NOITES ASTRONÓMICAS EM FARO -
OBSERVAÇÃO DA LUA Data: 22 de março de 2024 Hora: 19:00-21:00
Em conjunto com o Centro Ciência Viva Tavira iremos realizar esta sessão de observação astronómica pelas 19:00, na Marina de Faro, junto ao Jardim Manuel Bivar.
A sessão é gratuita. Participe! Local: Marina de Faro, junto ao Jardim Manuel Bívar
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas. Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt
EFEMÉRIDES
DIA 22/03: 82.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1394 nascia Ulugh Beg, astrónomo da dinastia Timúrida, que construiu o Observatório Ulugh Beg em Samarkand, considerado por muitos um dos melhores observatórios do mundo islâmico e o maior da Ásia Central (à data).
Em 1799 nascia F.W.A. Argelander, compilador de catálogos estelares que estudou as estrelas variáveis e criou a primeira organização astronómica internacional.
Em 1982, lançamento da missão STS-3, do vaivém Columbia.
Em 1995, o cosmonauta Valeryiv Polyakov regressa à Terra depois de quebrar o recorde do maior tempo passado na estação espacial Mir: 438 dias.
Em 1996, lançamento da STS-76, do vaivém Atlantis.
Em 1997, o Cometa Hale-Bopp faz a sua maior aproximação à Terra.
Em 2010, última comunicação do rover Spirit com a Terra. HOJE, NO COSMOS:
Arcturo, a "Estrela da Primavera", nasce agora a este-nordeste ao mesmo tempo que as estrelas começam a aparecer. Quão cedo a consegue avistar? Assim que Arcturo ficar razoavelmente alta, procure o asterismo do "papagaio-de-papel" pertencente à constelação de Boieiro, estendendo-se dois punhos à distância do braço esticado para a sua esquerda. Um dos lados do "papagaio-de-papel" está ligeiramente torto.
DIA 23/03: 83.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1749 nascia Pierre-Simon Laplace, astrónomo e matemático francês, cujo trabalho foi fundamental para o desenvolvimento da astronomia matemática e estatística.
Desenvolveu a hipótese nebular para a origem do Sistema Solar e foi um dos primeiros cientistas a postular a existência de buracos negros e a noção de colapso gravitacional.
Em 1840 era tirada a primeira fotografia (daguerreótipo) da Lua.
Em 1912 nascia Wernher Von Braun. Foi um importante pioneiro no desenvolvimento dos foguetões e da exploração espacial entre os anos 30 e 70 do século passado.
Em 1965, os EUA lançavam a Gemini 3 até à órbita da Terra transportando os astronautas Virgil (Gus) Grissom e John W. Young. Grissom e Young orbitaram a Terra três vezes. A nave Gemini era maior que as cápsulas Mercury, com um peso de 4200 kg, e transportava dois astronautas em vez de um. A Gemini 3 foi a primeira missão tripulada do programa Gemini, depois de dois testes de voo não-tripulado.
Em 2001, a estação Mir, com 15 anos, é removida de órbita e trazida até à Terra num espetáculo de fogo e fumo, para descansar nas profundezas do Oceano Pacífico Sul, perto das Ilhas Fiji. HOJE, NO COSMOS:
Cassiopeia, constelação representativa do outono e do inverno, situa-se já baixa após o anoitecer. Procure-a a norte-noroeste. Está apoiada de lado.
Para nós, observadores que vivemos a latitudes médias norte, Cassiopeia é uma constelação circumpolar, o que significa que nunca se põe abaixo do horizonte. Por volta das 01:30, estará o mais baixa a norte, como um "W" não exatamente horizontal.
DIA 24/03: 84.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1820 nascia Edmond Becquerel, físico francês que estudou o espectro solar, o magnetismo, a eletricidade e a ótica. Tem o crédito da descoberta do efeito fotovoltaico, o princípio por trás da célula fotovoltaica.
Em 1835 nascia Joseph Stefan, físico austríaco, o primeiro a determinar um valor razoável para a temperatura da superfície do Sol (5430º C).
