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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
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  Astroboletim #2202  
  15/04 a 17/04/2025  
     
 
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MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve, em conjunto com o Centro Ciência Viva de Tavira, irá realizar uma sessão de observação do Sol na seguinte data:
Data: 28 de abril de 2025
Hora: 10:00 - 12:00
Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
A sessão é gratuita e não sujeita a marcação.
Participe!
Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt

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EFEMÉRIDES

DIA 15/04: 105.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1707 nascia Leonhard Euler, matemático e físico suiço.
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Fez importantes descobertas em vários campos como o cálculo infinitesimal e teoria dos grafos. Também introduziu muita da terminologia matemática moderna e da notação, particularmente da análise matemática, como por exemplo a noção de função matemática. Também trabalhou na mecânica, dinâmica de fluidos, ótica, astronomia e teoria musical. Relativamente à astronomia, os seus feitos incluem a determinação, com uma grande precisão, da órbita de cometas e de outros corpos celestes, a compreensão da natureza dos cometas e o cálculo da paralaxe do Sol.
Em 1793 nascia Friedrich Georg Wilhelm von Struve, astrónomo báltico-alemão. Struve é conhecido pelo seu enorme estudo das estrelas duplas e foi um dos primeiros astrónomos a identificar os efeitos da extinção interestelar.
Em 1800, James Ross descobre o polo magnético norte
Em 1961, Yuri Gagarin, o primeiro ser humano no espaço, é galardoado com a Ordem de Lenine
HOJE, NO COSMOS:
A Lua Minguante nasce pouco antes das 23 horas na direção da cabeça de Escorpião. Antes do amanhecer de dia 16, tanto a constelação quanto o nosso satélite natural estão situados a sul-sudoeste.

 

DIA 16/04: 106.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1495 nascia Petrus Apianus, humanista alemão, conhecido pelos seus trabalhos na matemática, astronomia e cartografia.
Em 1972, os Estados Unidos lançavam a Apollo 16 para a Lua, a décima missão tripulada do programa Apollo, a quinta e a penúltima a aterrar no nosso satélite natural.
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HOJE, NO COSMOS:
Capella é a estrela mais brilhante alta a oeste-noroeste durante e após o anoitecer. A sua pálida cor amarelada é parecida à do Sol, o que significa que têm ambas mais ou menos a mesma temperatura. Mas, para além disso, Capella é muito diferente. É constituída por duas estrelas gigantes amarelas que se orbitam uma à outra a cada 104 dias.
Isto é do conhecimento geral para os observadores estelares. Mas sabia que, para os observadores telescópicos, Capella é acompanhada por um par distante e íntimo de anãs vermelhas? Capella H e L, magnitudes 10 e 13.

 

DIA 17/04: 107.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1598 nascia Giovanni Battista Riccioli, astrónomo italiano e padre jesuíta que estudou extensivamente a Lua e foi a primeira pessoa a medir a aceleração de um corpo em queda livre. Também introduziu a nomenclatura lunar atual.
Em 1967, lançamento da Surveyor 3, a segunda missão do programa Surveyor a aterrar suavemente na Lua. 
Em 1970, após dias de aflição, a Apollo 13 regressava sã e salva à Terra.
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Em 2014, o telescópio Kepler confirma a descoberta do primeiro planeta do tamanho da Terra na zona habitável de outra estrela.
HOJE, NO COSMOS:
Bem acima da Ursa Maior por estas noites, passando perto do zénite, estão três pares de estrelas ténues mas visíveis a olho nu, todas de magnitude três ou quatro, que assinalam os pés da Ursa. São também conhecidas como os "Três Saltos da Gazela" na mitologia árabe. Formam uma linha longa este-oeste mais ou menos a meio entre a "frigideira" da Ursa Maior e a "foice" de Leão. A linha tem 30º (cerca de três punhos à distância do braço esticado).
De acordo com a mitologia árabe, a gazela estava a beber num lago - o ténue mas grande enxame estelar de Cabeleira de Berenice - e fugiu quando assustada pelo movimento da cauda de Leão, Denébola. Leão, no entanto, parece não estar ao corrente da sua potencial presa; está a olhar para o outro lado.
Outra versão desta história diz que a Cabeleira de Berenice é a cauda estendida de Leão e o lago é formado por estrelas na Ursa Maior.

