Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira
Observação solar na Ilha de Tavira Local: perto dos restaurantes da ilha da Tavira
18/07/2025, 10:00
22/08/2025, 10:00
12/09/2025, 10:00
(não requer inscrição)
Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, duração da iniciativa, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão
EFEMÉRIDES
DIA 11/07: 192.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Cálculos matemáticos sugerem que neste dia, em 1735, Plutão moveu-se para dentro da órbita de Neptuno pela última vez antes de 1979. Plutão esteve mais perto do Sol do que Neptuno entre 1979 e 1999.
Em 1801, o astrónomo francês Jean-Louis Pons faz a sua primeira descoberta cometária. Durante os 27 anos seguintes, descobre outros 36 cometas, mais do que qualquer outra pessoa na História.
Em 1962 o cosmonauta Micolaev fica em órbita quatro dias, um recorde naquela época. No mesmo ano, é feita a primeira transmissão transatlântica de televisão por satélite.
Em 1979, a Skylab regressa à Terra.
A área de detritos situa-se entre o Oceano Índico Sudeste e uma secção pouco povoada do oeste da Austrália.
Em 2012, astrónomos anunciam a descoberta de Estige, a quinta lua de Plutão. HOJE, NO COSMOS:
Uma hora após o pôr-do-Sol, à medida que as estrelas começam a aparecer, encontrará as duas estrelas mais brilhantes do verão, Vega e Arcturo, mais ou menos à mesma altura perto do zénite: Vega a este, Arcturo a sudoeste (dependendo da localização do observador).
DIA 12/07: 193.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1988 era lançada a sonda soviética Phobos 2.
Após o envio de dados da sonda, esta perdeu-se em janeiro de 1989.
Em 1999, maior aproximação do cometa Tempel 2 pela Terra (0,654 UA).
Em 2000, o módulo de serviço Zvezda, o terceiro componente e centro funcional da porção russa da ISS, é lançado a bordo de um foguetão Proton.
Em 2001, o vaivém espacial Atlantis é lançado na missão STS-104, transportando o módulo Quest Joint Airlock para a ISS. HOJE, NO COSMOS:
Vénus forma um "segundo olho temporário" da face em V de Touro, brilhando mais do que Aldebarã! Observe o padrão em V de quarta magnitude da constelação talvez cerca de 1 hora e 15 minutos antes do nascer-do-Sol. É uma boa oportunidade fotográfica!
DIA 13/07: 194.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1969, lançamento da Luna 15, que colidiu com a Lua no dia 21 de julho do mesmo ano. HOJE, NO COSMOS:
Depois do anoitecer, Altair brilha a este-sudeste. É a segunda estrela mais brilhante do lado este do céu, depois de Vega mais para cima e para a esquerda.
Por cima de Altair, a um dedo à distância do braço esticado, está a pequena e alaranjada Tarazed (Gamma Aquilae), a sua companheira eterna. Tem uma modesta magnitude de 2,8 em comparação com a magnitude de 0,8 de Altair. Mas as aparências enganam. Altair parece tão brilhante porque é uma das nossas vizinhas estelares mais próximas, a apenas 17 anos-luz de distância. Tarazed é uma gigante laranja a cerca de 380 anos-luz - e 170 vezes mais luminosa do que Altair.
DIA 14/07: 195.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1965, era realizado o primeiro voo rasante por Marte, pela sonda Mariner 4.
Em 2000, o Observatório Chandra observa raios X do oxigénio e azoto do Cometa C/1999 S4. Isto mostra que os raios X emitidos de cometas são produzidos por colisões de iões que se movimentam na direção oposta à do Sol (vento solar), em conjunto com o gás do cometa. No mesmo ano, uma poderosa proeminência solar, mais tarde denominada evento Dia da Bastilha, provoca uma tempestade geomagnética na Terra.
Em 2015, a primeira visita a Plutão e às suas luas.
A New Horizons, uma missão da NASA lançada a 19 de janeiro de 2006, passa a 12.500 km de Plutão e a 28.800 km da sua lua Caronte. HOJE, NO COSMOS:
Combine Vega e Altair com Deneb, menos brilhante e a cerca de dois punhos à distância do braço esticado para baixo e para a esquerda de Vega, e achou o Triângulo de Verão.