Em 1893 nascia Walter Baade.
Foi o primeiro a discernir as companheiras da Galáxia de Andrómeda em objetos individuais e a desenvolver o conceito de população estelar em galáxias.
Em 1965, a sonda Ranger 9, equipada com instrumentos para converter os seus sinais numa forma adequada para televisão, envia imagens da Lua até aos lares antes de colidir com a superfície.
Em 1993, descoberta do Cometa Shoemaker-Levy 9. HOJE, NO COSMOS:
Se ainda não avistou Mercúrio nesta nova estação, procure-o para baixo e um pouco para a direita de Júpiter ao lusco-fusco. Júpiter tem magnitude -2,1. Mercúrio esta noite tem magnitude -0,1, o que significa que tem um-sexto do brilho. E isto sem contar com a extinção atmosférica que afeta objetos baixos no céu.
DIA 25/03: 85.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1538, nascia Christopher Clavius, astrónomo e matemático alemão que modificou a proposta do calendário gregoriano moderno. Nos seus últimos anos foi provavelmente um dos mais respeitados astrónomos na Europa e os seus livros foram usados para a educação astronómica durante mais de 50 anos e até fora do continente europeu.
Em 1655, Christiaan Huygens descobria a maior lua de Saturno, Titã.
Em 1979, o primeiro vaivém espacial completamente funcional, o Columbia, chega ao Centro Espacial John F. Kennedy, para ser preparado para lançamento.
Em 1992, o cosmonauta Sergei Krikalev regressa à Terra após 10 meses a bordo da estação espacial Mir. HOJE, NO COSMOS:
Lua Cheia, pelas 07:00.
Eclipse lunar penumbral, infelizmente praticamente invisível a partir de Portugal. O eclipse começa às 04:53, só que pouco depois começa a amanhecer e a Lua também fica muito baixa perto do horizonte.
O impacto da DART mudou a órbita e a forma do asteroide Dimorphos
O asteroide Dimorphos, fotografado pela missão DART da NASA apenas dois segundos antes da nave espacial embater na sua superfície, no dia 26 de setembro de 2022. As observações do asteroide, antes e depois do impacto, sugerem que se trata de um objeto "pilha de entulho".
Crédito:
NASA/JHUAPL
Quando a missão DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA embateu deliberadamente contra um asteroide de 170 metros de largura, no dia 26 de setembro de 2022, deixou lá a sua marca em mais do que uma maneira. A demonstração mostrou que um impacto cinético poderia desviar um asteroide perigoso, caso este alguma vez estivesse em rota de colisão com a Terra. Agora, um novo estudo publicado na revista The Planetary Science Journal mostra que o impacto alterou não apenas o movimento do asteroide, mas também a sua forma.
O alvo da DART, o asteroide Dimorphos, é uma lua de Didymos, um asteroide maior que orbita relativamente perto da Terra. Antes do impacto, Dimorphos era um "esferoide oblato" aproximadamente simétrico - como uma bola esmagada que é mais larga do que alta. Com uma órbita circular bem definida e a uma distância de cerca de 1189 metros de Didymos, Dimorphos demorava 11 horas e 55 minutos a completar uma volta em torno do seu "irmão mais crescido".
"Quando a DART realizou o impacto, as coisas ficaram muito interessantes", disse Shantanu Naidu, engenheiro de navegação no JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Califórnia, que liderou o estudo. "A órbita de Dimorphos deixou de ser circular: o seu período orbital" - o tempo que demora a completar uma única órbita - "é agora 33 minutos e 15 segundos mais curto. E toda a forma do asteroide mudou, de um objeto relativamente simétrico para um 'elipsoide triaxial' - algo mais parecido com uma melancia oblonga."
Esta ilustração mostra a mudança de forma aproximada que o asteroide Dimorphos sofreu após o impacto da DART. Antes do impacto, à esquerda, o asteroide tinha a forma de uma bola esmagada; após o impacto, assumiu uma forma mais alongada, como uma melancia.
