantamento CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science) do telescópio. Estas imagens olham profundamente para uma zona do céu perto da Ursa Maior - uma região do espaço relativamente enfadonha, pelo menos à primeira vista, que o Telescópio Espacial Hubble observou pela primeira vez na década de 1990.

Nelson estava a espreitar uma secção do tamanho de um selo postal de uma imagem quando avistou algo estranho: alguns "pontos difusos" de luz que pareciam demasiado brilhantes para serem reais.

"Eles eram tão vermelhos e tão brilhantes", disse Nelson. "Não estávamos à espera de os ver".

Ela explicou que, em astronomia, a luz vermelha normalmente assinala luz antiga. O Universo, disse Nelson, tem vindo a expandir-se desde o início dos tempos. À medida que cresce, as galáxias e outros objetos celestes afastam-se cada vez mais e a luz que emitem é esticada. Quanto mais a luz é esticada, mais vermelha parece aos instrumentos humanos (em contraste, a luz dos objetos que se aproximam da Terra parece mais azul).

A equipa fez cálculos e descobriu que as suas galáxias antigas também eram enormes, abrigando dezenas a centenas de milhares de milhões de estrelas do tamanho do Sol, em termos de massa, ao nível da Via Láctea.

Estas galáxias primordiais, no entanto, provavelmente não tinham muito em comum com a nossa.

"A Via Láctea forma cerca de uma a duas novas estrelas por ano", disse Nelson. "Algumas destas galáxias teriam de estar a formar centenas de novas estrelas por ano durante toda a história do Universo".

Nelson e colegas querem usar o James Webb para recolher muito mais informação sobre estes objetos misteriosos, mas já viram o suficiente para aguçar a sua curiosidade. Para começar, os cálculos sugerem que não deveria ter havido matéria normal suficiente - do tipo que compõe estrelas e corpos humanos - naquela época para formar tantas estrelas tão rapidamente.

"Mesmo que apenas uma destas galáxias seja real, vai empurrar contra os limites da nossa compreensão da cosmologia", disse Nelson.

Observando o passado

Para Nelson, as novas descobertas são o culminar de uma viagem que começou quando ela ainda andava na escola primária. Quanto tinha 10 anos, escreveu um texto sobre o Hubble, um telescópio lançado em 1990 e que ainda hoje está ativo. Nelson ficou agarrada.

"A luz demora tempo a viajar de uma galáxia até nós, o que significa que se está a olhar para trás no tempo quando se observam estes objetos", comentou. "Eu achei este conceito tão arrebatador que naquele instante decidi que era isto que queria fazer na minha vida".

O rápido ritmo de descoberta com o JWST é muito parecido com o dos primeiros dias do Hubble, disse Nelson. Na altura, muitos cientistas pensavam que as galáxias só começaram a formar-se milhares de milhões de anos após o Big Bang. Mas os investigadores cedo descobriram que o Universo primitivo era muito mais complexo e excitante do que poderiam ter imaginado.

"Apesar de já termos aprendido a nossa lição com o Hubble, ainda não esperávamos que o James Webb visse galáxias tão maduras tão longe no tempo", disse Nelson. "Estou muito entusiasmada!"

// Universidade do Colorado em Boulder (comunicado de imprensa)
// Universidade Estatal da Pensilvânia (comunicado de imprensa)
// Universidade de Tecnologia de Swinburne (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
Astronomy
SPACE.com
Universe Today
COSMOS
New Scientist
ScienceDaily
Space Ref
PHYSORG
Reuters
euronews

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)
Indicadores de distâncias cósmicas (Wikipedia)
"Escada" de distâncias cósmicas (Wikipedia)

CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science Survey):
Página principal
Twitter

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Programas GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
A dança de buracos negros supermassivos
 
O painel da esquerda mostra uma imagem ultravioleta profunda de OJ 287 e do seu ambiente obtida com o Swift. Esta é uma das imagens UV mais profundas daquela parte do céu alguma vez tirada, combinando 560 exposições individuais. A fonte mais brilhante no campo é OJ 287. A região do buraco negro binário, propriamente dita, não pode ser resolvida na imagem UV. O painel da direita representa uma impressão de artista do núcleo de OJ 287, incluindo o disco de acreção, o jato e um segundo buraco negro em órbita do buraco negro primário que tem uma massa de 100 milhões de massas solares.
Crédito: S. Komossa et al.; NASA/JPL-Caltech
 

Um estudo a longo prazo com dados de quatro telescópios, desde o rádio a altas frequências, penetrou no núcleo da muito discutida galáxia ativa OJ 287, revelando mais detalhes sobre o seu interior. Os resultados da equipa internacional, liderada por Stefanie Komossa do Instituto Max Planck para Radioastronomia, reforçam as evidências de um buraco negro binário e colocam novamente o buraco negro primário na "balança".

