APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Por baixo das nuvens de Vénus! Data: 11 de maio de 2023 Hora: 20:30-22:30
Nesta atividade observaremos o céu a olho nu, falaremos um pouco sobre o planeta Vénus e voltaremos depois à observação do céu recorrendo ao telescópio, sem Lua no céu.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis!
Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito. Inscrição obrigatória
(info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido. Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
EFEMÉRIDES
DIA 09/05: 129.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1971, lançamento da Mariner 8.
Tinha como objetivo entrar em órbita de Marte e enviar imagens e dados, mas o veículo de lançamento falhou e nem conseguiu alcançar órbita terrestre. HOJE, NO COSMOS:
Hoje e amanhã, siga Vénus desde o lusco-fusco até que se faça noite com um telescópio ou até binóculos e procure o enxame aberto M35 a cerca de 2º para a sua esquerda ou para baixo e para a esquerda. Através de uns binóculos, M35 tem um brilho ténue, acinzentado mas largo. Através de um telescópio, parece uma cidade à noite, vista do espaço.
DIA 10/05: 130.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 28 AC, era observada uma mancha solar por astrónomos da Dinastia Han, durante o reinado do Imperador Cheng de Han, uma das mais antigas observações de manchas solares na China.
Em 1900 nascia Cecilia Helena Payne-Gaposchkin.
Descobriu a composição química das estrelas e que o hidrogénio e hélio são os seus elementos mais abundantes e, por isso, também do Universo. Em 1976 recebeu o prestigiado Prémio Henry Norris Russell da Sociedade Astronómica Americana.
Em 1930, nascia George E. Smith, físico americano, coinventor da CCD.
Em 1946, primeiro lançamento bem sucedido de um foguetão V-2 nos EUA.
Em 1971 era lançada a Kosmos 419 (USSR). Não conseguiu sair da órbita da Terra. HOJE, NO COSMOS:
Vega é a estrela mais brilhante a este-nordeste com o avançar da noite. Cerca de 14º (punho e meio à distância do braço esticado) para cima e para a esquerda de Vega está Eltanin, o nariz da constelação de Dragão. Mais perto e para cima e para a esquerda de Eltanin está Lozenge, o asterismo composto por três estrelas que representa a cabeça do animal mítico. Dragão aponta sempre o seu nariz para Vega.
A estrela mais ténue da cabeça de Dragão, oposta a Eltanin, é Nu Draconis. É um binário bonito e de brilho igual, adequado para binóculos (separação de 61 segundos de arco, ambas com magnitude 4,9). O par fica a 99 anos-luz de distância. Ambas são quentes do tipo Am, um pouco maiores, mais massivas e mais quentes do que o Sol.
DIA 11/05: 131.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1918 nascia Richard Feynman que, em conjunto com Julian Schwinger e Sin-Itiro Tomonaga, ganhou o prémio Nobel da Física pelo seu trabalho sobre electrodinâmica quântica. Também trabalhou na investigação do desastre do vaivém Challenger.
Em 1916 morria Karl Schwarzschild.
Usando a teoria da gravitação de Einstein, que descreve a forma como o espaço-tempo é curvado pela matéria, explica que quando uma estrela se contrai, existe um ponto em que a sua gravidade é tão forte que nem a luz pode escapar, o agora famoso buraco negro. Este ponto é conhecido como o raio de Schwarzchild e é igual à massa do objecto multiplicada pelo dobro da constante da gravidade e dividida pela velocidade da luz ao quadrado. HOJE, NO COSMOS:
Durante estas noites de primavera, a longa mas ténue serpente marinha, Hidra, desliza pelo céu a sul. Encontre a sua cabeça, um asterismo bem fraco com aproximadamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado, para sudoeste (está para baixo e para a direita de Régulo, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado. Também, uma linha de Castor, passando por Pollux, aponta para lá a cerca de 2,5 punhos à distância do braço esticado). Para baixo e para a esquerda está o coração de Hidra, a alaranjada Alphard. A cauda de Hidra estica-se até Balança a sudeste. O padrão atual de Hidra, desde a cabeça até à ponta da cauda, mede 95º.