Crédito:
NASA/JPL-Caltech
Relatório dos danos em Dimorphos
A equipa de Naidu utilizou três fontes de dados, nos seus modelos informáticos, para deduzir o que tinha acontecido ao asteroide após o impacto. A primeira fonte estava a bordo da DART: a nave espacial captou imagens à medida que se aproximava do asteroide e enviou-as para a Terra através da DSN (Deep Space Network) da NASA. Estas imagens forneceram medições da distância entre Didymos e Dimorphos, ao mesmo tempo que avaliaram as dimensões de ambos os asteroides imediatamente antes do impacto.
A segunda fonte de dados foi o GSSR (Goldstone Solar System Radar) da DSN, localizado perto de Barstow, Califórnia, que refletiu ondas de rádio de ambos os asteroides para medir com precisão a posição e a velocidade de Dimorphos em relação a Didymos após o impacto. As observações de radar rapidamente ajudaram a NASA a concluir que o efeito da DART no asteroide excedeu em muito as expetativas mínimas.
A terceira e mais significativa fonte de dados: telescópios terrestres em todo o mundo que mediram a "curva de luz" de ambos os asteroides, ou seja, a forma como a luz solar refletida das superfícies dos asteroides se alterou ao longo do tempo. Ao comparar as curvas de luz antes e depois do impacto, os investigadores puderam saber como a DART alterou o movimento de Dimorphos.
À medida que Dimorphos orbita, passa periodicamente à frente e depois atrás de Didymos. Nestes chamados "eventos mútuos", um asteroide pode lançar uma sombra sobre o outro ou bloquear a nossa visão a partir da Terra. Em ambos os casos, os telescópios registam uma diminuição temporária de brilho - uma queda na curva de luz.
"Utilizámos os tempos desta série precisa de quedas na curva de luz para deduzir a forma da órbita e, como os nossos modelos eram muito sensíveis, pudemos também descobrir a forma do asteroide", disse Steve Chesley, investigador principal no JPL e coautor do estudo. A equipa descobriu que a órbita de Dimorphos é agora ligeiramente alongada, ou excêntrica. "Antes do impacto", continuou Chesley, "os eventos ocorriam regularmente, mostrando uma órbita circular. Após o impacto, houve diferenças de tempo muito ligeiras, mostrando que algo estava errado. Nunca esperámos obter este tipo de precisão".
Os modelos são tão precisos que até mostram que Dimorphos balança para trás e para a frente enquanto orbita Didymos, disse Naidu.
Evolução Orbital
Os modelos da equipa também calcularam a evolução do período orbital de Dimorphos. Imediatamente após o impacto, a DART reduziu a distância média entre os dois asteroides, encurtando o período orbital de Dimorphos em 32 minutos e 42 segundos, para 11 horas, 22 minutos e 37 segundos.
Ao longo das semanas seguintes, o período orbital do asteroide continuou a diminuir à medida que Dimorphos perdia mais material rochoso para o espaço, fixando-se finalmente nas 11 horas, 22 minutos e 3 segundos por órbita - menos 33 minutos e 15 segundos do que antes do impacto. Este cálculo tem uma precisão de 1,5 segundos, disse Naidu. Dimorphos tem agora uma distância orbital média a Didymos de aproximadamente 1152 metros - cerca de 37 metros mais perto do que antes do impacto.
"Os resultados deste estudo concordam com outros que estão a ser publicados", disse Tom Statler, cientista principal para corpos pequenos do Sistema Solar na sede da NASA em Washington. "Ver grupos separados a analisar os dados e a chegar às mesmas conclusões de forma independente é uma marca de um resultado científico sólido. A DART não só está a mostrar-nos o caminho para uma tecnologia de desvio de asteroides, como também está a revelar novos conhecimentos fundamentais sobre o que são os asteroides e como se comportam."
