DIA 16/05: 136.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1925, nascia Nancy Roman, astrónoma americana. Ao longo da sua carreira, foi oradora pública, educadora e defensora das mulheres nas ciências. É tida como a "mãe" do Telescópio Hubble.
Em 1969, a sonda soviética, Venera 5, aterra em Vénus.
Em 1992, o vaivém espacial Endeavour aterra em segurança após o seu voo inaugural.
Em 1997, a STS-84 atraca com a MIR para a sexta missão STS-MIR.
É o 122.º dia de Jerry Linenger como membro da tripulação da MIR.
No mesmo ano, imagens de todo o mundo do Cometa Halle-Bopp são colocadas online.
Em 2011, a STS-134 (sequência ULF6 da construção da ISS) é lançada a partir do Centro Espacial Kennedy, o 25.º e último voo do vaivém Endeavour. HOJE, NO COSMOS:
Vega é a estrela mais brilhante a este-nordeste após o anoitecer. Procure 15º (cerca de punho e meio à distância do braço esticado) para cima e um pouco para a esquerda de Vega por Eltanin, o nariz de segunda magnitude de Dragão. Mais perto de Eltanin, e para cima e para a sua esquerda, estão três ténues estrelas que formam o resto da cabeça da constelação de Dragão, também chamada Lozenge. Dragão aponta sempre o seu nariz para Vega, não importa a orientação.
A estrela mais fraca da cabeça de Dragão, oposta a Eltanin, é Nu Draconis. É um bonito binário
de brilho idêntico através de uns binóculos. O par fica a 99 anos-luz de distância. Ambas são estrelas quentes e quimicamente peculiares do tipo Am, um pouco maiores e mais massivas do que o Sol.
O asteroide mais brilhante, 4 Vesta, está bem colocado nesta noite em que a Lua nasce tarde. A sua oposição foi há 2 semenas e tem ainda magnitude 5,9. Está aproximadamente 24º para baixo de Arcturo, perto da fronteira entre Virgem e Balança, cerca de 9º e 10º para cima de Beta e Alpha Librae, respetivamente. Tente utilizar uma aplicação astronómica no seu telemóvel para ajudar a encontrar o asteroide e depois uns binóculos.
Se tiver acesso a um céu realmente escuro, será que consegue detetar Vesta a olho nu? É praticamente o único planeta anão visível à vista desarmada, e só perto da sua oposição.
DIA 17/05: 137.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1836 nascia J. Norman Lockyer, descobridor do elemento hélio em 1868. J. N. L. fazia estudos espetrais do Sol quando atribuíu linhas desconhecidas de absorção ao novo elemento, só "descoberto" na Terra em 1891.
Sir Lockyer também é conhecido como o Pai da Arqueoastronomia. Foi um dos primeiros a propôr cientificamente que Stonehenge era um observatório astronómico e que as pirâmides do Egipto e as grandes catedrais Cristãs medievais foram construídas ao longo de orientações astronómicas importantes.
Em 1882 um cometa foi descoberto em fotografias da coroa solar tiradas durante um eclipse total; o cometa nunca mais foi visto. Provavelmente era um "rasante", passando muito perto do Sol, o que provocou a sua destruição.
Em 1969, a soviética Venera 6 começa a sua descida pela atmosfera de Vénus, enviando dados atmosféricos antes de ser destruída pela pressão. HOJE, NO COSMOS:
À medida que Vega sobe no céu com o passar da noite, a sua pequena constelação, Lira, torna-se mais fácil de reconhecer. O padrão principal de Lira está "pendurado" para baixo de Vega, como se esta estrela fosse um prego no céu, mas inclinado para a direita.
DIA 18/05: 138.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1048, nascia Omar Khayyám, astrónomo, matemático, filósofo e poeta persa. Foi um dos grandes astrónomos da época medieval, que contribuiu muito para a reforma do calendário e que por vezes é tido como proponente da teoria heliocêntrica.
Em 1711, nascia Ruder Josip Boscovic, físico, astrónomo, matemático, filósofo, diplomata, poeta, teólogo e padre jesuita, da república de Ragusa (atualmente Croácia). Produziu um percursor da teoria atómica e fez muitas contribuições para a astronomia, incluindo o primeiro procedimento geométrico para a determinação do equador de um planeta em rotação e da computação da órbita de um planeta. Em 1753, descobriu a ausência de atmosfera na Lua.
