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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 693
De 26/10 a 28/10/2010
 
 
 

Dia 26/10: 299.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, o mundo vê pela primeira vez o outro lado da Lua, graças à sonda soviética Luna 3.
Em 1965, lançamento do primeiro satélite francês, o Astérix 1.

Observações: Se observar telescopicamente Júpiter ao anoitecer, verá a sombra de Io passar pelo planeta (até por volta das 21:30).

Dia 27/10: 300.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, primeiro lançamento com sucesso do foguetão Saturno I

Em 1999, passagem pela Terra do Asteróide 3838 (0,374 UA).
Em 1994, é inquestionavelmente identificado o primeiro objecto de massa subestelar, Gliese 229B.
Em 2005, é lançado o micro-satélite SSETI Express do Cosmódromo de Plesetsk.
Observações: A meio da noite, a brilhante Capela brilha a Nordeste. Procure, para a sua direita, o pequeno enxame das Plêiades. Por baixo de M45 está a estrela alaranjada Aldebarã.
Na noite de dia 27 para dia 28, poderá observar a Lua a menos de 1º do enxame M35.

Dia 28/10: 301.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971 a Grã-Bretanha lança o Prospero, o seu primeiro satélite. 
Em 1974, lançamento da sonda Luna 23.
Em 2009, a NASA lança com sucesso a sua missão Ares I-X, o único lançamento do cancelado programa Constellation.

Observações: O Fantasma dos Sóis de Verão. Aproxima-se o dia das bruxas. Isto também significa que Arcturo, a estrela brilhante baixa a Oeste-Noroeste ao lusco-fusco, toma o seu lugar como "o Fantasma dos Sóis de Verão". O que é que isto significa? Durante vários dias do ano por volta de 29 de Outubro, Arcturo ocupa um lugar especial no céu mesmo por cima do horizonte. Marca o local onde o Sol se situou à mesma hora (do relógio) durante os quentes meses de Junho e Julho - de dia, claro está. Por isso durante estes dias, todos os anos, podemos pensar de Arcturo como um frio fantasma do Sol para o dia das Bruxas.

 
 
  Existem actualmente 88 constelações reconhecidas pela União Astronómica Internacional. Mas muito antes, os astrónomos inventaram outras constelações para "preencher lacunas", tanto do bem conhecido Hemisfério Norte como do (na altura) "novo" céu do Hemisfério Sul.

Essas constelações extintas são: Argo, Abelha, Gato, Cerberus, Balão de ar quente, Coruja, Rio Tigre, Rena, Tartaruga, entre outras.
 
 
 
  ÁGUA NA LUA E MUITO, MUITO MAIS  
 

Quase um ano após terem anunciado a descoberta de moléculas de água na Lua, na semana passada cientistas revelaram novos dados registados pela sonda LCROSS (Lunar CRater Observation and Sensing Satellite) e pela LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA.

As missões descobriram provas que o solo lunar dentro de crateras à sombra é rico em materiais úteis, e que o satélite é quimicamente activo e tem um ciclo da água. Os cientistas também confirmaram que a água estava, na maioria, sob a forma de cristais de gelo em alguns locais. Os resultados estão explicados em seis artigos publicados na edição de 22 de Outubro da revista Science.

"A NASA confirmou a presença de água gelada e caracterizou a sua distribuição desigual nas regiões permanentemente à sombra na Lua," afirma Michael Wargo, cientista lunar na sede da NASA em Washington, EUA. "Este grande empreendimento é apenas um dos muitos passos que a NASA tomou para melhor compreender o nosso Sistema Solar, os seus recursos e sua origem, evolução e futuro."

Uma imagem dos detritos, expelidos pela cratera Cabeus e para a luz solar, cerca de 20 segundos após o impacto da LCROSS. A imagem do canto é uma ampliação com a direcção do Sol e da Terra.
Crédito: Science/AAAS
 

Os impactos gémeos da LCROSS e do seu foguetão na cratera lunar Cabeus a 9 de Outubro de 2009 levantaram uma pluma de material que não via luz solar directa há milhares de milhões de anos. À medida que a pluma viajava quase 17 km para cima do limite de Cabeus, os instrumentos a bordo da LCROSS e da LRO fizeram medições da cratera, dos detritos e das nuvens de vapor. Após os impactos, grãos de água gelada quase pura foram colocados à luz solar no vácuo do espaço.

