Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, duração da iniciativa, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão
EFEMÉRIDES
DIA 15/08: 227.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1977, o The Big Ear, um radiotelescópio operado pela Universidade do Estado do Ohio, como parte do projeto SETI, recebe um sinal de rádio do espaço profundo; o evento é denominado de "sinal Wow!", a partir de uma anotação feita por um voluntário do projeto.
Em 2006, a sonda Voyager 1, o mais distante objeto feito pelo Homem, alcança as 100 UA do Sol. Isto significa que a sonda, lançada no dia 20 de agosto de 1977, estava 100 vezes mais distante do Sol que a Terra. HOJE, NO COSMOS:
A Lua nasce pouco antes da meia-noite, com as Plêiades a seguirem-se cerca de 30 minutos depois. À medida que o nosso satélite natural fica mais alto no céu, procure este enxame aberto cerca de 7º para baixo e para a sua esquerda. Ao amanhecer, a Lua e M45 estão altos a sudeste, agora quase nivelados e separados por apenas 5 ou 6 graus no céu.
DIA 16/08: 228.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1744, nascia Pierre Méchain, astrónomo francês que, além de Charles Messier, foi um grande contribuidor para os primeiros estudos de objetos de céu profundo e cometas.
Em 1989, uma proeminência solar cria uma tempestade geomagnética que afeta microchips, fazendo parar a bolsa de Toronto.
Em 2000, depois de 18 meses de observações pelo SWAS (Submillimeter Wave Astronomy Satellite), é anunciada a deteção de vapor de água no espaço interestelar.
"Podemos ver estes berçários estelares como gigantes fábricas químicas que produzem vapor de água a um ritmo tremendo. As grandes quantidades presentes nas regiões de formação estelar irão ajudar o gás interestelar a arrefecer, talvez eventualmente a despertar o nascimento de uma futura geração de estrelas." David Neufeld, professor de Física e Astronomia da Universidade Johns Hopkins. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Minguante, pelas 06:12.
À medida que o verão avança e Arcturo desce no céu a oeste, a figura do "papagaio-de-papel" de Boieiro inclina-se para a direita (dependendo da latitude do observador). O "papagaio-de-papel" é estreito, está ligeiramente torto e mede 23º de comprimento: cerca de dois punhos à distância do braço esticado. Arcturo é a ponta inferior do "papagaio", onde a cauda se junta.
A Ursa Maior inclina-se praticamente à mesma altura a noroeste, para a direita de Boieiro.
DIA 17/08: 229.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1877, Asaph Hall descobria Fobos, a maior e mais interior lua de Marte.
Em 1958, é lançada a Pioneer 0, a primeira tentativa dos EUA em atingir órbita lunar, usando os primeiros foguetões Thor-Able. A missão falha. No entanto, é notável por ser uma das primeiras a ir para lá da Terra.
Em 1966 era lançada a sonda Pioneer 7.
Em 1970 a sonda soviética Venera 7 é lançada a partir do cosmódromo de Baikonur. Chega a Vénus no dia 15 de dezembro de 1970. É a primeira nave a enviar dados para a Terra a partir da superfície de outro planeta. A Venera 7 teve também uma sonda gémea, lançada a 22 de agosto, mas que permaneceu em órbita da Terra.
Em 1980, depois de 1400 órbitas em torno de Marte, a sonda Viking 1 foi desligada. Lançada a 25 de agosto de 1975, a missão Viking revelou, na altura, as melhores imagens do planeta. Uma das suas fotografias mais famosas é a "Cara em Marte".
Em 1999 a sonda Cassini passava pela Terra (1166 km), sobre o lado este do Pacífico Sul.
Este é um de 4 voos rasantes planetários (Vénus, Vénus novamente, Terra e Júpiter), para uma assistência gravitacional a fim da sonda chegar a Saturno em 2004. Este voo rasante deu à Cassini um aumento de velocidade de 20.000 quilómetros por hora. As vozes contra a Cassini e o seu plutónio respiraram de alívio. HOJE, NO COSMOS:
Sempre que Vega brilha o mais perto do zénite, como o está a fazer agora após o cair da noite, sabemos que o "bule de chá" de Sagitário está na sua posição mais elevada a sul.
