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Edição n.º 991
03/09 a 05/09/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 03/09: 246.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1976, a sonda Viking 2 aterrava na Planície Utopia, em Marte

Observações: Com a Lua fora do céu nocturno, é uma boa altura para ver o que pode discernir do distante enxame de galáxias Abell 2666. A sua posição é fácil de encontrar dentro do Grande Quadrado de Pégaso, com a ajuda de um mapa estelar ou programa informático. Mas vai precisar de um telescópio moderadamente grande e um bom céu; o membro mais brilhante do enxame, a gigante NGC 7768, parece ter magnitude 12 ou 13. Se for bem sucedido(a), será que é esta a galáxia mais distante que já observou? O enxame está a 300 milhões de anos-luz de distância.

Dia 04/09: 247.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Olhe para Sul pouco depois do anoitecer e para bem alto. A estrela mais brilhante aí é Altair, com a mais ténue Tarazed a poucos graus de distância por cima e um pouco para a direita. Para a esquerda de Altair está a ténue mas notável constelação de Golfinho.

Dia 05/09: 248.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977 arrancava o programa Voyager com o lançamento da sonda Voyager 1.

Em 1984, o vaivém espacial Discovery fazia o seu voo inaugural.
Observações: Lua Nova, pelas 12:36.
Ao cair da noite, aviste Vénus baixo a Oeste. Por baixo, a menos de 2º, está Espiga. Binóculos ajudam. Saturno está 14º para cima e para a esquerda.

 
CURIOSIDADES


Ceres contém aproximadamente um-terço de toda a massa da cintura de asteróides.

 
CERES - UM DOS FACTORES DE MUDANÇA NO PRISMA DO SISTEMA SOLAR

Em Março de 2015, a missão Dawn da NASA alcançará o planeta anão Ceres, o primeiro da classe de planetas menores a ser descoberto e o mais próximo da Terra. Ceres, que orbita o Sol na cintura de asteróides entre Marte e Júpiter, é um corpo único no Sistema Solar, tendo muitas semelhanças com a lua de Júpiter, Europa, e a lua de Saturno, Encelado, ambas consideradas como fontes potenciais para albergar vida.

No passado dia 15 de Agosto, Britney Schmidt, cientista da missão Dawn, e Julie Castillo-Rogez, cientista planetária do JPL da NASA, falaram num Google+ Hangout com o nome "Ceres: Mundo Gelado Revelado?" acerca da crescente excitação em redor do corpo gelado mais próximo. "Eu acho que, na verdade, Ceres é como um divisor de águas no Sistema Solar," afirma Schmidt. "Ceres é sem dúvida o único da sua espécie."

Quando Ceres foi descoberto em 1801, os astrónomos classificaram-no como planeta. O corpo massivo viajava entre Marte e Júpiter, onde os cientistas haviam previsto matematicamente a existência de um planeta. Observações posteriores revelaram que uma série de pequenos corpos entulhavam a região, e Ceres foi desclassificado para apenas mais um asteróide na cintura. Foi só em 2006, quando Plutão foi classificado como planeta anão, que Ceres foi actualizado para o mesmo nível.

Ceres é o corpo de maior massa na cintura de asteróides, maior que algumas das luas geladas que os cientistas consideram ideais para albergar vida. Tem o dobro do tamanho de Encelado, a lua de Saturno que expele jactos e que pode esconder água líquida por baixo da sua superfície.

A forma arredondada de Ceres indica que se formou no início da história do Sistema Solar. Ceres é o maior corpo, redondo, na imagem. Na direcção dos ponteiros do relógio, desde o canto inferior esquerdo, temos: 2 Pallas, 4 Vesta, 243 Ida, 433 Eros, 25143 Itokawa, 951 Gaspra, 5535 Annefrank.
Crédito: composição de missões da NASA e imagens do Hubble: Schmidt, Britney Elyce, Caracterizando os protoplanetas: observações e geofísica de Pallas, Vesta e Ceres, Dissertação de Doutoramento, Universidade da Califórnia em Los Angeles, Junho de 2010
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Ao contrário dos outros asteróides, Ceres tem uma forma perfeitamente arredondada que sugere as suas origens. "O facto de Ceres ser tão redondo diz-nos com quase toda a certeza que se formou no início do Sistema Solar," afirma Schmidt. Ela explicou que uma formação posterior teria criado uma forma menos arredondada.

