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  Astroboletim #2111  
  31/05 a 03/06/2024  
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 31/05: 152.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 2001, a sonda Cassini completa o veu voo rasante por Júpiter e dirige-se para Saturno.

Imagens de despedida de um eclipse de Io mostram atividade auroral na atmosfera ioniana.
Em 2013, o asteroide 1998 QE2 e a sua lua fazem a maior aproximação da Terra dos próximos dois séculos.
HOJE, NO COSMOS:
Vega é a estrela mais brilhante no lado nordeste do céu. Arcturo é a mais brilhante perto do zénite. A um-terço do caminho entre Arcturo e Vega está a ténue constelação de Coroa Boreal. A sua única estrela de brilho moderado é Alpha Cor Bor, ou Gemma ou Alphecca, de magnitude 2,2. Mas provavelmente até setembro, os astrónomos esperam que existam duas! Isto porque T Coronae Borealis, uma famosa nova recorrente, mostra sinais (uma dminiuição gradual de brilho) de entrar novamente em erupção pela primeira vez desde 1946. Se tal acontecer, irá igualar o brilho de Alphecca.
Normalmente, T CrB tem magnitude 10. O seu súbito aumento de brilho demorará apenas cerca de um dia.

 

DIA 01/06: 153.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1633 nascia Geminiano Montanari, astrónomo italiano, fabricante de lentes e proponente da abordagem experimental na Ciência.

É mais conhecido pela sua observação, por volta de 1667, de que a segunda estrela mais brilhante de Perseu, Algol, variava em brilho.
Em 2011, o vaivém espacial Endeavour faz a sua aterragem final, após 25 voos.
HOJE, NO COSMOS:
As constelações parecem passar depressa pelo zénite - se as compararamos com a direção "baixo". Há apenas semana e meia, a Ursa Maior flutuava horizontalmente ao final do lusco-fusco, uma hora depois do pôr-do-Sol (a partir da latitude 40º N). Agora está posicionada diagonalmente a essa hora. Daqui a outra semana e meia está apoiada verticalmente pela sua "pega"!

 

DIA 02/06: 154.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1966, a Surveyor 1 torna-se na primeira sonda americana a aterrar com sucesso noutro mundo, a Lua
Em 1983, era lançada a Venera 15, uma missão dupla (em conjunto com a Venera 16 poucos dias depois) com o objetivo de estudar e mapear a superfície de Vénus.

Em 1998, lançamento da missão STS-91 do vaivém espacial Discovery, a última do programa Shuttle-Mir.
Em 2003, a sonda Mars Express,transportando o "lander" britânico Beagle 2, é lançada num foguetão russo Soyuz-Fregat, a partir de Baikonur (Cazaquistão) às 17:45 GMT.
HOJE, NO COSMOS:
"Cassiopeia" geralmente significa "Frio!" O final do outono e inverno são as alturas em que esta famosa constelação se situa bem alta (vista a partir de latitudes médias norte). Mas mesmo durante as quentes noites de junho, ainda se encontra baixa. Ao cair da noite, procure a constelação perto do horizonte a norte: um "W" largo. Quanto mais para norte o observador se encontrar, mais alta parecerá estar.

 

DIA 03/06: 155.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1769, o capitão James Cook observa o trânsito de Vénus sob céus limpos no Tahiti.
Em 1965 era lançada a Gemini 4, a primeira missão espacial tripulada com uma duração de vários dias. Neste mesmo dia Edward White andou no exterior de uma nave espacial pela primeira vez na história dos EUA, num passeio que durou aproximadamente 20 minutos.

Em 1966, lançamento da Gemini 9A.
HOJE, NO COSMOS:
A Ursa Maior "virou-se" para ficar apoiada pela sua "pega" a noroeste. A estrela do meio da "pega" da "frigideira" é Mizar, com a pequena Alcor mesmo ao lado. De que lado de Mizar deverá procurar Alcor? Como sempre, do lado que está virado para Vega! Que é agora a estrela mais brilhante no céu a este.

 
     
 
CURIOSIDADES


Na sequência da notícia da refutação de um exoplaneta em órbita de 40 Eridani: a franchise "Star Trek", que tornou famosa esta estrela por albergar o planeta natal do personagem Spock, no seu filme de 2009, também acabou por destrui-lo.