Duas horas mais tarde, quando Deneb passa o mais perto do zénite, é a vez da pequena constelação de Golfinho e de Capricórnio de estarem o mais altas a sul.
DIA 18/08: 230.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1814 nascia Anders Jonas Angström, físico sueco e um dos fundadores da ciência da espetroscopia.
Em 1868, Pierre Janssen em conjunto com Norman Lockyer observam pela primeira vez hélio no espetro do Sol.
Em 1985 era lançado o Suisei, a segunda missão japonesa a estudar o cometa Halley.
Detetou água cometária, monóxido de carbono e iões de dióxido de carbono. HOJE, NO COSMOS:
Agosto é das melhores alturas para se observar a Via Láctea quando a Lua não está presente no céu noturno. Depois do anoitecer, a Via Láctea vai de Sagitário a sul, sobe para a esquerda através de Águia e através do Triângulo de Verão já muito alto, descendo por Cassiopeia até Perseu baixo a norte-nordeste.
Webb reduz possibilidades atmosféricas para o exoplaneta TRAPPIST-1 d
Esta ilustração mostra o planeta TRAPPIST-1 d passando em frente da sua estrela turbulenta, com outros membros do sistema densamente povoado visíveis ao fundo.
O sistema TRAPPIST-1 é intrigante para os cientistas por várias razões. Além de ter sete mundos rochosos do tamanho da Terra, a sua estrela é uma anã vermelha, o tipo mais comum de estrela na Via Láctea. Se um mundo do tamanho da Terra pode manter uma atmosfera aqui e, portanto, ter potencial para água líquida à superfície, a chance de encontrar mundos semelhantes em toda a Galáxia é muito maior. Ao estudar os planetas TRAPPIST-1, os cientistas estão a determinar os melhores métodos para separar a luz estelar de possíveis assinaturas atmosféricas nos dados do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA. A variabilidade da estrela TRAPPIST-1, com frequentes erupções, fornece um desafiador campo de testes para esses métodos.
Crédito: NASA, ESA, CSA, J. Olmsted (STScI)
O exoplaneta TRAPPIST-1 d intriga os astrónomos que procuram mundos possivelmente habitáveis para lá do nosso Sistema Solar, porque é semelhante em tamanho à Terra, é rochoso e reside numa área em torno da sua estrela onde a água líquida, à sua superfície, é teoricamente possível. Mas, de acordo com um novo estudo que utiliza dados do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, não tem uma atmosfera semelhante à da Terra.
Uma atmosfera protetora, um Sol amigável e muita água líquida - a Terra é um lugar especial. Usando as capacidades sem precedentes do Webb, os astrónomos estão numa missão para determinar quão especial e raro o nosso planeta natal é. Será que este ambiente temperado pode existir noutro lugar, mesmo em torno de um tipo diferente de estrela? O sistema TRAPPIST-1 oferece uma oportunidade tentadora para explorar esta questão, pois contém sete mundos do tamanho da Terra em órbita do tipo mais comum de estrela na Galáxia: uma anã vermelha.
"Em última análise, queremos saber se algo semelhante ao ambiente que desfrutamos na Terra pode existir noutro lugar e em que condições. Embora o Telescópio Espacial James Webb nos dê, pela primeira vez, a capacidade de explorar essa questão em planetas do tamanho da Terra, neste momento podemos excluir TRAPPIST-1 d da lista de potenciais gémeos ou primos da Terra", disse Caroline Piaulet-Ghorayeb, da Universidade de Chicago e do IREx (Trottier Institute for Research on Exoplanets) da Universidade de Montreal, autora principal do estudo publicado na revista The Astrophysical Journal.
