DIA 17/05: 138.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1836 nascia J. Norman Lockyer, descobridor do elemento hélio em 1868. J. N. L. fazia estudos espetrais do Sol quando atribuíu linhas desconhecidas de absorção ao novo elemento, só "descoberto" na Terra em 1891.
Sir Lockyer também é conhecido como o Pai da Arqueoastronomia. Foi um dos primeiros a propôr cientificamente que Stonehenge era um observatório astronómico e que as pirâmides do Egipto e as grandes catedrais Cristãs medievais foram construídas ao longo de orientações astronómicas importantes.
Em 1882 um cometa foi descoberto em fotografias da coroa solar tiradas durante um eclipse total; o cometa nunca mais foi visto. Provavelmente era um "suicida", em rota de colisão com o Sol.
Em 1969, a soviética Venera 6 começa a sua descida pela atmosfera de Vénus, enviando dados atmosféricos antes de ser destruída pela pressão. HOJE, NO COSMOS:
Arcturo, alta a sudeste, forma a extremidade inferior do longo e estreito asterismo do "papagaio-de-papel": a parte central de Boieiro. O papagaio-de-papel estende-se para cima e para a esquerda de Arcturo, com a sua secção superior um pouco torta. Mede 23º de comprimento: cerca de dois punhos à distância do braço esticado.
DIA 18/05: 139.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1048, nascia Omar Khayyám, astrónomo, matemático, filósofo e poeta persa. Foi um dos grandes astrónomos da época medieval, que contribuiu muito para a reforma do calendário e que por vezes é tido como proponente da teoria heliocêntrica.
Em 1711, nascia Ruder Josip Boscovic, físico, astrónomo, matemático, filósofo, diplomata, poeta, teólogo e padre jesuita, da república de Ragusa (atualmente Croácia). Produziu um percursor da teoria atómica e fez muitas contribuições para a astronomia, incluindo o primeiro procedimento geométrico para a determinação do equador de um planeta em rotação e da computação da órbita de um planeta. Em 1753, descobriu a ausência de atmosfera na Lua.
Em 1910, a Terra passa pela cauda do cometa Halley.
Em 1969 era lançada a Apollo 10, a quarta missão tripulada do programa Apollo, que foi a segunda a orbitar a Lua.
A Apollo 10 detém o recorde da maior velocidade já atingida por um veículo tripulado: 39.896 km/h. Este foi atingido durante o regresso da Lua a 26 de maio de 1969.
Em 2005, uma segunda foto do Hubble confirmava que Plutão tinha mais duas luas: Nix e Hidra. Atualmente, conhecem-se cinco no total. HOJE, NO COSMOS:
A Lua brilha a sul após o anoitecer. Mas não tão brilhante para ofuscar Corvo, que se encontra para baixo do nosso satélite natural. Cubra a Lua com a mão para facilitar a observação da constelação. As suas quatro estrelas têm magnitudes entre 2,6 e 3,0. A constelação de Corvo é mais pequena do que um punho à distância do braço esticado.
DIA 19/05: 140.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1961, a Venera 1 torna-se o primeiro objeto feito por humanos a passar por outro planeta, Vénus.
A sonda tinha perdido o contacto com a Terra um mês antes e não enviou nenhuns dados de volta.
Em 1971, lançamento da sonda Mars 2 (União Soviética). A 27 de novembro do mesmo ano, alcança Marte e continua a enviar dados até 1972. Era suposto também aterrar um "lander", mas colidiu com a superfície devido a uma avaria nos foguetes de travagem.
Em 1996, lançamento da missão STS-77 do vaivém espacial Endeavour.
Em 2000, lançamento da missão STS-101 do vaivém Atlantis. HOJE, NO COSMOS:
A Lua continua a brilhar na direção da constelação de Virgem. Ao início da noite, procure, cerca de 3 ou 4 graus para baixo e para a esquerda do nosso satélite natural, a estrela Espiga, a mais brilhante da constelação de Virgem. Pela meia-noite a Lua estará mais perto de Espiga, que agora se encontra diretamente para a sua esquerda.
DIA 20/05: 141.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1498, Vasco da Gama chegava a Calicut (India) numa viagem de exploração equivalente na época às modernas odisseias espaciais.
Em 1964, descoberta da radiação cósmica de fundo em microondas, por Robert Woodrow Wilson e Arno Penzias.
