DIA 12/03: 72.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1824, nascia Gustav Kirchhoff, físico alemão que contribuíu para o conhecimento fundamental dos circuitos eléctricos, da espetroscopia e da emissão de radiação de corpo-negro por objetos aquecidos.
Em 1881, nascia Gunnar Nordström, físico teórico finlandês, conhecido pela sua teoria da gravitação, uma competidora da relatividade geral. É por vezes designado o Einstein da Finlândia devido ao seu trabalho inovador em campos semelhantes e com métodos semelhantes aos de Einstein.
Em 1907, nascia Ellen Dorrit Hoffleit, astrónoma americana conhecida pelo seu trabalho sobre estrelas variáveis, astronometria, espetroscopia, meteoros e pelo Catálogo de Estrelas Brilhantes, bem como tendo sido mentora de muitas jovens mulheres e gerações de astrónomos.
Em 1974, "flyby" e aterragem da soviética Mars 6. A sonda enviou dados 224 segundos durante a descida mas devido à degradação de um chip, perdeu-se a comunicação.
Em 2013, uma análise de uma rocha marciana recolhida pelo rover Curiosity da NASA mostra que o Marte do passado poderá ter tido condições que suportassem vida microbiana. HOJE, NO COSMOS:
Ao anoitecer, a Ursa Maior está alta a nordeste e começa a inclinar-se para a esquerda. Para a esquerda do seu centro, a cerca de três punhos à distância do braço esticado, está a Estrela Polar, pertencente à ténue constelação de Ursa Menor.
Além da Polar, tudo o que poderá ver da Ursa Menor através da poluição lumionsa são as duas estrelas que perfazem o limite exterior da sua "frigideira": Kochab (parecia à Estrela Polar em termos de brilho) e, para baixo, a mais fraca Pherkad. Encontre estas duas "Guardiãs do Polo" para baixo e para a direita da Polar, a cerca de punho e meio à distância do braço esticado.
DIA 13/03: 73.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1781, Úrano, o primeiro planeta a ser descoberto desde a era pré-histórica da Babilónia, é identificado por William Herschel.
Em 1855, nascia Percival Lowell, astrónomo americano que alimentou a especulação da existência de canais em Marte, construídos por marcianos.
Lowell também fundou o Observatório Lowell e formou o começo do esforço que levaria à descoberta de Plutão 14 anos após a sua morte. A escolha do nome Plutão e do seu símbolo foram em parte influenciados pelas suas iniciais PL.
Em 1930, a descoberta de Plutão é telegrafada para o Observatório Harvard College.
Em 1969, a missão Apollo 9 regressava à Terra após testar o módulo lunar.
Em 2000, foram descobertos buracos negros solitários à deriva na Galáxia.
Em 2006, o mapa interativo Google Mars é colocado online.
Em 2012, é divulgado o primeiro mapa geológico de Io. HOJE, NO COSMOS:
Esta noite, a Lua Crescente e o planeta Júpiter formam um bonito par a oeste. Estão separados por apenas 3º.
DIA 14/03: 74.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1835, nascia Giovanni Schiaparelli, astrónomo italiano que observou Marte e afirmou que via grandes sistemas de canais em Marte. Foi também o primeiro a demonstrar que as Perseídas e as Leónidas estavam associadas com os cometas e descobriu o asteroide 69 Hesperia.
Em 1879, nascia Albert Einstein.
Mundialmente famoso pela sua teoria da relatividade e especificamente pela equivalência massa-energia. Recebeu em 1921 o Nobel da Física, graças à descoberta do efeito fotoeléctrico.
Em 1995, o astronauta Norman Thagard torna-se o primeiro americano a ir para o espaço a bordo de um veículo de lançamento russo. HOJE, NO COSMOS:
A Lua Crescente, mais espessa, alinha-se com o enxame das Plêiades (para cima) e com o planeta Júpiter (para baixo).
