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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #2081  
  16/02 a 19/02/2024  
     
 

OBSERVAÇÃO DO SOL EM TAVIRA
Data:
 16 de fevereiro de 2024
Hora: 10:00-13:00
Neste dia, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve, iremos realizar a sessão de observação do Sol na ponte Romana em Tavira pelas 10:00.
A sessão é gratuita. Participe!
Local: Ponte Romana em Tavira Coordenadas GPS: 37.12654, -7.650038
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt

 
     
 

OBSERVAÇÃO DA LUA EM TAVIRA
Data: 23 de fevereiro de 2024
Hora: 19:00-21:00
Neste dia, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve, iremos realizar a sessão de observação da Lua na ponte Romana em Tavira pelas 19h00.
A sessão é gratuita. Participe!
Local: Ponte Romana em Tavira Coordenadas GPS: 37.12654, -7.650038
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 16/02: 47.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1948 é descoberta a lua de ÚranoMiranda, por Gerard Kuiper.

Em 1961, é lançado o Explorer 9 (S-56a).
HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 15:01.
Esta noite a Lua está bem perto do enxame das Plêiades.

 

DIA 17/02: 48.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1600, o astrónomo Giordano Bruno é queimado vivo no Campo de' Fiori, Roma, por heresia.

Em 1723, nascia Tobias Mayer, astrónomo alemão, famoso pelos seus estudos da Lua.
Em 1740, nascia Horace-Bénédict de Saussure, astrónomo suiço, considerado o primeiro construtor bem-sucedido do forno solar
Em 1959, é lançado o Vanguard 2 - o primeiro satélite meteorológico a medir a distribuição das nuvens.
Em 1965, a sonda Ranger 8 é lançada com a missão de fotografar o Mar da Tranquilidade na Lua, em preparação para as missões tripuladas Apollo. Mare Tranquilitatis tornar-se-ia no local escolhido para a aterragem da Apollo 11
Em 1996, começa o Programa Discovery da NASA, à medida que a sonda NEAR Shoemaker é lançada na sua primeira missão de orbitar e aterrar num asteroide, 433 Eros.
Em 2004, Michael Brown, Chad Trujillo e David Rabinowitz descobrem 90482 Orcus, um objeto da Cintura de Kuiper, provavelmente um planeta anão.
HOJE, NO COSMOS:
Após o anoitecer, o "W" de Cassiopeia brilha alto a noroeste, apoiado quase de lado. Perto do zénite temos a estrela Capella.
A estrela mais brilhante entre Cassiopeia e Capella (e um pouco para a esquerda) é Alpha Persei (Mirfak), de magnitude 1,8. Está para baixo e para a direita do enxame de Alpha Persei: um grupo grande, solto e alongado de estrelas mais fracas do tamanho do polegar à distância do braço esticado. Pelo menos uma dúzia são de magnitude 6 ou mais brilhantes, brilhantes o suficiente para binóculos mesmo com o luar presente.
Mirfak, uma supergigante esbranquiçada, é membro verdadeira do grupo. O enxame e a estrela Mirfak ficam a cerca de 560 anos-luz de distância.

 

DIA 18/02: 49.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1930, enquanto estudava fotografias tiradas em janeiro, Clyde Tombaugh descobre Plutão.