Um novo estudo das grandes luas de Úrano mostra que 4 podem conter água
Uma reanálise de dados da nave espacial Voyager da NASA, juntamente com novos modelos informáticos, levou os cientistas da agência espacial americana a concluir que quatro das maiores luas de Úrano contêm provavelmente uma camada oceânica entre os seus núcleos e as crostas geladas. O seu estudo é o primeiro a detalhar a evolução da composição e estrutura do interior das cinco grandes luas: Ariel, Umbriel, Titânia, Oberon e Miranda. O trabalho sugere que quatro das luas têm oceanos que podem ter dezenas de quilómetros de profundidade.
Úrano está rodeado pelos seus quatro anéis principais e por 10 das suas 27 luas conhecidas, nesta imagem colorida que utiliza dados obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble em 1998. Um estudo com novos modelos mostra que quatro das grandes luas de Úrano provavelmente contêm oceanos internos.
Crédito: NASA/JPL/STScI
No total, pelo menos 27 luas orbitam Úrano, sendo que as quatro maiores vão de Ariel, com 1160 km de diâmetro, até Titânia, com 1580 quilómetros de diâmetro. Os cientistas há muito que pensam que Titânia, dada a sua dimensão, teria maior probabilidade de reter calor interno provocado pelo decaimento radioativo. As outras luas eram anteriormente consideradas demasiado pequenas para reter o calor necessário para evitar que um oceano interno congelasse, especialmente porque o aquecimento criado pela atração gravitacional de Úrano é apenas uma pequena fonte de calor.
O Levantamento Decenal de Ciência Planetária e Astrobiologia das Academias Nacionais de Ciência dos EUA deu prioridade à exploração de Úrano. Em preparação para essa missão, os cientistas planetários estão a concentrar-se no gigante gelado para reforçar os seus conhecimentos sobre o misterioso sistema de Úrano. Publicado na revista Journal Of Geophysical Research, o novo trabalho tem o potencial de informar como uma futura missão poderá investigar as luas, mas o artigo científico também tem implicações que vão para além de Úrano, disse a autora principal Julie Castillo-Rogez do JPL da NASA no sul da Califórnia.
"Quando se trata de corpos pequenos - planetas anões e luas - os cientistas planetários já encontraram evidências da existência de oceanos em vários locais improváveis, incluindo os planetas anões Ceres e Plutão, e a lua de Saturno, Mimas", afirmou. "Portanto, há mecanismos em jogo que não compreendemos totalmente. Este trabalho investiga quais poderão ser esses mecanismos e como são relevantes para os muitos corpos do Sistema Solar que poderão ser ricos em água, mas que têm um calor interno limitado".
O estudo revisitou as descobertas da Voyager 2 da NASA, que passou por Úrano na década de 1980, e de observações terrestres. Os autores construíram modelos de computador com descobertas adicionais das sondas Galileo, Cassini, Dawn e New Horizons da NASA (cada uma das quais descobriu mundos oceânicos), incluindo conhecimentos sobre a química e a geologia da lua de Saturno, Encélado, de Plutão e da sua lua Caronte, e de Ceres - todos corpos gelados com aproximadamente o mesmo tamanho das luas uranianas.
Novos modelos mostram que é provável que exista uma camada oceânica em quatro das maiores luas de Úrano: Ariel, Umbriel, Titânia e Oberon. Os oceanos salgados encontram-se sob o gelo e sobre camadas de rocha rica em água e rocha seca. Miranda é demasiado pequena para reter calor suficiente para uma camada oceânica.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
O que está por cima e por baixo
Os investigadores usaram esses modelos para avaliar o grau de porosidade das superfícies das luas uranianas, descobrindo que são provavelmente suficientemente isoladas para reter o calor interno que seria necessário para albergar um oceano subterrâneo. Além disso, encontraram o que poderia ser uma potencial fonte de calor nos mantos rochosos das luas, que libertam líquido quente e ajudariam um oceano a manter um ambiente quente - um cenário que é especialmente provável para Titânia e Oberon, onde os oceanos podem até ser suficientemente quentes para potencialmente suportar a habitabilidade.
Ao investigar a composição dos oceanos, os cientistas podem aprender mais sobre os materiais que também podem ser encontrados nas superfícies geladas das luas, dependendo se as substâncias que se encontram por baixo foram empurradas para cima pela atividade geológica. Os telescópios mostram que pelo menos uma das luas, Ariel, tem material que fluiu para a sua superfície, talvez a partir de vulcões gelados, há relativamente pouco tempo.