Estes resultados e as observações dos detritos deixados após o impacto indicam que Dimorphos é um objeto tipo "pilha de entulho", semelhante ao asteroide Bennu. A missão Hera da ESA, cujo lançamento está previsto para outubro de 2024, deslocar-se-á até este par de asteroides para efetuar um estudo detalhado e para confirmar a maneira como a DART alterou Dimorphos.
Astrónomos descobrem que pelo menos uma em cada dúzia de estrelas apresenta indícios de ingestão planetária
Um planeta terrestre dilacerado por uma estrela num sistema binário.
Crédito: intouchable, OPENVERSE
De acordo com um artigo científico publicado na revista Nature, uma equipa internacional de investigadores estudou estrelas gémeas que deveriam ter uma composição idêntica. Mas, em cerca de oito por cento dos casos, diferem, deixando os astrónomos perplexos.
A equipa, liderada por investigadores do ASTRO 3D (ARC Centre of Excellence for All Sky Astrophysics in 3 Dimensions), descobriu que a diferença se deve ao facto de uma das estrelas gémeas ter devorado planetas ou material planetário.
As descobertas foram possíveis graças a um vasto conjunto de dados recolhidos com o Telescópio Magellan de 6,5 metros e com o VLT (Very Large Telescope) do ESO, ambos no Chile, e com o Telescópio Keck de 10 metros no Hawaii, EUA.
"Olhámos para estrelas gémeas que viajam juntas. Nascem das mesmas nuvens moleculares e, por isso, deveriam ser idênticas", afirma o investigador do ASTRO 3D, Dr. Fan Liu, da Universidade Monash, principal autor do artigo.
"Graças a esta análise altamente precisa, podemos ver diferenças químicas entre as gémeas. Isto fornece evidências muito fortes de que uma das estrelas engoliu planetas ou material planetário e alterou a sua composição".
O fenómeno apareceu em cerca de oito por cento dos 91 pares de estrelas gémeas que a equipa analisou. O que torna este estudo convincente é o facto de as estrelas estarem no auge da sua vida - as chamadas estrelas de sequência principal, em vez de estrelas nas suas fases finais, como as gigantes vermelhas.
"Este [estudo] é diferente dos estudos anteriores em que as estrelas na sua fase final podem engolir planetas próximos quando se tornam gigantes", diz o Dr. Liu.
Há algum espaço para dúvidas no que toca ao saber se as estrelas estão a engolir planetas inteiros ou a engolir material protoplanetário, mas o Dr. Liu suspeita que ambas as hipóteses são possíveis.
"É complicado. A ingestão do planeta inteiro é o nosso cenário preferido, mas é claro que também não podemos excluir que estas estrelas tenham ingerido muito material de um disco protoplanetário", afirma.
As descobertas têm implicações importantes para o estudo da evolução a longo prazo dos sistemas planetários.
"Os astrónomos costumavam pensar que este tipo de eventos não era possível. Mas com base nas observações do nosso estudo, podemos ver que, embora a ocorrência não seja elevada, é efetivamente possível. Isto abre uma nova janela de estudo para os teóricos da evolução planetária", diz o professor associado Yuan-Sen Ting, coautor e investigador do ASTRO 3D da Universidade Nacional Australiana.
O estudo faz parte de uma colaboração mais vasta, a iniciativa C3PO (Complete Census of Co-moving Pairs of Objects) para observar espetroscopicamente uma amostra completa de todas as estrelas brilhantes em movimento conjunto identificadas pelo satélite Gaia, que é liderada por Liu, Ting e o pelo professor associado David Yong (também do ASTRO 3D da Universidade Nacional Australiana).
"As descobertas aqui apresentadas contribuem para o panorama geral de um tema de investigação chave do ASTRO 3D: a evolução química do Universo. Especificamente, lançam luz sobre a distribuição dos elementos químicos e a sua subsequente viagem, que inclui o seu consumo pelas estrelas", afirmou a professora Emma Ryan-Weber, Directora do ASTRO 3D.
