DIA 01/11: 306.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1962, lançamento da Mars 1. No dia 21 de março de 1963, quando a sonda estava a 106.760.000 km da Terra, as comunicações falham. Orbita agora o Sol.
Em 1963, é inaugurado oficialmente o Observatório de Arecibo em Porto Rico.
Foi o maior radiotelescópio já construído até julho de 2016, quando o chinês FAST tomou o seu lugar. HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 12:47.
DIA 02/11: 307.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1885, nascimento de Harlow Shapley, pioneiro americano na determinação da distância das estrelas, enxames e do centro da Via Láctea.
Corajosamente e corretamente afirmava que os enxames globulares encontravam-se à volta da Galáxia e que esta era muito maior do que inicialmente se pensava, centrada a milhares de anos-luz na direção de Sagitário. Foi diretor do Observatório de Harvard durante muitos anos.
Em 1917, inauguração do telescópio de 100 polegadas do Monte Wilson.
Em 2000, chegava à ISS a primeira tripulação residente, a bordo da Soyuz TM-31. A ISS tem sido tripulada continuamente desde aí. HOJE, NO COSMOS:
Todos os anos, entre finais de outubro e meados de novembro, um meteoro verdadeiramente deslumbrante das Taurídeas pode apanhá-lo de surpresa durante a noite. Se tiver muita sorte, isto é.
Normalmente, as chuvas de meteoros das Taurídeas Sul e Norte são fracas e escassas. Em condições ideais, podem ver-se 5 ou 10 pequenos meteoros por hora durante o mal definido pico, que até dura várias semanas, quando os dois ramos das chuvas se sobrepõem. Ambas incluem detritos lançados pelo cometa 2P/Encke, mas uma análise recente mostra que uma série de outros objetos - asteroides próximos da Terra, fragmentos de colisões e núcleos de cometas inativos - podem estar a criar vários fluxos de partículas que se sobrepõem. Consequentemente, ambos os componentes das Taurídeas têm "máximos" de longa duração que não são fáceis de determinar.
O que torna as Taurídeas potencialmente excitantes é o facto de os seus pequenos números serem conhecidos por uma elevada proporção de brilhantes bolas de fogo - ocasionalmente, uma até extremamente brilhante aparece nas notícias.
As Taurídeas atingem a atmosfera a uma velocidade relativamente lenta de 30 km por segundo. Se vir um meteoro especialmente brilhante e lento nestas noites, verifique se a sua linha de voo, se ao traçá-la para trás ao longo do céu, interseta mais ou menos os lados do enxame das Plêiades da constelação de Touro.
DIA 03/11: 308.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1957, primeira forma de vida e morte terrestre no espaço: a cadela Laika é lançada a bordo do soviético Sputnik 2.
Até 2002, pensava-se que ela tinha morrido depois de uma semana em órbita. Mas nesse ano foi tornada pública a verdadeira causa e hora da sua morte: a Laika morreu em poucas horas devido a demasiado calor, possivelmente provocado por uma falha do componente R-7 em separar-se da carga.
Em 1973 era lançada a Mariner 10. Chegou a Vénus a 5 de fevereiro de 1974, maior aproximação a 5700 km. Devolveu imagens do topo das nuvens venusianas. A 29 de março de 1974, torna-se na primeira sonda a alcançar Mercúrio. HOJE, NO COSMOS:
Já chegámos a novembro e Deneb ainda brilha perto do zénite ao anoitecer. E a mais brilhante Vega não está muito longe, para oeste. E a terceira estrela do Triângulo de "Verão", Altair, permanece muito alta a sudoeste. Parecem estar mais ou menos por aqui há um par de meses! Porque é que "pararam"? O que está a ver é o resultado do pôr-do-Sol e do anoitecer chegarem cada vez mais cedo durante o outono. O que significa que se sair à rua para observar as estrelas, pouco depois do anoitecer, estará a fazê-lo cada vez mais cedo, de acordo com os ponteiros do relógio. Isto contraria a viagem para oeste das constelações. Se se habituar a fazer as suas observações astronómicas sempre à mesma hora, as constelações teriam sempre o comportamento habitual. Claro que este "efeito do Triângulo de Verão" aplica-se a toda a esfera celeste, não apenas ao Triângulo de Verão. E claro, como sempre no que respeita à mecânica celeste, o efeito oposto faz o avanço sazonal das constelações parecer "acelerar" na primavera. Os marcos primaveris de Virgem e Corvo vão mover-se para oeste semana após semana antes que nos apercebamos, graças à escuridão que vem mais tarde. Podemos chamar a este efeito de "efeito de Corvo".
