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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 367
De 24/11 a 27/11/2007
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  O PASSADO DERRETIDO DE MARTE
   

De acordo com cientistas do Instituto Lunar e Planetário em Houston, Texas, da Universidade da Califórnia e do Centro Espacial Johnson da NASA, Marte esteve coberto por um oceano de rocha derretida durante aproximadamente 100 milhões de anos após a formação do planeta. O trabalho foi publicado na edição de 22 de Novembro da revista Nature.

A formação do Sistema Solar pode ser datada com bastante precisão até há 4.567.000.000 anos atrás, disse Qing-Zhu Yin, professor assistente de Geologia na Universidade da Califórnia e um dos autores do artigo. O núcleo metálico de Marte formou-se uns quantos milhões de anos depois. As estimativas prévias de quanto tempo a superfície permaneceu derretida variam entre milhares de anos até algumas centenas de milhões de anos.

Marte é chamado de "Planeta Vermelho" devido à sua cor, proveniente do óxido de ferro, a comum «ferrugem».
Crédito: Viking; USGS; NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

A persistência de um oceano de magma em Marte durante 100 milhões de anos é "surpreendentemente longa", disse Yin. Implica que nessa altura, Marte teria que ter uma atmosfera suficientemente espessa para proteger o planeta e atrasar o arrefecimento, disse.

Vinciane Debraille, cientista do Instituto Lunar e Planetário, Alan Brandon do Centro Espacial Johnson, Yin e o estudante licenciado da Universidade da Califórnia, Benjamin Jacobsen, inferiram o começo da história do passado de Marte ao estudar meteoritos que caíram na Terra.

Este tipo de meteoritos, com a designação "shergottites", documenta as actividades vulcânicas em Marte entre 470 milhões e 165 milhões de anos atrás. Estas rochas foram mais tarde atiradas pelo campo gravítico de Marte por impactos de asteróides e entregues à Terra -- uma "missão de recolha de amostras" grátis, levada a cabo pela natureza. Dos mais de 24.000 meteoritos descobertos na Terra, apenas 34 foram identificados como sendo originários de Marte.

Ao medir com precisão os rácios de isótopos diferentes de neodímio e samário, os cientistas conseguiram estimar a idade dos meteoritos, usando-os para descobrir qual a composição da crosta de Marte, milhares de milhões de anos antes.

Os planetas formam-se em três fases, disse Yin. Primeiro, a poeira assenta-se em objectos com dezenas de quilómetros de diâmetro. Na segunda fase, a gravidade transforma estes planetesimais em objectos maiores, mais ou menos do tamanho de Marte ou da Lua. Finalmente, estes pequenos planetas colidem para formar três ou quatro planetas terrestres maiores, tal como a Terra -- que tem aproximadamente 10 vezes a massa de Marte.

As gigantescas colisões nesta fase final teriam que ter libertado grandes quantidades de energia, sem mais nenhum sítio para ir senão para o novo planeta. A rocha teria-se tornado em magma derretido e os metais pesados "afundariam" para o núcleo do planeta, libertando energia adicional. O manto de silicatos derretidos eventualmente arrfeceu para formar uma crosta sólida na superfície de Marte.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade da Califórnia (comunicado de imprensa)
Universe Today

PHYSORG.com
Revista Nature (formato PDF, requer subscrição)

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Meteoritos de Marte (Wikipedia)
Meteoritos de Marte (NASA)

 
  ASTRÓNOMOS DIZEM QUE LUAS COMO A NOSSA SÃO RARAS
   

Da próxima vez que der um passeio ao luar, ou admirar uma brilhante Lua Cheia pairando no céu à noite, pode considerar-se sortudo(a). Novas observações pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA sugerem que luas como a da Terra - que se formaram a partir de colisões tremendas - são incomuns no Universo, formando-se no máximo entre 5 a 10 por cento dos sistemas planetários.

"Quando uma lua se forma a partir de uma violenta colisão, poeira é libertada por todo o lado," disse Nadya Gorlova da Universidade da Flórida, em Gainesville, autora principal de um novo estudo publicado na edição de 20 de Novembro do Astrophysical Journal. "Se houvessem muitas luas a formar-se deste modo, teríamos que ver muita mais poeira em torno das estrelas - mas não vemos."

O nosso sistema Terra-Lua, fotografado aqui pela sonda Galileu da NASA em 1992, pode ser algo incomum no Universo. Novas provas do Telescópio Espacial Spitzer sugerem que luas formadas como a nossa - a partir de colisões titânicas entre corpos rochosos - podem ser criadas, no máximo, entre 5 a 10 por cento dos sistemas planetários.
Crédito: NASA/JPL/Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)

É difícil imaginar a Terra sem uma lua. A nossa bola, tão familiar, há muito que é objecto de arte, mito e poesia. Os lobos uivam à lua, e os humanos já deixaram pegadas na sua superfície. A própria vida pode ter evoluído do oceano para terra graças às marés induzidas pela gravidade da Lua.

Os cientistas acreditam que a Lua apareceu entre 30 a 50 milhões de anos depois do nascimento do nosso Sol, e depois dos planetas rochosos terem começado a criar forma. Pensa-se que um corpo tão grande quanto Marte colidiu com a nossa jovem Terra, libertando um bocado do seu manto. Alguns dos detritos daí resultantes caíram em órbita da Terra, eventualmente coalescendo no satélite que vemos hoje em dia. As outras luas do nosso Sistema Solar formaram-se simultaneamente com o seu planeta ou foram capturadas pela sua gravidade.

