NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA -
OBSERVAÇÃO DA LUA Data: 15 de maio de 2024 Hora: 19:30-21:30
No dia 15 de maio, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve iremos realizar mais uma Sessão de Observação da Lua na Ponte Romana em Tavira pelas 19:30.
A sessão é gratuita. Participe! Local: Ponte Romana em Tavira Coordenadas GPS: 37.12654, -7.650038
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas. Informações: 281 326 231
924 452 528
geral@cvtavira.pt
EFEMÉRIDES
DIA 03/05: 124.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1715, durante um eclipse na Inglaterra, Edmond Halley é o primeiro a registar o fenómeno mais tarde conhecido por Contas de Baily (há quem diga que Francis Baily foi o primeiro a notar estes efeitos mais tarde em 1836, daí o seu nome). Também observa proeminências vermelhas e brilhantes e a assimetria este-oeste na coroa, que atribui a uma atmosfera na Lua ou no Sol. Este eclipse tinha sido previsto por Halley com uma precisão de 4 minutos. HOJE, NO COSMOS:
Após o pôr-do-Sol, use binóculos ou um pequeno telescópio para tentar um último olhar a Júpiter. Está logo acima do horizonte a oeste-noroeste, no meio do lusco-fusco moderadamente brilhante. Se for bem-sucedido(a), será das últimas pessoas na Terra a ver o planeta gigante tão perto do fim da sua aparição de 2023-24.
DIA 04/05: 125.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1989 era lançada a missão Magalhães para Vénus.
O seu objetivo era obter imagens de alta-resolução de toda a superfície do planeta. Tempo de duração da viagem: 1 ano, 3 meses e 6 dias. Depois uma missão carregada de êxitos, ordenou-se à sonda para penetrar na densa atmosfera do planeta a 11 de outubro de 1994. HOJE, NO COSMOS:
Antes do nascer-do-Sol aviste, baixa a este-sudeste, a Lua minguante entre Saturno (para cima e para a sua direita) e Marte (para baixo e para a esquerda).
DIA 05/05: 126.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1961, Alan Shepard torna-se o primeiro norte-americano no espaço, a bordo da nave Freedom 7.
O seu voo sub-orbital dura 15 minutos. HOJE, NO COSMOS:
Conhece o asterismo do Diamante de Virgem? Mede cerca de 50º de altura e abrange cinco constelações. Encontra-se atualmente na vertical, a sul, depois das estrelas aparecerem. Comece com Espiga, a sua parte mais baixa. Para cima e para a esquerda está a brilhante Arcturo. Quase à mesma distância, para cima e para a direita de Arcturo (se se voltar para sul) está a mais ténue Cor Caroli, de terceira magnitude, quase por cima das nossas cabeças. À mesma distância, mas para baixo e para a direita, está Denébola, a ponta da cauda de Leão, com magnitude 2. E finalmente voltamos a Espiga. As três estrelas mais baixas, que são também as mais brilhantes, forma um triângulo equilátero quase perfeito. Talvez devêssemos chamar-lhes de "Triângulo da Primavera", em paralelo com o de verão e o de inverno?
Se tiver acesso a um céu escuro ou binóculos, olhe para o ponto médio entre Cor Caroli e Denébola para avistar o grande e disperso enxame estelar de Cabeleira de Berenice. Abrange 4º, mais ou menos do tamanho de uma bola de ping-pong à distância do braço esticado.
Pico da chuva de meteoros das Eta Aquáridas.
DIA 06/05: 127.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1872, nascia Willem de Sitter, matemático, físico e astrónomo holandês.
Fez grandes contribuições para o campo da cosmologia física. Foi coautor, juntamente com Einstein, de um artigo onde explicavam que deveria existir grandes quantidades de matéria que não emitia luz, atualmente chamada matéria escura. É também famoso pela sua pesquisa sobre o planeta Júpiter. HOJE, NO COSMOS:
Três estrelas de magnitude zero brilham após o cair da noite, em maio: Arcturo alta a sudeste, Vega muito mais baixa a nordeste e Capella a noroeste. Aparecem-nos tão brilhantes porque cada uma é pelo menos 60 vezes mais luminosa do que o Sol e porque estão todas relativamente perto: 37, 25 e 42 anos-luz, respetivamente.
