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  Astroboletim #2251  
  03/10 a 06/10/2025  
     
 
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MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve irá, em colaboração com o Centro Ciência Viva de Tavira, realizar uma sessão de observação do Sol na seguinte data:
Data: 24 de outubro de 2025
Hora: 10:30 - 12:00
Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
A sessão é gratuita e não sujeita a marcação.
Participe!
Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt

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EFEMÉRIDES

DIA 03/10: 276.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1815, cai um meteorito em Chassigny, França. Foi o primeiro meteorito a ser identificado como sendo de Marte.
Em 1942, era lançado da Alemanha o primeiro foguete V-2/A-4, que se tornaria também no primeiro artefacto humano a atingir o espaço.
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Em 1962, era lançada de Cabo Canaveral a missão Mercury 8.
Em 1985, o vaivém Atlantis fazia a sua viagem inaugural
Em 2005, ocorreu o último eclipse anular de Sol visível em Portugal.
HOJE, NO COSMOS:
Vega é a estrela mais brilhante muito alta a oeste. Se olhar cerca de 14º para a direita de Vega (um pouco mais do que um punho à distância do braço esticado), encontrará a estrela Eltanin, de segunda magnitude, o nariz do Dragão. O resto da ténue cabeça de Dragão está um pouco para a direita. Dragão olha sempre para Vega à medida que viajam pelo céu.

 

DIA 04/10: 277.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1582, o Papa Gregório XIII implementa o Calendário Gregoriano. Na Itália, Polónia, em Portugal e em Espanha, o dia 4 de outubro é seguido diretamente pelo dia 15 de outubro.
Em 1957, era lançado o Sputnik 1, o primeiro satélite artifical.
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Tinha começado a "corrida espacial".
Em 1959, lançamento da Luna 3 (missão soviética de "flyby" pela Lua).
Em 2004, a SpaceShipOne ganha o prémio Ansari X, de voo espacial privado, ao ser a primeira nave privada a viajar no espaço.
HOJE, NO COSMOS:
Esta noite, encontre Saturno a brilhar cerca de um punho à distância do braço esticado para a esquerda ou para baixo e para a esquerda da Lua. Fomalhaut pisca quase ao dobro da distância mas para baixo e para a direita do nosso satélite natural.

 

DIA 05/10: 278.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1882 nasce Robert Goddard, pioneiro no desenvolvimento dos foguetões.
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Em 1923, Edwin Hubble descobre a primeira variável Cefeida em M31, a Galáxia de Andrómeda, estabelecendo que as "nebulosas" espirais são independentes e são sistemas estelares externos, tal como a Via Láctea.
Em 1958, nasce Neil deGrasse Tyson, astrofísico, cosmólogo, autor e comunicador científico americano.
Em 1984, Marc Garneau torna-se no primeiro canadiano no espaço, a bordo do vaivém Challenger.
Em 2000, astrónomos espanhóis e alemães publicam, na revista Science, uma descoberta de planetas gigantes, gasosos e isolados, sem estrelas, a serem formados na região de Orionte. Estes "super-júpiteres" flutuam livremente dentro de um enxame estelar, mas a distâncias suficientemente grandes para permitir escapar à atração gravitacional das outras estrelas.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua, quase Cheia, brilha baixa a sudeste ao cair da noite com Saturno apenas poucos graus para baixo ou para baixo e para a direita. Com o avançar da noite, e até às primeiras horas do novo dia, observe que os dois astros se afastam ligeiramente um do outro.

 

DIA 06/10: 279.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1903, nascia Ernest Walton, físico irlandês que ganhou o prémio Nobel por ter sido a primeira pessoa na história a dividir artificialmente o átomo, dando início à era nuclear.
Em 1990 é lançado o observatório solar da ESA e da NASAUlysses, a partir do vaivém Discovery. Em fevereiro de 1992, levou um puxão gravitacional de Júpiter, forçando-o a sair do plano da eclíptica.
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Completou a sua missão principal de vigiar os dois polos do Sol, enviando resultados inesperados. Sabe-se que o polo magnético sul é muito mais dinâmico e sem localização fixa. A missão duraria até 2007.
Em 1995, é descoberto em 51 Pegasi o primeiro planeta a orbitar outra estrela que não o Sol.
HOJE, NO COSMOS:
Lua Cheia, pelas 04:48.
Depois da hora de jantar olhe logo acima do horizonte a nordeste - bem para baixo da constelação de Cassiopeia - para encontrar a brilhante Capella. A hora do nascer de Capella, e quão alta a encontrará, depende da latitude do observador. Quanto mais para norte estiver, mais cedo e mais alta estará.

