DIA 10/11: 314.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1695, nascia John Bevis, médico e astrónomo inglês, conhecido por ter descoberto a Nebulosa do Caranguejo em 1731.
Em 1970 era lançada a sonda lunar Lunokhod 1.
Em 2008, após mais de cinco meses em Marte, a NASA declara a missão Phoenix como terminada depois da perda de comunicações com o "lander". HOJE, NO COSMOS:
Pelas 21 horas, Orionte está a subir acima do horizonte a este. Bem para cima de Orionte brilha a alaranjada Aldebarã. Para cima de Aldebarã encontra-se o enxame das Plêiades, do tamanho do polegar à distância do braço esticado. Bem para a ersquerda de Aldebarã e das Plêiades está a brilhante Capella.
Para baixo de Orionte, Sirius nasce pelas 23 horas. A diferença do nascer de Orionte e de Sirius é sempre de duas horas. Por outras palavras, Sirius está um mês atrás de Sirius (a posição de Orionte, a determinada hora, será a de Sirius à mesma hora um mês depois).
DIA 11/11: 315.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1572, Tycho Brahe observa uma nova no céu.
Isto é uma prova contra a teoria de Aristóteles que os céus são imutáveis.
Em 1875 nascia Vesto Slipher, astrónomo americano que, principalmente com os telescópios de 60" e 100" do Mt. Wilson, foi o primeiro a fotografar espectros de galáxias e a medir os seus desvios para o vermelho, o que levou à descoberta da expansão do Universo por Edwin Hubble.
Em 1966, lançamento da Gemini 12. Foi o 10.º e o último voo do Projeto Gemini. Demonstrou que os astronautas podiam trabalhar fora da nave espacial. HOJE, NO COSMOS:
A Grande Mancha Vermelha deverá atravessar o meridiano central de Júpiter, pelas 00:59. Depois a lua Europa atravessa em frente do planeta a partir das 03:28, seguida pela sua sombra às 03:51. A saída do satélite e da sua sombra do limbo de Júpiter ocorre pouco mais de duas horas depois.
DIA 12/11: 316.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1965, é lançada a sonda Venera 2 (USSR), com objectivo Vénus.
Em 1980, a sonda Voyager 1 faz a sua maior aproximação de Saturno.
Em 1981, lançamento STS-2 do vaivém Columbia, marcando a primeira vez que um veículo tripulado é lançado para o espaço duas vezes.
Em 2014, o "lander" Philae, libertado pela sonda Rosetta da ESA, alcança a superfície do Cometa 67P/C-G. HOJE, NO COSMOS:
Aviste a brilhante Vega a oeste ao início da noite. A sua pequena constelação, Lira, estende-se para a sua esquerda.
Ainda mais para a esquerda, a cerca de um punho e meio à distância do braço esticado a partir de Vega, está a estrela Albireo, de magnitude 3, o bico de Cisne. É um dos melhores binários e mais coloridos para telescópios pequenos: amarelo e azul pálido.
Seguindo mais ou menos a mesma linha alcançará Tarazed, também de terceira magnitude, e logo a seguir, Altair, de magnitude 1.
DIA 13/11: 317.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1833, deu-se a Grande Chuva de Meteoros das Leónidas.
Durante as quatro horas que antecederam o nascer-do-dia, os detritos do cometa Tempel-Tuttle iluminaram o céu noturno, causando pânico a quem os observava.
Em 1999, a falha de um quarto giroscópio deixa em maus lençóis o Telescópio Espacial Hubble até que o encontro SM3A (missão STS-103 do vaivém espacial) o repara a 20 de dezembro de 1999.
Em 2015, WT1190F, um satélite temporário da Terra, impacta a sudeste do Sri Lanka. HOJE, NO COSMOS:
Ao início da noite, Altair brilha a sudoeste. Aviste-a a três ou quatro punhos à distância do braço esticado para a esquerda da mais brilhante Vega. Altair é a única estrela brilhante nessa área. É o olho de Águia.
Logo para cima e para a direita de Altair está Tarazed, de terceira magnitude. Daí, estende-se a ténue espinha dorsal de Águia, juntamente com a Via Láctea se o observador tiver um céu suficientemente escuro.