Webb mapeia o clima num planeta a 280 anos-luz de distância
Esta impressão de artista mostra o potencial aspeto de WASP-43 b, um gigante gasoso e quente. WASP-43 b é um planeta da dimensão de Júpiter, a cerca de 280 anos-luz de distância, na direção da constelação do Sextante. O planeta orbita a sua estrela a uma distância de cerca de 2 milhões de quilómetros, completando uma órbita em cerca de 19,5 horas. Por estar tão perto da sua estrela, WASP-43 b sofre provavelmente acoplamento de maré: a sua rotação e período orbital são os mesmos, de tal forma que um dos lados está sempre virado para a estrela.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)
Uma equipa internacional de investigadores utilizou, com sucesso, o Telescópio Espacial James Webb da NASA para mapear o clima no exoplaneta gigante gasoso e quente WASP-43 b.
Medições precisas da luminosidade num largo espetro de luz infravermelha média, combinadas com modelos climáticos 3D e observações anteriores de outros telescópios, sugerem a presença de nuvens espessas e altas cobrindo o lado noturno, céu limpo no lado diurno e ventos equatoriais de mais de 8000 quilómetros por hora misturando gases atmosféricos à volta do planeta.
A investigação é apenas a mais recente demonstração de ciência exoplanetária agora possível com a extraordinária capacidade do Webb para medir variações de temperatura e detetar gases atmosféricos a biliões de quilómetros de distância.
Um "Júpiter quente" com acoplamento de maré
WASP-43 b é um exoplaneta do tipo "Júpiter quente": semelhante em tamanho a Júpiter, feito principalmente de hidrogénio e hélio, e muito mais quente do que qualquer um dos planetas gigantes do nosso próprio Sistema Solar. Embora a sua estrela seja mais pequena e mais fria do que o Sol, WASP-43 b orbita a uma distância de apenas 2 milhões de quilómetros - menos de 1/25 da distância entre Mercúrio e o Sol.
Com uma órbita tão íntima, o planeta sofre acoplamento de maré, com um lado continuamente iluminado e o outro em permanente escuridão. Embora o lado noturno nunca receba qualquer radiação direta da estrela, fortes ventos de leste transportam o calor do lado diurno.
Desde a sua descoberta em 2011 que WASP-43 b tem sido observado com vários telescópios, incluindo o Hubble da NASA e o agora reformado Spitzer.
"Com o Hubble, pudemos ver claramente que existe vapor de água no lado diurno. Tanto o Hubble como o Spitzer sugeriram a existência de nuvens no lado noturno", explicou Taylor Bell, investigador do BAERI (Bay Area Environmental Research Institute) e autor principal de um estudo publicado na revista Nature Astronomy. "Mas precisávamos de medições mais precisas do Webb para começar a mapear a temperatura, a cobertura de nuvens, os ventos e uma composição atmosférica mais detalhada à volta do planeta".
Mapeando a temperatura e inferindo o clima
Embora WASP-43 b seja demasiado pequeno, ténue e se encontre demasiado perto da sua estrela para ser visto diretamente por um telescópio, o seu curto período orbital de apenas 19,5 horas torna-o ideal para a espetroscopia de curva de fase, uma técnica que envolve a medição de pequenas alterações no brilho do sistema estrela-planeta à medida que o planeta orbita a estrela.
Uma vez que a quantidade de luz infravermelha média emitida por um objeto depende em grande parte da sua temperatura, os dados de brilho captados pelo Webb podem ser usados para calcular a temperatura do planeta.
Esta curva de fase, captada pelo espetrómetro de baixa resolução MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Telescópio Espacial James Webb da NASA, mostra a mudança de brilho do sistema WASP-43 ao longo do tempo, à medida que o planeta orbita a sua estrela. O sistema aparece mais brilhante quando o lado quente do planeta está virado para o telescópio, mesmo antes e depois de passar por trás da estrela. O sistema escurece à medida que o planeta continua as suas órbitas e o lado noturno se torna visível. Aumenta novamente de brilho depois de passar em frente da estrela, à medida que o lado diurno volta a ser visível. WASP-43 b é um Júpiter quente a cerca de 280 anos-luz de distância, na direção da constelação do Sextante.