Na altura foi designado como o nono planeta do Sistema Solar e o mais afastado. Desde aí, descobrimos também quão "não parecido com um planeta" realmente é. Finalmente, em 2006 deixa de ser planeta principal para passar a ser classificado como planeta anão.
Em 1977, fazia-se o voo inaugural do vaivém espacial Enterprise a partir do topo de um Boeing 747.
Em 2003, o cometa C/2002 V1 (NEAT) atinge o periélio, visto pela SOHO.
Em 2021, o rover Perseverance, construído para explorar a cratera Jezero em Marte, aterra com sucesso no Planeta Vermelho.
HOJE, NO COSMOS:
Sirius, a estrela mais brilhante da constelação de Cão Maior, brilha alta a sul depois da hora de jantar. Aviste-a para baixo e para a esquerda de Orionte. Sob um céu escuro, as estrelas de Cão Maior podem ser ligadas para formar um convincente perfil de um cão. Está como que apoiado apenas nas patas traseiras e "usa" Sirius como uma medalha.
Infelizmente, com a poluição luminosa sob a qual a maioria de nós vive, só são facilmente visíveis as suas cinco estrelas mais brilhantes. Estas formam um asterimo parecido ao de um cutelo. Sirius é corresponde ao topo extremo da lâmina e a sua pega está mais para baixo e para a esquerda.

 

DIA 19/02: 50.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1473, nascia Nicolau Copérnico, conhecido como o fundador da Astronomia Moderna.

No ano de 1530, completa e anuncia ao mundo o seu grande trabalho "De Revolutionibus", que explica que a Terra roda sobre o seu próprio eixo uma vez por dia e viaja à volta do Sol anualmente.
Em 1924, Edwin Hubble escreve a Harlow Shapley: "Estará interessado em saber que encontrei uma variável Cefeida na Nebulosa de Andrómeda" (a atualmente conhecida "Galáxia de Andrómeda"). 
Em 2002, a sonda Mars Odyssey começava a mapear a superfície de Marte.
HOJE, NO COSMOS:
Orionte está mais alto a sul por volta das 20 horas, parecendo mais pequeno do que provavelmente nos lembramos do início do inverno, quando estava mais baixo. Está a ver o efeito da "ilusão da Lua". As constelações, não apenas a Lua, parecem maiores quando estão baixas perto do horizonte.
Sob os pés de Orionte, e agora para a direita de Sirius, esconde-se Lebre. Tal como Cão Maior, esta é uma constelação que, quando juntamos os pontos, se parece realmente com o que é suposto ser. É um coelhinho agachado, em que o seu nariz aponta para baixo e para a direita, as suas ténues orelhas estendem-se para cima em direção a Rigel (o pé mais brilhante de Orionte) e o seu corpo fica para a esquerda. As suas estrelas mais brilhantes, Alpha e Beta Leporis de terceira magnitude, formam a parte de frente e a parte de trás do seu pescoço.

 
 
   
Titã, a maior lua de Saturno, provavelmente não é habitável
 
Esta imagem mostra uma projeção achatada (Mercator), obtida pela sonda Huygens, de Titã a 10 quilómetros de altitude. As imagens que compõem esta vista foram capturadas no dia 14 de janeiro de 2005. A sonda Huygens foi entregue a Titã pela nave espacial Cassini.
Crédito: ESA/NASA/JPL/Universidade do Arizona
 

Um estudo liderado pela astrobióloga Catherine Neish, da UWO (University of Western Ontario), mostra que o oceano subsuperficial de Titã - a maior lua de Saturno - é muito provavelmente um ambiente não habitável, o que significa que qualquer esperança de encontrar vida no mundo gelado pode estar afastada.

Esta descoberta indica que é muito menos provável que os cientistas espaciais e astronautas venham a encontrar vida no Sistema Solar exterior, onde estão os quatro planetas gigantes: Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno.

"Infelizmente, teremos agora de ser um pouco menos otimistas na procura de vida extraterrestre no nosso próprio Sistema Solar", disse Neish, professora de Ciências da Terra. "A comunidade científica tem estado muito entusiasmada com a possibilidade de encontrar vida nos mundos gelados do Sistema Solar exterior, mas esta descoberta sugere que pode ser menos provável do que pensávamos anteriormente."

A identificação de vida no Sistema Solar exterior é uma área de grande interesse para os cientistas planetários, astrónomos e agências espaciais como a NASA, em grande parte porque pensa-se que muitas luas geladas dos planetas gigantes têm grandes oceanos subterrâneos de água líquida. Pensa-se que Titã, por exemplo, tem um oceano sob a sua superfície gelada com mais de 12 vezes o volume dos oceanos da Terra.

