DIA 30/05: 150.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1966, lançamento da Surveyor 1, a primeira sonda americana a aterrar em segurança noutro corpo planetário (neste caso, a Lua).
Em 1971 era lançada a Mariner 9. A 13 de novembro alcança a órbita de Marte. Envia 6900 imagens, que corresponderam a 70% da superfície do planeta. Estudou também as mudanças temporais na atmosfera e à superfície.
Em 2020, a Crew Dragon Demo-2 levanta voo a partir do Centro Espacial Kennedy, tornando-se a primeira nave orbital tripulada a ser lançada a partir dos EUA desde 2011. HOJE, NO COSMOS:
A Ursa Maior flutua alta a noroeste por estas noites. A estrela do meio da sua "pega" torta é Mizar, com a minúscula Alcor logo ao lado. De que lado de Mizar deverá observar Alcor? Como sempre, do lado onde está a estrela Vega. Que é agora a estrela mais brilhante a este.
DIA 31/05: 151.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 2001, a sonda Cassini completa o veu voo rasante por Júpiter e dirige-se para Saturno.
Imagens de despedida de um eclipse de Io mostram atividade auroral na atmosfera ioniana.
Em 2013, o asteroide 1998 QE2 e a sua lua fazem a maior aproximação da Terra dos próximos dois séculos. HOJE, NO COSMOS:
A Lua Crescente aproxima-se de Marte. Ao cair da noite estão separadas por cerca de 8 graus. Mas essa é apenas a sua separação aparente: o modo como aparecem a partir da superfície de um corpo celeste. No espaço 3D verdadeiro, a Lua está a 1,3 segundos-luz de nós, mas marte está atualmente 650 vezes mais longe, a uma distância de 14 minutos-luz.
DIA 01/06: 152.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1633 nascia Geminiano Montanari, astrónomo italiano, fabricante de lentes e proponente da abordagem experimental na Ciência.
É mais conhecido pela sua observação, por volta de 1667, de que a segunda estrela mais brilhante de Perseu, Algol, variava em brilho.
Em 2011, o vaivém espacial Endeavour faz a sua aterragem final, após 25 voos. HOJE, NO COSMOS:
A Lua está agora entre Régulo, para a sua esquerda, e Marte, para a sua direita. Mas, a uma distância de 79 anos-luz, Régulo está 1,9 mil milhões de vezes mais distante do que a Lua está de nós.
DIA 02/06: 153.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1966, a Surveyor 1 torna-se na primeira sonda americana a aterrar com sucesso noutro mundo, a Lua.
Em 1983, era lançada a Venera 15, uma missão dupla (em conjunto com a Venera 16 poucos dias depois) com o objetivo de estudar e mapear a superfície de Vénus.
Em 1998, lançamento da missão STS-91 do vaivém espacial Discovery, a última do programa Shuttle-Mir.
Em 2003, a sonda Mars Express,transportando o "lander" britânico Beagle 2, é lançada num foguetão russo Soyuz-Fregat, a partir de Baikonur (Cazaquistão) às 17:45 GMT. HOJE, NO COSMOS:
A Lua, praticamente em Quarto Crescente, deixou a companhia de Régulo e de Marte para estar esta noite entre as constelações de Leão e Virgem
Estrela excêntrica desafia explicações simples
Uma imagem de campo largo de ASKAP J1832 (o ponto roxo no círculo) em raios X, no rádio e no infravermelho.
Crédito: raios X - NASA/CXC/ICRAR, Universidade Curtin/Z. Wang et al.; infravermelho - NASA/JPL/CalTech/IPAC; rádio - SARAO/MeerKAT; processamento - NASA/CXC/SAO/N. Wolk
Cientistas descobriram uma estrela com um comportamento diferente de todas as outras já observadas, fornecendo novas pistas sobre a origem de uma nova classe de objetos misteriosos.
Uma equipa de astrónomos combinou dados do Observatório de raios X Chandra da NASA e do radiotelescópio ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder), na Austrália Ocidental, para estudar as peculiaridades do objeto descoberto conhecido como ASKAP J1832−0911 (ASKAP J1832 para abreviar), localizado a 15.000 anos-luz da Terra. Os resultados foram publicados na passada quarta-feira na revista Nature.
