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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
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ciencia viva verao 2024
 
  Astroboletim #2139  
  06/09 a 09/09/2024  
     
 
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Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira
 

Observação noturna do céu de Tavira
Local: Forte do Rato
06/09/2024, 21:00 - Inscrição

Observação solar na praia do Barril
Local: acesso ao trilho para a praia do Barril
10/09/2024, 09:30 - Inscrição

Observação solar na ilha de Tavira
Local: perto dos restaurantes da ilha de Tavira
12/09/2024, 09:30 - Inscrição

A Lua sobre a ponte
Local: Ponte romana - Tavira
13/09/2024, 21:00

(sem inscrição obrigatória)

 
 

Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, duração da iniciativa, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

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EFEMÉRIDES

DIA 06/09: 250.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1892, nascia Edward Victor Appleton, físico inglês que em 1947 ganhou o Prémio Nobel da Física ao provar a existência da ionosfera em 1924.
Em 1899, era fundada a Sociedade Astronómica e Astrofísica da América, agora com o nome Sociedade Astronómica Americana.
Em 1997 era descoberta a primeira lua irregular de ÚranoCaliban, por Brett J. Galdman (Instituto Canadiano para a Astrofísica Teórica), Philip D. Nicholson (Universidade de Cornell), Joseph A. Burns (Universidade de Cornell) e JJ Kavelaars (Universidade McMaster). 

Estavam usando o telescópio Hale de 5 metros do monte PalomarÚrano tem 28 luas conhecidas.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua Crescente brilha cerca de 18º (quase dois punhos à distância do braço esticado) para a esquerda ou para cima e para a esquerda de Vénus ao lusco-fusco. Espiga é a estrela como que "colada" logo ao lado do nosso satélite natural.

 

DIA 07/09: 251.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1914, nascia James Van Allen, cientista americano, instrumental no estabelecimento do campo da pesquisa magnetosférica no espaço.

As cinturas de Van Allen têm o seu nome.
Em 1995, lançamento da missão STS-69 do vaivém espacial Endeavour. Foi o 100.º voo espacial bem sucedido da NASA.
HOJE, NO COSMOS:
Antes do nascer-do-Sol, tente avistar o planeta Mercúrio baixo a este-nordeste.

 

DIA 08/09: 252.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1966 estreia a série televisiva "Star Trek", inspirando o interesse de uma geração pelo espaço, astronomia, tecnologia, efeitos especiais e sistemas sociais alternativos. 

Em 1967, lançamento da sonda Surveyor 5. Aterrou no Mar da Tranquilidade 3 dias depois e enviou mais de 19.000 imagens para a Terra. 
Em 1999, passagem mais próxima do asteroide 699 Hela pela Terra (0,644 UA). 
Em 2000, lançamento da missão STS-106 do vaivém Atlantis
Em 2004, a sonda Genesis da NASA colide com a Terra quando o seu pára-quedas falha em abrir.
Em 2016, a NASA lança a OSIRIS-REx, a primeira missão de recolha de amostras de um asteroide da agência espacial. A sonda visitou 101955 Bennu e regressou em setembro de 2023 à Terra com amostras do astro.
HOJE, NO COSMOS:
Já podemos ver, nas estrelas, que a estação está a mudar: chegámos àquela altura do ano em que, ao cair da noite, Cassiopeia está tão alta a nordeste quanto a Ursa Maior a noroeste.
Quase no ponto médio entre as duas constelações está a Estrela Polar.

 

DIA 09/09: 253.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1789 nascia William Cranch Bond, astrónomo americano e o primeiro diretor do Observatório de Harvard College. Pioneiro na fotografia celeste, descobriu o sétimo satélite de Saturno, Hiperião, juntamente com o seu filho George.
Em 1839, John Herschel faz a primeira fotografia em chapa de vidro.
Curiosamente, a foto era do telescópio de 12 metros do seu pai, William Herschel, que caíra em desuso durante algumas décadas e que foi depois desmontado. 
Em 1892, o astrónomo Edward Emerson Barnard, do Observatório Lick descobre o satélite mais interior de Júpiter, Amalteia

Em 1975, lançamento da Viking 2, orbitador e módulo de aterragem marciano. No solo, o módulo operou durante 1316 dias (ou 1281 sols). Em órbita, a sonda enviou quase 16.000 imagens em 706 órbitas.
Em 1994, lançamento da missão STS-64 do vaivém Discovery.
Em 2006, lançamento da missão STS-115 do vaivém espacial Atlantis.
HOJE, NO COSMOS:
Conjunção de Mercúrio-Régulo. Antes do nascer-do-Sol, observe novamente Mercúrio baixo a este-nordeste. Utilize uns binóculos para discernir a estrela Régulo, de Leão, logo ao lado do planeta, um pouco para baixo e para a sua direita.