Cientistas encontram uma das estrelas mais antigas que se formou noutra galáxia
Os Telescópios Magellan, do Observatório Las Campanas, que os cientistas utilizaram para mapear o perfil elementar das estrelas antigas da Grande Nuvem de Magalhães - a mancha brilhante perto do canto superior esquerdo.
Crédito: Instituto Carnegie
A primeira geração de estrelas transformou o Universo. Nos seus núcleos, o hidrogénio e o hélio fundiram-se num arco-íris de elementos. Quando estas estrelas morreram, explodiram e espalharam estes novos elementos por todo o Universo. O ferro que corre nas nossas veias, o cálcio nos nossos dentes, o sódio que nos ajuda a pensar - nasceram todos no coração de estrelas há muito mortas.
Ninguém conseguiu ainda encontrar uma dessas estrelas de primeira geração, mas os cientistas anunciaram uma descoberta única: uma estrela de segunda geração formada originalmente numa galáxia diferente da nossa.
"Esta estrela fornece uma janela única para o processo inicial da formação de elementos noutras galáxias que não a nossa", disse Anirudh Chiti, pós-doutorado da Universidade de Chicago e primeiro autor do artigo científico que divulga estes achados. "Construímos uma ideia do aspeto destas estrelas que foram quimicamente enriquecidas pelas primeiras estrelas na Via Láctea, mas ainda não sabemos se algumas destas assinaturas são únicas, ou se as coisas aconteceram de forma semelhante noutras galáxias."
O artigo científico foi publicado no passado dia 20 de março na revista Nature Astronomy.
"Pescando agulhas em palheiros"
Chiti especializou-se no que se chama arqueologia estelar: a reconstrução da forma como as primeiras gerações de estrelas mudaram o Universo. "Queremos compreender quais eram as propriedades dessas primeiras estrelas e quais os elementos que produziam", disse Chiti.
Mas ainda ninguém conseguiu observar diretamente essas estrelas de primeira geração, se é que ainda existem no Universo. Em vez disso, Chiti e os seus colegas procuram estrelas que se formaram a partir das cinzas dessa primeira geração.
É um trabalho difícil, porque até a segunda geração de estrelas é agora incrivelmente antiga e rara. A maior parte das estrelas do Universo, incluindo o nosso próprio Sol, são o resultado de dezenas a milhares de nascimentos e mortes estelares, acumulando cada vez mais elementos pesados. "Talvez menos de uma em cada 100.000 estrelas da Via Láctea seja uma destas estrelas de segunda geração", disse. "Estamos realmente a pescar agulhas em palheiros".
Mas o trabalho vale a pena, no sentido de obter instantâneos de como o Universo era no passado. "Estas estrelas preservam, nas suas camadas exteriores, os elementos do local onde se formaram", explicou. "Se conseguirmos encontrar uma estrela muito antiga e obter a sua composição química, podemos compreender como era a composição química do Universo no local onde essa estrela se formou, há milhares de milhões de anos."
Uma estrela estranha e intrigante
Para este estudo, Chiti e os seus colegas apontaram os seus telescópios para um alvo invulgar: as estrelas que constituem a Grande Nuvem de Magalhães.
A Grande Nuvem de Magalhães é uma mancha brilhante de estrelas visível a olho nu no hemisfério sul. Atualmente, pensamos que é uma galáxia satélite que foi capturada pela gravidade da Via Láctea há apenas alguns milhares de milhões de anos. Isto torna-a particularmente interessante porque as suas estrelas mais antigas se formaram fora da Via Láctea - dando aos astrónomos a oportunidade de saber se as condições no início do Universo eram todas iguais ou se eram diferentes noutros locais.
A Grande Nuvem de Magalhães.
Crédito: CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/SMASH/D. Nidever (Universfidade do Estado de Montana); processamento de iamgem - Travis Rector (Universidade do Alaska em Anchorage), Mahdi Zamani e Davide de Martin
Os cientistas procuraram evidências destas estrelas particularmente antigas na Grande Nuvem de Magalhães e catalogaram dez delas, primeiro com o satélite Gaia da ESA e depois com o Telescópio Magellan no Chile.