Crédito: ciência - Taylor J. Bell (BAERI), Joanna Barstow (The Open University), Michael Roman (Universidade de Leicester); design gráfico - NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)
A equipa utilizou o MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb para medir a luz do sistema WASP-43 de 10 em 10 segundos, durante mais de 24 horas. "Ao observar uma órbita inteira, conseguimos calcular a temperatura dos diferentes lados do planeta à medida que ficam visíveis", explicou Bell. "A partir daí, pudemos construir um mapa aproximado da temperatura em todo o planeta".
As medições mostram que o lado diurno tem uma temperatura média de quase 1250 graus Celsius - quente o suficiente para forjar ferro. Entretanto, o lado noturno é significativamente mais frio, com 600 graus Celsius. Os dados também ajudam a localizar o ponto mais quente do planeta, que está deslocado ligeiramente para leste do ponto que recebe mais radiação estelar, onde a estrela está mais alta no céu do planeta. Este deslocamento ocorre devido aos ventos supersónicos, que deslocam o ar aquecido para leste.
"O facto de podermos mapear a temperatura desta forma é uma verdadeira prova da sensibilidade e estabilidade do Webb", disse Michael Roman, um coautor da Universidade de Leicester no Reino Unido.
Para interpretar o mapa, a equipa utilizou complexos modelos atmosféricos 3D, como os utilizados para compreender a meteorologia e o clima na Terra. A análise mostra que o lado noturno está provavelmente coberto por uma camada espessa e alta de nuvens que impedem que parte da luz infravermelha escape para o espaço. Como resultado, o lado noturno - embora muito quente - parece mais escuro e mais frio do que seria se não houvesse nuvens.
Este conjunto de mapas mostra a temperatura do lado visível do exoplaneta gigante gasoso e quente WASP-43 b, à medida que orbita a sua estrela. O lado diurno do planeta é visível imediatamente antes e depois de passar por trás da estrela. As temperaturas foram calculadas com base em mais de 8000 medições de brilho da luz infravermelha média de 5 a 12 micrómetros detetada no sistema estrela-planeta pelo MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Telescópio Espacial James Webb da NASA. Em geral, quanto mais quente é um objeto, mais luz infravermelha média ele emite.
Crédito: ciência - Taylor J. Bell (BAERI), Joanna Barstow (The Open University), Michael Roman (Universidade de Leicester); design gráfico - NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)
Metano em falta e ventos fortes
O amplo espetro de luz infravermelha média captada pelo Webb também permitiu medir a quantidade de vapor de água (H2O) e metano (CH4) à volta do planeta. "O Webb deu-nos a oportunidade de descobrir exatamente que moléculas estamos a ver e de estabelecer alguns limites para as suas abundâncias", disse Joanna Barstow, coautora da The Open University no Reino Unido.
Os espetros mostram sinais claros de vapor de água tanto no lado noturno como no lado diurno do planeta, fornecendo informações adicionais sobre a espessura das nuvens e a altura a que se estendem na atmosfera.
Surpreendentemente, os dados também mostram uma clara ausência de metano em qualquer parte da atmosfera. Embora o lado diurno seja demasiado quente para que o metano exista (a maior parte do carbono deve estar sob a forma de monóxido de carbono), o metano deve ser estável e detetável no lado noturno e mais frio.
"O facto de não vermos metano diz-nos que WASP-43b deve ter velocidades de vento que atingem qualquer coisa como 8000 quilómetros por hora", explicou Barstow. "Se os ventos movem o gás do lado diurno para o lado noturno e vice-versa com rapidez suficiente, não há tempo suficiente para que as reações químicas esperadas produzam quantidades detetáveis de metano no lado noturno".
A equipa pensa que, devido a esta mistura conduzida pelo vento, a química atmosférica é a mesma a toda à volta do planeta, o que não era evidente em trabalhos anteriores com o Hubble e com o Spitzer.
Um sistema estelar eruptivo revelou os seus segredos
Esta impressão artística mostra o recém-descoberto fluxo que alimenta constantemente o sistema binário com massa.
