De Vénus até outros mundos Data: 12 de maio de 2023 Hora: 21:30
Uma viagem pela atmosfera! O AstroClube do CCVALG e a Direção Regional do Algarve do IPDJ no âmbito do programa "Às Sextas no IPDJ" convidam a uma viagem pelas atmosferas de Vénus até outros planetas fora do Sistema Solar. Vem descobir com o professor Pedro Mota Machado sobre atmosferas de outros planetas e como se preparam missões espaciais para este fim.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis!
Participação gratuita Informações: info@ccvalg.pt Telefone: 289 890 920
EFEMÉRIDES
DIA 12/05: 132.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1965, a sonda soviética Luna 5 colide com a Lua. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Minguante, pelas 15:28.
Conhece o asterismo do Diamante de Virgem? Mede cerca de 50º de altura e abrange cinco constelações. Encontra-se atualmente na vertical, a sul, depois das estrelas aparecerem. Comece com Espiga, a sua parte mais baixa. Para cima e para a esquerda está a brilhante Arcturo. Quase à mesma distância, para cima e para a direita de Arcturo (se se voltar para sul) está a mais ténue Cor Caroli, de terceira magnitude, quase por cima das nossas cabeças. À mesma distância, mas para baixo e para a direita, está Denébola, a ponta da cauda de Leão, com magnitude 2. E finalmente voltamos a Espiga. As três estrelas mais baixas, que são também as mais brilhantes, formam um triângulo equilátero quase perfeito. Talvez devêssemos chamar-lhes de "Triângulo da Primavera", em paralelo com o de verão e o de inverno?
DIA 13/05: 133.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1713, nascia Alexis Claude Clairaut, astrónomo, matemático e geofísico francês, conhecido pelo seu teorema de Clairaut e pela sua co-computação do regresso do Halley em 1759, entre outros.
Em 1733, num registo de um eclipse solar transmitido para a Sociedade Real, o astrónomo sueco Bigerus Vassenius torna-se na primeira pessoa a notar o brilho da Terra na Lua durante a totalidade.
Ele escreve que o seu telescópio, com um diâmetro focal de 6,4 metros, consegue observar algumas das principais características da Lua durante a obscuridade total.
Em 1861, o Grande Cometa de 1861 é descoberto por John Tebbutt em Windsor, Nova Gales do Sul, Austrália. HOJE, NO COSMOS:
A Lua nasce pelas 03:00, brilhando perto de Saturno, que está para a sua esquerda.
Se tiver acesso a um céu escuro ou binóculos, nestas noites primaveris sem Lua, utilize o Diamante de Virgem e olhe para o ponto médio entre Cor Caroli e Denébola. Poderá avistar o grande e disperso enxame estelar de Cabeleira de Berenice. Abrange 4º, mais ou menos do tamanho de uma bola de ping-pong à distância do braço esticado.
DIA 14/05: 134.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1674, nascia Peder Horrebow, astrónomo holandês que inventou um método de determinar a latitude de um local a partir das estrelas, agora conhecido como Método Horrebow-Talcott.
Em 1861, um meteorito condrito de 859 gramas atinge a Terra perto de Barcelona e é apelidado de meteorito Canellas.
Em 1973, lançamento da primeira estação espacial americana, a Skylab.
É a última descolagem do foguetão Saturno V.
Em 2010, lançamento da missão STS-132 do vaivém espacial Atlantis, com o objetivo de fornecer o primeiro módulo russo da ISS via vaivém - o Rassvet. HOJE, NO COSMOS:
Sem o luar, poderá esta noite tentar observar o enxame globular M5 através de binóculos ou de um telescópio. Com magnitude 5,6, é fácil de avistar com binóculos sob um céu moderadamente escuro.
DIA 15/05: 135.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1618, Johannes Kepler confirma a sua descoberta, previamente rejeitada, da terceira lei do movimento planetário (descobriu-a primeiro a 8 de março mas rejeitou a ideia após ter feito alguns cálculos iniciais).
Em 1836, Francis Baily, um explorador e corretor de bolsa Britânico virado para a Astronomia aos 50 anos, observa na Escócia um eclipse total do Sol, no qual explica o fenómeno que ocorre no princípio e no fim da totalidade, agora conhecido como Contas de Baily. Baily ajudou a fundar a Real Sociedade de Astronomia em Londres, reviu catálogos estelares e estudou meteorologia. Morreu a 30 de agosto de 1844.