Webb e Hubble confirmam o ritmo de expansão do Universo
Esta imagem de NGC 5468, uma galáxia situada a cerca de 130 milhões de anos-luz da Terra, combina dados dos telescópios espaciais Hubble e James Webb. Esta é a galáxia mais distante em que o Hubble identificou estrelas variáveis Cefeidas. Estas são importantes pontos de referência para medir o ritmo de expansão do Universo. A distância calculada a partir das Cefeidas foi correlacionada com uma supernova do Tipo Ia na mesma galáxia. As supernovas do Tipo Ia são tão brilhantes que são utilizadas para medir distâncias cósmicas muito para além do alcance das Cefeidas, alargando as medições do ritmo de expansão do Universo para espaço ainda mais profundo.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, A. Riess (JHU/STScI)
O ritmo a que o Universo se está a expandir, de nome constante de Hubble, é um dos parâmetros fundamentais para compreender a evolução e o destino final do cosmos. No entanto, observa-se uma diferença persistente, designada por Tensão de Hubble, entre o valor da constante medido com uma vasta gama de indicadores de distância independentes e o seu valor previsto a partir do brilho remanescente do Big Bang. O Telescópio Espacial James Webb, da NASA/ESA/CSA, confirmou que o olhar perspicaz do Telescópio Espacial Hubble estava certo desde o início, eliminando qualquer dúvida remanescente sobre as medições do Hubble.
Uma das justificações científicas para a construção do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA foi a utilização do seu poder de observação para fornecer um valor exato para o ritmo de expansão do Universo. Antes do lançamento do Hubble, em 1990, as observações efetuadas por telescópios terrestres apresentavam incertezas enormes. Dependendo dos valores deduzidos para o ritmo de expansão, o Universo poderia ter entre 10 e 20 mil milhões de anos. Nos últimos 34 anos, o Hubble reduziu esta medição para uma precisão inferior a um por cento, uma idade de 13,8 mil milhões de anos. Isto foi conseguido através do refinamento da chamada "escada de distâncias cósmicas", medindo importantes pontos de referência conhecidos como estrelas variáveis Cefeidas.
No entanto, o valor do Hubble não está de acordo com outras medições que mostram que o Universo estava a expandir-se mais rapidamente após o Big Bang. Estas observações foram feitas pelo satélite Planck da ESA, que mapeou a radiação cósmica de fundo em micro-ondas - um plano de como o Universo evoluiria em termos de estrutura depois do arrefecimento pós-Big Bang.
A solução simples para o dilema seria dizer que talvez as observações do Hubble estivessem erradas, como resultado de alguma imprecisão que se infiltrou nas suas medições das "réguas" do espaço profundo. Foi então que surgiu o Telescópio Espacial James Webb, permitindo aos astrónomos verificar os resultados do Hubble. As imagens infravermelhas das Cefeidas, pelo Webb, concordaram com os dados óticos do Hubble. O Webb confirmou que o olhar perspicaz do telescópio Hubble estava certo desde o início, eliminando qualquer dúvida remanescente sobre as medições do Hubble.
O resultado final é que a chamada Tensão de Hubble, entre o que acontece no Universo próximo e a expansão do Universo primitivo, continua a ser um enigma para os cosmólogos. Poderá haver algo entrelaçado no tecido do espaço que ainda não compreendemos.
Será que para resolver esta discrepância é necessária uma nova física? Ou será o resultado de erros de medição entre os dois diferentes métodos utilizados para determinar o ritmo de expansão do espaço?
No centro destas imagens lado a lado está uma classe especial de estrela utilizada como marco para medir o ritmo de expansão do Universo - uma estrela variável Cefeida. As duas imagens são muito pixelizadas porque são vistas muito ampliadas de uma galáxia distante. Cada um dos pixéis representa uma ou mais estrelas. A imagem do Telescópio Espacial James Webb é significativamente mais nítida nos comprimentos de onda do infravermelho próximo do que a do Hubble (que é principalmente um telescópio de luz visível-ultravioleta). Ao reduzir a confusão com a visão mais nítida do Webb, a Cefeida destaca-se mais claramente, eliminando qualquer potencial confusão. O Webb foi utilizado para observar uma amostra de Cefeidas e confirmou a exatidão das observações anteriores do Hubble, que são fundamentais para medir com precisão o ritmo de expansão e a idade do Universo.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, A. Riess (JHU/STScI)
O Hubble e o Webb juntaram-se agora para produzir medições definitivas, reforçando a ideia de que algo mais - e não erros de medição - está a influenciar o ritmo de expansão.