Em 1990, o Telescópio Espacial Hubble envia as suas primeiras fotografias. No entanto, foi descoberta uma falha no espelho principal, o que reduziu a capacidade do telescópio em focar e durante três anos os astrónomos só obtiveram imagens desfocadas do universo, apesar destas serem muito melhores do que as imagens obtidas a partir do solo. HOJE, NO COSMOS:
Observe a Lua novamente e compare a posição de ontem com a de hoje, em relação à estrela Espiga, de Virgem.
Deteção de um exoplaneta do tamanho da Terra em órbita da estrela anã ultrafria SPECULOOS-3
Ilustração do exoplaneta SPECULOOS-3 b em órbita da sua estrela. O planeta é tão grande como a Terra, ao passo que a sua estrela é ligeiramente maior do que Júpiter, mas muito mais massiva.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
O projeto SPECULOOS, liderado pelo astrónomo Michaël Gillon da Universidade de Liège, descobriu um novo exoplaneta da dimensão da Terra em torno de SPECULOOS-3, uma estrela "anã ultrafria" tão pequena como Júpiter, duas vezes mais fria que o nosso Sol e situada a 55 anos-luz da Terra. Depois do famoso TRAPPIST-1, SPECULOOS 3 é o segundo sistema planetário descoberto em torno deste tipo de estrela. Esta descoberta foi publicada na revista científica Nature Astronomy.
As estrelas anãs ultrafrias são as estrelas menos massivas do nosso Universo, com um tamanho semelhante ao de Júpiter. Em comparação com o nosso Sol, são duas vezes menos quentes, dez vezes menos massivas e cem vezes menos luminosas. O seu tempo de vida é mais de cem vezes superior ao da nossa estrela, e serão as últimas estrelas a brilhar quando o Universo se tornar frio e escuro. Embora sejam muito mais comuns no cosmos do que as estrelas parecidas com o Sol, as estrelas anãs ultrafrias ainda são pouco conhecidas devido à sua baixa luminosidade. Em particular, sabe-se muito pouco sobre os seus planetas, apesar de representarem uma fração significativa da população planetária da nossa Via Láctea.
É neste contexto que o consórcio SPECULOOS, liderado pela Universidade de Liège, acaba de anunciar a descoberta de um novo planeta da dimensão da Terra em órbita de uma estrela anã ultrafria próxima. O exoplaneta SPECULOOS-3 b situa-se a cerca de 55 anos-luz da Terra (o que é muito próximo numa escala cósmica! A nossa Galáxia, a Via Láctea, estende-se por mais de 100.000 anos-luz). SPECULOOS 3 é apenas o segundo sistema planetário a ser descoberto em torno deste tipo de estrela: "SPECULOOS-3 b tem praticamente o mesmo tamanho que o nosso planeta", explica o astrónomo Michaël Gillon, primeiro autor do artigo publicado na revista Nature Astronomy. Um ano, ou seja, uma órbita à volta da estrela, dura cerca de 17 horas. Os dias e as noites, por outro lado, nunca têm fim. Pensamos que o planeta gira de forma síncrona, de modo a que o mesmo lado, chamado lado diurno, esteja sempre virado para a estrela, tal como a Lua faz para a Terra. Já o lado noturno ficará para sempre na escuridão".
O projeto SPECULOOS (Search for Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars), iniciado e liderado pelo astrónomo Michaël Gillon, foi especialmente concebido para procurar exoplanetas em torno das estrelas anãs ultrafrias mais próximas. Estas estrelas estão espalhadas pelo céu, pelo que é necessário observá-las uma a uma, durante um período de semanas, para se ter uma boa hipótese de detetar planetas em trânsito", explica o investigador. Isto requer uma rede dedicada de telescópios robóticos profissionais". É este o conceito subjacente ao SPECULOOS, gerido conjuntamente pelas Universidades de Liège, Cambridge, Birmingham, Berna, MIT e ETH Zurique.
"Nós concebemos o SPECULOOS especificamente para observar estrelas anãs ultrafrias próximas em busca de planetas rochosos que se prestem a estudos detalhados", comenta Laetitia Delrez, astrónoma da Universidade de Liège. "Em 2017, o nosso protótipo SPECULOOS, utilizando o telescópio TRAPPIST, descobriu o famoso sistema TRAPPIST-1, composto por sete planetas do tamanho da Terra, incluindo vários potencialmente habitáveis. Foi um excelente começo!"