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Webb revela uma galáxia distorcida que está a formar um ponto de interrogação cósmico
 
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O enxame de galáxias MACS-J0417.5-1154 é tão massivo que está a deformar o tecido do espaço-tempo e a distorcer a aparência das galáxias que se encontram atrás dele, um efeito conhecido como lente gravitacional. Este fenómeno natural amplia as galáxias distantes e pode também fazê-las aparecer numa imagem várias vezes, como o Telescópio Espacial James Webb da NASA viu aqui. Duas galáxias distantes e em interação - uma espiral vista de face e uma galáxia vermelha e poeirenta vista de lado - aparecem várias vezes, traçando uma forma familiar no céu. A formação estelar ativa e a forma espiral notavelmente intacta da galáxia vista de face indicam que a interação destas galáxias está apenas no início. Ver aqui a imagem rotulada, que indica a posição repetida das duas galáxias.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STSCI, V. Estrada-Carpenter (Universidade de Saint Mary)
 

Viajemos 7 mil milhões de anos para o passado: o auge da formação estelar do Universo está a começar a abrandar. Qual terá sido o aspeto da nossa Galáxia, a Via Láctea, nessa altura? Os astrónomos que utilizam o Telescópio Espacial James Webb da NASA encontraram pistas sob a forma de um ponto de interrogação cósmico, resultado de um alinhamento raro ao longo de anos-luz de espaço.

"Conhecemos apenas três ou quatro ocorrências de configurações semelhantes de lentes gravitacionais no Universo observável, o que torna esta descoberta excitante, uma vez que demonstra o poder do Webb e sugere que talvez agora encontremos mais destas", disse o astrónomo Guillaume Desprez da Universidade de Saint Mary em Halifax, Nova Escócia, Canadá, membro da equipa que apresentou os resultados do Webb.

Embora esta região tenha sido observada anteriormente com o Telescópio Espacial Hubble da NASA, a galáxia vermelha e poeirenta que forma o intrigante ponto de interrogação só foi visível com o Webb. Isto resulta do facto dos comprimentos de onda da luz que o Hubble deteta ficarem presos na poeira cósmica, enquanto que os comprimentos de onda mais longos da luz infravermelha conseguem passar e ser detetados pelos instrumentos do Webb.

 
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O Telescópio Espacial Hubble também observou o enxame de galáxias MACS-J0417.5-1154, mas a galáxia vermelha empoeirada que aparece várias vezes para formar um ponto de interrogação é muito mais proeminente na imagem do Telescópio Espacial James Webb. A luz infravermelha que o Webb deteta consegue atravessar melhor a poeira cósmica da sua galáxia natal para chegar ao telescópio. Os astrónomos utilizaram as observações ultravioletas do Hubble para ajudar a determinar onde está a ocorrer a formação estelar tanto na galáxia vermelha como na sua companheira próxima, uma galáxia espiral vista de face.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STSCI, V. Estrada-Carpenter (Universidade de Saint Mary)
 

Os astrónomos utilizaram ambos os telescópios para observar o enxame de galáxias MACS-J0417.5-1154, que atua como uma lupa porque o enxame é tão massivo que deforma o tecido do espaço-tempo. Isto permite aos astrónomos verem mais pormenores em galáxias muito mais distantes atrás do enxame. No entanto, os mesmos efeitos gravitacionais que ampliam as galáxias também causam distorção, resultando em galáxias que aparecem espalhadas pelo céu em arcos e até aparecem várias vezes. A estas ilusões óticas no espaço chama-se lente gravitacional.