A forma do planeta anão, combinada com o seu tamanho e massa total, revelam um corpo de densidade extremamente baixa. "Sob esta superfície empoeirada, suja, tipo-argila, pensamos que Ceres pode ser gelado," acrescenta Schmidt. "Pode até ter tido um oceano no seu passado."

"A diferença entre Ceres e os outros corpos gelados [no Sistema Solar] é que é o mais próximo do Sol," realça Castillo-Rogez. A menos de três vezes a distância entre a Terra e o Sol, Ceres está perto o suficiente para sentir o calor da estrela, permitindo com que o gelo derreta e volte a solidificar.

A investigação do interior do planeta anão pode fornecer informações sobre o Sistema Solar jovem, especialmente locais onde a água e outros compostos voláteis podem ter existido. "Ceres é uma espécie de guardião da história da água no meio do Sistema Solar," comenta Schmidt.

Por mais grande que Ceres seja, é um desafio estudá-lo a partir da Terra devido à sua distância. Imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble forneceram algumas dicas em relação à sua superfície, mas para serem avistadas, as características não podem ter menos do que 25 km em diâmetro. Várias manchas circulares pintam o terreno, características que Schmidt diz poderem ser vários terrenos geológicos, incluindo potenciais bacias de impacto ou terrenos caóticos como aqueles encontrados em Europa. A maior delas, com o nome de Piazzi em honra ao descobridor do planeta anão, tem um diâmetro de aproximadamente 250 km. Se esta característica for uma bacia de impacto, provavelmente foi formada por um objecto com aproximadamente 25 km em diâmetro.

O planeta anão Ceres visto pelo Hubble.
Crédito: NASA, ESA, J. Parker (Instituto de Pesquisa do Sudoeste), P. Thomas (Universidade de Cornell), L. McFadden (Universidade de Maryland, College Park), e M. Mutchler e Z. Levay (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mas para Schmidt, esta é uma outra possível indicação acerca da superfície do planeta anão. "Isto não significa que Ceres não tenha sido atingido por algo maior que 25 km," afirma. "Significa apenas que o que quer que esteja acontecer em Ceres não apagou totalmente [a assinatura topográfica desse evento]." Ceres pode ter sofrido grandes impactos, especialmente durante períodos de intenso bombardeamento no início da história do Sistema Solar. No entanto, se a superfície contiver gelo, essas características podem ter sido apagadas.

Os telescópios na Terra também foram capazes de estudar a luz reflectida do planeta e ler os seus espectros. "O espectro diz-nos que a água tem estado envolvida na criação de materiais à superfície," realça Schmidt. O espectro indica que a água está ligada ao material na superfície de Ceres, formando uma argila. Schmidt comparou-a com a recente descoberta de minerais pelo rover Curiosity à superfície de Marte. "[A água está] literalmente banhando a superfície de Ceres," comenta.

Além disso, os astrónomos descobriram evidências de carbonatos, minerais que se formam num processo que envolve água e calor. Os carbonatos são geralmente produzidos por processos de vida. O material original formado com Ceres misturou o material impactante ao longo dos últimos 4,5 mil milhões de anos, criando o que Schmidt chama de "esta mistura de materiais ricos em água que encontramos em planetas habitáveis como a Terra e planetas potencialmente habitáveis como Marte." A água é considerada um ingrediente necessário para a evolução da vida como a conhecemos. Pensa-se que os planetas que podem ter contido água, como Marte, bem como luas que ainda a têm hoje, como Encelado e Europa, são ideais para albergar ou ter albergado vida.

Ceres completa um rotação a cada nove horas.
Crédito: NASA, ESA, J. Parker (Instituto de Pesquisa do Sudoeste), P. Thomas (Universidade de Cornell), e L. McFadden (Universidade de Maryland, College Park)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Devido ao seu tamanho e proximidade, Schmidt considera Ceres "sem dúvida mais interessante do que alguns destes satélites gelados. Se é gelado, deve ter tido um oceano em algum ponto do seu passado," realça.

Castillo-Rogez comparou a Terra, Europa e Ceres, e descobriu que o planeta anão tem muitas parecenças com a Terra, talvez até mais do que a lua gelada de Júpiter. Tanto a Terra como Ceres usam o Sol como fonte principal de calor, enquanto que Europa recebe a maioria do seu calor a partir das interacções de maré com Júpiter. Além disso, a temperatura média à superfície do planeta anão varia entre os 130 e os 200 Kelvin, em comparação com os 300 K da Terra, enquanto Europa varia entre uns gelados 50 e 110 K.