De facto, Miranda, a quinta maior e a mais interior das grandes luas de Úrano, tem características na sua superfície que parecem ser de origem recente, sugerindo que pode ter mantido calor suficiente para suster um oceano em algum momento da sua história. Os recentes modelos térmicos concluíram que é pouco provável que Miranda tenha albergado água durante muito tempo; perde calor demasiado depressa e provavelmente está agora gelada.
Mas o calor interno não seria o único factor que contribuiria para o oceano subsuperficial de uma lua. Uma descoberta importante do estudo sugere que os cloretos, bem como o amoníaco, são provavelmente abundantes nos oceanos das maiores luas do gigante gelado. Há muito que se sabe que o amoníaco atua como anticongelante. Além disso, a modelagem sugere que os sais provavelmente presentes na água seriam outra fonte de anticongelante, mantendo os oceanos internos dos corpos.
Claro, ainda há muitas perguntas sobre as grandes luas de Úrano, disse Castillo-Rogez, acrescentando que há muito mais trabalho a ser feito: "Precisamos de desenvolver novos modelos para diferentes hipóteses sobre a origem das luas, de modo a orientar o planeamento de futuras observações".
A investigação sobre o que se encontra por baixo e à superfície destas luas ajudará os cientistas e engenheiros a escolherem os melhores instrumentos científicos para as examinar. Por exemplo, determinar que o amoníaco e os cloretos podem estar presentes significa que os espectrómetros, que detetam os compostos através da sua luz refletida, terão de utilizar uma gama de comprimentos de onda que abranja ambos os tipos de compostos.
Da mesma forma, podem usar esse conhecimento para conceber instrumentos que possam sondar o interior profundo em busca de líquido. A procura de correntes elétricas que contribuam para o campo magnético de uma lua é geralmente a melhor forma de encontrar um oceano profundo, como fizeram os cientistas da missão Galileo na lua de Júpiter, Europa. No entanto, a água fria nos oceanos interiores de luas como Ariel e Umbriel poderia tornar estes oceanos menos capazes de transportar estas correntes elétricas e representaria um novo tipo de desafio para os cientistas que trabalham para descobrir o que está por baixo.
Hubble segue "teatro de sombras" em torno de disco de formação planetária
A jovem estrela TW Hydrae está a brincar ao "teatro de sombras" com os cientistas que a observam com o Telescópio Espacial Hubble da NASA.
Em 2017, os astrónomos descobriram uma sombra que varre a face de um vasto disco de gás e poeira em forma de panqueca que rodeia a estrela anã vermelha. A sombra não é de um planeta, mas de um disco interior ligeiramente inclinado em relação ao disco exterior, muito maior, o que faz com que este projete uma sombra. Uma explicação é que a gravidade de um planeta invisível está a puxar poeira e gás para a órbita inclinada do planeta.
Agora, uma segunda sombra - jogando ao jogo do cucu - surgiu em apenas alguns anos nas observações armazenadas no arquivo MAST do Hubble. Poderá ser de outro disco aninhado no interior do sistema. Os dois discos são provavelmente evidências de um par de planetas em construção.
Esta ilustração é baseada em imagens do Telescópio Espacial Hubble de discos de gás e poeira em torno da jovem estrela TW Hydrae. As fotografias do Telescópio Espacial Hubble mostram sombras a varrer os discos que rodeiam o sistema. A interpretação é que estas sombras são de discos interiores ligeiramente inclinados que bloqueiam a luz estelar de chegar ao disco exterior, e por isso estão a provocar uma sombra. Os discos estão ligeiramente inclinados um em relação ao outro devido à atracção gravitacional de planetas invisíveis que deformam a estrutura do disco.
Crédito: NASA, AURA/STScI para a ESA, Leah Hustak (STScI)
TW Hydrae tem menos de 10 milhões de anos e situa-se a cerca de 200 anos-luz de distância. Na sua infância, o nosso Sistema Solar pode ter-se assemelhando ao sistema de TW Hydrae, há cerca de 4,6 mil milhões de anos. Como o sistema Tw Hydrae está inclinado quase de face para o ponto de vista da Terra, é um alvo ótimo para obter uma visão panorâmica de um "estaleiro" de construção planetária.
A segunda sombra foi descoberta em observações obtidas a 6 de junho de 2021, como parte de um programa plurianual concebido para seguir as sombras em discos circunstelares. John Debes do AURA/STScI para a ESA no STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, comparou o disco de TW Hydrae com observações do Hubble feitas há vários anos.