Este arranjo faz lembrar outro pássaro do Triângulo de Verão, Cisne, cujo longo pescoço e espinha dorsal "voa" atualmente para cima e para a direita de Águia.
As primeiras imagens do Euclid: a deslumbrante intensidade da escuridão
As cinco primeiras imagens obtidas pela missão espacial Euclid da ESA.
Crédito: ESA/Euclid/Consórcio Euclid/NASA; processamento de imagem - J.-C. Cuillandre (CEA Paris-Saclay), G. Anselmi
A missão espacial Euclid da ESA revelou as suas primeiras imagens a cores do cosmos. Nunca anteriormente foi um telescópio capaz de criar imagens astronómicas tão nítidas através de uma tão grande parcela do céu e de olhar para tão longe no Universo distante. Estas cinco imagens ilustram todo o potencial do Euclid; mostram que o telescópio está pronto para criar o mais vasto mapa 3D do Universo, para descobrir alguns dos seus segredos ocultos.
O Euclid, o detetive do Universo escuro, tem uma tarefa difícil: investigar como a matéria escura e a energia escura fizeram com que o nosso Universo se parecesse como é hoje. 95% do nosso cosmos parece ser feito destas misteriosas entidades "escuras". Mas não compreendemos o que são porque a sua presença causa apenas mudanças muito subtis na aparência e nos movimentos das coisas que conseguimos ver.
Para revelar a influência "escura" no Universo visível, ao longo dos próximos seis anos, o Euclid irá observar as formas, distâncias e movimentos de milhares de milhões de galáxias que se encontram até 10 mil milhões de anos-luz. Ao fazê-lo, criará o maior mapa cósmico 3D alguma vez feito.
O que torna especial a vista do cosmos do Euclid é a sua capacidade de criar, de uma só vez, uma imagem infravermelha extraordinariamente nítida através de uma parcela enorme do céu.
As imagens divulgadas mostram esta capacidade especial: de estrelas brilhantes a galáxias indistintas, as observações mostram a integralidade destes objetos celestes, enquanto permanecem extremamente nítidas, mesmo quando é feito o zoom de galáxias distantes.
"A matéria escura atrai as galáxias e fá-las girar mais rapidamente do que a matéria visível, por si só, poderia fazer; a energia escura está a gerar a expansão acelerada do Universo. O Euclid permitirá que os cosmologistas estudem, pela primeira vez, estes mistérios escuros concorrentes em conjunto", explica a Diretora de Ciência da ESA, Professora Carole Mundell. "O Euclid representa um salto na nossa compreensão do cosmos como um todo e estas imagens minuciosas do Euclid mostram que a missão está pronta para ajudar a responder a um dos maiores mistérios da física moderna".
"Nunca anteriormente vimos imagens astronómicas como estas, incluindo tantos detalhes. São ainda mais belas e nítidas do que esperávamos, mostrando-nos muitas características nunca antes vistas em áreas bem conhecidas do Universo. Agora estamos prontos para observar milhares de milhões de galáxias e estudar a sua evolução ao longo do tempo cósmico", afirma René Laureijs, Cientista do Projeto Euclid da ESA.
"Os nossos elevados padrões para este telescópio compensaram: todo este detalhe das imagens deve-se a um design ótico especial, fabrico e montagem perfeitos do telescópio e dos instrumentos, direção e controlo de temperatura extremamente exato", acrescenta Giuseppe Racca, Gestor do projeto do Euclid da ESA.
"Gostaria de congratular e agradecer a todos os envolvidos na transformação desta ambiciosa missão em realidade, que é um reflexo da excelência europeia e da colaboração internacional. As primeiras imagens captadas pelo Euclid são impressionantes e lembram-nos porque é essencial ir para o espaço para aprender mais sobre os mistérios do Universo", afirma o Diretor-Geral da ESA, Josef Aschbacher.
Enxame Galáctico de Perseu
Leia aqui mais sobre a imagem do Enxame Galáctico de Perseu pelo Euclid da ESA.
Crédito: ESA/Euclid/Consórcio Euclid/NASA; processamento de imagem - J.-C. Cuillandre (CEA Paris-Saclay), G. Anselmi
Este incrível instantâneo do Euclid é uma revolução para a astronomia. A imagem mostra 1000 galáxias pertencentes ao Enxame de Perseu e mais de 100.000 outras galáxias, mais distantes, no fundo.