"Com os erros de medição eliminados, o que resta é a possibilidade real e excitante de termos compreendido mal o Universo", disse Adam Riess, físico da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, EUA. Riess foi galardoado com o Prémio Nobel por ter codescoberto a aceleração da expansão do Universo, devido a um fenómeno misterioso agora designado por "energia escura".
Como verificação cruzada, uma primeira observação do Webb em 2023 confirmou que as medições do Hubble acerca da expansão do Universo eram exatas. No entanto, na esperança de aliviar a Tensão de Hubble, alguns cientistas especularam que erros invisíveis nas medições podem aumentar e tornar-se visíveis à medida que olhamos mais profundamente para o Universo. Em particular, a aglomeração estelar poderia afetar de forma sistemática as medições do brilho de estrelas mais distantes.
A equipa do levantamento SH0ES (Supernova H0 for the Equation of State of Dark Energy), liderada por Riess, obteve observações adicionais com o Webb de objetos que são marcos cósmicos críticos, conhecidos como estrelas variáveis Cefeidas, que podem agora ser correlacionados com os dados do Hubble.
"Agora, abrangemos toda a gama do que o Hubble observou e podemos excluir um erro de medição como causa da Tensão de Hubble com uma confiança muito elevada", disse Riess.
As primeiras observações da equipa do Webb em 2023 foram bem-sucedidas ao mostrar que o Hubble estava no caminho certo ao estabelecer firmemente a fidelidade dos primeiros degraus da chamada escada de distâncias cósmicas.
Os astrónomos utilizam vários métodos para medir as distâncias relativas no Universo, dependendo do objeto que está a ser observado. Coletivamente, estas técnicas são conhecidas como a escada de distâncias cósmicas - cada degrau ou técnica de medição depende do degrau anterior para ser calibrado.
Mas alguns astrónomos sugeriram que, avançando ao longo do "segundo degrau", a escada de distâncias cósmicas poderia ficar instável se as medições das Cefeidas se tornassem menos precisas com a distância. Tais imprecisões podem ocorrer porque a luz de uma Cefeida se pode misturar com a de uma estrela adjacente - um efeito que se pode tornar mais pronunciado com a distância, à medida que as estrelas se aglomeram no céu e se tornam mais difíceis de distinguir umas das outras.
O desafio observacional é o facto das imagens anteriores do Hubble, destas variáveis Cefeidas mais distantes, parecerem mais amontoadas e sobrepostas com estrelas vizinhas a distâncias cada vez maiores entre nós e as suas galáxias hospedeiras, exigindo uma contabilização cuidadosa deste efeito. A existência de poeira interveniente complica ainda mais a certeza das medições no visível. O Webb atravessa a poeira e isola naturalmente as Cefeidas das estrelas vizinhas porque a sua visão é mais nítida do que a do Hubble nos comprimentos de onda infravermelhos.
"A combinação do Webb com o Hubble dá-nos o melhor dos dois mundos. Verificamos que as medições do Hubble permanecem fiáveis à medida que avançamos na escada de distâncias cósmicas", disse Riess.
As novas observações do Webb incluem cinco galáxias hospedeiras de oito supernovas do Tipo Ia, contendo um total de 1000 Cefeidas, e vão até à galáxia mais distante onde as Cefeidas foram bem medidas - NGC 5468, a uma distância de 130 milhões de anos-luz. "Isto abrange toda a gama de galáxias onde efetuámos medições com o Hubble. Portanto, chegámos ao fim do segundo degrau da escada de distâncias cósmicas", disse o coautor Gagandeep Anand do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, que opera os telescópios Webb e Hubble para a NASA.