"Descobrimos que a sombra tinha feito algo completamente diferente", disse Debes, que é o investigador principal e o primeiro autor do estudo publicado na revista The Astrophysical Journal. "Quando olhei para os dados pela primeira vez, pensei que algo tinha corrido mal com a observação. Ao início fiquei confuso e todos os meus colaboradores pensaram: o que é que se passa? Tivemos mesmo de coçar a cabeça e demorámos algum tempo a encontrar uma explicação".
A melhor solução que a equipa encontrou é que há dois discos desalinhados a projetar sombras. Estavam tão próximos um do outro na observação anterior que não os conseguiam separar. Com o tempo, separaram-se e dividiram-se em duas sombras. "Nunca tínhamos visto isto antes num disco protoplanetário. Torna o sistema muito mais complexo do que pensámos inicialmente", disse.
A explicação mais simples é que os discos desalinhados são provavelmente causados pela atração gravitacional de dois planetas em planos orbitais ligeiramente diferentes. O Hubble está a reunir uma visão holística da arquitetura do sistema.
Os discos podem ser representativos de planetas com velocidades orbitais diferentes em torno de uma estrela. É como se estivéssemos a girar dois discos de vinil a velocidades ligeiramente diferentes. Por vezes os rótulos no centro coincidem, mas depois um passa à frente do outro.
"Isto sugere que os dois planetas têm de estar bastante próximos um do outro. Se um estivesse a mover-se muito mais depressa do que o outro, teria sido captado em observações anterior. É como dois carros de corrida que estão próximos um do outro, mas um ultrapassa lentamente e consegue dar uma volta de avanço ao outro", disse Debes.
Imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble, para efeitos de comparação, com vários anos de intervalo, que revelaram duas sombras sinistras que se movem no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio num disco de gás e poeira que rodeia a jovem estrela TW Hydrae. Os discos estão de face para a Terra e, por isso, dão aos astrónomos uma vista de topo do que se passa em torno da estrela. A imagem da esquerda, tirada em 2016, mostra apenas uma sombra [A] na posição das 11:00 horas. Esta sombra é projetada por um disco interior que está ligeiramente inclinado em relação ao disco exterior, bloqueando assim a luz da estrela. A imagem da esquerda mostra uma segunda sombra que emergiu de mais um disco aninhado [C] na posição das 07:00 horas, tal como fotografado em 2021. O disco interior original está marcado com [B] nesta segunda imagem. As sombras giram em torno da estrela a ritmos diferentes, como os ponteiros de um relógio. São evidências de dois planetas invisíveis que puxaram poeira para as suas órbitas. Isto torna-os ligeiramente inclinados um em relação ao outro. Estas imagens óticas foram tiradas com o STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) do Hubble. Foi adicionada cor artificial para realçar os pormenores.
Crédito: NASA, ESA, STSCI e John Debes (AURA/STSCI para a ESA); processamento - Joseph DePasquale (STScI)
Os planetas suspeitos estão localizados numa região a uma distância parecida à de Júpiter em torno do Sol. E as sombras completam uma rotação à volta da estrela a cada 15 anos - o período orbital que seria de esperar a essa distância da estrela.
Além disso, estes dois discos interiores estão inclinados cerca de cinco a sete graus relativamente ao plano do disco exterior. Isto é comparável à gama de inclinações orbitais dentro do nosso Sistema Solar. "Isto está em linha com a arquitetura típica do Sistema Solar", disse Debes.
O disco exterior sobre o qual as sombras estão a ser projetadas pode estender-se até várias vezes o raio da cintura de Kuiper do nosso Sistema Solar. Este disco maior tem uma curiosa divisão a duas vezes a distância média de Plutão ao Sol. Isto pode ser uma evidência da existência de um terceiro planeta no sistema.
Quaisquer planetas interiores seriam difíceis de detetar porque a sua luz perder-se-ia no brilho da estrela. Além disso, a poeira no sistema iria escurecer a sua luz refletida. O observatório espacial Gaia da ESA pode ser capaz de medir uma oscilação na estrela se planetas da massa de Júpiter estiverem a puxá-la, mas isso levaria anos, tendo em conta os longos períodos orbitais.
Os dados de TW Hydrae foram obtidos pelo instrumento STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) do Hubble. A visão infravermelha do Telescópio Espacial James Webb poderá também mostrar as sombras com mais pormenor.