A estrela SPECULOOS-3 é duas vezes mais fria do que o nosso Sol, com uma temperatura média de cerca de 2600°C. Devido à sua órbita extremamente curta, o planeta recebe quase dezasseis vezes mais energia por segundo do que a Terra recebe do Sol e é, por isso, literalmente bombardeado com radiação altamente energética. "Num tal ambiente, a presença de uma atmosfera à volta do planeta é altamente improvável", diz Julien de Wit, antigo aluno da Universidade de Liège, professor do MIT e codiretor do Observatório SPECULOOS no hemisfério norte e do seu telescópio Artemis, codesenvolvido pela Universidade de Liège e pelo MIT, e que foi o pilar desta descoberta. O facto deste planeta não ter atmosfera pode ser uma vantagem em vários aspetos. Por exemplo, pode permitir-nos aprender muito sobre estrelas anãs ultrafrias, o que, por sua vez, possibilitará estudos mais aprofundados dos seus planetas potencialmente habitáveis".
SPECULOOS-3 b revelou-se um excelente alvo para o Telescópio Espacial James Webb, lançado em 2021, cujos dados estão a revolucionar a nossa visão do Universo. "Com o JWST, podemos até estudar a mineralogia da superfície do planeta!", entusiasma-se Elsa Ducrot, antiga investigadora da Universidade de Liège e atualmente no Observatório de Paris.
"Esta descoberta demonstra a capacidade do nosso observatório SPECULOOS-North para detetar exoplanetas do tamanho da Terra, adequados a um estudo detalhado. E isto é apenas o começo! Graças ao apoio financeiro da região da Valónia (Bélgica) e da Universidade de Liège, dois novos telescópios, Orion e Apollo, juntar-se-ão em breve ao Artemis no planalto do vulcão Teide, em Tenerife, para acelerar a caça a estes planetas fascinantes", conclui Michaël Gillon.
WASP-193 b, um planeta gigante com uma densidade semelhante à do algodão doce
Em torno de uma estrela da Via Láctea, os astrónomos descobriram um planeta de densidade extremamente baixa que é tão leve como algodão doce. O novo planeta, chamado WASP-193 b, parece ser maior do que Júpiter, mas tem uma fração da sua densidade.
Crédito: K. Ivanov, Universidade de Liège
Uma equipa internacional liderada por investigadores do Laboratório EXOTIC da Universidade de Liège, em colaboração com o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e com o Instituto de Astrofísica da Andaluzia, acaba de descobrir WASP-193 b, um planeta gigante de densidade extraordinariamente baixa que orbita uma estrela distante semelhante ao Sol. Este estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.
Este novo planeta, situado a 1200 anos-luz da Terra, é 50% maior do que Júpiter mas sete vezes menos massivo, o que lhe confere uma densidade extremamente baixa, comparável à do algodão doce. "WASP-193 b é o segundo planeta menos denso descoberto até à data, depois de Kepler-51d, que é muito mais pequeno", explica Khalid Barkaoui, investigador de pós-doutoramento no Laboratório EXOTIC da Universidade de Liège e primeiro autor do artigo científico publicado na Nature Astronomy. "A sua densidade extremamente baixa torna-o uma verdadeira anomalia entre os mais de cinco mil exoplanetas descobertos até à data. Esta densidade extremamente baixa não pode ser reproduzida por modelos padrão de gigantes gasosos irradiados, mesmo sob a hipótese irrealista de uma estrutura sem núcleo".
O novo planeta foi inicialmente detetado pelo WASP (Wide Angle Search for Planets), uma colaboração internacional de instituições académicas que, em conjunto, operaram dois observatórios robóticos, um no hemisfério norte e o outro no sul. Cada observatório utilizou um conjunto de câmaras de grande angular para medir o brilho de milhares de estrelas individuais em todo o céu. Em dados recolhidos entre 2006 e 2008, e novamente entre 2011 e 2012, o observatório WASP-South detetou trânsitos periódicos, ou quedas de luz, da estrela WASP-193. Os astrónomos determinaram que as quedas periódicas de brilho estelar eram consistentes com a passagem de um planeta em frente da estrela a cada 6,25 dias. Os cientistas mediram a quantidade de luz que o planeta bloqueava em cada trânsito, o que lhes deu uma estimativa do tamanho do planeta.