"Pelo menos na linha do equador onde a superfície é mais quente, Ceres poderia ter preservado uma espécie de líquido," afirma Castillo-Rogez. A água líquida poderia existir noutros pontos do planeta anão, conhecidos como armadilhas frias, ou áreas permanentemente à sombra onde a água gelada poderia permanecer à superfície. Tais "poças" geladas já foram encontradas na Lua. "A química, actividade térmica, a fonte de calor e as perspectivas de convecção no interior do reservatório de gelo são os principais factores que nos fazem pensar que Ceres já pode ter sido habitável pelo menos em algum momento da sua história," acrescenta Castillo-Rogez.

À medida que os cientistas desenvolvem mais informações sobre Europa e Encelado, tem havido uma maior atracção para investigar os dois locais privilegiados para a vida. Mas Schmidt e Castillo-Rogez pensam que Ceres também poderia trazer grandes benefícios para a astrobiologia e exploração espacial. "Não é um ambiente difícil de investigar," afirma. "Quando pensamos no futuro das missões com rovers ou até tripuladas, porque não visitar Ceres?"

Comparando a habitabilidade da Terra com a lua de Júpiter, Europa, e o planeta Ceres.
Crédito: Dawn EPO CosmoQuest
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Apesar de que seria mais difícil perfurar Ceres do que Europa, que possui uma camada superficial de gelo, o planeta anão seria um óptimo local para conduzir um rover. Schmidt também realça que poderia ser um esplêndido ponto de partida quando se trata de alcançar o Sistema Solar exterior. A sua massa menor tornaria mais fácil os pousos e descolagens do que em Marte, o que o tornaria num bom local para missões tripuladas. "Neste lugar especial do Sistema Solar, temos um objecto único que pode dizer-nos muito mais sobre a construção de um planeta habitável."

A missão Dawn da NASA foi lançada no dia 27 de Setembro de 2007. Viajou até ao asteróide Vesta, onde permaneceu em órbita entre Julho de 2011 e Julho de 2012, antes de partir em direcção a Ceres. Está programada para passar cinco meses estudando o planeta anão, embora Schmidt tenha expressado o desejo de que a sonda continue a trabalhar para lá da missão principal, permitindo com que a equipa estude o corpo gelado por mais tempo.

Castillo-Rogez acrescenta que não só irá a Dawn alcançar Ceres em 2015, como também a sonda Rosetta da ESA chegará no mesmo ano ao cometa Churyumov-Gerasimenko, e que a sonda New Horizons da NASA chegará a Plutão e à sua lua Caronte. "2015 vai ser um grande ano para os corpos gelados," conclui Castillo-Rogez. "Eu acho que quando alcançarmos Ceres, vai ser um grande divisor de águas, uma nova janela para o Sistema Solar que não teríamos sem ir lá," conclui Schmidt.

Links:

Notícias relacionadas:
YouTube (Google+ Hangout)
Astrobiology Magazine
PHYSORG

Ceres:
Wikipedia

Missão Dawn:
Página oficial
Wikipedia

Europa:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Encelado:
Wikipedia

Vesta:
Voo virtual da Dawn por Vesta (YouTube)
Wikipedia

 
CHANDRA APANHA BURACO NEGRO DA VIA LÁCTEA A REJEITAR "COMIDA"

Astrónomos usando o Observatório de raios-X Chandra deram um grande passo em frente na explicação do porquê do material em torno do buraco negro gigante no centro da Via Láctea ser extremamente fraco em raios-X. Esta descoberta tem implicações importantes para a compreensão dos buracos negros.

Novas imagens de Sagittarius A* (Sgr A*) pelo Chandra, que está localizado a cerca de 26.000 anos-luz da Terra, indicam que menos de 1% do gás inicialmente ao alcance gravitacional de Sgr A* chega ao ponto de não retorno, também chamado horizonte de eventos. Em vez disso, a maior parte do gás é expelido antes de chegar perto do horizonte de eventos e antes de ter hipótese de aumentar de brilho, levando à frágil emissão de raios-X.

Estas novas descobertas são o resultado de uma das mais longas campanhas observacionais já realizadas com o Chandra. O observatório recolheu o equivalente a cinco semanas de dados de Sgr A* em 2012. Os cientistas usaram este período de observação para capturar imagens e assinaturas energéticas em raios-X, extraordinariamente detalhadas e sensíveis, do gás super-aquecido que roda em torno de Sgr A*, cuja massa é aproximadamente 4 milhões de vezes maior que a do Sol.