Em conjunto, a confirmação da Tensão de Hubble pelo Hubble e pelo Webb permite que outros observatórios resolvam o mistério, incluindo o futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA e a missão Euclid recentemente lançada pela ESA.
Atualmente, é como se a escada de distâncias observada pelo Hubble e pelo Webb tivesse fixado firmemente um ponto de ancoragem numa das margens de um rio, e o brilho remanescente do Big Bang observado pelo Planck no início do Universo estivesse fixado firmemente na outra margem. A forma como a expansão do Universo se alterou nos milhares de milhões de anos entre estes dois pontos ainda não foi diretamente observada. "Precisamos de descobrir se nos está a escapar alguma coisa sobre como ligar o início do Universo aos dias de hoje", disse Riess.
Estas descobertas foram publicadas na edição de 6 de fevereiro de 2024 da revista The Astrophysical Journal Letters.
Quasares bebés: buracos negros supermassivos em crescimento
Quasar gigante e pequenos pontos vermelhos. Imagem EIGER, obtida pelo JWST, do luminoso quasar J1148+5251, um buraco negro supermassivo extremamente raro e ativo com 10 mil milhões de massas solares (caixa azul). Dois "quasares bebés" (caixas vermelhas) estão no mesmo conjunto de dados.
Crédito: NASA, ESA, CSA, J. Matthee (ISTA), R. Mackenzie (ETH Zurique), D. Kashino (NAOJ), S. Lilly (ETH Zurique)
O Telescópio Espacial James Webb fez uma das descobertas mais inesperadas no seu primeiro ano de atividade: um elevado número de pequenos e ténues pontos vermelhos no Universo distante poderá mudar a forma como compreendemos a génese dos buracos negros supermassivos. A investigação, liderada por Jorryt Matthee, professor assistente de astrofísica no ISTA (Institute of Science and Technology Austria), foi publicada na revista The Astrophysical Journal.
Um grupo de pequenos pontos vermelhos, encontrados numa região minúscula do nosso céu noturno, pode ser uma descoberta inesperada para o Telescópio Espacial James Webb (JWST) no seu primeiro ano de serviço. Estes objetos eram indistinguíveis das galáxias normais através dos "olhos" do antigo Telescópio Espacial Hubble. "Sem ter sido desenvolvido para este fim específico, o JWST ajudou-nos a determinar que pequenos e ténues pontos vermelhos - encontrados muito longe, no passado distante do Universo - são pequenas versões de buracos negros extremamente massivos. Estes objetos especiais podem mudar a forma como pensamos sobre a génese dos buracos negros", afirma Jorryt Matthee, Professor Assistente no ISTA (Institute of Science and Technology Austria), autor principal do estudo. "As descobertas atuais podem levar-nos um passo mais perto de responder a um dos maiores dilemas da astronomia: de acordo com os modelos atuais, alguns buracos negros supermassivos do Universo primitivo cresceram simplesmente 'demasiado depressa'. Então como é que se formaram?"
Os pontos cósmicos de não retorno
Durante muito tempo, os cientistas consideraram os buracos negros uma curiosidade matemática, até que a sua existência se tornou cada vez mais evidente. Estes estranhos "poços" cósmicos sem fundo podem ter massas tão compactas e gravidades tão fortes que nada consegue escapar à sua força de atração - sugam tudo, incluindo poeira cósmica, planetas e estrelas, e deformam o espaço e o tempo à sua volta de tal forma que nem a luz consegue escapar. A teoria geral da relatividade, publicada por Albert Einstein há mais de um século, previa que os buracos negros podiam ter qualquer massa. Alguns dos buracos negros mais intrigantes são os buracos negros supermassivos, que podem atingir milhões ou milhares de milhões de vezes a massa do Sol. Os astrofísicos concordam que existe um buraco negro supermassivo no centro de quase todas as grandes galáxias. Os cientistas que provaram que Sagitário A* é um buraco negro supermassivo no centro da nossa Galáxia, com mais de quatro milhões de vezes a massa do Sol, receberam em 2020 o Prémio Nobel da Física.