ASKAP J1832 pertence a uma classe de objetos chamados "transientes de rádio de longo período", descobertos em 2022, que variam em intensidade de ondas de rádio de forma regular ao longo de dezenas de minutos. Corresponde a milhares de vezes mais do que a duração das variações repetidas observadas nos pulsares, que são estrelas de neutrões em rápida rotação que apresentam variações repetidas várias vezes por segundo. ASKAP J1832 tem ciclos de intensidade de ondas de rádio a cada 44 minutos, o que o coloca nesta categoria de transientes de rádio de longo período.
Usando o Chandra, a equipa descobriu que ASKAP J1832 também varia regularmente em raios X a cada 44 minutos. Esta é a primeira vez que tal sinal de raios X é encontrado num transiente de rádio de longo período.
"Os astrónomos observaram inúmeras estrelas com todos os tipos de telescópios e nunca vimos nenhuma que se comportasse desta forma", afirmou o primeiro autor, Dr. Ziteng Wang, da Universidade Curtin, no ICRAR (International Centre for Radio Astronomy Research) da Austrália. "É emocionante ver um novo tipo de comportamento nas estrelas".
No entanto, isso não é tudo o que ASKAP J1832 faz. Usando o Chandra e o ASKAP, a equipa descobriu que também diminuiu drasticamente os raios X e as ondas de rádio ao longo de seis meses. Esta combinação do ciclo de 44 minutos em raios X e ondas rádio, além das mudanças que duram meses, é diferente de tudo o que os astrónomos já viram na Via Láctea.
Os cientistas estão agora a tentar descobrir se ASKAP J1832 é representativo dos transientes de rádio de longo período e se o seu comportamento bizarro ajuda a desvendar a origem destes objetos.
Ampliação de ASKAP J1832 em raios X e no rádio.
Crédito: raios X - NASA/CXC/ICRAR, Universidade Curtin/Z. Wang et al.; rádio - SARAO/MeerKAT; processamento - NASA/CXC/SAO/N. Wolk
"Analisámos várias possibilidades diferentes envolvendo estrelas de neutrões e anãs brancas, isoladas ou com estrelas companheiras", disse a coautora Dra. Nanda Rea, do ICE-CSIC (Instituto de Ciencias Espaciales - Consejo Superior de Investigaciones Científicas) de Barcelona, Espanha. "Até agora, nada corresponde exatamente, mas algumas ideias funcionam melhor do que outras".
A equipa de investigação argumenta que é improvável que ASKAP J1832 seja um pulsar ou uma estrela de neutrões a puxar material de uma estrela companheira, porque as suas propriedades não correspondem às intensidades típicas dos sinais de rádio e raios X desses objetos. Algumas das propriedades de ASKAP J1832 poderiam ser explicadas por uma estrela de neutrões com um campo magnético extremamente forte, chamada magnetar, com uma idade superior a meio milhão de anos. No entanto, outras características de ASKAP J1832 - como a sua emissão de rádio brilhante e variável - são difíceis de explicar para um magnetar relativamente antigo.
No céu, ASKAP J1832 parece estar dentro de um remanescente de supernova, os restos de uma estrela que explodiu, que muitas vezes contêm uma estrela de neutrões formada pela supernova. No entanto, a equipa de investigação determinou que a proximidade é provavelmente uma coincidência e que os dois não estão associados, o que os levou a considerar a possibilidade de que ASKAP J1832 não contenha uma estrela de neutrões. Concluíram que uma anã branca isolada não explica os dados, mas que uma estrela anã branca com uma estrela companheira talvez poderia. No entanto, isso exigiria o campo magnético mais forte já conhecido para uma anã branca na nossa Galáxia.
"Continuaremos a procurar pistas sobre o que está a acontecer com este objeto e procuraremos objetos semelhantes", disse o coautor Dr. Tong Bao, do INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica) - Osservatorio Astronomico di Brera, na Itália. "Encontrar um mistério como este não é frustrante - é o que torna a ciência emocionante"!
O Chandra detetou ASKAP J1832 em raios X em duas observações realizadas em fevereiro de 2024, numa altura em que a fonte estava invulgarmente intensa no rádio. Uma terceira observação do Chandra ocorreu em agosto de 2024, quando a fonte estava cerca de 1000 vezes mais fraca em ondas de rádio do que em fevereiro, mas não foram observados raios X. Essa não-deteção do Chandra mostra que a fonte tinha diminuído pelo menos dez vezes em raios X desde a observação inicial.
Outra equipa liderada por Di Li, da Universidade Tsinghua, na China, descobriu esta fonte independentemente usando o radiotelescópio DAocheng, embora não tenha relatado o comportamento dos raios X aqui descrito.
ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder): CSIRO Wikipedia
Nova medição da expansão do Universo sugere resolução de um conflito
Os cientistas fizeram um novo cálculo da velocidade a que o Universo se está a expandir, utilizando dados obtidos pelo poderoso Telescópio Espacial James Webb de múltiplas galáxias. Na imagem, obtida pelo Webb, está NGC 1365, uma dessas galáxias.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Janice Lee (NOIRLab), Alyssa Pagan (STScI)
Ao longo da última década, os cientistas têm tentado resolver o que parecia ser uma grande inconsistência no Universo.
O Universo expande-se ao longo do tempo, mas a velocidade a que se expande parece ser diferente consoante se olha para o início da história do Universo ou para os dias de hoje. A ser verdade, isto teria sido um grande problema para o modelo padrão que representa a nossa melhor compreensão do Universo.
Mas graças ao Telescópio Espacial James Webb, cientistas da Universidade de Chicago conseguiram obter novos e melhores dados - sugerindo que, afinal, pode não haver conflito.
"Estas novas evidências sugerem que o nosso Modelo Padrão do Universo está a aguentar-se", disse a professora Wendy Freedman da Universidade de Chicago, uma figura de destaque no debate sobre este ritmo de expansão, conhecida como a Constante de Hubble.
"Não quer dizer que não encontremos coisas no futuro que sejam inconsistentes com o modelo, mas, de momento, a Constante de Hubble não parece ser o caso", afirmou.
Os novos resultados foram publicados na edição de 27 de maio da revista The Astrophysical Journal.
Espaço, estrelas e supernovas
Existem atualmente duas abordagens principais para calcular a velocidade a que o nosso Universo se está a expandir.
A primeira abordagem consiste em medir a luz remanescente do Big Bang, que ainda está a viajar pelo Universo. Esta radiação, conhecida como radiação cósmica de fundo em micro-ondas, informa os astrónomos acerca das condições nos primeiros tempos do Universo.
Freedman é especialista numa segunda abordagem, que consiste em medir a velocidade a que o Universo se está a expandir neste momento, na nossa vizinhança astronómica local. Paradoxalmente, isto é muito mais complicado do que ver para trás no tempo, porque medir distâncias com precisão é um grande desafio.
Ao longo do último meio século, os cientistas descobriram uma série de formas de medir distâncias relativamente próximas. Uma delas baseia-se na captação da luz de uma determinada classe de estrelas no seu pico de brilho, quando explodem como supernova no final da sua vida. Se conhecermos o brilho máximo destas supernovas, a medição das suas luminosidades aparentes permite-nos calcular a sua distância. Observações adicionais dizem-nos a que velocidade a galáxia em que a supernova ocorreu se está a afastar de nós. Freedman foi também pioneira em dois outros métodos que utilizam o que sabemos sobre dois outros tipos de estrelas: as estrelas gigantes vermelhas e as estrelas de carbono.
No entanto, há muitas correções que têm de ser aplicadas a estas medições antes de se poder declarar uma distância final. Em primeiro lugar, os cientistas têm de ter em conta a poeira cósmica que obscurece a luz entre nós e estas estrelas distantes nas suas galáxias hospedeiras. Têm também de verificar e corrigir as diferenças de luminosidade que podem surgir ao longo do tempo cósmico. E, finalmente, têm de ser identificadas e corrigidas as incertezas subtis da instrumentação utilizada para efetuar as medições.
Mas com os avanços tecnológicos, como o lançamento do muito mais potente Telescópio Espacial James Webb, em 2021, os cientistas têm conseguido aperfeiçoar cada vez mais estas medições.
"Mais do que duplicámos a nossa amostra de galáxias utilizadas para calibrar as supernovas", disse Freedman. "A melhoria estatística é significativa. Isto reforça consideravelmente o resultado".
O último cálculo de Freedman, que incorpora dados do Telescópio Hubble e do Telescópio Espacial James Webb, determina um valor de 70,4 quilómetros por segundo por megaparsec, mais ou menos 3%.
Isto coloca o seu valor em concordância estatística com as medições recentes da radiação cósmica de fundo, que é de 67,4, mais ou menos 0,7%.
O Webb tem uma resolução quatro vezes superior à do Telescópio Hubble, o que lhe permite identificar estrelas individuais anteriormente detetadas em grupos desfocados. É também cerca de 10 vezes mais sensível, o que permite uma maior precisão e a capacidade de encontrar objetos de interesse ainda mais ténues.
