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Edição n.º 874
20/07 a 23/07/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 20/07: 202.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969 os primeiros humanos aterram na Lua: a missão Apollo 11 com os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin.

A maioria das pessoas não sabe que as famosas palavras de Armstrong eram para ser: "Um pequeno passo para um homem. Um grande salto para a Humanidade."
Em 1976 a sonda Viking 1 aterra em Marte e são tiradas as primeiras imagens da sua superfície.
Em 1994, o fragmento Q1 do Cometa Shoemaker-Levy 9 atinge Júpiter
Em 1999 a sonda Liberty Bell 7 do programa Mercúrio era retirada do Oceano Atlântico.
Observações: Após escurecer, olhe para sul para ver a estrela alaranjada Antares. Use um telescópio para observar o enxame globular M4, nas proximidades.

Dia 21/07: 203.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, Gus Grissom, pilotando a cápsula Liberty Bell 7 da Mercury 4, torna-se no segundo americano a entrar em órbita à volta da Terra.
Em 1969, Neil Armstrong e Edwin "Buzz" Aldrin tornam-se nos primeiros humanos a andar na Lua, durante a missão Apollo 11. No mesmo dia, a sonda soviética Luna 15, colide na superfície da Lua ao tentar aterrar.
Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 4. Alcança Marte em Fevereiro de 1974. No entanto, a sonda falha a entrada em órbita. Mesmo assim, consegue enviar alguns dados e imagens.
Em 1998 morria o astronauta Alan Shepard.

Em 2011, termina o programa do Vaivém Espacial da NASA, com a aterragem do vaivém Atlantis durante a missão STS-135.
Observações: Dragão dobra as suas costas sobre a Ursa Menor a norte nesta altura do ano. Com o seu telescópio, procure a Nebulosa Olho de Gato, algumas estrelas duplas interessantes e galáxias.

Dia 22/07: 204.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, a Mariner 1 voa erraticamente durante vários minutos após o lançamento acabando por ter que ser destruída.

Observações: Aproveite a noite para observar telescopicamente os planetas Marte e Saturno, na constelação de Virgem.

Dia 23/07: 205.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, os Estados Unidos lançavam o satélite LandSat 1.

Em 1995, é descoberto o Cometa Hale-Bopp e torna-se visível a olho nu quase um ano depois.
Observações: Se é madrugador, aproveite o antes do amanhecer para observar, baixos a Este, Júpiter e Vénus, por entre as estrelas da constelação de Touro.

 
CURIOSIDADES


A Via Láctea foi já considerada como uma galáxia espiral normal. Os astrónomos começaram a suspeitar que a Via Láctea era barrada nos anos 90. As suas suspeitas foram confirmadas em 2005 pelo Telescópio Spitzer, que mostrou que a barra central da Galáxia era maior do que se pensava.

 
SPITZER DESCOBRE POSSÍVEL EXOPLANETA MAIS PEQUENO QUE A TERRA
Esta impressão de artista mostra o que os astrónomos acreditam ser um mundo com apenas dois-terços o tamanho da Terra -- um dos mais pequenos conhecidos. Foi identificado com o Telescópio Espacial Spitzer. O candidato a exoplaneta, conhecido como UCF-1.01, orbita uma estrela denominada GJ 436, localizada a apenas 33 anos-luz de distância. UCF-1.01 pode ser o mundo mais próximo do nosso Sistema Solar que é mais pequeno que a nossa Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Astrónomos usando o Telescópio Espacial Spitzer da NASA detectaram o que acreditam ser um planeta com dois-terços do tamanho da Terra. O candidato a exoplaneta, denominado UCF-1.01, está localizado a uns meros 33 anos-luz de distância, o que o torna possivelmente no mundo mais próximo do Sistema Solar, que é mais pequeno que o nosso planeta.

Os planetas extrasolares orbitam estrelas para lá do nosso Sol. Apenas um punhado de planetas mais pequenos que a Terra foram descobertos até agora. O Spitzer levou a cabo estudos de trânsitos em exoplanetas conhecidos, mas UCF-1.01 é o primeiro a ser identificado com o telescópio espacial, apontando para um possível papel do Spitzer na descoberta de mundos terrestres potencialmente habitáveis.

"Com a ajuda do Telescópio Espacial Spitzer, descobrimos fortes evidências de um planeta muito pequeno, muito quente e muito próximo da sua estrela-mãe," afirma Kevin Stevenson da Universidade da Flórida Central em Orlando, EUA. Stevenson é o autor principal do artigo, que foi aceite para publicação na revista Astrophysical Journal. "A identificação de planetas pequenos vizinhos tais como UCF-1.01 poderá um dia levar à sua caracterização usando instrumentos futuros."

O novo candidato a planeta foi descoberto inesperadamente nas observações do Spitzer. Stevenson e seus colegas estudavam o exoplaneta com o tamanho de Neptuno, GJ 436b, que já se sabia orbitar a anã vermelha GJ 436. Nos dados do Spitzer, os astrónomos notaram ligeiras diminuições na quantidade de radiação infravermelha oriunda da estrela, separadas das diminuições provocadas por GJ 436b. Uma revisão de dados de arquivo mostrou que as diminuições eram periódicas, sugerindo um segundo planeta em órbita da estrela que bloqueava uma pequena fracção da sua luz.

Esta técnica, usada por vários observatórios incluindo o telescópio espacial Kepler, baseia-se nos trânsitos para detectar exoplanetas. A duração de um trânsito e a pequena diminuição na quantidade de luz registada revela propriedades básicas de um exoplaneta, tais como o seu tamanho e distância da sua estrela. No caso de UCF-1.01, o seu diâmetro é de aproximadamente 8400 km, ou dois-terços do da Terra.

UCF-1.01 deve orbitar muito perto de GJ 436, a mais ou menos sete vezes a distância entre a Terra e a Lua, e o seu "ano" dura apenas 1,4 dias terrestres. Dada a sua distância à estrela, muito menor do que Mercúrio em relação ao Sol, a temperatura superficial do exoplaneta deverá situar-se na ordem dos 600 graus Celsius.

Se o pequeno e torriscado candidato a planeta já teve alguma atmosfera, quase de certeza que evaporou. UCF-1.01 pode por isso ter parecenças com um mundo craterado e geologicamente morto como Mercúrio. O co-autor do artigo, Joseph Harrington, também da mesma Universidade e investigador principal da pesquisa, sugeriu outra possibilidade; que o extremo calor devido à sua pequeníssima órbita em torno de GJ 436, derreteu a superfície do planeta extrasolar.

"O planeta pode até estar coberto de magma," afirma Harrington.

Em adição a UCF-1.01, Stevenson e seus colegas avistaram pistas de um terceiro planeta, denominado UCF-1.02, em órbita de GJ 436. O Spitzer já observou evidências dos dois novos planetas várias vezes. No entanto, mesmo os instrumentos mais sensíveis são incapazes de medir as massas exoplanetárias tão pequenas quanto UCF-1.01 e UCF-1.02, que talvez sejam um-terço da da Terra. A determinação da massa é um passo necessário para a confirmação da descoberta, por isso os autores do artigo apelidam-nos cuidadosamente de candidatos a exoplaneta por agora.

Das aproximadamente 1800 estrelas identificadas pelo telescópio Kepler da NASA como candidatas a ter sistemas planetários, apenas três foram verificadas conterem exoplanetas sub-Terra. Destes, apenas um planeta extrasolar deverá ser mais pequeno que os candidatos do Spitzer, com um raio parecido ao de Marte, ou 57% do da Terra.

"Espero que as observações futuras confirmem estes resultados excitantes, que mostram que o Spitzer é capaz de descobrir planetas extrasolares tão pequenos quanto Marte," afirma Michael Wener, cientista do projecto Spitzer no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "Mesmo depois de quase 9 anos no espaço, as observações do Spitzer continuam a levar-nos em novas e importantes direcções científicas."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
PHYSORG
SPACE.com
Discovery News
Science 2.0

GJ 436:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

 
DESCOBERTA A GALÁXIA ESPIRAL MAIS ANTIGA

Astrónomos testemunharam pela primeira vez uma galáxia espiral no Universo jovem, milhares de milhões de anos antes da formação de muitas outras galáxias espirais. Num artigo publicado na edição de 19 de Julho da revista Nature, os astrónomos dizem que a descobriram usando o Telescópio Espacial Hubble para obter imagens de aproximadamente 300 galáxias muito distantes no Universo jovem e para estudar as suas propriedades. Esta galáxia espiral distante é observada como era cerca de 3 mil milhões de anos após o Big Bang, e a luz desta parte do Universo viaja na direcção da Terra há já cerca de 10,7 mil milhões de anos.

"À medida que viajamos no passado até ao princípio do Universo, as galáxias tornam-se muito estranhas e irregulares, nada simétricas," afirma Alice Shapley, professora associada de física e astronomia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, EUA, co-autora do estudo. "A vasta maioria das galáxias antigas parecem autênticos desastres. O nosso primeiro pensamento foi, porque é que esta é tão diferente, e tão linda?"

Imagem em cores falsas da galáxia BX442, obtida pelo Hubble e pelo Keck.
Crédito: David Law, Instituto Dunlap para Astronomia e Astrofísica
 

As galáxias do Universo de hoje em dia estão divididas em várias categorias, incluindo galáxias espirais como a nossa Via Láctea, que são discos em rotação de estrelas e gás a partir do qual se formam novas estrelas, e galáxias elípticas, que incluem estrelas mais antigas e avermelhadas que se movem em direcções aleatórias. Esta mistura de estruturas galácticas do Universo jovem é bem diferente, com uma muito maior diversidade e uma maior fracção de galáxias irregulares, afirma Shapley.

