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  Astroboletim #2247  
  19/09 a 22/09/2025  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 19/09: 262.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1988, Israel lança o seu primeiro satélite, o Ofeq 1.
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HOJE, NO COSMOS:
Arcturo brilha a oeste por estas noites, depois do lusco-fusco. Capella, igualmente brilhante, está muito baixa a norte-nordeste (dependendo da latitude do observador; quanto mais para norte estiver, mais alta estará). São ambas estrelas de magnitude 0.
Por volta das 22-23 horas, Arcturo e Capella brilham à mesma altura nas suas respetivas direções. Qual o momento exato deste evento? Depende da latitude e da longitude do observador.
Quando tal acontecer, vire-se para sul-sudeste e olhe perto do horizonte. Aí estará a estrela de primeira magnitude, Fomalhaut, à mesma altura - se se encontrar a 43º N. Para sul dessa latitude, estará mais alta do que Capella e Arcturo. Para norte, estará mais baixa.

 

DIA 20/09: 263.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1999, o Telescópio Espacial de raios X Chandra, lançado a 23 de julho de 1999, revela características ainda não observadas nos remanescentes de três explosões de supernova.
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HOJE, NO COSMOS:
Pelas 23 horas, dois dos objetos de céu profundo mais bem conhecidos, o Enxame Duplo de Perseu e a Grande Galáxia de Andrómeda (M31), estão altos a nordeste e este, respetivamente. Estão separados por apenas 22º (dois punhos à distância do braço esticado). Estão ambos catalogados como tendo menos de magnitude 4 a olho nu mas são muito diferentes um do outro, quanto mais escuro for o céu. Confirme por si próprio(a), com a ajuda de um mapa celeste ou de uma app no seu smartphone. Estão para baixo de Cassiopeia e para a direita de Cassiopeia, respetivamente. O seu céu é demasiado brilhante? Use binóculos!
Os dois enxames abertos do Enxame Duplo de Perseu (NGC 869 e NGC 884) estão a distâncias muito parecidas de aproximadamente 7600 anos-luz. M31, a 2,5 milhões de anos-luz, está 330 vezes mais longe.

 

DIA 21/09: 264.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1974, a Mariner 10 faz o seu segundo voo rasante por Mercúrio.
Em 2003 termina a missão da Galileo, quando a sonda entra na atmosfera de Júpiter e é esmagada pela pressão a baixas altitudes.
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HOJE, NO COSMOS:
Saturno em oposição, pelas 07:00.
Lua Nova, pelas 20:54.

 

DIA 22/09: 265.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1959, nascia Saul Perlmutter, astrofísico americano que ganhou em 2011 o Prémio Nobel da Física (juntamente com Brian P. Schmidt e Adam Riess) por fornecer evidências da aceleração da expansão do Universo.
Em 2001, numa passagem arriscada, a sonda da NASA Deep Space 1 navega com êxito pelo Cometa Borrelly, dando aos cientistas o melhor olhar de dentro do núcleo denso e gelado de poeira e gás (à data).
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Em 1993, termina a missão STS-51 do vaivém espacial Discovery.
Em 2011, cientistas do CERN anunciam a sua descoberta de neutrinos quebrando a velocidade da luz (que se sabe agora ter sido um erro devido a falhas nos seus equipamentos).
HOJE, NO COSMOS:
A Terra atravessa o ponto do equinócio de setembro pelas 19:19. Bem-vindo, outono! É quando o Sol atravessa o equador, dirigindo-se para sul. Os dias estão a ficar mais curtos. Por coincidência, quando o verão passa a outono, é quando Deneb toma o lugar de Vega como a estrela do zénite após o anoitecer (para observadores a latitudes médias norte).

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Conheça a missão IMAP, que vai estudar os limites do nosso lar no espaço
 
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Impressão de artista da sonda IMAP.
Crédito: NASA/Universidade de Princeton/Patrick McPike
 

O espaço é um lugar perigoso - um lugar repleto de radiação e de partículas altamente energéticas que podem danificar o ADN e as placas de circuitos. No entanto, a vida perdura no nosso Sistema Solar, em parte devido à heliosfera, uma bolha gigante criada pelo Sol que se estende muito para além da órbita de Neptuno.

Com a nova sonda IMAP (Interstellar Mapping and Acceleration Probe) da NASA, cujo lançamento não será antes de terça-feira, dia 23 de setembro, a humanidade vai poder observar a heliosfera melhor do que nunca. A missão irá traçar os limites da heliosfera para nos ajudar a compreender melhor a proteção que oferece e a forma como se altera com a atividade do Sol. A missão IMAP também fornecerá medições quase em tempo real das condições do clima espacial, essenciais para a campanha Artemis e para as viagens ao espaço profundo.

"Com a IMAP, vamos alargar as fronteiras do conhecimento e da compreensão do nosso lugar não só no Sistema Solar, mas também na galáxia como um todo", disse Patrick Koehn, cientista do programa IMAP na sede da NASA em Washington. "À medida que a humanidade se expande e explora para lá da Terra, missões como a IMAP vão acrescentar novas peças ao puzzle do clima espacial que preenche o espaço entre a Parker Solar Probe, perto do Sol, e as Voyagers para lá da heliopausa".

Domínio do Sol

A heliosfera é criada pelo fluxo constante de material e campos magnéticos do Sol, chamado vento solar. À medida que o Sistema Solar se move pela Via Láctea, a interação do vento solar com o material interestelar cria a bolha da heliosfera. O estudo da heliosfera ajuda os cientistas a compreender o nosso lar no espaço e a forma como se tornou habitável.

Como um cartógrafo celeste dos tempos modernos, a missão IMAP irá mapear os limites da nossa heliosfera e estudar a forma como a heliosfera interage com a vizinhança galáctica local. Irá mapear a vasta gama de partículas, poeiras, luz ultravioleta e campos magnéticos no espaço interplanetário, para investigar a energização de partículas carregadas do Sol e a sua interação com o espaço interestelar.

A missão IMAP baseia-se nas missões Voyager e IBEX (Interstellar Boundary Explorer) da NASA. Em 2012 e 2018, as duas naves espaciais Voyager foram os primeiros objetos criados pelo homem a atravessar a fronteira da heliosfera e a enviar medições do espaço interestelar. Os cientistas obtiveram assim uma imagem do aspeto da fronteira e da sua localização em dois locais específicos. Embora a IBEX tenha estado a mapear a heliosfera, deixou muitas perguntas sem resposta. Com uma resolução 30 vezes superior e imagens mais rápidas, a IMAP ajudará a preencher as incógnitas acerca da heliosfera.

Átomos neutros energéticos: mensageiros atómicos dos limites da nossa heliosfera

Dos 10 instrumentos da IMAP, três irão investigar os limites da heliosfera através da recolha de átomos neutros energéticos, ou ANEs. Muitos ANEs têm origem em partículas com carga positiva libertadas pelo Sol, mas, depois de atravessarem o Sistema Solar, estas partículas chocam com partículas do espaço interestelar. Nesta colisão, algumas dessas partículas com carga positiva tornam-se neutras e nasce um átomo neutro energético. A interação também redireciona os novos ANEs, e alguns ricocheteiam de volta para o Sol.

As partículas carregadas são forçadas a seguir as linhas do campo magnético, mas os ANEs viajam em linha reta, não sendo afetados pelas curvas e turbulências dos campos magnéticos que permeiam o espaço e moldam os limites da heliosfera. Isto significa que os cientistas podem seguir a origem destes mensageiros atómicos e estudar à distância regiões distantes do espaço. A missão IMAP utilizará os ANEs que recolhe perto da Terra para rastrear as suas origens e construir mapas dos limites da heliosfera, que de outra forma seriam invisíveis a esta distância.

"Com o seu conjunto abrangente de instrumentos de última geração, a IMAP fará avançar a nossa compreensão de duas questões fundamentais: como as partículas são energizadas e transportadas através da heliosfera e como a própria heliosfera interage com a nossa Galáxia", disse Shri Kanekal, cientista da missão IMAP no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA.

Clima espacial: monitorização do vento solar

A missão IMAP irá também apoiar observações quase em tempo real do vento solar e das energéticas partículas solares, que podem produzir condições perigosas no ambiente espacial próximo da Terra. A partir da sua localização no Ponto de Lagrange 1, a cerca de 1,5 milhões de quilómetros da Terra em direção ao Sol, a IMAP fornecerá um aviso de cerca de meia hora de partículas perigosas que se dirigem para o nosso planeta. Os dados da missão ajudarão no desenvolvimento de modelos que podem prever os impactos do clima espacial, desde interrupções na rede elétrica até à perda de satélites.