DIA 04/11: 309.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 2003 foi registada a mais forte erupção solar conhecida. HOJE, NO COSMOS:
Ao anoitecer, aviste Vénus, baixo a sudoeste. Consegue observar a fina Lua Crescente, mesmo por baixo do brilhante planeta?
Descobertos discos protoplanetários em torno de anãs castanhas na Nebulosa de Orionte
Imagem infravermelha do centro da Nebulosa de Orionte obtida com o instrumento NIRCam (Near Infrared Camera) do Telescópio Espacial James Webb. As inserções mostram imagens ampliadas de dois "proplyds" ténues do Telescópio Espacial Hubble em comprimentos de onda óticos e depois do Webb em comprimentos de onda infravermelhos. Para cada "proplyd", é detetado em silhueta na imagem ótica um pequeno disco protoplanetário, que está rodeado por uma frente de ionização brilhante que é produzida pela intensa radiação UV das estrelas mais massivas. A anã castanha no centro de cada disco é detetada na imagem infravermelha do Webb. A espetroscopia do instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb confirmou que estes objetos são anãs castanhas com base nas suas temperaturas frias.
Crédito: NASA/ESA/CSA, Mark McCaughrean/ESA, Massimo Robberto/STSCI/JHU, Kevin Luhman/Universidade do Estado da Pensilvânia, Catarina Alves de Oliveira/ESA
As estrelas recém-nascidas estão rodeadas por discos de gás e poeira, a que se dá o nome de discos protoplanetários, no interior dos quais nascem os planetas. Na Nebulosa de Orionte (ou M42), as estrelas mais brilhantes e massivas emitem intensa radiação ultravioleta que ilumina os discos protoplanetários, permitindo que sejam fotografados com um raro detalhe. As imagens impressionantes destes discos protoplanetários iluminados pela radiação UV, chamados "proplyds" (discos protoplanetários ionizados), foram uma das primeiras grandes descobertas do Telescópio Espacial Hubble da NASA, há décadas atrás. Um novo estudo realizado por uma equipa internacional de investigadores utilizou o Telescópio Espacial James Webb da NASA para revelar que alguns dos "proplyds" originalmente detetados pelo Hubble rodeiam anãs castanhas, que são objetos semelhantes a estrelas, mas demasiado pequenos e frios para fundir hidrogénio. Os novos resultados do Webb vão ajudar os astrónomos a compreender melhor como as anãs castanhas se formam, a sua relação com as estrelas e os planetas e se podem até albergar planetas.
O artigo científico que descreve as observações foi aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal e está disponível online como pré-publicação.
"As estrelas nascem no interior de enormes nuvens de gás e poeira no espaço, que podem ter anos-luz de diâmetro, as chamadas nebulosas", disse Kevin Luhman, professor de astronomia e astrofísica na Universidade do Estado da Pensilvânia, EUA, um dos líderes da equipa de investigação. "Durante décadas, os astrónomos suspeitaram que, pouco depois de uma estrela coalescer dentro de uma nebulosa, os planetas nascem dentro de um disco de gás e poeira que rodeia a estrela recém-nascida, conhecido como disco protoplanetário".
Pouco depois do seu lançamento em 1990, o Telescópio Espacial Hubble revelou algumas das fotografias diretas mais nítidas de discos protoplanetários através de observações da Nebulosa de Orionte. M42 contém cerca de 2000 estrelas recém-nascidas e é uma das nebulosas de formação estelar mais próximas do nosso Sistema Solar, localizada a 1300 anos-luz de distância.