"Estamos realmente a ver como o Telescópio Espacial James Webb é fantástico para medir com precisão as distâncias das galáxias", disse o coautor Taylor Hoyt do Laboratório Lawrence Berkeley no estado norte-americano da Califórnia. "Utilizando os seus detetores infravermelhos, podemos ver através da poeira que, historicamente, tem dificultado a medição exata das distâncias, e podemos medir com muito maior precisão o brilho das estrelas", acrescentou o coautor Barry Madore, do Instituto Carnegie em Washington.
"Extraordinariamente difícil"
Freedman explicou que os astrofísicos têm tentado encontrar uma teoria que explique os diferentes ritmos de expansão à medida que o Universo envelhece.
"Há mais de mil artigos científicos a tentar atacar este problema e revelou-se extraordinariamente difícil de resolver", disse.
Os cientistas ainda estão a tentar encontrar falhas no Modelo Padrão que descreve o Universo, o que poderia fornecer pistas sobre a natureza de dois grandes mistérios pendentes - a matéria escura e a energia escura. Mas a Constante de Hubble parece cada vez mais não ser o sítio onde procurar.
Freedman e a sua equipa vão usar o Telescópio Webb no próximo ano para obter medições num grupo de galáxias chamado Enxame de Coma, que deverá fornecer mais dados de um ângulo diferente, disse ela. "Estas medições permitir-nos-ão medir a constante de Hubble diretamente, sem o passo adicional de precisar das supernovas".
"Estou otimista quanto à resolução deste problema nos próximos anos, à medida que aumentamos a precisão para fazer estas medições", disse.
Estudo explica formação de planetas com órbitas largas, apoiando a existência do Planeta Nove
Impressão de artista do Planeta Nove - um suspeito planeta em "órbita larga" - com o Sol à distância; a órbita de Neptuno é vista como uma pequena elipse em torno da nossa estrela.
Crédito: Tom Ruen, fundo da Via Láctea - ESO
Nos arredores frios e escuros dos sistemas planetários, muito além do alcance dos planetas conhecidos, misteriosos gigantes gasosos e massas planetárias orbitam silenciosamente as suas estrelas - às vezes a milhares de unidades astronómicas (UA) de distância. Durante anos, os cientistas perguntaram-se como esses planetas de "órbita larga", incluindo o elusivo Planeta Nove teorizado no nosso próprio Sistema Solar, poderiam ter sido formados. Agora, uma equipa de astrónomos pode finalmente ter encontrado a resposta.
Num novo estudo publicado na revista Nature Astronomy, investigadores da Universidade Rice, no estado norte-americano do Texas, e do PSI (Planetary Science Institute), utilizaram simulações complexas para mostrar que os planetas de órbita larga não são anomalias, mas sim subprodutos naturais de uma fase caótica inicial no desenvolvimento dos sistemas planetários. Esta fase ocorre enquanto as estrelas ainda estão aglomeradas nos seus enxames natais e os planetas disputam espaço em sistemas turbulentos e sobrelotados.
"Essencialmente, estamos a assistir a pinballs numa sala de jogos cósmica", disse André Izidoro, professor assistente de ciências da Terra, ambientais e planetárias na Universidade Rice e principal autor do estudo. "Quando planetas gigantes se espalham uns aos outros por meio de interações gravitacionais, alguns são lançados para longe da sua estrela. Se o momento e o ambiente circundante forem os ideais, esses planetas não são ejetados, mas ficam presos em órbitas extremamente largas".
Para o estudo, a equipa realizou milhares de simulações envolvendo diferentes sistemas planetários incorporados em ambientes realistas de enxames estelares. Modelaram uma variedade de condições, desde sistemas como o nosso Sistema Solar, com uma mistura de gigantes gasosos e gelados, até sistemas mais exóticos, incluindo aqueles com dois sóis. O que descobriram foi um padrão recorrente: os planetas eram frequentemente empurrados para órbitas largas e excêntricas por instabilidades internas, depois estabilizados pela influência gravitacional de estrelas próximas no enxame.
"Quando esses impulsos gravitacionais acontecem no momento certo, a órbita de um planeta 'descola-se' do sistema planetário interior", disse o coautor do estudo Nathan Kaib, cientista sénior e especialista sénior em educação e comunicação do PSI. "Isso cria um planeta de órbita larga - um que fica essencialmente congelado no lugar depois de o enxame se dispersar".
Os investigadores definem planetas de órbita larga como aqueles que têm semieixos maiores entre 100 e 10.000 UA — distâncias que os colocam muito além do alcance da maioria dos tradicionais discos de formação planetária.
As descobertas podem ajudar a explicar o mistério de longa data do Planeta Nove, um planeta hipotético que se pensa orbitar o nosso Sol a uma distância de 250 a 1000 UA. Embora nunca tenha sido observado diretamente, as órbitas estranhas de vários objetos trans-Neptunianos sugerem a sua presença.
"As nossas simulações mostram que, se o Sistema Solar primitivo passou por duas fases específicas de instabilidade - o crescimento de Úrano e Neptuno e a posterior dispersão entre os gigantes gasosos -, há uma probabilidade de até 40% de que um objeto semelhante ao Planeta Nove possa ter ficado preso durante esse período", disse Izidoro.
Curiosamente, o estudo também relaciona planetas de órbita larga com a crescente população de planetas flutuantes, ou errantes — mundos expulsos completamente dos seus sistemas.
"Nem todos os planetas dispersos têm a sorte de ficar presos", disse Kaib. "A maioria acaba sendo lançada para o espaço interestelar. Mas a taxa na qual ficam presos dá-nos uma ligação entre os planetas que vemos em órbitas largas e aqueles que encontramos vagueando sozinhos na Galáxia".
Este conceito de "eficiência de retenção" - a probabilidade de um planeta disperso permanecer ligado à sua estrela - é fundamental para o estudo. Os investigadores descobriram que os sistemas semelhantes ao Sistema Solar são particularmente eficientes, com probabilidades de retenção de 5 a 10%. Outros sistemas, como aqueles compostos apenas por gigantes gelados ou planetas circumbinários, apresentaram eficiências muito mais baixas.
"Esperamos aproximadamente um planeta de órbita larga por cada mil estrelas", disse Izidoro. "Pode parecer pouco, mas entre milhares de milhões de estrelas na Galáxia, faz diferença".
Além disso, o estudo identifica novos alvos promissores para os caçadores de exoplanetas. Sugere que os planetas de órbita larga são mais prováveis de serem encontrados em torno de estrelas com alta metalicidade que já abrigam gigantes gasosos, tornando esses sistemas candidatos ideais para campanhas de imagem profunda. Os investigadores também observaram que, se o Planeta Nove existir, poderá ser descoberto logo após o Observatório Vera C. Rubin entrar em pleno funcionamento. Com a sua capacidade incomparável de observar o céu em profundidade e detalhe, espera-se que o observatório avance significativamente a busca por objetos distantes do Sistema Solar, aumentando a probabilidade de detetar o Planeta Nove ou de fornecer as evidências necessárias para descartar sua existência.
"À medida que refinamos a nossa compreensão de onde procurar e o que procurar, não estamos apenas a aumentar as chances de encontrar o Planeta Nove — estamos a abrir uma nova janela para a arquitetura e para a evolução dos sistemas planetários em toda a Galáxia", conclui Izidoro.
Cientistas contribuem para revelar modificações contínuas na superfície da lua de Júpiter, Europa (via SwRI)
Uma série de experiências corrobora os dados espetrais recentemente recolhidos pelo Telescópio Espacial James Webb, que encontrou evidências de que a superfície gelada da lua Europa, de Júpiter, está em constante mudança. O gelo da superfície de Europa está a cristalizar a diferentes velocidades em diferentes locais, o que pode indicar uma mistura complexa de processos externos e atividade geológica que afetam a superfície.
Ler fonte
Álbum de fotografias Galáxia Espiral NGC 2566 pelo Webb
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESA/Webb, NASA e CSA, A. Leroy
O que está a acontecer no centro da galáxia espiral NGC 2566? Em primeiro lugar, os oito raios que parecem estar a sair do centro na imageminfravermelha aqui apresentada não são reais - são picos de difração causados pela estrutura mecânica do próprio telescópio espacial Webb. O centro de NGC 2566 é brilhante, mas não é considerado invulgar, o que significa que provavelmente contém um buraco negro supermassivo, embora atualmente não esteja muito ativo. A apenas 76 milhões de anos-luz de distância, a luz que hoje vemos de NGC 2566 partiu quando os dinossauros vagueavam pela Terra. A pitoresca galáxia está suficientemente perto para que os telescópios, incluindo o Webb e o Hubble, consigam resolver as nuvens turbulentas de gás e poeira onde as estrelas se podem formar, permitindo assim o estudo da evolução estelar. NGC 2566, de tamanho semelhante ao da nossa Via Láctea, é notável pela sua barra central brilhante e pelos seus proeminentes braços espirais exteriores.
Centro Ciência Viva do Algarve
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