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Autópsia de um planeta engolido por uma estrela revela uma surpresa
 
As observações do Telescópio Espacial James Webb da NASA do que se pensa ser o primeiro registo de um evento de engolimento planetário revelaram um disco de acreção quente em torno da estrela, com uma nuvem em expansão de poeira mais fria a envolver a cena. O Webb também revelou que a estrela não inchou para engolir o planeta, mas que a órbita do planeta diminuiu lentamente ao longo do tempo, como se pode ver nesta imagem artística (ver apenas painel 1, painel 2, painel 3, painel 4).
Crédito: NASA, ESA, CSA, R. Crawford (STScI)
 

Observações do Telescópio Espacial James Webb da NASA deram uma reviravolta surpreendente na narrativa em torno do que se pensa ser a primeira estrela observada no ato de engolir um planeta. As novas descobertas sugerem que a estrela, na realidade, não inchou para envolver um planeta, como anteriormente se supunha. Em vez disso, as observações do Webb mostram que a órbita do planeta encolheu ao longo do tempo, aproximando-o lentamente do seu fim até ser completamente engolido.

"Por se tratar de um acontecimento tão novo, não sabíamos bem o que esperar quando decidimos apontar este telescópio na sua direção", disse Ryan Lau, autor principal do novo artigo científico e astrónomo do NOIRLab (National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory) da NSF (National Science Foundation) em Tucson, no estado norte-americano do Arizona. "Com o seu olhar de alta resolução no infravermelho, estamos a aprender informações valiosas sobre o destino final dos sistemas planetários, possivelmente incluindo o nosso".

Dois instrumentos a bordo do Webb efetuaram a autópsia da cena - o MIRI (Mid-Infrared Instrument) e o NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph). Os investigadores conseguiram chegar à sua conclusão utilizando uma abordagem de investigação em duas vertentes.

Restringindo o "como"

A estrela no centro desta cena está localizada na nossa Galáxia, a Via Láctea, a cerca de 12.000 anos-luz de distância da Terra.

O evento de aumento de brilho, formalmente chamado ZTF SLRN-2020, foi originalmente detetado como um flash de luz ótica usando o ZTF (Zwicky Transient Facility) no Observatório Palomar do Caltech em San Diego, Califórnia, EUA. Dados do NEOWISE (Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA mostraram que a estrela aumento de brilho no infravermelho um ano antes do flash ótico, sugerindo a presença de poeira. Esta investigação inicial de 2023 levou os investigadores a pensar que a estrela era mais parecida com o Sol e que estava no processo de envelhecimento para uma gigante vermelha ao longo de centenas de milhares de anos, expandindo-se lentamente à medida que esgotava o seu combustível de hidrogénio.

No entanto, o MIRI do Webb contou uma história diferente. Com a sua incrível sensibilidade e resolução espacial, o Webb conseguiu medir com precisão a emissão oculta da estrela e dos seus arredores imediatos, que se encontram numa região muito povoada do espaço. Os investigadores descobriram que a estrela não era tão brilhante como deveria ser se tivesse evoluído para uma gigante vermelha, o que indica que não estava a inchar para engolir o planeta, como se pensava.

Reconstruindo a cena

Os investigadores sugerem que, numa determinada altura, o planeta tinha a dimensão de Júpiter, mas orbitava muito perto da estrela, mais perto ainda do que a órbita de Mercúrio em torno do nosso Sol. Ao longo de milhões de anos, o planeta orbitou cada vez mais perto da estrela, o que levou a uma consequência catastrófica.

"O planeta acabou por começar a roçar a atmosfera da estrela. Depois foi um processo descontrolado de queda mais rápida a partir desse momento", disse Morgan MacLeod, membro da equipa do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian e do MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge, Massachusetts, EUA. "O planeta, ao cair, começou a espalhar-se à volta da estrela".

