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Edição n.º 964
31/05 a 03/06/2013
 
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31/05/13 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
21:00 - 23:00
Preço: 1€ (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 920/22
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu nocturno com telescópio (dependente da meteorologia favorável)

01/06/13 - DESCOBRINDO O SOL
16:00 - 17:00 (actividade incluída na visita ao Centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro - crianças até 12 anos grátis)
Nesta actividade os participantes poderão observar os fenómenos visíveis na "superfície" do Sol e participar em experiências que ajudam a conhecer melhor o astro-rei.

 
EFEMÉRIDES

Dia 31/05: 151.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2001, a sonda Cassini completa o veu voo rasante por Júpiter e dirige-se para Saturno.

Imagens de despedida de um eclipse de Io mostram actividade auroral na atmosfera Ioniana.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 19:58.
Mercúrio, Vénus e Júpiter perfazem uma linha recta com 7º de comprimento. Procure-os baixos a Noroeste após o pôr-do-Sol. A linha vai continuar a crescer dia após dia, enquanto Júpiter desce para o horizonte e Mercúrio sobe um pouco mais acima de Vénus.

Dia 01/06: 152.º dia do calendário gregoriano.
História:  Em 1633 nascia Geminiano Montanari, astrónomo italiano, fabricante de lentes e proponente da abordagem experimental na Ciência.

É mais conhecido pela sua observação, por volta de 1667, que a segunda estrela mais brilhante de Perseu, Algol, variava em brilho. 
Observações: Vega, brilhando a Este-Nordeste, é actualmente a estrela do topo do Triângulo de Verão. Olhe para baixo e para a esquerda de Vega, em busca de Deneb. A terceira estrela do Triângulo de Verão é Altair, consideravelmente mais longe mas para baixo e para a direita de Vega. Altair nasce a Este depois do cair da noite. A que horas a consegue avistar?

Dia 02/06: 153.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, a Surveyor 1 torna-se na primeira sonda americana a aterrar com sucesso noutro mundo, a Lua
Em 1983, era lançada a Venera 15, uma missão dupla (em conjunto com a Venera 16) com o objectivo de estudar e mapear a superfície de Vénus.

Em 2003, a sonda Mars Express,carregando o "lander" britânico Beagle 2, é lançada num foguetão russo Soyuz-Fregat, a partir de Baikonur (Cazaquistão) às 17:45 GMT.
Observações: Aproveite a noite para observar Saturno e os seus anéis. Com um telescópio modesto consegue já discernir a Divisão de Cassini.

Dia 03/06: 154.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965 era lançada a Gemini 4, a primeira missão espacial tripulada com uma duração de vários dias. Neste mesmo dia Edward White andou no exterior de uma nave espacial pela primeira vez na história dos EUA, num passeio que durou aproximadamewnte 20 minutos.

Observações: Perto da meia-noite, já a constelação de Hércules está alta o suficiente para permitir uma boa observação telescópica do seu famoso enxame globular, M13.

 
CURIOSIDADES


Pensa-se que a Nuvem de Oort contenha vários biliões de corpos individuais a distâncias entre 2000-5000 UA (0,03 e 0,08 anos-luz) até 50.000 UA (0,79 anos-luz).

 
DIETA POBRE EM SÓDIO É A CHAVE PARA A LONGEVIDADE DAS ESTRELAS
Esta imagem obtida pelo telescópio de 2,2 metros do Observatório La Silla no Chile mostra o enxame globular NGC 6752 na constelação de Pavão. Os estudos deste enxame com o VLT revelaram inesperadamente que muitas das estrelas não sofrem uma perda de massa no fim das suas vidas.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos pensam que estrelas como o Sol lançam a maior parte das suas atmosferas para o espaço no final das suas vidas. No entanto, novas observações de um enorme enxame estelar, obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO mostraram, contra todas as expectativas, que a maioria das estrelas estudadas simplesmente não chegam a esta fase das suas vidas. Uma equipa internacional descobriu que a quantidade de sódio presente nas estrelas permite prever de modo muito preciso como é que estes objectos terminarão as suas vidas.

O modo como as estrelas evoluem e terminam a sua vida foi durante muitos anos um processo que se pensou ser bem compreendido. Modelos computacionais detalhados preveem que estrelas com massa semelhante à do Sol passam por uma fase no final das suas vidas - o chamado ramo assimptótico das gigantes ou AGB (asymptotic giant branch) - em que ficam sujeitas a uma queima final do conteúdo nuclear, fazendo com que uma grande parte da sua massa se transforme em gás e poeira.

Este material expelido é depois utilizado para formar a próxima geração de estrelas, sendo este ciclo de perda de massa e renascimento vital para explicar a evolução química do Universo. Este processo fornece também o material necessário à formação de planetas - e contém ainda os ingredientes necessários à vida orgânica.