Um Sol ativo e tempestuoso pode ter dado o "pontapé de saída" da vida na Terra
Uma erupção solar vista no dia 26 de setembro de 2014 pela sonda SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA.
Crédito: NASA
Um novo estudo sugere que os primeiros blocos de construção da vida na Terra podem ter sido formados graças a erupções do nosso Sol.
Uma série de experiências químicas mostra como as partículas solares, ao colidirem com os gases da atmosfera primitiva da Terra, podem formar aminoácidos e ácidos carboxílicos, os blocos básicos de construção das proteínas e da vida orgânica. Os resultados foram publicados na revista Life.
Para compreender as origens da vida, muitos cientistas tentam explicar como os aminoácidos se formaram, as matérias-primas a partir das quais se formam as proteínas e toda a vida celular. A proposta mais conhecida teve origem no final do século XIX, quando os cientistas especularam que a vida poderia ter começado num "pequeno lago quente": uma sopa de substâncias químicas, energizadas por raios, calor e outras fontes de energia, que se podiam misturar em quantidades concentradas para formar moléculas orgânicas.
Em 1953 Stanley Miller, da Universidade de Chicago, tentou recriar estas condições primordiais em laboratório. Miller encheu uma câmara fechada com metano, amónia, água e hidrogénio molecular - gases que se pensa serem predominantes na atmosfera primitiva da Terra - e acendeu repetidamente uma faísca elétrica para simular um relâmpago. Uma semana depois, Miller e o seu orientador Harold Urey analisaram o conteúdo da câmara e descobriram que se tinham formado 20 aminoácidos diferentes.
"Foi uma grande revelação", disse Vladimir Airapetian, astrofísico estelar do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland e coautor do novo artigo científico. "A partir dos componentes básicos da atmosfera terrestre primitiva, é possível sintetizar estas moléculas orgânicas complexas".
Impressão de artista da Terra primitiva.
Crédito: NASA
Mas os últimos 70 anos vieram complicar esta interpretação. Os cientistas agora pensam que a amónia (NH3) e o metano (CH4) eram muito menos abundantes; em vez disso, o ar da Terra estava cheio de dióxido de carbono (CO2) e azoto molecular (N2), que requerem mais energia para se decomporem. Estes gases ainda podem produzir aminoácidos, mas em quantidades muito reduzidas.
Procurando fontes de energia alternativas, alguns cientistas apontaram para as ondas de choque dos meteoros. Outros citaram a radiação solar ultravioleta. Airapetian, utilizando dados da missão Kepler da NASA, apontou para uma nova ideia: partículas energéticas do nosso Sol.
A missão Kepler observou estrelas longínquas em diferentes fases do seu ciclo de vida, mas os seus dados fornecem pistas sobre o passado do nosso Sol. Em 2016, Airapetian publicou um estudo que sugere que, durante os primeiros 100 milhões de anos da Terra, o Sol era cerca de 30% mais fraco. Mas as "supererupções" solares - surtos poderosos que hoje em dia só vemos de 100 em 100 anos, aproximadamente - teriam irrompido uma vez a cada 3-10 dias. Estas supererupções lançam partículas à velocidade da luz que colidem regularmente com a nossa atmosfera, dando início a reações químicas.
"Assim que publiquei esse artigo científico, a equipa da Universidade Nacional de Yokohama, do Japão, contactou-me", disse Airapetian.
O Dr. Kobayashi, professor de química nessa instituição de ensino, passou os últimos 30 anos a estudar a química pré-biótica. Estava a tentar compreender como os raios cósmicos galácticos - partículas provenientes do exterior do nosso Sistema Solar - poderiam ter afetado a atmosfera da Terra primitiva. "A maioria dos investigadores ignora os raios cósmicos galácticos porque requerem equipamento especializado, como aceleradores de partículas", disse Kobayashi. "Tive a sorte de ter acesso a vários perto das nossas instalações". Pequenos ajustes na configuração experimental de Kobayashi poderão pôr à prova as ideias de Airapetian.
Airapetian, Kobayashi e os seus colaboradores criaram uma mistura de gases que corresponde à atmosfera da Terra primitiva, tal como a entendemos atualmente. Combinaram dióxido de carbono, azoto molecular, água e uma quantidade variável de metano (a proporção de metano na atmosfera primitiva da Terra é incerta, mas pensa-se que seja baixa). Dispararam protões à mistura de gases (simulando partículas solares) ou acenderam-nas com descargas (simulando relâmpagos), replicando a experiência de Miller-Urey para comparação.