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Webb estuda disco de formação de luas em torno de planeta massivo
 
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Uma representação artística de um disco de poeira e gás que rodeia o jovem exoplaneta CT Cha b, a 625 anos-luz da Terra. Dados espetroscópicos do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA sugerem que o disco contém a matéria-prima para a formação de luas. O planeta aparece em baixo à direita, enquanto a sua estrela hospedeira e o disco protoplanetário circundante são visíveis em segundo plano.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, G. Cugno (Universidade de Zurique, NCCR PlanetS), S. Grant (Instituto Carnegie), J. Olmsted (STScI), L. Hustak (STScI)
 

O Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA forneceu as primeiras medições diretas das propriedades químicas e físicas de um potencial disco de formação de luas que rodeia um grande exoplaneta. O disco rico em carbono que rodeia o mundo chamado CT Cha B, que se encontra a 625 anos-luz da Terra, é um possível "estaleiro" para a construção de luas, embora não tenham sido detetadas luas nos dados do Webb. O disco oferece uma perspetiva de como as luas dos gigantes gasosos do Sistema Solar, como Júpiter, se podem ter formado.

O nosso Sistema Solar contém oito grandes planetas e mais de 400 luas conhecidas em órbita de seis desses planetas. De onde é que todas elas vieram? Existem vários mecanismos de formação. O caso das grandes luas, como os quatro satélites galileanos à volta de Júpiter, é que se condensaram a partir de um disco de poeira e gás que rodeava o planeta quando este se formou. Mas isso terá acontecido há mais de quatro mil milhões de anos e, atualmente, as evidências forenses são escassas.

O Webb forneceu agora a primeira visão direta de material num disco em torno de um grande exoplaneta. Uma equipa internacional de astrónomos descobriu um disco rico em carbono em torno do mundo chamado CT Cha b, que se encontra a 625 anos-luz da Terra.

A jovem estrela que o planeta orbita tem apenas dois milhões de anos e ainda está a acretar material circunstelar. No entanto, o disco circumplanetário descoberto pelo Webb não faz parte do maior disco de acreção que rodeia a estrela central. Os dois objetos estão separados por 74 mil milhões de quilómetros.

Observar a formação de planetas e luas é fundamental para compreender a evolução dos sistemas planetários na nossa Galáxia. As luas são provavelmente mais numerosas do que os planetas, e algumas podem ser habitats para a vida tal como a conhecemos. Mas só agora estamos a entrar numa era em que podemos testemunhar a sua formação.

Os investigadores dizem que esta descoberta promove uma melhor compreensão da formação de planetas e luas. Os dados do Webb são importantes para a comparação com o nascimento do nosso Sistema Solar há mais de quatro mil milhões de anos.

"Podemos ver evidências do disco à volta da companheira e podemos estudar a química pela primeira vez. Não estamos apenas a testemunhar a formação da lua - estamos também a testemunhar a formação deste planeta", disse a coautora Sierra Grant do Instituto Carnegie em Washington, D.C., EUA.

"Estamos a ver que material está a ser acretado para construir o planeta e as luas", acrescentou o autor principal, Gabriele Cugno, da Universidade de Zurique, na Suíça, e membro do NCCR PlanetS (National Centre of Competence in Research PlanetS).

Dissecando a luz estelar

As observações infravermelhas de CT Cha b foram feitas com o MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb, utilizando o seu espetrógrafo de média resolução. Um primeiro olhar sobre os dados de arquivo do Webb revelou sinais de moléculas no disco circumplanetário, o que motivou um estudo mais profundo dos dados. Como o sinal ténue do planeta está enterrado no brilho da estrela hospedeira, os investigadores tiveram de separar a luz da estrela da do planeta usando métodos de alto contraste.

"Vimos moléculas na localização do planeta e sabíamos que havia ali coisas que valia a pena procurar e passar um ano a tentar extrair dos dados. Foi preciso muita perseverança", disse Sierra.

Por fim, a equipa descobriu sete moléculas com carbono no disco do planeta, incluindo acetileno (C2H2) e benzeno (C6H6). Esta química rica em carbono contrasta fortemente com a química observada no disco em torno da estrela hospedeira, onde os investigadores encontraram água, mas não carbono. A diferença entre os dois discos é uma evidência da sua rápida evolução química em apenas dois milhões de anos.