 
 
   
E assim desaparece o planeta natal de Spock
 
Ilustração do planeta anteriormente proposto, HD 26965 b - frequentemente comparado com o fictício "Vulcan" da franchise Star Trek.
Crédito: JPL-Caltech
 

A possível deteção de um planeta em órbita de uma estrela que a franchise Star Trek tornou famosa atraiu entusiasmo e muita atenção quando foi anunciada em 2018. Apenas cinco anos depois, o planeta parecia estar em terreno movediço quando outros investigadores questionaram a sua existência. Agora, medições de precisão utilizando um instrumento da NASA-NSF, instalado há alguns anos no topo de Kitt Peak, no estado norte-americano do Arizona, parecem ter devolvido o planeta Vulcan ainda mais definitivamente para o reino da ficção científica.

Dois métodos de deteção exoplanetária - planetas que orbitam outras estrelas - dominam todos os outros na busca contínua por novos mundos estranhos. O método de trânsito, que analisa pequenas quedas na luz estelar quando um planeta atravessa a face da sua estrela, é responsável pela grande maioria das deteções. Mas o método da "velocidade radial" também tem acumulado uma boa parte das descobertas de exoplanetas. Este método é especialmente importante para sistemas com planetas que, do ponto de vista da Terra, não atravessam as faces das suas estrelas. Acompanhando mudanças subtis na luz estelar, os cientistas podem medir "oscilações" na própria estrela, à medida que a gravidade de um planeta em órbita a puxa para um lado e depois para outro. Para planetas muito grandes, o sinal de velocidade radial conduz maioritariamente à deteção inequívoca de planetas. Mas os planetas não tão grandes podem ser problemáticos.

Até os cientistas que fizeram a deteção original e possível do planeta HD 26965 b - quase imediatamente comparado com o fictício planeta Vulcan da saga Star Trek - advertiram que poderia acabar por ser apenas perturbações estelares disfarçadas de planeta. Os investigadores relataram a existência de uma "super-Terra" - maior do que a Terra, mais pequena do que Neptuno - numa órbita de 42 dias em torno de uma estrela semelhante ao Sol, a cerca de 16 anos-luz de distância. A nova análise, que usa medições de velocidade radial de alta precisão ainda não disponíveis em 2018, confirma que a cautela sobre a possível descoberta era justificada.

A má notícia para os fãs de Star Trek vem de um instrumento conhecido como NEID, uma adição recente ao complexo de telescópios do Observatório Nacional de Kitt Peak. O NEID, tal como outros instrumentos de velocidade radial, baseia-se no efeito Doppler: mudanças no espetro de luz de uma estrela que revelam os seus movimentos oscilantes. Neste caso, a análise do suposto sinal do planeta em vários comprimentos de onda de luz, emitidos a partir de diferentes níveis da camada exterior da estrela, ou fotosfera, revelou diferenças significativas entre as medições individuais de comprimento de onda - os seus desvios Doppler - e o sinal total quando todos foram combinados. Isto significa que, muito provavelmente, o sinal do planeta é realmente a cintilação de algo na superfície da estrela que coincide com uma rotação de 42 dias - talvez a agitação de camadas mais quentes e mais frias por baixo da superfície da estrela, chamada convecção, combinada com características da superfície estelar como manchas e "praias", que são regiões brilhantes e ativas. Ambas podem alterar os sinais de velocidade radial de uma estrela.

Embora a nova descoberta, pelo menos para já, retire à estrela 40 Eridani A o seu possível planeta Vulcan, as notícias não são de todo más. A demonstração de medições de velocidade radial tão bem calibradas promete fazer distinções observacionais mais nítidas entre planetas reais e os abalos e agitações nas superfícies de estrelas distantes.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
21/09/2018 - Explorando novos mundos: encontrado o planeta Vulcan de "Star Trek"

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Universe Today
ScienceAlert
PHYSORG

40 Eridani:
Wikipedia

"Praia" estelar:
Wikipedia

Observatório Nacional de Kitt Peak:
Página oficial
Wikipedia
Telescópio WIYN de 3,5 metros (página principal)
Telescópio WIYN de 3,5 metros (Wikipedia)
NEID (NOIRLab)
NEID (PennState)

Star Trek:
Página oficial
Wikipedia
Spock (Wikipedia)
Vulcan (Wikipedia)

 
   
Evidências adicionais de atividade vulcânica recente em Vénus
 
Este modelo 3D da superfície de Vénus, gerado por computador, mostra o vulcão Sif Mons, que apresenta sinais de atividade atual. Utilizando dados da missão Magellan da NASA, investigadores italianos detetaram indícios de uma erupção enquanto a nave espacial orbitava o planeta no início da década de 1990.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Pela segunda vez, foram observadas evidências geológicas diretas de atividade vulcânica recente em Vénus. Cientistas italianos analisaram dados de arquivo da missão Magellan da NASA para revelar alterações na superfície que indicam a formação de novas rochas a partir de fluxos de lava ligados a vulcões que entraram em erupção enquanto a nave espacial orbitava o planeta. Gerida pelo JPL da NASA no sul da Califórnia, a Magellan mapeou 98% da superfície do planeta entre 1990 e 1992, e as imagens que obteve continuam a ser as mais detalhadas de Vénus até à data.