"A missão IMAP fornecerá informações muito importantes para as viagens ao espaço profundo, onde os astronautas estarão diretamente expostos aos perigos do vento solar", disse David McComas, investigador principal da IMAP na Universidade de Princeton.

Poeira cósmica: pistas da Galáxia

Para além de medir os ANEs e as partículas do vento solar, a IMAP também fará medições diretas da poeira interestelar - aglomerados de partículas originárias do exterior do Sistema Solar que são mais pequenas do que um grão de areia. Esta poeira espacial é maioritariamente composta por grãos rochosos ou ricos em carbono que sobram do rescaldo de explosões de supernova.

A composição elementar específica desta poeira espacial é um "carimbo postal" que indica a sua origem na Galáxia. O estudo da poeira cósmica pode fornecer informações sobre as composições de estrelas muito distantes do nosso Sistema Solar. Também ajudará os cientistas a avançar significativamente o que sabemos sobre estes materiais básicos de construção cósmica e fornecerá informações sobre a composição do material entre as estrelas.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Mapeando os limites do nosso lar no espaço com a missão IMAP da NASA (NASA Goddard via YouTube)

 


Quer saber mais?

IMAP (Interstellar Mapping and Acceleration Probe):
NASA
Universidade de Princeton
Wikipedia

Heliosfera:
Wikipedia

Espaço interestelar:
Wikipedia

Atomo neutro energético:
Wikipedia

Clima espacial:
Wikipedia

Sondas Voyager:
NASA
Heavens Above
Voyager 1 (Wikipedia)
Voyager 2 (Wikipedia)

IBEX (Interstellar Boundary Explorer):
NASA
Wikipedia

 
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XRISM descobre um mistério nos ventos cósmicos da mudança
 
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Impressão artística dos poderosos ventos que sopram da brilhante fonte de raios X GX13+1. Os raios X provêm de um disco de matéria quente, conhecido como disco de acreção, que está gradualmente a espiralar para atingir a superfície de uma estrela de neutrões.
Crédito: ESA
 

O XRISM (X-Ray Imaging and Spectroscopy Mission) revelou uma diferença inesperada entre os poderosos ventos lançados de um disco em torno de uma estrela de neutrões e os ventos da matéria que rodeia os buracos negros supermassivos. O vento surpreendentemente denso que sopra do sistema estelar desafia a nossa compreensão de como tais ventos se formam e promovem mudanças no seu ambiente.

No dia 25 de fevereiro de 2024, o telescópio espacial XRISM usou o seu instrumento Resolve para observar a estrela de neutrões GX13+1, o núcleo queimado de uma estrela outrora maior. GX13+1 é uma brilhante fonte de raios X. Os raios X provêm de um disco de matéria quente, conhecido como disco de acreção, que está gradualmente a espiralar para atingir a superfície da estrela de neutrões.

Estes fluxos também alimentam outros fluxos [de saída] que influenciam e transformam o ambiente cósmico. No entanto, os pormenores de como são produzidos continuam a ser objeto de investigação. Por isso, o XRISM estava a observar GX13+1.

Dado o poder sem precedentes do Resolve para revelar a energia dos fotões de raios X que chegam, a equipa do XRISM esperava ver esses detalhes como nunca antes.

"Quando vimos pela primeira vez a riqueza de detalhes nos dados, sentimos que estávamos a testemunhar um resultado revolucionário", diz Matteo Guainazzi, cientista do projeto XRISM da ESA. "Para muitos de nós, foi a realização de um sonho que perseguimos durante décadas".

Estes ventos cósmicos são muito mais do que curiosidades científicas - são os ventos que impulsionam a mudança cósmica.

Aparecem também em sistemas de buracos negros supermassivos que se encontram no centro das galáxias e podem provocar a formação de estrelas, desencadeando o colapso de nuvens moleculares gigantes, ou podem impedir a formação de estrelas, aquecendo e soprando essas nuvens para longe. Os astrónomos chamam a isto "feedback", e pode ser tão poderoso que os ventos de um buraco negro supermassivo podem controlar o crescimento de toda a sua galáxia-mãe.

