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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 635
De 06/04 a 08/04/2010
 
 
 

Dia 06/04: 96.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, lançamento do Early Bird, o primeiro satélite de telecomunicações a ser colocado em órbita geosíncrona.
Em 1973, lançamento da Pioneer 11.
Em 1993, cientistas da NASA, usando o Explorador Ultravioleta Internacional (IUE), descobrem provas directas de que as estrelas supergigantes vermelhas terminam a sua existência em explosões massivas conhecidas como supernovas.

A 12 milhões de anos-luz de distância, na galáxia conhecida como M81, o Tipo II de supernova foi designado SN 1993J, a décima supernova do ano.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 10:38.

Dia 07/04: 97.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1983, durante a missão STS-6, os astronautas Story Musgrave e Don Peterson fazem primeio passeio espacial do vaivém espacial.
Em 1991, era activado o Observatório de Raios-Gama Compton.
Em 2001, primeiro voo com êxito do Proton M.
Em 2001 era lançada a sonda Mars Odyssey. A missão orbital tem como objectivo mapear os elementos marcianos e os minerais, procurar água e analisar o ambiente da radiação.

Alcançou a órbita do Planeta Vermelho a 24 de Outubro de 2001, mas os seus instrumentos só foram ligados a 14 de Fevereiro de 2002.
Observações: Um pequeno telescópio irá quase sempre mostrar a maior lua de Saturno, Titã, que hoje encontra-se muito perto dos anéis. Um telescópio de seis-polegadas irá começar a cor alaranjada da sua atmosfera nublada.

Dia 08/04: 98.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, lançamento da nave não-tripulada Gemini 1.

A missão terminou depois de 3 órbitas. A nave desintegra-se 3.5 dias a seguir ao lançamento. Todos os objectivos primários e secundários foram atingidos.
Em 1999, maior aproximação da Terra pelo asteróide 1981 Midas (0.490 UA).
Observações: Maior elongação Este de Mercúrio, pelas 19:44.
Estamos no mês de Abril, e é por isso a altura do ano em que a frigideira da Ursa Menor está para a direita da Estrela Polar após o anoitecer. Bem para cima está a Ursa Maior.

 
 
 
Astrofobia - medo das estrelas, do espaço celestial, da exploração espacial e até de filmes de ficção científica com seres extraterrestres.
 
 
 
  SONDA HAYABUSA CHEGARÁ EM BREVE À TERRA  
 

Já passaram vários anos - 29 de Novembro de 2005, para ser exacto - desde que uma sonda japonesa chamada Hayabusa aterrou num pequeno asteróide com esperanças de recolher amostras da sua poeirenta superfície e enviá-las para a Terra. Se a missão tivesse corrido como planeado, as preciosas amostras do asteróide 25143 Itokawa teriam chegado aos cientistas em Junho de 2007.

Mas o voo da Hayabusa, a palavra japonesa para "falcão", foi tudo menos normal. De facto, tem sido mais um desastre.

A sonda quase se perdeu durante o encontro devido a uma série de avarias que a poderiam ter condenado. Mas aguentou-se, apesar de uma grande perda de combustível, da avaria de uma bateria e da perda de comunicações durante dois meses. E depois falhou o seu sistema de controlo de orientação. A perda de três dos seus quatro motores alimentados a xénon significou o atraso da sua chegada à Terra por três anos, seguida cuidadosamente a cada passo pela sua dedicada equipa de engenheiros.

Bem, a Hayabusa está quase aí. As últimas notícias do gestor do projecto, Junichiro Kawaguchi, contam que foi enviado o comando para a sonda desligar o restante motor a 27 de Março, após ter gentilmente acelerado a sonda até 400 m/s no último ano e a ter aproximado duma trajectória que a coloca a vários milhares de quilómetros da Terra. "O que resta é uma série de correcções da trajectória," explica Kawaguchi, "e a equipa do projecto está a finalizar as preparações."

