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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #2007  
  02/06 a 05/06/2023  
     
 

APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Asteroides!

Data: 7 de junho de 2023
Hora: 21:30-23:00
Nesta atividade falaremos um pouco sobre asteroides: de onde vêm, como são, e como os vemos! Observaremos ainda o céu a olho nu e com telescópio!
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis!
Adulto:
 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
Inscrição obrigatória
(info@ccvalg.pt)

Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 02/06: 153.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1966, a Surveyor 1 torna-se na primeira sonda americana a aterrar com sucesso noutro mundo, a Lua
Em 1983, era lançada a Venera 15, uma missão dupla (em conjunto com a Venera 16 poucos dias depois) com o objetivo de estudar e mapear a superfície de Vénus.

Em 2003, a sonda Mars Express,transportando o "lander" britânico Beagle 2, é lançada num foguetão russo Soyuz-Fregat, a partir de Baikonur (Cazaquistão) às 17:45 GMT.
HOJE, NO COSMOS:
Depois do anoitecer, Marte brilha dentro do enxame do Presépio, M44, perto do próprio asterismo do Presépio.
Marte está a mover-se para este, através do enxame, a cerca de 90 segundos de arco por hora. Consegue ver a sua posição a mudar em relação às estrelas?
Vénus vai seguir as pegadas de Marte nos dias 12 e 13 de junho.

 

DIA 03/06: 154.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1769, o capitão James Cook observa o trânsito de Vénus sob céus limpos no Tahiti.
Em 1965 era lançada a Gemini 4, a primeira missão espacial tripulada com uma duração de vários dias. Neste mesmo dia Edward White andou no exterior de uma nave espacial pela primeira vez na história dos EUA, num passeio que durou aproximadamente 20 minutos.

Em 1966, lançamento da Gemini 9A.
HOJE, NO COSMOS:
Procure a alaranjada Antares a apenas 3 ou 4 graus para cima e para a direita da Lua. Os binóculos ajudam a extrair Antares do luar.
E para cima e para a direita de Antares, cerca de 7,5º está Delta Scorpii, com metade do brilho mas que sofre menos com o brilho do nosso satélite natural. Delta Sco é a estrela do meio, e a mais brilhante, das três que formam a cabeça de Escorpião. Utilize novamente binóculos.

 

DIA 04/06: 155.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 781 AC era registado pela primeira vez um eclipse solar total na China. 
Em 1769, um trânsito de Vénus é seguido cinco horas depois de um eclipse solar total, o intervalo de tempo mais curto para tais eventos na História.
Em 1783, os irmãos Montgolfier elevavam-se pela primeira vez no ar a bordo do seu balão de ar quente. 

Em 1996, primeiro lançamento do Ariane 5, que explode após 20 segundos de voo. Transportava o satélite Cluster.
Em 2000, chega ao fim a missão do Observatório Compton, quando reentra na atmosfera da Terra. Os detritos restantes caem no Oceano Pacífico. 
Em 2010, voo inaugural do Falcon 9, o foguetão da companhia SpaceX, lançado a partir do Complexo de Lançamento Espacial 40, em Cabo Canaveral.
HOJE, NO COSMOS:
Lua Cheia, pelas 04:42.
Cerca de 14º (punho e meio à distância do braço esticado) para cima e para a esquerda de Vega está Eltanin, o nariz da constelação de Dragão. Mais perto e para cima e para a esquerda de Eltanin está Lozenge, o asterismo composto por três estrelas que representa a cabeça do animal mítico. Dragão aponta sempre o seu nariz para Vega.

 

DIA 05/06: 156.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1819, nascia John Couch Adams, astrónomo e matemático inglês. É famoso por prever a existência e posição de Neptuno usando apenas a matemática. Os cálculos foram feitos para explicar as discrepâncias entre a órbita de Úrano e as leis de Kepler e Newton. Ao mesmo tempo, para seu desconhecimento, os cálculos foram também feitos por Urbain Le Verrier, que ajudaria à localização do planeta em 1846.
Em 1965, nascia Michael E. Brown, cuja equipa descobriu muitos objectos trans-neptunianos, incluindo o planeta anão Éris, o único objeto desta categoria mais massivo que Plutão.

