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KAGUYA NÃO ENCONTRA ÁGUA GELADA EM LOCAL IDEAL PARA BASE LUNAR
25 de Agosto de 2008

 

As esperanças de grandes lagos de água gelada nos pólos da Lua sofreram um novo retrocesso, com novas imagens de uma cratera proeminente relevando apenas poeira lunar ao invés de brilhantes piscinas de gelo.

Há uma década atrás, a sonda Lunar Prospector da NASA sugeriu que os pólos da Lua continham grandes concentrações de hidrogénio perto da superfície, que poderiam estar sobre a forma de água congelada depositada por cometas. Isto seria vital para colónias futuras na Lua, providenciando água potável para os astronautas e hidrogénio em forma de combustível para os seus veículos.

A Cratera Shackleton no pólo sul tem sido uma candidata importante para uma futura base lunar, dado que contém uma saliência no seu rebordo que teria sido um local de aterragem ideal.

Se a cratera também contivesse água gelada, seria um lugar perfeito. Mas essa possibilidade pareceu evaporar-se quando os sinais de radar, anteriormente atribuidos a água gelada, também foram reflectidos de áreas iluminadas onde o gelo não podia existir.

Por isso os investigadores esperavam que a sonda japonesa Kaguya, que foi lançada em Setembro de 2007, pudesse responder a esta questão ao observar a região a partir de órbita lunar.

A sonda contém uma câmara altamente sensível que consegue capturar imagens da superfície da Lua mesmo na total escuridão do seu pólo sul.

O interior da cratera não recebe luz solar directamente. Mas durante um curto período de tempo durante o Verão no hemisfério sul da Lua (Novembro e Dezembro no calendário da Terra), uma pequena parte do seu rebordo recebe uns quantos raios solares. Estes são então espalhados sobre o chão da cratera.

Uma equipa liderada por Junichi Haruyama da JAXA (Agência de Exploração Aeroespacial do Japão) em Kanagawa analisou imagens da cratera obtidas durante estes dias mais brilhantes. As imagens foram capturadas pela Câmara de Terreno da sonda, que pode resolver objectos pequenos com até 10 metros de comprimento.

"Deu-nos um acesso aos pólos até agora nunca alcançado," disse Carle Pieters da Universidade Brown em Providence, Rhode Island, EUA, membro da equipa.

As imagens providenciaram um perfil completo da cratera - incluindo detalhes de crateras pequenas no seu chão e duas avalanches na parede interior.

Mas de acordo com Pieters, a característica mais impressionante era a que faltava. "Se houvesse gelo limpo e bonito, teríamos visto uma maior reflexão da sua superfície - mas não vimos gelo," disse. Pelo contrário, as imagens revelaram apenas solo lunar.

Isto não exclui completamente a possibilidade de água gelada dentro da cratera, salienta a cientista - pode estar enterrado, ou os cristais de gelo podem estar sujos e misturados com as partículas de solo. Alternativamente, pode nem sequer existir água, e o hidrogénio pode estar capturado noutro composto como o metano.

As partículas de gelo capturadas no solo lunar podem ainda ser úteis para uma base lunar, mas isso dependeria do custo da exploração mineira do gelo e da extracção da água, diz Gerry Gilmore, astrónomo da Universidade de Cambridge.

"A chave é o custo relativo de toda esta exploração mineira em comparação com o envio de água líquida da Terra," disse. "Este resultado mostra que não vai ser fácil."

Mas Alan Smith, Director do Laboratório de Ciência Espacial Mullard da Universidade de Londres, discorda: "Se [a água gelada] está presente em níveis de apenas uma pequena percentagem, pode ser muito útil para as missões futuras. De facto, pequenos cristais dentro de uma mistura de poeira lunar pode ser ainda mais fácil de processar."

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico da Science (requer subscrição)
New Scientist
Science News
SPACE.com
Universe Today
MSNBC

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

Kaguya:
Site oficial (JAXA)
Wikipedia

 
Várias crateras são visíveis nas paredes interiores da cratera Shackleton (setas na imagem à esquerda). A Imagem à direita é uma ampliação do rectângulo.
Crédito: J. Haruyama et al./JAXA/Science
(clique na imagem para ver versão maior)
 
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