Uma vez que os mecanismos que geram os ventos dos buracos negros supermassivos podem ser fundamentalmente os mesmos que os que atuam em torno de GX13+1, a equipa optou por olhar para GX13+1 porque está mais próxima e, por isso, parece mais brilhante do que as variedades de buracos negros supermassivos, o que significa que os ventos podem ser estudados com mais pormenor.

Houve uma surpresa. Alguns dias antes da data prevista para as observações, GX13+1 ficou inesperadamente mais brilhante - atingindo ou mesmo ultrapassando um limite teórico conhecido como limite de Eddington.

O princípio subjacente a este limite é que, à medida que mais matéria cai sobre um objeto compacto, como um buraco negro ou uma estrela de neutrões, mais energia é libertada. Quanto mais rapidamente a energia é libertada, maior é a pressão que exerce sobre a matéria em queda, empurrando-a para o espaço. No limite de Eddington, a quantidade de luz altamente energética que está a ser produzida é essencialmente suficiente para transformar quase toda a matéria em queda num vento cósmico.

E o Resolve estava a observar GX13+1 quando este acontecimento espantoso teve lugar.

"Não podíamos ter programado isto se tivéssemos tentado", disse Chris Done, da Universidade de Durham, no Reino Unido, investigador principal do estudo. "O sistema passou de cerca de metade da sua emissão máxima de radiação para algo muito mais intenso, criando um vento mais espesso do que alguma vez tínhamos visto".

Mas, misteriosamente, o vento não estava a viajar à velocidade que os cientistas do XRISM esperavam. Mantinha-se a cerca de 1 milhão de quilómetros por hora. Apesar de ser rápido para qualquer padrão terrestre, é decididamente lento quando comparado com os ventos cósmicos produzidos perto do limite de Eddington em torno de um buraco negro supermassivo. Nessa situação, os ventos podem atingir 20 a 30 por cento da velocidade da luz, mais de 200 milhões de quilómetros por hora.

"Ainda me surpreende o quão 'lento' é este vento", diz Chris, "bem como a sua densidade. É como olhar para o Sol através de nevoeiro que vem na nossa direção. Tudo fica mais escuro quando o nevoeiro é espesso".

Esta não foi a única diferença que a equipa observou. O XRISM tinha anteriormente revelado um vento de um buraco negro supermassivo no limite de Eddington. Nesse caso, o vento era ultrarrápido e irregular, ao passo que o vento de GX13+1 é lento e flui de modo uniforme.

"Os ventos eram completamente diferentes, mas provinham de sistemas que são praticamente iguais em termos do limite de Eddington. Portanto, se estes ventos são realmente alimentados apenas pela pressão da radiação, porque é que são diferentes?", pergunta Chris.

A equipa propôs que isso se deve à temperatura do disco de acreção formado em torno do objeto central. Contra-intuitivamente, os buracos negros supermassivos tendem a ter discos de acreção com temperaturas mais baixas do que os que rodeiam sistemas binários de massa estelar com buracos negros ou estrelas de neutrões.

Isto deve-se ao facto de os discos de acreção em torno de buracos negros supermassivos serem maiores. São também mais luminosos, mas a sua potência está espalhada por uma área maior - tudo é maior à volta de um buraco negro grande. Assim, o tipo típico de radiação libertada por um disco de acreção de um buraco negro supermassivo é radiação ultravioleta, que tem menos energia do que os raios X libertados pelos discos de acreção dos binários estelares.

Uma vez que a luz ultravioleta interage com a matéria muito mais facilmente do que os raios X, Chris e os seus colegas especulam que isso pode empurrar a matéria de forma mais eficiente, criando os ventos mais rápidos observados nos sistemas de buracos negros.

Se assim for, a descoberta promete reformular a nossa compreensão da forma como a energia e a matéria interagem nalguns dos ambientes mais extremos do Universo, fornecendo uma janela mais completa para os mecanismos complexos que moldam as galáxias e impulsionam a evolução cósmica.

"A resolução sem precedentes do XRISM permite-nos investigar estes objetos - e muitos outros - com muito maior detalhe, abrindo caminho para a próxima geração de telescópios de raios X de alta resolução, como o NewAthena", afirma Camille Diez, investigadora da ESA.