O planeta TRAPPIST-1 d
O sistema TRAPPIST-1 está localizado a 40 anos-luz de distância e foi revelado, em 2017, como o detentor do recorde de maior número de planetas rochosos do tamanho da Terra em torno de uma única estrela, graças aos dados do Telescópio Espacial Spitzer, aposentado pela NASA, e de outros observatórios. Devido ao facto de essa estrela ser uma anã vermelha fraca e relativamente fria, a "zona habitável" - onde a temperatura do planeta pode ser ideal, de modo a permitir a existência de água líquida na superfície - fica muito mais perto da estrela do que no nosso Sistema Solar. TRAPPIST-1 d, o terceiro planeta desta estrela anã vermelha, fica na extremidade interior dessa zona temperada, mas a sua distância à estrela é de apenas 2% da distância Terra-Sol. TRAPPIST-1 d completa uma órbita em torno da sua estrela, o seu ano, em apenas quatro dias terrestres.
O instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb não detetou moléculas que são comuns na atmosfera da Terra, como água, metano ou dióxido de carbono. No entanto, Piaulet-Ghorayeb salientou várias possibilidades para o exoplaneta que permanecem em aberto para estudos posteriores.
"Existem algumas razões possíveis para não detetarmos uma atmosfera em torno de TRAPPIST-1 d. Pode ter uma atmosfera extremamente fina, difícil de detetar, semelhante à de Marte. Alternativamente, pode ter nuvens muito espessas e altas que bloqueiam a nossa deteção de sinais atmosféricos específicos - algo mais parecido com Vénus. Ou pode ser uma rocha árida, sem atmosfera alguma", disse Piaulet-Ghorayeb.
A estrela TRAPPIST-1
Seja qual for o caso de TRAPPIST-1 d, é difícil ser um planeta em órbita em torno de uma estrela anã vermelha. TRAPPIST-1, a estrela hospedeira do sistema, é conhecida por ser volátil, frequentemente libertando erupções de radiação altamente energética com o potencial de destruir as atmosferas dos seus pequenos planetas, especialmente aqueles que orbitam mais perto. No entanto, os cientistas estão motivados a procurar sinais de atmosferas nos planetas TRAPPIST-1 porque as estrelas anãs vermelhas são as estrelas mais comuns na nossa Galáxia. Se os planetas conseguirem manter aqui uma atmosfera, sob vagas de intensa radiação estelar, poderão, como diz o ditado, sobreviver em qualquer lugar.
"Os sensíveis instrumentos infravermelhos do Webb estão a permitir-nos explorar, pela primeira vez, as atmosferas destes planetas mais pequenos e frios", afirmou Björn Benneke, do IREx da Universidade de Montreal, coautor do estudo. "Estamos apenas a começar a usar o Webb para procurar atmosferas em planetas do tamanho da Terra e para definir a linha divisória entre os planetas que conseguem reter uma atmosfera e aqueles que não conseguem".
Os planetas exteriores de TRAPPIST-1
As observações Webb dos planetas exteriores de TRAPPIST-1 estão em curso, que tanto têm potencial como podem estar em perigo. Por um lado, disse Benneke, os planetas e, f, g e h podem ter mais hipóteses de ter atmosferas porque estão mais distantes das erupções energéticas da sua estrela hospedeira. No entanto, a sua distância e ambiente mais frio tornarão as assinaturas atmosféricas mais difíceis de detetar, mesmo com os instrumentos infravermelhos do Webb.
"Nem tudo está perdido para as atmosferas em torno dos planetas TRAPPIST-1", disse Piaulet-Ghorayeb. "Embora não tenhamos encontrado uma assinatura atmosférica grande e evidente no planeta d, ainda há potencial para que os planetas exteriores retenham muita água e outros componentes atmosféricos".
"O nosso trabalho de 'detetive' está apenas a começar. Embora TRAPPIST-1 d possa ser uma rocha árida iluminada por uma estrela vermelha cruel, os planetas exteriores TRAPPIST-1 e, f, g e h ainda podem possuir atmosferas densas", acrescentou Ryan MacDonald, coautor do artigo, atualmente na Universidade de St. Andrews, no Reino Unido, anteriormente da Universidade de Michigan. "Graças ao Webb, sabemos agora que TRAPPIST-1 d está longe de ser um mundo hospitaleiro. Estamos a aprender que a Terra é ainda mais especial no cosmos".