"Usando estes mapas como guia, os nossos resultados mostram que Vénus pode ser muito mais vulcanicamente ativo do que se pensava", disse Davide Sulcanese da Universidade de Chieti-Pescara "Gabriele d'Annunzio" em Pescara, Itália, que liderou o estudo. "Ao analisar os fluxos de lava que observámos em dois locais do planeta, descobrimos que a atividade vulcânica em Vénus pode ser comparável à da Terra."

Este último achado baseia-se na histórica descoberta, em 2023, de imagens do radar de abertura sintética da Magellan que revelaram alterações numa abertura associada ao vulcão Maat Mons, perto do equador de Vénus. As imagens de radar provaram ser a primeira evidência direta de uma erupção vulcânica recente no planeta. Ao comparar as imagens do radar da Magellan ao longo do tempo, os autores do estudo de 2023 detetaram alterações causadas pelo fluxo de rocha derretida da subsuperfície de Vénus, que encheu a cratera da chaminé e se espalhou pelas suas encostas.

Os cientistas estudam os vulcões ativos para compreender como o interior de um planeta pode moldar a sua crosta, impulsionar a sua evolução e afetar a sua habitabilidade. A descoberta de vulcanismo recente em Vénus fornece uma visão valiosa da história do planeta e da razão pela qual tomou um caminho evolutivo diferente do da Terra.

 
Antes de iniciar a sua viagem até Vénus, a nave espacial Magellan da NASA foi lançada a partir de órbita terrestre pela missão STS-30 do vaivém espacial Atlantis. Capturada nesta fotografia de dia 4 de maio de 1989, a Magellan foi a primeira nave espacial planetária a ser lançada do vaivém espacial.
Crédito: NASA
 

Retroespalhamento de radar

Para o novo estudo, publicado na revista Nature Astronomy, os investigadores centraram-se igualmente em dados de arquivo do radar de abertura sintética da Magellan. As ondas de rádio enviadas pelo radar atravessaram a espessa camada de nuvens de Vénus, fizeram ricochete na superfície do planeta e regressaram à nave espacial. Chamados de retroespalhamento, estes sinais de radar refletidos transportam informação sobre o material rochoso da superfície que encontraram.

Os dois locais estudados foram o vulcão Sif Mons em Eistla Regio e a parte ocidental de Niobe Planitia, que alberga numerosas características vulcânicas. Ao analisar os dados de retroespalhamento recebidos de ambos os locais em 1990 e novamente em 1992, os investigadores descobriram que a força do sinal de radar aumentou ao longo de certos percursos durante órbitas posteriores. Estas alterações sugerem a formação de nova rocha, muito provavelmente lava solidificada da atividade vulcânica que ocorreu durante esse período de dois anos. Mas também consideraram outras possibilidades, como a presença de microdunas (formadas por areia soprada pelo vento) e efeitos atmosféricos que poderiam interferir com o sinal do radar.

Para ajudar a confirmar a nova rocha, os investigadores analisaram os dados de altimetria (altura da superfície) da Magellan para determinar a inclinação da topografia e localizar obstáculos que a lava poderia contornar.

"Interpretamos estes sinais como fluxos ao longo de declives ou planícies vulcânicas que se podem desviar de obstáculos como vulcões em escudo como um fluido", disse o coautor do estudo Marco Mastrogiuseppe da Universidade Sapienza de Roma. "Depois de excluirmos outras possibilidades, confirmámos que a nossa melhor interpretação é que se trata de novos fluxos de lava".

Usando fluxos na Terra como comparação, os investigadores estimam que a nova rocha que foi criada em ambos os locais tem entre 3 e 20 metros de profundidade, em média. Também estimam que a erupção de Sif Mons produziu cerca de 30 quilómetros quadrados de rocha - o suficiente para encher pelo menos 36.000 piscinas olímpicas. A erupção de Niobe Planitia produziu cerca de 45 quilómetros quadrados de rocha, o que daria para encher 54.000 piscinas olímpicas. A título de comparação, a erupção de 2022 do Mauna Loa, no Hawaii, o maior vulcão ativo da Terra, produziu um fluxo de lava com material suficiente para encher 100.000 piscinas olímpicas.

