Representando o que poderá ser o primeiro estudo de impacto lunar ambiental a longo prazo, dados laser recolhidos pelo Observatório Apache Point no Novo México, EUA, sugerem que as experiências LRRR (Lunar Ranging Retro Reflectors), deixadas na Lua pelas missões Apollo 11, 14 e 15, estão começando a mostrar sinais de idade.
APOLLO (Apache Point Observatory’s Lunar Laser-ranging Operation) tem recolhido dados dos LRRRs desde 2006, através de um telescópio de 3,5 metros e de um laser de 532 nm.
Uma típica sessão de observação do APOLLO envolve o disparo do laser ao maior dos LRRRs (o da Apollo 15), entre 4 e 8 minutos. Cada disparo envia cerca de 1017 fotões à Lua, a partir dos quais apenas pode ser detectado, por sessão, um fotão que é enviado de volta. É por isto que o laser é disparado milhares de vezes a um grau de repetição de 20 Hz em cada sessão.
Se o sinal de retorno do LRRR da Apollo 15 é bom, o laser é então redireccionado aos reflectores da Apollo 11 e da Apollo 14. O laser pode até ser dirigido ao reflector do soviético Lunokhod 2, que aterrou na Lua em 1973, embora este não envie de volta um bom sinal se se encontrar no lado diurno do satélite, provavelmente porque o calor afecta o índice refractivo dos reflectores e distorce o sinal de retorno.
Os LRRRs das Apollo foram desenhados para permanecer isotérmicos, mesmo em luz solar directa, para evitar o problema que aparentemente assola o Lunokhod 2. Mas uma análise de dados actuais e recentes revelou um declínio perceptível no seu desempenho a cada Lua Cheia. Dado que os reflectores estão apontados directamente à Terra, apanham a maior quantidade de luz solar directa durante a Lua Cheia.
Dados recentes do Observatório Apache Point foram comparados com dados históricos recolhidos por observatórios mais antigos, envolvidos na experiência do laser lunar. Entre 1973 e 1976, não há nenhum défice de Lua Cheia nos registos dos dados, mas começou a emergir claramente no conjunto de dados entre 1979 e 1984. A equipa de pesquisa estima que a eficiência do sinal de retorno durante a Lua Cheia foi reduzida por um factor de 15 ao longo dos cerca de 40 anos desde que os reflectores Apollo foram colocados na Lua.
Embora os efeitos do aquecimento possam desempenhar um papel na degradação do desempenho dos LRRRs, a poeira lunar parece ser o candidato mais provável, pois seria mais consistente com a degradação muito gradual do desempenho - e onde a perda de performance é mais substancial é durante a Lua Cheia. Estes achados podem necessitar de alguma consideração no desenho de instrumentos ópticos futuros, com o objectivo de permanecerem na superfície lunar durante longos períodos de tempo.
Isto tem também um lado positivo - todos os reflectores, incluíndo o do Lunokhod 2, estão ainda a funcionar. Com esperança, décadas antes que o seu declínio lento mas constante assinale o fim, novos instrumentos ainda mais eficientes serão colocados de novo na superfície lunar - talvez cuidadosamente posicionados por astronautas ou, ao invés, por meios robóticos.
Links:
Artigo científico:
arXiv.org (formato PDF)
LRRR:
APOLLO
Wikipedia
Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia |