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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 441
De 16/08 a 19/08/2008
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  MICROSCÓPIO DA PHOENIX TIRA PRIMEIRA IMAGEM DE UMA PARTÍCULA DE POEIRA MARCIANA
   

 


Esta imagem a cores é uma visão tridimensional de um mapa de elevação digital de uma amostra recolhida pelo microscópio atómico da sonda Phoenix da NASA. Uma partícula marciana - com apenas um micrómetro, ou um milionésimo de um metro - encontra-se no "buraco" à esquerda.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Universidade de Neuchatel/Colégio Imperial de Londres
(clique na imagem para ver versão maior)

A sonda Phoenix Mars Lander da NASA tirou a primeira imagem de uma partícula individual de poeira em Marte, usando o seu microscópio atómico.

A partícula -- na maior ampliação alguma vez já atingida a partir de outro mundo -- é redonda e mede cerca de um micrómetro, ou um milionésimo de um metro. É uma partícula da poeira que esconde Marte. Tais partículas dão a cor rosa ao céu marciano, alimentam as tempestades que regularmente rodeiam o planeta e produzem o distinto solo vermelho de Marte.

"Esta é a primeira imagem de uma partícula de Marte, e o tamanho está de acordo com as previsões a partir das cores observadas ao pôr-do-Sol no Planeta Vermelho," disse o co-investigador da Phoenix, Urs Staufer da Universidade de Neuchatel, Suiça, que lidera o consórcio suiço que construiu o microscópio.

"Para tirar esta imagem foi necessário o microscópio com a mais alta resolução que já operou fora da Terra e um substrato especialmente desenhado para albergar a partícula marciana," disse Tom Pike, membro da equipa científica da Phoenix, do Colégio Imperial de Londres. "Sempre soubémos que observar partículas tão pequenas ia ser um tremendo desafio técnico."

Demorou muito tempo, aproximadamente doze anos, para o aparelho que está a funcionar na região polar de um planeta agora a cerca de 350 milhões de quilómetros, ser desenvolvido.

O microscópio atómico mapeia a forma das partículas em três-dimensões ao estudá-las com uma ponta afiada no fim de uma mola. Durante o estudo, partículas invisivelmente finas são apoiadas numa série de substratos microfabricados e aglomerados num disco de silicone. O grupo de Pike produziu estes microdiscos de silicone.


A imagem à esquerda é do microscópio óptica a bordo da sonda Phoenix da NASA, depois de uma amostra com o nome informal de "Feiticeira" ter sido entregue ao substrato de silicone no 38.º dia marciano, ou Sol, da missão (2 de Julho de 2008). Uma representação 3D da mesma amostra está à direita, desta vez pelo telescópio atómico da Phoenix. Tem 200 vezes a ampliação do telescópio óptico, e é a imagem com a maior ampliação jamais obtida noutro planeta.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Universidade de Neuchatel/Colégio Imperial de Londres
(clique na imagem para ver versão maior)

O microscópio atómico pode detalhar as formas de partículas tão pequenas quanto 100 nanómetros, cerca de um milésimo da espessura de um cabelo humano. Isto é cerca de 100 vezes maior que a ampliação do microscópio óptico da Phoenix, que tirou as primeiras imagens do solo marciano há cerca de dois meses atrás. Até agora, o microscópio óptico da Phoenix detinha o recorde da produção das imagens de mais alta-resolução que vieram de outro planeta.

"Estou encantado por este microscópio estar a produzir imagens que nos irão ajudar a melhor compreender Marte no maior detalhe possível," disse Staufer. "Esta é uma prova do potencial do microscópio. Somos agora capazes de começar a fazer experiências científicas que irão acrescentar uma nova dimensão às medições dos outros instrumentos da Phoenix."

"Depois deste primeiro sucesso, estamos agora a trabalhar na construção de uma galeria de fotos da poeira em Marte," acrescentou Pike.

Os investigadores disseram que a poeira ultra-fina de Marte é o meio que activamente liga os gases na atmosfera marciana aos processos no solo, por isso é extremamente importante na compreensão do ambiente de Marte.

A partícula observada na imagem do telescópio atómico fazia parte de uma amostra recolhida pelo braço robótico na trincheira "Branca de Neve" e entregue à estação do microscópio da Phoenix no começo de Julho. Esta estação inclui o microscópio óptico, o microscópio atómico e a roda de entrega de amostras. Faz parte de um conjunto de ferramentas chamado MECA (Microscopy, Electrochemistry and Conductivity Analyzer).