Na sua queda final, o planeta terá expelido gás das camadas exteriores da estrela. À medida que este se expandia e arrefecia, os elementos pesados deste gás condensaram-se em poeira fria ao longo do ano seguinte.

Examinando os remanescentes

Embora os investigadores esperassem uma nuvem de poeira fria, em expansão, à volta da estrela, um olhar com o poderoso NIRSpec revelou um disco circunstelar quente de gás molecular mais próximo. Além disso, a alta resolução espetral do Webb foi capaz de detetar certas moléculas neste disco de acreção, incluindo monóxido de carbono.

"Com um telescópio tão transformador como o Webb, era difícil para mim ter quaisquer expetativas sobre o que iríamos encontrar nas imediações da estrela", disse Colette Salyk do Vassar College em Poughkeepsie, Nova Iorque, investigadora de exoplanetas e coautora do novo artigo científico. "Não estava à espera de ver o que tem as características de uma região de formação planetária, apesar de os planetas não se estarem a formar aqui, no rescaldo de um engolimento".

A capacidade de caracterizar este gás abre mais questões para os investigadores sobre o que realmente aconteceu quando o planeta foi completamente engolido pela estrela.

"Isto é verdadeiramente o precipício do estudo destes eventos. Este é o único que observámos em ação e esta é a melhor deteção do rescaldo depois de as coisas terem estabilizado", disse Lau. "Esperamos que isto seja apenas o início da nossa amostra".

Os investigadores esperam aumentar a sua amostra e identificar mais eventos como este utilizando o Observatório Vera C. Rubin e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA, que irão examinar repetidamente grandes áreas do céu para procurar mudanças ao longo do tempo.

Os resultados da equipa foram publicados na revista The Astrophysical Journal.

// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
05/05/2023 - Descoberta uma estrela a devorar um planeta: possível antevisão do destino final da Terra

ZTF SLRN-2020:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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De aborrecido a explosivo: um buraco negro gigante desperta
 
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Esta impressão artística ilustra o mecanismo que poderá estar na origem das poderosas erupções de raios X observadas a partir de um buraco negro recém-despertado chamado Ansky.
O telescópio de raios X da ESA, XMM-Newton, está a desempenhar um papel crucial na investigação dos surtos recorrentes de raios X provenientes deste buraco negro supermassivo, que se encontra no centro de SDSS1335+0728, uma galáxia distante a 300 milhões de anos-luz.
As características extraordinárias das explosões de Ansky levaram a equipa de investigação a especular que as erupções de raios X poderiam ser provenientes de choques altamente energéticos no disco, provocados por um pequeno objeto celeste que atravessa repetidamente e perturba a matéria em órbita.
Crédito: ESA
 

O XMM-Newton da ESA está a desempenhar um papel crucial na investigação das mais longas e mais energéticas erupções de raios X observadas de um buraco negro recentemente desperto. A observação deste estranho comportamento em tempo real fornece uma oportunidade única para aprender mais sobre estes poderosos eventos e sobre o misterioso comportamento dos buracos negros massivos.

Embora saibamos que os buracos negros supermassivos (com milhões de vezes a massa do nosso Sol) se escondem no centro da maioria das galáxias, a sua própria natureza torna-os difíceis de detetar e estudar. Em contraste com a ideia popular de que os buracos negros "devoram" constantemente matéria, estes monstros gravitacionais podem passar longos períodos de tempo numa fase dormente e inativa.

Foi o que aconteceu com o buraco negro no coração de SDSS1335+0728, uma galáxia distante e sem qualquer aspeto notável, situada a 300 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação de Virgem. Depois de estar inativo durante décadas, "acendeu-se" subitamente e começou recentemente a produzir flashes de raios X sem precedentes.