Génese das luas

Há muito que se coloca a hipótese de um disco circumplanetário de detritos ser o local de nascimento das quatro maiores luas de Júpiter. Estes satélites galileanos devem ter-se condensado a partir de um disco achatado há milhares de milhões de anos, como é evidente nas suas órbitas co-planares em torno de Júpiter. As duas luas galileanas mais externas, Ganimedes e Calisto, têm 50% de gelo de água. Mas presumivelmente têm núcleos rochosos, talvez feitos de carbono ou silício.

"Queremos saber mais sobre como o nosso Sistema Solar formou as luas. Isto significa que temos de olhar para outros sistemas que ainda estão em construção. Estamos a tentar perceber como tudo funciona", disse Gabriele. "Como é que estas luas se formam? Quais são os ingredientes? Que processos físicos estão em jogo e em que escalas de tempo? O Webb permite-nos testemunhar o drama da formação das luas e investigar estas questões, de forma observacional, pela primeira vez".

No próximo ano, a equipa utilizará o Webb para efetuar um levantamento exaustivo de objetos semelhantes, de modo a compreender melhor a diversidade de propriedades físicas e químicas dos discos em torno de planetas jovens. As informações poderão ser úteis, especialmente à medida que a JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer) se dirige para Júpiter e que se prepara uma futura missão para orbitar e aterrar na lua de Saturno, Encélado.

Estes resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal Letters.

// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Instituto Carnegie (comunicado de imprensa)
// Universidade de Zurique (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


Quer saber mais?

CT Cha B:
NASA
Simbad
Exoplanet.eu

CT Chamaeleontis:
Simbad
Wikipedia

Exoluas:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

Disco circumplanetário:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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Gaia descobre uma grande onda na nossa Galáxia
 
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Uma "fatia" vertical da Galáxia que mostra a ondulação de lado.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC, S. Payne-Wardenaar, E. Poggio et al (2025)
 

A nossa Galáxia, a Via Láctea, nunca está parada: gira e oscila. E agora, dados do telescópio espacial Gaia da ESA revelam que a nossa Galáxia também tem uma onda gigante que ondula do seu centro para fora.

Há cerca de cem anos que sabemos que as estrelas da Galáxia giram em torno do seu centro e o Gaia mediu as suas velocidades e movimentos. Desde a década de 1950 que sabemos que o disco da Via Láctea está deformado. Depois, em 2020, o Gaia descobriu que este disco oscila ao longo do tempo, de forma semelhante ao movimento de um pião.

E agora tornou-se claro que uma grande onda agita o movimento das estrelas da nossa Galáxia ao longo de distâncias de dezenas de milhares de anos-luz do Sol. Tal como uma pedra atirada para um lago, fazendo ondulações para fora, esta onda galáctica de estrelas abrange uma grande parte do disco exterior da Via Láctea.

A inesperada ondulação galáctica é ilustrada na figura abaixo. Aqui, as posições de milhares de estrelas brilhantes são mostradas a vermelho e azul, sobrepostas nos mapas da Via Láctea pelo Gaia.

 
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A onda gigante vista de "cima" e de lado.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC, S. Payne-Wardenaar, E. Poggio et al (2025)
 

Na imagem da esquerda, olhamos para a nossa Galáxia a partir de "cima". À direita, vemos uma fatia vertical da Galáxia e observamos a onda de lado. Esta perspetiva revela que o lado "esquerdo" da Galáxia curva-se para cima e o lado "direito" curva-se para baixo (esta é a deformação do disco). A onda recém-descoberta está indicada a vermelho e a azul: nas áreas vermelhas, as estrelas estão por cima e nas áreas azuis, as estrelas estão por baixo do disco deformado da Galáxia.

Mesmo que nenhuma nave espacial possa viajar para além da nossa Galáxia, a visão excecionalmente precisa do Gaia - nas três direções espaciais (3D) e nas três velocidades (movendo-se em direção a nós e para longe de nós, e pelo céu) - está a permitir aos cientistas fazer estes mapas de cima para baixo e de lado.

A partir deles, podemos ver que a onda estende-se por uma enorme porção do disco galáctico, afetando estrelas a pelo menos 30-65 mil anos-luz de distância do centro da Galáxia (para efeitos de comparação, a Via Láctea tem cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro).