Muitas destas galáxias indistintas nunca tinham sido vistas anteriormente. Algumas delas estão tão distantes que a sua luz demorou 10 mil milhões de anos a chegar até nós. Ao mapear a distribuição e as formas destas galáxias, os cosmólogos terão possibilidade de descobrir mais sobre como a matéria escura formou o Universo que vemos hoje.
Esta é a primeira vez que uma imagem tão grande nos permitiu captar tantas galáxias de Perseu com um tão elevado nível de pormenor. O Enxame de Perseu é uma das estruturas mais compactas do Universo, localizado a "apenas" 240 milhões de anos-luz de distância da Terra.
Os astrónomos demonstraram que os enxames de galáxias como o de Perseu só se podem formar se a matéria escura estiver presente no Universo. O Euclid observará numerosos enxames galácticos como o de Perseu através do tempo cósmico, revelando o elemento "escuro" que as mantém juntas.
Galáxia espiral IC 342
Leia aqui mais sobre a imagem da galáxia espiral IC 342 pelo Euclid da ESA.
Crédito: ESA/Euclid/Consórcio Euclid/NASA; processamento de imagem - J.-C. Cuillandre (CEA Paris-Saclay), G. Anselmi
Ao longo da sua vida, o nosso Universo escuro será o reflexo de milhares de milhões de galáxias, revelando a influência nunca antes vista que a matéria escura e a energia escura têm nas mesmas. Por isso é que é apropriado que uma das primeiras galáxias que o Euclid observou tenha sido apelidada de "Galáxia Oculta", também conhecida como IC 342 ou Caldwell 5. Graças à sua visão infravermelha, o Euclid já descobriu informações fundamentais sobre as estrelas nesta galáxia, que é uma sósia da nossa Via Láctea.
Galáxia irregular NGC 6822
Leia aqui mais sobre a imagem da galáxia irregular NGC 6822 pelo Euclid da ESA.
Crédito: ESA/Euclid/Consórcio Euclid/NASA; processamento de imagem - J.-C. Cuillandre (CEA Paris-Saclay), G. Anselmi
Para criar um mapa 3D do Universo, o Euclid observará a luz das galáxias até uma distância de 10 mil milhões de anos-luz. A maioria das galáxias no início do Universo não se parecem com uma perfeita espiral, mas são irregulares e pequenas. São os blocos estruturais para galáxias maiores como a nossa e ainda podemos encontrar algumas destas galáxias relativamente perto de nós. A primeira galáxia anã irregular que o Euclid observou designa-se NGC 6822 e encontra-se perto, a apenas 1,6 milhões de anos-luz da Terra.
Enxame globular NGC 6397
Leia aqui mais sobre a imagem do enxame globular NGC 6397 pelo Euclid da ESA.
Crédito: ESA/Euclid/Consórcio Euclid/NASA; processamento de imagem - J.-C. Cuillandre (CEA Paris-Saclay), G. Anselmi
Esta imagem cintilante mostra a vista do Euclid num enxame globular designado NGC 6397. Este é o segundo enxame globular mais próximo da Terra, localizado a uma distância de cerca de 7800 anos-luz. Os enxames globulares são coleções de centenas de milhares de estrelas que se mantêm juntas devido à gravidade. Atualmente, nenhum outro telescópio para além do Euclid pode observar um enxame globular completo numa só observação e, ao mesmo tempo, distinguir tantas estrelas no objeto. Estas estrelas desvanecidas contam-nos a história da Via Láctea e onde se encontra matéria escura.
A Nebulosa Cabeça de Cavalo
Leia aqui mais sobre a imagem da Nebulosa Cabeça de Cavalo pelo Euclid da ESA.
Crédito: ESA/Euclid/Consórcio Euclid/NASA; processamento de imagem - J.-C. Cuillandre (CEA Paris-Saclay), G. Anselmi
O Euclid mostra-nos uma vista detalhada espetacularmente panorâmica da Nebulosa Cabeça de Cavalo, também conhecida como Barnard 33 e parte da constelação de Orionte. Na nova observação do Euclid deste viveiro estelar, os cientistas esperam encontrar muitos planetas com a massa de Júpiter, nunca antes vistos, na sua infância celeste, bem como jovens estrelas e anãs castanhas.