Em 1857, nascia Williamina Fleming, astrónoma escocesa que ajudou a desenvolver uma designação comum para as estrelas e catalogou milhares de estrelas e outros fenómenos astronómicos.
É especialmente famosa pela sua descoberta da Nebulosa Cabeça de Cavalo em 1888.
Em 1859, nascia Pierre Curie, físico francês, pioneiro na cristalografia, magnetismo, piezoelectricidade e radioatividade. Em 1903, recebeu o Prémio Nobel da Física, juntamente com a sua mulher (Marie Curie) e Henri Becquerel.
Em 1958, lançamento do Sputnik 3.
Em 1960, a União Soviética lança o Sputnik 4.
Em 1963, lançamento da última missão do programa Mercury, o Mercury-Atlas 9 com o astronauta L. Gordon Cooper a bordo. Torna-se no primeiro americano a ficar mais de um dia no espaço.
Em 1997, o vaivém espacial Atlantis é lançado na missão STS-84 para atracar com a estação espacial russa, Mir. HOJE, NO COSMOS:
Três estrelas de magnitude zero brilham após o anoitecer em maio: Arcturo está alta a sudeste, Vega mais baixa a nordeste e Capella a noroeste. Aparecem tão brilhantes porque cada uma é pelo menos 60 vezes mais luminosa do que o Sol, e porque estão todas relativamente perto: 37,25 e 42 anos-luz de distância, respetivamente.
Webb da NASA olha mais de perto para um planeta misterioso
O Telescópio Espacial James Webb da NASA observou um planeta distante, para lá do nosso Sistema Solar - e diferente de tudo o que nele existe - para revelar o que é provavelmente um mundo altamente refletivo com uma atmosfera de vapor. É a observação mais detalhada deste mundo misterioso, um "mini-Neptuno" que era em grande parte impenetrável a observações anteriores.
E embora o planeta, chamado GJ 1214 b, seja demasiado quente para albergar oceanos de água líquida, a água em forma de vapor pode ainda ser uma parte importante da sua atmosfera.
Impressão artística do exoplaneta GJ 1214 b, com base nos resultados atuais. GJ 1214 b é um sub-Neptuno quente com um dia perpétuo de um lado e uma noite eterna do outro. Uma camada de neblina invulgarmente refletora na atmosfera superior torna difícil determinar a composição das camadas abaixo. O planeta tem provavelmente grandes quantidades de água.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (IPAC)
"O planeta está totalmente coberto por uma espécie de neblina ou camada de nuvens", disse Eliza Kempton, investigadora da Universidade de Maryland e autora principal do novo artigo científico sobre o planeta, publicado na revista Nature. "A atmosfera permaneceu totalmente escondida de nós até esta observação". Kempton salientou que, se de facto for rico em água, o planeta pode ter sido um "mundo aquático", com grandes quantidades de material aquoso e gelado na altura da sua formação.
Para penetrar uma barreira tão espessa, a equipa de investigação arriscou uma abordagem inovadora: para além de fazer a observação padrão - capturando a luz da estrela hospedeira que foi filtrada pela atmosfera do planeta - seguiram GJ 1214 b durante quase toda a sua órbita à volta da estrela.
A observação demonstra o poder do MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb, que vê comprimentos de onda fora da parte do espectro eletromagnético que os olhos humanos conseguem ver. Usando o MIRI, a equipa de investigação foi capaz de criar uma espécie de "mapa de calor" do planeta à medida que orbitava a estrela. O mapa de calor revelou - imediatamente antes da órbita do planeta o levar para trás da estrela, e quando emergiu do outro lado - tanto o seu lado diurno como o noturno, divulgando pormenores da composição da atmosfera.
"A capacidade de obter uma órbita completa foi realmente crítica para compreender como o planeta distribui o calor do lado diurno para o lado noturno", disse Kempton. "Há um grande contraste entre o dia e a noite. O lado noturno é mais frio do que o lado diurno". De facto, as temperaturas passaram de 279º C para 165º C.
Uma mudança tão grande só é possível numa atmosfera composta por moléculas mais pesadas, como a água ou o metano, que parecem semelhantes quando observadas pelo MIRI. Isto significa que a atmosfera de GJ 1214 b não é composta principalmente por moléculas de hidrogénio mais leves, disse Kempton, o que é uma pista potencialmente importante para a história e formação do planeta - e talvez para o seu início aquoso.
"Esta não é uma atmosfera primordial", disse. "Não reflete a composição da estrela hospedeira em torno da qual se formou. Em vez disso, ou perdeu muito hidrogénio, se começou com uma atmosfera rica em hidrogénio, ou foi formada a partir de elementos mais pesados - material mais gelado e rico em água".
Mapa de calor do exoplaneta GJ 1214 b obtido através da análise da radiação infravermelha recolhida pelo espectrógrafo MIRI do JWST. Tal como um mapa-mundo, mostra uma projeção de toda a superfície. O planeta tem sempre o mesmo lado virado para a estrela. Assim, a estrela está verticalmente acima do ponto correspondente à longitude e latitude zero. A temperatura é dada em Kelvin (0 graus Celsius = 273,15 Kelvin). Resulta da suposição de que a radiação medida provém de um corpo completamente negro sem atmosfera. A temperatura real é modificada pela influência atmosférica adicional. O sector preto a -120 graus de longitude indica uma gama de baixas temperaturas em que os dados são demasiado pouco fiáveis para que se lhes possa atribuir uma temperatura válida.
Crédito: Eliza M.-R. Kempton et al./Instituto Max Planck para Astronomia
Mais frio do que o esperado
E embora o planeta seja quente para os padrões humanos, é muito mais frio do que o esperado, salientou Kempton. Isto porque a sua atmosfera invulgarmente brilhante, que foi uma surpresa para os investigadores, reflete uma grande fração da luz da sua estrela-mãe, em vez de a absorver e aquecer.
As novas observações podem abrir a porta a um conhecimento mais profundo de um tipo de planeta envolto em incerteza. Os mini-Neptunos - ou sub-Neptunos, como são designados no artigo - são o tipo de planeta mais comum na Galáxia, mas misteriosos para nós porque não ocorrem no nosso Sistema Solar. As medições efetuadas até agora mostram que são muito semelhantes, por exemplo, a uma versão reduzida do nosso Neptuno. Para além disso, pouco se sabe.
"Durante quase uma década, a única coisa que sabíamos sobre este planeta era que a sua atmosfera era nublada ou enevoada", disse Rob Zellem, investigador exoplanetário que trabalha com a coautora e investigadora exoplanetária Tiffany Kataria no JPL da NASA no sul da Califórnia. "Este trabalho tem implicações muito interessantes para interpretações climáticas detalhadas adicionais - para olhar para a física detalhada que ocorre dentro da atmosfera deste planeta".
O novo trabalho sugere que o planeta pode ter sido formado mais longe da sua estrela, um tipo conhecido como anã vermelha, e depois ter espiralado gradualmente para a sua órbita atual. O ano do planeta - uma órbita à volta da estrela - dura apenas 1,6 dias terrestres.
"A explicação mais simples, se encontrarmos um planeta muito rico em água, é que se formou mais longe da estrela hospedeira", disse Kempton.
Serão necessárias mais observações para determinar mais pormenores sobre GJ 1214 b, bem como sobre as histórias de formação de outros planetas da classe dos mini-Neptunos. Embora uma atmosfera aquosa pareça provável para este planeta, uma componente significativa de metano também é possível. E para tirar conclusões mais abrangentes sobre a formação dos mini-Neptunos será necessário observar mais deles em detalhe.
"Ao observar toda uma população de objetos como este, esperamos poder construir uma história consistente", disse Kempton.
Webb observa a cintura de asteroides de Fomalhaut e encontra muito mais
Os astrónomos utilizaram o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA para obter imagens da poeira quente em torno de uma jovem estrela próxima, Fomalhaut, a fim de estudar a primeira cintura de asteroides alguma vez observada fora do nosso Sistema Solar no infravermelho. Mas, para sua surpresa, descobriram que as estruturas poeirentas são muito mais complexas do que as cinturas de asteroides e de Kuiper do nosso Sistema Solar.
Esta imagem do disco de detritos poeirentos que rodeia a jovem estrela Fomalhaut foi obtida pelo instrumento MIRI do Webb. Revela três cinturas aninhadas que se estendem até 23 mil milhões de quilómetros da estrela. As cinturas interiores - que nunca tinham sido vistas antes - foram reveladas pelo Webb pela primeira vez.
Crédito: NASA, ESA, CSA, A. Pagan (STScI), A. Gáspár (Universidade do Arizona)
No total, existem três cinturas aninhadas que se estendem até 23 mil milhões de quilómetros da estrela - o que corresponde a 150 vezes a distância da Terra ao Sol. A escala da cintura mais externa é aproximadamente o dobro da escala da Cintura de Kuiper do nosso Sistema Solar, constituída por pequenos corpos e poeiras frias para lá de Neptuno. As cinturas interiores - que nunca tinham sido vistas antes - foram reveladas pelo Webb pela primeira vez.
As cinturas circundam a jovem estrela quente, que pode ser vista a olho nu como a estrela mais brilhante da constelação de Peixe Austral. As cinturas poeirentas são os detritos resultantes de colisões de corpos maiores, análogos aos asteroides e cometas, e são frequentemente descritas como "discos de detritos".
"Eu descreveria Fomalhault como o arquétipo dos discos de detritos encontrados noutros locais da nossa Galáxia, porque tem componentes semelhantes aos que temos no nosso próprio sistema planetário", disse András Gáspár da Universidade do Arizona em Tucson e autor principal de um novo artigo científico que descreve estes resultados. "Ao olhar para os padrões destes anéis, podemos começar a fazer um pequeno esboço de como deveria ser um sistema planetário - se pudéssemos tirar uma fotografia suficientemente profunda para ver os planetas suspeitos".
O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e o Observatório Espacial Herschel da ESA, bem como o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), já tinham obtido imagens nítidas da cintura mais externa. No entanto, nenhum deles encontrou qualquer estrutura no seu interior. As cinturas interiores foram resolvidas pela primeira vez pelo Webb no infravermelho.
"O Webb destaca-se pelo facto de ser capaz de resolver fisicamente o brilho térmico da poeira nessas regiões interiores. Por isso, é possível ver cinturas interiores que nunca poderíamos ver antes", disse Schuyler Wolff, outro membro da equipa da Universidade do Arizona.
O Hubble, o ALMA e o Webb estão a trabalhar em conjunto para obter uma visão holística dos discos de detritos em torno de uma série de estrelas. "Com o Hubble e o ALMA, conseguimos obter imagens de uma série de análogos da Cintura de Kuiper e aprendemos imenso sobre a formação e evolução dos discos exteriores", disse Wolff. "Mas precisamos que o Webb nos permita obter imagens de uma dúzia de cinturas de asteroides noutros locais. Podemos aprender tanto sobre as regiões quentes interiores destes discos como o Hubble e o ALMA nos ensinaram sobre as regiões exteriores mais frias".
Estas cinturas são muito provavelmente moldadas pelas forças gravitacionais produzidas por planetas não observados. Da mesma forma, dentro do nosso Sistema Solar, Júpiter controla a cintura de asteroides, a orla interior da Cintura de Kuiper é esculpida por Neptuno e a exterior por corpos ainda não observados situados para lá dela. À medida que o Webb capta imagens de mais sistemas, vamos aprender sobre as configurações dos seus planetas.
Esta imagem do disco de detritos poeirentos que rodeia a jovem estrela Fomalhaut foi obtida pelo instrumento MIRI do Webb. Revela três cinturas aninhadas que se estendem até 23 mil milhões de quilómetros da estrela. As cinturas interiores - que nunca tinham sido vistas antes - foram reveladas pelo Webb pela primeira vez. As legendas à esquerda indicam as características individuais. À direita, uma grande nuvem de poeira é destacada e as imagens mostram-na em dois comprimentos de onda infravermelhos: 23 e 25,5 micrómetros.
Crédito: NASA, ESA, CSA, A. Gáspár (Universidade do Arizona); processamento - A. Pagan (STScI)
O anel de poeira de Fomalhaut foi descoberto em 1983 graças a observações feitas pelo IRAS (Infrared Astronomical Satellite) da NASA. A existência do anel também foi inferida a partir de observações anteriores e de maior comprimento de onda usando telescópios submilimétricos em Maunakea, Hawaii, o Telescópio Espacial Spitzer da NASA e o CSO (Caltech Submillimeter Observatory).
"As cinturas à volta de Fomalhaut são uma espécie de livro de mistério: onde estão os planetas?", disse George Rieke, outro membro da equipa e responsável científico, nos EUA, pelo inovador instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb, que fez estas observações. "Penso que não é um salto muito grande dizer que provavelmente existe um sistema planetário muito interessante à volta da estrela".
"Definitivamente não esperávamos a estrutura mais complexa com a segunda cintura intermédia e depois a cintura de asteroides mais larga", acrescentou Wolff. "Essa estrutura é muito excitante porque sempre que um astrónomo vê uma divisão e anéis num disco, diz: 'Pode haver um planeta embebido a dar forma aos anéis!"
O Webb também captou imagens daquilo que Gáspár chama "a grande nuvem de poeira", que pode ser evidência de uma colisão, no anel exterior, entre dois corpos protoplanetários. Esta é uma característica diferente do planeta suspeito visto pela primeira vez dentro do anel exterior pelo Hubble em 2008. Observações subsequentes do Hubble mostraram que em 2014 o objeto tinha desaparecido. Uma interpretação plausível é que esta característica recém-descoberta, tal como a anterior, é uma nuvem em expansão de partículas de poeira muito finas de dois corpos gelados que chocaram um contra o outro.
A ideia de um disco protoplanetário em torno de uma estrela remonta ao final do século XVIII, quando os astrónomos Immanuel Kant e Pierre-Simon Laplace desenvolveram, independentemente, a teoria de que o Sol e os planetas se formaram a partir de uma nuvem de gás em rotação que colapsou e se achatou sob a ação da gravidade. Os discos de detritos desenvolvem-se mais tarde, após a formação dos planetas e a dispersão do gás primordial nos sistemas. Mostram que corpos pequenos como os asteroides estão a colidir de forma catastrófica e a pulverizar as suas superfícies em enormes nuvens de poeira e outros detritos. As observações da poeira fornecem pistas únicas sobre a estrutura de um sistema exoplanetário, chegando até aos planetas da dimensão da Terra e mesmo aos asteroides, que são demasiado pequenos para serem vistos individualmente.
"Este resultado muito excitante realça o poder único do MIRI para estudar as estruturas esculpidas pelos planetas nas regiões mais interiores dos discos circunstelares", acrescenta Gillian Wright, investigadora principal europeia do MIRI e Diretora do UKATC (UK Astronomy Technology Centre).
Os resultados da equipa foram publicados na revista Nature Astronomy.
Decifrado o enigma do buraco negro supermassivo em fuga
Um estudo efetuado por uma equipa de investigadores do IAC (Instituto de Astrofísica de Canarias) demonstrou que uma estrutura fina e invulgar de estrelas, recentemente descoberta pelo Telescópio Espacial Hubble, pode ser uma galáxia vista de lado. Esta descoberta vai contra a interpretação original, segundo a qual um buraco negro supermassivo em fuga deixava um rasto de estrelas. A nova interpretação foi publicada na revista Astronomy and Astrophysics: Letters.
Um misterioso rasto de estrelas formado há oito mil milhões de anos e recentemente descoberto pelo Telescópio Espacial Hubble tem sido um desafio para vários grupos de investigação. O seu tamanho é semelhante ao da Via Láctea e esta estrutura estreita e muito longa deu origem a várias explicações sobre a sua origem.
Em cima: imagem do objecto captada pelo Telescópio Espacial Hubble. Mostra a emissão na parte ultravioleta do espectro. No meio: imagem ultravioleta de uma galáxia local sem bojo e observada de lado (IC 5249). As semelhanças são óbvias. Em baixo: A mesma galáxia IC 5249 observada na parte visível do espectro. As escalas espaciais das três imagens são idênticas.
Crédito: Telescópio Espacial Hubble
Segundo uma hipótese inicial controversa, este rasto de estrelas poderia ser o resultado da passagem de um buraco negro supermassivo por uma enorme nuvem de gás. Esta ideia despertou rapidamente a imaginação da comunidade astronómica, porque necessita de um grande conjunto de circunstâncias excecionais complexas. Por esta razão, várias equipas científicas têm continuado a explorar cenários diferentes e menos exóticos que possam explicar as observações.
Num estudo recente, investigadores do IAC chegaram à conclusão de que esta estrutura invulgar de estrelas pode ser interpretada como uma galáxia sem bojo vista de lado. Estes tipos de galáxias, também chamadas galáxias finas ou planas, são relativamente comuns. "Os movimentos, o tamanho e a quantidade de estrelas correspondem ao que se tem visto em galáxias do Universo local", explica Jorge Sanchez Almeida, investigador do IAC e primeiro autor do artigo científico. "É um alívio ter encontrado a solução para este mistério, o novo cenário proposto é muito mais simples. Num certo sentido é também uma pena, porque a existência de buracos negros em fuga é esperada e este poderia ter sido o primeiro a ser observado".
Comparação entre este "objeto" e uma galáxia vista de lado no Universo local (IC5249): em termos de aspeto (imagens a e b), em termos de brilho (c e d) e em termos da sua velocidade de rotação (e). Este objecto e IC5249 são extremamente semelhantes em todos os seus parâmetros físicos, o que apoia a ideia de que o "objeto" é realmente uma galáxia vista de lado.
Crédito: Telescópio Espacial Hubble, Almeida et al., 2023
Para apoiar a hipótese da interpretação em termos de uma galáxia, a equipa comparou a estrutura misteriosa com uma galáxia local bem conhecida sem bojo, IC 5249, que tem uma massa semelhante de estrelas, e encontrou uma concordância surpreendente. Nas palavras de Mireia Montes, investigadora do IAC e coautora do artigo, "quando analisámos as velocidades desta estrutura distante de estrelas, percebemos que eram muito semelhantes às obtidas a partir da rotação das galáxias, por isso decidimos comparar uma galáxia muito mais próxima e descobrimos que são extraordinariamente semelhantes".
"Também analisámos a relação entre a massa da suposta galáxia e a sua velocidade máxima de rotação, e descobrimos que, de facto, é uma galáxia que se comporta como uma galáxia", afirma Ignacio Trujillo, investigador do IAC que participou no estudo. "É um objeto interessante, porque é uma galáxia bastante grande a uma distância muito grande da Terra, onde a maioria das galáxias são mais pequenas", acrescenta.
Mais observações permitirão estudar este objeto em maior detalhe.
Monstros celestes na origem dos enxames globulares (via Universidade de Genebra)
Os enxames globulares são os enxames de estrelas mais massivos e mais antigos do Universo. Podem conter até 1 milhão de estrelas. A composição química destas estrelas, nascidas na mesma altura, apresenta anomalias que não se encontram em nenhuma outra população de estrelas. Explicar esta especificidade é um dos grandes desafios da astronomia. Depois de ter imaginado que as estrelas supermassivas poderiam estar na origem, uma equipa das Universidades de Genebra e Barcelona e do Instituto de Astrofísica de Paris (CNRS e Universidade Sorbonne) pensa ter descoberto o primeiro vestígio químico que atesta a sua presença em protoenxames globulares, nascidos cerca de 440 milhões de anos após o Big Bang. Estes resultados, obtidos graças às observações do Telescópio Espacial James Webb, podem ser consultados na revista Astronomy & Astrophysics. Ler fonte
Astrónomos avistam, pela primeira vez, benzeno num disco de formação planetária (via NOVA)
Uma equipa internacional de astrónomos observou, pela primeira vez, a molécula de benzeno (C6H6) num disco de formação planetária em torno de uma estrela jovem. Para além do benzeno, observaram muitos outros compostos de carbono mais pequenos e poucas moléculas ricas em oxigénio. As observações sugerem que, tal como a nossa Terra, os planetas rochosos que se formam neste disco contêm relativamente pouco carbono. Os cientistas publicaram os seus resultados na revista Nature Astronomy. Ler fonte
Álbum de fotografias A Nebulosa da Hélice, pelo CFHT
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