"Alguns dos objetos nascidos em nebulosas como a de Orionte têm massas demasiado pequenas para fundirem hidrogénio, pelo que são frios e ténues e não se qualificam como estrelas de pleno direito", disse Catarina Alves de Oliveira, chefe da Divisão de Desenvolvimento de Operações Científicas da ESA e também líder da equipa de investigação. "Estes corpos semelhantes a estrelas que não têm fusão são conhecidos como anãs castanhas. A questão é: será que conseguimos encontrar 'proplyds' à volta de alguma das anãs castanhas em Orionte?"
Pouco depois das anãs castanhas terem sido descobertas, em meados da década de 1990, os astrónomos começaram a perguntar-se se elas também poderiam abrigar discos protoplanetários. Alguns dos "proplyds" detetados pelo Hubble na década de 1990 pareciam rodear objetos suficientemente ténues para serem anãs castanhas, mas os cientistas não possuíam as medições necessárias para confirmar que tinham as temperaturas frias das anãs castanhas. Era necessário um telescópio infravermelho mais sensível para efetuar essas medições.
Lançado em dezembro de 2021, o Telescópio Espacial James Webb da NASA é o telescópio infravermelho mais potente até à data, o que o torna perfeitamente adequado para medir as temperaturas de objetos ténues na Nebulosa de Orionte que possam ser anãs castanhas, incluindo os mais ténues "proplyds" que foram fotografados pelo Hubble há 30 anos.
A equipa de astrónomos efetuou medições espetroscópicas infravermelhas numa pequena amostra de candidatas a anã castanha em Orionte utilizando o NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb. Estes dados confirmaram que 20 objetos são suficientemente frios para serem anãs castanhas, os mais pequenos dos quais podem ter massas equivalentes a apenas 0,5% da do Sol, ou cinco massas de Júpiter. Dois outros objetos estão perto da massa mínima para a fusão - 7,5% da massa do Sol - pelo que não é claro se são pequenas estrelas ou anãs castanhas grandes. A amostra de novas anãs castanhas inclui dois "proplyds" ténues detetados pelo Hubble na década de 1990, o que os torna dois dos "proplyds" mais frios e menos massivos encontrados até à data.
"As novas observações do Webb apenas 'arranharam a superfície' em termos de anãs castanhas em Orionte," disse Luhman. "A nebulosa contém algumas centenas de objetos ténues que podem ser anãs castanhas e que estão prontos para serem estudados espetroscopicamente com o Webb. Observações futuras de Orionte, com o Webb, poderão potencialmente encontrar muitos mais exemplos de 'proplyds' em torno de anãs castanhas e determinar o limite inferior de massa para as anãs castanhas. Esta informação ajudar-nos-á a preencher as lacunas no nosso conhecimento sobre a formação das anãs castanhas e da sua relação com as estrelas e planetas".
Investigadores descobriram uma das estrelas com rotação mais rápida do Universo
Imagem, gerada por IA (inteligência articial), de um sistema estelar binário constituído por uma anã branca e por uma estrela de neutrões. Para efeitos meramente ilustrativos.
Crédito: DALL·E
A Via Láctea ainda guarda muitos segredos sobre o Universo. Agora, investigadores da DTU (Danmarks Tekniske Universitet, em português Universidade Técnica da Dinamarca) conseguiram descobrir mais um deles utilizando um telescópio espacial de raios X montado na Estação Espacial Internacional. Trata-se de um objeto pequeno, mas extremamente massivo e de rotação rápida - uma estrela de neutrões, que faz parte de um sistema estelar binário de raios X denominado 4U 1820-30. Encontra-se na constelação de Sagitário, perto do centro da nossa Galáxia.
"Estávamos a estudar as erupções termonucleares deste sistema e encontrámos oscilações notáveis, sugerindo que uma estrela de neutrões girava em torno do seu eixo central a uma velocidade espantosa de 716 vezes por segundo", diz o Dr. Gaurava K. Jaisawal, cientista sénior da DTU Space, que faz parte de uma equipa internacional de investigadores por detrás da nova descoberta e que é o primeiro autor de um artigo científico publicado na famosa revista The Astrohysical Journal.