Astrónomos avistam o "Olho de Sauron" no espaço profundo
Olhando para dentro do cone do jato de plasma do blazar PKS 1424+240 com um radiotelescópio do VLBA (Very Long Baseline Array).
Crédito: NSF/AUI/NRAO/B. Saxton/Y.Y. Kovalev et al.
Localizado a milhares de milhões de anos-luz de distância, o blazar PKS 1424+240 há muito que intriga os astrónomos. Destacava-se como o blazar emissor de neutrinos mais brilhante conhecido no céu - conforme identificado pelo Observatório de Neutrinos IceCube - e também brilhava em raios gama altamente energéticos observados por telescópios Cherenkov terrestres. No entanto, estranhamente, o seu jato de rádio parecia mover-se lentamente, contrariando as expetativas de que apenas os jatos mais rápidos podem alimentar emissões tão intensas de alta energia.
Agora, graças a 15 anos de observações rádio ultraprecisas do VLBA (Very Long Baseline Array), os investigadores conseguiram criar uma imagem profunda deste jato com uma resolução sem precedentes.
"Quando reconstruímos a imagem, era absolutamente impressionante", diz Yuri Kovalev, autor principal do estudo e investigador principal do projeto MuSES (Multi-messenger Studies of Extragalactic Super-colliders) no Instituto Max Planck de Radioastronomia. "Nunca vimos nada parecido - um campo magnético toroidal quase perfeito com um jato, apontando diretamente para nós".
Como o jato está alinhado quase exatamente na direção da Terra, a sua emissão de alta energia é ampliada dramaticamente pelos efeitos da relatividade especial. "Este alinhamento causa um aumento de brilho por um fator de 30 ou mais", explica Jack Livingston, coautor do estudo e também do Instituto Max Planck de Radioastronomia. "Ao mesmo tempo, o jato parece mover-se lentamente devido aos efeitos de projeção - uma clássica ilusão de ótica".
Essa geometria frontal permitiu aos cientistas observar diretamente o coração do jato do blazar - uma oportunidade extremamente rara. Sinais de rádio polarizados ajudaram a equipa a mapear a estrutura do campo magnético do jato, revelando a sua provável forma helicoidal ou toroidal. Essa estrutura desempenha um papel fundamental no lançamento e na colimação do fluxo de plasma e pode ser essencial para acelerar partículas a energias extremas.
O "Olho de Sauron" - uma imagem impressionante do jato de plasma no blazar PKS 1424+240, visto de frente. O jato é atravessado por um campo magnético toroidal quase perfeito (visto a laranja). Devido à relatividade especial, os raios gama e os neutrinos altamente energéticos são fortemente direcionados para a Terra, mesmo que o jato pareça mover-se lentamente da nossa perspetiva.
Crédito: Y.Y. Kovalev et al.
"Resolver este quebra-cabeças confirma que os núcleos galácticos ativos com buracos negros supermassivos não são apenas poderosos aceleradores de eletrões, mas também de protões - a origem dos neutrinos de alta energia observados", conclui Kovalev.
A descoberta é um triunfo para o programa MOJAVE (Monitoring Of Jets in Active galactic nuclei with VLBA Experiments), um esforço de décadas para monitorizar jatos relativísticos em galáxias ativas usando o VLBA. Os cientistas utilizam a técnica de interferometria de longa linha de base, que liga radiotelescópios em todo o mundo para formar um telescópio virtual do tamanho da Terra. Isto fornece a mais alta resolução disponível em astronomia, permitindo-lhes estudar os detalhes finos de jatos cósmicos distantes.
"Quando começámos o MOJAVE, a ideia de um dia ligar diretamente jatos de buracos negros distantes a neutrinos cósmicos parecia ficção científica. Hoje, as nossas observações estão a torná-la realidade", afirma Anton Zensus, diretor do Instituto Max Planck de Radioastronomia e cofundador do programa.