No entanto, o australiano Simon Campbell, especialista em teorias estelares, do Centro para Astrofísica da Universidade Monash em Melbourne, Austrália, descobriu em artigos científicos antigos indícios importantes de que algumas estrelas poderiam de algum modo não estar a seguir as regras, saltando completamente a fase AGB. Simon explica melhor:

"Para um cientista de modelos estelares, estas hipóteses pareciam loucas! Todas as estrelas passam pela fase AGB, de acordo com os nossos modelos. Eu verifiquei e tornei a verificar todos os estudos antigos sobre o assunto, e acabei por concluir que este facto não tinha sido estudado com o rigor necessário. Por isso decidi eu mesmo investigar o assunto, apesar de ter pouca experiência observacional."

Campbell e a sua equipa utilizaram o VLT do ESO para estudar com muito cuidado a radiação emitida pelas estrelas do enxame estelar globular NGC 6752, situado na constelação austral do Pavão. Esta enorme bola de estrelas antigas contém uma primeira geração de estrelas e uma segunda, formada algum tempo depois da primeira. As duas gerações conseguem distinguir-se pela quantidade de sódio que contêm - algo que pode ser medido devido à qualidade extremamente elevada dos dados do VLT.

"O FLAMES, o espectrógrafo multi-objecto de alta resolução montado no VLT, era o único instrumento que nos permitia obter dados de 130 estrelas ao mesmo tempo, com qualidade suficientemente elevada. Com este instrumento pudemos também observar uma grande parte do enxame globular de uma só vez," acrescenta Campbell.

Os resultados revelaram-se surpreendentes - todas as estrelas AGB do estudo eram de primeira geração com níveis de sódio baixos e nenhuma das estrelas de segunda geração, com níveis mais altos de sódio, tinha-se tornado numa AGB. Um total de 70% das estrelas não estavam nesta fase final de queima nuclear com consequente perda de massa.

"Parece que as estrelas precisam de uma 'dieta' pobre em sódio para que possam atingir a fase AGB no final das suas vidas. Esta observação é importante por várias razões. Estas estrelas são as mais brilhantes nos enxames globulares - por isso haverá 70% menos estrelas mais brilhantes do que a teoria prevê. O que significa também que os nossos modelos estelares estão incompletos e devem ser corrigidos!" conclui Campbell.

A equipa espera que sejam encontrados resultados semelhantes para outros enxames estelares e está a planear mais observações.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Nature (requer subscrição)
Space Daily
PHYSORG
SPACE.com

NGC 6752:
Wikipedia
wikisky.org
seds.org

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

 
OBJECTO MISTERIOSO E BEM-PRESERVADO DA NUVEM DE OORT APROXIMA-SE DO SISTEMA SOLAR

E se pudéssemos viajar até ao fim do Sistema Solar - para lá dos nossos conhecidos planetas rochosos e gasosos, para lá das órbitas dos asteróides e cometas - mil vezes ainda mais longe - até à concha esférica de partículas geladas que rodeiam o Sistema Solar? Acredita-se que esta concha, mais conhecida como Nuvem de Oort, seja um remanescente do início do Sistema Solar.

Imagine o que os astrónomos podiam aprender sobre o Sistema Solar jovem ao enviar uma sonda para a Nuvem de Oort. Infelizmente a sua distância é um pouco mais do que está actualmente ao nosso alcance. Mas não estamos totalmente sem sorte. 2010 WG9 - um objecto trans-neptuniano - é na verdade um objecto da Nuvem de Oort disfarçado. Foi empurrado da sua órbita e encontra-se a viajar para mais perto de nós, para que possamos ter uma visão sem precedentes.

Mas ainda fica melhor! 2010 WG9 não vai aproximar-se do Sol, o que significa que a sua superfície gelada permanecerá bem preservada. David Rabinowitz, autor principal de um artigo sobre observações deste objecto, afirma: "Este é um dos objectivos principais da Ciência Planetária - observar um planetesimal inalterado deixado para trás da época da formação do Sistema Solar."

Impressão de artista de dois objectos numa órbita longínqua em torno do Sol. O sistema 2010 WG9 pode ser como este.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Deve estar a pensar: os cometas não vêm da Nuvem de Oort? É verdade, a maioria dos cometas foram puxados para fora da Nuvem de Oort por uma perturbação gravitacional. Mas a observação dos cometas é extremamente difícil porque estão rodeados por nuvens brilhantes de poeira e gás. Também aproximam-se muito do Sol, o que significa que os seus conteúdos gelados evaporam-se e a sua superfície original não é preservada.