Os primeiros sinais de atividade surgiram no final de 2019, quando a galáxia começou inesperadamente a brilhar intensamente, atraindo a atenção dos astrónomos. Depois de a estudarem durante vários anos, concluíram que as mudanças invulgares que observaram eram provavelmente o resultado do buraco negro se ter "ligado" subitamente - entrando numa fase ativa. A região central brilhante e compacta da galáxia é agora classificada como um núcleo galáctico ativo, apelidado de "Ansky".

"Quando vimos pela primeira vez Ansky a iluminar-se em imagens óticas, desencadeámos observações de acompanhamento utilizando o telescópio espacial de raios X Swift da NASA e verificámos dados de arquivo do telescópio de raios X eROSITA, mas na altura não vimos qualquer evidência de emissões de raios X", diz Paula Sánchez Sáez, investigadora do ESO, na Alemanha, e líder da equipa que explorou pela primeira vez a ativação do buraco negro.

Ansky acorda

Depois, em fevereiro de 2024, uma equipa liderada por Lorena Hernández-García, investigadora da Universidade de Valparaíso, no Chile, começou a ver surtos de raios X provenientes de Ansky a intervalos quase regulares.

"Este evento raro constitui uma oportunidade para os astrónomos observarem o comportamento de um buraco negro em tempo real, utilizando os telescópios espaciais de raios X XMM-Newton e NICER, Chandra e Swift da NASA. Este fenómeno é conhecido como uma erupção quase periódica, ou EQP. As EQPs são eventos de curta duração. E esta é a primeira vez que observamos um evento deste tipo num buraco negro que parece estar a acordar", explica Lorena.

"O primeiro episódio de EQP foi descoberto em 2019 e, desde então, só detetámos mais alguns. Ainda não compreendemos o que os causa. O estudo de Ansky vai ajudar-nos a compreender melhor os buracos negros e a forma como evoluem".

"O XMM-Newton desempenhou um papel fundamental no nosso estudo. É o único telescópio de raios X suficientemente sensível para detetar a luz de fundo de raios X mais fraca entre as erupções. Com o XMM-Newton, pudemos medir a intensidade da luz de fundo de Ansky, o que nos permitiu calcular a quantidade de energia que Ansky liberta quando se 'acende' e começa a piscar".

 
Impressão de artista do XMM-Newton.
Crédito: ESA-C. Carreau
 

Desvendando um comportamento intrigante

A gravidade de um buraco negro captura a matéria que se aproxima demasiado e pode despedaçá-la. A matéria de uma estrela capturada, por exemplo, seria espalhada num disco quente, brilhante e de rotação rápida chamado disco de acreção. A ideia atual é que as EQPs são causadas por um objeto (que pode ser uma estrela ou um pequeno buraco negro) que interage com este disco de acreção e que têm sido associadas à destruição de uma estrela. Mas não há evidências de que Ansky tenha destruído uma estrela.

As características extraordinárias das erupções recorrentes de Ansky levaram a equipa de investigação a considerar outras possibilidades. O disco de acreção poderia ser formado por gás capturado pelo buraco negro a partir da sua vizinhança, e não por uma estrela desintegrada. Neste cenário, as explosões de raios X seriam provenientes de choques altamente energéticos no disco, provocados por um pequeno objeto celeste que atravessa e perturba o material em órbita, repetidamente.

"As erupções de raios X de Ansky são dez vezes mais longas e dez vezes mais luminosas do que as que vemos numa EQP típica", diz Joheen Chakraborty, membro da equipa e estudante de doutoramento no MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos EUA.

"Cada uma destas erupções liberta uma centena de vezes mais energia do que a observada noutros locais. As erupções de Ansky mostram também a cadência mais longa alguma vez observada, de cerca de 4,5 dias. Isto leva os nossos modelos aos seus limites e desafia as ideias existentes sobre a forma como estes flashes de raios X estão a ser gerados".

Observando um buraco negro em ação

A possibilidade de observar a evolução de Ansky em tempo real é uma oportunidade sem precedentes para os astrónomos aprenderem mais sobre os buracos negros e sobre os eventos energéticos que estes potenciam.

"Para as EQPs, ainda estamos no ponto em que temos mais modelos do que dados e precisamos de mais observações para compreender o que está a acontecer", diz Erwan Quintin, investigador da ESA e astrónomo de raios X.

