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Edição n.º 968
14/06 a 17/06/2013
 
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28/06/13 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
21:00 - 23:00
Preço: 1€ (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 920/22
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu nocturno com telescópio (dependente da meteorologia favorável)

29/06/13 - DESCOBRINDO O SOL
16:00 - 17:00 (actividade incluída na visita ao Centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro - crianças até 12 anos grátis)
Nesta actividade os participantes poderão observar os fenómenos visíveis na "superfície" do Sol e participar em experiências que ajudam a conhecer melhor o astro-rei.

 
EFEMÉRIDES

Dia 14/06: 165.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1949, Albert II, um macaco-rhesus, viaja a bordo de um foguetão V2, até uma altitude de 134 km, tornando-se por isso no primeiro macaco no espaço.
Em 1962, a ESRO (European Space Research Organisation) é fundada em Paris - mais tarde tornando-se na ESA (European Space Agency).
Em 1967 era lançada a Mariner 5 (EUA): missão de voo rasante por Vénus (3.900 km a 19 de Outubro de 1967).

Em 2002, o asteróide 2002 MN falha a Terra por 121.000 km, aproximadamente um-terço da distância entre a Terra e a Lua.
Observações: Em comparação com ontem, a Lua está mais perto da "foice" de Leão.

Dia 15/06: 166.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 763 AC, os assírios registam um eclipse solar que é mais tarde usado para corrigir a cronologia da história da Mesopotâmia.
Em 2000, cientistas descobrem açúcar no espaço.

A descoberta da molécula de açúcar, glicoaldeído, numa nuvem gigante de gás e poeira perto do centro da nossa Via Láctea, foi feita por cientistas usando o telescópio de 12 metros de Kitt Peak, no Arizona.
Observações: Mercúrio está aproximando-se de Vénus ao lusco-fusco. Estão hoje a 3,2º entre si, e estarão a 2º na aproximação máxima de dia 19. Mas Mercúrio está a diminuir rapidamente de brilho.

Dia 16/06: 167.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1911, um meteorito rochoso com 772 g atinge a Terra perto de Kilbourn, no estado americano do Wisconsin, danificando um celeiro.
Em 1963, Valentina Tereshkova torna-se na primeira mulher a ir ao espaço, a bordo da nave soviética Vostok 6.

O seu voo solitário é ainda único. Vinte anos mais tarde, no dia 18, Sally Ride torna-se na primeira americana em órbita, a bordo do vaivém espacial.
Em 1999, maior aproximação do asteróide 1685 Toro pela Terra (0,757 UA).
Em 2012, a China lança com sucesso a nave Shenzhou 9, que transporta três astronautas - incluindo a primeira astronauta chinesa, Liu Yang - até ao módulo orbital Tiangong-1. No mesmo dia, o avião robótico espacial dos EUA, Boeing X-37B, regressa à Terra após uma missão orbital secreta de 469 dias.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 18:24.
Durante os próximos dias, observe a alteração na distância entre Vénus e Mercúrio, baixos ao lusco-fusco a Oeste-Noroeste.

Dia 17/06: 168.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1909, A. Kopff descobria o asteróide Hagar (682).
Observações: Com o Verão a apenas cinco dias de distância, Escorpião já começa a ser visível a Sudeste ao anoitecer. A sua estrela mais brilhante é a alaranjada Antares. As estrelas brilhantes nos seus lados constituem o torso do animal, e para a direita e para cima está uma linha de estrelas que perfaz a sua cabeça. Esta é uma excelente área para explorar com um atlas celeste e uns binóculos.

 
CURIOSIDADES


Foi do sótão da sua casa que Marconi enviou o primeiro sinal de rádio: a letra S, em código Morse.

 
DESCOBERTO NOVO TIPO DE ESTRELA VARIÁVEL

Com o auxílio do telescópio suíço Euler de 1,2 metros, instalado no Observatório de La Silla no Chile, os astrónomos descobriram um novo tipo de estrela variável. A descoberta baseou-se na detecção de pequeníssimas variações no brilho de algumas estrelas de um enxame. As observações revelaram propriedades destas estrelas anteriormente desconhecidas, que desafiam as actuais teorias e levantam questões sobre a origem das variações.

Os suíços são famosos pela sua arte em criar peças tecnológicas extremamente precisas. Não fugindo a esta regra, uma equipa de suíços do Observatório de Genebra acaba de atingir uma precisão extraordinária utilizando um telescópio relativamente pequeno, de 1,2 metros, num programa de observação que se estendeu ao longo de muitos anos. A equipa descobriu uma nova classe de estrelas variáveis ao medir variações minúsculas do brilho estelar.