Demasiado massivo para estar lá
No entanto, nem todos os buracos negros supermassivos são iguais. Ao passo que Sagitário A* pode ser comparado a um vulcão adormecido, outros crescem muito rapidamente, engolindo quantidades astronómicas de matéria. Assim, tornam-se tão luminosos que podem ser observados até ao limite do Universo, que está sempre em constante expansão. Estes buracos negros supermassivos são chamados quasares e estão entre os objetos mais brilhantes do Universo. "Um problema com os quasares é que alguns deles parecem ser muito massivos, demasiado massivos tendo em conta a idade do Universo à distância que são observados. Chamamos-lhes 'quasares problemáticos'", diz Matthee. "Se considerarmos que os quasares têm origem nas explosões de estrelas massivas - e que conhecemos a sua taxa máxima de crescimento a partir das leis gerais da física, alguns deles parecem ter crescido mais depressa do que é possível. É como olhar para uma criança de cinco anos que tem dois metros de altura. Há algo que não bate certo", explica. Poderão os buracos negros supermassivos crescer ainda mais depressa do que pensávamos originalmente? Ou será que se formam de forma diferente?
Pequenas versões de monstros cósmicos gigantes
Agora, Matthee e colegas identificam uma população de objetos que aparecem como pequenos pontos vermelhos nas imagens do JWST. Além disso, demonstram que estes objetos são buracos negros supermassivos, mas não demasiado massivos. A deteção de linhas de emissão espetral de H-α com perfis de linha largos foi fundamental para determinar que estes objetos são buracos negros supermassivos. As linhas H-α são linhas espetrais na região do vermelho profundo da luz visível que são emitidas quando os átomos de hidrogénio são aquecidos. A largura dos espetros indica o movimento do gás. "Quanto mais larga for a base das linhas H-α, maior é a velocidade do gás. Assim, estes espetros dizem-nos que estamos a olhar para uma nuvem de gás muito pequena que se move muito depressa e que orbita algo muito massivo como um buraco negro supermassivo", diz Matthee. No entanto, os pequenos pontos vermelhos não são os monstros cósmicos gigantes que se encontram em buracos negros demasiado massivos. "Enquanto os 'quasares problemáticos' são azuis, extremamente brilhantes e atingem milhares de milhões de vezes a massa do Sol, os pequenos pontos vermelhos são mais como 'quasares bebés'. As suas massas situam-se entre dez e cem milhões de massas solares. Além disso, parecem vermelhos porque são poeirentos. A poeira obscurece os buracos negros e torna as cores mais avermelhadas", diz Matthee. Mas, eventualmente, o fluxo de gás dos buracos negros irá perfurar o casulo de poeira e os gigantes evoluirão a partir destes pequenos pontos vermelhos. Assim, o astrofísico do ISTA e a sua equipa sugerem que os minúsculos pontos coloridos são versões pequenas e vermelhas de buracos negros supermassivos azuis e gigantes na fase que antecede os quasares problemáticos. "O estudo mais detalhado das versões bebés dos buracos negros demasiado massivos permitir-nos-á compreender melhor como os quasares problemáticos surgem".
Uma tecnologia "revolucionária"
Matthee e a sua equipa conseguiram encontrar os quasares bebés graças aos conjuntos de dados obtidos pelas colaborações EIGER (Emission-line galaxies and Intergalactic Gas in the Epoch of Reionization) e FRESCO (First Reionization Epoch Spectroscopically Complete Observations). Trata-se de um grande e de um médio programa do JWST em que Matthee esteve envolvido. No passado mês de dezembro, a revista Physics World listou o levantamento EIGER entre as 10 maiores descobertas de 2023. "O EIGER foi concebido para estudar especificamente os raros quasares supermassivos azuis e os seus ambientes. Não foi concebido para encontrar os pequenos pontos vermelhos. Mas encontrámo-los por acaso no mesmo conjunto de dados. Isto porque, ao usar o instrumento NIRCam do JWST, o EIGER obtém espetros de emissão de todos os objetos do Universo [nesse campo]", diz Matthee. "Se levantarmos o dedo indicador e estendermos completamente o braço, a região do céu noturno que explorámos corresponde a cerca de um-vigésimo da superfície da nossa unha. Até agora, provavelmente só arranhámos a superfície".