Escorpião é por vezes chamado "Orionte de Verão" devido
ao seu brilho, às suas gigantes azul-esbranquiçadas e à sua supergigante vermelha. Mas Escorpião passa muito mais baixo no céu sul do que Orionte, para quem vive a latitudes médias norte. Isso significa que só há mesmo um mês para boa observação noturna: julho.
A rica área em redor da cauda de Escorpião está agora no seu ponto mais alto a sul logo após o anoitecer. Encontre a cauda para baixo e para a direita do "bule de chá" de Sagitário, mais ou menos a um punho à distância do braço esticado. Ou a cerca de punho e meio para baixo e para a esquerda de Antares. Quão alta ou baixa esta cena está depende de quão para norte ou sul o observador vive: quanto mais para sul, mais alta estará.
Procure as duas estrelas especialmente perto uma da outra na cauda. Estas são Lambda e a mais ténue Upsilon Scorpii, conhecidas como os "Olhos de Gato". Estão inclinadas; o "gato" parece estar a inclinar a sua cabeça e a piscar um olho (Lambda é mais brilhante do que Upsilon; têm magnitudes 1,6 e 2,6). Ambas são supergigantes azul-esbranquiçadas, a 700 e 500 anos-luz de distância, respetivamente. A mais ténue está mais próxima de nós. Entre os "Olhos de Gato" e a ponta do "bule de chá" estão os enxames abertos M6 e especialmente M7, incríveis através de binóculos. Uma linha que passe pelos Olhos de Gato aponta para oeste (direita), e quase a um punho à distância do braço esticado, chega a Mu Scorpii, um par ainda mais íntimo conhecido como os "Olhos do Gato Pequeno". O par está orientado quase da mesma maneira que Lambda e Upsilon, mas com apenas uma separação de 0,1º. Este não é um binário verdadeiro: estão a 800 e 500 anos-luz, respetivamente. E sim, neste par visual a estrela mais ténue também está mais próxima de nós.
Pedregulhos ejetados durante a missão DART complicam os futuros esforços de desvio de asteroides
Estas imagens, que mostram a ejeção em torno do asteroide Dimorphos, foram obtidas durante a aproximação (com Didymos em cima à esquerda) e a partida (Didymos em cima à direita) da nave companheira da DART, LICIACube, que passou pelo par Didymos-Dimorphos alguns minutos após o impacto e captou as imagens. O campo de material ejetado consiste num cone assimétrico de poeira que exibe filamentos, bem como mais de uma centena de rochas com um metro de tamanho que foram expulsas em direções preferenciais.
Crédito: Equipa DART da NASA e LICIACube
Quando a nave espacial DART da NASA colidiu com o asteroide Dimorphos em setembro de 2022, ela não apenas mudou a órbita do asteroide como pretendido - desencadeou uma enorme barragem de pedregulhos que carregavam mais de três vezes o momento da própria nave espacial.
Uma equipa de astrónomos liderada pela Universidade de Maryland descobriu que, embora a missão tenha provado com sucesso que os impactores cinéticos como a nave espacial DART podem alterar a trajetória de um asteroide, as rochas ejetadas criaram forças em direções inesperadas que poderão complicar futuros esforços de desvio. De acordo com o novo artigo científico da equipa, publicado na revista The Planetary Science Journal a 4 de julho, a utilização do desvio de asteroides para a defesa planetária é provavelmente muito mais complexa do que os investigadores inicialmente pensavam.
"Conseguimos desviar um asteroide, movendo-o da sua órbita", disse Tony Farnham, autor principal do artigo científico e investigador do Departamento de Astronomia da Universidade de Maryland. "A nossa investigação mostra que, embora o impacto direto da nave espacial DART tenha causado esta mudança, os pedregulhos ejetados deram um impulso adicional quase tão grande. Este fator adicional altera a física que temos de considerar quando planeamos este tipo de missões".
Usando imagens captadas pelo LICIACube, uma pequena nave espacial italiana que observou as consequências da DART, os astrónomos seguiram 104 rochas com raios entre 0,2 e 3,6 metros que se afastaram de Dimorphos a velocidades até 52 metros por segundo. A partir dessas imagens, a equipa determinou as localizações tridimensionais e as velocidades das rochas ejetadas.