Crédito: NSF/NRAO/S. Dagnello
Um grupo invulgar de estrelas na constelação de Orionte revelou finalmente os seus segredos. FU Orionis, um sistema estelar duplo, chamou pela primeira vez a atenção dos astrónomos em 1936, quando a estrela central se tornou subitamente 1000 vezes mais brilhante do que o habitual. Este comportamento, esperado em estrelas moribundas, nunca tinha sido visto numa estrela jovem como FU Orionis. O estranho fenómeno inspirou uma nova classificação de estrelas com o mesmo nome (estrelas FU Orionis ou FUor para abreviar). As estrelas FUor têm erupções súbitas, explodindo em brilho, antes de desvanecerem novamente muitos anos mais tarde. Atualmente, sabe-se que este aumento de brilho se deve ao facto de as estrelas absorverem energia da sua vizinhança através da acreção gravitacional, a principal força que molda as estrelas e os planetas. No entanto, como e porque é que isto acontece tem permanecido um mistério - até agora, graças aos astrónomos que utilizaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array).
"FU Ori tem estado a devorar material durante quase 100 anos para manter a sua erupção. Encontrámos finalmente uma resposta para a forma como estas jovens estrelas em erupção reabastecem a sua massa", explica Antonio Hales, Diretor Adjunto do Centro Regional Norte-Americano do ALMA, cientista do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) e autor principal desta investigação, publicada na revista The Astrophysical Journal. "Pela primeira vez, temos evidências observacionais diretas do material que alimenta as erupções."
As observações do ALMA revelaram um longo e fino fluxo de monóxido de carbono a cair sobre FU Orionis. Este gás não parece ter combustível suficiente para sustentar o atual surto. Ao invés, pensa-se que este fluxo de acreção seja um remanescente de uma característica anterior, muito mais significativa, que caiu sobre este jovem sistema estelar. "É possível que a interação com um maior fluxo de gás, no passado, tenha causado a instabilidade do sistema e desencadeado o aumento de brilho", explica Hales.
Impressão de artista da vista em grande escala de FU Ori. A imagem mostra os fluxos produzidos pela interação entre os fortes ventos estelares alimentados pelo surto e o invóluicro remanescente a partir do qual a estrela se formou. O vento estelar choca fortemente contra o invólucro, e o gás monóxido de carbono varrido pelo choque é o que o ALMA revelou. Crédito: NSF/NRAO/S. Dagnello
Os astrónomos usaram várias configurações das antenas ALMA para captar os diferentes tipos de emissão provenientes de FU Orionis e para detetar o fluxo de massa no sistema estelar. Também combinaram novos métodos numéricos para modelar o fluxo de massa como um fluxo de acreção e estimar as suas propriedades. "Comparámos a forma e a velocidade da estrutura observada com as esperadas de um rasto de gás em queda, e os números fizeram sentido", diz Aashish Gupta, candidato a doutoramento no ESO e coautor deste trabalho, que desenvolveu os métodos usados para modelar o fluxo de acreção.
"A gama de escalas angulares que podemos explorar com um único instrumento é notável. O ALMA dá-nos uma visão abrangente da dinâmica da formação estelar e planetária, desde as grandes nuvens moleculares em que nascem centenas de estrelas, até às escalas mais familiares dos sistemas solares," acrescenta Sebastián Pérez da USACH (Universidad de Santiago de Chile), diretor do YEMS (Millennium Nucleus on Young Exoplanets and their Moons) no Chile, e coautor desta investigação.
Estas observações também revelaram um fluxo de monóxido de carbono de movimento lento de FU Orionis. Este gás não está associado à erupção mais recente. Em vez disso, é semelhante aos fluxos observados em torno de outros objetos protoestelares. Hales acrescenta: "Ao compreender como estas peculiares estrelas FU Orionis são formadas, estamos a confirmar o que sabemos sobre como diferentes estrelas e planetas se formam. Pensamos que todas as estrelas passam por eventos eruptivos. Estes surtos são importantes porque afetam a composição química dos discos de acreção que rodeiam as estrelas nascentes e os planetas que estas acabam por formar."
"Temos estado a estudar FU Orionis desde as primeiras observações do ALMA em 2012", acrescenta Hales. É fascinante ter finalmente respostas".
