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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
 
  Astroboletim #2036  
  12/09 a 14/09/2023  
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 12/09: 255.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1725 nascia Guillaume Le Gentil, o astrónomo mais azarado de sempre.
Em 1959, a União Soviética lança a sonda Luna 2. Dois dias depois (14), torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a atingir a Lua.

Em 1966, lançamento da Gemini 11, a penúltima missão do programa Gemini da NASA e a detentora do recorde atual de altitude humana (à excepção das missões lunares Apollo).
Em 1970, lançamento da soviética Luna 16, a primeira missão (não tripulada) a recolher amostras lunares e a enviá-las para a Terra. 
Em 1991, lançamento da missão STS-48 do vaivém Discovery, transportando o satélite UARS (Upper Atmosphere Research Satellite). 
Em 1992, lançamento da missão STS-47 do vaivém espacial Endeavour, a 50.ª missão dos vaivéns espaciais. A bordo estavam Mae Carol Jemison, a primeira mulher afro-americana no espaço, Mamoru Mohri, o primeiro cidadão japonês a voar uma nave americana, e Mark Lee e Jan Davis, o primeiro casal no espaço.
Em 1993, lançamento da missão STS-51 do vaivém espacial Discovery.
Em 2013, a NASA confirma que a sonda Voyager 1 se tornou no primeiro objeto feito pelo homem a entrar no espaço interestelar.
HOJE, NO COSMOS:
Ao anoitecer, Arcturo brilha a oeste. Está cada vez mais baixa a cada semana. Para a sua direita, a noroeste, a Ursa Maior gira para ficar nivelada.
Para cima e para a direita de Arcturo está o padrão da sua constelação, semelhante a um "papagaio-de-papel". O "papagaio" estende-se pouco mais de dois punhos à distância do braço esticado para cima e para a direita de Arcturo.

 

DIA 13/09: 256.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
HOJE, NO COSMOS:
Vega passa perto do zénite ao anoitecer, para aqueles que vivem a latitudes médias norte. Vega é maior, mais quente e 50 vezes mias luminosa do que o nosso Sol. Mas, a uma distância de 25 anos-luz, está 1,6 milhões de vezes mais longe.

 

DIA 14/09: 257.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1915 nascia John Dobson. Fundador do "Sidewalk Astronomers" e inventor do telescópio dobsoniano.

Ensinou muitos a construir telescópios modestos e a usá-los: "Temos a responsabilidade de mostrar aos outros como é o nosso Universo a partir de um telescópio - e explicar o que estão a ver." 
Em 1959, a sonda soviética Luna 2 colide com a Lua, tornando-se no primeiro objeto feito pelo Homem a lá chegar.
Em 2015, o LIGO faz a primeira observação direta de ondas gravitacionais com um instrumento na Terra, usando os interferómetros gémeos localizados em Livingston, Louisiana e em Hanford, Washington. O programa anunciou ou seus achados no dia 11 de fevereiro de 2016.
HOJE, NO COSMOS:
Na região estéril a meio caminho entre a "pega" do "Bule de Chá" de Sagitário e o lado direito de Capricórnio encontra-se um asterismo de quatro estrelas, que parece estar muito sozinho. Na antiguidade, Ptolomeu catalogou-o como o Tetrapleuron, o Quadrilátero. Por ser tão isolado, não foi incorporado no padrão estelar de nenhuma das constelações. Hoje em dia, o grupo é por vezes conhecido como Os Cães (de uma tradição local no sul da China sobre monstruosos homens-cães nas montanhas) ou, mais recentemente, como a Cruz de Herman, em homenagem ao falecido astrónomo amador de Maryland, Herman Heyn, que a redescobriu e a divulgou.
A Cruz de Herman está atualmente mais alta no meridiano após o anoitecer. Fica mais ou menos de lado e tem cerca de 1° por 2° de tamanho. As suas estrelas têm todas cerca de magnitude 4,5, o que a torna um ótimo alvo binocular e visível a olho nu num céu moderadamente escuro. É um asterismo tão distinto que, depois de o conhecer, vai vê-lo frequentemente em fotografias da Via Láctea de Sagitário, discretamente a leste da atração principal.
Dois enxames globulares, M75 e M55, encontram-se alguns graus acima e abaixo dele. Têm magnitude 9 e 7, respetivamente.