"O facto de esta galáxia existir é surpreendente," afirma David Law, autor principal do estudo e pós-doutorado do Instituto Dunlap para Astronomia e Astrofísica da Universidade de Toronto. "O nosso conhecimento actual diz-nos que galáxias espirais 'tão bem desenhadas' como esta simplesmente não existiam nesta época tão jovem da história do Universo." Uma galáxia "bem desenhada" tem braços espirais proeminentes e bem-formados.

A galáxia, que tem o nome nada glamoroso de BX442, é muito grande em comparação com outras galáxias da época; das examinadas por Law e Shapley, apenas 30 são tão massivas.

Para tentar perceber mais sobre a sua única imagem de BX442, Law e Shapley deslocaram-se ao Observatório W.M. Keck no topo do vulcão Mauna Kea no Hawaii e usaram um instrumento singular topo de gama denominado espectrógrafo OSIRIS. Estudaram o espectro de cerca de 3600 locais no interior e arredores de BX442, o que providenciou informações valiosas que fez com que se conseguissem determinar que é na realidade uma galáxia espiral em rotação - e não, por exemplo, duas galáxias que por acaso estavam alinhadas a partir da perspectiva da Terra.

"Primeiro pensámos que podia ser apenas uma ilusão, e que talvez estávamos a ser enganados pela imagem," afirma Shapley. "O que descobrimos quando obtivemos as medições espectrais da galáxias é que os braços espirais pertencem realmente a esta galáxia. Não era uma ilusão. Ficámos estupefactos." Law e Shapley também observaram várias evidências de um enorme buraco negro no centro da galáxia, que poderá desempenhar um papel crucial na evolução de BX442.

Porque é que BX442 parece-se com galáxias tão comuns hoje em dia, mas que eram tão raras nessa altura?

Impressão de artista da galáxia BX442 e da sua anã companheira.
Crédito: Instituto Dunlap para Astronomia e Astrofísica/Joe Bergeron
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Law e Shapleu pensam que a resposta poderá ter a ver com uma galáxia anã companheira, que o espectrógrafo OSIRIS revela como um borrão na porção superior esquerda da imagem, e com a interacção gravitacional entre elas. O suporte desta ideia é fornecido por uma simulação numérica conduzida por Charlotte Christensen, pós-doutorada da Universidade do Arizona, EUA, e co-autora da pesquisa publicada na revista Nature. Eventualmente, a pequena galáxia vai fundir-se com BX442, afirma Shapley.

"BX442 parece-se com uma galáxia vizinha, mas no Universo jovem, as galáxias colidiam entre si com muito mais frequência," afirma. "O gás 'chovia' do meio intergaláctico e alimentava estrelas em formação a um ritmo muito mais rápido do que hoje em dia; os buracos negros também cresciam muito mais rapidamente. O Universo actual é chato em comparação com esta altura."

Law e Shapley vão continuar a estudar BX442. "Queremos obter imagens desta galáxia noutros comprimentos de onda," afirma Shapley. "Isso vai dizer-nos que tipos de estrelas estão em cada local da galáxia. Queremos mapear a mistura de estrelas e gases em BX442."

Shapley acrescentou que BX442 representa uma ligação entre as galáxias passadas, muito mais turbulentas, e as galáxias espirais que vemos à nossa volta. "De facto, esta galáxia, pode salientar a importância das colisões e fusões em determinada época cósmica, no que diz respeito ao 'grande desenho' de estruturas espirais."

O estudo de BX442 vai provavelmente ajudar os astrónomos a melhor compreender como é que galáxias espirais como a Via Láctea se formaram, conclui Shapley.

Links:

Notícias relacionadas:
UCLA (comunicado de imprensa)
Instituto Dunlap (comunicado de imprensa em formato PDF)
Nature (requer subscrição)
Sky & Telescope
New Scientist
PHYSORG
Universe Today
POPSCI
Discovery News
AFP
UPI.com

Galáxias espirais:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Wikipedia

Observatório Keck:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Cratera Giordano Bruno
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA/GSFC/Universidade Estatal do Arizona
 
A sonda LROC já capturou muitas imagens da cratera Giordano Bruno na Lua, mas dá sempre gosto voltar a esta cratera raiada porque é um exemplo quase pristino dos efeitos dos impactos na superfície lunar. Contém um manto de detritos com lindas crateras secundárias e é uma excelente ilustração de como as rochas derretidas por impactos fluem e se aglomeram. Esta imagem foi capturada a um ângulo de 79º para Este, e providencia outra vista sensacional que nos ajuda a compreender os processos de impacto. É uma ampliação sobre o limite sul da cratera, que tem 22 km de diâmetro e está situada no lado escondido da Lua.
 

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