Em meados de Junho, uma pequena cápsula de descida com 18 kg irá separar-se da sonda e entrará na atmosfera por cima da região centro-Sul da Austrália. A sonda maior, entretanto, irá afastar-se para evitar a Terra. Viajando pela escuridão a 12,2 km/s, a cápsula abrirá o seu pára-quedas e aterrará numa zona alvo, medindo 100 por 15 km, na remota região de testes de Woomera.

Após o transporte para uma sala descontaminada na agência espacial japonesa (JAXA), os cientistas irão abrir cuidadosamente a cápsula de 40 cm para descobrir, finalmente, se contém ou não amostras do asteróide. Não se sabe com certeza - embora tivesse aterrado na superfície do Itokawa durante meia-hora, a Hayabusa não conseguiu disparar os dois pequenos chumbos desenhados para levantar material superficial para a sua recolha.

Concepção de artista da sonda japonesa Hayabusa, aterrando no asteróide e começando as operações de recolha de amostras.
Crédito: Space Robotics Lab/Universidade de Tohoku
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O regresso bem sucedido da Hayabusa é muito importante para o Japão, e até já estão planeadas festas. Kawaguchi tem cuidado em não divulgar publicamente a data exacta, e espera ainda o avalo das autoridades australianas. "Não é no começo de Junho, nem no fim de Junho," afirma.

Dado que as sondas raramente entram pela atmosfera com esta velocidade - os satélites em órbita da Terra caem três vezes mais devagar - há muito interesse científico na própria reentrada. A cápsula deverá criar uma bola de fogo artificial começando a cerca de 200 km de altitude e alcançará um brilho máximo de magnitude -6,7 (várias vezes mais brilhante que Vénus) antes de abrir o seu pára-quedas.

Durante o último ano, o especialista em meteoros Peter Jenniskens do Instituto SETI na Califórnia, tem organizado uma equipa internacional para observar a chegada da cápsula a bordo de um jacto DC-8 repleto de instrumentos, voando perto da zona de recolha. Jenniskens organizou um evento semelhante para a chegada da cápsula de amostras da Stardust em Janeiro de 2006.

Irá a Hayabusa, não obstante os seus problemas, chegar à Terra? Será que a cápsula contém as amostras do asteróide Itokawa? Em breve desenrolar-se-á o último capítulo desta espectacular missão!

Links:

Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve:
04/11/05 - Apesar das imagens Hayabusa sofre retrocesso
22/11/05 - Hayabusa falha aterragem
29/11/05 - Missão Hayabusa com sucesso
13/12/05 - Missão Hayabusa provavelmente falhou
29/08/07 - Sonda Hayabusa recupera terceiro motor iónico
16/04/08 - Hayabusa pode nunca regressar à Terra
25/11/09 - Novas esperanças para valente missão japonesa

Notícias relacionadas:
Spaceflight Now
PHYSORG.com

Missão Hayabusa:
JAXA (cortesia YouTube)

Sonda Hayabusa:
JAXA
NASA
Universidade de Tohoku
Wikipedia

 
     
 
     
  NGC 602 - Crédito: NASA, ESA, e Equipa Hubble Heritage (STScI / AURA) - Colaboração ESA/Hubble  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Perto dos arredores da Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite a cerca de 200 mil anos-luz de distância, está situado o jovem enxame estelar NGC 602. Rodeado por gás e poeira, NGC 602 é apresentado nesta impressionante imagem obtida pelo Hubble. Cristas fantásticas e formas "penteadas para trás" sugerem fortemente que a radiação energética e ondas de choque das massivas e jovens estrelas de NGC 602 provocaram a erosão do material poeirento e despoletaram uma progressão da formação estelar que se move para fora do centro do enxame. À distância estimada da Pequena Nuvem de Magalhães, a imagem cobre cerca de 200 anos-luz, mas também são aqui visíveis muitas outras galáxias de fundo. Estas galáxias estão centenas de milhões de anos-luz, ou mais, para trás de NGC 602.

 


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