// ESA (comunicado de imprensa)
// JAXA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Durham (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)

 


Quer saber mais?

Estrela de neutrões:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Disco de acreção:
Wikipedia

Limite de Eddington:
Wikipedia

XRISM (X-Ray Imaging and Spectroscopy Mission):
JAXA
NASA
ESA
Wikipedia

NewAthena (New Advanced Telescope for High-ENergy Astrophysics):
ESA

 
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Regiões do asteroide Donaldjohanson, explorado pela sonda Lucy, recebem nomes oficiais
 
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Nomes oficialmente reconhecidos das características geológicas do asteroide Donaldjohanson.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/SwRI/APL da Universidade Johns Hopkins
 

A UAI (União Astronómica Internacional), uma organização internacional não governamental de investigação e autoridade global para a atribuição de nomes aos objetos celestes, aprovou nomes oficiais para características de Donaldjohanson, um asteroide que a nave espacial Lucy da NASA visitou a 20 de abril. Numa alusão à inspiração fossilizada para os nomes do asteroide e da nave espacial, as escolhas da UAI reconhecem locais e descobertas importantes na Terra que aprofundam a nossa compreensão das origens da humanidade.

O asteroide foi batizado em 2015 em homenagem ao paleoantropólogo Donald Johanson, descobridor de um dos fósseis mais famosos alguma vez encontrados de uma hominina, ou antigo antepassado humano, apelidada de Lucy. Tal como o fóssil de Lucy revolucionou a nossa compreensão da evolução humana, a missão Lucy da NASA pretende revolucionar a nossa compreensão da evolução do Sistema Solar, estudando pelo menos oito asteroides troianos que partilham uma órbita com Júpiter.

Donaldjohanson, localizado na cintura principal de asteroides entre as órbitas de Marte e Júpiter, foi um alvo para a sonda Lucy porque ofereceu uma oportunidade para um "ensaio geral" abrangente da sua missão principal, com os seus três instrumentos científicos a realizarem sequências de observação muito semelhantes às que ocorrerão nos asteroides troianos.

Depois de explorar o asteroide e de ver as suas características de perto, a equipa científica e de engenharia da sonda Lucy propôs dar nomes às características da superfície do asteroide em reconhecimento de locais e descobertas paleoantropológicas importantes, o que foi aceite pela UAI.

O lóbulo mais pequeno chama-se Afar Lobus, em homenagem à região etíope onde Lucy e outros fósseis de hominídeos foram encontrados. O lóbulo maior chama-se Olduvai Lobus, em homenagem ao desfiladeiro de um rio, na Tanzânia, que também deu origem a muitas descobertas importantes de hominídeos.

O pescoço do asteroide, Windover Collum, que une esses dois lóbulos, tem o nome do Campo Arqueológico de Windover, perto da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, EUA - onde a missão Lucy da NASA foi lançada em 2021. Restos humanos e artefactos recuperados desse local revolucionaram a nossa compreensão das pessoas que viveram na Flórida há cerca de 7300 anos.

Duas áreas lisas no pescoço do asteroide têm o nome de Hadar Regio, marcando o local específico da descoberta do fóssil Lucy por Johanson, e Minatogawa Regio, em homenagem ao local onde foram encontrados os mais antigos hominídeos conhecidos no Japão. Pedregulhos e crateras específicas em Donaldjohanson têm o nome de fósseis notáveis, desde hominídeos pré-Homo sapiens a antigos humanos modernos. A UAI também aprovou um sistema de coordenadas para mapear as características deste pequeno mundo que tem uma forma tão peculiar.

A nave espacial Lucy está a cerca de 480 milhões de km do Sol, a caminho do seu encontro, em agosto de 2027, com o seu primeiro asteroide troiano, chamado Euríbates. Isto coloca a Lucy a cerca de três-quartos do caminho através da cintura principal de asteroides. Desde o seu encontro com Donaldjohanson que a Lucy tem estado a navegar sem passar perto de quaisquer outros asteroides e sem necessitar de quaisquer manobras de correção de trajetória.

A equipa continua a monitorizar cuidadosamente os instrumentos e a nave espacial à medida que esta se afasta do Sol para um ambiente mais frio.