"Vimos que os pedregulhos não estavam espalhados aleatoriamente no espaço", disse Farnham. "Ao invés, estavam reunidos em dois grupos bastante distintos, com ausência de material noutros locais, o que significa que algo desconhecido está a atuar aqui".
O maior aglomerado de detritos, contendo cerca de 70% dos objetos medidos, foi ejetado para sul a altas velocidades e em ângulos pouco profundos em relação à superfície. A equipa pensa que as rochas ejetadas provêm provavelmente de fontes específicas, talvez de rochas maiores em Dimorphos que foram estilhaçadas pelos painéis solares da DART mesmo antes de o corpo principal da nave espacial atingir a superfície.
"Os painéis solares da DART atingiram provavelmente duas grandes rochas, chamadas Atabaque e Bodhran, no asteroide", explicou a segunda autora do artigo científico, Jessica Sunshine, professora de astronomia e geologia na Universidade de Maryland. "As evidências sugerem que o grupo sul de material ejetado é provavelmente constituído por fragmentos de Atabaque, uma rocha com 3,3 metros de raio".
Sunshine, que também foi vice-investigadora principal da missão Deep Impact da NASA, liderada pela Universidade de Maryland, comparou os resultados da DART com os da Deep Impact, observando como as características da superfície e a composição do alvo influenciam fundamentalmente os resultados do impacto.
"A Deep Impact atingiu uma superfície que era essencialmente constituída por partículas muito pequenas e uniformes, pelo que a sua ejeção foi relativamente suave e contínua", explicou Sunshine. "E aqui, vemos que a DART atingiu uma superfície rochosa e cheia de grandes pedregulhos, resultando em estruturas caóticas e filamentosas nos seus padrões de ejeção. A comparação destas duas missões lado a lado dá-nos esta visão sobre a forma como diferentes tipos de corpos celestes respondem aos impactos, o que é crucial para garantir o sucesso de uma missão de defesa planetária".
O momento das rochas ejetadas pelo impacto da DART foi principalmente perpendicular à trajetória da nave espacial, o que significa que poderia ter inclinado o plano orbital de Dimorphos até um grau e potencialmente ter enviado o asteroide a cambalear erraticamente pelo espaço. O trabalho da equipa para compreender o efeito dos detritos rochosos será fundamental para a missão Hera da ESA, que chegará ao sistema Didymos-Dimorphos em 2026.
"Os dados recolhidos pelo LICIACube fornecem perspetivas adicionais sobre eventos de impacto, especialmente porque a DART foi originalmente concebida para se basear apenas em observações a partir da Terra", disse Farnham. "A Hera fará o mesmo, dando-nos outra visão direta das consequências do impacto, baseando-se nas previsões que fizemos com os dados recolhidos pela DART".
Farnham observou que estas múltiplas perspetivas e imagens detalhadas pelo LICIACube deram à equipa da DART informações que teriam sido impossíveis de detetar a partir da Terra, incluindo dados sobre os pedregulhos do asteroide. Este novo estudo sugere a importância de considerar essas variáveis no planeamento de futuras missões de desvio de asteroides.
"Se um asteroide estivesse a vir na nossa direção e soubéssemos que tínhamos de o desviar uma determinada distância para evitar que atingisse a Terra, então todas estas subtilezas tornam-se muito, muito importantes", acrescentou Sunshine. "Podemos pensar nisto como um jogo de bilhar cósmico. Podemos falhar o buraco se não tivermos em conta todas as variáveis".
Alguns pares estelares "explosivos" são formados com a ajuda de uma terceira estrela
Esta ilustração representa um sistema de três estrelas em que duas delas estão presas numa órbita gravitacional íntima. A estrela brilhante em primeiro plano, à direita, é uma anã branca que está a roubar massa à sua companheira estelar. Eventualmente, esta acumulação de massa na anã branca irá despoletar explosões periódicas. Juntas, as duas estrelas formam um objeto chamado variável cataclísmica. Uma nova investigação realizada pelo Caltech mostrou que uma terceira estrela em sistemas triplos (como a estrela aqui representada em segundo plano), pode influenciar gravitacionalmente as suas estrelas vizinhas e levar à formação de variáveis cataclísmicas.