"Este trabalho empolgante fornece outro exemplo de mudança vulcânica em Vénus a partir de novos fluxos de lava que reforçam aquilo que o Dr. Robert Herrick e eu relatámos no ano passado", disse Scott Hensley, cientista de investigação do JPL e coautor do estudo de 2023. "Este resultado, em conjunto com a descoberta anterior de atividade geológica atual, aumenta o entusiasmo da comunidade científica planetária para futuras missões a Vénus".

Compreendendo os vulcões

Hensley é cientista de projeto da futura missão VERITAS da NASA, e Mastrogiuseppe é membro da sua equipa científica. Abreviatura de Venus Emissivity, Radio science, InSAR, Topography, And Spectroscopy, a missão VERITAS deverá ser lançada no início da próxima década, utilizando um radar de abertura sintética de última geração para criar mapas globais em 3D e um espetrómetro no infravermelho próximo para descobrir de que é feita a superfície de Vénus, ao mesmo tempo que segue a atividade vulcânica. Além disso, a nave espacial medirá o campo gravitacional do planeta para determinar a sua estrutura interna.

"Estas novas descobertas de atividade vulcânica recente em Vénus, feitas pelos nossos colegas internacionais, fornecem evidências convincentes do tipo de regiões que devemos procurar com a VERITAS quando esta chegar a Vénus", disse Suzanne Smrekar, cientista sénior do JPL e investigadora principal da VERITAS. "A nossa nave espacial terá um conjunto de abordagens para identificar alterações na superfície que são muito mais abrangentes e de maior resolução do que as imagens da Magellan. A evidência de atividade, mesmo nos dados de baixa resolução da Magellan, aumenta o potencial para revolucionar a nossa compreensão deste mundo enigmático".

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
17/03/2023 - Dados da Magellan revelam atividade vulcânica em Vénus

Notícias relacionadas:
Sky & Telescope
SPACE.com
Universe Today
New Scientist
PHYSORG
ScienceAlert
ScienceNews
Gizmodo
SAPO

Vénus:
NASA
CCVAlg - Astronomia 
Wikipedia
Vulcanismo em Vénus (Wikipedia)
Sif Mons (Wikipedia)
Eistla Regio (JPL/NASA)

Sonda Magellan:
NASA
Wikipedia

VERITAS (Venus Emissivity, Radio science, InSAR, Topography, And Spectroscopy):
NASA
Wikipedia

 
   
Primeira deteção de estrelas magnéticas para lá da nossa Galáxia
 
A região de formação estelar NGC346, situada na Pequena Nuvem de Magalhães, a cerca de 200.000 anos-luz da Terra.
Crédito: NASA, ESA, A. James (STScI)
 

Pela primeira vez foram detetados campos magnéticos em três estrelas massivas e quentes nas nossas galáxias vizinhas, a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães. Embora já tenham sido detetadas estrelas massivas magnéticas na nossa própria Galáxia, a descoberta de magnetismo nas Nuvens de Magalhães é especialmente importante porque estas galáxias têm uma forte população de jovens estrelas massivas. Isto proporciona uma oportunidade única para estudar estrelas em formação ativa e o limite superior da massa que uma estrela pode ter e permanecer estável.

Nomeadamente, o magnetismo é considerado um componente chave na evolução de estrelas massivas, com um impacto de longo alcance no seu destino final. São as estrelas massivas, inicialmente com mais de oito massas solares, que deixam para trás estrelas de neutrões e buracos negros no final da sua evolução. Os observatórios de ondas gravitacionais têm observado eventos espetaculares de fusão destes sistemas compactos remanescentes. Além disso, estudos teóricos propõem um mecanismo magnético para a explosão de estrelas massivas, relevante para as explosões de raios gama, flashes de raios X e supernovas. "Os estudos dos campos magnéticos em estrelas massivas em galáxias com populações estelares jovens fornecem informações cruciais sobre o papel dos campos magnéticos na formação de estrelas no Universo primitivo, com gás de formação estelar não poluído por metais", afirma a Dra. Swetlana Hubrig, do Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam e primeira autora do estudo.

Os campos magnéticos estelares são medidos por espetropolarimetria. Para tal, regista-se a luz estelar polarizada circularmente e investigam-se as mais pequenas alterações nas linhas espetrais. No entanto, para atingir a precisão necessária nas medições da polarização, este método requer dados de alta qualidade. "O método é extremamente ávido por fotões. Este é um desafio especial porque mesmo as estrelas massivas mais brilhantes, que têm mais de oito massas solares, são relativamente pobres em luz quando observadas nas galáxias vizinhas, a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães", como explica a Dra. Silva Järvinen do mesmo instituto. Devido a estas condições, os espetropolarímetros convencionais de alta resolução e os telescópios mais pequenos não são adequados para tais investigações. Por conseguinte, foi utilizado o espetropolarímetro de baixa resolução FORS2, que está montado num dos quatro telescópios de 8 metros do VLT (Very Large Telescope) do ESO.