Os novos resultados baseiam-se em medições regulares do brilho de mais de três mil estrelas no enxame estelar aberto NGC 3766, a cerca de 7000 anos-luz na direcção da constelação de Centauro, durante um período de sete anos. Trinta e seis destas estrelas seguem um padrão inesperado - mostram minúsculas variações regulares do seu brilho ao nível de 0,1 % do brilho normal das estrelas. Estas variações têm períodos compreendidos entre as 2 e as 20 horas. As estrelas são um pouco mais quentes e mais brilhantes que o Sol, mas tirando isso parecem perfeitamente normais. Esta nova classe de estrelas variáveis ainda não tem nome.

O enxame estelar aberto NGC 3766, na constelação de Centauro. Foram aqui descobertas 36 estrelas que pertencem a uma nova classe de estrelas variáveis, desconhecida até agora.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O nível de precisão das medições foi duas vezes superior ao conseguido em estudos semelhantes com outros telescópios - e suficiente para revelar estas pequenas variações pela primeira vez.

"Chegámos a este nível de sensibilidade graças à alta qualidade das observações combinada com uma análise dos dados extremamente cuidada," diz Nami Mowlavi, líder da equipa de investigação, "mas também porque levámos a cabo um extenso programa de observação que durou sete anos. Provavelmente não teria sido possível obter tanto tempo de observação num telescópio maior."

Muitas estrelas são conhecidas como variáveis pulsantes, porque o seu brilho aparente varia com o tempo. O modo como o brilho destas estrelas varia depende de maneira complexa das propriedades do seu interior. Este fenómeno permitiu o desenvolvimento de um ramo da astrofísica chamado astrosismologia, onde os astrónomos "ouvem" estas vibrações estelares, no intuito de compreenderem as propriedades físicas das estrelas e o seu funcionamento interno.

"A existência desta nova classe de estrelas variáveis constitui por si só um desafio aos astrofísicos," diz Sophie Saesen, outro membro da equipa. "Os modelos teóricos actuais prevêem que o seu brilho não deve variar de maneira periódico, por isso os nossos esforços actuais estão focados em descobrir mais sobre o comportamento deste novo tipo tão estranho de estrelas."

Embora a causa destas variações permaneça um mistério, existe uma pista importante: algumas das estrelas têm uma rotação muito rápida. Rodam a velocidades mais elevadas do que metade da sua velocidade crítica, que é o limite a partir do qual as estrelas se tornam instáveis e lançam matéria para o espaço.

"Nestas condições, a rotação rápida terá um impacto importante nas suas propriedades internas, no entanto ainda não conseguimos modelar adequadamente as suas variações em brilho," explica Mowlavi, "Esperamos que a nossa descoberta encoraje especialistas a estudar este assunto, no sentido de percebermos a origem destas misteriosas variações."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG
Sky & Telescope
redOrbit
Space Daily
UPI.com

Estrelas variáveis:
Wikipedia
AAVSO

NGC 3766:
SEDS
Wikipedia

Telescópio Leonhard Euler:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
CHANDRA DESCOBRE MUITOS BURACOS NEGROS EM ANDRÓMEDA

Usando dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA, os astrónomos descobriram um número sem precedentes de buracos negros na Galáxia de Andrómeda, uma das galáxias mais próximas da Via Láctea.

Usando mais de 150 observações do Chandra, distribuídas ao longo de 13 anos, os pesquisadores identificaram 26 candidatos a buraco negro, o maior número até à data numa galáxia para lá da nossa. Muitos consideram Andrómeda uma galáxia-irmã da Via Láctea. As duas vão colidir daqui a vários milhares de milhões de anos.

"Embora estejamos animados por encontrar tantos buracos negros em Andrómeda, nós pensamos que é apenas a ponta do iceberg," afirma Robin Barnard do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (CfA) em Cambridge, no estado americano do Massachusetts, principal autor de um novo artigo que descreve os resultados. "A maioria dos buracos negros não terá companheiros próximos e será invisível para nós."

Dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA foram usados para descobrir 26 candidatos a buraco negro na vizinha da Via Láctea, a Galáxia de Andrómeda.
Crédito: raios-X: NASA/CXC/SAO/R. Barnard, Z. Lee et al; Óptico: NOAO/AURA/NSF/Programa REU/B. Schoening, V. Harvey e Fundação Descubre/CAHA/OAUV/DSA/V. Peris
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os candidatos a buraco negro pertencem à categoria de massa estelar, ou seja, formaram-se nos leitos de morte de estrelas muito massivas e normalmente têm massas entre cinco e dez vezes a do nosso Sol. Os astrónomos podem detectar estes objectos invisíveis à medida que o material é puxado de uma estrela companheira e aquecido para produzir radiação antes de desaparecer no buraco negro.