 
 
   
Swift aprende um novo truque, avista um buraco negro "petiscador"
 
Swift J0230 ocorreu a mais de 500 milhões de anos-luz de distância, numa galáxia chamada 2MASX J02301709+2836050, captada aqui pelo telescópio Pan-STARRS no Hawaii.
Crédito: Instituto Neils Bohr/Daniele Malesani
 

Usando o Observatório Neil Gehrels Swift da NASA, lançado em 2004, os cientistas descobriram um buraco negro numa galáxia distante a "petiscar" repetidamente uma estrela semelhante ao Sol. O objeto anuncia uma nova era de ciência com o Swift, possível graças a um novo método de análise dos dados do instrumento XRT (X-ray Telescope) do satélite.

"O hardware e o software do Swift e as competências da sua equipa internacional permitiram-lhe adaptar-se a novas áreas da astrofísica ao longo da sua vida", disse Phil Evans, astrofísico da Universidade de Leicester, no Reino Unido, e membro de longa data da equipa do Swift. "Neil Gehrels, o homónimo da missão, supervisionou e encorajou muitas dessas transições. Agora, com esta nova capacidade, está a fazer ciência ainda mais interessante".

Evans liderou um estudo sobre a estrela azarada e o seu buraco negro esfomeado, coletivamente designados por Swift J023017.0+283603 (ou Swift J0230, para abreviar), que foi publicado a 7 de setembro na revista Nature Astronomy.

Quando uma estrela se aproxima demasiado de um buraco negro monstruoso, as forças gravitacionais criam marés intensas que a dilaceram numa corrente de gás. A extremidade dianteira gira em torno do buraco negro e a extremidade traseira escapa do sistema. Estes episódios destrutivos são chamados eventos de perturbação de marés. Os astrónomos vêem-nos como surtos de luz em vários comprimentos de onda criados quando os detritos colidem com um disco de material que já orbita o buraco negro.

Os astrónomos têm investigado recentemente variações deste fenómeno, a que chamam perturbações de marés parciais ou repetidas.

Durante estes eventos, sempre que uma estrela em órbita passa perto de um buraco negro, a estrela incha para fora e perde material, mas sobrevive. O processo repete-se até que a estrela perde demasiado gás e acaba por ser destruída. As características de cada estrela individual e do sistema de buraco negro determinam o tipo de emissão que os cientistas observam, criando uma grande variedade de comportamentos a categorizar.

Exemplos anteriores incluem uma explosão que ocorreu a cada 114 dias, potencialmente causada por uma estrela gigante que orbitava um buraco negro com 78 milhões de vezes a massa do Sol. Outra ocorreu a cada nove horas em torno de um buraco negro com 400.000 vezes a massa do Sol, provavelmente causada por uma "cinza" estelar em órbita de nome anã branca.

No dia 22 de junho de 2022, o XRT captou Swift J0230 pela primeira vez. "Acendeu-se" numa galáxia a cerca de 500 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação do hemisfério norte de Triângulo. O XRT do Swift observou nove explosões adicionais a partir do mesmo local, aproximadamente a cada poucas semanas.

 
Agora não se vê, agora vê-se! Imagens de raios X do mesmo local no céu antes (esquerda) e depois (direita) da erupção de Swift J0230. Estas imagens foram obtidas com o instrumento XRT a bordo do satélite Swift.
Crédito: Phil Evans (Universidade de Leicester)/Swift da NASA
 

Evans e a sua equipa propõem que Swift J0230 é uma perturbação repetida de uma estrela semelhante ao Sol que orbita um buraco negro com mais de 200.000 vezes a massa do Sol. Estimam que a estrela perde cerca de três massas terrestres de material em cada passagem. Este sistema constitui uma ponte entre outros tipos de perturbações repetitivas suspeitas e permitiu aos cientistas modelar a forma como as interações entre diferentes tipos de estrelas e tamanhos de buracos negros afetam o que observamos.

"Procurámos e procurámos o evento de aumento de brilho nos dados recolhidos pelo UVOT (Ultraviolet/Optical Telescope) do Swift", disse Alice Breeveld, investigadora do MSSL (Mullard Space Science Laboratory) do Colégio Universitário de Londres, que trabalhou no instrumento desde antes do lançamento do satélite. "Mas não havia qualquer sinal dele. A variabilidade da galáxia estava inteiramente nos raios X. Isso ajudou a excluir outras causas potenciais".

A descoberta de Swift J0230 foi possível graças a uma nova pesquisa automatizada de observações obtidas pelo XRT, desenvolvida por Evans, chamada "Swift X-ray Transient Detector".

Depois do instrumento observar uma parte do céu, os dados são transmitidos para o solo e o programa compara-os com imagens anteriores do mesmo local pelo XRT. Se essa parte do céu, em raios X, tiver mudado, os cientistas recebem um alerta. No caso de Swift J0230, Evans e os seus colegas conseguiram coordenar rapidamente observações adicionais da região.