As tentativas anteriores de detetar campos magnéticos em estrelas massivas para lá da nossa Galáxia não tiveram êxito. Estas medições são complexas e dependem de vários factores. O campo magnético que é medido com polarização circular é chamado campo magnético longitudinal e corresponde exclusivamente à componente do campo que aponta na direção do observador. É semelhante à luz proveniente de um farol, que é fácil de ver quando o feixe brilha na direção do observador. Como a estrutura do campo magnético nas estrelas massivas é geralmente caracterizada por um dipolo global com o eixo inclinado em relação ao eixo de rotação, a intensidade do campo magnético longitudinal pode ser zero nas fases de rotação quando o observador está a olhar diretamente para o equador magnético da estrela em rotação. A detetabilidade do sinal de polarização também depende do número de características espetrais usadas para investigar a polarização. É preferível a observação de uma região espetral mais vasta com um maior número de características espetrais. Além disso, tempos de exposição mais longos são cruciais para registar espetros polarimétricos com uma relação sinal/ruído suficientemente elevada.

Tendo em conta estes importantes factores, a equipa realizou observações espetropolarimétricas de cinco estrelas massivas nas Nuvens de Magalhães. Em duas estrelas presumivelmente individuais com características espetrais típicas de estrelas massivas magnéticas da nossa Galáxia e num sistema binário massivo em interação ativa (Cl*NGC346 SSN7) localizado no núcleo da região de formação estelar mais massiva NGC346, na Pequena Nuvem de Magalhães, conseguiram detetar campos magnéticos da ordem de kiloGauss. Na superfície do nosso Sol, campos magnéticos tão fortes só podem ser detetados em pequenas regiões altamente magnetizadas - as manchas solares. As deteções de campos magnéticos nas Nuvens de Magalhães constituem a primeira indicação de que a formação de estrelas massivas se processa em galáxias com populações estelares jovens de forma semelhante à da nossa Galáxia.

// Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)

 


Quer saber mais?

Campo magnético estelar:
Wikipedia

Polarização circular:
Wikipedia

Nuvens de Magalhães:
Pequena Nuvem de Magalhães (SEDS)
Pequena Nuvem de Magalhães (Wikipedia)
Grande Nuvem de Magalhães (SEDS)
Grande Nuvem de Magalhães (Wikipedia)

NGC 346:
Wikipedia

VLT (Very Large Telescope):
ESO
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  O caso dos buracos negros desaparecidos (via Universidade de Tóquio)
Investigadores do RESCEU (Research Center for the Early Universe) e do Instituto Kavli para a Física e Matemática do Universo da Universidade de Tóquio aplicaram a teoria quântica de campos, bem conhecida e altamente verificada, normalmente aplicada ao estudo do muito pequeno, a um novo alvo, o Universo primitivo. A sua exploração levou à conclusão de que deveria haver muito menos buracos negros em miniatura do que a maioria dos modelos sugere, embora as observações para confirmar este facto devam ser possíveis em breve. O tipo específico de buraco negro em questão poderia ser um candidato à matéria escura. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
Erupção Solar de Classe X Assinala Regresso de Região Ativa

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASASolar Dynamics Observatory
 
Está de volta. A famosa região ativa do Sol que criou incríveis auroras em partes muito menos frequentes da Terra, no início deste mês, sobreviveu à sua rotação no outro lado do Sol - e regressou. No passado dia 27, quando estava a começar a reaparecer no lado virado para a Terra, a região anteriormente designada AR 3664 lançou outra grande erupção solar, mais uma vez na gama da classe X de energia mais elevada. O vídeo em destaque mostra a região ativa emergente no canto inferior esquerdo, tal como captada pelo SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA, em órbita terrestre, no ultravioleta. O vídeo é um "time-lapse" de todo o Sol em rotação durante 24 horas. Observe atentamente a região inferior esquerda para ver a poderosa erupção. Não se espera que as partículas energéticas desse surto e da EMC (ejeção de massa coronal) associada tenham um impacto direto na Terra e desencadeiem auroras impressionantes, mas os cientistas vão manter-se atentos a esta região invulgarmente ativa durante os próximos dias, quando estiver virada para a Terra, para ver o que acontece.
 
   
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