A galáxia vermelha revelada pelo Webb, juntamente com uma galáxia espiral com a qual está a interagir e que foi anteriormente detetada pelo Hubble, estão a ser ampliadas e distorcidas de uma forma invulgar, o que requer um alinhamento particular e raro entre as galáxias distantes, a lente e o observador - algo a que os astrónomos chamam uma lente gravitacional hiperbólica umbilical. Isto explica as cinco imagens do par de galáxias vistas na imagem do Webb, quatro das quais traçam o topo do ponto de interrogação. O ponto do ponto de interrogação é uma galáxia não relacionada que, por acaso, está no sítio e no espaço-tempo certos, da nossa perspetiva.

Para além de produzir um estudo de caso da capacidade do instrumento NIRISS (Near-Infrared Imager and Slitless Spectrograph) do Webb para detetar locais de formação estelar numa galáxia a milhares de milhões de anos-luz de distância, a equipa de investigação também não resistiu a destacar a forma do ponto de interrogação. "Isto é incrível. Foi por causa de imagens espantosas como esta que me interessei pela astronomia quando era jovem", disse o astrónomo Marcin Sawicki da Universidade de Saint Mary, um dos principais investigadores da equipa.

 
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Visão de campo largo: o enxame de galáxias MACS-J0417.5-1154 é tão massivo que está a deformar o tecido do espaço-tempo e a distorcer a aparência das galáxias que se encontram atrás dele, um efeito conhecido como lente gravitacional. Este fenómeno natural amplia as galáxias distantes e pode também fazê-las aparecer numa imagem várias vezes, como o Telescópio Espacial James Webb da NASA viu aqui. Duas galáxias distantes e em interação - uma espiral vista de lado e uma galáxia vermelha e poeirenta vista de face - aparecem várias vezes, traçando uma forma familiar no céu. A formação estelar ativa e a forma espiral notavelmente intacta da galáxia vista de face indicam que a interação destas galáxias está apenas no início.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, V. Estrada-Carpenter (Universidade de Saint Mary)
 

"Saber quando, onde e como ocorre a formação estelar nas galáxias é crucial para compreender como as galáxias evoluíram ao longo da história do Universo", disse o astrónomo Vicente Estrada-Carpenter da Universidade de Saint Mary, que usou os dados ultravioleta do Hubble e infravermelhos do Webb para mostrar onde se estão a formar novas estrelas nas galáxias. Os resultados mostram que a formação estelar é generalizada em ambas. Os dados espetrais também confirmaram que a galáxia poeirenta recém-descoberta está localizada à mesma distância que a galáxia espiral vista de face, e é provável que estejam a começar a interagir.

"Ambas as galáxias do par 'ponto de interrogação' mostram formação estelar ativa em várias regiões compactas, provavelmente resultado da colisão do gás das duas galáxias," disse Estrada-Carpenter. "No entanto, a forma de nenhuma das galáxias parece muito perturbada, pelo que provavelmente estamos a ver o início da sua interação."

"Estas galáxias, vistas há milhares de milhões de anos, quando a formação estelar estava no seu auge, são semelhantes à massa que a Via Láctea teria nessa altura. O Webb está a permitir-nos estudar como teria sido a adolescência da nossa própria Galáxia," disse Sawicki.

As imagens e os espetros do Webb utilizados nesta investigação provêm do levantamento CANUCS (Canadian NIRISS Unbiased Cluster Survey). O trabalho de investigação foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Lentes gravitacionais:
Wikipedia
Lente gravitacional forte (Wikipedia)

Levantamento CANUCS (Canadian NIRISS Unbiased Cluster Survey):
Página principal

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST

 
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O impacto de um asteroide deslocou o eixo da maior lua do Sistema Solar
 
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Hirata Naoyuki, Universidade de Kobe, foi o primeiro a aperceber-se de que a localização do impacto de um asteroide na lua de Júpiter, Ganimedes, se situa quase exatamente no meridiano mais afastado de Júpiter. Este facto implicava que Ganimedes tinha sofrido uma reorientação do seu eixo de rotação e permitiu a Hirata calcular o tipo de impacto que poderia ter provocado esta situação.
Crédito: Hirata Naoyuki
 

Há cerca de 4 mil milhões de anos, um asteroide atingiu a lua de Júpiter, Ganimedes. Agora, um investigador da Universidade de Kobe, no Japão, apercebeu-se de que o eixo da maior lua do Sistema Solar se deslocou em resultado do impacto, o que confirma que o asteroide era cerca de 20 vezes maior do que aquele que pôs fim à era dos dinossauros na Terra, e causou um dos maiores impactos com vestígios claros no Sistema Solar.

Ganimedes é a maior lua do Sistema Solar, maior até do que o planeta Mercúrio, e é também interessante pelos oceanos de água líquida que se encontram sob a sua superfície gelada. Tal como a Lua da Terra, sofre acoplamento de maré, o que significa que mostra sempre o mesmo lado para o planeta que orbita e, portanto, também tem um lado oculto [para Júpiter]. Em grande parte da sua superfície, está coberta por sulcos que formam círculos concêntricos à volta de um ponto específico, o que levou os investigadores na década de 1980 a concluir que eram o resultado de um grande impacto. "As luas de Júpiter Io, Europa, Ganimedes e Calisto têm todas características individuais interessantes, mas o que me chamou a atenção foram estes sulcos em Ganimedes", diz o planetólogo da Universidade de Kobe, Hirata Naoyuki. E continua: "Sabemos que esta característica foi criada por um impacto de um asteroide há cerca de 4 mil milhões de anos, mas não tínhamos a certeza da dimensão desse impacto e do efeito que teve na lua".

Os dados sobre o objeto remoto são escassos, o que torna a investigação muito difícil, pelo que Hirata foi o primeiro a perceber que a suposta localização do impacto se situa quase precisamente no meridiano mais afastado de Júpiter. Com base em semelhanças com um evento de impacto em Plutão que causou a deslocação do eixo de rotação do planeta anão e do qual tomámos conhecimento através da sonda espacial New Horizons, isto implicava que Ganimedes também tinha sofrido uma reorientação desse tipo. Hirata é especialista na simulação de impactos em luas e asteroides, pelo que esta descoberta lhe permitiu calcular que tipo de impacto poderia ter provocado esta reorientação.

 
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Distribuição dos sulcos e localização do centro do sistema de sulcos no hemisfério que está sempre voltado para longe de Júpiter (em cima) e no mapa de projeção cilíndrica de Ganimedes (em baixo). As regiões a cinzento representam terrenos geologicamente jovens sem sulcos. Os sulcos (linhas verdes) existem apenas em terrenos geologicamente antigos (regiões escuras).
Crédito: Hirata Naoyuki

 

Na revista Scientific Reports, o investigador da Universidade de Kobe publicou agora que o asteroide tinha provavelmente um diâmetro de cerca de 300 quilómetros, cerca de 20 vezes maior do que o que atingiu a Terra há 65 milhões de anos e pôs fim à era dos dinossauros, e criou uma cratera transiente com 1400 a 1600 quilómetros de diâmetro (as crateras transientes, amplamente utilizadas em simulações laboratoriais e computacionais, são as cavidades produzidas diretamente após a criação da cratera e antes do material assentar na cratera e à sua volta). De acordo com as suas simulações, apenas um impacto desta dimensão tornaria provável que a mudança na distribuição da massa pudesse fazer com que o eixo de rotação da lua se deslocasse para a sua posição atual. Este resultado é válido independentemente do local da superfície onde ocorreu o impacto.

"Eu quero compreender a origem e a evolução de Ganimedes e de outras luas de Júpiter. A colisão gigante deve ter tido um impacto significativo na evolução inicial de Ganimedes, mas os efeitos térmicos e estruturais do impacto no interior de Ganimedes ainda não foram investigados. Penso que a seguir poderá ser efetuada mais investigação sobre a evolução interna das luas geladas", explica Hirata.

Interessante pelos seus oceanos subterrâneos, Ganimedes é o destino final da sonda espacial JUICE da ESA. Se tudo correr bem, a nave espacial entrará em órbita à volta da lua em 2034 e fará observações durante seis meses, enviando uma grande quantidade de dados que ajudarão a responder às perguntas de Hirata.