Novos cálculos determinam a idade de asteroide "bebé"
Um par de imagens estereoscópicas do asteroide Dinkinesh e Selam criadas com dados recolhidos pela câmara L'LORRI da nave espacial Lucy da NASA nos minutos em torno da maior aproximação a 1 de novembro de 2023.
Crédito: imagens - NASA/Goddard/SwRI/APL de Johns Hopkins/NOIRLab; processamento estéreo - Brian May/Claudia Manzoni
Um asteroide com a alcunha de "bebé da Lucy", depois de uma nave espacial da NASA o ter descoberto em órbita de outro asteroide no passado mês de novembro, é de facto uma "criança" do Sistema Solar - tem apenas 2-3 milhões de anos, segundo estimativas de uma equipa de investigação liderada pela Universidade de Cornell, utilizando novos cálculos estatísticos.
A equipa calculou a idade de Selam, uma lua que rodeia o pequeno asteroide Dinkinesh na cintura principal de asteroides entre Marte e Júpiter, com base apenas na dinâmica, ou seja, na forma como o par se move no espaço. O seu cálculo está de acordo com outro efetuado pela missão Lucy da NASA, baseado numa análise das crateras à superfície, o método mais tradicional de datar asteroides.
Os investigadores disseram que o novo método complementa esse trabalho e tem algumas vantagens: não requer uma nave espacial dispendiosa para captar imagens de perto; pode ser mais preciso nos casos em que as superfícies dos asteroides tenham sofrido alterações recentes; e pode ser aplicado aos corpos secundários de dezenas de outros sistemas binários conhecidos, que representam 15% dos asteroides próximos da Terra.
"Determinar a idade dos asteroides é importante para os compreender, e este é notavelmente jovem quando comparado com a idade do Sistema Solar, o que significa que se formou há relativamente pouco tempo", disse Colby Merrill, estudante de doutoramento na área da engenharia aeroespacial. "Obter a idade deste corpo pode ajudar-nos a compreender a população como um todo".
Merrill é o primeiro autor de um artigo científico publicado dia 19 de abril na revista Astronomy & Astrophysics com os coautores Alexia Kubas, uma estudante de doutoramento na área da astronomia e ciências espaciais; Alex Meyer, candidato a doutoramento na Universidade do Colorado, em Boulder; e Sabina Raducan, investigadora pós-doutorada na Universidade de Berna, Suíça.
Merrill, especialista em dinâmica que fez parte da missão DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA, que em 2022 fez colidir uma nave espacial com Dimorphos, a lua do asteroide Didymos, estava a observar atentamente quando a nave Lucy passou por Dinkinesh a 1 de novembro de 2023 e inesperadamente encontrou Selam. Este último acabou por ser "um corpo extraordinariamente único e complexo", disse Merrill - um chamado "binário de contacto" que consiste em dois lóbulos que são essencialmente pilhas de entulho coladas uma à outra, e o primeiro do seu tipo visto a orbitar outro asteroide.
Merrill e Kubas começaram imediatamente a modelar o sistema como um projeto final para a disciplina de Física dos Planetas lecionada por Philip Nicholson, professor de astronomia na Faculdade de Artes e Ciências de Cornell.
Os asteroides binários são objetos dinamicamente complexos e fascinantes que estão envolvidos numa espécie de "jogo da corda", disseram os investigadores. A gravidade que atua sobre os objetos faz com que tenham um bojo mais volumoso e dá origem a marés, que reduzem lentamente a energia do sistema. Entretanto, a radiação do Sol também altera a energia do sistema binário, num efeito designado por YORP (Yarkovsky–O'Keefe–Radzievskii–Paddack). Eventualmente, o sistema atingirá um equilíbrio em que as marés e o efeito YORP são igualmente fortes - um impasse no jogo da corda.
Partindo do princípio de que estas forças estão em equilíbrio, e introduzindo dados sobre o asteroide partilhados publicamente pela missão Lucy, os investigadores calcularam quanto tempo teria demorado Selam a atingir o seu estado atual, depois de se ter formado a partir de material de superfície ejetado por um Dinkinesh que girava rapidamente. Ao longo do processo, a equipa disse ter melhorado as equações pré-existentes que assumiam que ambos os corpos eram igualmente densos e ignoravam a massa do corpo secundário. Efetuando cerca de 1 milhão de cálculos com parâmetros variáveis, os resultados produziram uma idade média para Selam de 3 milhões de anos, sendo 2 milhões o resultado mais provável.