Matthee está confiante de que o presente estudo abrirá muitos caminhos e ajudará a responder a algumas das grandes questões sobre o Universo. "Os buracos negros e os buracos negros supermassivos são possivelmente as coisas mais interessantes do Universo. É difícil explicar porque é que eles estão lá, mas estão lá. Esperamos que este trabalho nos ajude a levantar o véu de um dos maiores mistérios do Universo", conclui.
Esta vista da lua gelada de Júpiter, Europa, foi captada pela câmara JunoCam a bordo da nave espacial Juno da NASA durante o "flyby" da missão no passado dia 29 de setembro de 2022.
Crédito: dados de imagem - NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS; processamento - Kevin M. Gill
Cientistas da missão Juno da NASA a Júpiter calcularam que a taxa de oxigénio produzido na lua joviana, Europa, é substancialmente inferior à da maioria dos estudos anteriores. Publicados no dia 4 de março na revista Nature Astronomy, os resultados foram obtidos através da medição da libertação de hidrogénio da superfície da lua gelada, utilizando dados recolhidos pelo instrumento JADE (Jovian Auroral Distributions Experiment) da nave espacial.
Os autores do artigo estimam que a quantidade de oxigénio produzido é de cerca de 12 quilogramas por segundo. As estimativas anteriores variavam entre alguns quilogramas e mais de 1000 quilogramas por segundo. Os cientistas pensam que uma parte do oxigénio produzido desta forma poderá entrar no oceano subsuperficial da lua como uma possível fonte de energia metabólica.
Com um diâmetro equatorial de 3100 quilómetros, Europa é a quarta maior lua das 95 conhecidas em torno de Júpiter e o mais pequeno dos quatro satélites galileanos. Os cientistas pensam que, por baixo da sua crosta gelada, está escondido um vasto oceano interno de água salgada e estão curiosos acerca da possibilidade de existirem condições que suportam vida abaixo da superfície.
Não é apenas a água que atrai a atenção dos astrobiólogos: a localização da lua joviana também desempenha um papel importante nas possibilidades biológicas. A órbita de Europa coloca-a mesmo no meio das cinturas de radiação do gigante gasoso. As partículas carregadas, ou ionizadas, de Júpiter bombardeiam a superfície gelada, dividindo as moléculas de água em duas e gerando oxigénio que pode entrar no oceano da lua.
"Europa é como uma bola de gelo que perde lentamente a sua água numa corrente. Exceto que, neste caso, a corrente é um fluido de partículas ionizadas varridas à volta de Júpiter pelo seu extraordinário campo magnético", disse o cientista do JADE, Jamey Szalay, da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, EUA. "Quando estas partículas ionizadas atingem Europa, quebram a água gelada molécula a molécula, à superfície, para produzir hidrogénio e oxigénio. De certa forma, toda a camada de gelo está a ser continuamente corroída por ondas de partículas carregadas que a atingem".
Esta ilustração mostra partículas carregadas de Júpiter a embater na superfície de Europa, dividindo as moléculas de água gelada em moléculas de oxigénio e hidrogénio. Os cientistas pensam que alguns destes gases de oxigénio recém-criados poderão migrar para o oceano subsuperficial da lua, como se pode ver na inserção.
Crédito:
NASA/JPL-Caltech/SWRI/PU
Capturando o bombardeamento
À medida que a Juno passava a 354 quilómetros de Europa no dia 29 de setembro de 2022, o instrumento JADE identificou e mediu iões de hidrogénio e oxigénio que tinham sido criados pelo bombardeamento de partículas carregadas e depois "apanhados" pelo campo magnético de Júpiter à medida que este passava pela lua.
"Quando a missão Galileo da NASA passou por Europa, abriu-nos os olhos para a interação complexa e dinâmica que Europa tem com o seu ambiente. A Juno trouxe uma nova capacidade para medir diretamente a composição das partículas carregadas libertadas pela atmosfera de Europa e mal podíamos esperar para espreitar por detrás da cortina deste excitante mundo aquático", disse Szalay. "Mas o que não imaginávamos é que as observações da Juno nos dariam uma indicação tão rigorosa da quantidade de oxigénio produzido na superfície gelada de Europa."
A Juno transporta 11 instrumentos científicos de última geração concebidos para estudar o sistema joviano, incluindo nove sensores de partículas carregadas e de ondas eletromagnéticas para estudar a magnetosfera de Júpiter.
"A nossa capacidade de voar perto dos satélites galileanos durante a nossa missão alargada permitiu-nos começar a abordar uma vasta gama de ciência, incluindo algumas oportunidades únicas para contribuir para a investigação da habitabilidade de Europa", disse Scott Bolton, investigador principal da Juno no SwRI (Southwest Research Institute) em San Antonio. "E ainda não acabámos. Ainda estão por vir mais 'flybys' pela lua e a primeira exploração do anel próximo e da atmosfera polar de Júpiter."
A produção de oxigénio é uma das muitas facetas que a missão Europa Clipper da NASA irá investigar quando chegar a Júpiter em 2030. A missão tem uma sofisticada carga útil de nove instrumentos científicos para determinar se Europa tem condições que possam ser adequadas à vida.
Agora, Bolton e o resto da equipa da missão Juno estão de olhos postos noutro mundo joviano, a lua Io, repleta de vulcões. No dia 9 de abril, a nave espacial passará a cerca de 16.500 quilómetros da sua superfície. Os dados recolhidos pela Juno serão acrescentados às descobertas de "flybys" anteriores por Io, incluindo duas íntimas aproximações a cerca 1500 quilómetros nos passados dias 30 de dezembro de 2023 e 3 de fevereiro de 2024.
Lua de Saturno é campo de testes para encontrar vida fora do Sistema Solar (via Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)
Uma equipa liderada utilizou a atmosfera de Titã como laboratório natural para aprofundar a química da molécula de metano, uma molécula que, na Terra, pode ser um subproduto da vida. Titã é a segunda maior lua do Sistema Solar e a única com uma atmosfera densa. No topo dessa atmosfera, rica em nitrogénio e metano, a radiação do Sol produz uma grande diversidade de moléculas orgânicas, algumas delas encontramos também na Terra como constituintes da unidade básica da vida, a célula. Ler fonte
Uma compreensão mais precisa da energia escura graças à IA (via UCL)
Uma equipa de investigação utilizou técnicas de inteligência artificial (IA) para inferir com maior precisão a influência e as propriedades da energia escura a partir de um mapa da matéria escura e visível do Universo que abrange os últimos sete mil milhões de anos. O estudo, efetuado pela colaboração DES (Dark Energy Survey), duplicou a precisão com que as principais características do Universo, incluindo a densidade global da energia escura, podem ser inferidas a partir do mapa. Ler fonte
O cometa 12P/Pons-Brooks está a ficar mais brilhante à medida que, para os observadores do hemisfério norte, a primavera se aproxima. Atualmente visível com pequenos telescópios e binóculos, o cometa de tipo Halley poderá atingir a visibilidade a olho nu nas próximas semanas. Visto apesar de uma atmosfera enevoada, a cabeleira verde e a longa cauda do cometa pairam perto do horizonte nesta bem composta paisagem estelar sob Revuca, Eslováquia, obtida no dia 5 de março. No céu por cima do cometa, as galáxias de Andrómeda (à direita) e do Triângulo ladeiam a brilhante estrela Mirach, estrela beta da constelação de Andrómeda. As duas galáxias espirais são membros do nosso Grupo Local e estão a mais de 2,5 milhões de anos-luz de distância. O cometa Pons-Brooks é um visitante periódico do Sistema Solar interior e está a menos de 14 minutos-luz de distância. Atingindo o seu periélio no dia 21 de abril, este cometa deverá ser visível no céu durante o eclipse solar total de 8 de abril (eclipse este não visível em Portugal).
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