Os blazares são uma classe especial de galáxias ativas caracterizadas por uma atividade elevada e luminosidade extrema. Os "motores" destas galáxias são buracos negros escondidos dentro dos seus núcleos, milhões a milhares de milhões de vezes mais massivos do que o nosso Sol. Estes "motores" foram alimentados ao longo da história do Universo, especialmente quando as galáxias colidiam. A fusão subsequente das galáxias criou buracos negros binários supermassivos. O estudo de tais pares de buracos negros revela muito sobre a evolução das galáxias e sobre o crescimento dos buracos negros.

Um buraco negro na "balança"

OJ 287 é uma das melhores candidatas a acolher um buraco negro binário supermassivo e compacto. Uma indicação disto são as explosões excecionais de radiação produzidas por processos no centro da galáxia, que se repetem a cada 11 a 12 anos. Estritamente falando, cada explosão consiste em dois picos separados por cerca de um ano. Estas explosões repetidas são tão notáveis que vários modelos binários diferentes foram propostos e discutidos na literatura com o intuito de os explicar. A equipa liderada por Stefanie Komossa, no Instituto Max Planck para Radioastronomia, reviu agora o modelo anteriormente preferido, levando a cabo uma campanha de observação sistemática e sem precedentes. No processo, os investigadores também determinaram diretamente, e pela primeira vez, a massa do buraco negro primário. Com 100 milhões de massas solares, é provavelmente cerca de cem vezes mais pequeno do que se pensava. A nova estimativa da massa do buraco negro parece também explicar toda a história dos surtos de radiação de OJ 287, que foram agora mapeadas com grande detalhe.

Revelando o invisível

A galáxia OJ 287 está demasiado longe para os telescópios resolverem o núcleo compacto em torno dos buracos negros suspeitos. Contudo, uma vez que esta região domina o brilho de toda a galáxia, a radiação que emerge do núcleo é facilmente detetável na Terra e permite aos astrónomos reconstruir, com algumas limitações, os processos escondidos no interior do núcleo brilhante. Para tal, convém conhecer os processos subjacentes. A matéria de um disco que rodeia o buraco negro e que se desloca para dentro perde energia gravitacional sob a forma de radiação ótica e ultravioleta. Um jato lançado dos arredores do "motor" central acelera as partículas para longe. Este fluxo de matéria muitas vezes altamente relativista emite radiação intensa que vai desde o rádio até aos raios-X e raios-gama.

"OJ 287 é um excelente laboratório para estudar os processos físicos que reinam num dos ambientes astrofísicos mais extremos: discos e jatos de matéria nas imediações de um ou dois buracos negros supermassivos", diz Komossa, autora principal de dois estudos aqui apresentados. "Por conseguinte, iniciámos o projeto MOMO ("Multiwavelength Observations and Modelling of OJ 287"). Consiste em observações de alta cadência de OJ 287 em mais de 14 frequências, desde o rádio até às altas energias com a duração de anos, e acompanhamentos dedicados em múltiplas instalações terrestres e espaciais quando o blazar se encontra em estados excecionais".

Os surtos de OJ 287 podem ser explicados pelo modelo de um buraco negro binário, em particular pelo movimento do segundo buraco negro, de massa mais baixa, em órbita do buraco negro primário. Na sua órbita inclinada, perturba ou o jato ou o disco de matéria, provocando assim as explosões periódicas de OJ 287. As medições com o radiotelescópio de Effelsberg de 100 metros atribuem o surto mais recente diretamente ao jato. É como olhar para um foco luminoso que brilha mais do que tudo o que está por detrás dele.

 
Os telescópios usados para as observações incluem dois radiotelescópios, a antena de 100 metros de Effelsberg na Alemanha e o SMA (Submilimeter Array) no Hawaii, e dois observatórios espaciais: o Fermi (raios-gama) e o Observatório Neil Gehrels Swift no ótico, UV e em raios-X.
Crédito: NASA (imagens dos satélites Fermi e Swift), N. Junkes (Effelsberg), J. Weintroub (SMA)
 

Evidências fortes de dois buracos negros supermassivos no núcleo

O modelo mais avançado que descreve os processos no centro de OJ 287 assumiu um buraco negro primário cem mil milhões de vezes mais massivo do que o Sol. De acordo com este modelo, o próximo surto teria tido lugar em outubro de 2022. Os dados reais não confirmaram esta previsão. Ao invés, graças à densa cobertura da campanha MOMO, os astrónomos descobriram este surto muito mais cedo, entre 2016 e 2017. O modelo anteriormente favorecido foi, portanto, falsificado. Os investigadores reavaliaram então a massa do buraco negro primário. Ao que parece, o buraco negro é 100 vezes mais leve do que se pensava anteriormente. Como resultado, a órbita do buraco negro secundário em torno do buraco negro primário deveria oscilar muito menos. Este comportamento tem implicações diretas nas explosões previstas, que são agora consistentes tanto com medições histórias como recentes. "Este resultado é muito importante, pois a massa é um parâmetro chave nos modelos que estudam a evolução deste sistema binário: qual é a separação dos buracos negros? Quando se vão fundir? Quão forte é o seu sinal de ondas gravitacionais?", diz Dirk Grupe da Universidade do Norte do Kentucky, EUA, coautor de ambos os estudos.

Ondas gravitacionais e uma fotografia?

Os resultados da campanha MOMO dão otimismo aos autores de que os futuros observatórios espaciais vão ser capazes de detetar ondas gravitacionais deste ou de sistemas binários semelhantes. Pode até ser possível resolver espacialmente os dois buracos negros em OJ 287 com uma grande rede de radiotelescópios, tal como o EHT (Event Horizon Telescope) ou o SKA (Square Kilometre Array), este ainda em construção. Esta seria a primeira deteção direta de um sistema íntimo constituído por dois buracos negros supermassivos no centro de uma galáxia.

// Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck para Radioastronomia (comunicado de imprensa)
// Universidade de Columbia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico #1 (arXiv.org)
// Artigo científico #2 (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico #2 (arXiv.org)
// Artigo científico sobre o projeto MOMO (Astronomical Notes)
// Artigo científico sobre o projeto MOMO (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
01/05/2020 - Sptizer revela o "timing" preciso de uma dança de dois buracos negros
26/06/2018 - Decifrada a pedra de Roseta dos núcleos galácticos ativos

OJ 287:
Wikipedia

Blazar:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Radiotelescópio de Effelsberg:
Instituto Max Planck para Radioastronomia
Wikipedia

 
   
As luas de Júpiter e Saturno podem albergar uma forma recentemente descoberta de gelo salgado
 
Esta imagem mostra as riscas vermelhas na superfície de Europa, a mais pequena das quatro grandes luas de Júpiter. A descoberta de dois novos tipos de gelo salgado pode explicar o material nestas riscas e fornecer pistas da composição do oceno subterrâneo de Europa.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Instituto SETI
 

As riscas vermelhas que cruzam a superfície de Europa, uma das luas de Júpiter, são impressionantes. Os cientistas suspeitam que se trata de uma mistura de gelada de água e sais, mas a sua assinatura química é misteriosa porque não corresponde a nenhuma substância conhecida na Terra.

Uma equipa internacional liderada pela Universidade de Washington pode ter resolvido o puzzle com a descoberta de um novo tipo de cristal sólido que se forma quando a água e o sal de mesa se combinam em condições frias e de alta pressão. Os investigadores pensam que a nova substância criada num laboratório na Terra poderia formar-se na superfície e no fundo dos oceanos profundos destes mundos.

O estudo, publicado na semana de 20 de fevereiro na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), anuncia uma nova combinação para duas das substâncias mais comuns da Terra: água e cloreto de sódio, ou sal de mesa.

"É raro hoje em dia haverem descobertas fundamentais na ciência", disse o autor principal Baptiste Journaux, professor assistente de Ciências da Terra e do Espaço na Universidade de Washington. "O sal e a água são muito bem conhecidos nas condições da Terra. Mas, para além disso, estamos totalmente às escuras. E agora temos estes objetos planetários que provavelmente têm compostos que nos são muito familiares, mas em condições muito exóticas. Temos que refazer toda a ciência mineralógica fundamental feita no século XIX, mas a alta pressão e baixa temperatura. Vivemos tempos excitantes".

 
Esta imagem mostra o hidrato recém-descoberto que tem duas moléculas de cloreto de sódio por cada 17 moléculas de água. Este cristal formou-se a altas pressões mas permanece estável a condições frias e de baixa pressão.
Crédito: Journaux et al./PNAS
 

A temperaturas baixas, a água e os sais combinam-se para formar uma rede rígida, salgada e gelada, conhecida como hidrato, mantida no lugar por ligações de hidrogénio. O único hidrato de cloreto de sódio anteriormente conhecido era uma estrutura simples com uma molécula de sal para cada duas moléculas de água.

Mas os dois novos hidratos, encontrados a pressões moderadas e a baixas temperaturas, são surpreendentemente diferentes. Um tem dois cloretos de sódio para cada 17 moléculas de água; o outro tem um cloreto de sódio para cada 13 moléculas de água. Isto explicaria porque é que as assinaturas da superfície das luas de Júpiter são mais "aquosas" do que o esperado.

"Tem a estrutura que os cientistas planetários têm estado à espera", disse Journaux.

A descoberta de novos tipos de gelo salgado tem importância não só para a ciência planetária, mas também para a química física e mesmo para a investigação energética, que utiliza hidratos para o armazenamento de energia, disse Journaux.

 
Os investigadores descobriram dois novos cristais feitos de água e sal de mesa a baixas temperaturas, abaixo de aproximadamente -50º C. A estrutura anteriormente conhecida (esquerda) tem uma molécula de sal (bolas amarelas e verdes) por cada duas moléculas de água (bolas vermelhas e cor-de-rosa). Os raios-X permitem aos investigadores determinar a posição de átomos individuais nas novas estruturas. A estrutura central tem duas moléculas de cloreto de sódio por cada 17 moléculas de água e mantém-se estável mesmo que a pressão caia para perto do vácuo, como existiria numa superfície lunar. A estrutura da direita tem uma molécula de cloreto de sódio por cada 13 moléculas de água e é estável apenas a alta pressão.
Crédito: Baptiste Journaux/Universidade de Washington
 

A experiência envolveu a compressão de um bocadinho de água salgada em instalações sincrotrão na França, na Alemanha e nos EUA entre dois diamantes do tamanho de um grão de areia, comprimindo o líquido até 25.000 vezes a pressão atmosférica padrão. Os diamantes transparentes permitiram à equipa observar o processo através de um microscópio.

"Estávamos a tentar medir como a adição de sal iria alterar a quantidade de gelo que poderíamos obter, uma vez que o sal atua como anticongelante", disse Baptiste. "Surpreendentemente, quando exercemos pressão, o que vimos é que estes cristais, que não esperávamos, começaram a crescer. Foi uma descoberta muito fortuita".

Tais condições frias e de alta pressão criadas no laboratório seriam comuns nas luas de Júpiter, onde os cientistas pensam que 5 a 10 quilómetros de gelo cobrem oceanos com até várias centenas de quilómetros de espessura, com formas ainda mais densas de gelo possíveis no fundo.

"A pressão apenas aproxima as moléculas, pelo que a sua interação muda - este é o principal motor da diversidade nas estruturas cristalinas que encontramos", disse Journaux.

Uma vez formados os hidratos recentemente descobertos, uma das duas estruturas permaneceu estável mesmo depois da pressão ter sido libertada.

 
Esta imagem mostra riscas brancas na superfície de Ganimedes, a maior das luas de Júpiter. A descoberta de novos tipos de gelo salgado poderá explicar o material nestas riscas e fornecer pistas sobre a composição do oceano coberto de gelo de Ganimedes.
Crédito: NASA/JPL/JUNO
 

"Determinámos que se mantém estável à pressão normal até cerca de -50º C. Assim, se tivermos um lago muito salgado, por exemplo na Antártida, que possa estar exposto a estas temperaturas, este hidrato recém-descoberto poderá lá estar presente", disse Journaux.