"A vida, tal como a conhecemos aqui na Terra, precisa de água como solvente, pelo que os planetas e luas com muita água são de interesse quando se procura vida extraterrestre", disse Neish, membro do Instituto de Exploração da Terra e do Espaço da UWO.

No estudo, publicado na revista Astrobiology, Neish e os seus colaboradores tentaram quantificar a quantidade de moléculas orgânicas que poderiam ser transferidas da superfície de Titã, rica em matéria orgânica, para o seu oceano subsuperficial, utilizando dados de crateras de impacto.

O impacto de cometas em Titã, ao longo da sua história, derreteu a superfície da lua gelada, criando zonas de água líquida que se misturaram com o material orgânico da superfície. O degelo resultante é mais denso do que a sua crosta gelada, pelo que a água mais pesada se afunda através do gelo, possivelmente até ao oceano subsuperficial de Titã.

Usando as taxas assumidas de impactos na superfície de Titã, Neish e os seus colaboradores determinaram quantos cometas de diferentes tamanhos atingiriam Titã, por ano, ao longo da sua história. Isto permitiu aos investigadores prever o caudal de água que transporta os elementos orgânicos da superfície de Titã para o seu interior.

Neish e a sua equipa descobriram que o peso do material orgânico transferido desta forma é bastante pequeno, não mais do que 7500 kg/ano de glicina - o aminoácido mais simples, que constitui as proteínas da vida. Esta massa é aproximadamente a mesma que um elefante africano [macho] (todas as biomoléculas, como a glicina, utilizam o carbono - um elemento - como "espinha dorsal" da sua estrutura molecular).

"Um 'elefante' por ano de glicina, num oceano com 12 vezes o volume dos oceanos da Terra, não é suficiente para sustentar a vida", disse Neish. "No passado, as pessoas partiam muitas vezes do princípio de que a água era sinónimo de vida, mas negligenciavam o facto da vida necessitar de outros elementos, em particular de carbono."

Outros mundos gelados (como as luas Europa e Ganimedes, de Júpiter, e Encélado, de Saturno) quase não têm carbono nas suas superfícies, e não se sabe ao certo quanto poderá vir dos seus interiores. Titã é a lua gelada mais rica em matéria orgânica do Sistema Solar, por isso, se o seu oceano subterrâneo não for habitável, isso não é um bom presságio para a habitabilidade de outros mundos gelados conhecidos.

"Este trabalho mostra que é muito difícil transferir o carbono da superfície de Titã para o seu oceano subsuperficial - basicamente, é difícil ter a água e o carbono necessários para a vida no mesmo sítio", disse Neish.

O voo do Dragonfly

 
Ilustração que mostra o veículo Dragonfly a aterrar na superfície de Titã, desdobrando os seus rotores e levantando voo novamente para estudar a paisagem e a atmosfera.
Crédito: NASA
 

Apesar da descoberta, ainda há muito mais para aprender sobre Titã e, para Neish, a grande questão é: de que é que é feito?

Neish é coinvestigadora do projeto Dragonfly da NASA, uma missão espacial planeada para 2028 que enviará um drone robótico para a superfície de Titã com o objetivo de estudar a sua química pré-biótica, ou como as substâncias orgânicas se formaram e se auto-organizaram para a origem da vida na Terra e para lá dela.

"É quase impossível determinar a composição da superfície de Titã, rica em matéria orgânica, observando-a com um telescópio através da sua atmosfera rica em matéria orgânica", disse Neish. "Precisamos de aterrar lá, e de recolher amostras da superfície, para determinar a sua composição".

Até à data, apenas a missão espacial internacional Cassini-Huygens, em 2005, conseguiu aterrar uma sonda robótica em Titã para analisar amostras. A Huygens permanece a única sonda a ter pousado numa lua do Sistema Solar exterior, e igualmente a aterragem mais distante da Terra.