Novas descobertas, em breve
A primeira vista do cosmos do Euclid é não apenas bela, mas também extraordinariamente valiosa para a comunidade científica.
Primeiro, mostra que o telescópio Euclid e os instrumentos estão a ter um excelente desempenho e que os astrónomos podem utilizar o Euclid para estudar a distribuição da matéria no Universo e a sua evolução às maiores escalas. A combinação de muitas observações com esta qualidade, abrangendo amplas áreas do céu, mostrar-nos-á as partes escuras e ocultas do cosmos.
Segundo, cada imagem contém individualmente um manancial de informação sobre o Universo próximo. "Nos próximos meses, os cientistas do Consórcio Euclid analisarão estas imagens e publicarão uma série de artigos científicos na revista Astronomy & Astrophysics, bem como documentos sobre os objetivos científicos da missão Euclid e o desempenho do instrumento”, acrescenta Yannick Mellier, líder do Consórcio Euclid.
Finalmente, estas imagens levam-nos para além do reino da matéria escura e da energia escura, mostrando também como o Euclid irá criar um tesouro de informação sobre a física de estrelas e galáxias individuais.
Preparação para as observações de rotina
O Euclid foi lançado para o ponto L2 (Lagrange) do sistema Sol-Terra a bordo de um foguetão Falcon 9 da SpaceX a partir da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral na Flórida, EUA, às 17:12 do dia 1 de julho de 2023. Nos meses a seguir ao lançamento, os cientistas e os engenheiros têm estado empenhados numa fase intensa de teste e calibração dos instrumentos científicos do Euclid. A equipa está a fazer as últimas afinações do telescópio espacial, antes das observações científicas de rotina começarem no início de 2024.
Ao longo de seis anos, o Euclid examinará um-terço do céu com uma exatidão e sensibilidade sem precedentes. À medida que a missão for avançando, o banco de dados do Euclid será lançado uma vez por ano e será disponibilizado à comunidade científica global através do Astronomy Science Archives alojado no Centro de Astronomia Espacial Europeu da ESA, em Espanha.
O Euclid é uma missão europeia, criada e operada pela ESA, com contributos da NASA. O Consórcio Euclid, constituído por mais de 2000 cientistas de 300 institutos em 13 países europeus, Estados Unidos, Canadá e Japão, é responsável pelo fornecimento dos instrumentos científicos e pela análise dos dados científicos. A ESA selecionou a Thales Alenia Space como fornecedor principal para a construção do satélite e do seu módulo de serviço, tendo a Airbus Defence and Space sido escolhida para o desenvolvimento do módulo de carga, incluindo o telescópio. A NASA forneceu os detetores do NISP (Near-Infrared Spectrometer and Photometer). O Euclid é uma missão de classe média no Programa Visão Cósmica da ESA.
Lucy surpreende de novo: observa o primeiro binário de contacto em órbita de um asteroide
Ao que parece, o "maravilhoso" asteroide Dinkinesh e o seu satélite recém-descoberto estão a dar que falar. À medida que a nave espacial Lucy da NASA continuou a enviar dados do seu primeiro encontro com um asteroide no dia 1 de novembro de 2023, a equipa ficou surpreendida ao descobrir que o satélite imprevisto de Dinkinesh é, ele próprio, um binário de contacto - ou seja, é constituído por dois objetos mais pequenos que se tocam.
Esta imagem mostra o asteroide Dinkinesh e o seu satélite, tal como observados pelo L'LORRI (Lucy Long-Range Reconnaissance Imager) quando a nave espacial Lucy da NASA partiu do sistema. Esta imagem foi obtida às 17:00 de dia 1 de novembro de 2023, cerca de 6 minutos após a maior aproximação, a partir de uma distância de aproximadamente 1630 km. Nesta perspetiva, o satélite revela-se um binário de contacto, a primeira vez que um binário de contacto é visto em órbita de outro asteroide. Crédito: NASA/Goddard/SwRI/Johns Hopkins APL
Nas primeiras imagens de Dinkinesh e do seu satélite, que foram tiradas na fase de maior aproximação, os dois lóbulos do binário de contacto estavam um atrás do outro, do ponto de vista da Lucy. Só quando a equipa transferiu imagens adicionais, captadas nos minutos antes e depois do encontro, é que a verdadeira natureza deste objeto foi revelada.