"Se observações futuras confirmarem este facto, a estrela de neutrões 4U 1820-30 será um dos objetos de rotação mais rápida alguma vez observados no Universo, apenas igualado por outra estrela de neutrões chamada PSR J1748-2446".
A estrela de neutrões foi observada utilizando o telescópio de raios X NICER da NASA, equipado com tecnologia de rastreio de estrelas da DTU Space e montado no exterior da Estação Espacial Internacional. O sistema de câmara de rastreio estelar assegura que o instrumento de raios X aponta constantemente na direção certa e aponta corretamente para as pequenas estrelas de neutrões distantes na Via Láctea.
O NICER (Neutron star Interior Composition Explorer) da NASA é um telescópio de raios-x instalado na Estação Espacial Internacional.
Crédito: NASA
Um fenómeno muito extremo e muito distante
Uma estrela de neutrões consiste do remanescente de uma estrela grande e massiva que explodiu como supernova. Conhecem-se milhares de estrelas de neutrões e são extremas em muitos aspetos.
São os objetos mais densos que podem ser observados no cosmos. A estrela de neutrões em questão tem apenas 12 km de diâmetro, mas tem uma massa 1,4 vezes superior à do Sol.
Está localizada a 26.000 anos-luz de distância da Terra. Em comparação, a distância à estrela mais próxima, de nome Proxima Centauri, é de cerca de 4,3 anos-luz. Isto significa que a luz de Proxima Centauri demora 4,3 anos a chegar à Terra, enquanto a luz da estrela de neutrões viaja durante 26.000 anos antes de a podermos observar na Terra.
A estrela de neutrões faz parte de um sistema estelar binário de raios X. Este sistema é constituído por duas estrelas que se orbitam uma à outra. O que também é peculiar no sistema 4U 1820-30 é o facto da estrela companheira ser uma anã branca com aproximadamente o mesmo tamanho da Terra. Sabe-se que orbita a estrela de neutrões a cada 11 minutos, o que faz deste o sistema com o mais curto período orbital conhecido.
Uma erupção tão poderosa como uma bomba atómica
Devido à sua intensa gravidade, a estrela de neutrões retira material da sua estrela companheira. Quando se acumula material suficiente na sua superfície, ocorre uma violenta explosão termonuclear na estrela de neutrões, semelhante a uma bomba atómica.
"Durante estas erupções, a estrela de neutrões torna-se até 100.000 vezes mais brilhante do que o Sol, libertando uma quantidade imensa de energia", explica o professor Associado da DTU Space, Jerome Chenevez, que contribuiu para o novo artigo científico.
"Estamos, portanto, a lidar com eventos muito extremos e, ao estudá-los em pormenor, obtemos novos conhecimentos sobre os ciclos de vida dos sistemas estelares binários e sobre a formação de elementos no Universo".
Graças a observações efetuadas com o NICER entre 2017 e 2021, os investigadores descobriram 15 erupções termonucleares de raios X no sistema 4U 1820-30. Foi uma destas erupções que mostrou uma assinatura conhecida como "oscilações de erupções termonucleares", ocorrendo a uma frequência de 716 Hz.
Estas oscilações correspondem à frequência de rotação da própria estrela de neutrões, o que significa que esta gira sobre o seu eixo a uma velocidade recorde de 716 vezes por segundo.
NICER (Neutron Star Interior Composition ExploreR): NASA Wikipedia
Miranda, uma lua de Úrano, pode ter um oceano sob a sua superfície
A lua gelada de Úrano, Miranda, fotografada pela sonda Voyager 2 no dia 24 de janeiro de 1986.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Um novo estudo sugere que a lua Miranda, de Úrano, pode abrigar um oceano de água sob a sua superfície, uma descoberta que desafiaria muitas suposições sobre a história e sobre a composição da lua e poderia colocá-la na companhia dos poucos mundos do nosso Sistema Solar com ambientes potencialmente habitáveis.
