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MISTÉRIOS DA LUA AINDA POR RESOLVER
19 de Setembro de 2007
 

A Lua -- na mitologia ligada a deusas da bruxaria e da caça, a deuses da magia e da sabedoria -- é quase tão velha quanto a própria Terra, e ela também tem os seus próprios enigmas. Embora esteja perto do nosso planeta, estamos ainda longe de resolver todos os seus mistérios -- desde a sua formação, até se a vida na Terra tem aí o seu passado e futuro.

Como nasceu a Lua?

A maioria dos cientistas pensa que a Lua nasceu a partir de uma gigantesca colisão -- quando a jovem Terra (na altura, com apenas 30 milhões de anos) foi abalroada por um planeta embriónico do tamanho de Marte há coisa de 4.5 mil milhões de anos, no qual os detritos do nosso planeta e do objecto impactante eventualmente coalesceram numa lua quente e derretida.

Curiosamente, embora os modelos computacionais mais recentes sugiram que a grande maioria da Lua veio deste objecto planetário, as amostras lunares das Apollo e outras missões sugerem que a Lua é quimicamente muito semelhante ao manto da Terra.

"Talvez isso queira dizer que o impactante, este planeta embriónico, era parecido com a Terra, feito com os mesmos materiais que o nosso planeta," disse Bernard Foing, cientista principal do projecto SMART-1, um satélite da ESA que orbitou a Lua entre 2004 e 2006. A sonda japonesa Kaguya, lançada a 13 de Setembro, e a indiana Chandrayaan-1, com lançamento previsto para 2008, deverão enviar mais detalhes acerca da composição da Lua, evolução e finalmente sobre a sua misteriosa origem.

Água na Lua?

O implacável bombardeamento da Lua por cometas e asteróides ricos em água ao longo de milhares de milhões de anos pode ter deixado para trás água na superfície lunar, possivelmente escondida em sombras permanentes, dentro de crateras nos pólos da Lua.

Em 1999, a sonda Lunar Prospector descobriu altos e invulgares níveis de hidrogénio. Isto pode ter a ver com água -- que é, no fim de contas, feita de hidrogénio e oxigénio -- "embora o hidrogénio no vento solar possa também ter sido apanhado nos pólos," disse Foing.

Embora telescópios terrestres sugiram que o gelo possa não existir em espessos depósitos nas crateras lunares polares, o gelo poderá ainda existir em grãos misturado com a poeira. A missão da NASA, Lunar Reconnaissance Orbiter, com lançamento previsto para 2008, transportará a bordo duas sondas que irão embater na lua para procurar água gelada no pólo Sul.

O Cataclismo Lunar

A Lua foi abalada por uma cadeia de devastadores impactos cósmicos, conhecidos como Cataclismo Lunar ou Último Grande Bombardeamento há cerca de entre 4.2 e 3.8 mil milhões de anos atrás, que criou aproximadamente 50 bacias gigantes, visíveis na superfície lunar. Os astrónomos suspeitam que ocorreu quando as órbitas de Júpiter e Saturno se deslocaram, cujos puxos gravitacionais por sua vez trouxeram mais asteróides e cometas.

Todos os planetas interiores provavelmente foram também atingidos durante esta época -- Foing estimou que a Terra sofreu 25 a 30 vezes mais impactos que a Lua. Os cientistas não têm a certeza quando o Último Grande Bombardeamento ocorreu e quanto tempo durou, mas aparentemente teve lugar praticamente à mesma altura que a vida surgia na Terra.

Descobrir quando de facto estes impactos ocorreram poderá ajudar a descobrir se apagaram a vida primitiva que começava a desenvolver-se na Terra -- ou se plantaram os ingredientes químicos que ajudaram ao aparecimento da vida. "Será necessário ir ao máximo número de bacias de impacto possível para medir amostras de modo a descobrir quando foram criadas," disse Foing.

Pistas da origem da vida na Lua?

Milhões de toneladas de rocha libertadas pela Terra devido a impactos cósmicos durante os primeiros tempos do planeta poderão ter aterrado na Lua, pedras essas que poderão conter segredos sobre as origens da vida -- incluindo a remota possibilidade de fósseis microbiais.

"Por cada quilómetro quadrado da Lua, poderão ter caído 200 kg de rocha da Terra primitiva," disse Foing. "Estas rochas podem ser um objectivo científico muito interessante para expedições robóticas e humanas."

O futuro da Lua?

No que respeita ao futuro da vida, "seremos capazes de trazer a vida da Terra para a Lua? Poderemos expandir a vida para lá do berço da Terra? É uma questão ainda sem resposta," afirma Foing.

A Lua alberga recursos intrigantes nos seus materiais, incluindo metais e oxigénio, "mas não contém muito carbono. Se quisermos lá fazer crescer plantas, precisaremos de enriquecer o solo, transportar carbono, nitrogénio e fósforo."

Os colonizadores lunares poderão usar a água disponível na Lua para sobreviver, mas essa água poderá conter milhares de milhões de anos de segredos respeitantes a cometas que colidiram com a Lua, "por isso preferiria estudá-la a bebê-la", diz. "Podemos usar o hidrogénio e oxigénio da Lua para artificialmente produzir água."

Links:

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

 

O nosso único satélite natural, a Lua é um corpo rochoso com imensas crateras e "mares", partes mais escuras e planas, compostas de basalto.
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Stefan Seip
 
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