Crédito: Caltech/R. Hurt (IPAC)
Quando as anãs brancas - os remanescentes quentes de estrelas como o nosso Sol - são orbitadas de perto por outra estrela, por vezes roubam massa à sua companheira. A matéria roubada acumula-se na superfície da anã branca, desencadeando erupções chamadas "novas".
Os teóricos há muito que previram como estas parcerias voláteis se formam, chamadas variáveis cataclísmicas (VCs), mas agora um novo estudo revela uma reviravolta surpreendente: nalguns casos, uma terceira estrela, que orbita mais longe do par primário, pode de facto ser a razão pela qual o casal estelar se juntou.
"Os nossos resultados revelam outro canal de formação de VCs", diz Kareem El-Badry, professor assistente de astronomia no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e coautor de um novo artigo científico publicado na revista Publications of the Astronomical Society of the Pacific. "Por vezes, uma terceira estrela à espreita é fundamental", afirma. O autor principal do estudo é Cheyanne Shariat, estudante do Caltech.
Até agora, os cientistas acreditavam que as VCs se formavam a partir de um processo chamado evolução do invólucro comum, no qual as estrelas parceiras são aproximadas através de um invólucro de gás que as acomoda. Uma estrela envelhecida destinada a tornar-se uma anã branca expande-se numa gigante vermelha que engloba ambas as estrelas, criando um invólucro partilhado. O invólucro encurrala as duas estrelas, fazendo-as espiralar para dentro. Eventualmente, o invólucro é ejetado, deixando um par íntimo que se tornou suficientemente próximo para a anã branca roubar a massa da sua companheira.
Embora uma terceira estrela não tenha sido mencionada nestas descrições, a equipa perguntou-se se poderia estar envolvida. Afinal, raciocinaram, a dinâmica das estrelas triplas desempenha um papel importante noutros tipos de sistemas estelares.
Para aprofundar a questão, os investigadores recorreram aos dados da missão Gaia da ESA, agora aposentada. Ao analisar estas observações, identificaram 50 VCs em sistemas hierárquicos de três estrelas, ou triplos, como os investigadores lhes chamam. Um sistema triplo hierárquico é aquele em que duas estrelas estão localizadas bastante perto uma da outra, enquanto a terceira está muito mais afastada e orbita o par primário. Os resultados sugerem que pelo menos 10 por cento de todas as VCs conhecidas fazem parte de sistemas triplos.
Este valor de 10% era superior ao que seria de esperar se os trios não tivessem qualquer papel na formação das variáveis cataclísmicas, pelo que os investigadores decidiram saber mais através de simulações em computador. Realizaram as chamadas simulações de três corpos em 2000 hipotéticos sistemas triplos; estas simulações aceleraram as interações gravitacionais do trio de estrelas, fazendo-as evoluir ao longo do tempo.
Em 20 por cento das simulações de estrelas triplas, as VCs formaram-se sem o mecanismo tradicional de evolução de invólucro comum. Nestes casos, dizem os investigadores, a terceira estrela influenciou o binário principal.
"A gravidade da terceira estrela faz com que as estrelas binárias tivessem uma órbita superexcêntrica, e isto força a estrela companheira a aproximar-se da anã branca. As forças de maré dissipam a energia e encolhem e circularizam a órbita", diz Shariat. "A estrela não tem de entrar em espiral através do invólucro comum".
Em 60 por cento das simulações, a estrela tripla ajudou a iniciar o processo de evolução do invólucro comum, aproximando as duas estrelas primárias o suficiente uma da outra para serem envolvidas no mesmo invólucro. Nos restantes 20 por cento das simulações, as VCs formaram-se através da via tradicional de evolução do invólucro comum, que requer apenas duas estrelas.
Quando os investigadores tiveram em conta uma população realista de estrelas na nossa Galáxia, incluindo VCs que se sabe terem sido formadas a partir de apenas duas estrelas, os seus modelos teóricos previram que cerca de 40% de todas as variáveis cataclísmicas se formam em sistemas triplos. Este valor é mais elevado do que os 10% que observaram usando o Gaia porque, em muitos casos, as terceiras estrelas podem ser difíceis de ver ou ter-se desvinculado da VC.