"Mesmo que o oceano subsuperficial não seja habitável, podemos aprender muito sobre a química pré-biótica de Titã, e da Terra, estudando as reações na superfície de Titã", disse Neish. "Gostaríamos muito de saber se estão a ocorrer reações interessantes, especialmente onde as moléculas orgânicas se misturam com a água líquida gerada nos impactos". Quando Neish iniciou o seu último estudo, receava que este tivesse um impacto negativo na missão Dragonfly, mas na realidade levou a mais perguntas.

"Se todo o degelo produzido pelos impactos se afundasse na crosta gelada, não teríamos amostras perto da superfície onde a água e as substâncias orgânicas se misturariam. Estas são regiões onde o Dragonfly poderia procurar os produtos dessas reações pré-bióticas, ensinando-nos como a vida pode surgir em diferentes planetas", disse Neish.

"Os resultados deste estudo são ainda mais pessimistas do que eu pensava em relação à habitabilidade do oceano à superfície de Titã, mas também significa que existem ambientes pré-bióticos mais interessantes perto da superfície de Titã, onde podemos recolher amostras com os instrumentos do Dragonfly".

// UWO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astrobiology)
// Aterragem em Titã (NASA/JPL via YouTube)

 


Quer saber mais?

Titã:
NASA
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
NASA
The Nine Planets
Solarviews
Wikipedia

Habitabilidade planetária:
Wikipedia

Dragonfly:
NASA
JHUAPL
Wikipedia

Sonda Cassini-Huygens:
NASA
Wikipedia
Sonda Huygens (Wikipedia)

 
   
Cientistas identificam, pela primeira vez, moléculas de água em asteroides
 
Ilustração que mostra um asteroide e a deteção de moléculas de água pelo aposentado SOFIA, um telescópio infravermelho a bordo de um avião Boeing 747SP.
Crédito: NASA/Carla Thomas/SwRI
 

Utilizando dados do aposentado SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) - um projeto conjunto da NASA e do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) - os cientistas do SwRI (Southwest Research Institute) descobriram, pela primeira vez, moléculas de água na superfície de um asteroide. Os cientistas analisaram quatro asteroides ricos em silicatos, utilizando o instrumento FORCAST, para isolar as assinaturas espetrais no infravermelho médio indicativas de água molecular em dois deles.

"Os asteroides são remanescentes do processo de formação planetária, pelo que as suas composições variam consoante o local onde se formaram na nebulosa solar", disse a Dra. Anicia Arredondo do SwRI, autora principal de um artigo científico publicado na revista The Planetary Science Journal acerca da descoberta. "A distribuição da água nos asteroides é de particular interesse, porque isso pode esclarecer a forma como a água chegou à Terra."

Os asteroides anidros (secos) de silicatos formam-se perto do Sol, enquanto os materiais gelados coalescem mais longe. Compreender a localização dos asteroides e as suas composições diz-nos como os materiais na nebulosa solar foram distribuídos e evoluíram desde a sua formação. A distribuição da água no nosso Sistema Solar permitirá compreender a distribuição da água noutros sistemas solares e, uma vez que a água é necessária para toda a vida na Terra, orientará a procura de potencial vida, tanto no nosso Sistema Solar como para lá dele.

"Detetámos uma característica que é inequivocamente atribuída à água molecular nos asteroides Íris e Massalia", disse Arredondo. "Baseámos a nossa investigação no sucesso da equipa que encontrou água molecular na superfície, iluminada pelo Sol, da Lua. Pensámos que podíamos usar o SOFIA para encontrar esta assinatura espetral noutros corpos".

O SOFIA detetou moléculas de água numa das maiores crateras do hemisfério sul da Lua. Observações anteriores, tanto da Lua como de asteroides, tinham detetado alguma forma de hidrogénio, mas não conseguiam distinguir entre a água e o seu parente químico próximo, o hidroxilo. Os cientistas detetaram uma quantidade de água equivalente a 35 cl presa num metro cúbico de solo espalhado pela superfície lunar, quimicamente ligada a minerais.