"Encontrar evidências de um oceano no interior de um pequeno objeto como Miranda é incrivelmente surpreendente", disse Tom Nordheim, cientista planetário do APL (Applied Physics Laboratory) da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, coautor do estudo e investigador principal do projeto que financiou o estudo. "Ajuda a construir a história de que algumas destas luas de Úrano podem ser realmente interessantes - que podem existir vários mundos oceânicos à volta de um dos planetas mais distantes do nosso Sistema Solar, o que é simultaneamente excitante e bizarro".
Entre as luas do Sistema Solar, Miranda destaca-se. As poucas imagens que a Voyager 2 captou em 1986 mostram que o hemisfério sul de Miranda (a única parte que vimos) é uma mistura tipo Frankenstein de terreno com sulcos, dividido por escarpas ásperas e áreas com crateras, como quadrados numa manta de retalhos. A maioria dos investigadores suspeita que estas estruturas bizarras são o resultado das forças de maré e do aquecimento no interior da lua.
Caleb Strom, um estudante da Universidade de Dakota do Norte que trabalhou com Nordheim e com Alex Patthoff do PSI (Planetary Science Institute) no Arizona, revisitou as imagens da Voyager 2. A equipa propôs-se explicar a enigmática geologia de Miranda através de engenharia inversa das características da superfície, trabalhando para trás para descobrir qual deve ter sido a estrutura interior da lua para moldar a sua geologia em resposta à força das marés.
Depois de mapear as várias características da superfície, como fissuras, cristas e as coronas trapezoidais únicas de Miranda, a equipa desenvolveu um modelo de computador para testar várias estruturas possíveis do interior da lua, fazendo corresponder os padrões de tensão previstos à geologia real da superfície.
A configuração que produziu a melhor correspondência entre os padrões de tensão previstos e as características superficiais observadas exigiu a existência de um vasto oceano sob a superfície gelada de Miranda há cerca de 100-500 milhões de anos. Este oceano subsuperficial tinha pelo menos 100 quilómetros de profundidade, de acordo com o estudo publicado no passado dia 16 de outubro na revista The Planetary Science Journal, e estava escondido sob uma crosta gelada com uma espessura não superior a 30 quilómetros. Dado que Miranda tem um raio de apenas 235 quilómetros, o oceano teria preenchido quase metade do corpo da lua. "Este resultado foi uma grande surpresa para a equipa", disse Strom.
Chave para a criação desse oceano, pensam os investigadores, foram as forças de maré entre Miranda e as luas vizinhas. Estes puxões gravitacionais regulares podem ser amplificados por ressonâncias orbitais - uma configuração em que o período de cada lua em torno de um planeta é um número inteiro exato dos períodos das outras. As luas de Júpiter, Io e Europa, por exemplo, têm uma ressonância de 2:1: por cada duas órbitas que Io faz em torno de Júpiter, Europa faz exatamente uma, o que leva a forças de maré que são conhecidas por manter um oceano sob a superfície de Europa.
Estas configurações orbitais e as forças de maré resultantes deformam as luas como bolas de borracha, levando à fricção e ao calor que mantém os interiores quentes. Isto também cria tensões que racham a superfície, criando uma rica tapeçaria de características geológicas. Simulações numéricas sugeriram que Miranda e as suas luas vizinhas provavelmente tiveram uma ressonância deste tipo no passado, oferecendo um potencial mecanismo que poderia ter aquecido o interior de Miranda para produzir e manter um oceano subsuperficial.
A dada altura, o ballet orbital das luas dessincronizou-se, abrandando o processo de aquecimento, de modo que o interior da lua começou a arrefecer e a solidificar. Mas a equipa acha que o interior de Miranda ainda não congelou completamente. Se o oceano tivesse congelado completamente, explicou Nordheim, ter-se-ia expandido e causado certas fissuras na superfície, que não existem. Isto sugere que Miranda ainda está a arrefecer - e pode ter ainda hoje um oceano sob a sua superfície. O oceano atual de Miranda é provavelmente relativamente fino, comentou Strom. "Mas a sugestão de um oceano no interior de uma das luas mais distantes do Sistema Solar é notável", disse.