Uma destas estrelas saltou imediatamente à vista. Continha muito, muito menos elementos pesados do que qualquer outra estrela já observada na Grande Nuvem de Magalhães. Isto significa que provavelmente se formou no rescaldo da primeira geração de estrelas - ainda não tinha, assim sendo, acumulado elementos mais pesados ao longo de repetidos nascimentos e mortes estelares.
Mapeando os seus elementos, os cientistas ficaram surpreendidos ao ver que tinha muito menos carbono do que ferro, em comparação com o que vemos nas estrelas da Via Láctea.
"Isso foi muito intrigante e sugere que talvez o aumento do carbono na geração mais antiga, como vemos na Via Láctea, não fosse universal", disse Chiti. "Teremos de fazer mais estudos, mas isto sugere que há diferenças de lugar para lugar.
"Penso que estamos a completar uma imagem do processo de enriquecimento dos primeiros elementos em diferentes ambientes", disse.
As suas descobertas também corroboram outros estudos que sugerem que a Grande Nuvem de Magalhães produziu muito menos estrelas ao início, em comparação com a Via Láctea.
Chiti está atualmente a liderar um programa com o objetivo de mapear uma grande parte do céu meridional e de encontrar as estrelas mais antigas possíveis. "Esta descoberta sugere que devem existir muitas destas estrelas na Grande Nuvem de Magalhães, se observarmos com atenção", disse. "É realmente excitante abrir a arqueologia estelar da Grande Nuvem de Magalhães e poder mapear com tanto pormenor como as primeiras estrelas enriqueceram quimicamente o Universo em diferentes regiões".
Chandra identifica um buraco negro com "pouco sucesso" (via NASA)
Esta imagem mostra um quasar, um buraco negro supermassivo em rápido crescimento, que não está a atingir o que os astrónomos esperavam dele. Conhecido como H1821+643, este quasar encontra-se a cerca de 3,4 mil milhões de anos-luz da Terra. Para chegar a esta conclusão, a equipa utilizou o Chandra e assim estudar o gás quente que envolve H1821+643 e a sua galáxia hospedeira. Ler fonte
Estudo: os blocos de construção da vida são surpreendentemente estáveis em condições semelhantes às de Vénus (via MIT)
A existir vida no Sistema Solar, para além da Terra, ela poderá ser encontrada nas nuvens de Vénus. Em contraste com a superfície inóspita e abrasadora do planeta, a camada de nuvens de Vénus alberga temperaturas mais amenas. Os cientistas assumiram que qualquer potencial habitante das nuvens de Vénus seria muito diferente das formas de vida da Terra. Isto porque as próprias nuvens são feitas de gotículas altamente tóxicas de ácido sulfúrico. Mas um novo estudo relata que, de facto, alguns dos principais blocos de construção da vida podem persistir em soluções de ácido sulfúrico concentrado. Ler fonte
Álbum de fotografias Os Olhos na Cadeia de Markarian
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Mike Selby
No coração do Enxame Galáctico de Virgem encontra-se uma cadeia de galáxias conhecida como Cadeia de Markarian. Proeminentes na "fila", estas duas galáxias em interação, NGC 4438 (esquerda) e NGC 4435 - também conhecidas como Os Olhos. A cerca de 50 milhões de anos-luz de distância, as duas galáxias parecem estar separadas por cerca de 100.000 anos-luz nesta grande ampliação, mas provavelmente aproximaram-se a uma distância estimada de 16.000 anos-luz uma da outra no seu passado cósmico. As marés gravitacionais do encontro próximo atraíram as suas estrelas, gás e poeira. NGC 4438, mais massiva, conseguiu reter muito do material arrancado na colisão, enquanto o material de NGC 4435, mais pequena, se perdeu mais facilmente. A imagem extraordinariamente profunda desta região tão povoada do Universo inclui também muitas galáxias de fundo mais distantes.
Centro Ciência Viva do Algarve
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8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
Telemóvel: 962 422 093
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