A equipa utilizou então os observatórios TRAPPIST-South e SPECULOOS-South - chefiados por Michaël Gillon, Diretor de Investigação do FNRS (Fonds de la Recherche Scientifique) e astrofísico da Universidade de Liège - localizados no deserto do Atacama, no Chile, para medir o sinal planetário em diferentes comprimentos de onda e validar a natureza planetária do objeto eclipsante. Finalmente, utilizaram também observações espetroscópicas recolhidas pelos espectrógrafos HARPS e CORALIE - também localizados no Chile (ESO) - para medir a massa do planeta. Para sua grande surpresa, as medições acumuladas revelaram uma densidade planetária extremamente baixa. A sua massa e o seu tamanho, calcularam, correspondia a cerca de 0,14 e 1,5 vezes a massa e o tamanho de Júpiter, respetivamente. A densidade resultante foi de cerca de 0,059 gramas por centímetro cúbico. A densidade de Júpiter, em contraste, é de cerca de 1,33 gramas por centímetro cúbico; e a da Terra é de 5,51 gramas por centímetro cúbico. Um dos materiais mais próximos em densidade do novo planeta inchado é o algodão doce, que tem uma densidade de cerca de 0,05 gramas por centímetro cúbico.
"O planeta é tão leve que é difícil pensar num material análogo, em estado sólido", diz Julien de Wit, professor do MIT e coautor do artigo científico. "A razão pela qual se aproxima do algodão doce é porque ambos são praticamente ar. O planeta é basicamente superfofo".
Os investigadores suspeitam que o novo planeta é feito principalmente de hidrogénio e hélio, como a maioria dos outros gigantes gasosos da Galáxia. No caso de WASP-193 b, estes gases devem formar uma atmosfera extremamente inchada que se estende dezenas de milhares de quilómetros mais longe do que a própria atmosfera de Júpiter. Exatamente como é que um planeta pode inflar tanto é uma questão que nenhuma teoria existente sobre a formação de planetas consegue ainda responder. É certamente necessário um depósito significativo de energia no interior do planeta, mas os pormenores do mecanismo ainda não são compreendidos. "Não sabemos onde colocar este planeta em todas as teorias de formação que temos atualmente, porque é sempre um 'outlier'. Não conseguimos explicar como é que este planeta se formou. Olhar mais atentamente para a sua atmosfera vai permitir-nos restringir o caminho evolutivo deste planeta, acrescenta Francisco Pozuelos, astrónomo do Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC, Granada, Espanha)."
"WASP-193 b é um mistério cósmico. Para o resolver será necessário mais algum trabalho observacional e teórico, nomeadamente para medir as suas propriedades atmosféricas com o Telescópio Espacial James Webb e confrontá-las com diferentes mecanismos teóricos que possivelmente resultam numa inflação tão extrema", conclui Khalid Barkaoui.
Investigadores descobrem as estrelas mais antigas do Universo no nosso próprio quintal galáctico
Os astrónomos do MIT descobriram três das estrelas mais antigas do Universo, e vivem na nossa própria vizinhança galáctica. As estrelas encontram-se no "halo" da Via Láctea - a nuvem de estrelas que envolve o disco galáctico principal - e parecem ter sido formadas há 12 a 13 mil milhões de anos, quando as primeiras galáxias estavam a tomar forma.
Crédito: Serge Brunier; NASA
Investigadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology), incluindo várias alunas, descobriram três das estrelas mais antigas do Universo e, por acaso, vivem na nossa própria vizinhança galáctica.
A equipa detetou as estrelas no "halo" da Via Láctea - a nuvem de estrelas que envolve todo o disco galáctico principal. Com base na análise da equipa, as três estrelas formaram-se há 12 a 13 mil milhões de anos, altura em que as primeiras galáxias estavam a tomar forma.
Os investigadores apelidaram as estrelas de "SASS" (Small Accreted Stellar System), pois acreditam que cada estrela pertenceu a uma galáxia pequena e primitiva que foi mais tarde absorvida pela Via Láctea, maior, mas ainda em crescimento. Atualmente, as três estrelas são tudo o que resta das suas respetivas galáxias. Circulam nos arredores da Via Láctea, onde a equipa suspeita que possam existir mais sobreviventes estelares igualmente antigas.
"Estas estrelas mais antigas deveriam definitivamente existir, tendo em conta o que sabemos sobre a formação das galáxias", afirma Anna Frebel, professora de física do MIT. "Fazem parte da nossa árvore genealógica cósmica. E agora temos uma nova forma de as encontrar".
À medida que descobrem estrelas SASS semelhantes, os investigadores esperam usá-las como análogos de galáxias anãs ultrafracas, que se pensa serem algumas das primeiras galáxias sobreviventes do Universo. Estas galáxias ainda estão intactas hoje em dia, mas são demasiado distantes e ténues para serem estudadas em profundidade pelos astrónomos. Como as estrelas SASS podem ter pertencido a galáxias anãs igualmente primitivas, mas estão na Via Láctea e, como tal, muito mais próximas, podem ser uma chave acessível para compreender a evolução das galáxias anãs ultrafracas.