Finalmente, os resultados das simulações permitiram fazer previsões acerca dos tipos de sistemas estelares triplos que teriam maior probabilidade de formar VCs. Especificamente, seria de esperar que os sistemas triplos começassem com configurações mais largas, de tal forma que o par unido e a terceira estrela estivessem separados por mais de 100 unidades astronómicas (uma unidade astronómica, ou UA, é a distância entre o Sol e a Terra).
Olhando para os dados do Gaia, os investigadores chegaram a acordo: as estrelas triplas com VCs apresentavam, de facto, separações mais amplas do que os sistemas típicos.
"Durante os últimos 50 anos, as pessoas usaram o modelo de evolução da espiral em invólucro comum para explicar a formação das VCs", diz El-Badry. "Ninguém tinha reparado antes que isto estava a acontecer em grande parte nos sistemas triplos!"
Estará a Via Láctea dentro de um enorme vazio? O "som do Big Bang" dá a entender que sim
Se estivermos localizados numa região com densidade abaixo da média, como o ponto verde, então a matéria fluiria para longe de nós devido à gravidade mais forte das regiões mais densas circundantes, como mostram as setas vermelhas.
Crédito: Moritz Haslbauer e Zarija Lukic
Astrónomos afirmam que a Terra e toda a nossa Via Láctea podem estar situadas no interior de um misterioso vazio gigante que faz com que o cosmos se expanda mais rapidamente aqui do que nas regiões vizinhas do Universo. A sua teoria é uma solução potencial para a "tensão de Hubble" e pode ajudar a confirmar a verdadeira idade do nosso Universo, que se estima ter cerca de 13,8 mil milhões de anos.
A investigação mais recente - partilhada no NAM (National Astronomy Meeting) da Real Sociedade Astronómica, em Durham, Inglaterra - mostra que as ondas "sonoras" do Universo primitivo, "essencialmente o som do Big Bang", apoiam esta ideia.
A constante de Hubble foi proposta pela primeira vez por Edwin Hubble em 1929 para exprimir o ritmo de expansão do Universo. Pode ser medida observando a distância dos objetos celestes e a rapidez com que se afastam de nós. O obstáculo, no entanto, é que a extrapolação das medições do Universo distante e primitivo para os dias de hoje, utilizando o modelo cosmológico padrão, prevê um ritmo de expansão mais lento do que as medições do Universo próximo e mais recente. Esta é a tensão de Hubble.
"Uma solução potencial para esta inconsistência é o facto de a nossa Galáxia estar próxima do centro de um grande vazio local", explicou o Dr. Indranil Banik, da Universidade de Portsmouth. "Isso faria com que a matéria fosse puxada pela gravidade para o exterior de maior densidade do vazio, levando a que o vazio se esvaziasse com o tempo.
"Como o vazio está a ser esvaziado, a velocidade dos objetos que se afastam de nós seria maior do que se o vazio não existisse. Isto dá, portanto, a aparência de um ritmo de expansão local mais rápido". E acrescentou: "A tensão de Hubble é, em grande parte, um fenómeno local, com poucos indícios de que o ritmo de expansão esteja em desacordo com as expetativas da cosmologia padrão mais recuada no tempo. Por isso, uma solução local, como um vazio, é uma forma promissora de resolver o problema".
As OABs (oscilações acústicas bariónicas) - o "som do Big Bang" - apoiam a ideia de um vazio local.
Crédito: Gabriela Secara, Instituto Perimeter
Para a ideia ter suporte, a Terra e o nosso Sistema Solar teriam de estar perto do centro de um vazio com cerca de mil milhões de anos-luz de raio e com uma densidade cerca de 20% inferior à média do Universo como um todo. A contagem direta das galáxias apoia esta teoria, porque a densidade numérica no nosso Universo local é menor do que nas regiões vizinhas.
No entanto, a existência de um vazio tão grande e profundo é controversa porque não se coaduna particularmente bem com o modelo padrão da cosmologia, que sugere que a matéria atual deveria estar distribuída de forma mais uniforme em escalas tão grandes.
Apesar disso, os novos dados apresentados pelo Dr. Banik no NAM 2025 mostram que as OABs (oscilações acústicas bariónicas) - o "som do Big Bang" - apoiam a ideia de um vazio local. "Estas ondas sonoras viajaram apenas durante um curto período de tempo antes de ficarem congeladas quando o Universo arrefeceu o suficiente para a formação de átomos neutros", explicou.