O Swift foi originalmente concebido para estudar as explosões de raios gama, as explosões mais poderosas do cosmos. No entanto, desde que o satélite foi lançado, os cientistas reconheceram a sua capacidade para estudar uma série de objetos celestes, como perturbações de marés e cometas.

"Swift J0230 foi descoberto apenas cerca de dois meses depois de Phil ter lançado o seu programa", disse S. Bradley Cenko, investigador principal da missão no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "É um bom presságio para a capacidade do detetor em identificar outros eventos transitórios e para o futuro do Swift na exploração de novos espaços científicos".

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Leicester (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Ataque "petiscador" de um buraco negro (NASA Goddard via YouTube)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
SPACE.com
Universe Today
Popular Science
PHYSORG
Gizmodo

Buraco negro:
Wikipedia
Evento de perturbação de marés (Wikipedia)

Observatório Neil Gehrels Swift:
NASA
Wikipedia

 
   
Estudo aponta para a existência dos buracos negros mais próximos da Terra no enxame estelar das Híades
 
Imagem do enxame aberto das Híades.
Crédito: Jose Mtanous
 

Um artigo científico publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society sugere a existência de vários buracos negros no enxame das Híades - o enxame aberto mais próximo do nosso Sistema Solar - o que faria deles os buracos negros mais próximos da Terra alguma vez detetados. O estudo resulta de uma colaboração entre um grupo de cientistas liderado por Stefano Torniamenti, da Universidade de Pádua (Itália), com a participação significativa de Mark Gieles e Friedrich Anders, ambos da Faculdade de Física da Universidade de Barcelona e do Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha (IEEC).

Mais concretamente, a descoberta ocorreu durante uma estadia de investigação do perito Stefano Torniamenti no ICCUB (Instituto de Ciências do Cosmos da Universidade de Barcelona), uma das unidades de investigação que integram o IEEC.

Buracos negros no enxame estelar das Híades?

Desde a sua descoberta, os buracos negros são um dos fenómenos mais misteriosos e fascinantes do Universo e tornaram-se objeto de estudo para investigadores de todo o mundo. Isto é particularmente verdade para os buracos negros pequenos, porque foram observados durante a deteção de ondas gravitacionais. Desde a deteção das primeiras ondas gravitacionais em 2015 que os especialistas têm observado muitos eventos que correspondem a fusões de pares de buracos negros de baixa massa.

Para o estudo publicado, a equipa de astrofísicos utilizou simulações que rastreiam o movimento e a evolução de todas as estrelas das Híades - localizadas a uma distância do Sol de cerca de 45 parsecs (cerca de 150 anos-luz) - para reproduzir o seu estado atual.

Os enxames abertos são grupos de centenas de estrelas que partilham certas propriedades, como a idade e as características químicas. Os resultados da simulação foram comparados com as posições e velocidades atuais das estrelas das Híades, que são agora conhecidas com precisão a partir de observações feitas pelo satélite Gaia da ESA.

"As nossas simulações só podem corresponder simultaneamente à massa e ao tamanho das Híades se alguns buracos negros estiverem atualmente presentes no centro do enxame (ou até recentemente)", diz Stefano Torniamenti, investigador pós-doutorado na Universidade de Pádua e primeiro autor do artigo.

As propriedades observadas das Híades são mais bem reproduzidas por simulações com dois ou três buracos negros no presente, embora as simulações em que todos os buracos negros foram ejetados (há menos de 150 milhões de anos, aproximadamente o último quarto da idade do enxame) possam ainda assim dar uma boa correspondência, porque a evolução do enxame não poderia apagar os vestígios da sua anterior população de buracos negros.

Os novos resultados indicam que os buracos negros nascidos nas Híades ainda estão dentro do enxame, ou muito perto dele. Isto torna-os os buracos negros mais próximos do Sol, muito mais próximos do que o anterior candidato (nomeadamente o buraco negro Gaia BH1, que se encontra a 480 parsecs do Sol).

Nos últimos anos, os avanços do Gaia tornaram possível, pela primeira vez, estudar em pormenor a posição e a velocidade das estrelas de enxames abertos e identificar estrelas individuais com confiança.

"Esta observação ajuda-nos a compreender como a presença de buracos negros afeta a evolução dos enxames estelares e como estes, por sua vez, contribuem para as fontes de ondas gravitacionais", afirma Mark Gieles, membro do Departamento de Física Quântica e Astrofísica da Universidade de Barcelona e anfitrião do primeiro autor nessa cidade. "Estes resultados também nos dão uma ideia de como estes objetos misteriosos estão distribuídos pela Galáxia".

O novo estudo é o resultado de uma estreita colaboração entre a Universidade de Pádua, o ICUBB-IEEC, a Universidade de Cambridge (Reino Unido), o Observatório Europeu do Sul (ESO) e a Universidade Nacional Sun Yat-sen (China).

// Universidade de Barcelona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Buraco negro:
Wikipedia

Enxame de estrelas das Híades:
SEDS
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
Catálogo DR3 do Gaia
Wikipedia

 
   
Prevista a possível existência de um planeta de tamanho semelhante à Terra nos confins do Sistema Solar
 
Impressão artística de um planeta de tamanho semelhante ao da Terra nos confins do Sistema Solar.
Crédito: Fernando Peña D'Andrea
 

Existem muitas anomalias por explicar nas órbitas e na distribuição dos objetos transneptunianos, pequenos corpos celestes localizados nos confins do Sistema Solar. Agora, com base em simulações informáticas detalhadas do início do Sistema Solar exterior, investigadores do Japão preveem a possibilidade de um planeta com um tamanho semelhante ao da Terra, ainda não descoberto, para lá de Neptuno, orbitar o Sol. Se esta previsão se concretizar, poderá revolucionar a nossa compreensão da história do Sistema Solar.

A maioria das pessoas está familiarizada com os oito planetas conhecidos do Sistema Solar. No entanto, é quase certo que, há milhares de milhões de anos, o Sistema Solar formou mais planetas do que estes oito. Embora a maior parte deles já tenha desaparecido ou saído do Sistema Solar, será possível que alguns tenham permanecido e sobrevivido até aos dias de hoje?

A resposta a esta pergunta pode vir dos chamados OTNs (objetos transneptunianos). Como o nome indica, os OTNs são pequenos corpos celestes que orbitam o Sol a uma distância média superior à da órbita de Neptuno. Em particular, a distante Cintura de Kuiper, a região localizada a mais de 7,5 mil milhões de quilómetros (ou 50 unidades astronómicas) do Sol, contém muitos OTNs. Embora estes objetos representem os restos da formação planetária no Sistema Solar exterior, as suas órbitas e distribuição podem muito bem revelar a presença de planetas por descobrir.

Num estudo recente, publicado na revista The Astronomical Journal no dia 25 de agosto, o professor associado Patryk Sofia Lykawka da Universidade de Kindai no Japão e o professor associado Takashi Ito do CfCA (Center for Computational Astrophysics) do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) resolveram este enigma. Com base na análise teórica das observações e em simulações computacionais de ponta, chegaram à notável conclusão de que um planeta com aproximadamente o tamanho da Terra (1,5-3 vezes mais massivo) pode estar à espreita na distante Cintura de Kuiper!

Os investigadores começaram por analisar em pormenor a estrutura orbital da distante Cintura de Kuiper, que exibe várias anomalias por explicar. Por exemplo, existe uma grande população de OTNs isolados cujas órbitas estão para além da influência gravitacional de Neptuno. Além disso, há um número significativo de OTNs com órbitas altamente inclinadas, juntamente com uma população de "OTNs extremos" cujas órbitas são extremamente difíceis de explicar com os modelos atuais para a formação do Sistema Solar e da Cintura de Kuiper.

Com base nestas análises, os investigadores teorizaram que outro planeta para além dos quatro gigantes (Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno) deve ter influenciado a formação da Cintura de Kuiper. Para testar a sua hipótese, efetuaram uma série de simulações utilizando os computadores instalados no laboratório de Lykawka e o grupo de PCs de uso geral do NAOJ, usando modelos do Sistema Solar primitivo que existia há cerca de 4,5 mil milhões de anos. Aqui, os investigadores consideraram interações entre os quatro planetas gigantes, um hipotético planeta da Cintura de Kuiper e um disco de pequenos objetos representando a distante Cintura de Kuiper primordial. Depois de cada simulação ter sido concluída, as populações de OTNs resultantes, após um período de 4,5 mil milhões de anos, foram comparadas com as obtidas a partir de observações modernas para ver se algum dos modelos explicava as anomalias na distante Cintura de Kuiper.

Notavelmente, os melhores resultados das simulações sugeriam que deveria existir um planeta por descobrir com uma massa 1,5-3 vezes superior à da Terra a orbitar o Sol a distâncias entre cerca de 200 e 500 (ou mesmo ~200-800) unidades astronómicas. Graças à massa palpável e a uma órbita inclinada de cerca de 30°, um tal planeta poderia ter gerado o grande número de OTNs isolados, os OTNs altamente inclinados, bem como os OTNs extremos com órbitas peculiares, de acordo com as nossas observações atuais.

A descoberta de um novo planeta de tamanho semelhante ao da Terra no Sistema Solar teria, sem dúvida, implicações profundas, como explica o Dr. Lykawka: "Primeiro, o Sistema Solar voltaria a ter oficialmente nove planetas. Além disso, à semelhança do que aconteceu em 2006 quando Plutão foi despromovido da categoria de planeta, teríamos de aperfeiçoar a definição de 'planeta', uma vez que um planeta de tamanho semelhante à Terra, localizado muito para além de Neptuno, pertenceria provavelmente a uma nova classe de planetas. Finalmente, as nossas teorias sobre a formação do Sistema Solar e dos planetas também precisariam de ser revistas".

Agora que a previsão foi feita, é altura de procurar este planeta na distante Cintura de Kuiper. De acordo com o Dr. Lykawka, futuros levantamentos astronómicos japoneses ou internacionais poderão ser capazes de detetar este novo planeta em menos de uma década. Muitos novos OTNs extremos poderiam ser descobertos no processo, fornecendo informações valiosas sobre a região transneptuniana. "Um conhecimento mais pormenorizado da estrutura orbital na distante Cintura de Kuiper dar-nos-á uma melhor compreensão da formação do Sistema Solar exterior, o que também revelará as condições em que os planetas se formaram. Mesmo a descoberta de um único ou de alguns desses novos OTNs poderia revolucionar as nossas teorias sobre a formação do Sistema Solar".

// Universidade de Kindai (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Cobertura do hipotético Planeta Nove pelo CCVAlg - Astronomia:
14/07/2020 - Cientistas propõem plano para determinar se Planeta Nove é um buraco negro primordial
10/07/2020 - O poder coletivo dos corpos escuros e gelados do Sistema Solar
17/03/2020 - Descobertos novos planetas menores para lá de Neptuno
01/03/2019 - Mais suporte para o Planeta Nove
25/01/2019 - Órbitas misteriosas nos confins do Sistema Solar podem ser explicadas sem a existência do Planeta Nove
05/10/2018 - Descoberto novo objeto extremamente distante na procura do Planeta Nove
08/06/2018 - A gravidade coletiva, não o Planeta Nove, pode explicar as órbitas de "objetos isolados"
18/07/2017 - Novas evidências em suporte da hipótese do Planeta Nove
04/04/2017 - Estão a ser investigados quatro objetos desconhecidos na pesquisa pelo Planeta Nove
24/02/2017 - Novos dados sobre dois asteroides distantes dão pistas sobre possível "Planeta Nove"
21/10/2016 - Inclinação curiosa do Sol atribuída ao Planeta Nove
30/08/2016 - Caça ao Planeta Nove revela novos objetos extremamente distantes no Sistema Solar
06/05/2016 - Planeta Nove: um mundo que não devia existir
12/04/2016 - Planeta 9 toma forma; Cassini não é afetada
26/02/2016 - Procurando o Planeta Nove
22/01/2016 - Cientistas encontram evidências teóricas de um nono planeta

Planeta Nove:
Wikipedia

Sistema Solar:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

OTNs (objetos transneptunianos):
Wikipedia
Objetos isolados (Wikipedia)
OTNs extremos (Wikipedia)

 
   

Álbum de fotografias
O Cometa Nishimura Cresce

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Peter Kennett
 
O cometa Nishimura está a crescer. Mais precisamente, as caudas do cometa C/2023 P1 (Nishimura) estão a crescer à medida que este se aproxima do Sol. Descoberto apenas no mês passado, o cometa brilha já quase à magnitude do olho nu enquanto se move dentro da órbita da Terra. O cometa está mais próximo da Terra esta semana, mas o mais próximo do Sol na semana seguinte - a 17 de setembro. Especula-se que o gelo e a poeira expelidos pela última visita do cometa Nishimura ao Sistema Solar interior podem ter criado a chuva de meteoros das Sigma Hidrídeas, que atinge o seu pico anual em dezembro. Se assim for, então esta chuva de meteoros pode tornar-se mais ativa, renovada com novos detritos do cometa. Na imagem, o cometa Nishimura foi fotografado a partir de Edgewood, Novo México, EUA, há uma semana, mostrando uma longa cauda iónica estruturada por interações com o vento solar. É uma tarefa bastante complicada para nós cá em Portugal, mas tente procurar este cometa perto do horizonte a este pouco antes do nascer do Sol nestas manhãs seguintes, e depois muito perto do horizonte a oeste logo após o pôr do sol na próxima semana - à medida que a sua cabeleira continua a aumentar de brilho e as suas caudas continuam a crescer.
 
   
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