O primeiro passo para identificar estes buracos negros é ter a certeza de que eram sistemas de massa estelar na própria Galáxia de Andrómeda, em vez de buracos negros supermassivos nos corações de galáxias mais distantes. Para alcançar este objectivo, os investigadores usaram uma nova técnica que se baseia em informações sobre a luminosidade e a variabilidade das fontes de raios-X nos dados do Chandra. Em suma, os sistemas de massa estelar mudam muito mais rapidamente do que os buracos negros supermassivos.

Para classificar os sistemas de Andrómeda como buracos negros, os astrónomos observaram que estas fontes de raios-X tinham características especiais, isto é, que eram mais brilhantes do que um determinado nível elevado de raios-X e tinham também uma cor particular em raios-X. As fontes que contêm estrelas de neutrões, núcleos densos de estrelas mortas, que seriam a explicação alternativa para estas observações, não apresentam estas características simultaneamente. Mas fontes que contêm buracos negros apresentam.

O Observatório de raios-X XMM-Newton da ESA adicionou um suporte crucial para este trabalho ao fornecer espectros de raios-X, a distribuição de raios-X com energia, para alguns dos candidatos a buraco negro. Os espectros dão-nos informações importantes que ajudam a determinar a natureza destes objectos.

"Ao fazer observações durante mais uma dúzia de anos, somos capazes de construir uma versão singularmente única de M31," afirma Michael Garcia, co-autor do artigo, também do CfA. "A exposição resultante, muito longa, permite-nos testar se as fontes individuais são buracos negros ou estrelas de neutrões."

O grupo de pesquisa já tinha previamente identificado nove candidatos a buraco negro dentro da região coberta pelos dados do Chandra, e os resultados actuais aumentam o total para 35. Oito deles estão associados com enxames globulares, antigas concentrações de estrelas distribuídas num padrão esférico em torno do centro da galáxia. Isto também diferencia Andrómeda da Via Láctea, pois os astrónomos ainda têm que encontrar um buraco negro semelhante num dos aglomerados globulares da Via Láctea.

Sete destes candidatos a buraco negro estão até 1000 anos-luz do centro da Galáxia de Andrómeda. Este número é superior ao número de candidatos a buraco negro com propriedades similares localizados perto do centro da nossa própria Galáxia. Isto não constitui uma surpresa para os astrónomos porque o bojo de estrelas no meio de Andrómeda é maior, permitindo a formação de mais buracos negros.

"Quando se trata de encontrar buracos negros na região central de uma galáxia, é de facto um caso onde maior é melhor," afirma o co-autor Stephen Murray, da Universidade Johns Hopkins e do CfA. "No caso de Andrómeda, temos um bojo maior e um buraco negro supermassivo maior do que o da nossa Via Láctea, por isso esperamos encontrar lá também mais buracos negros."

Este novo trabalho confirma as previsões feitas no início da missão do Chandra acerca das propriedades das fontes de raios-X perto do centro de M31. Pesquisas anteriores feitas por Rasmus Voss e Marat Gilfanov do Instituto Max Planck para Astrofísica na Alemanha, usaram o Chandra para mostrar a existência de um número invulgarmente elevado de fontes de raios-X perto do centro de M31. Eles previram que a maioria destas fontes extra de raios-X continham buracos negros que haviam encontrado e capturado estrelas de baixa massa. Esta nova detecção de sete candidatos a buraco negro perto do centro de M31 dá um forte apoio a estas ideias.

"Estamos particularmente excitados por ver tantos candidatos a buraco negro tão perto do centro, porque esperávamos vê-los e procurávamo-los há anos," afirma Barnard.

Estes resultados serão publicados na edição de 20 de Junho da revista The Astrophysical Journal. Muitas das observações de Andrómeda foram feitas no âmbito do programa GTO (Guaranteed Time Observer) do Chandra.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (fomato PDF)
CfA
SPACE.com
Discovery News

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
Wikipedia

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Buracos negros:
Wikipedia

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Pôr-do-Sol com Três Planetas
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Chris Kotsiopoulos (GreekSky)
 
Nesta imagem serena, criada no passado dia 25 de Maio a partir de uma série de exposições digitais, conseguimos ver três planetas após o pôr-do-Sol. A composição segue o rasto de Júpiter, Vénus e Mercúrio (esquerda para a direita) até que descem para baixo do horizonte a Oeste, perto uns dos outros aquando da maravilhosa conjunção planetária tripla do mês passado. Semelhante em brilho com o planeta Mercúrio, a estrela Elnath (Beta Tauri) é também seguida na cena, deixando o seu rasto mais para a direita. Claro, no pano da frente estão as calmas águas do lago salgada Alikes, reflectindo as esplêndidas cores do pôr-do-Sol sobre a ilha grega de Cós. Por agora, Júpiter moveu-se para mais perto do brilho do Sol poente, mas Mercúrio e Vénus permanecem baixos a Oeste ao lusco-fusco.
 

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