Não se previa que Miranda tivesse um oceano. Com o seu pequeno tamanho e idade avançada, os cientistas pensaram que seria provavelmente uma bola de gelo. Qualquer resto de calor resultante da sua formação terá sido dissipado há muito tempo. Mas, como Patthoff salientou, as previsões das luas geladas podem estar erradas, como é evidenciado pela lua Encélado de Saturno. Antes da chegada da sonda Cassini em 2004, muitos cientistas pensavam que Encélado era uma bola de gelo e rocha. Mas, na realidade, alberga um oceano global e processos geológicos ativos. "Poucos cientistas esperavam que Encélado fosse geologicamente ativo", disse Patthoff. "No entanto, está a lançar vapor de água e gelo do seu hemisfério sul neste preciso momento". Encélado é agora um alvo principal na procura de vida para além da Terra.
Miranda pode ser um caso semelhante. É comparável em tamanho e composição a Encélado e, de acordo com um estudo de 2023 liderado por Ian Cohen do APL, pode estar a libertar ativamente material para o espaço. Se tiver (ou tiver tido) um oceano, poderá ser um futuro alvo para estudar a habitabilidade e a vida. No entanto, Nordheim adverte que ainda há demasiado que não sabemos sobre Miranda e as luas uranianas para especular sobre a existência de vida.
"Não saberemos com certeza se tem um oceano até voltarmos e recolhermos mais dados", disse. "Estamos a extrair o máximo de ciência possível das imagens da Voyager 2. Por agora, estamos entusiasmados com as possibilidades e ansiosos por regressar para estudar em profundidade Úrano e as suas potenciais luas oceânicas".
eROSITA revela assimetrias na temperatura e na forma da nossa Bolha Quente Local (via Instituto Max Planck de Física Extraterrestre)
O nosso Sistema Solar está situado num ambiente de baixa densidade chamado Bolha Quente Local, preenchido por um ténue gás quente de milhões de graus que emite predominantemente raios X suaves. Uma equipa utilizou os dados do eROSITA e encontrou um gradiente de temperatura em grande escala nesta bolha, possivelmente ligado a explosões de supernovas passadas que expandiram e reaqueceram a bolha. A riqueza dos dados do eROSITA também permitiu à equipa criar um novo modelo 3D do gás quente na vizinhança solar. O ponto alto deste trabalho é a descoberta de um novo túnel interestelar na direção da constelação de Centauro, que poderá juntar a nossa Bolha Quente Local a uma superbolha vizinha. Ler fonte
Crescem as evidências da existência de energia escura nos buracos negros (via Universidade de Michigan)
De acordo com a teoria prevalente, há quase 14 mil milhões de anos, no início do Big Bang, uma energia misteriosa conduziu a uma expansão exponencial do Universo bebé e produziu toda a matéria conhecida. Essa energia antiga partilhava carcaterísticas fundamentais da energia escura do universo atual, que é o maior mistério dos nossos tempos, pelo menos segundo um padrão objetivo: constitui a maior parte - cerca de 70% - do Universo, mas os cientistas não sabem exatamente o que é. Ler fonte
Álbum de fotografias NGC 7635: A Nebulosa da Bolha
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Chad Leader
O que é que criou esta enorme bolha espacial? Soprada pelo vento de uma estrela, esta aparição tentadora, semelhante a uma cabeça, está catalogada como NGC 7635, mas é conhecida simplesmente como a Nebulosa da Bolha. A impressionante imagem aqui apresentada utiliza uma longa exposição para revelar os intrincados detalhes desta bolha cósmica e do seu ambiente. Embora pareça delicada, a bolha com 10 anos-luz de diâmetro fornece evidências de processos violentos em ação. Vemos aqui, acima e à direita do centro da Bolha, uma estrela quente e brilhante embutida na poeira refletora da nebulosa. Um vento estelar feroz e uma radiação intensa da estrela, que tem provavelmente uma massa 10 a 20 vezes superior à do Sol, fizeram expelir a estrutura de gás incandescente contra o material mais denso de uma nuvem molecular circundante. A intrigante Nebulosa da Bolha encontra-se a uns meros 11.000 anos-luz de distância, na direção da ostentosa constelação de Cassiopeia.
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