Composição da região em torno de Sagittarius A* (Sgr A*), o buraco negro supermassivo no centro da nossa Galáxia. A emissão em raios-X obtida pelo Chandra é vista em azul, e a emissão infravermelha do Hubble é vista em púrpura e amarelo. A ampliação mostra Sgr A* apenas em raios-X, cobrindo uma região com meio ano-luz em diâmetro.
Crédito: raios-X: NASA/UMass/Q. D. Wang et al.; Infravermelho: NASA/STScI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Nós achamos que a maioria das grandes galáxias tem um buraco negro supermassivo no seu centro, mas estão demasiado longe para estudarmos como a matéria flui perto deles," realça Q. Daniel Wang da Universidade de Massachusetts em Amherst, que liderou o estudo publicado na revista Science. "Sgr A* é um dos poucos buracos negros perto o suficiente para que nós possamos realmente testemunhar este processo."

Os investigadores descobriram que os dados de Sgr A* pelo Chandra não suportam os modelos teóricos nos quais os raios-X são emitidos a partir de uma concentração de estrelas de baixa-massa em redor do buraco negro. Em vez disso, os dados em raios-X mostram que o gás perto do buraco negro provavelmente é originário de ventos produzidos por uma distribuição de jovens estrelas massivas, distribuição esta em forma de disco.

"Esta nova imagem do Chandra é uma das mais esplêndidas que já vi," afirma a co-autora Sera Markoff da Universidade de Amesterdão nos Países Baixos. "Estamos vendo Sgr A* a capturar gás quente expelido por estrelas próximas, e a afunilá-lo na direcção do horizonte de eventos."

Para mergulhar no horizonte de eventos, o material capturado por um buraco negro deve perder calor e momento. A expulsão de matéria permite com que isto ocorra.

"A maioria do gás deve ser jogado fora assim que uma pequena quantidade alcança o buraco negro," afirma o co-autor Feng Yuan do Observatório Astronómico de Xangai na China. "Ao contrário do que se pensa, os buracos negros na realidade não devoram tudo o que é puxado na sua direcção. Sgr A* aparentemente acha que muito do seu alimento é difícil de engolir."

O gás disponível para Sgr A* é muito difuso e super-quente, por isso é difícil de ser capturado e engolido pelo buraco negro. Os buracos negros glutões que alimentam quasares e produzem grandes quantidades de radiação têm reservatórios de gás muito mais frio e denso do que os de Sgr A*.

O horizonte de eventos de Sgr A* lança uma sombra contra a matéria brilhante em torno do buraco negro. Esta pesquisa ajuda os esforços que usam radiotelescópios para observar e compreender a sombra. Também será útil para a compreensão do efeito que as estrelas e nuvens de gás em órbita têm sobre a matéria que flui na direcção de e para longe do buraco negro.

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório Chandra (comunicado de imprensa)
Universidade de Massachusetts (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Science (requer subscrição)
PHYSORG
New Scientist
Sky & Telescope
Universe Today
redOrbit
ScienceDaily
SPACE.com

Sagitário A*:
Wikipedia
WolframAlpha
Chandra

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Buracos negros:
Wikipedia

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 5195
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Arquivo de Dados do HubbleNASAESA - Processamento:  José Jiménez Priego
 
A galáxia anã NGC 5195 é mais conhecida como a pequena companheira da espiral M51, a Galáxia do Redemoinho. Vistas juntas parecem traçar a curva e o ponto de um ponto de interrogação cósmico, como registado em desenhos da nebulosa espiral original por Lord Rosse no século XIX. Ofuscada pela enorme M51 (também conhecida como NGC 5194), NGC 5195 mede cerca de 20.000 anos-luz. Um encontro próximo com M51 provavelmente despoletou a formação estelar e reforçou os braços espirais proeminentes dessa galáxia. Processada a partir de dados disponíveis no Arquivo de Dados do Hubble, esta majestosa ampliação da galáxia anã deixa claro que agora está situada para trás de M51. Uma ponte de maré, composta por nuvens de poeira escura e jovens enxames de estrelas azuis, estica-se desde os arredores de M51 à direita, aparecendo em silhueta contra o brilho amarelado da galáxia anã. O famoso par de galáxias em interacção está situado a cerca de 30 milhões de anos-luz de distância, na direcção da "pega da frigideira" de ursa Maior e da constelação de Cães de Caça.
 

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