A determinação da idade de Selam permite fazer comparações com Didymos e Dimorphos, o sistema ainda mais jovem alvo da missão DART da NASA, e contribui para a compreensão de que os sistemas binários estão a ser criados continuamente. Os investigadores esperam agora aplicar o seu novo método de determinação da idade a outros sistemas binários em que a dinâmica tenha sido bem caracterizada, mesmo sem "flybys" por naves espaciais.
"Usado em conjunto com a contagem de crateras, este método pode ajudar a melhor determinar a idade de um sistema", disse Kubas. "Se usarmos dois métodos e eles concordarem um com o outro, podemos estar mais confiantes de que estamos a obter uma idade relevante que descreve o estado atual do sistema".
Os cálculos sugerem que Selam é mais jovem do que o fóssil ancestral que dá o nome à pequena lua - os restos do esqueleto de uma fêmea de 3 anos, encontrada na Etiópia, que se determinou ter 3,3 milhões de anos. Selam significa "paz" na língua etíope e também recebeu a alcunha de "bebé da Lucy", em referência ao outro fóssil encontrado em 1974 e apelidado Lucy, ou Dinkinesh. A missão da NASA que tem o nome do fóssil Lucy está a caminho de estudar os asteroides troianos na órbita de Júpiter em 2027.
XMM-Newton vê "trevo espacial" sob uma nova luz (via NASA)
Os astrónomos descobriram enormes características rádio circulares, de origem desconhecida, em torno de algumas galáxias. Agora, novas observações de uma delas, designada por "Trevo", sugerem que foi criada por grupos de galáxias em colisão. O estudo destas estruturas, coletivamente designadas por ORCs (odd radio circles), num tipo diferente de luz, forneceu aos cientistas a oportunidade de investigar tudo, desde ondas de choque supersónicas até ao comportamento dos buracos negros. Ler fonte
Uma "falha cósmica" na gravidade (via Universidade de Waterloo)
Um grupo de investigadores da Universidade de Waterloo e da Universidade da Colúmbia Britânica descobriu uma potencial "falha cósmica" na gravidade do Universo, explicando o seu estranho comportamento à escala cósmica. Nos últimos 100 anos, os físicos têm-se baseado na teoria da relatividade geral de Albert Einstein para explicar o funcionamento da gravidade em todo o Universo. A relatividade geral, comprovada por inúmeros testes e observações, sugere que a gravidade tem impacto não apenas nas três dimensões físicas, mas também numa quarta dimensão: o tempo. Ler fonte
Cientistas cidadãos ajudam a descobrir um exoplaneta recorde num sistema estelar binário (via Fundação Simons)
Com uma órbita mais longa do que a da maioria dos seus irmãos, o novo planeta detetado por caçadores de planetas voluntários e confirmado por cientistas do Instituto Flatiron e colegas poderá fornecer informações sobre a forma como os exoplanetas se formam e se mantêm estáveis em sistemas multiestelares. Ler fonte
Álbum de fotografias IC 1795: A Nebulosa da Cabeça de Peixe
Para alguns, esta nebulosa parece a cabeça de um peixe. No entanto, este colorido retrato cósmico contém na verdade gás incandescente e nuvens de poeira obscurante em IC 1795, uma região de formação estelar na direção da constelação setentrional de Cassiopeia. As cores da nebulosa foram criadas adotando a paleta de cores do Hubble para mapear as emissões de banda estreita dos átomos de oxigénio, hidrogénio e enxofre em tons de azul, verde e vermelho, e misturando os dados com imagens da região registadas através de filtros de banda larga. Não muito longe, no céu, do famoso Enxame Duplo de Perseu, IC 1795 está localizada ao lado de IC 1805, a Nebulosa do Coração, como parte de um complexo de regiões de formação estelar que se encontram na orla de uma grande nuvem molecular. Situado a pouco mais de 6000 anos-luz de distância, o maior complexo de formação estelar estende-se ao longo do braço espiral de Perseu da nossa Galáxia, a Via Láctea. A essa distância, IC 1795 terá cerca de 70 anos-luz de diâmetro.
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