// Universidade de Kobe (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Scientific Reports)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Ganimedes:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Júpiter:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Nine Planets
Wikipedia

JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer):
ESA
Wikipedia

 
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As calotas polares marcianas não são iguais - eis porquê
 
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Esta imagem mostra canais erodidos, perto dos polos marcianos, cheios de dióxido de carbono gelado e brilhante, em contraste com o vermelho suave do solo subjacente. No verão, o gelo desaparece para a atmosfera, deixando apenas os fantasmagóricas canais araneiforme esculpidos na superfície.
Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona
 

Há séculos que se observam os brilhantes polos marcianos, mas só nos últimos 50 anos é que os cientistas descobriram que são constituídos maioritariamente por dióxido de carbono que entra e sai da atmosfera ao ritmo das estações. Mas a forma exata como isto acontece é uma interação complexa de processos planetários que os cientistas estão continuamente a tentar determinar.

A cientista sénior Candice Hansen, do PSI (Planetary Science Institute), no estado norte-americano do Arizona, lidera um novo artigo científico publicado na revista Icarus que junta décadas de investigação passada com observações mais recentes recolhidas pelo instrumento HiRISE (High-Resolution Imaging Experiment) da MRO (Mars Reconnaissance Orbiter), para comparar a forma como os polos marcianos diferem na sua absorção e libertação sazonal de dióxido de carbono.

"Todos os investigadores sabem que há uma diferença na forma como o dióxido de carbono interage com os polos, mas quantos compreendem porquê?" disse Hansen. "Era isso que eu estava a tentar descrever. E, felizmente, tenho uma série de coautores muito talentosos que estavam dispostos a ajudar".

O objetivo era lançar luz sobre os processos que moldam a superfície do planeta, bem como o clima geral de Marte - uma vez que cerca de um-quarto da sua atmosfera encontra-se num ciclo ao longo do ano marciano.

Tal como a Terra, Marte gira com uma inclinação de cerca de 25 graus, pelo que tem estações, mas a trajetória muito mais longa de Marte à volta do Sol é também mais oblonga - ou aquilo a que os cientistas chamam excêntrica - do que a da Terra.

Se a trajetória de Marte à volta do Sol fosse um círculo perfeito, todas as suas estações seriam igualmente longas. Mas a sua excentricidade coloca Marte mais afastado do Sol durante o outono e o inverno meridionais - que são simultaneamente a primavera e o verão setentrionais - o que significa que estas estações para cada hemisfério são as mais longas do planeta. O hemisfério sul de Marte é também significativamente mais elevado do que o hemisfério norte.

"Assim, em última análise, o outono e o inverno meridionais são os mais gelados e com menor pressão atmosférica", uma vez que grande parte da atmosfera está congelada sob a forma de gelo seco, disse Hansen. "Estes são os principais factores das diferenças no comportamento sazonal do dióxido de carbono entre os hemisférios".

O inverno setentrional de Marte, em contraste, não só é mais curto do que o inverno meridional, como também coincide com a época das tempestades de poeira. Como resultado, a calota polar norte contém uma maior concentração de poeira do que a calota polar sul, tornando o gelo menos robusto.

"Não são estações simétricas", disse Hansen.

De acordo com o artigo científico, as diferenças entre os terrenos dos polos norte e sul também têm impacto na forma como o gelo e o dióxido de carbono moldam a paisagem.

Por exemplo, no hemisfério sul, "leques" de poeira escura estão distribuídos por toda a paisagem.

"No outono, no hemisfério sul, forma-se uma camada de dióxido de carbono gelado que, ao longo do inverno, se torna mais espessa e translúcida", disse Hansen. "Depois, na primavera, o Sol nasce e a luz penetra nesta camada de gelo até ao fundo, aquecendo o solo por baixo".

O solo quente transforma então o dióxido de carbono gelado em gás, um processo chamado sublimação.

"Agora, o gás está preso sob pressão", disse Hansen. "Vai procurar qualquer ponto fraco no gelo e romper como uma rolha de champanhe".

Assim que encontra um ponto fraco, o gelo rompe-se e o gás vaza pela rutura, esculpindo a superfície ao longo do caminho, criando uma rede de canais que se estendem pela paisagem. Estes canais são chamados araneiformes devido ao seu aspeto de aranha.

Quando o gás rompe o gelo, sopra poeira escura para a atmosfera.