Refere-se a ele próprio como o homem que "matou Plutão", pois ajudou à sua demoção de planeta principal para anão.
Em 1995, é criado pela primeira vez um concentrado Bose-Einstein.
Em 2012, começa o último trânsito de Vénus do século XXI.
HOJE, NO COSMOS:
A Ursa Maior "virou-se" para ficar apoiada pela sua "pega" a noroeste. A estrela do meio da "pega" da "frigideira" é Mizar, com a pequena Alcor mesmo ao lado. De que lado de Mizar deverá procurar Alcor? Como sempre, do lado que está virado para Vega! Que é agora a estrela mais brilhante no céu a este.

 
 
   
Instrumento NIRISS do Webb mapeia a atmosfera de um Júpiter ultraquente
 
Impressão de artista de WASP-18 b, um exoplaneta gigante gasoso 10 vezes mais massivo do que Júpiter, que orbita a sua estrela em apenas 23 horas. Os investigadores utilizaram o Telescópio Espacial James Webb da NASA para estudar o planeta à medida que este se deslocava atrás da sua estrela. As temperaturas atingem os 2700º C.
Crédito: NASA/JPL-Caltech (K. Miller/IPAC)
 

Recorrendo ao instrumento canadiano NIRISS do Telescópio Espacial James Webb, o estudante de doutoramento em astrofísica Louis-Philippe Coulombe mapeou a atmosfera do intrigante exoplaneta WASP-18 b.

A 400 anos-luz de distância existe um planeta tão interessante que os astrónomos o têm estudado desde que foi descoberto em 2009. Uma órbita de WASP-18 b em torno da sua estrela, que é ligeiramente maior do que o nosso Sol, demora apenas 23 horas. Não existe nada semelhante no nosso Sistema Solar.

Um novo estudo liderado pelo mesmo aluno da Universidade de Montréal, sobre este exoplaneta, um gigante gasoso ultraquente 10 vezes mais massivo do que Júpiter, baseado em novos dados do instrumento canadiano NIRISS (Near-Infrared Imager and Slitless Spectrograph) do Telescópio Espacial James Webb, contém muitas surpresas!

Uma equipa internacional de astrónomos identificou vapor de água na atmosfera do exoplaneta WASP-18 b e elaborou um mapa de temperatura do planeta à medida que este passava por trás da sua estrela e reaparecia. Este evento é conhecido como eclipse secundário. Os cientistas podem ler a luz combinada da estrela e do planeta e depois refinar as medições apenas da estrela à medida que o planeta se desloca atrás dela.

O mesmo lado, conhecido como o lado diurno, de WASP-18 b está sempre virado para a sua estrela, tal como o mesmo lado da Lua está sempre virado para a Terra. A isto chama-se bloqueio de maré. O mapa de temperatura, ou brilho, do exoplaneta mostra uma enorme mudança de temperatura - até 1000 graus - desde o ponto mais quente virado para a estrela até ao terminador, onde os lados diurno e noturno do planeta que sofre bloqueio de maré se encontram em permanente crepúsculo.

 
Os cientistas utilizaram o Telescópio Espacial James Webb para observar o exoplaneta WASP-18 b e a sua estrela antes, durante e depois do planeta ser eclipsado. Ao medir a mudança de luz quando o planeta viaja atrás da estrela, o brilho do planeta é revelado. A partir destas medições, os cientistas conseguiram fazer um mapa da temperatura do lado diurno do planeta. Gama de temperaturas apresentada: 1500 a 2600 graus Celsius.
Crédito: NASA/JPL-Caltech (R. Hurt/IPAC)
 

"O JWST está a dar-nos a possibilidade de fazer mapas muito mais detalhados de planetas gigantes e quentes como WASP-18 b do que nunca. Esta é a primeira vez que um planeta foi mapeado com o JWST e é realmente excitante ver que algumas das coisas que os nossos modelos previram, tais como uma queda acentuada na temperatura longe do ponto do planeta diretamente virado para a estrela, são realmente vistas nos dados!", disse Megan Mansfield, da Universidade do Arizona e uma das autoras do artigo científico que descreve os resultados.

A equipa mapeou os gradientes de temperatura ao longo do lado diurno do planeta. Dado que o planeta é muito mais frio no terminador, é provável que haja algo que impeça os ventos de redistribuir eficazmente o calor para o lado noturno. Mas o que está a afetar os ventos é ainda um mistério.

"O mapa de luminosidade de WASP-18 b mostra uma ausência de ventos de leste-oeste que é melhor correspondida por modelos com arrastamento atmosférico. Uma explicação possível é que este planeta tem um forte campo magnético, o que seria uma descoberta excitante!", disse o coautor Ryan Challener, da Universidade de Michigan.

Uma interpretação do mapa do eclipse é que os efeitos magnéticos forçam os ventos a soprar do equador do planeta para cima, sobre o polo norte, e para baixo, sobre o polo sul, em vez de soprarem de leste para oeste, como seria de esperar.

Os investigadores registaram as mudanças de temperatura a diferentes altitudes das camadas da atmosfera do planeta gigante e gasoso. Observaram que as temperaturas aumentam com a elevação, variando centenas de graus.

Sinais de vapor de água

O espectro da atmosfera do planeta mostra claramente múltiplas características pequenas, mas medidas com precisão, de água, presentes apesar das temperaturas extremas de quase 2700º C. A temperatura é tão elevada que destruiria a maior parte das moléculas de água, pelo que a sua presença atesta à extraordinária sensibilidade do Webb em detetar a água remanescente. As quantidades detetadas na atmosfera de WASP-18 b indicam que o vapor de água está presente a várias altitudes.

"Foi uma grande sensação olhar pela primeira vez para o espectro de WASP-18 b obtido pelo JWST e ver a assinatura subtil, mas precisamente medida, da água", disse Louis-Philippe Coulombe, estudante de doutoramento na Universidade de Montréal, membro do iREx (Trottier Institute for Research on Exoplanets) e autor principal do artigo sobre o exoplaneta. "Usando este tipo de medições, seremos capazes de detetar tais moléculas para uma vasta gama de planetas nos próximos anos!", acrescentou Björn Benneke, professor na mesma instituição de ensino, membro do iREx e coautor do artigo científico. Benneke é também o orientador de doutoramento de Coulombe e tem liderado os esforços mundiais para estudar WASP-18 b desde 2016.

 
A equipa obteve o espectro de emissão térmica de WASP-18 b medindo a quantidade de luz que este emite na gama de comprimentos de onda de 0,85 a 2,8 micrómetros com o instrumento NIRISS do Telescópio Espacial James Webb da NASA, captando 65% da energia total emitida pelo planeta. WASP-18 b é tão quente no lado diurno (com bloqueio de maré; o mesmo lado que está sempre virado para a sua estrela, como a Lua para a Terra) que as moléculas de vapor de água se quebrariam. O Telescópio Webb observou diretamente vapor de água no planeta, mesmo em quantidades relativamente pequenas, indicando a sensibilidade do observatório.
Crédito: NASA/JPL-Caltech (R. Hurt/IPAC)
 

O trabalho do instrumento NIRISS e dos cientistas em início de carreira

A equipa de astrónomos observou WASP-18 b durante cerca de seis horas, utilizando um dos instrumentos do Webb, o NIRISS (Near-Infrared Imager and Slitless Spectrograph), contribuído pela Agência Espacial Canadiana e por vários parceiros, incluindo a Universidade de Montréal e o iREx.

"Dado que as características da água, neste espectro, são tão subtis, era difícil identificá-las em observações anteriores. Isso fez com que fosse realmente excitante ver finalmente as características da água com estas observações do JWST", disse Anjali Piette, pós-doutorada no Instituto Carnegie para Ciência e uma das autoras da nova investigação.

As observações de WASP-18 b foram recolhidas no âmbito do programa ERS (Early Release Science) da Comunidade de Exoplanetas em Trânsito, liderado por Natalie Batalha, astrónoma da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, que ajudou a coordenar a nova investigação e os mais de cem investigadores da equipa. Grande parte deste trabalho inovador está a ser feito por cientistas em início de carreira como Coulombe, Challener, Piette e Mansfield.

A proximidade, tanto à sua estrela como de nós, ajudou a tornar WASP-18 b um alvo tão intrigante para estes cientistas, tal como a sua grande massa. WASP-18 b é um dos mundos mais massivos cujas atmosferas podemos investigar. Os astrónomos estão a tentar compreender como é que esses planetas se formam e chegam ao ponto onde se encontram nos seus sistemas. Também, aqui, o Webb dá algumas respostas.

"Ao analisar o espectro de WASP-18 b, não só aprendemos sobre as várias moléculas que podem ser encontradas na sua atmosfera, mas também sobre como se formou. As nossas observações mostram que a composição de WASP-18 b é muito semelhante à da sua estrela, o que significa que muito provavelmente se formou a partir dos restos de gás que estavam presentes logo após o nascimento da estrela", disse Coulombe. "Esses resultados são muito valiosos para se obter uma imagem clara de como planetas estranhos como WASP-18 b, que não têm equivalente no nosso Sistema Solar, surgiram".

// Universidade de Montréal (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade da Califórnia, Santa Cruz (comunicado de imprensa)
// Universidade da Flórida Central (comunicado de imprensa)
// Instituto Carnegie para Ciência (comunicado de imprensa)
// IAC (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)
// WASP-18 b: vendo um eclipse exoplanetário com o JWST da NASA (NASASolarSystem via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
01/12/2017 - WASP-18b tem sufocante estratosfera sem água
28/08/2009 - Planeta recém-descoberto pode estar perto da sua morte

WASP-18b:
NASA
ipac
Exoplanet.eu
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Programas GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Astrónomos descobrem planetas nos últimos dias de observações do Telescópio Kepler
 
A última campanha de observação do telescópio espacial Kepler da NASA durou apenas um mês. Quando a nave espacial começou a ficar sem combustível de controlo de atitude, não conseguiu manter a sua posição durante tempo suficiente para recolher observações úteis. No final, os astrónomos só obtiveram cerca de sete dias de dados de alta qualidade. Uma equipa de investigação trabalhou com um grupo de cidadãos cientistas e astrónomos profissionais e encontrou três planetas no último conjunto de dados.
Crédito: NASA/JPL-Caltech (K. Walbolt)
 

Uma equipa de astrofísicos e cientistas cidadãos identificou o que poderão ser alguns dos últimos planetas observados pelo aposentado telescópio espacial Kepler da NASA durante a sua missão de quase uma década.

Os três exoplanetas - mundos para lá do nosso Sistema Solar - têm todos um tamanho entre o da Terra e o de Neptuno e orbitam intimamente as suas estrelas.

"São planetas bastante medianos no grande esquema das observações do Kepler", disse Elyse Incha, estudante na Universidade de Wisconsin-Madison. "Mas são excitantes porque o Kepler observou-os durante os seus últimos dias de funcionamento. Isto mostra como o Kepler era bom a caçar planetas, mesmo no fim da sua vida".

Um artigo sobre o trio planetário, liderado por Incha, foi publicado na edição de 30 de maio da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

O Kepler foi lançado em março de 2009. O objetivo inicial da missão era monitorizar continuamente um pedaço de céu nas constelações de Cisne e Lira. Este longo período de observações permitiu ao satélite seguir as alterações no brilho estelar provocadas pela passagem de planetas em frente das suas estrelas, eventos designados por trânsitos.

Ao fim de quatro anos, o telescópio tinha observado mais de 150.000 estrelas e identificado milhares de potenciais exoplanetas. Foi a primeira missão da NASA a encontrar um mundo do tamanho da Terra a orbitar dentro da zona habitável da sua estrela, a gama de distâncias em que pode existir água líquida à superfície de um planeta.

Em 2014, a nave espacial teve problemas mecânicos que interromperam temporariamente as observações. A equipa do Kepler concebeu uma solução que lhe permitiu retomar as operações, mudando o seu campo de visão aproximadamente de três em três meses, um período chamado campanha. Esta missão renovada, K2, durou mais quatro anos e observou mais de 500.000 estrelas.

Quando o Kepler foi aposentado, em outubro de 2018, tinha ajudado a descobrir mais de 2600 exoplanetas confirmados e muito mais candidatos.

A última campanha da missão K2, a 19.ª, durou apenas um mês. Como a nave espacial começou a ficar com pouco combustível de controlo de atitude, não conseguiu manter a sua posição durante tempo suficiente para recolher observações úteis. No final, os astrónomos só tiveram cerca de sete dias de dados de alta qualidade da Campanha 19.

Incha e a sua equipa trabalharam com o VSG (Visual Survey Group), uma colaboração entre cientistas cidadãos e astrónomos profissionais, para analisar este conjunto de dados em busca de exoplanetas. Os cientistas cidadãos procuraram sinais de mundos em trânsito em todas as curvas de luz da Campanha 19, que registam a forma como as estrelas monitorizadas brilharam ou escureceram.

"As pessoas que fazem levantamentos visuais - olhando para os dados a olho nu - podem detetar novos padrões nas curvas de luz e encontrar objetos individuais que são difíceis de detetar por levantamentos automatizados. E mesmo nós não os conseguimos apanhar a todos", disse Tom Jacobs, antigo oficial da Marinha dos EUA e membro da equipa do VSG. "Fiz três vezes o levantamento visual das observações do K2 e ainda há descobertas por encontrar".

Jacobs e outros encontraram um trânsito para cada um dos três candidatos a planeta, cada um orbitando uma estrela diferente, no conjunto de dados de alta qualidade.

Após a sua descoberta inicial, Incha e a sua equipa também voltaram a analisar os dados de menor qualidade do resto da Campanha 19 e encontraram mais um trânsito para cada uma das três estrelas assinaladas no levantamento visual.

"Os segundos trânsitos destes dois candidatos a planeta ajudaram-nos a confirmar a sua descoberta", disse Andrew Vanderburg, professor assistente de física no Instituto Kavli para Astrofísica e Investigação Espacial do MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge, EUA. "Ninguém tinha encontrado planetas neste conjunto de dados antes, mas a nossa colaboração conseguiu encontrar três. E estamos realmente a fazer frente aos últimos dias, aos últimos minutos, das observações recolhidas pelo Kepler".

Usando a informação do trânsito, Incha e a sua equipa calcularam os potenciais tamanhos e períodos orbitais dos mundos. O planeta mais pequeno, K2-416 b, tem cerca de 2,6 vezes o tamanho da Terra e orbita a sua estrela anã vermelha a cada 13 dias. K2-417 b, com pouco mais de três vezes o tamanho da Terra, também orbita uma estrela anã vermelha, mas completa uma órbita a cada 6,5 dias. O último planeta, não confirmado, EPIC 246251988 b, tem quase quatro vezes o tamanho da Terra e orbita a sua estrela semelhante ao Sol em cerca de 10 dias (os dois primeiros planetas tomam o seu nome da era K2 da missão, o último do catálogo EPIC - Ecliptic Plane Input Catalog - de estrelas nos campos K2).

O TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, que foi lançado em abril de 2018, também utiliza o método de trânsito, observando grandes faixas do céu de cada vez. Durante agosto e setembro de 2021, o TESS observou a zona do espaço que contém os três novos planetas do Kepler. Os astrónomos foram capazes de detetar mais dois potenciais trânsitos para K2-417 b.

"De muitas formas, o Kepler passou a tocha da caça exoplanetária para o TESS", disse Knicole Colón, cientista do projeto TESS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, que trabalhou na missão Kepler durante vários anos. "O conjunto de dados do Kepler continua a ser um tesouro para os astrónomos e o TESS ajuda a dar-nos novos conhecimentos sobre as suas descobertas".

// NASA (comunicado de imprensa)
// MIT (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
Universe Today
PHYSORG
SpaceRef

K2-416 b:
Exoplanet.eu

K2-417 b:
Exoplanet.eu

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

Telescópio Espacial Kepler:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

 
   
Webb mapeia uma pluma surpreendentemente grande a "jorrar" da lua de Saturno, Encélado

Uma pluma de vapor de água proveniente da lua de Saturno, Encélado, com uma extensão de mais de 9600 quilómetros - o suficiente para atravessar o continente euro-asiático desde a Irlanda até ao Japão - foi detetada por investigadores que utilizavam o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA. Não só é a primeira vez que uma tal ejeção de água é observada com um tamanho tão grande, como o Webb está também a dar aos cientistas um olhar direto, pela primeira vez, sobre a forma como esta emissão alimenta o fornecimento de água a todo o sistema de Saturno e aos seus anéis.

 
Nesta imagem, o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA mostra uma pluma de vapor de água a jorrar do polo sul da lua de Saturno, Encélado, estendendo-se 20 vezes o tamanho da própria lua. A inserção mostra uma imagem obtida pela sonda Cassini, que realça a pequena dimensão de Encélado na imagem do Webb, quando comparada com a pluma de água.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, e G. Villanueva (Centro de Voo Espacial Goddard da NASA), A. Pagan (STScI)
 

Encélado, um mundo oceânico com cerca de 4% do tamanho da Terra, com apenas 505 quilómetros de diâmetro, é um dos alvos científicos mais interessantes do Sistema Solar na procura de vida para lá da Terra. Entre a crosta exterior gelada da lua e o seu núcleo rochoso está um reservatório global de água salgada. Vulcões semelhantes a geiseres expelem jatos de partículas geladas, vapor de água e substâncias orgânicas a partir de fendas na superfície da lua, informalmente chamadas "listras de tigre".

Anteriormente, os observatórios tinham mapeado jatos com centenas de quilómetros de comprimento a partir da superfície da lua, mas a sensibilidade requintada do Webb revela uma nova história.

O comprimento da pluma não foi a única característica que intrigou os investigadores. A velocidade a que o vapor de água está a jorrar, cerca de 300 litros por segundo, é também particularmente interessante. A este ritmo, seria possível encher uma piscina olímpica num par de horas. Comparativamente, na Terra, fazê-lo com uma mangueira de jardim demoraria mais de duas semanas.

A missão Cassini da NASA/ESA/ASI passou mais de uma década a explorar o sistema saturniano e não só captou pela primeira vez as plumas de Encélado, como voou diretamente através delas e recolheu amostras do seu conteúdo. Enquanto a posição da Cassini dentro do sistema saturniano proporcionou uma visão inestimável desta lua distante, a visão única do Webb a partir do Ponto L2 (L provém de Lagrange), a 1,5 milhões de quilómetros da Terra, juntamente com a notável sensibilidade do seu instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph), está a fornecer um novo contexto.

As observações do Webb demonstram diretamente como as plumas de vapor de água da lua alimentam o toro, um donut difuso de água que está colocalizado no anel E de Saturno. Ao analisarem os dados do Webb, os astrónomos determinaram que cerca de 30% da água permanece dentro deste toro e os outros 70% escapam para abastecer de água o resto do sistema saturniano.

 
Nesta imagem, os instrumentos do Telescópio Espacial James Webb da NASA estão a revelar pormenores sobre a forma como uma das luas de Saturno alimenta de água todo o sistema. Novas imagens pelo NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb revelaram uma pluma de vapor de água a jorrar do polo sul de Encélado, estendendo-se por mais de 20 vezes o tamanho da própria lua. A IFU (Integral Field Unit) a bordo do NIRSpec também forneceu informações sobre como a água de Encélado alimenta o resto do ambiente ao seu redor.
Créditos: NASA, ESA, CSA, STScI, L. Hustak (STScI), G. Villanueva (Centro de Voo Espacial Goddard da NASA)
 

Nos próximos anos, o Webb será o instrumento principal de observação da lua oceânica Encélado, e as descobertas do Webb ajudarão a informar as futuras missões robóticas que procurarão explorar a profundidade do oceano subsuperficial, a espessura da crosta de gelo e muito mais.

Com base nas descobertas feitas pelo Webb, bem como nas descobertas feitas pela missão JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer), a ESA está a planear aproximar-se ainda mais das luas geladas de Júpiter e Saturno com missões futuras, para procurar possíveis bioassinaturas.

As observações de Encélado pelo Webb foram concluídas ao abrigo do programa 1250 do GTO (Guaranteed Time Observation). O objetivo inicial deste programa é demonstrar as capacidades do Webb numa determinada área da ciência e preparar o terreno para estudos futuros.

Os resultados da equipa foram recentemente aceites para publicação na revista Nature Astronomy.

// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// SwRI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)
// A pluma e toro de Encélado (HubbleWebbESA via YouTube)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG

Encélado:
Solarviews
Wikipedia
Listras de tigre (Wikipedia)

Saturno:
NASA
The Nine Planets
Solarviews
Wikipedia
Anéis de Saturno (Wikipedia)

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
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Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Programas GO do Webb (STScI)
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MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer):
ESA
Wikipedia

Sonda Cassini:
NASA
Wikipedia

 
   
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  O caso dos Júpiteres desaparecidos: planetas gigantes gasosos teimam em não aparecer em torno de pequenas estrelas vermelhas (via Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian)
Os astrónomos revelaram que as estrelas mais pequenas e mais comuns do Universo, chamadas anãs vermelhas, muito raramente albergam planetas grandes, semelhantes a Júpiter. Esta ausência de análogos de Júpiter pode ter um impacto importante no desenvolvimento de planetas semelhantes à Terra em torno de anãs vermelhas e na procura de mundos capazes de suportar vida extraterrestre. Ler fonte
     
  Astrofísicos confirmam a galáxia mais ténue alguma vez observada no Universo primitivo (via UCLA)
Uma equipa internacional de investigação liderada por astrofísicos da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) confirmou a existência da galáxia mais ténue alguma vez observada no início do Universo. A galáxia, chamada JD1, é uma das mais distantes identificadas até à data e é típica do tipo de galáxias que "queimaram" a névoa de átomos de hidrogénio que sobrou do Big Bang, deixando a luz brilhar através do Universo e moldando-o no que existe hoje. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
M27: A Nebulosa do Haltere

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Patrick A. Cosgrove
 
É isto que vai acontecer ao nosso Sol? Muito possivelmente. O primeiro indício do futuro do nosso Sol foi descoberto inadvertidamente em 1764. Nessa altura, Charles Messier estava a compilar uma lista de objetos difusos que não deviam ser confundidos com cometas. O 27.º objeto da lista de Messier, agora conhecido como M27 ou Nebulosa do Haltere, é uma das nebulosas planetárias mais brilhantes do céu e visível com binóculos na direção da constelação de Raposa (Vulpecula). A luz de M27 demora cerca de 1000 anos a chegar até nós, sendo aqui apresentada nas cores emitidas pelo enxofre (vermelho), hidrogénio (verde) e oxigénio (azul). Sabemos agora que, dentro de cerca de 6 mil milhões de anos, o nosso Sol libertará os seus gases exteriores numa nebulosa planetária como M27, enquanto o seu centro restante se tornará uma estrela anã branca, quente em raios-X. No entanto, a compreensão da física e do significado de M27 estava muito para além da ciência do século XVIII. Ainda hoje, muitas coisas sobre as nebulosas planetárias permanecem misteriosas, incluindo o modo como as suas formas intricadas são criadas.
 
   
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