"O que torna isto ainda mais convincente é a nossa capacidade, graças ao Gaia, de medir também os movimentos das estrelas dentro do disco galáctico", diz Eloisa Poggio, astrónoma do INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica), em Itália, que liderou a equipa de cientistas que descobriu a onda.

"A parte intrigante não é apenas o aspeto visual da estrutura ondulatória no espaço 3D, mas também o seu comportamento ondulatório quando analisamos os movimentos das estrelas no seu interior".

Os movimentos das estrelas são visíveis com as setas brancas na imagem da Via Láctea abaixo. O que se pode notar é que o padrão de onda dos movimentos verticais (representado pelas setas) está ligeiramente deslocado horizontalmente em relação ao padrão de onda formado pelas posições verticais das estrelas (indicado pelas cores vermelho/azul).

 
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O movimento das estrelas na ondulação, representado pelas setas.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC, S. Payne-Wardenaar, E. Poggio et al (2025)
 

"Este comportamento observado é consistente com o que seria de esperar de uma onda", explica Eloisa.

Pense numa "onda" realizada por uma multidão num estádio. Dado que as escalas galácticas de tempo são muito mais longas do que as nossas, imagine ver esta onda no estádio parada no tempo, tal como observamos a Via Láctea. Alguns indivíduos estariam de pé, outros teriam acabado de se sentar (quando a onda passasse) e outros estariam a preparar-se para se levantar (quando a onda se aproximasse deles).

Nesta analogia, as pessoas que estão de pé correspondem às regiões coloridas a vermelho nos mapas vistos de face e de lado. E, se considerarmos os movimentos, os indivíduos com os maiores movimentos verticais positivos (representados pelas maiores setas brancas a apontar para cima) são aqueles que estão a começar a levantar-se, à frente da onda que se aproxima.

Eloisa e os seus colegas conseguiram descobrir este movimento surpreendente estudando as posições e movimentos pormenorizados de jovens estrelas gigantes e estrelas Cefeidas. Estas últimas são estrelas que variam de brilho de uma forma previsível e que podem ser observadas por telescópios como o Gaia a grandes distâncias.

Dado que as jovens estrelas gigantes e as Cefeidas movem-se com a onda, os cientistas pensam que o gás no disco também pode estar a participar nesta ondulação em grande escala. É possível que as estrelas jovens retenham a memória da onda a partir do próprio gás no qual nasceram.

Os cientistas não conhecem a origem destes abanões galácticos. Uma colisão passada com uma galáxia anã poderia ser uma explicação possível, mas os cientistas precisam de mais investigações.

A grande onda pode também estar relacionada com um movimento ondulatório de menor escala observado a 500 anos-luz do Sol e que se estende por 9000 anos-luz, a chamada Onda Radcliffe.

"No entanto, a Onda Radcliffe é um filamento muito mais pequeno e está localizada numa parte diferente do disco da Galáxia, em comparação com a onda estudada no nosso trabalho (muito mais perto do Sol do que a grande onda). As duas ondas podem ou não estar relacionadas. É por isso que gostaríamos de fazer mais investigação", acrescenta Eloisa.

"O quarto lançamento de dados do Gaia incluirá posições e movimentos ainda melhores das estrelas da Via Láctea, incluindo estrelas variáveis como as Cefeidas. Isto ajudará os cientistas a fazer mapas ainda melhores, avançando assim na nossa compreensão destas características da nossa Galáxia natal", diz Johannes Sahlmann, cientista do projeto Gaia da ESA.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
23/02/2024 - A Onda Radcliffe está a ondular
28/05/2021 - A Via Láctea move-se como um pião?
09/02/2021 - Deformação na Via Láctea ligada a colisão galáctica
06/03/2020 - Gaia sugere que distorção da Via Láctea foi provocada por colisão galáctica
14/01/2020 - O gigante nas nossas estrelas
25/09/2018 - Gaia faz alusão à vida turbulenta da nossa Galáxia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Onda Radcliffe:
"Surfe" a Onda Radcliffe (Harvard via Google sites)
Mapa 3D interativo (Cosmic Data Stories e Worldwide Telescope)
Wikipedia

Gaia:
ESA
Página da ESA para a comunidade científica
Arquivo de dados do Gaia (ESA)
Wikipedia