Este resultado reforça a ligação entre jatos relativísticos, neutrinos altamente energéticos e o papel dos campos magnéticos na formação de aceleradores cósmicos - um marco na astronomia multimensageira.
A influência dos planetas pode atenuar a atividade solar
As ejeções de massa coronal estão intimamente ligadas à atividade magnética do Sol. O facto dessa atividade ser significativamente reduzida em comparação com a de outras estrelas semelhantes ao Sol pode ser devido à sincronização através dos efeitos de maré dos planetas.
Crédito: NASA/GSFC/SDO
O nosso Sol é cerca de cinco vezes menos magneticamente ativo do que outras estrelas semelhantes - efetivamente, um caso especial. A razão para isso pode residir nos planetas do nosso Sistema Solar, afirmam investigadores do HZDR (Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf). Nos últimos dez anos, desenvolveram um modelo que deriva praticamente todos os ciclos de atividade conhecidos do Sol a partir da influência cíclica das forças de maré dos planetas. Agora, também conseguiram demonstrar que essa sincronização externa reduz automaticamente a atividade solar.
De momento, o Sol está a atingir um nível máximo de atividade que só é observado a cada onze anos, aproximadamente. É por isso que nós, na Terra, observamos mais auroras polares e tempestades solares, bem como um clima espacial turbulento em geral. Isto tem impacto nos satélites espaciais e até mesmo na infraestrutura tecnológica da Terra. Apesar disso, em comparação com outras estrelas semelhantes ao Sol, as erupções de radiação mais fortes do nosso Sol são 10 a 100 vezes mais fracas. Este ambiente relativamente tranquilo pode ser uma condição prévia importante para a Terra ser habitável. Não menos importante por esta razão, os físicos solares querem compreender o que impulsiona precisamente a atividade solar.
Muitos ciclos - um modelo
Sabe-se que a atividade solar tem muitos padrões - flutuações periódicas mais curtas e mais longas, que variam de algumas centenas de dias a vários milhares de anos. Mas os investigadores têm maneiras muito diferentes de explicar os mecanismos físicos subjacentes. O modelo desenvolvido pela equipa liderada por Frank Stefani, do Instituto de Dinâmica de Fluidos do HZDR, vê os planetas como marca-passos: segundo essa compreensão, aproximadamente a cada onze anos, Vénus, a Terra e Júpiter concentram as suas forças de maré combinadas no Sol. Através de um mecanismo físico complexo, de cada vez que o fazem, dão um pequeno empurrão ao impulso magnético interno do Sol. Em combinação com o movimento orbital em forma de roseta do Sol, isto leva a flutuações periódicas sobrepostas de durações variáveis – exatamente como observado no Sol.
"Todos os ciclos solares identificados são uma consequência lógica do nosso modelo; o seu poder explicativo e consistência interna são realmente surpreendentes. De cada vez que refinamos o nosso modelo, descobrimos correlações adicionais com os períodos observados", diz Stefani. No trabalho agora publicado, dão o nome OQB – Oscilação Quasi-Bienal – uma flutuação aproximadamente bianual em vários aspetos da atividade solar. O ponto especial aqui é que, no modelo de Stefani, a OQB não só pode ser atribuída a um período preciso, mas também leva automaticamente a uma atividade solar atenuada.
Eventos cíclicos
Até agora, os dados solares geralmente relatavam períodos de OQB de 1,5 a 1,8 anos. Em trabalhos anteriores, alguns investigadores sugeriram uma ligação entre a OQB e os chamados eventos GLE (Ground Level Enhancement). São ocorrências esporádicas durante as quais partículas solares ricas em energia provocam um aumento repentino da radiação cósmica na superfície da Terra. "Um estudo realizado em 2018 mostra que os eventos de radiação medidos perto do solo ocorreram mais na fase positiva de uma oscilação com um período de 1,73 anos. Ao contrário da suposição habitual de que essas erupções de partículas solares são fenómenos aleatórios, esta observação indica um processo cíclico fundamental", diz Stefani. É por isso que ele e os seus colegas revisitaram a cronologia mais uma vez. Eles descobriram a maior correlação para um período de 1,724 anos. "Este valor é notavelmente próximo do valor de 1,723 anos que ocorre no nosso modelo como um ciclo de atividade completamente natural", diz Stefani. "Presumimos que seja a OQB".