"Funcionam como uma régua padrão, cujo tamanho angular podemos usar para rastrear a história da expansão cósmica. Um vazio local distorce ligeiramente a relação entre a escala angular das OABs e o desvio para o vermelho, porque as velocidades induzidas por um vazio local e o seu efeito gravitacional aumentam ligeiramente o desvio para o vermelho, para além do que se deve à expansão cósmica.
"Ao considerar todas as medições OAB disponíveis dos últimos 20 anos, mostrámos que um modelo de vazio é cerca de cem milhões de vezes mais provável do que um modelo sem vazio com parâmetros concebidos para se ajustarem às observações CMB feitas pelo satélite Planck, a chamada cosmologia homogénea de Planck".
O próximo passo dos investigadores é comparar o seu modelo de vazio local com outros métodos para estimar a história da expansão do Universo, como os cronómetros cósmicos.
Isto envolve a observação de galáxias que já não estão a formar estrelas. Ao observar os seus espetros, ou luz, é possível descobrir que tipos de estrelas têm e em que proporção. Uma vez que as estrelas mais massivas têm vidas mais curtas, estão ausentes nas galáxias mais antigas, o que permite estabelecer a idade de uma galáxia.
Os astrónomos podem então combinar esta idade com o desvio para o vermelho da galáxia - o quanto o comprimento de onda da sua luz foi esticado - o que nos diz o quanto o Universo se expandiu enquanto a luz da galáxia viajava na nossa direção. Isto permite-nos conhecer a história da expansão do Universo.
"Gelo num vulcão" revela idade de nuvem de gás no centro da Via Láctea (via Universidade do Estado da Carolina do Norte)
Os investigadores descobriram nuvens de gás frio embebidas no interior de nuvens de gás superaquecido - ou bolhas de Fermi - no centro da Via Láctea. A descoberta desafia os modelos atuais de formação das bolhas de Fermi e revela que as bolhas são muito mais jovens do que se estimava anteriormente. Ler fonte
Vida em Vénus? Sonda britânica pode revelar a resposta (via Real Sociedade Astronómica)
A resposta à questão de saber se existem realmente pequenas formas de vida bacterianas nas nuvens de Vénus poderá ser revelada de uma vez por todas por uma missão apoiada pelo Reino Unido. Nos últimos cinco anos, os investigadores detetaram a presença de dois potenciais biomarcadores - os gases fosfina e amoníaco - que na Terra só podem ser produzidos por atividade biológica e processos industriais. Ler fonte
Um jovem planeta gigante em órbita de uma estrela e um disco de formação planetária em torno de uma estrela companheira da mesma idade (via NOVA)
Uma equipa internacional de investigadores obteve imagens de um jovem exoplaneta gigante gasoso perto de uma estrela com 12 milhões de anos. O planeta está a orbitar uma estrela em que a formação planetária terminou, enquanto a estrela companheira, com a mesma idade, ainda tem um disco de formação de planetas. Os investigadores publicaram os seus resultados na revista Astronomy & Astrophysics. Ler fonte
A galáxia espiral NGC 6946, vista de face, e o enxame estelar aberto NGC 6939 partilham este instantâneo cósmico, composto por mais de 68 horas de dados de imagem captados com um pequeno telescópio no planeta Terra. O campo de visão abrange cerca de 1 grau ou 2 Luas Cheias no céu, na direção da constelação setentrional de Cefeu. Vistas através de ténues nuvens de poeira interestelar perto do plano da nossa Galáxia, a Via Láctea, as estrelas do enxame aberto NGC 6939 estão a 5600 anos-luz de distância, perto do canto inferior direito da imagem. A galáxia espiral NGC 6946, vista de face, está no canto superior esquerdo, mas encontra-se a cerca de 22 milhões de anos-luz de distância. Nos últimos 100 anos, foram descobertas 10 supernovas em NGC 6946, a última das quais foi observada em 2017. Em comparação, a taxa média de supernovas na nossa Via Láctea é de cerca de uma em cada 100 anos. Naturalmente, NGC 6946 é também conhecida como a Galáxia do Fogo-de-Artifício.
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