"Os binários de contacto parecem ser bastante comuns no Sistema Solar", disse John Spencer, cientista adjunto do projeto Lucy, da filial de Boulder, Colorado, do SwRI (Southwest Research Institute), sediado em San Antonio, Texas. "Ainda não vimos muitos de perto e nunca vimos um a orbitar outro asteroide. Ficamos a pensar nas variações estranhas no brilho de Dinkinesh que vimos durante a aproximação, o que nos deu uma pista de que Dinkinesh poderia ter uma lua qualquer, mas nunca suspeitámos de algo tão bizarro!"
O principal objetivo da Lucy é o estudo dos asteroides troianos de Júpiter, nunca antes visitados. Este primeiro encontro com um pequeno asteroide da cintura principal só foi acrescentado à missão em janeiro de 2023, principalmente para servir de teste, em voo, do sistema que permite à nave espacial seguir e captar continuamente as imagens dos seus asteroides-alvo enquanto passa a alta velocidade. O excelente desempenho desse sistema em Dinkinesh permitiu à equipa captar múltiplas perspetivas do sistema, o que lhe possibilitou compreender melhor as formas dos asteroides e fazer esta descoberta inesperada.
Um diagrama que mostra a trajetória da nave espacial Lucy da NASA (vermelho) durante o seu "flyby" pelo asteroide Dinkinesh e pelo seu satélite (cinzento). "A" marca a localização da nave espacial às 16:55 UTC de dia 1 de novembro de 2023, e uma inserção mostra a imagem L'LORRI captada nessa altura. "B" marca a posição da nave espacial alguns minutos depois, às 17:00, e a inserção mostra a vista L'LORRI correspondente nessa altura.
Crédito: gráfico geral - NASA/Goddard/SwRI; Detalhe "A" - NASA/Goddard/SwRI/APL de Johns Hopkins/NOIRLab; Detalhe "B" - NASA/Goddard/SwRI/APL de Johns Hopkins
"É, no mínimo, intrigante", disse Hal Levison, investigador principal da Lucy, também do SwRI. "Nunca teria esperado um sistema com este aspeto. Em particular, não percebo porque é que os dois componentes do satélite têm tamanhos semelhantes. Vai ser divertido para a comunidade científica perceber isto".
Esta segunda imagem foi obtida cerca de 6 minutos após a maior aproximação, a uma distância de aproximadamente 1630 km. A nave espacial viajou cerca de 1500 km entre as duas imagens divulgadas.
"É verdadeiramente maravilhoso quando a natureza nos surpreende com um novo puzzle", disse Tom Statler, cientista do programa Lucy na sede da NASA em Washington. "A ciência leva-nos a fazer perguntas que nunca pensámos que precisávamos de fazer".
A equipa continua a processar os restantes dados do encontro da nave espacial. Dinkinesh e o seu satélite são os dois primeiros de 11 asteroides que a Lucy planeia explorar durante a sua viagem de 12 anos. Depois de passar pela orla interior da cintura principal de asteroides, a Lucy dirige-se agora para a Terra para receber uma assistência gravitacional em dezembro de 2024. Esta passagem irá impulsionar a nave espacial de volta à cintura principal de asteroides, onde irá observar o asteroide Donaldjohanson em 2025 e depois viajar para os asteroides troianos em 2027.