"Com base na intensidade da banda das características espetrais, a abundância de água no asteroide é consistente com a da Lua iluminada pelo Sol", disse Arredondo. "Da mesma forma, nos asteroides, a água também pode estar ligada a minerais, bem como adsorvida a silicatos e presa ou dissolvida em vidro de impacto de silicatos."

Os dados de dois asteroides mais ténues, Partenope e Melpómene, eram demasiado ruidosos para se poder tirar uma conclusão definitiva. Aparentemente, o instrumento FORCAST não é suficientemente sensível para detetar a característica espetral da água, caso esteja presente. No entanto, com estas descobertas, a equipa está a recorrer ao Telescópio Espacial James Webb da NASA, o principal telescópio espacial infravermelho, para utilizar a sua ótica precisa e superior relação sinal-ruído para investigar mais alvos.

"Efetuámos medições iniciais para outros dois asteroides com o Webb durante o ciclo dois", disse Arredondo. "Temos outra proposta, para o próximo ciclo, de analisar mais 30 alvos. Estes estudos vão aumentar a nossa compreensão da distribuição da água no Sistema Solar".

// SwRI (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Planetary Science Journal)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
Universe Today
COSMOS
Space Daily
science alert
PHYSORG
Newsweek

Asteroide (7) Íris:
NASA/JPL
AstDyS-2
Wikipedia

Asteroide (20) Massalia:
NASA/JPL
AstDyS-2
Wikipedia

Asteroide (11) Partenope:
NASA/JPL
AstDyS-2
Wikipedia

Asteroide (18) Melpómene:
NASA/JPL
AstDyS-2
Wikipedia

SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy):
NASA
Wikipedia

 
   
A descoberta de galáxias ultramassivas inesperadas pode não reescrever a cosmologia, mas ainda deixa questões em aberto
 
Imagem infravermelha do Universo, capturada pelo Telescópio Espacial James Webb.
Crédito: NASA, ESA, CSA e STScI
 

Desde que o Telescópio Espacial James Webb (JWST) captou o seu primeiro vislumbre do Universo primitivo que os astrónomos ficaram surpreendidos pela presença do que parecem ser mais galáxias "ultramassivas" do que o esperado. Com base no modelo cosmológico mais amplamente aceite, estas galáxias só deveriam ter sido capazes de evoluir muito mais tarde na história do Universo, o que levou a que se afirmasse que o modelo tem de ser alterado.

Isto iria pôr em causa décadas de ciência estabelecida.

"O desenvolvimento dos objetos no Universo é hierárquico. Começam pequenos e vão-se tornando cada vez maiores", disse Julian Muñoz, professor assistente de astronomia na Universidade do Texas em Austin e coautor de um estudo recente que testa alterações ao modelo cosmológico. O estudo conclui que não é necessário rever o modelo cosmológico padrão. No entanto, os astrónomos poderão ter de rever o que sabem sobre a formação e evolução das primeiras galáxias.

A cosmologia estuda a origem, a evolução e a estrutura do nosso Universo, desde o Big Bang até ao presente. O modelo cosmológico mais amplamente aceite é o chamado modelo Lambda-CDM (em inglês, "Lambda-Cold Dark Matter") ou "modelo cosmológico padrão". Embora o modelo esteja bem informado, muito sobre o Universo primitivo tem permanecido teórico porque os astrónomos não o podiam observar completamente, se é que de todo.

Lançado em 1990, o Telescópio Espacial Hubble foi fundamental no desenvolvimento e aperfeiçoamento do modelo cosmológico padrão. Observa o Universo no ultravioleta, no visível e nalguns comprimentos de onda do infravermelho próximo. No entanto, isto torna-o mais adequado para observar certas coisas do que outras. Por exemplo, o Hubble está bem equipado para observar galáxias mais pequenas que contêm frequentemente populações mais elevadas de estrelas jovens, emissoras de radiação ultravioleta, e menos poeira que tende a absorver comprimentos de onda mais curtos.