"Acontece que a meteorologia também é muito importante nesta imagem, porque a partir daí, a poeira é soprada por qualquer vento que esteja presente e aterra num depósito em forma de leque", disse Hansen.

 
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Araneiformes na região polar sul marciana, onde o dióxido de carbono escapa por baixo da calota sazonal.
Crédito: Hansen et. al
 

O geofísico Hugh Kieffer descreveu esse processo em 2006. Alguns anos mais tarde, Hansen seguiu o seu próprio modelo para a calota polar norte, que também apresenta leques na primavera.

Descobriu que os mesmos fenómenos ocorrem no norte, mas em vez de um terreno relativamente plano, estes processos ocorrem em dunas de areia.

"Quando o Sol nasce e começa a sublimar a parte inferior da camada de gelo, existem três pontos fracos - um na crista da duna, outro na parte inferior da duna, onde esta se encontra com a superfície, e depois o próprio gelo pode rachar ao longo da encosta", disse Hansen. "Não foi detetado nenhum terreno araneiforme a norte porque, apesar de se desenvolverem sulcos pouco profundos, o vento suaviza a areia das dunas".

Como membro da equipa da HiRISE, Hansen vê mudanças na superfície marciana ao longo de anos, meses e até dias.

"A maioria dos meus colegas estuda as mudanças que aconteceram em Marte há 3,5 mil milhões de anos, mas eu estou a falar de coisas que aconteceram no mês passado", disse Hansen. "Marte está ativo hoje".

// PSI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Icarus)

 


Quer saber mais?

Marte:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
The Nine Planets
Atmosfera de Marte (Wikipedia)
Terreno araneiforme (Wikipedia)

 
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Também em destaque
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exemplo   Os investigadores descobriram uma raridade espacial - um exoplaneta que se move de forma misteriosa (via Universidade de Lund)
Uma equipa de investigação descobriu um pequeno planeta que apresenta um movimento orbital peculiar. O planeta, localizado a 455 anos-luz da Terra, mostra que os sistemas planetários podem ser consideravelmente mais complexos do que os investigadores pensavam. O recém-descoberto planeta TOI-1408c tem uma massa equivalente a oito Terras e circula muito próximo de um planeta maior, o gigante de gás quente TOI-1408b. Ler fonte
     
  Galáxias "dançantes" fazem um monstro no alvorecer cósmico (via Observatório ALMA)
Usando o poder combinado do Telescópio Subaru e do radiotelescópio ALMA, os astrónomos descobriram um sistema onde duas galáxias distantes, localizadas a 12,8 mil milhões de anos-luz de distância, estão em processo de fusão. Estas galáxias, que albergam quasares ténues nos seus centros, poderão ser os antepassados dos quasares mais brilhantes e massivos no Universo primitivo, lançando luz sobre os processos misteriosos que desencadeiam o crescimento explosivo de buracos negros supermassivos. Ler fonte
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Álbum de fotografias
NFIs e o Grupo NGC 7771

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Steve Mandel e Bob Fera
 
As galáxias do Grupo NGC 7771 encontram-se em destaque nesta intrigante paisagem estelar. A cerca de 200 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação de Pégaso, NGC 7771 é a grande espiral, vista de lado, perto do centro, com cerca de 75.000 anos-luz de diâmetro e com duas galáxias mais pequenas por baixo. A grande espiral NGC 7769 pode ser vista de face à direita. As galáxias do grupo NGC 7771 estão a interagir, fazendo repetidas passagens próximas que acabarão por resultar em fusões galácticas numa escala cósmica de tempo. As interações podem ser detetadas por distorções na forma das próprias galáxias e por ténues correntes estelares criadas pelas suas marés gravitacionais mútuas. Mas uma visão clara deste grupo de galáxias é difícil de obter, uma vez que a imagem profunda revela também extensas nuvens de poeira em primeiro plano que atravessam o campo de visão. As nuvens de cirros galácticos, escuras e poeirentas, são conhecidas como Nebulosas de Fluxo Integrado. As ténues NFIs refletem a luz das estrelas da nossa Galáxia, a Via Láctea, e encontram-se apenas algumas centenas de anos-luz acima do plano galáctico.
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