Descobertas do Webb apoiam processo de formação planetária há muito proposto
Esta impressão artística compara dois tipos de discos típicos de formação planetária em torno de estrelas recém-nascidas semelhantes ao Sol. À esquerda está um disco compacto e à direita um disco alargado com lacunas. Os cientistas que utilizam o Webb estudaram recentemente quatro discos protoplanetários - dois compactos e dois alargados. Os investigadores conceberam as suas observações para testar se os discos compactos de formação de planetas têm mais água nas suas regiões interiores do que os discos alargados de formação de planetas com lacunas. Isto aconteceria se os seixos cobertos de gelo nos discos compactos se deslocassem mais eficientemente para as regiões mais próximas da estrela e levassem grandes quantidades de sólidos e água para os planetas interiores rochosos em formação. A investigação atual propõe que os planetas grandes podem causar anéis de pressão acrescida, onde os seixos tendem a acumular-se. À medida que os seixos se deslocam, sempre que encontram um aumento de pressão, tendem a acumular-se aí. Estas armadilhas de pressão não bloqueiam necessariamente a deriva dos seixos, mas são um impedimento. É isto que parece estar a acontecer nos grandes discos com anéis e fendas. Este também pode ter sido um papel de Júpiter no nosso Sistema Solar - inibindo o fornecimento de seixos e água aos nossos pequenos planetas rochosos, interiores e relativamente pobres em água.
Crédito:
NASA, ESA, CSA, Joseph Olmsted (STScI)
Cientistas que utilizam o Telescópio Espacial James Webb da NASA acabaram de fazer uma descoberta revolucionária ao revelarem como os planetas são feitos. Ao observar vapor de água em discos protoplanetários, o Webb confirmou um processo físico que envolve a deriva de sólidos revestidos de gelo das regiões exteriores do disco para a zona dos planetas rochosos.
Há muito que as teorias propõem que os seixos gelados que se formam nas regiões frias e exteriores dos discos protoplanetários - a mesma zona de origem dos cometas no nosso Sistema Solar - devem ser as "sementes" fundamentais da formação dos planetas. O principal requisito destas teorias é que os seixos se desloquem para dentro em direção à estrela devido à fricção no disco gasoso, fornecendo sólidos e água aos planetas.
Uma previsão fundamental desta teoria é que à medida que os seixos gelados entram na região mais quente dentro da "linha de neve" - onde o gelo transita para vapor - devem libertar grandes quantidades de vapor de água frio. Foi exatamente isto que o Webb observou.
"O Webb revelou finalmente a ligação entre o vapor de água no disco interior e a deriva de seixos gelados do disco exterior", disse o investigador principal Andrea Banzatti da Universidade Estatal do Texas em San Marcos. "Esta descoberta abre perspetivas excitantes para o estudo da formação de planetas rochosos com o Webb!"
"No passado, tínhamos esta imagem muito estática da formação planetária, quase como se existissem zonas isoladas a partir das quais os planetas se formavam", explicou Colette Salyk, membro da equipa, de Vassar College em Poughkeepsie, estado norte-americano de Nova Iorque. "Agora temos evidências de que estas zonas podem interagir umas com as outras. É também algo que se propõe que tenha acontecido no nosso Sistema Solar".
Aproveitando o poder do Webb
Os investigadores usaram o MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb para estudar quatro discos - dois compactos e dois alargados - em torno de estrelas semelhantes ao Sol. Estima-se que todas estas quatro estrelas tenham entre 2 e 3 milhões de anos, ou seja, meramente recém-nascidas da perspetiva do tempo cósmico.
Espera-se que os dois discos compactos tenham uma deriva eficiente de seixos, levando-os a uma distância equivalente à órbita de Neptuno. Em contraste, espera-se que os discos estendidos tenham os seus seixos retidos em múltiplos anéis até seis vezes a órbita de Neptuno.
As observações do Webb foram concebidas para determinar se os discos compactos têm uma maior abundância de água na sua região interior de planetas rochosos, como seria de esperar se a deriva de seixos fosse mais eficiente e estivesse a levar muita massa sólida e água para os planetas interiores. A equipa escolheu usar o MRS (Medium-Resolution Spectrometer) do MIRI porque é sensível ao vapor de água nos discos.
Os resultados confirmaram as expetativas, revelando um excesso de água fria nos discos compactos, em comparação com os discos grandes.
