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Edição n.º 896
05/10 a 08/10/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 05/10: 279.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1882 nasce Robert Goddard, pioneiro no desenvolvimento dos foguetões.

Em 1923, Edwin Hubble descobre a primeira variável de Cefeida em M31, a Galáxia de Andrómeda, estabelecendo que as "nebulosas" espirais são independentes e são sistemas estelares externos, tal como a Via Láctea.
Em 2000, astrónomos espanhóis e alemães publicam na revista Science a sua descoberta de planetas gigantes gasosos isolados, sem estrelas, a serem formados na região de Orion. Estes "super-júpiteres" flutuam livremente dentro de um enxame estelar, mas a distâncias suficientemente grandes para permitir escapar à atracção gravitacional das outras estrelas.
Observações: Júpiter nasce a partir das 22:20 a Este-Nordeste, seguida dez minutos depois pela Lua em Quarto Minguante. De madrugada, encontram-se mais alto, e a menos de 3º entre si.
A partir das 23:00 é possível ver o satélite de Júpiter, Ganimedes, reaparecer do lado Oeste de Júpiter. É necessário um pequeno telescópio.

Dia 06/10: 280.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1990 é lançado o observatório solar da ESA e da NASAUlysses, a partir do vaivém Discovery. Em Fevereiro de 1992, levou um puxão gravitacional de Júpiter, forçando-o a sair do plano da eclíptica.

Completou a sua missão principal de vigiar os dois pólos do Sol, enviando resultados inesperados. Sabe-se que o pólo magnético sul é muito mais dinâmico e sem localização fixa. A missão duraria até 2007.
Em 1995, é descoberto em 51 Pegasi o primeiro planeta a orbitar outra estrela que não o Sol.
Observações: Vega permanece muito alta a Oeste após o anoitecer esta semana. Procure as estrelas mais ténues da constelação de Lira para a sua esquerda.

Dia 07/10: 281.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, nascia Niels Bohr, físico que fez contribuições fundamentais na compreensão da estrutura atómica e da mecânica quântica, pela qual ganhou o prémio Nobel da Física.

Em 1959 o sistema televisivo a bordo da Luna 3 obtém uma série de 29 fotografias ao longo de 40 minutos, cobrindo 70% da superfície da Lua.
Observações: Para esta noite e amanhã, está prevista a chuva de meteoros Dracónidas. A melhor altura para os observar será a partir do anoitecer, até que a Lua nasça. O pico está estimado para as 02:00 UT de dia 8 (noite de 7 para 8).

Dia 08/10: 282.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Aproveite a madrugada (dia 7 para 8) para avistar alguns meteoros das Dracónidas, embora o brilho da Lua possa impedir uma boa observação.
Lua em Quarto Minguante, pelas 08:33.

 
CURIOSIDADES


A maior lua do Sistema Solar é Ganimedes (2634 km de raio, satélite de Júpiter), seguida de Titã (2576 km de raio, satélite de Saturno) e de Calisto (2410 km de raio, satélite de Júpiter).

 
 
SPITZER PROVIDENCIA MELHOR MEDIÇÃO ATÉ AGORA DA EXPANSÃO DO UNIVERSO
A escala de distância cósmica, vista aqui simbolicamente como uma "escada" na impressão de artista, é uma série de estrelas e outros objectos dentro das galáxias com distâncias conhecidas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Astrónomos usando o Telescópio Espacial Spitzer da NASA anunciaram a medida mais precisa até agora da constante de Hubble, ou a velocidade com que o nosso Universo se expande.

A constante de Hubble tem o nome do astrónomo Edwin P. Hubble, que surpreendeu o mundo na década de 1920, confirmando que o nosso Universo tem-se expandido desde que explodiu há 13,7 mil milhões de anos atrás. No final da década de 90, os astrónomos descobriram que a expansão está acelerando, ou seja, a subir de velocidade ao longo do tempo. A determinação da taxa de expansão é fundamental para a compreensão da idade e tamanho do Universo.

Ao contrário do Telescópio Espacial Hubble, que vê o Cosmos no visível, o Spitzer tirou vantagem de um longo comprimento de onda infravermelho para fazer a sua nova medição. Esta medição melhora por um factor de 3 um estudo semelhante do telescópio Hubble e desce a incerteza até 3%, um salto de gigante na precisão para medições cosmológicas. O novo valor apurado para a constante de Hubble é 74,3 ± 2,1 quilómetros por segundo por megaparsec ((km/s)/Mpc). Um megaparsec é cerca de 3 milhões de anos-luz.

"O Spitzer está mais uma vez a fazer ciência para além do que foi desenhado para fazer," afirma Michael Werner do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. Werner trabalha na missão desde a sua fase de concepção inicial há mais de 30 anos atrás. "Primeiro, o Spitzer surpreendeu-nos com a sua capacidade pioneira em estudar atmosferas de exoplanetas," realça Werner, "e agora, nos últimos anos da missão, tornou-se numa valiosa ferramenta de cosmologia."