Lançado no final de 2021, o JWST constitui um complemento importante das capacidades do Hubble. Ao observar nos comprimentos de onda do infravermelho próximo e médio, o JWST pode detetar objetos que são invisíveis ao Hubble.

"Estamos a abrir uma janela para o desconhecido", disse Muñoz. "Podemos agora testar as nossas teorias do Universo onde nunca o pudemos fazer antes."

 
Ao observar diferentes partes do espetro eletromagnético, o Telescópio Espacial Hubble e o Telescópio Espacial James Webb são capazes de ver coisas diferentes nas mesmas partes do Universo.
Crédito: NASA, J. Olmsted (STScI)
 

Pouco depois do Big Bang, as coisas não eram perfeitamente uniformes. Pequenas variações de densidade tiveram um grande impacto na futura estrutura e evolução do Universo. As regiões com maior densidade atraíram mais matéria devido à gravidade, o que levou à formação de estruturas cada vez maiores.

Para se tornarem tão grandes, tão depressa, as galáxias ultramassivas observadas pelo JWST só seriam, em teoria, possíveis se mais destas regiões de maior densidade se tivessem desenvolvido logo após o Big Bang. Para tal, seria necessário alterar o modelo cosmológico padrão.

Muñoz e a sua equipa testaram esta hipótese.

Escolheram um intervalo de tempo cósmico para o qual estão disponíveis observações do JWST e do Hubble. Dentro deste intervalo, identificaram as galáxias mais massivas disponíveis nos dados do JWST e calcularam a quantidade de alteração da densidade inicial do Universo que seria necessária para as formar.

Também calcularam quantas galáxias mais pequenas resultariam desta mudança hipotética. Estas galáxias mais pequenas adicionais teriam sido observadas pelo Hubble. "Mas não é isso que estamos a ver", explicou Muñoz. "Não se pode mudar a cosmologia o suficiente para explicar este problema de abundância, dado que as observações do Hubble também seriam afetadas."

Então porque é que o James Webb está a encontrar tantas galáxias ultramassivas? Uma possibilidade é que contêm buracos negros supermassivos. Estes buracos negros aqueceriam o gás nas proximidades, fazendo com que as galáxias parecessem mais brilhantes e, portanto, mais massivas do que realmente são. Ou as galáxias podem não estar de facto no Universo primitivo, mas parecem estar porque a poeira está a torná-las mais vermelhas do que realmente são. E este desvio faria com que as galáxias parecessem mais distantes do que na realidade estão.

// Universidade do Texas em Austin (comunicado de imprensa)
// Observatório McDonald (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Physical Review Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Lei de Hubble (Wikipedia)
Determinando a constante de Hubble (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)
Indicadores de distâncias cósmicas (Wikipedia)
"Escada" de distâncias cósmicas (Wikipedia)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Ciclo 2 GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Também em destaque
  "Para além do que é possível": novas observações do Webb revelam misteriosas galáxias antigas (via Universidade Swinburne de Tecnologia)
A nossa compreensão da forma como as galáxias se formam e da natureza da matéria escura pode ser completamente alterada, após novas observações de uma população estelar maior do que a Via Láctea, de há mais de 11 mil milhões de anos, que não deveria existir. Um artigo científico publicado na revista Nature apresenta em pormenor os resultados obtidos com novos dados do Telescópio Espacial James Webb. Os resultados revelam que uma galáxia massiva no início do Universo - observada há 11,5 mil milhões de anos (desvio para o vermelho de 3,2) - tem uma população extremamente antiga de estrelas formadas muito antes - 1,5 mil milhões de anos antes (desvio para o vermelho de cerca de 11). A observação altera os modelos atuais, uma vez que a matéria escura não se acumulou em concentrações suficientes para alimentar a sua formação. Ler fonte
     