Em 1910, a Terra passa pela cauda do cometa Halley.
Em 1969 era lançada a Apollo 10, a quarta missão tripulada do programa Apollo, que foi a segunda a orbitar a Lua.
A Apollo 10 detém o recorde da maior velocidade já atingida por um veículo tripulado: 39.896 km/h. Este foi atingido durante o regresso da Lua a 26 de maio de 1969.
Em 2005, uma segunda foto do Hubble confirmava que Plutão tinha mais duas luas: Nix e Hidra. Atualmente, conhecem-se cinco no total. HOJE, NO COSMOS:
Esta é a altura do ano em que Leão começa a descer a oeste, a caminho de desaparecer durante o pôr-do-Sol do início do verão. Logo após o cair da noite, aviste a estrela mais brilhante razoavelmente alta a oeste-sudoeste. É Régulo, a sua pata dianteira. Não confunda com o ponto avermelhado para a direita, que é o planeta Marte.
Régulo é também a parte de baixo da "foice" de Leão: um ponto de interrogação ao contrário com aproximadamente punho e meio à distância do braço esticado que corresponde à pata dianteira, peito e juba de Leão.
DIA 19/05: 139.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1961, a Venera 1 torna-se o primeiro objeto feito por humanos a passar por outro planeta, Vénus.
A sonda tinha perdido o contacto com a Terra um mês antes e não enviou nenhuns dados de volta.
Em 1971, lançamento da sonda Mars 2 (União Soviética). A 27 de novembro do mesmo ano, alcança Marte e continua a enviar dados até 1972. Era suposto também aterrar um "lander", mas colidiu com a superfície devido a uma avaria nos foguetes de travagem.
Em 1996, lançamento da missão STS-77 do vaivém espacial Endeavour.
Em 2000, lançamento da missão STS-101 do vaivém Atlantis. HOJE, NO COSMOS:
Arcturo, alta a sudeste, forma a extremidade inferior do longo e estreito asterismo do "papagaio-de-papel": a parte central de Boieiro. O papagaio-de-papel estende-se para cima e para a esquerda de Arcturo, com a sua secção superior um pouco torta. Mede 23º de comprimento: cerca de dois punhos à distância do braço esticado.
Webb identifica água gelada num sistema estelar jovem
Pela primeira vez, os investigadores confirmaram a presença de água gelada cristalina num disco de detritos poeirentos que orbita uma estrela semelhante ao Sol, utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA. Toda a água ngelada detetada pelo Webb está emparelhada com partículas finas de poeira em todo o disco. A maior parte da água gelada observada encontra-se onde está mais frio e mais longe da estrela. Quanto mais perto da estrela os investigadores procuraram, menos água gelada encontraram.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)
Estará a água gelada dispersa em sistemas à volta de outras estrelas? Os astrónomos há muito que esperam que sim, em parte com base em anteriores deteções da sua forma gasosa, vapor de água, e na sua presença no nosso próprio Sistema Solar.
Agora há evidências definitivas: investigadores confirmaram a presença de água gelada cristalina num disco de detritos poeirentos que orbita uma estrela semelhante ao Sol a 155 anos-luz de distância, utilizando dados detalhados conhecidos como espetros do Telescópio Espacial James Webb da NASA. Em 2008, dados do Telescópio Espacial Spitzer da NASA, já aposentado, sugeriram a possibilidade de existir água gelada neste sistema.
"O Webb detetou inequivocamente não apenas água gelada, mas água gelada cristalina, que também se encontra em locais como os anéis de Saturno e corpos gelados na Cintura de Kuiper do nosso Sistema Solar", disse Chen Xie, o principal autor do novo artigo científico e investigador assistente na Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, EUA.
Toda a água gelada que o Webb detetou está associada a finas partículas de poeira em todo o disco - como se fossem pequenas "bolas de neve sujas". Os resultados foram publicados na revista Nature.
Há décadas que os astrónomos esperam por estes dados definitivos. "Quando eu era estudante há 25 anos, o meu orientador disse-me que devia haver gelo nos discos de detritos, mas antes do Webb não tínhamos instrumentos suficientemente sensíveis para fazer estas observações", disse Christine Chen, coautora e astrónoma associada no STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore. "O que é mais impressionante é que estes dados são semelhantes a outras observações recentes, do telescópio, de objetos da Cintura de Kuiper no nosso próprio Sistema Solar".