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universe Today
New Scientist
PHYSORG.com
Science Daily
Reuters
ABC News
UPI

Phoenix:
Página oficial
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
  CASSINI OBSERVA FONTE DOS JACTOS EM ENCELADO
   


Este mosaico da lua de Saturno, Encelado, providencia um largo contexto regional para as imagens em alta-resolução do voo rasante da Cassini, adquiridas minutos antes, a 11 de Agosto de 2008.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

Num feito de pontaria interplanetária, a sonda Cassini da NASA observou em detalhe o local exacto onde os jactos gelados são expelidos na superfície da lua de Saturno geologicamente activa, Encelado.

Novas imagens cuidadosamente obtidas revelam detalhes impressionantes das fissuras "listas de tigre" no pólo sul, de onde os jactos são oriundos. As imagens mostram que as fracturas têm cerca de 300 metros de profundidade, com paredes em forma de V. Os flancos exteriores de algumas das fracturas mostram grandes depósitos de material. O terreno detalhadamente fracturado está cheio de blocos de gelo com dezenas de metros em tamanho (ou mais, com o tamanho de pequenas casas) que rodeiam as fracturas.

"É o nosso jackpot," disse Carolyn Porco, líder da equipa de imagem da Cassini no Instituto de Ciência Espacial, em Boulder, Colorado, EUA. "É um lugar que pode revelar que tipo de ambiente - habitável ou não - temos dentro desta pequena e torturada lua."

Um resultado altamente antecipado deste voo rasante era a descoberta do local, dentro das fracturas, da emissão dos jactos que contêm partículas geladas, vapor de água e traços de material orgânicos, para o espaço. Os cientistas estão agora estudando a natureza e intensidade deste processo em Encelado, e os seus efeitos no terreno em redor. Esta informação, em conjunto com observações pelos outros instrumentos da Cassini, podem responder à questão da existência de reservatórios de água líquida por baixo da superfície.


Este mosaico consiste de duas imagens obtidas pelos filtros espectrais na câmara de ângulo-estreito da Cassini. As características em Encelado têm nomes de personagens e lugares de "As Mil e Uma Noites".
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

As imagens em alta-resolução foram adquiridas durante um voo rasante por Encelado no passado dia 11 de Agosto, enquanto a sonda passava pela lua a 64000 quilómetros por hora. Uma técnica especial foi desenvolvida para eliminar a alta velocidade da lua relativamente à Cassini e para assim obter as imagens ultra-detalhadas.

"Um ponto crítico deste evento era saber exactamente para onde apontar, e apontar à altura certa," disse Paul Helfenstein, associado da equipa de imagem da Cassini, da Universidade Cornell, em Ithaca, Nova Iorque, EUA, que desenvolveu e usou a nova técnica para desenhar a sequência de imagens. "O desafio era equivalene a capturar uma imagem nítida e detalhada de um sinal de trânsito distante com uma objectiva à janela de um carro a alta velocidade."

Helfenstein disse que a partir do ponto de vista da Cassini, "Encelado estava percorrendo o céu tão rapidamente que a sonda não tinha quaisquer hipóteses de observar características na superfície. A nossa melhor opção era apontar a sonda à frente de Encelado, virar a sonda e a câmara o mais rápido possível na direcção prevista de Encelado, e deixar que a lua nos ultrapassasse numa altura em que pudéssemos encaixar o seu movimento pelo céu, capturando as imagens pelo caminho."

Para os cientistas, a combinação de imagens de alta-resolução e de campo-largo mostrando o todo da região foi crítica para a compreensão do que pode estar a despoletar esta actividade em Encelado.


Os cientistas estão usando estas novas imagens para estudar a actividade geológica associada com os sulcos e os efeitos no terreno em redor. Esta informação, em conjunto com observações de outros instrumentos da Cassini, pode ajudar a responder à questão da existência de reservatório de água líquida por baixo da superfície de Encelado.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

"Parece existir uma grande queda de partículas geladas para o chão, ao longo das fissuras, mesmo em áreas que se situam entre os dois locais dos jactos, embora quaisquer efeitos imediatos dos jactos actualmente activos sejam subtis," disse Porco.

Os cientistas da equipa de imagem sugerem que uma vez que o vapor de água sobe desde a sua fonte subterrânea até à fria superfície através de canais estreitos, as partículas geladas condensam e tapam a "chaminé" activa. Os novos jactos podem então aparecer noutros sítios ao longo da mesma fractura.

"Pela primeira vez, estamos a começar a compreender como é que os recém-depósitos à superfície são diferentes dos depósitos mais antigos," disse Helfenstein, perito em luas geladas. "Ao longo do tempo, as erupções claramente moveram-se para cima e para baixo das listas de tigre."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
NASA (página do flyby)
Universe Today
Sky & Telescope
Discover
Nature
SPACE.com
Science News
Scientific American
PHYSORG.com
National Geographic
BBC News
UPI

Encelado:
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
 
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 16/08: 229.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2000, depois de 18 meses de observações pelo Satélite Astronómico de Ondas Sub-milimétricas da NASA, ou SWAS, é anunciada a detecção de vapor de água no espaço interestelar.

"Podemos ver estes berçários estelares como gigantes fábricas químicas que produzem vapor de água a um ritmo tremendo. As grandes quantidades presentes nas regiões de formação estelar irão ajudar o gás interestelar a arrefecer, talvez eventualmente a despertar o nascimento de uma futura geração de estrelas." David Neufeld, professor de Física e Astronomia da Universidade John Hopkins.
Observações: Mercúrio está equidistante entre Vénus e Saturno após o pôr-do-Sol, um bonita imagem para se observar de binóculos.
Lua Cheia, pelas 22:16.
Eclipse parcial da Lua, observável de Portugal, entre as 19:27 e as 0:55.

Dia 17/08: 230.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1877 a lua de Marte Phobos é observada pela primeira vez por Asaph Hall no Observatório Naval dos EUA.
Em 1966 era lançada a sonda Pioneer 7.
Em 1970 a sonda soviética Venera 7 é lançada a partir do cosmódromo Baikonur. Chega a Vénus em 15 de Dezembro de 1970. É a primeira nave a enviar dados para a Terra. A Venera 7 teve também uma sonda gémea, lançada a 22 de Agosto, mas que permaneceu em órbita da Terra.
Em 1980, depois de 1400 órbitas em torno de Marte, a sonda Viking 1 foi desligada. Lançada a 25 de Agosto de 1975, a missão Viking revelou, na altura, as melhores imagens do planeta. Uma das suas fotografias mais famosas é a "Cara em Marte".
Em 1999 passava pela Terra (1,166 km) a sonda Cassini sobre o lado Este do Pacífico Sul.

Este é um de 4 voos rasantes planetários (Vénus, Vénus, Terra e Júpiter), para uma assistência gravitacional em ordem à sonda chegar a Saturno em 2004. Este voo rasante deu à Cassini um aumento de velocidade de 20,000 quilómetros por hora. As vozes contra a Cassini e o seu plutónio respiraram de alívio.

Dia 18/08: 231.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1985 era lançado o Suisei, a segunda missão japonesa a estudar o cometa Halley.

Detectou água cometária, monóxido de carbono e iões de dióxido de carbono.
Em 1868 Norman Lockyer observa pela primeira vez hélio no espectro do Sol.
Observações: O mês de Agosto é quando a brilhante Vega atravessa o zénite a meio da noite (para observadores a latitudes médias norte). Quando Vega se encontra quase por cima das nossas cabeças, sabemos que o Bule de Chá de Sagitário, rico em objectos de céu profundo, está o mais alto a Sul.

Dia 19/08: 232.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, os cães espaciais russos Belka ("Squirrel") e Strelka ("Little Arrow") começaram a orbitar a Terra a bordo do satélite Korabl-Sputnik-2

Iam também na missão 40 ratos brancos, 2 ratos de esgoto e diversas qualidades de plantas. No dia seguinte todos foram recuperados em perfeitas condições.
Observações: Por estas noites, já é possível observar a Grande Galáxia de Andrómeda, a Este-Nordeste, tanto à vista desarmada (é necessário um bom céu) como de binóculos.

 
 
CURIOSIDADES:

O nosso Sol está movendo-se a 320 m/s na direcção da constelação de Hércules.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

Perseída sobre Vancouver
Crédito:
Yuichi Takasaka (www.blue-moon.ca / TWAN)

Coloridas e brilhantes, as luzes da cidade de Vancouver, no Canadá, são reflectidas na água neste retrato do mundo à noite. Registada no dia 12 de Agosto durante a Chuva de Meteoros Perseídas, a imagem de ângulo-largo captura uma grande área ao longo do horizonte a Este do fotógrafo. A imagem é uma composição de muitas exposições de 2 segundos que, quando aglomeradas, cobrem um tempo total de uma hora e 33 minutos. Durante esse tempo, estrelas percorreram o céu nocturno por cima de Vancouver, sendo o seu preciso movimento ao longo de arcos concêntricos uma reflecção da rotação do planeta Terra. Os traços intermitentes de um avião também viajam pela cena. Claro, duas das imagens capturaram o breve mas brilhante flash de uma bola de fogo pertencente às Perseídas à medida que viajava pelo topo do campo de visão. O grande intervalo no traço único do meteoro corresponde ao intervalo de tempo entre duas imagens consecutivas.
Ver imagem em alta-resolução

 
 
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