 
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A matéria escura e a energia escura podem ser apenas uma ilusão cósmica
 
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Imagem da galáxia NGC 7038, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. Esta galáxia espiral está situada a 220 milhões de anos-luz da Terra na direção da constelação austral do Índio.
Crédito: ESA/Hubble e NASA, D. Jones; reconhecimento - G. Anand, L. Shatz
 

Os astrónomos pensam, há décadas, que a matéria escura e a energia escura constituem a maior parte do Universo. No entanto, um novo estudo sugere que poderão não existir de todo. Em vez disso, o que nos parece ser matéria e energia escuras pode ser simplesmente o efeito das forças naturais do Universo enfraquecendo lentamente à medida que este envelhece.

Liderado por Rajendra Gupta, professor no Departamento de Física da Universidade de Otava, o estudo afirma que se as forças básicas da natureza (como a gravidade) mudarem lentamente ao longo do tempo e no espaço, podem explicar os estranhos fenómenos que observamos, tais como a forma como as galáxias evoluem e giram e como o Universo se expande.

Desafiando conceitos estabelecidos

"As forças do Universo enfraquecem, em média, à medida que este se expande", explica o professor Gupta. "Este enfraquecimento faz com que pareça que existe um impulso misterioso que faz com que o Universo se expanda mais rapidamente (que é identificado como a energia escura). No entanto, à escala das galáxias e dos enxames de galáxias, a variação destas forças no espaço gravitacionalmente limitado resulta numa gravidade extra (que se considera ser devida à matéria escura). Mas estas coisas podem ser apenas ilusões, resultantes da evolução das constantes que definem a força das forças".

E acrescenta: "Há dois fenómenos muito diferentes que devem ser explicados pela matéria escura e pela energia escura: o primeiro é à escala cosmológica, ou seja, a uma escala superior a 600 milhões de anos-luz, assumindo que o Universo é homogéneo e igual em todas as direções. O segundo é à escala astrofísica, ou seja, a uma escala mais pequena o Universo é muito irregular e depende da direção. No modelo padrão, os dois cenários requerem equações diferentes para explicar as observações usando matéria escura e energia escura. O nosso é o único que as explica com a mesma equação e sem necessidade de matéria ou energia escuras".

"O que é realmente excitante é que esta nova abordagem permite-nos explicar o que vemos no céu: a rotação das galáxias, o agrupamento de galáxias e até a forma como a luz se curva em torno de objetos massivos, sem termos de imaginar que há algo escondido lá fora. Tudo isto é apenas o resultado da variação das constantes da natureza à medida que o Universo envelhece e se torna irregular".

Novo modelo aplicado à escala astrofísica

No ano passado, o professor Gupta pôs em causa a existência da matéria escura no Universo no seu estudo à escala cosmológica. Neste trabalho à escala astrofísica, questionou os modelos teóricos atuais para as curvas de rotação das galáxias.

  • No novo modelo, o parâmetro frequentemente designado por α emerge do facto de se permitir a evolução das constantes de acoplamento. Com efeito, α comporta-se como uma "componente" extra nas equações gravitacionais que produz efeitos semelhantes aos que os astrónomos atribuem à matéria escura e à energia escura;
  • Em escalas cosmológicas, α é tratado como uma constante (por exemplo, determinado pelo ajuste de dados de supernovas). Mas localmente (à escala astrofísica), numa galáxia, dado que a distribuição da matéria comum (buracos negros, estrelas, planetas, gás, etc.) varia drasticamente, α varia, fazendo com que o efeito gravitacional extra dependa da localização dessa matéria. Assim, a nova teoria prevê que, em regiões onde existe muita matéria comum, o efeito gravitacional extra é menor, e onde a densidade de matéria detetável é baixa, é maior;
  • De facto, em vez de adicionar halos de matéria escura à volta das galáxias, a atração gravitacional extra vem de α no novo modelo. Reproduz as "curvas de rotação planas" observadas (estrelas que se movem mais depressa do que o esperado nas partes exteriores das galáxias).

Implicações para a astronomia

O professor Gupta pensa que esta ideia pode resolver alguns dos maiores quebra-cabeças da astronomia. "Durante anos, lutámos para explicar como é que as galáxias do Universo primitivo se formaram tão rapidamente e se tornaram tão massivas", afirma. "Com o nosso modelo, não é necessário assumir quaisquer partículas exóticas ou quebrar as regras da física. A linha temporal do Universo simplesmente estica-se, quase duplicando a idade do Universo e abrindo caminho para tudo o que observamos".