A água gelada é um ingrediente vital nos discos em torno de estrelas jovens - influencia fortemente a formação de planetas gigantes e pode também ser entregue por pequenos corpos, como cometas e asteroides, a planetas rochosos já formados. Agora que os investigadores detetaram água gelada com o Webb, abriram a porta a todos os investigadores para estudarem como estes processos se desenrolam de novas formas em muitos outros sistemas planetários.
Rochas, poeira e gelo
A estrela, catalogada HD 181327, é significativamente mais jovem do que o nosso Sol. Estima-se que tenha 23 milhões de anos, em comparação com os 4,6 mil milhões de anos do Sol. A estrela é um pouco mais massiva do que o Sol, e é mais quente, o que levou à formação de um sistema ligeiramente maior à sua volta.
As observações do Webb confirmam a existência de uma divisão significativa entre a estrela e o seu disco de detritos - uma vasta área livre de poeira. Mais longe, o seu disco de detritos é semelhante à Cintura de Kuiper do nosso Sistema Solar, onde se encontram planetas anões, cometas e outros pedaços de gelo e rocha (e que por vezes colidem uns com os outros). Há milhares de milhões de anos, a nossa Cintura de Kuiper era provavelmente semelhante ao disco de detritos desta estrela.
"HD 181327 é um sistema muito ativo", disse Chen. "Há colisões regulares e contínuas no seu disco de detritos. Quando esses corpos gelados colidem, libertam minúsculas partículas de água gelada empoeirada que têm o tamanho perfeito para serem detetadas pelo Webb".
Água gelada - quase em todo o lado
A água gelada não está espalhada uniformemente por este sistema. A maior parte encontra-se onde é mais frio e mais longe da estrela. "A área exterior do disco de detritos é constituída por mais de 20% de água gelada", disse Xie.
Quanto mais perto os investigadores olhavam, menos água gelada encontravam. No meio do disco de detritos, o Webb detetou cerca de 8% de água gelada. Aqui, é provável que as partículas de água gelada sejam produzidas um pouco mais depressa do que são destruídas. Na área do disco de detritos mais perto da estrela, o Webb não detetou quase nenhuma. É provável que a luz ultravioleta da estrela vaporize as partículas de água gelada mais próximas. Também é possível que rochas conhecidas como planetesimais tenham "trancado" água gelada nos seus interiores, que o Webb não consegue detetar.
Esta equipa e muitos outros investigadores continuarão a procurar - e a estudar - água gelada em discos de detritos e sistemas planetários em formação ativa na nossa Galáxia. "A presença de água gelada ajuda a facilitar a formação de planetas", disse Xie. "Os materiais gelados podem também ser 'entregues' a planetas terrestres que se podem formar ao longo de algumas centenas de milhões de anos em sistemas como este".
Os investigadores observaram HD 181327 com o NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb, que é supersensível a partículas de poeira extremamente ténues que só podem ser detetadas a partir do espaço.
Webb revela novos detalhes e mistérios na aurora de Júpiter
Observações das auroras de Júpiter (dezembro de 2023).
Crédito: ESA/Webb, NASA, CSA, J. Nichols (Universidade de Leicester), M. Zamani (ESA/Webb)
O Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA captou novos pormenores das auroras no maior planeta do nosso Sistema Solar. As luzes dançantes observadas em Júpiter são centenas de vezes mais brilhantes do que as observadas na Terra. Com a sensibilidade avançada do Webb, os astrónomos estudaram estes fenómenos para melhor compreender a magnetosfera de Júpiter.
As auroras são criadas quando partículas altamente energéticas entram na atmosfera de um planeta perto dos seus polos magnéticos e colidem com átomos de gás. Não só as auroras de Júpiter são enormes em tamanho, como também são centenas de vezes mais energéticas do que as auroras da Terra. Aqui, as auroras são causadas por tempestades solares - quando partículas carregadas "chovem" na atmosfera superior, excitam os gases e fazem-nos brilhar com cores vermelhas, verdes e púrpuras. Entretanto, Júpiter tem uma fonte adicional para as suas auroras; o forte campo magnético do gigante gasoso apanha partículas carregadas da sua vizinhança. Isto inclui não só as partículas carregadas do vento solar, mas também as partículas lançadas para o espaço pela sua lua Io, conhecida pelos seus numerosos e grandes vulcões. Os vulcões de Io expelem partículas que, notavelmente, escapam à gravidade da lua e orbitam Júpiter. Uma barragem de partículas carregadas libertadas pelo Sol durante as tempestades solares também atinge o planeta. O grande e poderoso campo magnético de Júpiter captura as partículas carregadas e acelera-as a velocidades tremendas. Estas partículas velozes atingem a atmosfera do planeta com energias elevadas, o que excita o gás e provoca o seu brilho.
Agora, as capacidades únicas do Webb estão a fornecer novos conhecimentos sobre as auroras de Júpiter. A sensibilidade do telescópio permite aos astrónomos aumentar a velocidade do obturador para captar características aurorais que variam rapidamente. Os novos dados foram captados com o instrumento NIRCam (Near-InfraRed Camera) do Webb no dia de Natal de 2023 por uma equipa de cientistas liderada por Jonathan Nichols, da Universidade de Leicester, no Reino Unido.
"Que presente de Natal foi este - deixou-me boquiaberto!", partilhou Jonathan. "Queríamos ver a rapidez com que as auroras mudam, esperando que se desvanecessem lentamente, talvez ao longo de um quarto de hora ou mais. Em vez disso, observámos toda a região auroral a fervilhar de luz, por vezes variando ao segundo".
Os dados da equipa revelaram que a emissão do ião trihidrogénio, conhecido como H3+, é muito mais variável do que se pensava. As observações vão ajudar a desenvolver a compreensão dos cientistas sobre a forma como a atmosfera superior de Júpiter é aquecida e arrefecida.
O local das observações aurorais de Júpiter, no contexto do planeta como um todo.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, Ricardo Hueso (UPV), Imke de Pater (Universidade da Califórnia em Berkeley), Thierry Fouchet (Observatório de Paris), Leigh Fletcher (Universidade de Leicester), Michael H. Wong (Universidade da Califórnia em Berkeley), Joseph DePasquale (STScI), J. Nichols (Universidade de Leicester), M. Zamani (ESA/Webb)
A equipa também descobriu algumas ainda observações por explicar nos dados.
"O que tornou estas observações ainda mais especiais foi o facto de também termos tirado fotografias em simultâneo no ultravioleta com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA", acrescentou Jonathan. "Bizarramente, a luz mais brilhante observada pelo Webb não tinha qualquer equivalência real nas imagens do Hubble. Isto deixou-nos a coçar a cabeça. Para causar a combinação de brilho observada pelo Webb e pelo Hubble, é necessária uma combinação aparentemente impossível de grandes quantidades de partículas de energia muito baixa a atingir a atmosfera - como uma tempestade de chuviscos! Ainda não compreendemos como é que isto acontece".
A equipa planeia agora estudar esta discrepância entre os dados do Hubble e do Webb e explorar as implicações mais amplas para a atmosfera e o ambiente espacial de Júpiter. Tencionam também dar seguimento a esta investigação com mais observações do Webb, que poderão comparar com dados da nave espacial Juno da NASA para explorar melhor a causa da enigmática emissão brilhante.
Estes conhecimentos podem também apoiar a Juice (Jupiter Icy Moons Explorer), da ESA, que está a caminho de Júpiter para fazer observações pormenorizadas do gigante gasoso e das suas três grandes luas com oceanos - Ganimedes, Calisto e Europa. A Juice irá observar as auroras de Júpiter com sete instrumentos científicos únicos, incluindo duas câmaras. Estas medições de perto ajudar-nos-ão a compreender a forma como o campo magnético e a atmosfera do planeta interagem, bem como o efeito que as partículas carregadas de Io e das outras luas têm na atmosfera de Júpiter.
Estes resultados foram obtidos a partir de dados obtidos durante o programa de observação #4566 do Ciclo 2 do Webb e com o programa de observação #17471 do Hubble. Os resultados foram publicados na revista Nature Communications.
Astrónomos detetam convecção de nuvens perto dos lagos de Titã
Estas imagens de Titã foram obtidas pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA no dia 11 de julho de 2023 (cima) e pelo Observatório W.M. Keck no dia 14 de julho de 2023 (baixo). Mostram nuvens de metano (assinaladas pelas setas brancas) que aparecem a diferentes altitudes no hemisfério norte de Titã.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, Observatório W. M. Keck
Recorrendo ao Observatório W. M. Keck em Maunakea, na ilha do Hawaii, astrónomos encontraram, pela primeira vez, evidências de convecção de nuvens no hemisfério norte de Titã, lua de Saturno.
Titã é um mundo intrigante, envolto numa névoa opaca e amarelada. À semelhança da Terra, a atmosfera é maioritariamente constituída por azoto e tem condições meteorológicas, incluindo nuvens e chuva. Ao contrário da Terra, cujo clima é impulsionado pela evaporação e condensação da água, a gelada lua Titã tem um ciclo de metano.
"Com a excelente capacidade de imagem do Observatório Keck, conseguimos ver nuvens de metano a evoluir e a mudar perto do polo norte de Titã ao longo de vários dias, na região onde grandes mares e lagos de metano foram descobertos pela sonda Cassini", disse Conor Nixon, investigador do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e principal autor do estudo. "Isto permite-nos compreender melhor o ciclo climático de Titã, como as nuvens de metano podem gerar chuva e repor o metano evaporado dos lagos".
A partir da superfície da Terra, as observações de objetos astronómicos são bloqueadas em alguns comprimentos de onda pelos gases da nossa atmosfera. No entanto, devido à elevada altitude e à atmosfera relativamente estável de Maunakea, juntamente com a ótica adaptativa da câmara avançada NIRC2 (Near-infrared Camera, Second Generation), a equipa conseguiu monitorizar as nuvens de Titã e produzir imagens altamente detalhadas. Os resultados foram publicados na revista Nature Astronomy.
"Uma vez que os diferentes filtros da câmara NIRC2 do Keck observam a diferentes profundidades na atmosfera de Titã, pudemos ver na última noite de observação (14 de julho) que as nuvens se tinham movido para cima em altitude, como uma célula convectiva na Terra", explicou Nixon.
A equipa observou Titã em novembro de 2022 e julho de 2023 usando o Observatório Keck e o Telescópio Espacial James Webb. Essas observações não só mostraram nuvens nas latitudes médias e altas do norte de Titã - o hemisfério onde atualmente é verão - mas também mostraram essas nuvens aparentemente a subir para altitudes mais elevadas ao longo do tempo. Embora estudos anteriores tenham observado convecção de nuvens em latitudes meridionais, esta é a primeira vez que se observam evidências de tal convecção no hemisfério norte. Este facto é significativo porque a maior parte dos lagos e mares de Titã estão localizados no hemisfério norte e a evaporação dos lagos é uma grande fonte potencial de metano. A sua área total é semelhante à dos Grandes Lagos na América do Norte.
Na Terra, a camada mais baixa da atmosfera, ou troposfera, estende-se até uma altitude de cerca de 12 quilómetros. No entanto, em Titã, cuja gravidade mais baixa permite que as camadas atmosféricas se expandam, a troposfera estende-se até cerca de 45 quilómetros. O Observatório Keck e o Webb usaram diferentes filtros infravermelhos para sondar diferentes profundidades na atmosfera de Titã, permitindo aos astrónomos estimar as altitudes das nuvens. A equipa científica observou nuvens que pareciam mover-se para maiores altitudes ao longo de um período de dias, embora não tenham sido capazes de ver diretamente qualquer precipitação a ocorrer.
O programa Twilight Zone do Observatório Keck foi fundamental para que Nixon e a sua equipa pudessem monitorizar a forma como a meteorologia em Titã muda ao longo do tempo. Este programa é executado conjuntamente por vários investigadores da Universidade da Califórnia, do Instituto de Tecnologia da Califórnia e da NASA, em colaboração com o Observatório Keck, para observar vários alvos brilhantes durante os períodos em que o céu está demasiado claro para observações astronómicas normais.
O clima de Titã
Em Titã, o metano desempenha um papel semelhante ao da água na Terra no que respeita ao clima. Evapora-se da superfície e sobe para a atmosfera, onde se condensa para formar nuvens de metano. Ocasionalmente, cai como uma chuva fria e oleosa numa superfície sólida onde a água gelada é dura como rocha.
"Titã é o único outro lugar no nosso Sistema Solar que tem um clima como a Terra, no sentido em que tem nuvens e chove numa superfície", explicou Nixon.
Titã é um objeto de grande interesse astrobiológico devido à sua complexa química orgânica (que contém carbono). As moléculas orgânicas formam a base de toda a vida na Terra, e estudá-las num mundo como Titã pode ajudar os cientistas a compreender os processos que levaram à origem da vida na Terra.
Este infográfico demonstra um processo químico fundamental que se crê ocorrer na atmosfera da lua de Saturno, Titã.
1. Titã tem uma atmosfera espessa de azoto (N2) que também contém metano (CH4).
2. As moléculas conhecidas como radicais metilo (CH3) formam-se quando o metano é quebrado pela luz solar ou por eletrões energéticos da magnetosfera de Saturno.
3. Depois recombina-se com outras moléculas ou consigo próprio para produzir substâncias como o etano (C2H6).
4. O metano, o etano e outras moléculas condensam-se e tornam-se chuva, formando lagos e mares na superfície de Titã. O Telescópio Espacial James Webb da NASA detetou pela primeira vez o radical metilo em Titã, fornecendo uma peça chave que faltava para a nossa compreensão dos processos químicos de Titã.
Crédito: NASA, ESA, CSA e Elizabeth Wheatley (STScI)
A química de Titã
O ingrediente básico que impulsiona grande parte da química de Titã é o metano, ou CH4. O metano na atmosfera de Titã é dividido pela luz solar ou por eletrões energéticos da magnetosfera de Saturno, e depois recombina-se com outras moléculas para formar substâncias como o etano (C2H6) e moléculas mais complexas de carbono.
Os dados do Webb forneceram uma peça-chave que faltava para a compreensão dos processos químicos: a deteção definitiva do radical metilo CH3. Esta molécula (chamada "radical" porque tem um eletrão "livre" que não está numa ligação química) forma-se quando o metano se quebra. A deteção desta substância significa que os cientistas podem ver, pela primeira vez, a química em ação em Titã, em vez de apenas os ingredientes iniciais e os produtos finais.
O futuro da atmosfera de Titã
Esta química de hidrocarbonetos tem implicações a longo prazo para o futuro de Titã. Quando o metano se desfaz na atmosfera superior, parte dele recombina-se para formar outras moléculas que eventualmente chegam à superfície de Titã, numa ou noutra forma química, enquanto algum hidrogénio escapa da atmosfera. Como resultado, o metano vai-se esgotando ao longo do tempo, a não ser que haja uma fonte que o reponha.
Um processo semelhante ocorreu em Marte, onde as moléculas de água foram quebradas e o hidrogénio resultante perdeu-se para o espaço. O resultado foi o planeta seco e desértico que vemos atualmente.
"Em Titã, o metano é um consumível. É possível que esteja a ser constantemente reabastecido e a efervescer da crosta e do interior ao longo de milhares de milhões de anos. Se assim não for, acabará por desaparecer e Titã tornar-se-á um mundo de poeira e dunas sem 'ar'", disse Nixon. "Vamos continuar estas observações nos próximos meses e anos para ver como os padrões climáticos se alteram, especialmente no período após o equinócio de maio de 2025, quando se preveem mudanças dramáticas".
Detetada uma grande quantidade de discos protoplanetários no Centro Galáctico (via Universidade de Colónia)
Utilizando novas observações com a rede de telescópios ALMA no Chile, investigadores compilaram o mapa mais preciso de três regiões na Zona Molecular Central da Via Láctea até à data, fornecendo informações valiosas sobre a origem das estrelas nessa região. Ler fonte
Álbum de fotografias NGC 1360: A Nebulosa do Ovo do Pisco
Esta bonita nebulosa encontra-se a cerca de 1500 anos-luz de distância, com a sua forma e cor, nesta visão telescópica, a fazer lembrar um ovo de pisco. A nuvem cósmica estende-se por cerca de 3 anos-luz, aninhada nos limites da constelação meridional da Fornalha. Reconhecida como uma nebulosa planetária, NGC 1360 em forma de ovo não representa, no entanto, um começo. Em vez disso, corresponde à breve e última fase na evolução de uma estrela idosa. De facto, visível no centro da nebulosa, a estrela central de NGC 1360 é conhecida por ser um sistema estelar binário, provavelmente constituído por duas estrelas anãs brancas evoluídas, menos massivas, mas muito mais quentes do que o Sol. A sua intensa e invisível radiação ultravioleta retirou os eletrões dos átomos do seu invólucro gasoso mutuamente circundante. A tonalidade azul-esverdeada no interior de NGC 1360, aqui vista, é a forte emissão produzida quando os eletrões se recombinam com átomos de oxigénio duplamente ionizados.
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