Gorlova e os seus colegas procuraram sinais poeirentos de colisões semelhantes em torno de 400 estrelas com mais ou menos 30 milhões de anos - aproximadamente a idade do nosso Sol quando a lua da Terra se formou. Descobriram que apenas 1 das 400 estrelas está imersa nesta poeira intrigante. Entrando em consideração com o tempo de duração desta poeira, e o intervalo de anos nos quais as colisões que formam luas podem ocorrer, os cientistas calcularam que a probabilidade de um sistema solar criar uma lua como a da Terra situa-se no máximo entre 5 a 10 por cento.

"Não sabemos que a colisão que testemunhámos em torno dessa estrela irá definitivamente criar uma lua, por isso os eventos de formação lunar podem ser muito menos frequentes do que os nossos cálculos sugerem," disse George Rieke da Universidade do Arizona, em Tucson, EUA, co-autor do estudo.

Esta animação mostra corpos tão grandes quantos cadeias montanhosas colidindo uns com os outros. Tais colisões são a base do processo de formação planetária. Pensa-se que uma colisão ainda maior entre a Terra e um corpo do tamanho de Marte tenha criado a Lua.
Crédito: NASA/JPL/Caltech
(clique na imagem para ver animação em formatos de maior resolução)

Em adição, as observações dizem aos astrónomos que os próprios processos de formação planetária acabam 30 milhões de anos depois do nascimento da estrela. Tal como a Lua, os planetas rochosos são formados a partir de imensas colisões que espalham poeira por todo o lado. O pensamento actual diz que este processo dura entre 10 a 50 milhões de anos depois da formação da estrela. O facto que Gorlova e a sua equipa encontraram apenas 1 estrela entre 400 com poeira gerada por colisões, indica que as estrelas com 30 milhões de anos no estudo já acabaram, na maioria, o seu processo de formação planetária.

"Os astrónomos já observam estrelas jovens com poeira à sua volta há mais de 20 anos," afirma Gorlova. "Mas essas estrelas são geralmente tão jovens que a sua poeira pode ser apenas restos do processo de formação planetária. A estrela que descobrimos é mais velha, da mesma idade do Sol quando acabou de criar planetas e quando o sistema Terra-Lua tinha acabado de se formar a partir de uma colisão."

Para os amantes da Lua, esta notícia não é má de todo. Por um lado, as luas podem formar-se de várias maneiras. E, mesmo que a maioria dos planetas rochosos no Universo possam não ter luas como a da Terra, os astrónomos acreditam que existem milhares de milhões de planetas rochosos por aí. Cinco a dez por cento entre milhares de milhões são ainda muitas luas!

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico (formato PDF)
NASA (comunicado de imprensa)
New Scientist

SPACE.com
BBC News
The Register
Science Daily
MSNBC
Wired News

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

Terra:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
A Nebulosa da Medusa - Crédito: Don Goldman
Filamentos serpenteados e entrelaçados de gás brilhante sugerem o nome popular desta nebulosa, a Nebulosa da Medusa. Também conhecida como Abell 21, esta Medusa é uma velha nebulosa planetária a cerca de 1500 anos-luz na constelação de Gémeos. Tal como a sua homóloga mitológica, esta nebulosa está associada a uma drástica transformação. A fase de nebulosa planetária representa o estágio final na evolução de estrelas com pequena massa tal como o Sol, à medida que se transformam de gigantes vermelhas para estrelas anãs brancas, no processo libertando as suas camadas exteriores. A radiação ultravioleta da estrela quente impulsiona o brilho nebular. A estrela central em transformação no coração da nebulosa é visível na imagem do lado como a pequena estrela azul na parte de cima da forma crescente. Os filamentos mais ténues claramente se extendem para cima e para a esquerda da região do crescente brilhante. Estima-se que a Nebulosa da Medusa tenha mais de 4 anos-luz de comprimento.
Ver imagem em alta-resolução
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 24/11: 328.º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Lua Cheia, pelas 14:30.
A estrela mais brilhante reluzindo a Oeste-Noroeste depois do anoitecer é Vega. Mesmo acima, encontra-se Deneb. Mais para a esquerda de Vega, está Altair. Estas três estrelas formam o famoso "Triângulo de Verão".

Dia 25/11: 329.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter.

Observações: Esta noite a Lua brilha bem alto a Este. Encontra-se perto de um grande quadrilátero: Capela brilha para cima e para a esquerda da Lua, Aldebarã para cima e para a direita, Betelgeuse para baixo e para a direita, e Marte encontra-se para baixo.

Dia 26/11: 330.º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1965, lançamento do primeiro satélite francês, o Astérix 1.

Observações: A Lua brilha muito perto de Marte esta noite.

Dia 27/11: 331.º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1971, a sonda soviética Mars-2 torna-se no primeiro objecto feito pelo Homem a atingir Marte.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 

A primeira proposta de heliocentrismo, não foi de Copérnico, mas sim de Aristarco de Samos na Grécia Antiga.
 
 
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