"Pensávamos que as EQPs eram o resultado de pequenos objetos celestes que eram capturados por objetos muito maiores e que espiralavam na sua direção. As erupções de Ansky parecem estar a contar-nos uma história diferente. Estes surtos repetitivos também estão provavelmente associados a ondas gravitacionais que a futura missão LISA da ESA poderá ser capaz de captar".

"É crucial ter estas observações de raios X que irão complementar os dados das ondas gravitacionais e ajudar-nos a resolver o comportamento intrigante dos buracos negros massivos".

// ESA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
21/06/2024 - Astrónomos observam em tempo real o despertar de um buraco negro de grande massa

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

NGAs (Núcleos Galácticos Ativos):
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

 
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Investigação sugere que a Pequena Nuvem de Magalhães pode estar a ser despedaçada
 
Velocidades de candidatas a estrelas massivas na Pequena Nuvem de Magalhães, mostradas como vetores. As cores das setas representam a direção do movimento. Em relação à Grande Nuvem de Magalhães, localizada no canto inferior esquerdo da imagem, a maioria das setas vermelhas mostram movimento em direção à GNM, enquanto a maioria das setas azuis claras mostram movimento para longe da GNM, sugerindo que estão a ser separadas.
Crédito: Satoya Nakano
 

Uma equipa liderada por Satoya Nakano e Kengo Tachihara da Universidade de Nagoia, no Japão, revelou novas informações sobre o movimento de estrelas massivas na Pequena Nuvem de Magalhães (PNM), uma pequena galáxia vizinha da Via Láctea. As suas descobertas sugerem que a atração gravitacional da Grande Nuvem de Magalhães (GNM), a companheira maior da PNM, pode estar a "rasgar" a mais pequena. Esta descoberta revela um novo padrão no movimento destas estrelas que poderá transformar a nossa compreensão da evolução e das interações entre galáxias. Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal Supplement Series.

"Quando obtivemos este resultado pela primeira vez, suspeitámos que poderia haver um erro no nosso método de análise", disse Tachihara. "No entanto, após uma análise mais aprofundada, os resultados são indiscutíveis e ficámos surpreendidos".

A PNM continua a ser uma das galáxias mais próximas da Via Láctea. Esta proximidade permitiu à equipa de investigação identificar e rastrear cerca de 7000 estrelas massivas no interior da galáxia. Estas estrelas, que têm mais de oito vezes a massa do nosso Sol, sobrevivem normalmente apenas alguns milhões de anos antes de explodirem como supernovas. A sua presença indica regiões ricas em gás hidrogénio, um componente crucial da formação de estrelas.

"As estrelas da PNM estavam a mover-se em direções opostas em ambos os lados da galáxia, como se estivessem a ser separadas", disse Tachihara. "Algumas destas estrelas estão a aproximar-se da GNM, enquanto outras afastam-se dela, o que sugere a influência gravitacional da galáxia maior. Este movimento inesperado apoia a hipótese de que a PNM está a ser perturbada pela GNM, levando à sua destruição gradual".

Outra descoberta surpreendente foi a ausência de movimento de rotação entre as estrelas massivas. Ao contrário do que acontece na nossa Via Láctea, onde o gás interestelar gira juntamente com as estrelas, o estudo revelou um padrão distinto. Normalmente, as estrelas massivas jovens movem-se juntamente com o gás interestelar do qual nasceram, uma vez que ainda não tiveram tempo de se dissociar do seu movimento. No entanto, as estrelas massivas da PNM não seguem um padrão galáctico de rotação, o que indica que o próprio gás interestelar também não está a girar.

"Se a PNM não estiver de facto a girar, as estimativas anteriores da sua massa e da sua história de interação com a Via Láctea e com a GNM poderão ter de ser revistas", explicou Nakano, um colaborador do estudo que também fez um vídeo a explicar as descobertas. "Isto pode mudar a nossa compreensão da história da interação de três corpos entre as duas Nuvens de Magalhães e a Via Láctea".