"Agora podemos procurar mais análogas na Via Láctea, que são muito mais brilhantes, e estudar a sua evolução química sem ter de perseguir estas estrelas extremamente ténues", diz Frebel.
Ela e os seus colegas publicaram as suas descobertas na revista MNRAS (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society). Os coautores do estudo são Mohammad Mardini, da Universidade de Zarqa, na Jordânia; Hillary Andales, recém-licenciada; e as alunas do MIT Ananda Santos e Casey Fienberg.
Fronteira estelar
As descobertas da equipa surgiram de um conceito de sala de aula. Durante o semestre de outono de 2022, Frebel lecionou uma nova cadeira, Arqueologia Estelar Observacional, na qual os alunos aprenderam técnicas para analisar estrelas antigas e, em seguida, aplicaram essas ferramentas a estrelas que nunca haviam sido estudadas antes, para determinar as suas origens.
"Embora a maioria das nossas cadeiras seja lecionada começando com o básico, esta colocou-nos imediatamente na fronteira da investigação em astrofísica", afirma Andales.
Os alunos trabalharam a partir de dados estelares recolhidos por Frebel ao longo dos anos com o telescópio Magellan-Clay de 6,5 metros do Observatório de Las Campanas. Ela guarda cópias impressas dos dados num dossier grande no seu gabinete, que os estudantes analisaram para procurar estrelas de interesse.
Em particular, procuravam estrelas antigas que se formaram pouco depois do Big Bang, que ocorreu há 13,8 mil milhões de anos. Nessa altura, o Universo era constituído principalmente por hidrogénio e hélio e por abundâncias muito baixas de outros elementos químicos, como o estrôncio e o bário. Assim, os alunos procuraram no dossier de Frebel estrelas com espetros, ou medições da luz das estrelas, que indicassem baixas abundâncias de estrôncio e bário.
As investigadoras seguram uma pasta cheia de dados sobre estrelas que recolheram ao longo dos anos, incluindo o brilho das estrelas ao longo do tempo. Da esquerda para a direita: as alunas Ananda Santos, Casey Fienberg e a docente Anna Frebel.
Crédito: cortesia das investigadoras
A sua pesquisa restringiu-se a três estrelas que foram originalmente observadas pelo telescópio Magellan entre 2013 e 2014. Os astrónomos nunca deram seguimento a estas estrelas em particular para interpretar os seus espetros e deduzir as suas origens. Eram, portanto, candidatas perfeitas para os alunos da disciplina de Frebel.
Os alunos aprenderam a caracterizar uma estrela para se prepararem para a análise dos espetros de cada uma das três estrelas. Conseguiram determinar a composição química de cada uma delas com vários modelos estelares. A intensidade de uma determinada característica no espetro estelar, correspondente a um determinado comprimento de onda da luz, corresponde a uma determinada abundância de um elemento específico.
Depois de finalizarem a sua análise, as alunas puderam concluir com confiança que as três estrelas tinham efetivamente abundâncias muito baixas de estrôncio, bário e outros elementos como o ferro, em comparação com a sua estrela de referência - o nosso próprio Sol. De facto, uma das estrelas continha menos de 1/10.000 da quantidade de ferro para hélio em comparação com o Sol atual.
"Foram precisas muitas horas a olhar para um computador e muito 'debugging', enviando freneticamente mensagens de texto e e-mail umas às outras para descobrir isto", recorda Santos. "Foi uma grande curva de aprendizagem e uma experiência especial."
"Em fuga"
A baixa abundância química das estrelas indicava que se tinham formado originalmente há 12 ou 13 mil milhões de anos. De facto, as suas baixas assinaturas químicas eram semelhantes às que os astrónomos tinham medido anteriormente para algumas galáxias anãs antigas e ultrafracas. Será que as estrelas da equipa tiveram origem em galáxias semelhantes? E como é que vieram parar à Via Láctea?
Com base num palpite, os cientistas verificaram os padrões orbitais das estrelas e a forma como se movem no céu. As três estrelas estão em locais diferentes do halo da Via Láctea e estima-se que estejam a cerca de 30.000 anos-luz da Terra (para referência, o disco da Via Láctea tem 100.000 anos-luz de diâmetro).