Espectro de Emissão - Abundância da Água: este gráfico compara os dados espectrais da água quente e fria no disco de GK Tau, que é um disco compacto sem anéis, e no disco alargado de CI Tau, que tem pelo menos três anéis em órbitas diferentes. A equipa científica utilizou o poder de resolução sem precedentes do MRS (Medium-Resolution Spectrometer) do instrumento MIRI do JWST para separar os espectros em linhas individuais que sondam a água a diferentes temperaturas. Estes espectros, vistos no gráfico de cima, revelam claramente o excesso de água fria no disco compacto de GK Tau, em comparação com o grande disco de CI Tau. O gráfico inferior mostra o excesso de dados de água fria no disco compacto de GK Tau menos os dados de água fria no disco alargado de CI Tau. Os dados atuais, a roxo, estão sobrepostos a um modelo do espetro de água fria. Repare-se na semelhança entre eles. Crédito: NASA, ESA, CSA, Leah Hustak (STSCI)
À medida que os seixos se deslocam, sempre que encontram uma saliência de pressão - um aumento de pressão - tendem a acumular-se aí. Estas armadilhas de pressão não bloqueiam necessariamente a deriva dos seixos, mas são um impedimento. Isto é o que parece estar a acontecer nos grandes discos com anéis e lacunas.
A investigação atual propõe que os grandes planetas podem provocar anéis de pressão acrescida, onde os seixos tendem a acumular-se. Este também pode ter sido um papel de Júpiter no nosso Sistema Solar - inibindo o fornecimento dos seixos e de água aos nossos pequenos planetas rochosos, interiores e relativamente pobres em água.
Resolvendo o enigma
Quando os dados foram recebidos pela primeira vez, os resultados foram intrigantes para a equipa de investigação. "Durante dois meses, ficámos presos a estes resultados preliminares que nos diziam que os discos compactos tinham água mais fria e os discos grandes tinham água mais quente", recordou Banzatti. "Isto não fazia sentido, porque tínhamos selecionado uma amostra de estrelas com temperaturas muito semelhantes."
Só quando Banzatti sobrepôs os dados dos discos compactos aos dados dos discos grandes é que a resposta surgiu claramente: os discos compactos têm água fria extra mesmo no início interior da linha de neve, a uma distância cerca de dez vezes superior à da órbita de Neptuno.
"Agora vemos finalmente, sem ambiguidade, que é a água mais fria que está em excesso", disse Banzatti. "Isto não tem precedentes e deve-se inteiramente ao maior poder de resolução do Webb!"
Este gráfico é uma interpretação dos dados do MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb, que é sensível ao vapor de água nos discos. Mostra a diferença entre a deriva dos seixos e o conteúdo de água num disco compacto e num disco alargado com anéis e lacunas. No disco compacto à esquerda, à medida que os seixos cobertos de gelo se deslocam para dentro, em direção à região mais quente, mais próxima da estrela, não são impedidos. Quando atravessam a linha de neve, o seu gelo transforma-se em vapor e fornece uma grande quantidade de água para enriquecer os planetas interiores, rochosos e em formação. À direita está um disco estendido com anéis e lacunas. Quando os seixos cobertos de gelo iniciam a sua viagem para o interior, muitos ficam parados nas fendas e presos nos anéis. Menos seixos gelados conseguem atravessar a linha de neve para fornecer água à região interior do disco.
Crédito:
NASA, ESA, CSA, Joseph Olmsted (STScI)
Os resultados da equipa aparecem na edição de 8 de novembro da revista The Astrophysical Journal Letters.
Rover Curiosity alcança 4000 dias em Marte (via NASA)
Quatro mil dias marcianos depois de ter posto as rodas na cratera Gale, a 5 de agosto de 2012, o rover Curiosity da NASA continua ocupado a fazer ciência excitante. O rover perfurou recentemente a sua 39.ª amostra e depois deixou cair a rocha pulverizada na sua barriga para uma análise detalhada. Para estudar se Marte já teve condições para suportar vida microbiana, o rover tem estado a subir gradualmente a base do Monte Sharp, com 5 quilómetros de altura, cujas camadas se formaram em diferentes períodos da história marciana e fornecem um registo de como o clima do planeta mudou ao longo do tempo. Ler fonte
Telescópios descobrem buraco negro recorde (via NASA)
Os astrónomos descobriram o buraco negro mais distante já observado em raios X, utilizando telescópios da NASA. O buraco negro encontra-se numa fase inicial de crescimento nunca antes observada, em que a sua massa é semelhante à da galáxia que o acolhe. Este resultado pode explicar como se formaram alguns dos primeiros buracos negros supermassivos do Universo. Ler fonte
Álbum de fotografias M1: A Nebulosa do Caranguejo pelo JWST
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