A equipa espera fazer ou recolher uma amostra maior para permitir uma análise mais completa e verificar se as assinaturas das luas geladas correspondem às assinaturas dos hidratos recém-descobertos.

Duas missões vão em breve explorar as luas geladas de Júpiter: a JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer) da ESA, com lançamento previsto para o próximo mês de abril, e a Europa Clipper da NASA, com lançamento previsto para outubro de 2024. A missão Dragonfly da NASA será lançada para a lua de Saturno, Titã, em 2026. Saber que elementos químicos estas missões vão encontrar vai ajudar a melhor orientar a sua busca por assinaturas de vida.

"Estes são os únicos corpos planetários, além da Terra, onde a água líquida é estável em escalas geológicas de tempo, o que é crucial para o aparecimento e desenvolvimento da vida", disse Journaux. "São, na minha opinião, o melhor lugar no nosso Sistema Solar para descobrir vida extraterrestre, pelo que precisamos de estudar os seus oceanos e interiores exóticos para compreender melhor como se formaram, evoluíram e como podem reter água líquida nas regiões frias do Sistema Solar, tão afastadas do Sol".

// Universidade de Washington (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (PNAS)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Universe Today
science alert
Space Daily
CNN

Cloreto de sódio (sal):
Wikipedia

Hidrohalite:
Wikipedia

Europa:
CCVAlg - Astronomia
NASA
Wikipedia

Ganimedes:
CCVAlg - Astronomia
NASA
Wikipedia

Titã:
NASA
Solarviews
Wikipedia

JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer):
ESA
Wikipedia

Europa Clipper:
NASA
Wikipedia

Dragonfly:
NASA
JHUAPL
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Estudo descobre como a litosfera de Vénus pode estar a "renovar" a superfície do planeta (via NASA)
A Terra e Vénus são planetas rochosos com aproximadamente o mesmo tamanho e química rochosa, pelo que deveriam estar a perder o seu calor interno para o espaço aproximadamente à mesma velocidade. O modo como a Terra perde o seu calor é bem conhecido, mas o mecanismo de fluxo de calor de Vénus tem sido um mistério. Um estudo que utiliza três décadas de dados da missão Magellan da NASA forneceu um novo olhar sobre como Vénus arrefece e descobriu que regiões finas da camada superior do planeta podem fornecer uma resposta. Ler fonte
     
  Projeto CARMENES aumenta número de exoplanetas conhecidos na vizinhança solar (via Instituto de Astrofísica das Canárias)
Vinte mil observações do telescópio de Calar Alto, na Espanha, foram tornadas públicas e levaram à descoberta de 59 exoplanetas, alguns dos quais potencialmente habitáveis. O estudo, liderado por um consórcio de instituições espanholas e alemãs, foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
Jones-Emberson 1

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Serge Brunier, Jean-François Bax, David VernetC2PU/OCA
 
A nebulosa planetária Jones-Emberson 1 é o manto de uma estrela semelhante ao Sol. Fica a cerca de 1600 anos-luz da Terra na direção da constelação do Lince. Com cerca de 4 anos-luz em diâmetro, o remanescente em expansão da atmosfera da estrela foi expelido para o espaço interestelar quando o fornecimento de hidrogénio e hélio, para a fusão, finalmente se esgotou após milhares de milhões de anos. Visível perto do centro da nebulosa planetária, está o que resta do núcleo estelar, uma anã branca quente e de cor azul. Também conhecida como PK 164 +31.1, a nebulosa é ténue e muito difícil de observar através da ocular de um telescópio. Mas esta imagem de céu profundo combina 22 horas de tempo de exposição e mostra-a com um detalhe excecional. Estrelas dentro da nossa própria Via Láctea, bem como galáxias de fundo por todo o Universo, estão espalhadas pelo campo de visão. Efémera no palco cósmico, Jones-Emberson 1 irá desvanecer ao longo dos próximos milhares de anos. A sua anã branca quente e central levará milhares de milhões de anos a arrefecer.
 
   
Arquivo | CCVAlg - Astronomia | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
 
         
         
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
Telemóvel: 962 422 093
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231
Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2023 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt