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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 612
De 28/12 a 29/12/2009
 
 
 

Dia 28/12: 362.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1612, Galileu Galilei torna-se no primeiro astrónomo a observar o planeta Neptuno, embora o catalogue erradamente como uma estrela fixa.
Em 1882, nascia Arthur Eddington, astrofísico que confirmaria a previsão de Einstein de encurvamento do espaço-tempo no célebre eclipse de 1919 observado na ilha de Príncipe (portuguesa nessa época).

Foi quem desenvolveu o modelo da pulsação das cefeidas e trabalhou a par de Einstein na tentativa de unificação das forças fundamentais.
Observações: Aproveite a noite para observar a Lua, que hoje está muito perto das Plêiades (menos de 3º).

Dia 29/12: 363.º dia do calendário gregoriano.
Observações: A seguir ao jantar, é altura de observar Orionte. Não só as estrelas da constelação, como também as suas companheiras nebulosas que formam a espada do caçador.

 
 
 
A primeira pessoa a descobrir um cometa com um telescópio foi Gottfried Kirch a 14 de Novembro de 1680.
 
 
AIA 2009
 
 
  ESTAREMOS À PROCURA DE ÁGUA NOS LOCAIS ERRADOS DA LUA?  
 

Novas e controversas observações sugerem que a água está a ser descoberta nos locais mais inesperados da Lua.

De acordo com a teoria, a água é instável na superfície da Lua acima dos -167º C. Como resultado, o gelo deveria estar concentrado em "armadilhas geladas" perto dos pólos lunares, em crateras permanentemente à sombra. A sonda LCROSS da NASA descobriu água quando colidiu com uma dessas crateras, denominada Cabeus, em Outubro.

Mas novas observações da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) sugerem que muitas destas regiões permanentemente à sombra, perto do pólo sul, estão secas e que outras regiões potencialmente com água, são iluminadas pelo Sol.

Impressão de artista da sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA..
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As observações vêm da experiência LEND (Lunar Exploration Neutron Detector), que procura por possíveis depósitos de água através da medição de neutrões emitidos pela Lua. A água, ou outros elementos com hidrogénio, reduzem o número destes neutrões.

O LEND observou 37 crateras permanentemente à sombra perto do pólo sul e descobriu que apenas três - Cabeus, Faustini e Shoemaker - mostram quantidades significativas de hidrogénio. Outras regiões iluminadas também parecem ser ricas em hidrogénio.

"Penso que temos aqui um conjunto de observações que desafia o paradigma," afirma Jim Garvin, cientista do Centro Aeroespacial Goddard da NASA.

O cientista principal do LEND, Igor Mitrofanov do Instituto de Pesquisa Espacial da Rússia, anunciou estas "regiões fracas em neutrões" a semana passada numa reunião da União Geofísica Americana em San Francisco, EUA.

Ele acredita que uma camada de solo com meio metro pode cobrir uma camada de gelo, prevenindo que se evapore para o espaço. Ele e seus colegas calculam que a camada gelada, que pode ter aí chegado graças a asteróides ou cometas, poderá conter concentrações de água, até 3 ou 5 percento.

No entanto, os novos resultados permanecem controversos. O instrumento LEND contém uma nova característica desenhada para melhorar o seu foco, para apenas detectar neutrões de uma pequena zona por baixo da superfície. Mas nunca tinha ainda sido testada numa missão planetária, e alguns investigadores suspeitam que possa estar também a detectar neutrões de regiões vizinhas.

"Existem ainda muitas questões acerca do instrumento que precisamos esclarecer," diz Rick Elphic do Centro de Pesquisa Ames da NASA. "A validade do que estamos a ver ainda tem que ser provada."

Felizmente, espera-se que a LRO continue a recolher dados ainda durante dois anos, e os resultados do LEND só ficarão mais precisos com o tempo. "Penso que a nossa história será muito mais refinada no próximo Verão," afirma Garvin.

Links:

Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve:
25/09/09 - Água pode agarrar-se à superfície da Lua
30/09/09 - Como os astronautas poderiam "recolher" água na Lua
18/11/09 - Grandes quantidades de água descobertas na Lua
20/11/09 - Água descoberta na Lua veio provavelmente de cometas

Notícias relacionadas:
CNN
Examiner
New Scientist

Instrumento LEND:
Página oficial
NASA

Lunar Reconnaissance Orbiter:
NASA
Wikipedia

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

 
     
 
 
     
  Nebulosa Olho de Gato - Crédito: J. P. Harrington (U. Maryland) e K. J. Borkowski (NCSU) HST, NASA  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

A três mil anos-luz de distância, uma estrela moribunda liberta conchas de gás brilhante. Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble revela que a Nebulosa Olho de Gato é uma das nebulosas planetárias mais complexas que se conhece. De facto, as suas características são tão complexas que os astrónomos suspeitam que o brilhante objecto central seja na realidade um sistema binário. O termo nebulosa planetária, usado para descrever esta classe de objectos, é enganador. Embora estes objectos pareçam redondos e parecidos a planetas em pequenos telescópios, as imagens em alta-resolução revelam que são estrelas rodeadas por casulos de gás expelido nos estágios finais da evolução estelar.

 


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