A OQB suprime a atividade geral
Apesar do campo magnético do Sol oscilar entre o mínimo e o máximo ao longo de um período de onze anos, a OQB impõe um padrão adicional de curto prazo na intensidade do campo. Isto reduz a intensidade geral do campo, pois o campo magnético do Sol não mantém o seu valor máximo por tanto tempo. Um diagrama de frequência revela dois picos: um na intensidade máxima do campo e outro quando a OQB oscila de volta. Este efeito é conhecido como bimodalidade do campo magnético solar. No modelo de Stefani, os dois picos fazem com que a intensidade média do campo magnético solar seja reduzida - uma consequência lógica da OQB.
"Este efeito é muito importante porque o Sol é mais ativo durante as intensidades de campo mais altas. É quando ocorrem os eventos mais intensos, com enormes tempestades geomagnéticas, como o evento Carrington de 1859, quando auroras polares puderam ser vistas até em Roma e Havana, e altas tensões danificaram linhas telegráficas. Se o campo magnético do Sol permanecer em intensidades de campo mais baixas por um período significativamente mais longo, no entanto, isso reduz a probabilidade de eventos muito violentos", explica Stefani.
Medições do "bater do coração" de um buraco negro, pelo IXPE, desafiam as teorias atuais (via NASA)
Uma equipa internacional de astrónomos, utilizando o IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer) da NASA, desafiou a nossa compreensão sobre o que acontece à matéria nas redondezas de um buraco negro. Com o IXPE, os astrónomos podem estudar os raios X recebidos e medir a polarização, uma propriedade da luz que descreve a direção do seu campo elétrico. O grau de polarização é uma medida do alinhamento dessas vibrações entre si. Os cientistas podem usar o grau de polarização de um buraco negro para determinar a localização da coroa – uma região de plasma magnetizado extremamente quente que envolve um buraco negro – e como ela gera raios X. Ler fonte
Planetas sem água ainda podem produzir certos líquidos, revela novo estudo (via MIT)
A água é essencial para a vida na Terra. Por isso, o líquido deve ser um requisito para a vida noutros mundos. Durante décadas, a definição científica de habitabilidade noutros planetas baseou-se nessa suposição. Mas o que torna alguns planetas habitáveis pode ter muito pouco a ver com a água. Na verdade, um tipo totalmente diferente de líquido poderia, possivelmente, suportar vida em mundos onde a água mal existe. Esta é uma possibilidade levantada por cientistas do MIT num estudo publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Ler fonte
Álbum de fotografias Trapézio: No Coração de Orionte
O que existe no coração de Orionte? O Trapézio: quatro estrelas brilhantes, que podem ser encontradas perto do centro deste nítido retrato cósmico. Reunidas numa região com cerca de 1,5 anos-luz de raio, estas estrelas dominam o núcleo do denso enxame estelar da Nebulosa de Orionte. A ionizante radiação ultravioleta das estrelas do Trapézio, principalmente da estrela mais brilhante, Theta-1 Orionis C, alimenta todo o brilho visível da complexa região de formação estelar. Com cerca de três milhões de anos, o enxame da Nebulosa de Orionte era ainda mais compacto nos seus primeiros anos, e um estudo dinâmico indica que colisões estelares descontroladas numa idade mais precoce podem ter formado um buraco negro com mais de 100 vezes a massa do Sol. A presença de um buraco negro dentro do enxame poderia explicar as altas velocidades observadas das estrelas do Trapézio. A distância da Nebulosa de Orionte, cerca de 1500 anos-luz, torna-o um dos buracos negros candidatos mais próximos da Terra.
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