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Edição n.º 774
05/08 a 08/08/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 05/08: 217.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1864 Giovanni Donati faz as primeiras observações espectroscópicas de um cometa (Tempel, 1864 II.)

E vê o que é agora conhecido como as bandas Swan (3 delas), devido ao carbono molecular (C2). 
Em 1930 nascia Neil Armstrong, o primeiro ser humano na Lua.
Em 1969 a sonda americana Mariner 7 passa por Marte a 3518 km, enviando de volta 125 imagens. 
Em 1973 é lançada a sonda soviética Mars 6. A 12 de Março de 1974, a Mars 6 aterra suavemente em Marte a 24º S, 25º O. Enviou dados atmosféricos durante a descida. 
Em 2000, a quebra do cometa Linear 1999/S4 é capturada pelo Telescópio Espacial Hubble.
Observações: Vesta em oposição, pelas 11:00.
A Lua alinha-se para a esquerda de Espiga e Saturno ao anoitecer.

Dia 06/08: 218.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961 era lançada a Vostok 2 pela União Soviética, levando a bordo o cosmonauta Gherman Titov, o primeiro voo soviético com a duração de um dia.

Observações: Antes do amanhecer, observe Marte, baixo a Este-Nordeste, que passa a menos de 1º do enxame M35 em Gémeos. Use binóculos ou um telescópio.
Lua em Quarto Crescente, pelas 12:08.

Dia 07/08: 219.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959 o Explorer 6 com uma massa de 64,4 kg, torna-se no primeiro satélite a enviar fotos da Terra de órbita. 

Em 1976, a Viking 2 entra em órbita de Marte.
Em 2000, uma equipa internacional de pesquisa planetária descobre em Epsilon Eridania apenas 10.5 anos-luz da Terra, um novo planeta gasoso. 
Observações: Esta noite a Lua Crescente encontra-se para a direita da estrela Antares, em Escorpião.

Dia 08/08: 220.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1989 era lançado o STS-28. A quarta missão secreta do Departamento de Defesa americano. Tempo de duração: 5 dias, 1 hora, 0 minutos e 8 segundos. 

Observações: Se observou a Lua ontem, então observe a Lua hoje. Irá reparar que a Lua encontra-se agora para a esquerda de Antares.

 
CURIOSIDADES


Há quem considere Tycho Brahe o maior astrónomo de todos os tempos. Ele acreditava firmemente que observações precisas eram a chave para o avanço no estudo das estrelas, e com a ajuda do rei da Dinamarca, estabeleceu o observatório, Uraniburg, na ilha de Hven, que era considerado o melhor observatório da Europa. Brahe estudou a supernova de 1572, o cometa de 1577 e os movimentos dos planetas. Baseando o seu pensamento nas teorias tradicionais de Ptolomeu, Brahe desenvolveu um sistema em que os planetas giravam em torno do Sol, que por sua vez girava à volta duma Terra estacionária. Tycho Brahe foi também o mentor de Johannes Kepler, que mais tarde foi contra as teorias de Brahe e desenvolveu as três leis do movimento dos planetas.

 
ESTUDO SUGERE QUE TERRA TEVE DUAS LUAS QUE COLIDIRAM FORMAR UMA

De acordo com um novo estudo por cientistas planetários da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, EUA, uma região montanhosa do lado escuro da Lua pode ser o resto sólido de uma colisão com uma lua companheira mais pequena.

Há muito que se debatem as diferenças mais notáveis entre os lados visível e escuro da Lua. O lado visível é relativamente plano, enquanto a topografia do lado escuro é alta e montanhosa, com uma crosta muito mais espessa. O novo estudo, publicado na edição de 4 de Agosto da revista Nature, baseia-se no modelo do "impacto gigante" para a origem da Lua, no qual um objecto com o tamanho de Marte colidiu com a Terra no início da história do Sistema Solar e expeliu detritos que coalesceram para formar a Lua. O estudo sugere que este impacto gigante também criou outro corpo mais pequeno, inicialmente partilhando uma órbita com a Lua, mas que eventualmente caiu de volta à Lua e polvilhou um lado com uma camada extra de crosta sólida com dezenas de quilómetros de espessura.

"O nosso modelo funciona bem com modelos do impacto gigante que formou a Lua, que prevêem a existência de detritos massivos deixados em órbita da Terra, para lá da própria Lua. Corrobora com o que é conhecido acerca da estabilidade dinâmica de tal sistema, da temporização do arrefecimento da Lua e das idades das rochas lunares," afirma Erik Asphaug, professor de ciências Terrestres e Planetárias da Universidade de Santa Cruz, na Califórnia, EUA.

Quatro imagens das simulações computacionais de uma colisão entre a Lua e uma lua companheira mais pequena, que mostra a acreção desta como uma camada com a forma de uma panqueca, formando uma região montanhosa num dos lados da Lua.
Crédito: M. Jutzi e E. Asphaug, Nature.
 

Asphaug, co-autor do artigo com o investigador pós-doutorado da mesma universidade, Martin Jutzi, tinha previamente feito simulações computacionais do impacto gigante que formou a Lua. Ele afirma que luas companheiras são um resultado normal de tais simulações.

No novo estudo, ele e Jutzi usaram simulações computacionais de um impacto entre a Lua e uma companheira mais pequena (com cerca de 1/30 da massa da Lua) para estudar a dinâmica da colisão e seguir a evolução e a distribuição de material lunar. Nesta colisão de baixa-velocidade, o impacto não forma uma cratera e não causa fusão de material. Ao invés, a maioria do material é aglomerado sobre o hemisfério impactado como uma espessa nova camada de crosta sólida, formando uma região montanhosa comparada em tamanho com as terras altas lunares do lado escuro.

"Claro, os modelos de impacto tentam explicar tudo com colisões. Neste caso, requer uma colisão estranha: lenta, não forma cratera, mas espalha material num lado," afirma Asphaug. "É uma coisa nova para reflectir."

Ele e Jutzi admitem a hipótese da lua companheira ter sido inicialmente capturada num dos "pontos Trojanos" gravitacionalmente estáveis que partilham a órbita da Lua, e tornaram-se instáveis após a órbita da Lua se ter afastado bem da Terra. "A colisão pode ter acontecido em qualquer lado da Lua," afirma Jutzi. "O corpo final é assimétrico e faria com que um lado estivesse virado para a Terra."

O modelo também explica as variações na composição da crosta da Lua, que é dominada no lado visível por terreno comparativamente rico em potássio, elementos raros na Terra, e fósforo. Pensa-se que estes elementos, bem como o urânio e tório, tenham sido concentrados no oceano de magma que existia à medida que a rocha derretida solidificava por baixo da crosta lunar cada vez mais espessa. Nas simulações, a colisão espreme a camada rica em fósforo para o hemisfério oposto, preparando o palco para a geologia agora observada no lado visível da Lua.

Outros modelos foram propostos para explicar a formação das terras altas, incluindo um publicado o ano passado na revista Science pelos colegas de Jutz e Asphaug da Universidade de Santa Cruz, Ian Garrick-Bethell e Francis Nimmo. A sua análise sugeriu que as forças de marés, e não um impacto, eram as responsáveis para a espessura da crosta da Lua.

"O facto do lado visível da Lua parecer tão diferente do lado escuro tem sido um puzzle desde o início da era espacial, talvez o segundo maior mistério a seguir à origem da própria Lua," afirma Nimmo, professor de Ciências Terrestres e Planetárias. "Um dos aspectos elegantes do artigo de Erik é que liga estes dois puzzles: talvez a colisão gigante que formou a Lua possa também ter formado outros corpos mais pequenos, que caíram mais tarde para a Lua e provocaram a dicotomia que vemos hoje em dia."

Por agora, afirma, não há dados suficientes para dizer quais dos modelos alternativos proporcionam a melhor explicação para a dicotomia lunar. "À medida que se obtêm cada vez mais dados com sondas (e, com sorte, amostras lunares), torna-se mais claro qual das duas hipóteses é a correcta," afirma Nimmo.

O novo estudo teve o suporte do Programa de Geologia e Geofísica Planetária da NASA. As simulações foram feitas com o supercomputador Pleiades da Universidade de Santa Cruz.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Santa Cruz (comunicado de imprensa)
Nature News
Astronomy Now Online
SPACE.com
New Scientist
Universe Today
Scientific American
Science
Popular Science
Reuters
National Geographic
Discovery News
AFP
EurekAlert!
BBC News
MSNBC

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve 
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Asteróide Vesta
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Quem fez a imagem
 
Porque é que a parte norte do asteróide Vesta tem mais crateras que a parte sul? Ninguém sabe com certeza. O mistério inesperado veio a lume nas últimas semanas, desde que a missão robótica Dawn se tornou na primeira sonda a orbitar o segundo maior objecto da cintura de asteróides entre Marte e Júpiter. A parte norte de Vesta, vista aqui para cima e para a esquerda da imagem, parece mostrar uma das maiores densidades de crateras no Sistema Solar, enquanto a parte sul é surpreendentemente lisa. Também desconhecida é a origem dos sulcos que rodeiam o asteróide perto do seu equador, particularmente visível neste filme da rotação de Vesta, e a natureza das faixas escuras que traçam algumas das crateras de Vesta, por exemplo a cratera mesmo para cima do centro da imagem. À medida que a Dawn espirala na direcção de Vesta ao longo dos próximos meses, poderão emergir algumas respostas, bem como imagens a cores e de mais alta-resolução. O estudo deste asteróide com 500 km de diâmetro está a fornecer pistas acerca da sua história e dos primórdios do nosso Sistema Solar.
 

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