Por isso, embora exista um número surpreendentemente elevado de objectos da Nuvem de Oort que viajam pelo Sistema Solar interior, os astrónomos precisavam encontrar um que seja fácil de observar e cuja superfície esteja bem preservada. 2010 WG9 é o objecto ideal para este trabalho. Não está coberto por poeira ou gás, e acredita-se que tenha passado a maioria da sua vida a distâncias superiores a 1000 UA. De facto, nunca passará a órbita de Úrano.

Astrónomos da Universidade de Yale observam 2010 WG9 há já mais de dois anos, capturando imagens em diferentes comprimentos de onda. Assim como os filtros de café permitem com que o líquido passe mas bloqueie resíduos sólidos de café, os filtros astronómicos permitem a passagem de certos comprimentos de onda enquanto bloqueia todos os outros.

Convém recordar que o comprimento de onda da luz visível refere-se à cor. A cor vermelha, por exemplo, tem um comprimento de onda que ronda os 650 nm. Um objecto muito vermelho irá por isso ficar mais brilhante num filtro deste comprimento de onda, ao contrário de um filtro, digamos, de 475 nm, ou azul. A utilização de filtros permite aos astrónomos estudar cores específicas do espectro visível.

Os astrónomos observaram 2010 WG9 com quatro filtros: azul, visível, vermelho e infravermelho. O que viram? Variação - uma alteração de cor ao longo de poucos dias.

A fonte provável é uma superfície irregular. Imagine olhar para a Terra (faça de conta que não tem atmosfera) com um filtro azul. Ficava mais brilhante quando os oceanos estivessem visíveis, e mais ténue quando estivessem visíveis os continentes. Haveria uma variação na cor, dependendo dos diferentes elementos localizados na superfície do planeta.

O planeta anão Plutão tem manchas de metano gelado, que também aparecem como variações de cor à sua superfície. Ao contrário de Plutão, 2010 WG9 é pequeno (100 km em diâmetro) e não consegue manter o seu metano gelado. É possível que uma parte da superfície tenha sido exposta recentemente após um impacto. De acordo com Rabinowitz, os astrónomos ainda não têm a certeza do significado das variações de cor.

Rabinowitz explica que 2010 WG9 tem uma rotação invulgarmente lenta. A maioria dos objectos trans-neptunianos giram cada poucas horas. 2010 WG9 completa uma rotação a cada 11 dias! A melhor razão para esta discrepância é que é na realidade um sistema binário. Se 2010 WG9 está preso a outro objecto por forças de marés - o que significa que a rotação de cada corpo está bloqueada à velocidade de rotação - então 2010 WG9 abranda a sua rotação.

Segundo Rabinowitz, o próximo passo será observar 2010 WG9 com telescópios maiores - talvez o Telescópio Espacial Hubble - para melhor medir a variação de cor. Podem até ser capazes de determinar se o objecto é de facto um sistema binário, e observar o objecto secundário.

Quaisquer observações futuras irão ajudar-nos a melhor compreender a Nuvem de Oort. "Sabemos muito pouco sobre a Nuvem de Oort - quantos objectos lá existem, quais as suas dimensões e como se formou," explica Rabinowitz. "Ao estudar as propriedades em detalhe de um membro recém-chegado da Nuvem de Oort, podemos aprender mais sobre os seus constituintes."

2010 WG9 irá provavelmente dar-nos pistas sobre a origem do Sistema Solar e ajudar-nos a melhor compreender a sua própria origem: a misteriosa Nuvem de Oort.

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
Wired

2010 WG9:
Minor Planet Center (dados)
Minor Planet Center (órbita)

Nuvem de Oort:
Wikipedia
Nineplanets.org

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 6960: A Nebulosa da Vassoura da Bruxa
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Martin Pugh
 
Há cerca de 10.000 anos atrás, antes da aurora da História Humana, uma nova luz teria de repente surgido no céu nocturno, tendo-se extinguido após algumas semanas. Hoje sabemos que essa luz veio de uma supernova, ou da explosão de uma estrela, e conhecemos a nuvem de detritos em expansão como a Nebulosa do Véu, um remanescente de supernova. Esta nítida imagem telescópica está centrada num segmento Oeste da Nebulosa do Véu, catalogada como NGC 6960 mas menos conhecida como Nebulosa da Vassoura da Bruxa. Expelida na explosão cataclísmica, a onda de choque viaja pelo espaço varrendo o material interestelar. Obtida com filtros de banda estreita, os filamentos brilhantes são como longas ondas numa folha vista quase de lado, muito bem separados em tons de vermelho (hidrogénio) e azul (oxigénio). O remanescente de supernova fica a cerca de 1400 anos-luz na direcção da constelação de Cisne. A Vassoura da Bruxa estende-se por 35 anos-luz. A estrela brilhante na imagem é 52 Cygni, visível a olho nu a partir de um local escuro, mas não tem relação com o antigo resto de supernova.
 

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