Além disso, os resultados foram combinados com dados publicados da sonda WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe) da NASA para obter uma medição independente da energia escura, um dos maiores mistérios do Cosmos. Pensa-se que a energia escura esteja a vencer uma batalha contra a gravidade, puxando o tecido do Universo. Pesquisas com base nesta aceleração foram premiadas com o Nobel da Física em 2011.

Este gráfico ilustra a relação período de variabilidade-luminosidade das cefeidas, que os cientistas usam para calcular o tamanho, idade e velocidade de expansão do Universo.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Carnegie
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Este é um quebra-cabeças enorme," afirma a autora principal do novo estudo, Wendy Freedman dos Observatórios do Instituto Carnegie para Ciência em Pasadena. "É emocionante termos sido capazes de usar o Spitzer para resolver os problemas fundamentais da cosmologia: a velocidade exacta a que o Universo se expande actualmente, bem como a medição da quantidade de energia escura no Universo de um outro ponto de vista." Freedman liderou o estudo inovador do Hubble que anteriormente tinha medido a constante de Hubble.

Glenn Wahlgren, cientista do programa Spitzer na sede da NASA em Washington, disse que a visão infravermelha, que consegue penetrar a poeira para proporcionar melhores vistas de estrelas variáveis chamadas cefeidas, permitiu ao Spitzer melhorar as medições anteriores da constante de Hubble.

"Estas estrelas pulsantes são de importância vital para o que os astrónomos chamam de escala de distância cósmica: um conjunto de objectos com distâncias conhecidas que, quando combinados com a velocidade a que os objectos se afastam de nós, revelam a velocidade de expansão do Universo," afirma Wahlgren.

As cefeidas são cruciais para os cálculos, pois as suas distâncias da Terra podem ser medidas facilmente. Em 1908, Henrietta Leavitt descobriu que estas estrelas pulsam a uma taxa directamente relacionada com o seu brilho intrínseco.

Para visualizar o porquê de isto ser tão importante, imagine alguém que se afasta com uma vela na mão. Quanto mais distante está, mais fraca será a sua luz. O seu brilho aparente revelaria a sua distância. O mesmo princípio aplica-se às Cefeidas, as "velas" padrão do nosso Cosmos. Ao medir quão brilhantes aparecem no nosso céu, e ao comparar este brilho com o seu brilho conhecido se estivessem perto, os astrónomos podem calcular a sua distância à Terra.

O Spitzer observou 10 cefeidas na nossa própria Galáxia, a Via Láctea, e 80 noutra galáxia vizinha chamada Grande Nuvem de Magalhães. Sem a poeira cósmica bloqueando a nossa visão, a equipa do Spitzer foi capaz de obter medidas mais precisas do brilho aparente das estrelas, e portanto das suas distâncias. Estes dados abrem o caminho para uma estimativa nova e melhorada da velocidade de expansão do nosso Universo.

"Há pouco mais de uma década atrás, o uso das palavras 'precisão' e 'cosmologia' na mesma frase não era possível, e o tamanho e idade do Universo não eram melhor conhecidos do que um factor de dois," afirma Freedman. "Agora falamos numa precisão de apenas poucos pontos percentuais. É verdadeiramente extraordinário."

O estudo foi publicado na revista Astrophysical Journal e pode ser consultado online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
The Astrophysical Journal (requer subscrição)
Universe Today
SPACE.com
PHYSORG
redOrbit
UPI.com
AlertNet

Constante de Hubble:
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 7293: A Nebulosa da Hélice
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Martin Pugh
 
A uns meros 700 anos-luz da Terra, na constelação de Aquário, uma estrela parecida com o Sol está morrendo. Durante os seus últimos milhares de anos, produziu a Nebulosa da Hélice (NGC 7293), um exemplo vizinho e bem estudado de nebulosa planetária, típica desta fase final da evolução estelar. A esta imagem de céu profundo da nebulosa usou um total de 58 horas de tempo de exposição. Acumulando dados de banda-estreita das linhas de emissão dos átomos de hidrogénio em vermelho e dos átomos de oxigénio em tons de azul-verde, mostra detalhes notáveis da região mais brilhante e interior da Hélice, com cerca de 3 anos-luz em diâmetro, mas também segue as características mais fracas e exteriores em forma de halo que dão à nebulosa um comprimento de mais de 6 anos-luz. O ponto branco no centro da Hélice é a estrela central e quente desta nebulosa planetária. À primeira vista uma simples nebulosa, sabe-se agora que a Hélice tem uma geometria surpreendentemente complexa.
 

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