Animação de uma erupção solar, incluindo uma proeminência solar, uma ejeção de massa coronal e um evento de partículas solares energéticas.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
Desde que a proporção de metano fosse superior a 0,5%, as misturas atingidas por protões (partículas solares) produziram quantidades detetáveis de aminoácidos e de ácidos carboxílicos. Mas as descargas de faíscas (relâmpagos) exigiam uma concentração de metano de cerca de 15% para que se formassem quaisquer aminoácidos.
"E mesmo com 15% de metano, a taxa de produção de aminoácidos por relâmpagos é um milhão de vezes inferior à dos protões", acrescentou Airapetian. Os protões também tendem a produzir mais ácidos carboxílicos (um precursor dos aminoácidos) do que os que são inflamados por descargas elétricas.
Se tudo o resto for igual, as partículas solares parecem ser uma fonte de energia mais eficiente do que os relâmpagos. Mas é provável que tudo o resto não seja igual, sugeriu Airapetian. Miller e Urey assumiram que os relâmpagos eram tão comuns na altura do "pequeno lago quente" como o são atualmente. Mas os relâmpagos, que provêm de nuvens formadas pela subida de ar quente, teriam sido mais raros sob um Sol 30% mais fraco.
"Em condições frias nunca há relâmpagos e a Terra primitiva estava sob um Sol muito fraco", disse Airapetian. "Isso não quer dizer que não pudesse ter vindo de um relâmpago, mas os relâmpagos parecem menos prováveis agora, e as partículas solares parecem mais prováveis".
Estas experiências sugerem que o nosso jovem e ativo Sol poderia ter catalisado os precursores da vida mais facilmente, e talvez mais cedo, do que se supunha anteriormente.
As misteriosas origens dos meteoritos marcianos (via Caltech)
Em agosto de 1865, uma rocha de 3 kg caiu do espaço para a Terra, aterrando com um estrondo na remota aldeia de Sherghati, na Índia. Após ter sido recuperada por testemunhas do acontecimento, a pedra passou para a posse de um magistrado britânico local que tentou identificar a origem do estranho objeto. Depois de mais de um século a estudar os fragmentos do meteorito, os investigadores, nos anos 80, determinaram finalmente a sua origem extraterrestre: o nosso planeta vizinho, Marte. Ler fonte
Raios-X de estrela de neutrões revelam "metamorfose de fotões" (via Universidade de Cornell)
Um "belo efeito" previsto pela electrodinâmica quântica pode explicar as primeiras observações intrigantes de raios-X polarizados emitidos por um magnetar - uma estrela de neutrões com um poderoso campo magnético. Esperava-se que o remanescente extremamente denso e quente de uma estrela massiva, com um campo magnético 100 biliões de vezes mais forte do que o da Terra, gerasse raios-X altamente polarizados, o que significa que o campo electromagnético da radiação não vibrava ao acaso, mas tinha uma direção preferencial. Ler fonte
A cratera Shackleton situa-se no polo sul da Lua. Os picos ao longo dos seus 21 quilómetros de diâmetro estão expostos à luz do Sol, mas o chão de Shackleton encontra-se numa sombra escura permanente. Ainda assim, esta imagem da parede sombreada e do chão da cratera Shackleton foi captada pela ShadowCam da NASA, um instrumento a bordo do orbitador KPLO (Korea Pathfinder Lunar Orbiter), lançado em agosto de 2022. Cerca de 200 vezes mais sensível do que, por exemplo, a câmara de ângulo estreito da LRO (Lunar Reconaissance Orbiter), a ShadowCam foi concebida para obter imagens das regiões permanentemente à sombra da superfície lunar. Evitando a luz solar direta, espera-se que essas regiões sejam reservatórios de água gelada e outros voláteis depositados por antigos impactos cometários e úteis para futuras missões à Lua. Claro, as regiões permanentemente à sombra continuam a ser iluminadas por reflexos da luz solar provenientes de terrenos lunares próximos. Nesta imagem com um detalhe impressionante, obtida pela ShadowCam, uma seta marca o rasto feito por um único pedregulho que rola pela parede da cratera Shackleton. A escala da imagem está indicada na parte inferior da imagem.
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