Efetivamente, a linha temporal alargada para a formação de estrelas e galáxias torna muito mais fácil explicar como é que estruturas grandes e complexas como galáxias e buracos negros podem ter aparecido tão cedo no Universo.

Esta teoria pode mudar completamente a forma como pensamos sobre o Universo. Dá mesmo a entender que a procura de partículas de matéria escura, algo em que os cientistas gastaram anos e milhares de milhões de dólares, poderá afinal não ser necessária. Mesmo que as partículas exóticas sejam encontradas experimentalmente, teriam de constituir cerca de seis vezes a massa da matéria comum.

"Por vezes, a explicação mais simples é a melhor. Talvez os maiores segredos do Universo sejam apenas partidas pregadas pelas constantes evolutivas da natureza", conclui o Professor Gupta.

// Universidade de Otava (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Galaxies)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
19/03/2024 - Um novo modelo teórico sugere que o nosso Universo não tem matéria escura

Universo:
Wikipedia
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Universo (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)

Matéria escura:
Wikipedia

Energia escura:
Wikipedia

Matéria comum:
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   Cassini comprova química complexa no oceano de Encélado (via ESA)
Cientistas que analisaram os dados recolhidos pela sonda Cassini descobriram novas moléculas orgânicas complexas expelidas da lua de Saturno, Encélado. Este é um sinal claro de que estão a ocorrer reações químicas complexas no seu oceano subterrâneo. Algumas destas reações podem fazer parte de cadeias que levam a moléculas ainda mais complexas e potencialmente relevantes do ponto de vista biológico. Ler fonte
     
exemplo   Físico: após 33 mil milhões de anos, o Universo "terminará num 'big crunch'" (via Universidade de Cornell)
O Universo está a aproximar-se do ponto médio da sua vida de 33 mil milhões de anos, calcula um físico de Cornell com base em novos dados de observatórios de energia escura. Depois de se expandir até atingir o tamanho máximo, daqui a cerca de 11 mil milhões de anos, começará a contrair-se - como um pequeno elástico que volta ao seu tamanho normal depois de esticado - até, no final, um único ponto. Ler fonte
     
  O lado oculto da Lua pode ser mais frio do que o lado visível (via UCL)
Uma nova análise de amostras rochosas sugere que o interior do misterioso outro lado da Lua pode ser mais frio do que o lado constantemente virado para a Terra. A equipa analisou fragmentos de rocha e solo recolhidos pela nave espacial chinesa Chang'e 6, no ano passado, de uma vasta cratera no lado oculto da Lua. Confirmou descobertas anteriores de que a amostra tinha cerca de 2,8 mil milhões de anos e analisou a composição química dos seus minerais para estimar que se formou a partir de lava nas profundezas do interior da Lua a uma temperatura de cerca de 1100º C - cerca de 100º C menos do que as amostras existentes do lado mais próximo. Ler fonte
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Álbum de fotografias
NGC 6960: A Nebulosa Vassoura de Bruxa

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Brian Meyers
 
Há dez mil anos, antes do alvorecer da história humana documentada, uma nova luz teria aparecido subitamente no céu noturno e desaparecido ao fim de algumas semanas. Hoje sabemos que esta luz era de uma supernova, ou explosão estelar, e registamos a nuvem de detritos em expansão como a Nebulosa do Véu, um remanescente de supernova. Esta nítida visão telescópica está centrada num segmento ocidental da Nebulosa do Véu, catalogado como NGC 6960 mas menos formalmente conhecida como Nebulosa Vassoura de Bruxa. Disparada pela explosão cataclísmica, uma onda interestelar de choque atravessa o espaço varrendo e excitando o material interestelar. Fotografados com filtros de banda estreita, os filamentos brilhantes são como longas ondulações num lençol visto quase de lado, notavelmente bem separados em hidrogénio atómico (vermelho) e gás oxigénio (azul-verde). O remanescente de supernova encontra-se a cerca de 1400 anos-luz de distância na direção da constelação de Cisne. Esta Vassoura de Bruxa estende-se, de facto, por cerca de 35 anos-luz. A estrela brilhante na imagem é 52 Cygni, visível a olho nu a partir de um local escuro, mas não relacionada com o antigo remanescente de supernova.
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