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão Lucy pelo CCVAlg - Astronomia:
25/04/2025 - Lucy fotografa o asteroide Donaldjohanson
18/04/2025 - Lucy prepara o segundo encontro com um asteroide
04/06/2024 - Imagens, pela sonda Lucy, revelam que o asteroide Dinkinesh é surpreendentemente complexo
03/05/2024 - Novos cálculos determinam a idade de asteroide "bebé"
10/11/2023 - Lucy surpreende de novo: observa o primeiro binário de contacto em órbita de um asteroide
03/11/2023 - Lucy completa o seu primeiro "flyby" e descobre que Dinkinesh afinal é um asteroide binário!
24/10/2023 - Sonda Lucy prepara-se para a sua primeira passagem por um asteroide
31/01/2023 - Equipa da missão Lucy da NASA anuncia novo alvo
19/08/2022 - Equipa da missão Lucy da NASA descobre lua em torno do asteroide Polimel
01/10/2021 - Missão Lucy da NASA prepara-se para viajar até aos asteroides troianos
13/11/2018 - Trabalho de detetive cósmico: a importância das rochas espaciais
14/09/2018 - Cientistas encontram evidências de escaramuça planetária precoce

Asteroide 52246 Donaldjohanson (1981 EQ5):
NASA
AstDyS-2
Wikipedia

Asteroide 3548 Euríbates (1973 SO):
NASA
AstDyS-2
Wikipedia
Queta, lua de Euríbates (Wikipedia)

Asteroides troianos:
Wikipedia

Missão Lucy:
NASA
SwRI
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   Conseguirá a Hayabusa2 aterrar? Novo estudo revela que o asteroide alvo da missão espacial é mais pequeno e mais rápido do que se pensava (via ESO)
Com o auxílio de observatórios em todo o mundo, incluindo o VLT do ESO, os astrónomos estudaram o asteroide 1998 KY26, descobrindo que este objeto é quase três vezes mais pequeno e gira muito mais depressa do que se pensava anteriormente. Este asteroide é o alvo da missão japonesa Hayabusa2, que foi prolongada até 2031. As novas observações oferecem informações importantes para as operações da missão no asteroide, quando estamos a apenas 6 anos do encontro entre a sonda espacial e o 1998 KY26. Ler fonte
     
  Análise da NASA mostra que a atividade do Sol está a aumentar (via NASA)
O Sol tem-se tornado cada vez mais ativo desde 2008, segundo um novo estudo da NASA. Sabe-se que a atividade solar flutua em ciclos de 11 anos, mas existem variações a mais longo prazo que podem durar décadas. Um exemplo disso é o seguinte: desde a década de 1980, a quantidade de atividade solar tem vindo a diminuir de forma constante até 2008, ano em que a atividade solar foi a mais fraca de que há registo. Nessa altura, os cientistas esperavam que o Sol entrasse num período de atividade historicamente baixa. Mas depois o Sol inverteu o curso e começou a tornar-se cada vez mais ativo, como documenta o estudo. É uma tendência que, segundo os investigadores, pode levar a um aumento dos fenómenos do clima espacial, como tempestades solares, erupções e ejeções de massa coronal. Ler fonte
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Álbum de fotografias
Nebulosas e Enxames em Sagitário

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: J. De WinterC. HumbertC. Robert e V. Sabet
 
Consegue identificar os famosos objetos celestes desta imagem? O astrónomo do século XVIII, Charles Messier, catalogou apenas dois deles: a brilhante Nebulosa da Lagoa (M8), em baixo, e a colorida Nebulosa Trífida (M20), em cima à direita. A da esquerda, que se assemelha a uma pata de gato, é NGC 6559, e é muito mais ténue do que as outras duas. Ainda mais difíceis de detetar são os finos filamentos azuis à esquerda, de um remanescente de supernova (SNR G007.5-01.7). O seu brilho provém de pequenas quantidades de átomos de oxigénio, que são tão ténues que foram necessárias mais de 17 horas de exposição com apenas uma cor azul para os fazer aparecer. A enquadrar esta cena de nascimento e morte estelar estão dois enxames de estrelas: o enxame aberto M21, mesmo para cima da Trífida (não visível na imagem), e o enxame globular NGC 6544, em baixo à esquerda.
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