O estudo tem implicações mais vastas para a compreensão da dinâmica das interações entre galáxias vizinhas, particularmente no início do Universo. Os astrónomos consideram que a PNM é um modelo ideal para estudar a infância do Universo porque partilha muitas condições com as galáxias primordiais, como a baixa metalicidade e o fraco potencial gravitacional. Por conseguinte, as descobertas dos investigadores sobre a interação entre a PNM e a GNM podem assemelhar-se aos processos que moldaram as galáxias há milhares de milhões de anos, fornecendo informações valiosas sobre a sua evolução ao longo do tempo cósmico. As descobertas do grupo podem criar uma nova compreensão destes processos.

"Não conseguimos ter uma 'visão panorâmica' da galáxia em que vivemos", comentou Tachihara. "Como resultado, a PNM e a GNM são as únicas galáxias em que podemos observar os pormenores do movimento estelar. Esta investigação é importante porque permite-nos estudar o processo de formação estelar em ligação com o movimento das estrelas na galáxia".

// Universidade de Nagoia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Supplement Series)
// Explorando os processos de perturbação galáctica através do movimento estelar (Universidade de Nagoia via YouTube)

 


Quer saber mais?

Pequena Nuvem de Magalhães:
Wikipedia
SEDS

Grande Nuvem de Magalhães:
Wikipedia
SEDS

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
Catálogo DR3 do Gaia
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   Metade do hidrogénio gasoso do Universo, há muito por contabilizar, foi descoberto (via Universidade da Califórnia em Berkeley)
Os astrónomos, ao contabilizarem toda a matéria normal - estrelas, galáxias e gás - existente no Universo atual, ficaram embaraçosamente aquém do total de matéria produzida no Big Bang, há 13,6 mil milhões de anos. De facto, mais de metade da matéria normal - metade dos 15% da matéria do Universo que não é matéria escura - não pode ser contabilizada nas estrelas e gás brilhantes que vemos. No entanto, novas medições parecem ter encontrado esta matéria em falta sob a forma de gás hidrogénio ionizado muito difuso e invisível, que forma um halo à volta das galáxias e é mais inchado e extenso do que os astrónomos pensavam. Ler fonte
     
  Rover Perseverance estuda um tesouro de rochas na orla da Cratera Jezero (via NASA)
Cientistas do rover Perseverance da NASA estão a explorar o que consideram uma verdadeira cornucópia marciana cheia de afloramentos rochosos intrigantes na orla da Cratera Jezero. O estudo de rochas, pedregulhos e afloramentos ajuda os cientistas a compreender a história do planeta, a sua evolução e o potencial de habitabilidade passada ou atual. Desde janeiro, o rover perfurou cinco rochas na orla da cratera, selando amostras de três delas em tubos de amostragem. Também analisou de perto sete rochas e analisou outras 83 à distância, disparando-lhes um laser. Este é o ritmo de recolha científica mais rápido da missão desde que o rover aterrou no Planeta Vermelho há mais de quatro anos. Ler fonte
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Álbum de fotografias
HH 49 - Jatos Interestelares, pelo Webb

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESACSASTScIJWST
 
O que está na ponta deste jato interestelar? Primeiro vamos considerar o jato: está a ser expelido por um sistema estelar em formação e está catalogado como Herbig-Haro 49 (HH 49). O sistema estelar que expulsa este jato não é visível - está para lá do canto inferior direito. A complexa estrutura cónica apresentada nesta imagem infravermelha pelo Telescópio Espacial James Webb também inclui outro jato catalogado como HH 50. As partículas rápidas do jato impactam o gás interestelar circundante e formam ondas de choque que brilham proeminentemente no infravermelho - aqui vistas como cristas castanho-avermelhadas. Esta imagem obtida pelo JWST também resolveu o mistério do objeto invulgar na ponta de HH 49: é uma galáxia espiral muito distante. O centro azul não é, portanto, uma estrela, mas muitas, e os anéis circundantes são na realidade braços espirais.
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