"A observação destes grãos de água gelada quase pura na pluma significa que a água gelada foi, de alguma maneira, entregue à Lua no passado, ou que processos químicos têm feito com que o gelo se acumulasse em grandes quantidades," afirma Anthony Colaprete, cientista do projecto LCROSS e investigador principal do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califórnia. "Também, a diversidade e abundância de certos materiais apelidados de voláteis na pluma, sugerem uma variedade de fontes, tais como cometas e asteróides, e um ciclo da água activo dentro das sombras lunares."

Estes compostos voláteis estão presos e congelados nas frias crateras lunares e vaporizam-se quando aquecidos pelo Sol. Os instrumentos da LCROSS e da LRO determinaram que quase 20% do material expelido pelo impacto da LCROSS era volátil, incluindo metano, amónia, hidrogénio gasoso, dióxido de carbono e monóxido de carbono. Os instrumentos também descobriram quantidades relativamente grandes de metais leves como o sódio, mercúrio e possivelmente até prata.

Os cientistas acreditam que a água e a mistura de compostos voláteis que a LCROSS e a LRO detectaram podem ser restos de um impacto cometário. De acordo com os cientistas, estes subprodutos químicos voláteis são também provas de um ciclo no qual a água gelada reage com os grãos de solo lunar.

O instrumento Diviner da LRO recolheu dados acerca da concentração de água e mediu temperaturas, e o detector LEND (Lunar Exploration Neutron Detector) da sonda mapeou a distribuição do hidrogénio. Estes dados combinados levaram a equipa científica a concluir que a água não está uniformemente distribuída dentro das armadilhas frias e sombreadas, mas ao invés em bolsas, que podem também situar-se fora das regiões à sombra.

A proporção de voláteis em comparação com a água no solo lunar indica que um processo denominado "química de grão frio" está a acontecer. Os cientistas também teorizam que este processo poderá durar centenas de milhares de anos e que poderá ocorrer noutros corpos frios, como asteróides; as luas de Júpiter e Saturno, incluindo Europa e Encelado; as luas de Marte; grãos de poeira interestelar que flutuam entre as estrelas e nas regiões polares de Mercúrio.

"As observações pelos instrumentos da LRO e da LCROSS demonstram que a Lua tem um ambiente complexo que passa por vários processos químicos intrigantes," afirma Richard Vondrak, cientista do projecto LRO no Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. "Este conhecimento pode abrir portas a novas áreas de pesquisa e exploração."

Ao melhor compreender os processos e ambientes que determinam os locais onde água gelada pode existir, como lá chegou e o seu ciclo activo, podemos melhor planear as missões futuras e determinar quais os locais que têm água mais acessível. A existência de água gelada quase pura pode significar que os exploradores humanos do futuro não precisam de retirar a água do solo de modo a usá-la como recurso imprescindível para a vida. Em adição, a presença abundante de hidrogénio gasoso, amónia e metano pode ser explorada para produzir combustível.

Links:

Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve:
25/09/09 - Água pode agarrar-se à superfície da Lua
30/09/09 - Como os astronautas poderiam "recolher" água na Lua
18/11/09 - Grandes quantidades de água descobertas na Lua
20/11/09 - Água descoberta na Lua veio provavelmente de cometas

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SwRI (comunicado de imprensa)
Science (requer subscrição)
SPACE.com
New Scientist
Universe Today
PHYSORG.com

LCROSS:
NASA
Wikipedia

Lunar Reconnaissance Orbiter:
NASA
Wikipedia

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

 
     
 
 
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Aninhados em poeira cósmica e hidrogénio brilhante, os berçários estelares de Orionte, o Caçador, situam-se na fronteira de uma nuvem molecular gigante a uns 1500 anos-luz de distância. Cobrindo quase 25 graus no nosso céu, esta paisagem de cortar a respiração preenche a grande maioria da famosa constelação de cabeça aos pés (esquerda para a direita). A Grande Nebulosa de Orionte, a região de formação estelar mais próxima, está à direita do centro. Para a sua esquerda está a Nebulosa Cabeça de Cavalo, M78 e as estrelas da cintura de Orionte. Na imagem também está a gigante vermelha Betelgeuse no ombro do caçador, a brilhante e azulada Rigel no seu pé, e a brilhante nebulosa Lambda Orionis (Meissa) à esquerda, perto da cabeça de Orionte. A Nebulosa de Orionte e as estrelas brilhantes são fáceis de avistar a olho nu, mas as nuvens deste rico campo de gás interestelar são demasiado ténues e muito mais difíceis de registar. Neste mosaico de imagens telescópicas, foram adquiridos dados adicionais com um filtro de hidrogénio-alfa com o objectivo de realçar o gás atómico do hidrogénio e o grande arco de Barnard.

 


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