Ao reconstituir o movimento de cada estrela em torno do Centro Galáctico, utilizando observações do satélite Gaia, a equipa notou uma coisa curiosa: em relação à maioria das estrelas do disco principal, que se movem como carros numa pista de corridas, as três estrelas pareciam estar a ir na direção errada. Em astronomia, isto é conhecido como "movimento retrógrado" e é um indício de que um objeto foi outrora atraído de outro lugar.
"A única maneira de ter estrelas a ir na direção errada em relação ao resto do grupo é se as tivermos atirado na direção errada", diz Frebel.
O facto destas três estrelas estarem a orbitar de forma completamente diferente do resto do disco galáctico e até do halo, combinado com o facto de terem baixas abundâncias químicas, fez com que concluíssem que as estrelas eram realmente antigas e que pertenciam a galáxias anãs mais velhas e mais pequenas que "caíram" na Via Láctea em ângulos aleatórios e continuaram as suas trajetórias teimosas milhares de milhões de anos mais tarde.
Frebel, curiosa em saber se o movimento retrógrado era uma característica de outras estrelas antigas no halo que os astrónomos tinham analisado anteriormente, procurou na literatura científica e encontrou 65 outras estrelas, também com baixas abundâncias de estrôncio e bário, que pareciam também estar a orbitar na direção oposta.
"Curiosamente, são todas muito rápidas - centenas de quilómetros por segundo, indo na direção oposta", diz Frebel. "Estão a fugir! Não sabemos porque é que isso acontece, mas era a peça do puzzle de que precisávamos e que eu não tinha previsto quando começámos."
A equipa está ansiosa por procurar outras estrelas SASS antigas, e tem agora uma receita relativamente simples para o fazer: primeiro, procurar estrelas com baixas abundâncias químicas e depois seguir os seus padrões orbitais para detetar sinais de movimento retrógrado. Dos mais de 400 mil milhões de estrelas da Via Láctea, preveem que o método irá revelar um número pequeno, mas significativo, das estrelas mais antigas do Universo.
Frebel planeia relançar a cadeira no próximo outono e relembra a primeira versão e as três estudantes que levaram os seus resultados até à publicação com admiração e gratidão.
"Foi fantástico trabalhar com três alunas. É uma estreia para mim", diz ela. "É realmente um exemplo da maneira de ser do MIT. Nós fazemos. E quem disser: 'Quero participar', pode fazê-lo, e coisas boas acontecem."
Juno fornece vistas de alta definição da concha gelada de Europa (via NASA)
Imagens da JunoCam, a bordo da nave espacial Juno da NASA, apoiam a teoria de que a crosta gelada nos polos norte e sul da lua Europa, de Júpiter, não está onde costumava estar. Outra imagem de alta resolução da lua gelada, obtida pelo instrumento SRU (Stellar Reference Unit) da sonda espacial, revela sinais de possível atividade de plumas e uma área de perturbação da camada de gelo onde a salmoura pode ter borbulhado recentemente para a superfície. Ler fonte
Uma "tour de force": investigadores mapeiam a Nebulosa de Orionte como nunca antes (via Universidade Western)
A formação de estrelas e planetas é um processo muito conturbado. Começa com o colapso gravitacional de uma nuvem gigantesca de gás e poeira, que simultaneamente produz estrelas massivas, cujo intenso campo de radiação cria um ambiente inóspito, bem como estrelas mais modestas, como o nosso Sol, rodeadas por um disco de formação planetária rico em materiais orgânicos. Ler fonte
Álbum de fotografias O Enxame 37
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Sergio Eguivar
Para os habitantes do planeta Terra, as estrelas mais brilhantes do enxame aberto NGC 2169 parecem formar um 37 cósmico. A partir da nossa perspetiva, o improvável asterismo numérico surge apenas por acaso. Encontra-se a uma distância estimada de 3300 anos-luz na direção da constelação de Orionte. No que diz respeito aos enxames galácticos ou aos enxames estelares abertos, NGC 2169 é um enxame pequeno, com uma extensão de cerca de 7 anos-luz. Formadas ao mesmo tempo a partir da mesma nuvem de poeira e gás, as estrelas de NGC 2169 têm apenas cerca de 11 milhões de anos. Espera-se que tais enxames se dispersem ao longo do tempo, à medida que encontram outras estrelas, nuvens interestelares e sofram a influência das marés gravitacionais enquanto andam à boleia pelaGaláxia. Há mais de quatro mil milhões de anos, o nosso Sol formou-se provavelmente num enxame aberto parecido.
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