  Novas pistas sobre os misteriosos sinais do espaço profundo (via NASA)
O que é que está a causar as misteriosas explosões de ondas de rádio vindas do espaço profundo? Os astrónomos podem estar um passo mais perto de dar uma resposta a essa pergunta. Dois telescópios de raios X da NASA observaram recentemente um desses fenómenos - conhecido como rajada rápida de rádio - poucos minutos antes e depois da sua ocorrência. Esta observação sem precedentes coloca os cientistas no caminho para compreender melhor estes radiofenómenos extremos. Embora durem apenas uma fração de segundo, as rajadas rápidas de rádio podem libertar tanta energia como o Sol liberta num ano. A sua luz também forma um feixe semelhante a um laser, o que as distingue das explosões cósmicas mais caóticas. Ler fonte
     
  Estrelas passageiras alteraram as mudanças orbitais da Terra e de outros planetas (via PSI)
As estrelas que passam pelo nosso Sistema Solar influenciaram a evolução orbital dos planetas a longo prazo, afetando o clima da Terra. Este facto é salientado num estudo que enfatiza a importância de ter em conta as estrelas passageiras para compreender a dinâmica orbital da Terra. As simulações anteriores da órbita da Terra não tiveram em consideração os encontros estelares, o que levou a incertezas na previsão de estados orbitais passados. Quando as estrelas passam perto do Sistema Solar, perturbam as órbitas de planetas gigantes como Júpiter e Saturno, alterando consequentemente a trajetória da Terra. Este facto introduz uma maior incerteza nas simulações retrospetivas da órbita da Terra, desafiando os pressupostos anteriores e sugerindo uma gama mais vasta de possíveis comportamentos orbitais. Ler fonte
     
  Astrónomos descobrem objetos do tamanho de Júpiter que se atraem mutuamente (via NRAO)
Na nossa compreensão mais básica do Sistema Solar, os planetas são atraídos para órbita da nossa estrela, o Sol. Mas o que acontece aos objetos de dimensão planetária que não têm uma estrela? Uma equipa de astrónomos que estuda JuMBOs (Jupiter-mass binary objects) na Nebulosa de Orionte está a adquirir uma nova compreensão destes sistemas invulgares. Estes objectos massivos, que flutuam livremente, estão a ser atraídos para a órbita uns dos outros. Estas últimas descobertas provêm de observações efetuadas pelo VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) no NRAO (National Radio Astronomy Observatory) da NSF (National Science Foundation) e pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
HFG1 e Abell 6: Nebulosas Planetárias

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Julien Cadena e Mickael Coulon; texto - Natalia Lewandowska (SUNY Oswego)
 
As nebulosas planetárias, como Heckathorn-Fesen-Gull 1 (HFG1) e Abell 6, na direção da constelação de Cassiopeia, são remanescentes da última fase de uma estrela de tamanho médio como o nosso Sol. Apesar das suas formas, as nebulosas planetárias não têm nada em comum com os planetas atuais. Localizada na parte inferior esquerda da foto em destaque, HFG1 foi criada pelo sistema estelar binário V664 Cas, que consiste numa estrela anã branca e numa estrela gigante vermelha. Ambas as estrelas orbitam o seu centro de massa em cerca de meio dia terrestre. Viajando com toda a nebulosa a uma velocidade cerca de 300 vezes superior à do comboio mais rápido, V664 Cas gera uma onda de choque azulada em forma de arco. A onda interage mais fortemente com o meio interestelar circundante nas áreas onde o arco é mais brilhante. Após cerca de 10.000 anos, as nebulosas planetárias tornam-se invisíveis devido à falta de luz ultravioleta emitida pelas estrelas que as criam. Exibindo belas formas e estruturas, as nebulosas planetárias são objetos muito desejados pelos astrofotógrafos.
 
   
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